terça-feira, 27 de agosto de 2013

a praia das pétalas de rosa

Autor: Dorothy Koomson
Edição: 2012, abril
Páginas: 544
ISBN: 9789720044471
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Todas as histórias de amor sofrem reviravoltas.
Depois de quinze anos de um grande amor e um casamento perfeito, Scott, marido de Tamia, é acusado de algo impensável. De repente, tudo aquilo em que Tamia acreditava - amizade, família, amor e intimidade - parece não ter qualquer valor. Ela não sabe em quem confiar, nem sonha o que o futuro lhe reserva.

Então, uma estranha chega à cidade, para lançar pétalas de rosa ao mar, em memória de alguém muito querido e há muito perdido. Esta mulher transporta consigo verdades chocantes que transformarão as vidas de todos, incluindo Tamia que será obrigada a fazer a mais dolorosa das escolhas...
O que estaria disposta a fazer para salvar a sua família?

A minha opinião:
Demorei a decidir o que comentar sobre este romance. Por vezes parece-me que o escrevo é sempre redundante ou pouco esclarecedor. E de facto eu não pretendo elucidar demasiado sobre a história e assim desmotivar quem o deseja ler. Apenas acrescentar um pouco mais à sinopse e sobre o que extrai do que li.

Este foi um daqueles livros que li por insistência de uma ou duas pessoas próximas, porque apesar de achar a capa e o título lindos, parecia-me que seria um daqueles romances populuchos, feitos para agradar às massas e sem grande consistência, mas fui agradavelmente surpreendida. É efetivamente um romance que agrada às mulheres. Sobre mulheres para mulheres. Em foco os equívocos do amor e ... da amizade.

Um casamento que parecia perfeito até que surge uma acusação de crime sexual por parte da vizinha e melhor amiga de Tami  sobre o marido, colega de trabalho da vitima. Tudo é equacionado quando as duas versões colidem. E muito se revela dada a percepção, persistência e coragem de Tami.
Três narradoras e personagens principais que gradualmente se dão a conhecer e nos desvendam as circunstâncias, com alguns avanços e recuos no tempo, importantes para o desenvolvimento e desfecho da trama. Ciume, inveja e traição. E compreensão e solidariedade. Aventura e impunidade com desvios comportamentais.

Claro que não conhecia esta autora, mas sabe como contar uma história que nos toca o coração.
Já ouviram falar da Praia das Rosas?  

sábado, 24 de agosto de 2013

Depois

Autor: Rosamund Lupton
Edição: 2013, fevereiro
Páginas: 432
ISBN: 9789722633826
Editora: Civilização

Sinopse:
Um dia perfeito, um crime terrível
É um incêndio e eles estão lá dentro. Eles estão lá dentro…
Fumo negro mancha o céu azul de verão. Uma escola está a arder. E uma mãe, Grace, vê o fumo e corre. Sabe que Jenny, a sua filha adolescente, está lá dentro. Corre para o edifício em chamas para a salvar.

Depois, Grace tem de descobrir a identidade do autor do incêndio e proteger a sua família da pessoa que continua determinada a destruí-los a todos.
Depois, tem de forçar os limites da sua força física e descobrir que o amor não conhece limites.

A minha opinião:
Intenso. Perturbador como um thriller sabe ser, e arrebatador na vertigem que evoca.

Quem leu o primeiro romance desta autora sabe o que ela é capaz de conceber. Mais do que uma trama que nos consegue surpreender e envolver com personagens emocionalmente ricas e complexas mas tão humanas, é o modo como conduz a narrativa que é arrebatador e provoca um efeito inebriante em que não conseguimos facilmente suspender a leitura ou pelo menos desligar da estória mesmo quando suspendemos a leitura. E isso é que eu considero excecional num autor - quando consegue que seja qual for a trama ou as personagens, prender-nos e repetir a proeza em todas as obras.

Mas, desta vez, explora uma vertente diferente: o paranormal. A vida para além do corpo/ mundo físico, num thriller psicológico em que se destacam quatro personagens - as vítimas: Jenny, Grace e Mike e Sarah, elementos da mesma família. Reféns da dor.  Enquanto as duas primeiras se debatem para viver e resistir aos graves ferimentos de um incêndio na escola, os últimos dois sofrem com a impotência e a perda das que amam. Resta-lhes proteger e descobrir o vilão de tão infame crime - fogo posto e tentativa de homicídio. 

Ritmado e fluído, numa trama bem elaborada que não se consegue parar de ler até descortinar o culpado. Vibrante e viciante na empatia que se estabelece com o leitor enquanto acompanha toda a investigação. 

Uma autora a reter.

domingo, 18 de agosto de 2013

Não deixes que me levem

Autor: Catherine Ryan Hyde
Edição: 2012, outubro
Páginas: 312
ISBN: 9789721061859
Editora: Pub. Europa-América

Sinopse:
E se abandonar a sua mãe… for a única forma de a salvar?
«Lembras-te de me dizer que conseguirias sempre encontrar-me? Bem, nunca te esqueças disso. Por favor.»
GRACE
Grace é uma menina de dez anos que sabe que é amada pela mãe. Mas a mãe também ama as drogas. Grace não conseguirá evitar por muito mais tempo as ameaças da «senhora dos Serviços Sociais», que a quer colocar numa instituição. A sua única esperança é…

BILLY
Billy Shine é um adulto que não sai do seu apartamento há anos. Tem muito medo das pessoas. E assim, dia após dia, leva uma vida perfeitamente planificada e silenciosa dentro de sua casa. Até agora…
O PLANO
Grace invade a vida de Billy com uma voz bem alta e um plano para libertar a mãe daquele martírio. Mas não será fácil, pois para salvar a mãe terão de arrancar-lhe a única coisa de que ela realmente precisa: Grace.

A minha opinião:
Enternecedor. Mágico. Um bálsamo para a alma.

Solidariedade, ternura e empatia por uma criança muito especial que comove os habitantes de um prédio numa zona não muito segura, que assistem à sua solidão e abandono, negligenciada pela mãe envolvida nas drogas. 

É difícil resistir a envolver-nos com o muito que a Grace e Billy nos contam. Como mãe também não me foi fácil resistir à indignação com as reviravoltas que lhes são impostas quando tudo parecia estar no bom caminho. Claro está, que este romance está vocacionado para a vertente emocional. Mas, não cai na lágrima fácil porque a narrativa foge a essa tentação e as personagens são peculiares. Frágeis enquanto sujeitas a um passado que as definiu mas que gostariam que tivesse sido diferente e fortes porque conseguem encontrar forças desconhecidas na conjugação de esforços em prol de Grace em que gradualmente todos beneficiam. Grace cresce e adquiri novas competências e os vizinhos afastam os seus medos, inseguranças, traumas e fobias. 

Grace e Billy são as personagens que mais intensamente se relacionam. E qualquer um dos dois comove o leitor. E também divertem porque Grace é uma criança muita viva e espevitada. 

Leitura ritmada, fluída e hipnótica mas que certamente passa despercebida pela apresentação  do livro. Ou por ser um tema "batido". Mas, que não deixa de ser um Prazer de Ler.

sábado, 17 de agosto de 2013

Tigres Sob Um Céu Vermelho

Autor: Liza Klaussmann   
Edição: 2013, maio

Páginas: 328
ISBN: 9789722525640
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
Nick e a sua prima, Helena, cresceram a compartilhar os verões quentes na Casa do Tigre, propriedade da família. Como a Segunda Guerra Mundial entretanto termina e elas estão à chegar à idade adulta, preparam-se para partir à conquista do mundo. Nenhuma delas encontra a vida que tinha imaginado e, com o passar dos anos, as viagens até à Casa do Tigre assumem uma nova complexidade.

É então que, à beira da década de 1960, a filha de Nick e o filho de Helena fazem uma descoberta sinistra que mergulha numa sombra profunda a luminosidade daquela ilha outrora brilhante. Magnificamente contado a partir de cinco perspetivas, Tigres Sob Um Céu Vermelho é um romance latente de violência, traição, paixão e segredos por detrás de uma fachada pura e delicada.

A minha opinião:
Um romance perturbador. Thriller psicológico familiar.

Envolvente na medida em que nos cinge a tentar descobrir na leitura individual da narrativa de cada uma das cinco personagens que compõem o agregado familiar, quando se dará a tragédia. A Pulsão que se sente em cada um extravasa para uma reação extrema/ limite enquanto relatam a sua versão dos mesmos acontecimentos no mesmo período. Personagens devastadas. Fragmentadas. Sentimentos ambíguos de amor/ ódio. Um puzzle a construir, para percebermos a complexidade dos sentimentos humanos e o quão difícil discernir a razão que move cada um. 

Não é um livro luminoso, agradável mas sombrio e até melodramático. Apesar da paisagem descrita ser aprazível e desejável mas a época retratada é de recuperação e renovação em que tudo está marcado pelo dor da 2ª Guerra Mundial. 

Um livro interessante mas que não me conquistou.

Desamor

Autor: O Arrumadinho (Ricardo Martins Pereira)
Edição: 2013, junho
Páginas: 176
ISBN: 9789897410581
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
Nove histórias reais de corações partidos para que compreenda melhor a sua relação.
Numa altura em que as relações amorosas parecem cada vez mais vulneráveis, e em que as razões para as terminar são cada vez mais triviais, importa olhar para histórias verdadeiras e tentar compreendê- las. Para construir Desamor, o autor analisou centenas de relatos enviados por leitores do seu blogue, O Arrumadinho, e escolheu aqueles que, no conjunto, melhor conseguem espelhar os vários tipos de relações dos dias de hoje.

Desamor revela-nos nove casos contados ao pormenor por mulheres que, a dada altura, acreditaram estar a viver um amor verdadeiro e recíproco, mas acabaram com o coração partido. Nestas páginas, há histórias de amores que começam ou acabam por influência das redes sociais, de dificuldades que nascem dos filhos, de relações à distância, de traições, equívocos fatais e paixões antigas. Estas narrativas encaixam em vivências experienciadas por muitos de nós e reflectem a fragilidade de uma grande parte das relações amorosas nos nossos dias.

A minha opinião:
Tal como o próprio título indica, são nove pequenas histórias reais de desilusão e desencanto no feminino. Um amor que poderia ser o tal, e que se revelou um terrível engano, que algum sofrimento causou. Relacionamentos assentes em bases diferentes do antigamente, com encontros online e não presenciais (até um determinado momento) com elevadas expetativas, como em qualquer história de amor e que negligenciaram os sinais de perigo até a verdade se revelar. 

Neste livro são as mulheres que se expôem, mais passionais e vulneráveis a contar a sua história de desamor. Numa linguagem tão natural como uma conversa verbal/ monólogo, desvendam o muito que sentiram enquanto apaixonadas e o quanto sofreram com o fim desse encantamento.

Um livro fácil de ler e pertinente, com nove testemunhos de histórias sem final feliz. Interessante proposta mas que não me cativou completamente. A fragilidade, insegurança e até ingenuidade de algumas destas mulheres incomodou-me. E o desfecho triste, em que nem sempre conseguem superar a mágoa infringida também. Mas, são casos a reter e a evitar.

Tudo o que nunca te disse

Autor: Romana Petri
Edição: 2013, julho
Páginas: 192
ISBN: 9789722526647
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
Mario e Cristiana já passaram dos sessenta anos e estão divorciados há quinze. Ele é engenheiro hidráulico, acabado de se mudar para o Rio de Janeiro com a sua jovem mulher e o filho com pouco mais de um ano. Ela vive em Roma com os dois filhos já crescidos e um segundo casamento, feliz. Certo dia, Cristiana recebe uma carta estranha de Mario, do Brasil. Escreve-lhe dizendo que se sente velho, que gostaria de reencontrar um pouco da juventude trocando cartas com ela. Diz que só assim, voltando atrás com quem se foi jovem, se pode continuar a sê-lo. Mas quais serão verdadeiramente as suas intenções?
Através das respostas de Cristiana, o leitor verá desfilar diante dos seus olhos, ao mesmo tempo que a história de um amor naufragado, os tiques e os mal-estares de toda uma geração: as falsas utopias, a crise das relações entre homens e mulheres, a revolução fracassada, o terrorismo, os muitos ideais que se esfumaram, deixando espaço apenas para a realidade banal. E depois os rancores, as traições mútuas, todas as coisas nunca ditas que finalmente vêm ao de cima de maneira violenta, brutal, impiedosa. Até se chegar a um verdadeiro ajuste de contas, no qual todas as cartas são postas na mesa.

A minha opinião:
Alguns amigos referiram algumas obras de Romana Petri. Inexplicavelmente, não me senti tentada, até deparar com este novo romance. E mais uma vez, essa tentação foi plenamente justificada porque o li apenas num único belíssimo dia de praia.

Contrariamente a algumas opiniões, não senti amargura ou desilusão que me fosse transmitida com esta leitura, mas é inquestionavelmente um ajuste de contas com o passado. Não era de todo essa a proposta de Mário quando iniciou esta troca de correspondência a que Cristiana deu continuidade, mas o tempo, a distância e a feliz fase afectiva actual, permitiram-lhe expor o muito que sentiu e sabia com honestidade e verdade sobre a sua vida conjunta. 
Cristiana é uma mulher paciente mas não submissa ou resignada, que no momento certo tomou coragem e mudou a sua história, conseguindo singrar e avançar. Quando confrontada com o pedido de Mário, aceitou encerrar essa história e o muito que conteve sem ocultar a mágoa e o sofrimento.

Nestas cartas surgem duas personagens secundárias - Mimmo e a Elsa. que vivem uma dramática existência. Ficção mas que infelizmente pode reproduzir algo de muito terrível e ... real. Aliás, como toda esta narrativa o pode ser. 

Bem escrito e credível, expressa sentimentos, com segurança, coerência e fluidez. 

Um prazer de ler!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Ninguém me conhece como tu



 

Autor: Anna McPartlin
Edição: 2013, julho
Páginas: 424
ISBN: 9789897260711
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
Eva e Lily eram as melhores amigas desde a infância. Porém, uma discussão enorme e dezassete anos mais tarde, Eva acorda de um acidente horrível e encontra a sua velha amiga a cuidar dela.
De início, o reencontro é feito a medo, mas durante os muitos meses de Eva no hospital, as amigas enfrentam tanto as mentiras do passado como as suas falhas presentes.

E cada uma vê claramente como a outra precisa de mudar a sua vida: Lily deve sair de um casamento impossível e Eva tem de enfrentar a dor que causou a outros. A crise que reuniu Eva e Lily parece uma bênção que lhes deu uma segunda oportunidade para se apoiarem quando mais precisam de um ombro amigo. Mal sabem elas que a sua amizade está sob uma ameaça que irá mudar o futuro para sempre...
 
A minha opinião:
Um romance inesquecível. Marcante. Esse aspecto surpreendeu-me porque esperava um romance leve, agradável sobre o reencontro em circunstâncias difíceis de duas amigas há muito desavindas, e não uma estória forte, bem contada com personagens bem definidas e tão realista. Personagens de uma honestidade desarmante que um acidente reuniu. Acidente esse que de tão extraordinário poderia parecer ficção mas foi uma réplica da vivência de um amigo da autora. 
 
Uma estória sobre perda e a capacidade de sobrevivência necessária para o superar.  Uma pergunta se impõe inicialmente: "Que se passou para afastar duas jovens que cresceram juntas e que tanto se estimavam?" E mais tarde uma outra questão se colocou da parte da Lily: "Se soubesses que ias deixar este mundo mais cedo, farias tudo de forma diferente?", mas que como leitora nos leva à reflexão.
 
Um romance com tanto para nos dar... mas que a capa e o título não o dão a entender. Um romance que foca assuntos delicados e difíceis como a violência psicológica e a dependência emocional. Fragilidades que conseguem ser ultrapassadas com verdadeiros amigos.

Inesperadamente recomendo. Um prazer de ler.