sexta-feira, 25 de abril de 2014

Sonhos de papel

Autor: Ruta Sepetys
Edição: 2014/ janeiro
Páginas: 384
ISBN: 9789892325187
Editora: ASA

Sinopse:
Quem diz que só se vive uma vez nunca leu um livro.
Josie Moraine vive mais do que uma vida. Ela é filha de uma das prostitutas de luxo mais cobiçadas de Nova Orleães, um estigma que a arrasta para o submundo decadente da cidade. Vítima da negligência da mãe, tem nos moradores do extravagante Bairro Francês os seus maiores aliados. De Cokie, humilde e fiel; a Willie, a dona de um bordel cuja frieza esconde um coração de ouro; e a Jesse, tímido, atraente e eternamente apaixonado, todos a protegem e velam por ela.

Mas Josie sonha mais alto e move-se com igual à-vontade nos corredores da livraria onde, graças à bondade de um desconhecido, trabalha e habita. Este é o seu porto seguro. Aqui, entre as estantes repletas de livros, no pequeno escritório que agora lhe serve de quarto, não tem de se defender da sua própria mãe nem fingir ser a durona solitária que domina as ruas. Ao anoitecer, quando a porta se fecha e as luzes se apagam, ela descobre nas páginas que folheia a imensidão do mundo e anseia por uma vida melhor. Uma vida como a de Charlotte, a filha de uma família da alta sociedade, cuja amizade a inquieta a ponto de arriscar tudo, mesmo a promessa de um amor verdadeiro.
E quando os seus sonhos estão prestes a realizar-se, um crime muda tudo... para sempre.

A minha opinião:
Romance histórico em Nova Orleães na década de cinquenta, onde Josie tenta resistir a todos os pervertidos e à promiscuidade da mãe, que a aliciam para um futuro de miséria de que sempre procurou fugir, escondendo-se e embalando-se com uma suave cantilena. Inteligente e trabalhadora tem um pequeno grupo de benfeitores que a protegem, ensinam e incentivam a lutar e a iludir a sociedade da época.
Josie, Willie e Jesse são personagens inesquecíveis que nos relembram que apesar da má sorte é possível manter a esperança e sonhar. Sólidos, íntegros e corajosos conquistaram todos, não pela sua aparência ou modo de vida mas pelos seus princípios e valores.

Este romance inebriou-me no primeiro parágrafo e não consegui parar de o ler.
"A minha mãe é prostituta. Não é do tipo obsceno, das que andam na rua. É muito bonita, bem-falante e tem roupas lindas. No entanto, vai para a cama com homens por dinheiro ou presentes e, de acordo com o dicionário, isso faz dela uma prostituta."

A narrativa de Josie de uma fragilidade e simplicidade desarmante e alguma melancolia é suscetível de abalar os corações mais sensíveis. Os crimes que a rodeiam numa cidade mundana e decadente com pessoas que admira e respeita provocam alguma revolta e prendem o leitor a um desfecho que pretendem de justiça.

Mais uma autora que pretendo seguir, com este e outros romances que quero incluir na minha estante. Gostei da escrita equilibrada e fluída que embeleza Nova Orleães como no meu imaginário e gostei das personagens que irão ter um lugar de destaque na galeria de personagens que guardo na memória.

"Não existe beleza sublime que não contenha a sua porção de estranheza."
Sir Francis Bacon

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Despedida de Casado

Autor: Virgílio Castelo
Edição: 2014/ março
Páginas: 264
ISBN: 9789896265304
Editora: Esfera dos Livros

Sinopse:
Morrer por amor. Numa fria madrugada, num ato de loucura, João e Beatriz decidem suicidar-se para eternizar o seu amor, tornando-o assim perfeito. Imortal. Na escuridão da planície alentejana entram nos seus carros e aceleram vertiginosamente um contra o outro. Mas João, no último momento, decide reescrever o seu destino.

Para isso será necessário uma despedida. Do casamento, de Beatriz, de uma relação perigosa, baseada na obsessão e no ciúme descontrolado. Despedir-se sem olhar para trás e partir numa longa viagem em busca de si próprio, da sua essência e de uma nova forma de amar, até agora desconhecida. Um amor puro, sem sofrimento, nem ameaças, capaz, quem sabe, de o fazer verdadeiramente e apenas feliz.
Depois do êxito do seu primeiro romance, O Último Navegador, o ator Virgílio Castelo regressa à escrita com este poderoso romance sobre as relações humanas. Até onde podemos ir quando nos apaixonamos? Ao longo destas páginas somos questionados e impelidos a descobrir diferentes formas de amar. Do amor obsessivo e doentio, capaz de nos arrastar para o lado mais obscuro e desconhecido do nosso ser, capaz de nos levar à loucura e até à morte, ao amor são, onde a entrega, a esperança e a paixão, dão novos significados à palavra amar.
 
A minha opinião:
"Sempre achara ser feliz um objetivo infantil e quase estúpido, na medida em que só com um alheamento total do mundo à nossa volta, poderíamos, talvez, atingir um estado de maravilhamento permanente, capaz de nos fazer crer detentores desse privilégio divino: parar o tempo, definir o espaço, e inventar o modo. Mas, apesar de a humanidade ter vindo a conquistar cada vez mais céu, de há milhões de anos para cá, a verdade é ainda bastante prosaica: é muito difícil sermos deuses, por mais que a gente o queira, ou até mereça." 
(pag. 237)

Quando li a sinopse fiquei bastante tentada a ler este romance. A complexidade das relações afetivas. Mais do que entretenimento, procuro uma estória bem desenvolvida e habilmente contada que faça eco em mim. Nesse sentido sobressaltei-me quando percebi quem era o autor. Mas decidi não ceder a esse subtil preconceito em julgar antecipadamente quem não conheço realmente. E foi com agrado que li este romance. 

Não é uma leitura fácil tal a intensidade dos sentimentos expressos, numa narrativa densa mas a que não se fica indiferente. Enriquecedora se o permitirmos, dependendo do conceito que tivermos de felicidade. 

Nesta tragédia amorosa entre duas figuras mediáticas sujeitas ao escrutínio e mesquinhez da opinião pública, temos uma relação marcada por excessos. Tóxica e desequilibrada. Nestas coisas do amor, há frequentemente um desajuste, em que um gosta e o outro apenas se deixa gostar ou um pede, exige e cobra e o outro cede e submete-se, até que surge o fantasma do divórcio e tudo se complica. Em que a vertigem do sexo ou as limitações financeiras não impedem o desfecho. 

Com um final surpreendente e místico, que muito me agradou. 
Em suma, recomendo sem hesitações.

domingo, 20 de abril de 2014

Primeiro Amor

Autor: James Patterson e Emily Raymond
Edição: 2014/ janeiro
Páginas: 288
ISBN: 9789898626295
Editora: TopSeller

Sinopse:
Baseado em acontecimentos reais da vida de James Patterson.
Axi Moore era uma aluna aplicada. Mas não gostava de dar nas vistas e não contava a ninguém que o que realmente desejava era fugir de tudo. A única pessoa no mundo em quem confiava era Robinson, o seu melhor amigo, por quem estava secretamente apaixonada.
Quando finalmente decide seguir os seus impulsos e quebrar as regras, Axi convida Robinson para a acompanhar na sua longa viagem. Uma jornada intempestiva, marcada pela paixão oculta e pelo desejo de descobrir o mundo. Mas o que no início era apenas uma aventura livre e despreocupada em breve vai tomar um rumo perigoso e incontrolável.
Envolvidos numa sucessão de acontecimentos violentos e dramáticos, os protagonistas são colocados à prova das mais variadas formas. Poderá a primeira grande paixão das suas vidas sobreviver a tudo, até que a morte os separe?
Um romance notável e extraordinariamente comovente, inspirado no próprio passado de James Patterson. Um testemunho impressionante sobre a força do primeiro amor e as suas consequências para o resto das nossas vidas.

A minha opinião:
James Patterson conquistou-me uma vez mais com esta estória simples e emotiva, dividida em duas partes. A primeira parte conta-nos a aventura de dois jovens normais num mundo de liberdade, beleza e irresponsabilidade maravilhosa e terrível, enquanto a segunda parte é mais triste e sombria, porque nos confronta com uma tremenda verdade. Apesar de planearem a fuga, há coisas das quais não se pode fugir. Por outro lado, foi por ignorarem a verdade que chegaram tão longe e essa é a lição que este romance nos dá que merece ser recordada. Não é original mas é sempre bom insistir. Não ficar parados a lamentar-se e assumir o controlo, porque uma pessoa pode estar morta muito antes de morrer realmente.

Axi Moore, a Menina Certinha que é personagem e narrador desta estória, conta-nos sobre o amor de duas almas gémeas, o seu primeiro amor num estilo leve, fluído e coloquial, próprio de uma adolescente. 

Pessoalmente, apesar de encontrar algumas semelhanças na segunda parte deste romance com o romance "A culpa é das estrelas" de John Green, este foi o meu preferido. 

Terno e comovente, é sem dúvida, um leitura que recomendo.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Nunca te distraias da vida

Autor: Manuel Forjaz
Edição: 2014/ março
Páginas: 172
ISBN: 9789897411267
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
Nunca te distraias da vida é um livro biográfico, mas não é uma biografia.
É um livro que nos fala do cancro e do que é viver todos os dias com a doença, tentando manter a disciplina, a alegria e uma agenda profissional milimetricamente preenchida, como Manuel Forjaz sempre teve. Sem que pretenda ser um manual de comportamento ou, sequer, um livro de auto-ajuda, trata-se de um testemunho e de uma ferramenta muito útil para todas as pessoas que estão a viver um problema semelhante ou que têm um familiar ou um amigo doente.
Um livro despretensioso, que explica o que é lutar sem nunca baixar os braços. 

Um livro sobre a vida, a história de quem vive com a doença e com uma certeza “ Poderei morrer da doença, mas a doença não me matará.”

A minha opinião:
Este é uma daqueles livros que não planeei ler. Não conheci o autor mas estive presente no lançamento deste livro onde fui surpreendida por um evento que definiria como acontecimento social, tal o número de pessoas presentes que eram alvo do flash dos fotógrafos. Realço que do que assisti, Manuel Forjaz era uma pessoa que merecia a admiração e o apreço de todos os que como eu se dirigiram à livraria naquele dia. Um otimista crónico que vivia a vida como ela deve vivida. Sem cedências à autocomiseração nem distracções, como afirmava. Foi essa forma de vida, um pouco parecida com a minha, que fizeram com que lhe prestasse atenção e apreciasse aquela serenidade que o iluminava, num comunicador nato. Um homem encantador. Felizardos os que com ele privaram. 

A determinação com que enfrentava a doença, e a frontalidade em falar do que era ter um cancro, sem hesitações ou subterfúgios, fez com que lesse este livro. Não que o compreenda na totalidade, porque não sei o que é ter alguém que ame doente. Mas este é um livro despretensioso que pretende desmitificar a doença com um testemunho.

Não se esquecer de viver a vida, que é fantástica, surpreendente e extraordinária. Podemos morrer da doença mas a doença não nos matará.  

terça-feira, 15 de abril de 2014

Nove Mil Dias e uma só Noite

Autor: Jessica Brockmole
Edição: 2014/ janeiro
Páginas: 256
ISBN: 978-972-23-5185-0
Editora: Editoral Presença

Sinopse:
Março de 1912. A jovem poetisa Elspeth Dunn nunca saiu da remota ilha escocesa de Skye, onde vive, e é com grande surpresa que recebe a primeira carta de um admirador do outro lado do Atlântico. É o início de uma intensa troca de correspondência que culminará num grande amor. Subitamente, a Europa vê-se envolvida numa Guerra Mundial, e o curso normal das vidas é abruptamente interrompido.
Junho de 1940. O Velho Continente vive mais uma vez o tormento de um conflito mundial e uma nova troca epistolar incendeia os corações de dois amantes, desta vez o de Margareth, filha de Elspeth, e o do jovem piloto da Royal Air Force por quem se apaixonou. Cheio de glamour e de pormenores de época, este romance faz a ponte entre as vidas de duas gerações - os seus sonhos, as suas paixões e esperanças -, e é um testemunho do poder do amor sobre as maiores adversidades.

A minha opinião:
Este romance em formato epistolar surpreendeu-me ... porque me emocionou e comoveu. Que melhor elogio lhe posso fazer?! É sempre bom quando lemos mais um romance e ele se supera e não é apenas mais um, mas o romance que iremos recordar pela extraordinária história de amor que transcende o tempo e o espaço, numa intimidade e cumplicidade admirável colocada quase na totalidade através da palavra escrita.

Um grande romance apanhado na Primeira Guerra Mundial que, enquanto decorria a Segunda Guerra Mundial é alvo de escrutínio e investigação por Margaret, filha de Elspeth (Sue), também ela a viver um intenso romance mantido por carta.  

O espírito vivo e o humor corrosivo das personagens Elspeth e David deixaram-me cativa e viciada. O mistério no desenrolar daquela grande história de amor sem prever qual o desfecho depois de tantos sobressaltos, manteve-me em suspense e com extrema dificuldade em interromper a leitura sempre que a isso era obrigada. 

"Eu devia ter-te contado, devia ter-te ensinado a endureceres o teu coração. Devia ter-te ensinado que uma carta nunca é apenas uma carta. As palavras no papel inundam a alma. Se tu soubesses." (pag. 22)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Laços de Vida

Autor: Debbie Macomber
Edição: 2014/ março
Páginas: 360
ISBN: 9789720046246 
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Durante anos, o objetivo de Libby Morgan foi tornar-se sócia da conhecida e competitiva firma de advogados onde trabalha. Para tal sacrificou tudo - amizades, casamento e o sonho de criar uma família. Quando finalmente é chamada à administração, Libby mal contém a sua felicidade, mas não está preparada para a notícia que irá receber: face às dificuldades económicas, Libby é despedida.
Sem perspetivas de trabalho, Libby aproveita para cuidar das amizades que descurou. Assim, enquanto retoma velhos hábitos, passa a frequentar uma loja de malhas onde nutrirá amizades que lhe mudarão a vida.

É ali que conhecerá a doce e sensível Lydia, a proprietária da loja e a sua espirituosa filha adolescente, Casey; bem como a melhor amiga desta, Ava, uma jovem muito tímida e ingénua, que carrega um segredo que não ousa contar a ninguém. Não tardará que Libby considere aquelas mulheres inspiradoras a sua nova família. Consegue mesmo encontrar o amor na figura de um médico enigmático conhecido por doutor Coração de Pedra.
Mas quando tudo finalmente se parece recompor, Libby é confrontada com uma fantástica oferta de trabalho que, caso aceite, poderá ameaçar a felicidade pessoal conquistada há tão pouco tempo. Que opção escolher quando os dois mundos parecem tão incompatíveis?

A minha opinião:
Este romance não foi o que eu esperava. Debbie Macomner é uma autora que reconheço e até mais de metade deste romance estava deliciada com a ligação empática que tinha estabelecido com Libby numa situação que compreendia. Orfã de mãe ainda muito jovem e desamparada pelo pai, batalhou para singrar na vida e corresponder às expetativas e simultâneamente preencher o vazio que o divórcio lhe deixou com a falácia de que o trabalho seria a solução. "A profissão alimentara-lhe o ego e permitira-lhe escamotear os problemas atrás de uma parede defensiva.". (pag. 302)

Quantas e quantas pessoas conhecemos que enquadramos nesta descrição e que foram surpreendidas com a demissão, quando tinham dado tudo de si em prol de uma carreira???
As relações casuais que foram surgindo neste período permitiam-lhe obter alguma confiança e esperança, principalmente depois de conhecer Philip, que contrariamente à alcunha porque era conhecido, era gentil, compassivo e terno. É neste ponto que o meu entusiasmo esmorece porque a relação de dois adultos apesar das feridas de relacionamentos antigos não seria tão idílica e frugal mesmo levando com calma. Seria apaixonada, emotiva e vigorosa nos preciosos momentos partilhados e obviamente que teria sexo. O cunho de realismo e atualidade desta narrativa perde-se.

A partir daí, não houve crescimento da personagem mas uma regressão, em que o ritmo e fluidez da narrativa abrandou com muitos diálogos que pouco acrescentavam para um final muito romanceado e novamente pouco verossímil.

Comovente com a temática da gravidez em adolescentes através personagem de Ava, e inspirador com o o voluntariado no berçário do hospital, que justifica a belíssima capa deste livro, mas ainda assim ficou áquem das  minhas expetativas.

sábado, 5 de abril de 2014

O olhar de Sophie

Autor: Jojo Moyes
Edição: 2014/ março
Páginas: 456
ISBN: 9789720046451
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Duas mulheres separadas por um século, unidas na determinação em lutar pelo que mais amam.
Somme, 1916. Sophie vive numa vila ocupada pelo Exército alemão, tentando sobreviver às privações e brutalidade impostas pelo invasor, enquanto aguarda notícias do marido, Édouard Lefèvre, um pintor impressionista, que se encontra a lutar na Frente. Quando o comandante alemão vê o retrato de Sophie pintado por Édouard, nasce uma perigosa obsessão que leva Sophie a arriscar tudo - a família, a reputação e a vida.

Quase um século depois, o retrato de Sophie encontra-se pendurado numa parede da casa de Liv Halston, em Londres. Entretanto, Liv conhece o homem que a faz recuperar a vontade de viver, após anos de profundo luto pela morte prematura do marido. Mas não tardará que Liv sofra uma nova desilusão - o quadro que possui é agora reclamado pelos herdeiros e Paul, o homem por quem se apaixonou, está encarregado de investigar o seu paradeiro…
Até onde estará disposta Liv a ir para salvar este quadro? Será o retrato de Sophie assim tão importante que justifique perder tudo de novo?

A minha opinião:
Por vezes, mesmo para alguém como eu que tanto aprecia ler, é difícil articular as palavras para melhor expressar o que sinto e retirei do que li. Mas este é realmente um excelente romance e mesmo não querendo elevar de tal modo as expectativas que se torne uma desilusão para quem o pretender ler, não posso deixar de enaltecer a extraordinária capacidade de contar uma história em dois períodos distintos, sem que nenhuma das partes se destaque ou sobreponha à outra, bem como o conjunto de notáveis personagens que pela sua humanidade permanecem connosco muito depois de terminarmos a leitura.

O enigma de "A Mulher Que Deixaste Para Trás", o quadro que retrata Sophie Lefévre. Por vezes, "a história de um quadro não é apenas sobre o quadro. É também a história de uma família, com todos os seus segredos e os seus delitos". (pag. 282) 
É partindo desta premissa que a autora conta a história de duas mulheres honestas, determinadas e corajosas que estão ligadas a este quadro. Duas heroínas inesquecíveis - Sophie Lefévre e Liv Halston, que me provocaram um frenesim de ansiedade em saber mais e mais sobre as suas bravatas e sem conseguir antever o desfecho.

"O quadro faz-me pensar em ti e no tempo em que éramos felizes juntos. Faz-me pensar que a humanidade é tão capaz construir amor e beleza quando promover destruição." (pag. 333) 

O desvendar de um passado para determinar a posse de um objeto que tanto valor em si contêm, seja ele afetivo ou monetário, mas que suscita diferentes emoções e sentimentos em diferentes graduações, desde comoção e apreço a revolta e ganância. Como leitora, em nenhum momento fui indiferente a todos esses estados de alma. O amor, a beleza e a destruição de que somos capazes de sentir e compartilhar.

Um imenso prazer de ler!