sábado, 31 de maio de 2014

Uma Espia no meu Passado

Autor: Lucinda Riley
Edição: 2013/ junho
Páginas: 496
ISBN: 9789892323619
Editora: ASA

Sinopse:
Côte d`Azur, 1998. Émilie lutou sempre contra o seu passado aristocrático. Agora, com a morte da mãe, é obrigada a confrontá-lo pois é a única herdeira do imponente castelo da família. Mas com a casa vem uma pesada dívida e muitas interrogações: qual era a finalidade do quarto secreto que descobre por baixo da adega? Quem é a misteriosa Sophia, que assina um comovente caderno de poemas? Quem foram os protagonistas da trágica paixão que mudou o curso da história da família?

Londres, 1943. Em plena Segunda Guerra Mundial, a inexperiente Constance Carruthers é recrutada pelos serviços de espionagem britânicos e enviada para Paris. Um incidente separa-a do seu contacto na Resistência Francesa, obrigando-a a refugiar-se junto de uma família aristocrata que entretém membros da elite de Hitler ao mesmo tempo que conspira para libertar o país. Numa cidade repleta de espiões e no auge da ocupação nazi, Constance vai ter de decidir a quem confiar o seu coração.
Constance e Émilie estão separadas por meio século mas unidas por laços que resistiram à força demolidora do tempo. Os segredos que o passado encerra pulsam ainda em busca de redenção.

A minha opinião:
Como pode uma pessoa compreender o presente se não conhecer o passado? 

É com base nessa premissa que a autora entrelaça duas histórias, em duas épocas distintas, com duas mulheres como protagonistas para uma maravilhosa narrativa, com um enredo emocionante e personagens profundamente humanas. Para quem vivenciou aquela época terrível da Segunda Guerra Mundial, não é fácil encarar o passado de um modo frio e desligado ou sequer de uma perspetiva lógica como acontece às novas gerações, saturadas de ler e ouvir falar daquele tempo, mas que ainda assim teve impacto no desenvolvimento do futuro, como aconteceu com a família aristocrata de la Martinières.  

Rivalidades e invejas traçaram também o destino de irmãos em ambas as épocas, como foi o caso de Sebastian e Alex, netos de Constance Carruthers, em 1999, bem como de Frederik e Falk em 1943.

Lucinda Riley consegue tecer histórias de muitas páginas que se lêem num ápice, tal o encantamento a que sujeita os seus leitores, com narrativas vibrantes de mistério, intriga, aventura e ação, ainda que um tanto romanceadas. Personagens carismáticas, representativas do Bem e do Mal. que evoluem no desenrolar da trama. Contudo, não as achei muito consistentes em determinadas peripécias. Apreciei particularmente o Alex, como bom analista das personalidades que o rodeavam, tendo avaliado que Émile não correspondia ao arquétipo de mimada e autoconfiante, mas antes repudiasse o brilho, glamour e os excessos que protagonizaram a vida da sua mãe, relegando-a para um segundo lugar, sentindo-se pouco amada e ignorada e assim vulnerável a um oportunista mentiroso.

Por tudo isto, uma autora a reter e um livro a ler.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Enquanto Houver Estrelas no Céu

Autor: Kristin Harmel
Edição: 2014/ maio
Páginas: 384
ISBN: 9789720044266
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Desde sempre, Rose, ao entardecer, olhava o céu em busca da estrela da tarde. Era aquela estrela, agora que a sua memória a estava a abandonar, que lhe permitia recordar-se de quem era e de onde vinha; que a transportava para os seus dezassete anos, para uma confeitaria nas margens do Sena. Ninguém conhecia a sua história nem sequer a sua neta, Hope. Num dos seus raros momentos de lucidez sente que é importante falar-lhe de um passado longínquo, que manteve em segredo durante setenta anos e que em breve ficará perdido para sempre.
Munida de uma lista de nomes e de fragmentos de uma vida, Hope parte para Paris em busca de respostas.
Para Hope esta será também uma viagem de descoberta: de tradições religiosas há muito diluídas, de histórias vividas numa Paris ocupada onde o amor sobrevive e, sobretudo, da sua capacidade de recomeçar e acreditar em si mesma.

A minha opinião:
MA-RA-VI-LHO-SO.
Profética frase na capa "Enrosque-se no sofá com uma chávena de chá, um bolo e devore este livro - vai adorar."

Esta é a história de um amor profundo entre um homem e uma mulher, e desse modo, a história de uma família, quando o presente encontra o passado e tantos segredos e mentiras se revelam. Novos começos, doces como todas as receitas de Marnie e Hope, e muito comoventes, embrulhados  com muito amor. 
 
Uma lição que a Humanidade devia aprender. Não é a religião que divide o Homem. É o Bem e o Mal que ele pratica na Terra. Todos falamos ao mesmo Deus.

No fim da vida de Rose, o passado vem acossá-la e nos momentos de lucidez sabe que tem que descobrir tudo sobre o desaparecimento dos seus durante a Segunda Guerra Mundial, em Paris. Entrega à neta Hope uma lista de nomes, que ficaram gravados no seu coração e escritos no céu. Ela parte em busca do seu legado sem o saber.
Por vezes, a vida complica-se. As circunstâncias seguram-os. As decisões orientam o destino: Mas o coração mostra sempre o norte, e este romance toca-nos na alma e agita emoções e pensamentos enquanto nos debatemos com os nossos próprios valores. Três mulheres que não esqueceremos. Um romance contado a duas vozes, e em dois tempos e lugares distintos. Possivelmente, os sentimentos de pertença acompanham os laços de sangue. 

De todos os géneros literários que leio, o romance é o que mais gosto, e neste, entrelaçam-se com mestria, dois tipos. O romance histórico e o contemporâneo, com  personagens fortes e de grande coração. 

"- Chérie, estou a ver desaparecer as estrelas.
(...)
- Porque, apesar de não conseguirmos ver, elas estão sempre lá. - disse. Estão apenas escondidas atrás do sol. 
(...)
- É muito bom, querida, recordar que não temos de ver uma coisa para saber que ela existe. 
(pag. 48)

Dos melhores romances que já li. E foram realmente muitos. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O jogo de Ripper

Autor: Isabel Allende
Edição: 2014/ fevereiro
Páginas: 400
ISBN: 9789720044983
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Indiana e Amanda Jackson sempre se apoiaram uma à outra. No entanto, mãe e filha não poderiam ser mais diferentes. Indiana, uma bela terapeuta holística, valoriza a bondade e a liberdade de espírito. Há muito divorciada do pai de Amanda, resiste a comprometer-se em definitivo com qualquer um dos homens que a deseja: Alan, membro de uma família da elite de São Francisco, e Ryan, um enigmático ex-navy seal marcado pelos horrores da guerra.

Enquanto a mãe vê sempre o melhor nas pessoas, Amanda sente-se fascinada pelo lado obscuro da natureza humana. Brilhante e introvertida, a jovem é uma investigadora nata, viciada em livros policiais e em Ripper, um jogo de mistério online em que ela participa com outros adolescentes espalhados pelo mundo e com o avô, com quem mantém uma relação de estreita cumplicidade.

Quando uma série de crimes ocorre em São Francisco, os membros de Ripper encontram terreno para saírem das investigações virtuais, descobrindo, bem antes da polícia, a existência de uma ligação entre os crimes. No momento em que Indiana desaparece, o caso torna-se pessoal, e Amanda tentará deslindar o mistério antes que seja demasiado tarde.

A minha opinião:
Mistério e suspense no romance de Ripper.

Os membros de Ripper eram um exclusivo grupo de freaks que comunicavam pela internet para encurralar e destruir o misterioso Jack, o Estripador, ultrapassando obstáculos e vencendo os inimigos que apareciam pelo caminho. Cada um deles, criou uma personagem para si mesmo enquanto jogador, e aproveitou as suas aptidões quando o local de ação se transferiu para São Francisco  em 2012. Amanda Martin, de 17 anos, dirigia e coordenava o grupo com os préstimos do esbirro, seu avô. Inteligente e arguta, cedo Amanda desenvolveu uma reprovável curiosidade pela maldade em geral e pelo homicídio em particular, consequência de ser uma leitora voraz, com os perigos que isso implica. O facto de o pai ser o chefe do Departamento de Homicídios de São Francisco contribuiu para o pernicioso interesse com o conhecimento das malfeitorias que aconteciam na cidade, lugar idílico que não convidava ao crime.

Não li muitas das obras de Isabel Allende e como tal, não posso ser incluída no seu clube de fãs, mas do que li, apreciei bastante. Este romance que foge ao realismo mágico em que é exímia, proporcionou-me momentos de leitura verdadeiramente empolgantes. O tom irónico e crítico não me passou despercebido. Empatia pelas personagens ou a inquietação de querer desvendar mais do que então sabia sobre os crimes tornaram esta leitura viciante. Numa escrita fluída e ritmada, a autora relevou gradualmente e na medida do meu interesse, tudo o que precisava saber sobre as personagens que tão bem caraterizou ou a trama.

Curiosamente, adorei a personagem Indiana, a generosa e altruísta "bruxa" boa que arrasava corações, enquanto duas outras personagens que lhe eram chegadas me incomodavam sobejamente, ainda sem imaginar a participação que teriam. O ser surpreendida foi talvez o mais gratificante desta estória bem construída, mas outros aspectos já referidos a tornaram um prazer de ler.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Corpos Subtis

Autor: Norman Rush
Edição: 2014/ abril
Páginas: 232
ISBN: 9789897221521
Editora: Quetzal

Sinopse:
Nina e Ned estão a tentar conceber um filho. Em pleno período fértil de Nina, Ned apanha subitamente, e sem aviso, um avião, para comparecer ao funeral de Douglas, um misterioso amigo dos seus tempos de estudante. Nina, furiosa, põe-se a caminho, atrás dele, para poderem ir para a cama no momento certo.
Douglas era o chefe de um círculo de amigos da faculdade, e Nina fica incrédula perante o ascendente que, volvidos tantos anos e malgrado o afastamento, o grupo - e em especial Douglas, mesmo depois de morto - tem sobre Ned.

Corpos Subtis explora a reconfiguração e a reavaliação desse grupo de amigos no seguimento da morte de Douglas e questiona as razões pelas quais fazemos os amigos que fazemos, porque os conservamos e qual o sentido que damos às nossas histórias pessoais.
É um retrato sábio e divertido, e uma observação finíssima da inconstância das relações e das novas verdades que podem emergir de velhas certezas.
Como a toda a obra de Norman Rush, a Corpos Subtis também se aplica a máxima "ficção é a verdade contada de forma excessiva e belíssima". É certamente também uma envolvente e rigorosa lição na arte do romance.

A minha opinião:
Não foi de todo o que eu esperava ou desejava ler. 

A Quetzal distingue-se por apresentar frequentemente romances de muita qualidade, embora nem sempre acessíveis ou compreensíveis para o leitor comum, categoria onde me enquadro. Este é um romance peculiar ou estranho, pelas personagens e pelo modo como agem, pensam e se relacionam.

Um pequeno grupo de indivíduos da faixa etária dos quarenta, definidos como crânios na faculdade, que na altura se manifestavam com comportamentos bizarros, reencontram-se muitos anos depois devido a um estúpido acidente onde morreu o líder desse grupo. Desconectadas com o real, mas com uma visão politizada do mundo, ou simplesmente desfuncionais nos seus relacionamentos, inclusive no laço que os unia desde a faculdade, estas personagens procuravam um rumo ou um elo, assim como eu como leitora procurava discernir o quanto faltava revelar-se sobre eles.
Ned e Nina são as personagens principais. Na sua relação, investem num projecto comum. Um filho. Por essa razão, Nina seguiu Ned e impôs a sua presença, mesmo sem ser convidada naquele belo cenário. Intuitiva ou arguta, Nina rapidamente se apercebe do muito que se oculta. 
Rude é a palavra que melhor descreve o afecto no seu relacionamento com Ned,  mas que ainda assim funcionava.

Corpos subtis é a essência que se oculta em cada um de nós e com a qual nos confrontamos através destas personagens, com tantos problemas e ambiguidades por resolver.
Não foi um enredo ou personagens que me prendessem à leitura. Mas estive algo intrigada com o que poderia desvendar destas excêntricas e até grosseiras personagens, que chegavam a ser criticadas, por não saberem usar a sanita para urinar.

"O Douglas disse uma coisa que era bem verdade. Disse que o objetivo da guerra é preservar a continuidade da vida de todos os dias, recorrendo para isso a todos os meios que forem necessários." 
(pag. 64).

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Os Demónios de Álvaro Cobra

Autor: Carlos Campaniço
Edição: 2013/ fevereiro
Páginas: 240
ISBN: 9789724746166
Editora: Editorial Teorema

Sinopse:
A aldeia de Medinas seria um lugar bem mais aprazível não fosse contar-se entre os seus habitantes Álvaro Cobra, um lavrador que atrai fenómenos sobrenaturais e tão depressa é tido por bruxo como por santo: não chorou ao nascer, com um mês já tinha dois dentes, consegue ouvir a Terra girar sobre si própria, tem uma cadela que adivinha o tempo e, além disso, já morreu duas vezes - mas ressuscitou, e desde então um bando de grifos faz ninho no seu telhado. A sua estranheza impediu-o, porém, de arranjar mulher, mas o encontro com a filha de um nómada que vende torrão doce na Feira de Setembro promete mudar esse estado de coisas, ainda que a união traga surpresas (nem sempre agradáveis) quer ao próprio lavrador, quer às mulheres da sua família: a bisavó Lourença, que conta cento e cinquenta anos mas guarda invejável lucidez; a mãe, que consegue trabalhar a terra com uma mão e cozinhar com a outra; ou mesmo Branca Mariana, a irmã excessivamente febril que vive prostrada numa cama onde os lençóis chegam a pegar fogo. Do casamento atribulado, nascerá Vicente, o filho de quem se espera uma existência completamente distinta da do pai. Porém, tratando-se de um Cobra, nunca fiando…

Ao ficcionar uma aldeia alentejana em finais do século XIX - na qual judeus, árabes e cristãos andam às turras e os mitos ganham terreno à realidade -, Carlos Campaniço oferece-nos uma galeria de personagens inesquecíveis, que vão de um anarquista à dona de um bordel ambulante, e recicla de forma original o realismo mágico para revisitar as virtudes e os defeitos das pequenas comunidades rurais do nosso Portugal.

A minha opinião:
Quem me conhece sabe que, hesito e pondero antes de ler obras de autores portugueses, mesmo quando são muito recomendados. A minha preocupação é que a narrativa seja muito descritiva ou analítica e que me faça sentir apenas tédio. Não foi o que aconteceu e foi uma grata surpresa. Tão grande, que não cabia em mim o espanto.

Uma estória de realismo mágico contada em bom ritmo, que me recordou os contos de tradição oral que tanto me encantam. A vivacidade e espiritualidade de certas expressões que são intemporais e que definem a nossa identidade surgem com frequência nesta narrativa bem estruturada, que exorbita e caricatura circunstâncias ou personagens em tantas peripécias.

Sendo eu de um meio pequeno em que todos se conhecem e todos sabem de tudo e sobre todos, é muito divertido o impacto que a aldeia alentejana - Medinas, tem nesta estória. É como se de outra personagem se tratasse, e condicionasse a ação das outras personagens. Efeito punitivo ou moralizador e nestes moldes também entram cristãos e judeus e a relação entre eles nos finais do Sec. XIX.

Empatia por personagens exacerbadas com os seus defeitos e qualidades, as suas alegrias e tristezas, em existências marcadas por dificuldades e dureza.

"(...) - Uma família insólita: o marido com suas singularidades inusitadas e suas coleiras de epítetos; a bisavó quem sabe, a mulher mais velha do mundo; a cunhada, doente com febre toda uma vida; e a sogra com duas mãos desiguais. Chegou a parecer-lhe que aquela casa era um abrigo de gente saída dos contos populares dos nómadas. Não obstante, no rosto da aldeia, as gentes eram iguais ás demais encontradas nas vilas e aldeias e nos caminhos de terra batida daquele imenso Sul."
(pag. 57)

Indubitavelmente, um prazer de ler. 

domingo, 11 de maio de 2014

A Onda

Autor: Sonali Deraniyagala
Edição: 2013/ outubro
Páginas: 240
ISBN: 9789896682057
Editora: Vogais

Sinopse:
Na manhã de 26 de dezembro de 2004, Sonali Deraniyagala perdeu duma só vez os pais, o marido e os dois filhos. O tsunami que nesse dia atingiu o sudoeste asiático levou-lhe a família mas ela, como por milagre, sobreviveu.
Neste livro corajoso, pungente e franco, a autora descreve os terríveis momentos que viveu e a sua longa jornada desde então. Num relato cativante e emocional, Sonali descreve como se debateu furiosamente, durante os primeiros meses após a tragédia, contra uma realidade que não conseguia enfrentar e simultaneamente não podia negar.

Conta também como depois, ao longo dos anos que se seguiram, lentamente, permitiu que a memória a levasse de volta à vida magnífica e feliz que perdera, à casa da sua família em Londres, ao nascimento dos seus filhos, ao ano em que conheceu o marido em Cambridge e à sua infância em Colombo, no Sri Lanka.
Durante todo este percurso, Sonali foi aprendendo o difícil equilíbrio entre as memórias quase insuportáveis da sua perda e a necessidade de manter a sua família, de alguma forma, ainda viva dentro dela.
Com uma escrita emocional e sincera, que torna este impressionante relato ainda mais poderoso, A Onda é uma memória biográfica extraordinária que se lê com comoção. Um livro que irá captar a atenção dos leitores pela sua brutal honestidade e intensidade.

A minha opinião:
Não foi uma primeira escolha. Algumas boas criticas/ comentários determinaram esta leitura, que antecipei como sendo uma narrativa autobiográfica amargurada e sofrida. Não é o meu género. Normalmente, não consigo manter o distanciamento necessário ou evitar projectar-me naquela situação. Por isso, protelei um pouco esta leitura. 

Contudo, fui surpreendida pela estória. Partindo de um doloroso facto seguiu um rumo baseado nas memórias e pensamentos, durante um curto período evolutivo de sete anos. Começa no momento em que se apercebem de uma estranha alteração no mar naquele fatídico dia e fogem. Concisa e objetiva, Sonali narra o que se passou, acrescentando informações que reuniu com familiares e amigos dos tempos mais perturbados. Confusão e caos mental, até sentimentos de culpa, vergonha, raiva e muita dor, fazem deste livro uma verdadeira catarse para a autora que a tanto sobreviveu.

Singular e surpreendente é o apego à natureza e a preponderância que esta tinha na relação familiar, revelada nas memórias expostas sempre que regressa aos tempos anteriores aquele dia 26 de dezembro de 2004, e nos dá a conhecer a sua desaparecida família e a dinâmica com todos os elementos. 

Sri Lanka deve ser muito especial. Apesar do passado de perda e dor, e sendo a sua pátria, Sonali não desistiu e regressou para ... e mais não conto. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O Amor é uma Canoa

Autor: Ben Schrank
Edição: 2013/ setembro
Páginas: 384
ISBN: 9789892324098
Editora: ASA

Sinopse:
Um livro sobre livros, escritores e os seus atormentados editores
Stella Petrovic é uma ambiciosa editora a braços com uma missão quase impossível: colocar um livro nas listas de bestsellers mais concorridas dos Estados Unidos. Mas não se trata de um livro qualquer e sim do manual de autoajuda O Casamento é uma Canoa, que foi publicado há já cinquenta anos.

Peter Herman é um herói nacional graças a esse mesmo livro, o primeiro e último da sua carreira. Os conselhos sentimentais de O Casamento é uma Canoa inspiraram gerações de americanos. Com um casamento longo e feliz, Peter era a prova da eficácia das suas próprias palavras. Agora, viúvo e sem esperança, duvida de tudo o que escreveu tantos anos antes.
Para Stella, o que está em jogo não suporta dúvidas ou hesitações. A editora está disposta a tudo para convencer o mundo de que O Casamento é, de facto, uma Canoa. E nada melhor do que encontrar um casal em busca de salvação. Emily e Eli estão casados há pouco tempo mas a paixão que os uniu está desgastada pela rotina. São perfeitos para o plano que Stella tem em mente... mas, para isso, ela terá de conseguir o apoio da única pessoa que não acredita no livro: o seu autor.

A minha opinião:
Raramente, tenho uma opinião desfavorável sobre um livro, mas... Parece-me que este foi um projeto mal concretizado por parte do autor, que não lhe conseguiu dar a volta ambicionada. Faltou ritmo e fluidez na narrativa, bem como credibilidade e interação das personagens que desse ação e todo um quadro vivo ao leitor. Deste modo, nem o enredo ou as personagens cativaram. 

Não me suscitou qualquer emoção, nem mesmo o drama de Emily, quando descobre que o seu idílico casamento era uma farsa, uma vez que Eli a traía, o que a levou a participar e a ganhar um concurso sobre com o autor do livro de autoajuda "O amor é uma canoa". 

Foi mesmo muito complicado não interromper e desistir de o ler. 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Os livros do final da tua vida

Autor: Will Schwalbe
Edição: 2013/ outubro
Páginas: 328
ISBN: 9789897240751
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
Forçados por uma trágica circunstância, Will Schwalbe e a mãe ficam longas horas em salas de espera de hospitais. Para passar o tempo, decidem falar dos livros que estão a ler. Através das suas leituras, percebemos o quanto os livros são reconfortantes, surpreendentes e maravilhosos.
(...)
Esta é a inspiradora história de um filho e de uma mãe que formam um "clube de leitura" que os aproxima à medida que a vida dela se acerca do fim. Nos dois anos que se seguem, Will e Mary Anne travam conversas desencadeadas por uma eclética série de livros e por uma paixão partilhada pela leitura. Os assuntos que discutem abarcam questões de fé e de coragem, bem como tópicos mais comuns. São constantemente recordados do poder que os livros tem de nos confortar, espantar, ensinar e de nos dizer o que devemos fazer com as nossas vidas. Ler não é o oposto de fazer, é o oposto de morrer.

Will e Mary Anne partilham esperanças e preocupações - e redescobrem as suas vidas - por intermédio dos seus livros preferidos. O resultado é uma história profundamente comovente acerca da perda, mas também uma celebração da vida.

A minha opinião:
Se leram a sinopse, percebem porque tinha que ler este livro.

Recentemente li três romances quase seguidos, em que a personagem principal se debate contra um cancro, e não é fácil, mesmo quando se trata de personagens fortes, positivas e determinadas em prosseguir com a sua vida mas muito lúcidas. Todas elas tinham fé. Esta personagem destaca-se pelo trabalho humanitário em prol dos refugiados.

Mary Anne Schwalbe que morreu aos 75 anos de idade, era uma mulher pequena, tranquila e sorridente que "poderia parecer tão convencional como uma senhora de sociedade mas que viajava por todo o mundo, muitas vezes em circunstâncias desesperadamente complicadas; (...) viu o pior, mas acreditou no melhor". "Nunca vacilou na sua convicção de que os livros são a ferramenta mais poderosa do arsenal humano, que ler todo o tipo de livros, seja em que formato for - electrónico(embora não fosse o que ela escolheria), impresso ou audiolivro  -, é a melhor forma de entretenimento, bem como a maneira de tomarmos parte da conversa da humanidade." (pag. 316)

E mais não comento... é quanto baste. Vale a pena ler, desde que consigamos lidar com todo o processo de combate a uma doença mortal mas tratável e o quanto podemos fazer durante esse período. 

Feitiço

Autor: Sylvia Day
Edição: 2014/ abril
Páginas: 216
ISBN: 9789720046598
Editora: 5 Sentidos

Sinopse:
Max Westin: a personificação da sensualidade.
Victoria podia até cheirá-la e senti-la assim que ele se aproximava. Tudo nele era brutal e determinado. Uma criatura primitiva, tal como ela.
Max segurou a mão dela de forma intensa e a sua respiração ofegante e excitante deixou bem clara a sua intenção de a possuir, de a domar.

"Victoria."
O nome dela, uma só palavra, foi entoado com tamanha possessividade que ela quase sentiu a coleira à volta do pescoço.
“Está na tua natureza”, murmurou ele. “O desejo de seres possuída.”
Neste jogo do gato e do rato, tudo parece uma ilusão mas a paixão é muito real.

A minha opinião:
Não há muito a dizer sobre este romance erótico, uma vez que se insere num género literário que se tornou moda nos últimos tempos. Não é de todo o que prefiro, mas tem a sua piada. Muito linear, a estória serve para enquadrar uma série de atos sexuais descritos ao pormenor numa relação fogosa e muito apaixonada. 

Esta narrativa insere-se também ao nível do fantástico, e trata-se de uma poderosa atração sexual entre uma "Familiar" em vias de se tornar "Bravia", devido à morte do seu amado que lhe delegou os poderes mágicos, e um "Predador" - "Feiticeiro" incumbido de a dominar e a tornar submissa. Uma fantasia criada por uma mente criativa que é capaz de descrever vertiginosos e alucinantes atos sexuais, tal a fluência e a frequência, por duas personagens belíssimas e sexualmente vorazes e incansáveis. Nesta relação, como se depreende, há situações de bondage, com dominação e submissão, mas sem violência e mútuo consentimento.

Leitura muito acessível e fluída para ler sem pudores e uma mente aberta. A capa é sugestiva e de muito bom gosto. 

Sylvia Day num género em que é mestre, para leitoras que apreciem.