quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Veneza Pode Esperar

Autor: Rita Ferro
Edição: 2014/ janeiro
Páginas: 240
ISBN: 9789722054065
Editora: Dom Quixote

Sinopse: 
São raríssimas as autoras portuguesas que abrem a porta da sua intimidade aos leitores. Ao fim de duas dezenas de títulos, Rita Ferro corre esse risco oferecendo-nos a narrativa diária de alguns meses da sua vida, sem artifícios literários, num dos períodos mais sombrios e no rescaldo de perdas nucleares: o maior amigo, a casa onde investiu todas as economias, a mãe, o afastamento daquele que pode ter sido o seu grande amor.

Veneza Pode Esperar é o balanço autobiográfico de uma pósfeminista pragmática, mas aberta ao mistério, às voltas com o malestar contemporâneo, ao longo de 240 páginas tonalizadas pelo humor, a auto-ironia e a amarga lucidez de quem sabe perder, onde o presente se confunde com a memória e a escritora com uma das suas personagens.

Trata-se do primeiro volume de um diário íntimo, coleccionável como um folhetim, sem happy end nem beijos ao pôr do Sol.

A minha opinião: 
Pensamentos e memórias num tom agridoce. Um desnudar de alma que me surpreendeu e me prendeu a uma leitura que tanto me deu.  

Tal como a Rita só tenho um critério. Leio o que me apetece quando me apetece. E sofro de breves falhas de memória quando tenho que referir um título ou um autor. Sei o que li e o que extraí, mas raramente consigo acrescentar o suficiente ou enaltecer uma obra como merece. Não me tenho em tão grande conta que receie fazer figura de idiota. Este é um pequeno fragmento que retive, mas muitos serão os laços que senti com uma Rita que não conheço. 

Um livro de sentimentos. Solidão, desfasamento, tédio, dificuldades e muitas pequenas e grandes alegrias que me fizeram soltar estridentes gargalhadas. Sentido critico acutilante para um humor refinado, ou nem tanto.     

Tudo isto para exprimir numa só palavra - ADOREI!! 

O Francoatirador Paciente

Autor: Arturo Pérez-Reverte
Edição: 2014/ julho
Páginas: 240
ISBN: 9789892327808
Editora: ASA

Sinopse:
Sniper é uma lenda viva no mundo da arte de rua. Subversivo e omnipresente na tela urbana, ninguém conhece a sua identidade, poucos terão visto o seu rosto, não há relatos do seu paradeiro. Quem é o verdadeiro Sniper por detrás deste enigma que o mistifica? É um heroico cruzamento de Salman Rushdie e Banksy, um justiceiro solitário? Ou um terrorista urbano, um enomaníaco cujas ações já se revelaram fatais?

Alejandra Varela, especialista em arte, decide seguir os passos deste homem sem lei. Uma mira telescópica de francoatirador assina todos os trabalhos de Sniper, e é essa mira que leva Alejandra a infiltrar-se no submundo de Madrid e Lisboa, Verona e Nápoles. Cidades que são os campos de batalha prediletos deste caçador solitário. Mas, a coberto das sombras, uma outra pessoa aguarda para descobrir o paradeiro de Sniper, embora as suas motivações sejam bem diferentes… 
Segue-se um formidável duelo de inteligências, um jogo de perseguição entre caçador e presa cujo final é, no mínimo, surpreendente.
Thriller centrado no obscuro e inexplorado submundo da arte urbana, nas suas leis e códigos éticos próprios, na frágil distinção entre arte e vandalismo, O Francoatirador Paciente é um convite à reflexão sobre a identidade urbana, a arte e o artista moderno.

A minha opinião:
Tema forte e bem explorado: a arte urbana. Numa sociedade que tudo domestica, compra e torna seu, a arte atual só pode ser livre e só pode realizar-se na rua, e ao realizar-se na rua só pode ser ilegal, porque é exercida em território alheio aos valores que a sociedade atual impõe. Dá que pensar. Principalmente quando, para além da transgressão e adrenalina, o graffiti torna possível uma camaradagem invulgar noutros ambientes, anónima por detrás de cada tag

"Lá fora, (...) enquanto agitas o spray, cheiras a tinta fresca que outro writer deixou na mesma parede como se cheirasses o seu rasto, sentes-te parte de algo. Sentes-te menos sozinha. Menos ninguém." (pag. 32)

Li há algum tempo atrás "O Tango da Velha Guarda" e fiquei rendida a uma escrita madura, segura, numa bem concebida e elaborada trama, com duas personagens memoráveis. Esperava sentir o mesmo entusiasmo com "O Francoatirador Paciente". Mas essa expectativa talvez tenha sido prejudicial, porque, apesar da inegável qualidade deste romance, não acarinhei tanto este enredo e estas personagens. 

O ritmo é pausado, e daí a minha dificuldade em classificá-lo como thriller, porque não senti senti aquela tensão e suspense que associo a esse género. Alguma curiosidade apenas, em perceber a motivação real de Alejandra Varela ao procurar descobrir a identidade do talentoso Sniper, e como a sua reputação o consagrara tanto perante outros writters que arriscavam a vida para concretizar os desafios que lançava. O final é o que mais impacto tem.   

Uma leitura que recomendo, porque, noutro momento, tirarei melhor partido dela.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A Amante

Autor: James Patterson com David Ellis
Edição: 2014/ junho
Páginas: 352
ISBN: 9789898626417
Editora: Topseller

Sinopse:
No seu thriller mais excitante, James Patterson mergulha-nos nas profundezas de uma mente torturada. Uma perseguição implacável através de um mundo de perigos e enganos. 
O jornalista Ben Casper é paranoico e obsessivo. E a maior e mais compulsiva das suas fixações é Diana, a bela mas inacessível mulher dos seus sonhos.

Quando ela é encontrada morta, após uma queda da varanda do seu apartamento, as autoridades não hesitam em considerar que é um suicídio. Mas Ben conhecia bem Diana e sabe que ela nunca se mataria. Convence-se de que a amiga foi assassinada e embarca numa aventura arriscada para conseguir prová-lo. 
O jornalista descobre, porém, que ela levava uma vida dupla, e à medida que outras pessoas envolvidas na vida de Diana morrem em circunstâncias questionáveis, torna-se evidente que alguém não quer que a verdade venha ao de cima. E, a menos que Ben desista da sua investigação, ele pode ser o próximo a «sair de cena».

A minha opinião:
James Patterson é sobejamente conhecido para perder mais tempo com considerações sobre a sua capacidade criativa.  É o caso com este enredo num ritmo rápido e enérgico, por um protagonista como Ben Casper, em que seguimos os seus devaneios e delírios numa perseguição implacável que lhe é dirigida sem que ele pare de procurar a verdade. Um tanto irreal a resistência deste talentoso jornalista em superar obstáculos que destruiriam a maior parte das pessoas, apesar de ele ser inventivo, determinado e brilhante, enquanto ainda tinha que lidar com os demónios da sua infância.  

Chantagem e conspiração internacional numa trama ardilosa e retorcida para um herói das novas tecnologias. Ação e suspense como só James Patterson nos pode oferecer.

domingo, 7 de setembro de 2014

Um amor perdido

Autor: Anna McPartlin
Edição: 2014/ agosto
Páginas: 354
ISBN: 9789897261428
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
A 21 de junho de 2007 Alexandra Kavanagh saiu de casa, falou com a vizinha, meteu-se no comboio, chegou à estação de Dalkey e desapareceu... Tom está destroçado. Não encontra a mulher, o seu mundo desmoronou e o seu único objetivo é localizá-la.
Durante dezassete anos, Jane cuidou do filho Kurt, da excêntrica irmã Elle, e da rabugenta mãe Rose. A única pessoa de que não cuida é dela própria.

Elle é artista e considerada um génio. Como tal, o seu comportamento um tanto errático é tolerado. Embora a sua vida pareça perfeita, a tristeza de Elle é por vezes profunda.
Leslie perdeu toda a família para o cancro. Passou vinte anos à espera de morrer, mas após uma operação radical está determinada a viver de novo.
Quatro meses depois do desaparecimento de Alexandra. Tom entra num elevador com Jane, Elle e Leslie para um concerto de Jack Lukeman. Uma hora mais tarde, os quatro desconhecidos saem de lá com as suas vidas entrelaçadas para sempre. Um Amor Perdido aborda o alcoolismo, a depressão, a negação e a dor e ainda assim irá dar por si a sorrir e até a rir.

Outrora Jane e Alexandra eram inseparáveis - partilhavam aventuras, segredos e grandes sonhos para o futuro. Porém, quando Jane engravidou aos dezoito anos, elas afastaram-se. Dezassete anos depois, Jane descobre que Alexandra desapareceu e decide ajudar o marido de Alexandra, Tom, a encontrar a mulher. Contudo, enquanto procura Alexandra, Jane terá de enfrentar algumas grandes questões sobre si mesma. O que aconteceu à jovem alegre que ela foi? O que acontecerá se deixar de tentar controlar o mundo? E o amor significa realmente dar asas aos outros? Duas pessoas destroçadas encontram-se acidentalmente e descobrem uma na outra força, amizade - e até o início da esperança...

A minha opinião:
Há coisas que não entendo! Esta capa é demasiado colorida, assim como este título demasiado lamechas para o tipo de leitura que proporciona, mais exigente do que aparenta e mais forte do que iludidas irão encontrar. Poderão não o apreciar devidamente e certamente, que afasta leitores mais sérios. 

Não é um romance para se ler de ânimo leve porque a trama e as personagens não são para brincadeiras. A família Moore com Rose, Jane e Elle, são passivo-agressivas na sua relação com os outros e inclusive entre si, e se parecem uma família disfuncional é porque não se aperceberam dos laços que as liga, bem como a Kurt, Dominic e Irene. 

O desaparecimento da melhor amiga de infância de Jane e um claustrofóbico encontro num elevador entre um devastado marido que espalhava cartazes, uma solitária amargurada com um gene ameaçador que dizimara a sua família, e a presença da extravagante e louca artista Elmore, desencadeia uma sucessão de acontecimentos que tanto nos podem levar às lágrimas como ao riso, por compaixão com sentimentos de dor e sofrimento tão compreensíveis e transparentes, como pela coragem em responder prontamente aquilo que socialmente sabemos inadequado, mas sentimos vontade de soltar. 

Uma trama bem urdida, em que gradualmente vamos desvendando todos os segredos e motivações destas personagens que, parecem alucinadas ou irreais, mas são tão confusas e perturbadas como qualquer um que se disperse no mundo sem um amigo ou familiar que lhe dê a mão num momento chave. Personagens que cativam o leitor pelas suas fraquezas.

Nem no final este romance é leve, fácil ou doce, portanto desenganem-se se procuram uma leitura assim. Arriscam-se a ficar marcadas e a reverenciar Anna McPartlin pela sua capacidade em conceber e contar uma boa história.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Uma noite no Expresso do Oriente

Autor: Veronica Henry
Edição: 2014/ abril
Páginas: 336
ISBN: 9789897261169
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
Há uma nova vida apenas a um bilhete de distância.
O Expresso do Oriente. Luxo. Mistério. Romance.
Para o grupo de passageiros que se instala nos seus lugares e bebe os primeiros goles de champanhe, a viagem de Londres até Veneza é mais do que a viagem de uma vida.

Uma missão misteriosa; uma promessa feita a um amigo moribundo; uma proposta inesperada; um segredo que remonta a vida inteira... Enquanto o comboio segue viagem, revelações, confissões e encontros amorosos têm lugar no cenário mais romântico e infame do mundo.

A minha opinião:
Não sei porque o adiei, mas algumas opiniões menos favoráveis e esta capa, não me seduziram para um romance que esperava simples e banal, sem grandes rasgos de inspiração. Não é um best seller, mas para quem gosta do género é uma aprazível leitura com vários protagonistas sem que nenhum se destaque em particular, porque todos tem o seu brilho e a sua história para contar. O elo em comum é esta viagem de luxo que os reuniu como passageiros do Expresso do Oriente durante 24 horas e que terminou em Veneza.

Veneza era uma cidade que fazia as coisas acontecerem e tinha sempre algum impacto, como se tecesse um feitiço que mudava os seus visitantes. Um casamento longamente adiado numa paixão duradoura sempre celebrada, uma família a conciliar e a estabelecer, um quadro fabuloso que ocultava uma traição e uma paixão sempre recordada, um romance secreto e finalmente um encontro que poderia ser desastroso mas foi escrito no céu.

Para ser honesta, este romance de baixas expectativas deixou-me com um forte sentimento de pertença porque o que espero sentir encontrei nesta leitura. Leve e emotivo, viajei através dele para paisagens de sonho com personagens elegantes e sedutoras com tensões e dúvidas para resolver num faz-de-conta maravilhoso.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Todos os Dias são Meus

Autor: Ana Saragoça
Edição: 2012
Páginas: 104
ISBN: 9789723326673
Editora: Editorial Estampa

Sinopse:
Um prédio. Uma morte. Um mistério.Não se trata, porém, de um romance de pretexto policial. É verdade que há polícias e testemunhas - sobretudo testemunhas - e alguns suspeitos. Mas Todos os Dias são Meus é um extraordinário retrato do Portugal profundo, com os seus tiques, os seus ressentimentos, os seus ridículos.

A minha opinião:
Uma amiga emprestou-me este pequeno livro e garantiu-me que eu ia gostar. Não errou, porque adorei este policial em formato de conto. 

Devo acrescentar que o crime e o que o motivou foi o que menos relevância teve, uma vez que fiquei arrebatada por todas aquelas personagens tão genuinamente portuguesas. 

Dificilmente, alguém o começa a ler sem rir, ao visualizar a primeira personagem, a Porteira, embalada numa verborreia inacreditável, quando supostamente inquirida pela autoridade a propósito de um crime ocorrido no edifício. Supostamente, porque esta autoridade não tem hipótese com uns inquilinos como estes, é uma não personagem. Mas os inquilinos apresentam-se por capítulo e dizem de sua justiça e como divagam sobre as suas vidas e a dos que os rodeiam. Da vitima pouco ou nada sabem. 
A vitima dá-se a conhecer como a Razão e o humor aqui desaparece, porque se trata de assuntos sérios como o vazio e a solidão de toda uma vida. 

Escrita deliciosa e irrepreensível que me enlevou durante umas horas. Perdi a noção do tempo com esta dicotomia da Razão  num registo sério e introspectivo, e a dos presentes naquele prédio, enquanto suspeitos do crime, focados em si mesmos (não todos) num registo cómico e extrovertido. 

É um pena livros como este não serem apresentados nas escolas para estimular a leitura e gáudio dos jovens, que certamente reconheceriam vizinhos e amigos nesta sucinta e tão bem escrita história.