domingo, 28 de dezembro de 2014

A Informadora

Subtítulo: Um mistério na Roma antiga
Autor: Lindsey Davis
Edição: 2014/ março
Páginas: 400
ISBN: 9789892325668
Editora: ASA

Sinopse: 
Roma, ano 89 DC. As regras ditam que uma mulher deve ser submissa e modesta. Não deve levantar a voz, vestir roupas extravagantes, sair à noite, beber ou desafiar a autoridade… e muito menos envolver-se em assuntos criminais.
Flávia Albia contraria todas estas normas (e mais algumas). Vive sozinha na zona boémia de Roma, cultiva amizades pouco recomendáveis e não se coíbe de lutar pelos seus direitos. Filha de um detetive, Flávia decidiu desde cedo seguir os passos do pai. Mas a investigação é uma profissão masculina. Para ser respeitada, ela sabe que terá de ser a mais rápida, a mais perspicaz, a melhor.

Flávia é a única a reparar que o número de mortes inexplicáveis tem vindo a aumentar na cidade. Por não terem ligação entre si nem indícios de violência, não levantaram suspeitas.
As denúncias de Flávia são ignoradas pelas autoridades, que estão demasiado ocupadas com a organização dos Jogos de Ceres, o momento alto do ano. E até mesmo a própria Flávia, distraída com a perspetiva de um novo romance, não vê que a morte está demasiado perto de casa…

A minha opinião: 
Reservada, implacável e auto suficiente. Inteligente e indomesticável como uma raposa, mas capaz de uma forte lealdade. Criatura solitária capaz de socializar, alegre e divertida mas que depois tornava a isolar-se. Vivia na comunidade urbana, mas sub-repticiamente. Nunca chegava verdadeiramente a fazer parte dela, assim era Flávia Alba, uma viúva jovem e informadora/ investigadora que segue o rasto de misteriosos crimes.

Um romance levezinho e fantasioso que se passa na Antiguidade Clássica, onde o protagonismo é dado a uma mulher, que se sabia mover na sociedade da época. Sarcasmo e alguma teatralidade no decorrer da trama em que se procura desvendar a identidade do assassino da agulha. De fácil resolução e sem qualquer rasgo de brilhantismo acompanhamos as pistas nesta singela aventura, que nada mais visa do que entreter e distrair para depois se esquecer.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Um Anjo da Guarda

Autor: James Patterson e Gabrielle Charbonnet
Edição: 2014/ novembro
Páginas: 304
ISBN: 9789898626905
Editora: TopSeller

Sinopse: 
Será o nosso coração capaz de amar para além do mundo real?
Michael era o amigo imaginário de Jane, que a acompanhava, guiava e protegia quando ela, ainda criança, se sentia sozinha. Apesar de a mãe ser uma bem-sucedida produtora da Broadway e do ambiente glamoroso que a rodeava, Jane não era uma menina feliz. Michael e Jane eram os melhores amigos mas, quando ela fez 9 anos, o seu amigo imaginário teve de partir…

Vinte e três anos mais tarde, Jane é uma dramaturga de sucesso, trabalha na produtora da mãe e tem um namorado atraente e encantador. No entanto, ela continua infeliz e sem conseguir esquecer Michael. Até que, inesperadamente, volta a vê-lo. Teria Michael afinal sido sempre real?
Uma história de amor mágica e comovente, com uma reviravolta emocionante, que nos faz acreditar no poder do amor verdadeiro.

A minha opinião: 
Depois de uma intensa semana de trabalho, nada melhor do um romance idílico para desanuviar e esquecer, aconchegando-nos numa gratificante leitura. Um romance que faz bem ao coração. Um romance que desperta a criança que existe dentro de nós. 

Quem não precisa de um Amigo Imaginário da infância que não nos esqueça, e de quem não nos esquecemos como o Anjo da Guarda que sempre gostaríamos que nos acompanhasse e protegesse?  

Jane é uma pobre menina rica e vinte e três anos depois é uma insegura mulher de sucesso, dominada por uma mãe forte e poderosa que a sufoca na sua ambição e sedução. Um namorado egocêntrico que procura singrar como ator  em troca de um noivado leva Jane ao desespero, quando reencontra Michael que se apercebe do drama e da falta que lhe faz. E pior, não resiste a aproximar-se da mulher que admira. 

James Patterson num registo diferente do habitual que leio, repleto de ternura e encanto, apesar dos vilões. Pequenos capítulos numa escrita fluída, ritmada e vibrante. Um romance que procura repor a nossa reserva de magia, fantasia nesta época tão cheia de sensações e emoções como o Natal. Um deleite!

Nota: O booktrailer que vi é uma adaptação um pouco livre do livro. 

domingo, 7 de dezembro de 2014

O Nadador

Autor: Joakim Zander
Edição: 2014/ julho
Páginas: 463
ISBN: 9789896722708
Editora: Suma de Letras

Sinopse: 
Um thriller viciante que não poderá parar de ler.
Damasco. Uma noite quente no princípio dos anos 80.
Um agente americano entrega a sua bebé a um destino incerto, uma traição que jamais se perdoará e que será o começo de uma fuga de si próprio. Até ao dia em que não pode continuar a esconder-se da verdade e se vê obrigado a tomar uma decisão crucial.

Trinta anos depois, Klara Walldéen, uma jovem sueca que trabalha no Parlamento Europeu, vê-se envolvida numa trama de espionagem internacional na qual está implicado Mahmoud Shammosh, o seu antigo amante e ex-membro das forças especiais do exército sueco.
Klara e Mahmoud transformam-se no alvo de uma caçada através da Europa, um mundo onde as fronteiras entre países são tão ténues como a linha que separa um aliado de um inimigo, a verdade da mentira, o passado do presente.

A minha opinião: 
Ele gostava de nadar. O agente americano que sobreviveu a um ataque que lhe foi infringido mas perdeu a mulher e afastou-o da sua filha bebé para a proteger. Anos depois, essa filha é uma mulher determinada que é arrastada numa trama com o seu anterior amante Mahmoud, também ele surpreendido num encontro com um antigo companheiro de armas que assinava as mensagens com "Vontade, coragem e perseverança".

Uma outra personagem, George, é retida pela ambição e por um obscuro segredo da sua carreira que o pode destruir mas ultrapassa o medo e reage ativamente numa ilha inóspita da Suécia durante uma tempestade.

Apesar das suas mais de quatrocentas páginas é uma leitura viciante que se lê num ápice, em que cada capítulo suspende a trama num momento crucial e retoma com outra personagem no ponto em que tinha ficado em suspense. São quatro as personagens com honra de capítulo que dão sequência à história. Uma história envolvente e perigosa com os meandros do poder a atuar para encobrir o rasto da violência noutro lado do mundo.  

Atual esta narrativa empolgante e tensa em que seguimos por cenários que bem imaginamos quando não os conhecemos, duma Europa fria e cinzenta onde se dá a ação. Um bom thriller para uma leitora não apaixonada pelo género. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Stoner

Autor: John Edward Williams
ReEdição: 2014/ novembro
Páginas: 263
ISBN: 9789722055567
Editora: Dom Quixote

Sinopse: 
Romance publicado em 1965, caído no esquecimento. Tal como o seu autor, John Williams - também ele um obscuro professor americano, de uma obscura universidade. 
Passados quase 50 anos, o mesmo amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia. 
Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: "É o melhor romance que ninguém leu". Porque é que um romance tão emocionalmente exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial nas mais diferentes latitudes? A resposta está no livro. Na era da hiper comunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta, partilhamos com ele a devoção à literatura, revemo-nos nos seus fracassos; sabendo que todo o desapontamento e solidão são relativos - se tivermos um livro a que nos agarrar.

A minha opinião: 
Stoner, deu-me que pensar, depois da inquietação inicial. Uma frieza ou distanciamento num relato de uma vida inteira como se fosse extra-corpóreo ou nada tivesse importância e apenas fosse um ritual de passagem apesar de alguns, muitos episódios serem carregado de tristeza e pesar. A sua identidade contida no seu amor ao conhecimento e ao ensino.

Prosa simples e elegante em que a paixão é disfarçada por uma inteligência límpida.. Dormência, indiferença, distanciamento ocultavam a paixão que na juventude Stoner dera ao conhecimento que lhe fora revelado por Archer Sloane, e depois a Katherine num romance de rara sensibilidade. Humilde e sem nunca perder os laços de sangue à terra dura que o viu nascer, Stoner assume-se como um homem de letras e a faculdade como o seu refúgio. O seu casamento envenenado, uma fonte de perturbação para mim como leitora, perante a passividade de Stoner quando Edith começou a usar a filha na batalha que travava contra ele. E Lomax, o seu inimigo na carreira que sem brilho mas com empenho e mérito desenvolvia. Tanta injustiça para um homem bom à luz dum tempo que sucintamente o autor recordou. Tanto que pensar depois do muito que nos faz sentir.

Um romance marcante. Um hino à literatura.