quinta-feira, 23 de junho de 2016

Uma Boa Mulher


Autor: Jill Alexander EssBaum
Edição: 2016/ maio
Páginas: 304
ISBN: 9789897242908
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
O fascínio e a culpa de uma mulher dividida entre o amor e a luxúria.

Complexo e íntimo, "Uma Boa Mulher" é a história de uma mulher que enfrenta o vazio no seu casamento e procura dar um novo sentido à sua vida. Este é um romance que explora a sensualidade e o desejo em toda a sua força libertadora e subversiva.
Muito elogiado pela crítica internacional e pelos leitores, "Uma Boa Mulher" é um livro profundo e intenso sobre o casamento, a moralidade e o amor-próprio.

A minha opinião:
Não consigo compreender porque tive dificuldade em escrever este parecer, quando gosto de romances no feminino. Esta Boa Mulher (na maior parte do tempo), conheceu apenas uma versão do amor, e ao longo de toda a leitura perturbou-me sem contudo me desinteressar dela. Triste, solitária e entediada escolheu uma controversa via para atenuar as suas dores sem conseguir mais do que viver com o desconforto da culpa e do medo.

Uma americana na Suiça, devido ao regresso do marido ao seu pais natal que não se consegue adaptar ou integrar numa sociedade que considera fria e pragmática, onde a língua também é uma barreira que pouco tenta superar com aulas diárias de alemão. O complexo e intimo mundo de Anna que apenas o leitor conhece já que não o revela à psiquiatra que a acompanha consciente dessa situação, em paralelo com os amantes que nada significam, bem como o desapego à família levaram-me como leitora num carrossel de emoções sem antecipar desfecho possível.

Foi assim uma leitura intensa e envolvente que não se consegue esquecer facilmente porque esta mulher chegou ao limite e tanto perdeu para depois procurar ganhar. Não é literatura cor-de-rosa. Antes um nó no estômago se transportarmos esta narrativa da ficção onde pertence, para o deambular de existências vazias num mundo perfeito por ai.

domingo, 19 de junho de 2016

Rio do Esquecimento

Autor: Isabel Rio Novo
Edição: 2016/ fevereiro
Páginas: 160
ISBN: 9789722059275
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Inverno de 1864. Sentindo a morte a aproximar-se, Miguel Augusto regressa do Brasil, onde enriqueceu, e instala-se no velho burgo nortenho, no palacete conhecido como Casa das Camélias, com a intenção de perfilhar Teresa Baldaia e torná-la sua herdeira. No mesmo ano, Nicolau Sommersen pensa em fazer um bom casamento, não só para recuperar o património familiar que o tempo foi esfarelando, mas sobretudo para fugir à paixão que sente por Maria Adelaide Clarange, senhora casada e mãe de três filhos. Maria Ema Antunes, prima de Nicolau e governanta da Casa das Camélias, hábil e amargurada com a sua vida, urdirá entre todos uma teia de crimes, segredos e vinganças. Subvertendo as estratégias da narrativa histórica, com saltos cronológicos que deixam o leitor em suspenso mesmo até ao final, "Rio do Esquecimento" descreve com saboroso detalhe a sociedade portuense de Oitocentos e assinala o regresso à ficção portuguesa de uma escrita elegante que consegue tornar transparente a sua insuspeitada espessura.

A minha opinião:
Não foi fácil de ler. A escrita requintada e a prosa descritiva para uma narrativa que remonta ao Sec. XIX levou-me para os romances que li enquanto adolescente e estudante nem sempre apreciados e foi necessário vencer essa resistência involuntária que antecipei para me deixar envolver com personagens que também elas remontam aos grandes dramas de amor do século passado.    

Bem urdida trama para um pequeno livro que supus ler num fôlego dadas as suas pequenas dimensões mas que me acompanhou durante dias para melhor o apreciar e assim compreender as intrincadas malhas de sentimentos que motivavam as ações das personagens num salto entre o antes e o agora da narrativa sem perder a coerência e a cadencia do tempo e do lugar. A maldade disfarçada que manipula, o ressentimento e amargura que vinga, a teimosia e ambição que enriquece, o sonho que comanda a vida e determina a morte, o desencanto e insegurança que apaga mas não esquece os que permanecem num toque sobrenatural que deu titulo à obra.

Poderoso como gosto adquirido que importa persistir para surpreender com a natureza humana que silenciosamente se manifesta. 

sábado, 18 de junho de 2016

Razões para viver

Autor: Matt Haig
Edição: 2016/ abril
Páginas: 260
ISBN: 978-972-0-04814-1
Editora: Porto Editora

Sinopse:

Um livro sobre como tirar o máximo partido da vida enquanto cá estamos. 

Aos 24 anos, o mundo de Matt Haig desabou: 

Durante algum tempo, fiquei parado junto ao abismo. Primeiro, a ganhar coragem para morrer; depois, a ganhar coragem para viver. 
Este é um relato na primeira pessoa sobre a forma como Matt mergulhou numa crise profunda, triunfou sobre uma doença que quase o matou e reaprendeu a viver.
Quando se está deprimido, sentimos que estamos sozinhos e que mais ninguém está a passar exatamente por aquilo que nos está a acontecer. Temos tanto medo de que os outros nos achem loucos que acabamos por interiorizar tudo. Temos tanto medo de que as pessoas nos ostracizem ainda mais, que acabamos por nos fechar numa concha. E não falamos sobre o que se passa connosco, o que é uma pena, pois ajuda se falarmos sobre o assunto.

A minha opinião:
Este é um testemunho importante que resulta da coragem de um homem em partilhar a sua experiência com uma doença como a depressão e explorando soluções que devem ser adequadas a cada um como razões para viver. 

Ler este livro foi opção quando a doença me tocou muito perto com um familiar chegado. Sabia bastante sobre o assunto porque infelizmente muitas são as pessoas com quem me cruzei ao longo dos tempos que sofriam deste flagelo. Algumas sabem-no e lutam bravamente contra, outras supõem que estão apenas infelizes afetadas por problemas banais, e outras ainda recusam encarar essa possibilidade por não serem malucos e não falam abertamente sobre o assunto mas apresentam sinais exteriores de risco como a ansiedade, a perturbação do pânico, entre outros.

Contudo este livro é mais abrangente porque nos faz encarar a vida e procurar tirar proveito dela realçando os aspectos positivos em que nos devemos focar, apreciar, sem ignorar o mundo em que vivemos e do qual fazemos parte em conjunto. Altos e baixos de quem sofre desta doença, como de qualquer existência. 

Descobri que a leitura é um excelente terapia porque "cada livro é fruto de uma mente humana num determinado estado" e "alguém que procura alguma coisa" como o leitor procura dentro de si com provisões de esperança e confiança. Apesar da escrita desarmada e fluída não consegui ler este pequeno livro todo de uma só vez e retomei-o sempre que precisava de acomodar e reter a informação que me transmitia. Gratificante, sem duvida, mas realista e como tal inquietante com o muito que desvenda, e simultaneamente redentor e positivo, mesmo que sem falsas esperanças de curas milagrosas.

Recomendo vivamente. 

sábado, 4 de junho de 2016

As Viúvas de Dom Rufia

Autor: Carlos Campaniço
Edição: 2016/ maio
Páginas: 280
ISBN:9789897414916
Editora: Casa das Letras

Sinopse:
Conhecido por Dom Rufia desde moço, Firmino António Pote, criado sem recursos numa vila alentejana, promete a si mesmo tornar-se rico. Negando-se à dureza do trabalho do campo, divide durante anos a sua sobrevivência entre o ócio e alguns negócios frugais. Mas, já nos trinta, munido de assombrosa imaginação, bonito como poucos e gozando de uma enorme capacidade de persuasão, sobretudo entre as mulheres, lobriga várias maneiras de alcançar o seu objectivo, fingindo continuamente ser quem não é. Para isso, porém, é obrigado a viver em vários lugares ao mesmo tempo, dando a Juan de los Fenómenos, um velho chileno em busca de proezas sobre-humanas, a ilusão da ubiquidade.

Quando o corpo sem vida de Dom Rufia é encontrado no meio do campo, a recém-empossada Guarda Republicana não imagina as surpresas que o funeral reserva. O aparecimento de uma estranha carta assinada pelo tio do morto é só o princípio da desconfiança de que ali há mão criminosa.

A minha opinião:
Este romance de época visa perpetuar a incrível história de Dom Rufia, que na morte se revelou, nomeadamente na biografia de um velório em terras do Baixo Alentejo em tempos que já lá vão.

Dom Rufia era um encantador aldrabão, de bigode fininho, tez de sírio, olhos verdes e sorriso bonito que de mentira em mentira conquistava e seduzia. Tinha o dom, a magia que fazia falta na vida das pessoas, o que estava ligado à sua maneira de ser, e assim se tornou uma personagem inesquecível para uma leitura muito prazeiroza. As mulheres eram a fraqueza de Dom Rufia que não lhes resistia e o meio para contrariar o destino e fugir de uma vida de miséria e escravidão a trabalhar terras sem fim no Alentejo. Neste ambiente rural se espalhou e muitas de diferentes idades e proveniências encantou, que mais tarde, se apresentaram como surpresas viúvas.

Juan de los Fenómenos, velho chileno, culto e inteligente, espantava ver este homem em diferentes cenários e com diferentes papeis. 

O narrador em interlúdio com o leitor explica a natureza deste parente afastado conhecido como Dom Rufia, e conta as suas aventuras, bem como justifica as suas ações numa linguagem pouco usual ou brejeira, que nos desvirtua mas predispõe bem. Entretanto, tece algumas considerações bem humoradas sobre a nova Republica e o poder do dinheiro. 

Este romance é um imenso prazer de ler! De chorar a rir com certas peripécias!