domingo, 31 de julho de 2016

O Livro dos Baltimore

Autor: Joël Dicker
Edição: 2016/ maio
Páginas: 552
ISBN: 9789896650674
Editora: Alfaguara Portugal

Sinopse: 
«Se encontrar este livro, por favor leia-o. Queria que alguém conhecesse a história dos Goldman de Baltimore.»

Até ao dia do Drama, existiam dois ramos da família Goldman: os Goldman de Baltimore e os Goldman de Montclair.
O ramo de Baltimore, próspero e bafejado pela sorte, mora numa luxuosa mansão. Encarna a imagem da elite americana, abastada e influente, que vive em bairros exclusivos, passa férias nos Hamptons e frequenta colégios privados. Já os Goldman de Montclair são uma típica família de classe média e vivem numa casa banal em Nova Jérsia. É a esta família modesta que pertence Marcus Goldman, autor do romance "A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert". Mas era à família feliz e privilegiada de Baltimore que Marcus secretamente desejava pertencer. Mas tudo isto se transforma com o Drama.
Oito anos depois do dia que tudo mudou, é a história da sua família que Marcus Goldman decide investigar. Movido pelas memórias felizes dos tempos áureos de Baltimore, procura descobrir o que se passou no dia do Drama, que mudaria para sempre o destino da família. O que aconteceu realmente aos Goldman de Baltimore?

A minha opinião: 
Provavelmente não teria lido este livro se não me tivesse sido oferecido. 

Até então não me tinha chamado a atenção, mas depois fui investigar. Constatei que tinha estado desatenta porque várias foram as vezes em que o autor foi referido por amigos que tinham lido as outras duas obras - "Verdade Sobre o Caso Harry Quebert” e "Os Últimos Dias dos Nossos Pais". Sem paralelo para mim que ainda não os li. 

"O Livro dos Baltimore" trata-se de uma promessa cumprida por Marcus Goldman ao seu tio Saul Goldman de Baltimore. 

Um cão, Duke, faz a ponte entre o escritor e Alexandra que se tinham afastado oito anos antes e Marcus que tentava ultrapassar um bloqueio criativo retoma ao passado com memórias felizes da adolescência e juventude quando pertencia ao "Gangue dos Baltimore". Saltos temporais marcam esta narrativa mas sem perder a cadência e o interesse pelo enredo desta família.

A perspectiva de Marcus apresenta lacunas que gradualmente ele vai preenchendo e o que parecia óbvio e inevitável percebe-se que não o foi. Os motivos prendem-se com o Drama que ele tende mas tarda em revelar, na proximidade com o curioso vizinho Leo que o julga e repreende como a voz da consciência, 

Sentimentos profundos e conturbados alteram o rumo de sucesso que parecia traçado para os Goldman. Inveja, orgulho e paixão ocultos no seio da família antes e depois do Drama de 2004. Segredos obscuros que tornam esta leitura empolgante e rápida e uma ótima leitura de verão. 

domingo, 24 de julho de 2016

Manual para mulheres de limpeza

Autor: Lucia Berlin
Edição: 2016/ maio
Páginas: 528
ISBN: 9789896650650
Editora: Alfaguara Portugal

Sinopse: 
Manual para mulheres de limpeza reúne o melhor da obra da lendária escritora norte-americana Lucia Berlin. Com um estilo muito próprio, faz eco da sua própria experiência - tão rica quanto turbulenta - e cria verdadeiros milagres a partir da vida de todos os dias. As suas histórias são pedaços de vidas convulsas.

Um dos melhores livros do ano segundo os jornais The New York Times e The Guardian.

A minha opinião: 
Gostei deste livro assim que o vi. 

A capa com aquela figura feminina (a autora) de sorriso negligente chamou-me a atenção, antes mesmo do titulo que guardei na memória e da sinopse que li quando o virei. Ainda assim não foi um livro que li compulsivamente. Ficou parado na minha mesa de cabeceira e ao fim do dia pegava nele para ler mais um conto e apreciar devagar o outro lado do sonho que Lucia narra com desapego, compassividade e economia de palavras.  Quase como se fosse uma peça jornalística que precisamos de conhecer para entender o mundo em que vivemos, que por outro lado, com o tanto que conta torna-se difícil de entender. A violência, maus tratos em mulheres e crianças, a miséria, a dependência do álcool e de drogas, o abandono, a dor e a morte, e em que o belo se mistura com tudo isto em pormenores observados ou imaginados que a autora registou para dar força e profundidade à prosa. Uma escrita tão realista que se torna verdadeira para o leitor. Sentida. 

"E´ uma questão de melhorarmos a realidade, de fazermos a nossa própria verdade." (pag. 483)  

Lidos todos os contos temos a trajectória de vida da autora, que confirmamos no fim com Uma nota sobre Lucia Berlin. Uma vida recheada mas sombria, com rasgos de humor e ironia. Uma nobreza de carácter que marca. Como um diário que se espreita em segredo.  

"O único motivo porque vivi tanto tempo foi ter largado o meu passado. Fechar a porta à dor, ao arrependimento, ao remorso. Se os deixar entrar, basta uma nesga autocomplacente, zás, a porta abre-se por inteiro e eis que entra uma torrente de dor que me rasga o coração e me cega os olhos de vergonha, parte chávenas e garrafas, derruba frascos e estilhaça janelas, faz-me tropeçar, ensanguentada, em açúcar entornado e em vidros partidos, sufocando de pavor até que, num ultimo estremecimento e soluço, fecho a porta pesada. Apanho os cacos uma vez mais. (pag. 509)

domingo, 17 de julho de 2016

História da Menina Perdida

Autor: Elena Ferrante
Edição: 2016/ maio
Páginas: 432
ISBN: 9789896415815
Editora: Relógio D'Água

Sinopse: 
Deixando o marido em Florença, Elena volta a Nápoles para viver com Nino Sarratore, esperando que este se separe da mulher. É agora uma escritora reconhecida e procura escapar ao ambiente conflituoso do bairro onde cresceu e a sua família continua a viver. Evita encontrar Lila. Mas as duas amigas de infância não conseguem manter-se distantes e acabam mesmo por engravidar ao mesmo tempo, o que lhes permite reencontrar, por algum tempo, a passada cumplicidade.

A minha opinião: 
Finalmente li o ultimo volume da tetralogia A Amiga Genial, de Elena Ferrante. 

Ao contrario de outras opiniões considero a narrativa limpa e honesta de Elena Greco exigente pela complexidade de sentimentos que a amizade com Lila tem, bem como os restantes relacionamentos com contornos políticos deste bairro napolitano, para que me permita ler ininterruptamente.  

As personagens permanecem connosco, ou melhor, o desassossego que nos causam não nos deixa esquece-las, mesmo que façam interregnos como os meus. Como se fizéssemos parte da trama. 

Quem escreve com o pseudónimo Elena Ferrante parece ter se inspirado em factos vividos para criar uma historia ficcional muito genuína e sentida, que gradualmente nos conquista mas incomoda porque muitas são as situações angustiantes e dolorosas no bairro miserável, violento e decadente onde cresceram e do qual Elena se procurou libertar mas ao que regressou numa fase da sua vida aqui retratada. A história da Menina Perdida encerra um ciclo de alguma proximidade e consenso entre as duas amigas novamente mães. A ligação das crianças e as suas diferenças deixa Elena insegura mas o pior estava para vir. E tantas outras experiências quotidianas e tantas emoções nesta narrativa rica e dinâmica. 

Para ler e mais tarde reler, porque muitos são os aspectos e pormenores que importa reter nesta bem contada história.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Um Homem Chamado Ove

Autor: Fredrik Backman
Edição: 2016/ maio
Páginas: 312
ISBN: 978-972-23-5825-5
Editora: Editorial Presença

Sinopse: 
À primeira vista, Ove é o homem mais rabugento do mundo. Sempre foi assim, mas piorou desde a morte da mulher, que ele adorava. Agora que foi despedido, Ove decide suicidar-se.

Mal sabe ele as peripécias em que se vai meter.

Um jovem casal recém-chegado destrói-lhe a caixa de correio, o seu amigo mais antigo está prestes a ser internado a contragosto num lar, e um gato vadio dá-se a conhecer. 

Ove vê-se obrigado a adiar o fim para ajudar a resolver, muito contrariado, uma série de pequenas e grandes crises.

Um Homem Chamado Ove é um livro simultaneamente hilariante e encantador. Fala-nos deamizades inesperadas e do impacto profundo que podemos ter na vida dos outros.

A minha opinião:
Possivelmente a minha melhor leitura deste verão. E quão inesperado pode ser, quando um pequeno e singelo livro, enreda de tal modo, que tudo e todos os que nos rodeiam ficam em segundo plano, enquanto se acompanha as peripécias das personagens que lidam com o mau feitio de Ove, e ganham vida. Ove, esse, vai direitinho ao coração.

Ove é um homem extraordinário sem o desejar. Taciturno e habilidoso, raramente mostra sentimentos que o seu coração demasiado grande e a sua rabugice oculta, mas quando os princípios porque se rege são questionados, tem de agir. E quando decide ir ao encontro da sua Sonja, porque sente muito a sua falta, depois de ser dispensado do emprego, uma iraniana Grávida de um Esgalgado e as suas duas filhas pequenas mudam-se para a casa do lado, e a sua vida muda. Nem o Gato que não queria fica aos seus cuidados.

Como leitora, passei boa parte do tempo perdida de riso e outro tanto comovida com a generosidade e o desapego de tais personagens. Claro, que o mérito é do autor que consegue imprimir uma autenticidade e vivacidade à narrativa (que nada deixa por contar sobre Ove) que se lê com muito gozo e algum suspense, enquanto se torce por um desfecho favorável às personagens que acarinhamos. 

Há romances assim, que nos pegam desprevenidos e nos conquistam o coração. E são sempre as coisas mais simples como seguir o que parece certo que o conseguem plenamente, com o impacto que isso tem na vida dos outros.

Um prazer de ler!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

A Felicidade é um Chá Contigo

Autor: Mamen Sánchez
Edição: 2016/ maio
Páginas: 284
ISBN: 9789897542213
Editora: Marcador

Sinopse: 
O inexplicável desaparecimento do gentleman Atticus Craftsman parece estar relacionado com as bruxarias de cinco mulheres desesperadas. São funcionárias da revista Librarte e capazes de qualquer coisa para conservar o emprego.

O inspetor Manchego será encarregue de desenredar uma trama na qual a comédia romântica se entrelaça com o drama mais ternurento. E a intriga policial dá lugar ao maior achado literário de todos os tempos.

Aquilo que parece difícil acaba por ser tornar fácil e todos os problemas se afogam num mar de lágrimas… de tanto rir. Tudo isto para chegar à conclusão de que, aconteça o que acontecer, o amor consegue explicar tudo.

A minha opinião:
De ferias! E ferias sem livros não faz sentido. Assim, para começar procurei uma leitura que fosse leve, alegre e vigorosa, sem ser muito juvenil ou delirante. 

"A Felicidade é um chá contigo" pareceu-me uma boa sugestão, apesar da letra miudinha que redimensiona o livro. Não sei se consegui bem os meus intentos com esta agradável leitura de verão, que me transportou para Espanha, nomeadamente para Granada, diretamente para uma comunidade cigana com toda aquela exuberância e alegria de viver, e um jeitinho muito malandro de conseguir os seus objectivos. O misterioso desaparecimento do Inglês, fanático por um chá, que se deixa seduzir por tudo aquilo que o povo espanhol tem de melhor e que bem conhecemos, como odores e sabores, bem como a generosidade e simpatia que subjuga como magia.

De resto, a história é um pouco fantasiosa e pueril, com personagens encantadoras que se apaixonam e ultrapassam as suas dificuldades, enganos e traições. Sem dúvida uma comédia romântica, com um inspector muito boa pessoa mas pouco competente. Divertido, mas não hilariante. Recomendo com parcimónia.