quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O Desaparecimento de Stephanie Mailer

Autor: Joël Dicker
Edição: 2018/ julho
Páginas: 661
ISBN: 9789896655884
Tradutor: José Mário Silva
Editora: Alfaguara

Sinopse: 
Na noite de 30 de Julho de 1994, a pacata vila de Orphea, na costa leste dos Estados Unidos, assiste ao grande espectáculo de abertura do festival de teatro. Mas o presidente da Câmara está atrasado para a cerimónia… Ao mesmo tempo, Samuel Paladin percorre as ruas desertas da vila à procura da mulher, que saiu para correr e não voltou. Só para quando encontra o seu corpo em frente à casa do presidente da Câmara. Dentro da casa, toda a família do presidente está morta.

A investigação é entregue a Jesse Rosenberg e Derek Scott, dois jovens polícias do estado de Nova Iorque. Ambiciosos e tenazes, conseguem cercar o assassino e são condecorados por isso. Vinte anos mais tarde, na cerimónia de despedida de Rosenberg da Polícia, a jornalista Stephanie Mailer confronta-o com uma revelação inesperada: o assassino não é quem eles pensavam, e a jornalista reclama ter informações-chave para encontrar o verdadeiro culpado.

Dias depois, Stephanie desaparece.

Assim começa este thriller colossal, de ritmo vertiginoso, entrelaçando tramas, personagens, surpresas e volte-faces, sacudindo o leitor e impelindo-o, sem possibilidade de parar, até ao inesperado e inesquecível desenlace.

O que aconteceu a Stephanie Mailer?

E o que aconteceu realmente no Verão de 1994?

A minha opinião: 
Não sou fã de Joël Dicker. A escrita e as personagens não me seduzem. Apesar disso, li quase todos os seus livros e admiro a sua capacidade de "emaranhar" uma trama a dois tempos e ainda conseguir "tecer" uma história consistente, plausível e perfeitamente perceptivel num esquema sem "malhas" soltas e ainda recheado de cor num padrão de belo efeito. 

Tanto quanto me lembro não difere muito do seu mais conhecido livro "A verdade sobre o caso de Harry Quebert". Admito que, como a expectativa não era alta foi bem sucedido e apesar das suas mais de 600 páginas foi um verdadeiro "page turner".

A ação passa-se em Orphea, nos Hamptons, (um lugar onde a vida parece mais doce) com várias personagens, em que todas elas escondem segredos que as torna suspeitas em algum momento. Jesse, instigado por Stephanie e Derek, os dois policias, na companhia de Anna, reabrem um doloroso processo de um quádruplo assassinato em 1994. Os equívocos e as revelações sucedem-se, enquanto a sorte protege quem procura recuperar pistas perservadas nesta narrativa hollywoodesca, de curtos capítulos e muito diálogo.

Em suma, não fica na memória, mas entretêm quanto baste. O final é francamente dececionante. Steven Bergdorf na sua relação com Alice foram os que menos me convenceram e o seu desfecho, ainda que irónico, manteve o mesmo registo. De resto, lê-se bem, mas está longe de ser dos thrillers policiais que mais gostei. 

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Fica Comigo

Autor: Ayobámi Adébáyò
Edição: 2018/ outubro
Páginas: 288
ISBN: 9789898864437
Tradutor: R
Editora: Elsinore

Sinopse: 
Yejide e Akin estão casados desde os tempos de faculdade, onde se conheceram e apaixonaram. Agora, decorridos vários anos, Yejide espera por um milagre: uma criança. É o que o seu marido quer, e o que a sociedade espera dela - e, entre consultas de fertilidade, curandeiros e tisanas, Yejide tem feito tudo o que pode para consegui-lo. A família de Akin, no entanto, começa a dar sinais de impaciência, e quando sugerem ao jovem casal acolher em casa uma segunda esposa, mais jovem, os dois percebem que terão de encontrar uma solução rapidamente.

Percorrendo os anos turbulentos da Nigéria da década de 1980 até aos nossos dias, Fica Comigo é uma história sobre a fragilidade do amor conjugal e do colapso da família sob o peso exasperante da maternidade, bem como da contradição de valores que coexistem no interior de uma mesma sociedade.

A minha opinião: 
Surpreendentemente bom. Mesmo muito. De quando em quando, surge um romance, de que nada sabia e que me consegue arrebatar com uma personagem feminina tão forte e marcante, nada ofuscada pelo marido, igualmente impactante, numa história que nada tem de banal ou simples quando se trata da Nigéria na década de 80 e que vai até dias mais próximos. 

A pressão da maternidade numa sociedade que aceita a poligamia. Uma visão sábia e intima do drama do casal sem sentimentalismo e muita emoção. Perda. Traição. E redenção. E que história!!!

Bem pensada e bem contada. Daquelas que não se esquecem. Uma jovem escritora que se lançou com o seu primeiro romance. Uau!

A Persuasão Feminina

Autor: Meg Wolitzer
Edição: 2018/ setembro
Páginas: 480
ISBN: 9789896605186
Tradutor: Raquel Dutra Lopes
Editora: Teorema

Sinopse: 
Jovem, brilhante e ambiciosa, Greer Kadetsky acaba de ser aceite na prestigiada universidade de Yale com uma bolsa de estudo. Para entrar, basta preencher um formulário. Algo que os pais, na sua descontracção de hippies da velha guarda, não fazem.

É assim que ela se vê relegada para uma universidade de segunda linha enquanto o namorado, Cory, filho de imigrantes portugueses, concretiza o sonho de ambos e segue para Yale.

Enquanto se debate com a inesperada falta de rumo, Greer conhece a carismática Faith Frank, figura icónica do feminismo americano. Ao assistir a uma palestra de Faith, a chama que Greer temia extinta ilumina-se.

Anos depois, já terminada a faculdade, Cory dedica-se à alta finança enquanto Greer luta pelos seus ideais com fervor. São percursos distintos que os obrigam a confrontarem-se com a complexidade da vida adulta.

Aos poucos, ambos se afastam do futuro que sempre imaginaram para si próprios. E um dia, vão perceber como estão longe daquilo que sonharam ser.

A minha opinião: 
Não li o "Os Interessantes", que aguarda vez na minha estante em muito boa companhia, mas adorei o romance "A mulher".

"A Persuasão Feminina" começa com a protagonista Greer jovem, zangada com os pais por não estar na faculdade que merecia quando conhece Faith Frank, uma acérrima defensora dos direitos das mulheres. Mais tarde, vão trabalhar juntas e criam um laço quase maternal, dada a diferença geracional. A mudança das personagens, inclusive das personagens secundárias relevantes no enredo, bem como as mudanças na sociedade, com os anseios e conquistas das mulheres antes e depois, ou as cedências que se fazem em prol de um bem que se julga maior. Um romance com um cunho marcadamente feminista, pertinente e atual. O poder e ambição a par do desenvolvimento e humanidade, tantas vezes longe do que idealizamos.

Naturalmente bem escrito. Um romance para se ler devagar.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

O Castigo dos Ignorantes

Autor: Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt
Serie: Sebastian Bergman (Vol. 5)
Edição: 2018/ setembro
Páginas: 512
ISBN: 9789896655556
Tradutor: Elin Baginha
Editora: Suma de Letras

Sinopse:
O REGRESSO DE SEBASTIAN BERGMAN

A estrela de um reality show é encontrada morta numa escola, com um disparo na cabeça. Amarrado a uma cadeira de sala de aula, posicionado de frente para um canto, com orelhas-de-burro. Um exame longo, de várias páginas, pregado na parte de trás da cadeira. A julgar pelo número de respostas erradas, a vítima falhou no teste mais importante da sua vida.

Esta morte será o primeiro de uma série de assassinatos contra várias personalidades dos media e o Departamento de Investigação Criminal é chamado. Lutam para encontrar provas e finalmente Sebastian Bergman descobre pistas em chats e cartas anónimas publicadas em jornais. O autor das cartas opõe-se à falta de educação entre os modelos da nova geração e fala muito sobre os assassinatos. Sebastian desafia-o e fica claro que o seu oponente sem rosto tem informações sobre os assassinatos a que ninguém além da polícia —e do assassino —tem acesso.

Neste novo caso Sebastian Bergman e sua equipa enfrentam um serial killer complexo e tortuoso, que ameaça a própria existência da equipa.

A minha opinião:
Finalmente terminei. Uma história bem contada quando chega ao fim é um climax ansiado. Para mais, esta dupla de autores não deixa a intensidade narrativa quebrar em qualquer um dos volumosos livros e o final é sempre tremendo. Como leitores, ansiamos por mais, porque o próximo já foi iniciado com o desfecho deste livro, completamente inesperado.

A equipa de Riksmord continua eficaz e emocionalmente caótica. Qualquer um deles lida com dificuldades ou problemas que atenuam com o trabalho. Esta faceta humana torna-os mais realistas, enquanto a dinâmica do grupo é volátil e gera empatia.

Sebastian Bergman, um mentiroso viciado em sexo para esquecer a dor e a culpa encontra um criminoso à sua altura, motivado para acabar com a idolatria da estupidez, punindo primeiro os ignorantes que reprovam nos testes e depois os que os promovem. Uma chamada de atenção ao que singra hoje em dia, enquanto os crimes continuam e a equipa busca o culpado, no que terá sucesso graças à temeridade de Sebastian. Mais uma vez, muito bom.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Fim de Turno

Autor: Stephen King
Edição: 2018/ julho
Páginas: 376
ISBN: 9789722535458
Tradutor: Ana lourenço
Editora: Bertrand

Sinopse:
Bill Hodges, que agora gere uma agência com a colega Holly Gibney, fica intrigado com a letra Z escrita a marcador na cena de um crime para que são chamados.
À medida que se vão acumulando casos idênticos, Hodges fica espantado ao perceber que as pistas apontam para Brady Hartsfield, o célebre «assassino do Mercedes» que eles ajudaram a condenar. Devia ser impossível: Brady está confinado a um quarto de hospital num estado aparentemente vegetativo.

Mas Brady Hartsfield tem novos poderes letais. E planeia uma vingança, não só contra Hodges e os seus amigos, mas contra a cidade inteira.
O relógio bate de formas inesperadas…

A minha opinião:
Depois de ler "Sr. Mercedes", "Perdido e Achado", tinha que ler "Fim de Turno", o último livro da trilogia Bill Hodges do género Thriller Policial, que fecha em grande o ciclo Brady Hartshield. Em sequência, com uma breve resenha no início do primeiro,  pode perfeitamente ser lido sem os restantes. Apenas quem se apega a Holly e Bill como eu, tem que os ler todos, sem perder este Fim de Turno (termo utilizado na passagem à reforma de um policia). Fim de Turno é o que está prestes a acontecer ao antigo parceiro de Bill que o chama para um último caso. Um crime seguido de suicídio. Uma vitima do mediático assassino do Mercedes, que deixa estranhas pistas que o det-ref e a sua sócia seguem. Afinal, Bill duvida do estado vegetativo do príncipe do suicídio. 

Para este assassino não é o controle. Suicídio é controle. "Brady sabe que há alguma coisa porque toda a gente se preocupa, e os adolescentes preocupam-se mais do que toda a gente." (pag. 254) A capacidade de transformar o desagradável ruído de fundo dos adolescentes em monstros devastadores que os conduzem a um final definitivo que não desejam é o poder do vilão desta história. Afinal, cada suicídio que chega às redes sociais gera novas sete tentativas, cinco que são só para chamar a atenção e duas que são reais. 

O brilhantismo da narrativa repete-se com a mestria de Stephen King e o seu fascínio pelo terror e o fantástico. Adequando os vícios em eletrónica e jogos, bem como certos desenhos animados que são considerados potencialmente perigosos, cria uma trama hipnótica e genial, de suspense até ao fim. Muito fixe.