domingo, 21 de julho de 2019

O jardim das flores de pedra

A minha opinião:
Deborah Smith é uma velha conhecida, desde que li "A doçura da chuva". Os livros dela são bálsamo para a alma.

Contudo, este livro não me agarrou como eu esperava. De início, a cidade e a menina cor-de-rosa herdeira dos mármores Hardigree pareceu-me um tanto principesco demais, mesmo para os exagerados padrões americanos. As personagens são como Deborah nos habituou. Ricas de conteúdo. Emocionam com a sua garra e coragem para lidar com os segredos que afectam a vida de todos. Segredos que provocam grandes reviravoltas na trama e deleitam a leitora. O tema é o amor. Uma idílica história de amor, ou melhor, duas e a família que não escolhemos e amamos para o bem e para o mal.

Autor: Deborah Smith
Páginas: 320
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03205-8
Edição: 2019/ Junho

Sinopse:
Para Darl Union, a vida em Burnt Stand, na Carolina do Norte, foi sempre uma estranha mistura de riqueza, privilégio e solidão. Criada pela avó, uma mulher tão fria e dura como a pedreira de mármore que é a herança da família, o amor é-lhe estranho até ao dia em que se apaixona perdidamente por Eli Wade, o filho de um canteiro.

Porém, o amor adolescente e puro cedo se vê comprometido por uma teia de mentiras e de morte: o pai de Eli é considerado o responsável pelo desaparecimento da tia-avó de Darl e, embora inocente, acaba por ser morto.

Mas agora, vinte e cinco anos depois, há segredos que podem literalmente vir à superfície – e Darl e Eli têm finalmente uma hipótese de enfrentar e resolver o passado.

A Única Mulher na Sala

A minha opinião:
Mais um para o rol de bons livros que tenho lido neste verão. A história da atriz Hedy Lamarr que recordava como uma mulher belíssima, mas nada sabia da sua vida, sequer como tinha usado inteligentemente a sua imagem para singrar com o seu dom ou para sobreviver. Afinal era judia e uma mulher admirável.

Não é uma escrita exemplar, sequer uma narrativa muito cativante mas a história real desta mulher é fascinante. Uma mulher que teve acesso a informações que receou divulgar e para se penitenciar inventou um aparelho que poderia ter contribuído em muito para o esforço de guerra. Uma história que eu desconhecia. Uma mente brilhante que fora discriminada e tardiamente reconhecida. Só. A única na sala.

Autor: Marie Benedict
Páginas: 304
Editora: TopSeller
ISBN: 9789898917799
Edição: 2019/ Abril

Sinopse:
Um romance poderoso baseado na incrível história da atriz Hedy Lamarr, uma mulher brilhante cuja inovadora invenção revolucionou a comunicação moderna. 

Hedy Kiesler é uma atriz austríaca com ascendência judaica que, em 1933, se casa com um poderoso fabricante de armas, o que lhe permite escapar à perseguição nazi. Além de bela, Hedy é também muito inteligente. Nos extravagantes jantares em que participa com o marido, ouve os planos do Terceiro Reich, e percebe que a sua segurança não está garantida e que algo muito grave está a ser planeado. Em 1937, desesperada por escapar ao marido controlador e à ascensão dos nazis, Hedy disfarça-se e foge.

Viaja, então, para Hollywood, onde se torna a estrela de cinema Hedy Lamarr. Mas Hedy esconde um segredo mais forte do que o facto de ser judia: ela tem uma mente científica brilhante. Durante o seu casamento, Hedy ouviu segredos do regime nazi, e agora tem uma ideia que pode ajudar os Aliados, permitindo-lhe igualmente aliviar a culpa que sente por ter fugido. Tudo o que precisa é que não a subestimem devido à sua beleza, e que a ouçam.

A Vida Feliz

A minha opinião:
Este livro foi muito difícil de ler. A escrita é acessível e a linguagem é corrente mas o sentido é sombrio e angustiante. A família na perspectiva de Elia, um rapaz solitário de dezasseis anos que se confronta com o comportamento errante do pai desde que perdeu o emprego e a cegueira apaixonada da mãe.

Capítulos curtos, frases enigmáticas carregadas de emoção para descrever a degradação mental de um homem que amava os seus.

O discernimento de Elia que ouve o assobio do vento e sente o cheiro da noite nas pequenas coisas. O bem que não obstante tudo, damos e recebemos. A vida feliz.

Autor: Elena Varvello
Páginas: 248
Editora: Quetzal
ISBN: 9789897224508
Edição: 2019/ Junho

Sinopse:
Elia Furenti é um rapaz solitário que vive com os pais numa zona isolada. O pai foi despedido e começa a perder-se nos meandros negros da sua doença mental. Elia percebe que alguma coisa estranha se passa, mas não compreende o que é. Por seu lado, a mãe recusa-se a tomar conhecimento de todos os sinais. Enquanto isso, um rapazinho foi assassinado. E uma rapariga desapareceu no bosque.

Nesse verão, Anna Trabuio regressa a casa do pai. Demasiado bela e livre, goza de má reputação na pequena comunidade. Trouxe com ela o filho, que se torna próximo de Elia. Este apaixona-se pela mãe do amigo e vai para a cama com ela.

Mas não é só a primeira experiência amorosa que faz Elia entrar na idade adulta: depois dessa noite, ele vai descobrir a verdade sobre o pai.

A Filha Devolvida

A minha opinião:
"O romance mais belo do ano". Verdade.

Comprei este livro porque li um bom parecer, mas receava a trama. O sofrimento de uma criança não é coisa que eu goste de ler e assim incorri no primeiro equívoco. Não se trata de uma criança mas de uma jovem de treze anos que conta como foi restituída à sua família biológica. O segundo, foi assumir que esta jovem inteligente não reagia à mudança.

A vivacidade da escrita, eloquente e concisa sem ser contida, surpreendeu-me. A histórica encantou-me, e isto é dizer pouco. Este romance é inesquecível do princípio ao fim. Emocionante a relação com os irmãos Adriana e Vincenzo.

O romance que recomendo para este verão.


Autor: Donatella Di Pietrantonio
Páginas: 200
Editora: ASA
ISBN: 9789892344720
Edição: 2019/ Abril

Sinopse:
Aos treze anos, uma menina descobre brutalmente que o homem e a mulher que a criaram não são seus pais. Filha única, privilegiada, com uma casa à beira-mar e aulas de ballet, é obrigada a abandonar o lar onde cresceu para ser devolvida à família biológica. Não lhe é dada qualquer explicação. Leva consigo uma mala e um saco de sapatos. Começa agora uma nova e inesperada vida.

A família biológica é pobre, caótica e pouco acolhedora. Naquela que é agora a sua casa, na aldeia, tem de partilhar um colchão com a irmã e o quarto com os três irmãos mais velhos. A violência, a fome, os costumes… tudo lhe é incompreensível. Mas há a pequena Adriana, que a recebe com a candura típica das crianças; e há Vincenzo, o irmão mais velho, que a protege mas também a olha como se fosse já uma mulher…

É na sua relação com eles que a jovem irá encontrar forças para começar de novo e - quem sabe? - construir a sua própria identidade.

Kudos

A minha opinião:
Gostei tanto deste romance. Apesar de ter noção que não é para todos. A mim, marcou-me, o que considero importante quando se lê muito. Não o consigo definir como um romance convencional.

Faye viaja para promover o seu livro e vai entabuando conversa com desconhecidos ou meros conhecidos que lhe fazem revelações pessoais. Histórias emocionais. Histórias de guerra ou histórias de mudança como Paola e Felícia se referiam ao divórcio. Histórias de sobrevivência. Histórias de liberdade. Histórias de diferença de géneros. Histórias de ligações familiares. Histórias sobre livros e autores numa conferência literária. Histórias que não percebi onde se passavam, mas que começaram com um anónimo num vôo para a Europa. Cheguei a julgar que o cenário era em Portugal.

KUDOS significa prémios. Originalmente era um conceito mais amplo de reconhecimento ou louvor. Como na literatura e na vida.

Último da trilogia que vou reler e reflectir. Muiiito bom.

Autor: Rachel Cusk
Páginas: 192
Editora: Relógio D'Água
ISBN: 9789896419059
Edição: 2019/ Abril

Sinopse:
Uma mulher num avião escuta o desconhecido sentado a seu lado que lhe revela a história da sua vida: o seu emprego, o casamento e a angustiante noite que acabara de passar a enterrar o cão da família.

Esta mulher é Faye, que está a caminho da Europa para promover o seu livro, acabado de publicar. Assim que aterra, as conversas que tem com as pessoas que conhece — sobre arte, família, política, amor, tristeza e alegria, justiça e injustiça — suscitam as perguntas mais abrangentes que o ser humano pode fazer.

Estas conversas, sendo a última com o seu filho, levam Faye a uma conclusão bela mas dramática.

Kudos completa de uma forma exuberante a trilogia de Rachel Cusk, iniciada com A Contraluz e Trânsito.

Na Praia de Chesil

A minha opinião:
Escrita venerável, conteúdo soturno. Profundamente intimo. Primeira impressão que retiro deste pequeno livro sobre um casal em lua-de-mel na Praia de Chesil em 1962. Os seus sentimentos ocultos e opostos revelados em simultâneo ao leitor são uma revelação.

Outro tempo, outro lugar e um amor imenso. Palavras que se lê devagar nesta prosa exemplar. Belo e dilacerante. Não é o melhor romance para se ler num dia quente de verão. Paciência.

Autor: Ian McEwan
Páginas: 132
Editora: Gradiva
ISBN: 9789896161743
Edição: 2019/ Maio

Sinopse:
Um pequeno romance de profundidade e perspicácia notáveis, de um escritor no auge do seu talento.

Estamos em Julho de 1962. Edward e Florence, jovens inocentes casados naquela manhã, chegam a um hotel na costa de Dorset. Ao jantar na suíte reservada a casais em lua-de-mel, esforçam-se por dominar os medos íntimos da noite de núpcias que se avizinha...

Com Na Praia de Chesil, Ian McEwan dá-nos mais uma obra-prima - uma história de vidas transformadas por um gesto não feito ou uma palavra não dita.

O Senhor

A minha opinião:
E finalmente li... O Senhor de E. L. James (não li os outros dela).

Não é, mas parece um romance histórico. E até à pág. 205 sem grande erotismo. A escrita é fluída e as personagens encantadoras. Um romance muito agradável e fácil de ler. Puro entretenimento. Apenas isso. Romance erótico não é. Um grande romance também não.

Uma história muito simples de amor entre um conde que não era expectável que o fosse como filho segundo e uma albanesa que fugira de um casamento arranjado pelo pai com um homem violento e sem documentos conseguiu empregado como mulher a dias. Bem visto é a Gata Borralheira dos tempos modernos.

Cornualha, ora aí está um sítio onde gostaria de passar férias.

Autor: E L James
Páginas: 580
Editora: Lua de Papel
ISBN: 9789892345567
Edição: 2019/ Maio

Sinopse:
Londres, 2019. A vida tem tratado bem Maxim Trevelyan. Com a sua beleza, dinheiro e relações privilegiadas, nunca teve de trabalhar e raras vezes dormiu sozinho. Mas tudo isso muda quando na sequência de uma tragédia ele herda a riqueza, as propriedades, e o título nobiliárquico da família, com toda a responsabilidade que essa herança acarreta. É um papel para o qual não está preparado e que só a custo consegue enfrentar.

Mas o seu maior desafio é conter o desejo por uma jovem enigmática que inesperadamente chegou a Inglaterra, trazendo consigo pouco mais do que um passado perturbante e perigoso. Tímida, linda de morrer e musicalmente sobredotada, ela revela-se misteriosamente tentadora. E o desejo que Maxim sente por ela transforma-se numa paixão que nunca experimentou e nem sequer se atreve a nomear. Quem é Alessia Demachi? E poderá Maxim protegê-la do mal que a ameaça? E o que fará ela quando souber que também ele esconde segredos?

Do coração de Londres às paisagens idílicas da Cornualha, passando pela rude beleza dos Balcãs, O Senhor é uma montanha russa de perigo e desejo, que deixará o leitor sem fôlego até à última página.

As Inseparáveis

A minha opinião:
Li este livro no âmbito do projecto Kristin Hannah e adorei. Um romance no feminino. Tully-e-Kate. Um romance sobre a amizade que liga estas duas mulheres tão distintas que se apoiam desde a adolescência nos idos anos setenta.

Sabia que este romance era muito pessoal para a autora, mas não sabia porquê. A explicação está no posfácio. Não sou de emoção fácil, mas este livro mexe connosco.

Repito. De mulheres para mulheres. Nem sempre as melhores amigas. Todas sabemos que às vezes são umas cabras e surge a  zanga, a separação, mas quando realmente interessa volta o diálogo e o apoio não falha. É assim a verdadeira amizade. 

Sem dúvida, um bom romance que não teria lido se amigas não o tivessem recomendado. 

Autor: Kristin Hannah
Páginas: 512
Editora: Circulo de Leitores
N: 7585
Edição: 2010/ Outubro

Sinopse:
Corre o ano de 1974 e o verão do amor está prestes a terminar. Os filhos das flores começam a perceber que não conseguem sobreviver apenas com paz e amor.
Kate aceitou o seu lugar no fundo da cadeia alimentar social do liceu. Até que, para seu grande espanto, a «rapariga mais fixe do mundo», Tully, a rapariga que todos os rapazes querem conhecer, muda-se para a casa da frente e quer ser sua amiga. Tully e Kate tornam-se inseparáveis e, chegado o fim do verão, prometem ser «melhores amigas para sempre».

Ao longo de trinta anos, Tully e Kate apoiam-se mutuamente, resistindo às tempestades próprias da amizade, do ciúme, da raiva, da dor e do ressentimento. Tully segue a sua ambição de conquistar o sucesso e a fama. Kate sabe que a única coisa que quer é apaixonar-se e ter uma família. O que ela não sabe é que ser mãe e esposa é algo que a vai mudar.

Julgam ter sobrevivido a tudo, até que um ato singular de traição as separa. Mas será que os laços de amizade que antes as uniram serão mais fortes do que esse afastamento quando surge uma tragédia?

domingo, 30 de junho de 2019

Cai a noite em Caracas

A minha opinião:
Há livros que doem... e são extraordinários.

"Prometeram. Que nunca mais ninguém roubaria, que tudo seria do povo, que cada um teria a casa dos seus sonhos, que nada de mal voltaria a acontecer. Prometeram que se fartaram.
...
Os dias assemelhavam-se mais à gestão de uma guerra do que à vida... Os vivos lutavam à dentada pelas sobras. Naquela cidade sem desfechos, brigávamos por um sítio onde morrer."


É uma pena que não se leia mais. Saberiam mais sobre a culpa do sobrevivente. O que tem e o que não tem. O que parte e o que fica. O que é de fiar e o suspeito.

Em Caracas seria sempre noite. Uma metáfora que se compreende bem depois de ler este livro magistral. Fundamental ler!


Autor: Karina Sainz Borgo
Páginas: 215
Editora: Alfaguara
ISBN: 9789896657345
Edição: 2019/ junho

Sinopse:
Caracas, Venezuela: Num país que antes da crise era a terra dos sonhos, da beleza e da prosperidade e que agora está esgaçado pela corrupção, pela criminalidade e pela repressão, Adelaida procura apenas sobreviver. A sua mãe, professora, grande companheira de toda a vida, acaba de morrer de uma doença prolongada. Adelaida, de trinta e oito anos, fica sem nada, sem ninguém, à deriva numa cidade em que tudo falta, menos a violência e a extorsão.

Poucos dias depois do funeral, Adelaida encontra a sua casa ocupada por um grupo de mulheres às ordens do regime. Decide procurar refúgio na casa da vizinha, mas quando bate à porta só recebe silêncio. Aurora Peralta, a quem todos chamam “a filha da espanhola”, está morta no chão da sala. Em cima da mesa, está uma carta a informá-la da concessão do passaporte espanhol: um salvo-conduto para fugir do inferno.

Para sobreviver, Adelaida terá de deixar de ser quem é.

Cai a Noite em Caracas é o retrato de uma mulher que, frente a uma situação extrema, terá de transformar-se, renegar o pasado para se agarrar a uma nova vida. É a história de muitas outras mulheres, muitos outros homens, crianças, velhos, encurralados num país em que a violência, a miséria e a traição marcam o ritmo diário da existência. Um romance extraordinário, que anuncia uma grande promessa na literatura em espanhol.

No Meio do Nada

A minha opinião:
Do nada surgem histórias que parecem pensamentos soltos, desassossego que é preciso libertar. Angústia. Solidão. Perda. Desencanto. Saudade. Fé ... E têm nome. Nomes, maioritariamente femininos. As mulheres têm este hábito de exteriorizar em jeito de ladainha o que lhes apoquenta a alma. Monólogos. Supostamente há interlocutores que escutam sem falar. Trivialidades e dramas em desabafo sentido. Genuinamente nosso.

Escrita clara e objectiva, para uma leitura muito breve de concisas histórias (duas ou três páginas) de que gostei muito. De um lado para o outro, sem tempo a perder, gosto de começar e acabar uma história.


Autor: António Mota
Páginas: 224
Editora: ASA
ISBN: 9789892344225
Edição: 2019/ Fevereiro

Sinopse:
Como num palco, e com a unidade temática de um romance, as múltiplas personagens de No Meio do Nada, falam do que as desassossega.

Monólogos sobre a busca da felicidade, a solidão, a passagem do tempo, os sonhos e as desilusões, as súbitas mudanças, o envelhecimento, o medo, o espanto, as novas moradas, o deslaçar dos afetos, o amor e a crueldade.

Histórias francas e ousadas, que nos interpelam, onde nos reconhecemos e, por vezes, nos encontramos.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

A Paciente Silenciosa

A minha opinião:
Cúm caraças! O final deste thriller apanhou-me mesmo de surpresa. Deve ser por isso que toda a gente anda a falar nele. 

A sinopse chamou-me a atenção. O que leva uma mulher a matar o marido, sem que nada indicie maus tratos? Fiquei intrigada. Achei que poderia ser bom. Fiquei atenta e os ecos positivos não tardaram.

Os protagonistas seduzem o leitor, enquanto as personagens secundárias provocam desconforto e desconcerto. O silêncio da danificada Alicia, que no seu diário é uma mulher razoável e realizada, é um mistério que o psicoterapeuta Theo a braços com os seus próprios traumas quer curar.

Escrita fácil e fluída, ritmo pausado em que o leitor é enredado pela narrativa das personagens para desvendar o móbil do crime. Não cheguei lá como é costume. 
Muito bom.

Autor: Alex Michaelides
Páginas: 336
Editora: Presença
ISBN: 9789722363822
Edição: 2019/ maio

Sinopse:
Alicia Berenson é uma pintora britânica, jovem e famosa, que vive numa casa sublime nos arredores de Londres com o marido, Gabriel, um conhecido fotógrafo de moda. A vida de ambos parece perfeita. Mas uma noite, quando ele chega a casa depois de uma sessão fotográfica, Alicia mata -o com cinco tiros. E nunca mais diz uma palavra.

A recusa de Alicia em falar e dar qualquer tipo de explicação sobre a tragédia, transforma-se num mistério que prende a imaginação da opinião pública, e confere a Alicia uma notoriedade sem precedentes. O preço dos seus trabalhos artísticos dispara e ela, a paciente silenciosa, é alvo de um mediatismo implacável. Para evitar isso, é conduzida para uma unidade forense de alta segurança no norte de Londres.

Theo Faber, um psicoterapeuta criminal, espera há muito pela oportunidade de trabalhar com Alicia. A sua determinação em convencê-la a falar e a desvendar as razões misteriosas que motivaram o assassínio do marido leva-o por um caminho tortuoso, numa busca pela verdade que ameaça consumi-lo...

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Contador de Histórias

A minha opinião:
Contador de histórias é... maravilhoso... para quem gosta tanto de ler contos como eu. Quase que parece fácil escrever curtas histórias comoventes e divertidas que surpreendem. Não acho que poderiam ser desenvolvidas para um romance porque gosto tanto de histórias sem muito entretanto que vão direto ao que interessa. Histórias que podem ser contadas oralmente. Por isso, li devagar para melhor recordar. Algumas, marcadas com asterisco no final, baseiam-se em factos reais. As restantes são ficção.

Começa com Único com apenas 100 palavras. Quem matou o presidente da Câmara numa pequena cidade é uma deliciosa intriga burguesa. A primeira detenção de um polícia não se esquece. E o que dizer da memorável académica versada em Shakespeare que bate um cavalheiro. O amor que vence na guerra não é banal, assim como uma boleia pode ser o encontro de uma vida e claro que não podia perder a oportunidade de decidir o meu final para as férias de uma vida. A reforma do bancário é merecida. 
Enfim... treze admiráveis contos. 


Autor: Jeffrey Archer
Páginas: 208
Editora: Bertrand
ISBN: 9789722536110
Edição: 2019/ abril

Sinopse:
Jeffrey Archer, o autor da saga dos Clifton, regressa com um novo livro de contos há muito aguardado pelos leitores, repleto de textos emocionantes e, às vezes comoventes, escritos nos últimos dez anos.

Descubra o que aconteceu ao jovem detetive napolitano que, para resolver um assassínio, é arrastado para uma pequena cidade. Veja o que muda na vida de um jovem à medida que este descobre as origens da fortuna do seu pai. Siga as histórias de uma mulher que, na década de 1930, se atreve a desafiar homens poderosos, e a de uma outra, jovem, que apanha boleia e tem o encontro da sua vida.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

A Rapariga Sem Pele

A minha opinião:
Li este livro ao concluir o projecto A Ler Vamos Chamar a Primavera

De início, não me entusiasmou como eu esperava. A escrita seca não fluía, apesar dos acontecimentos e do passado do protagonista, por quem não sentia empatia, sucederem em curtos capítulos. O frio, esse arrepia a pele, com as breves descrições da calota glaciar onde foi encontrado o homem do gelo e onde se deu o crime macabro.

Gronelândia. Nuuk, uma cidade com cerca de dezasseis mil habitantes em que a única coisa que havia à volta eram montanhas, céu ou mar. Fascinante porque é real. A cidade e o clima árctico destacam-se neste enredo tortuoso e severo que ganha ímpeto com a personagem Tupaarnaq. E as revelações do passado daquela pequena comunidade. A maligna estatística oculta. 

A capa é bestial.


Autor: Mads Peder Nordbo
Páginas: 368
Editora: Planeta
ISBN: 9789897771392
Edição: 2019/ maio

Sinopse:
Um policial intenso e perturbador na fascinante Gronelândia. Neve, gelo e neblina revelam terríveis segredos mortais escondidos há muito tempo. Quando um cadáver viquingue mumificado é descoberto numa fenda no gelo, o jornalista Matthew Cave é destacado para cobrir a história.

No dia seguinte, a múmia desapareceu. o corpo do polícia que a guardava jaz no gelo, nu e esfolado, tal como as vítimas de uma horrível série de assassínios que aterrorizaram a remota Nuuk na década de 1970.

Acredita em Mim

A minha opinião:
Vìciante. Intenso. Excelente leitura para um fim de semana prolongado.

Claire julga-se actriz mas acaba enredada num trabalho para uma firma de advogados como engodo para maridos infiéis. Um dos maridos não vacila e a mulher aparece morta e Claire é envolvida como isco para apanhar o criminoso que é tido como sociopata.


O livro "Flores do Mal" de Charles Baudelaire é o elo de ligação de duas mentes brilhantemente retorcidas que confundem o leitor. 
"Acima de tudo, porém, é uma história sobre um homem e uma mulher a tentarem adivinhar os motivos um do outro."  (pag. 290)

Capítulos curtos, escrita directa na voz de Claire e um enredo bem construído com bom ritmo e muitas reviravoltas que mantêm o suspense no auge. 

Muito superior ao anterior thriller psicológico do autor "A rapariga de antes" que também li. 

Autor: J. P. Delaney
Páginas: 424
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9789896657871
Edição: 2019/ maio

Sinopse;
Claire Wright gosta de se pôr na pele de outras pessoas.

Mas quem é o isco… e quem é a presa?

Claire é uma inglesa estudante de teatro em Nova Iorque. Sem o green card, não tem outra saída senão aceitar o único emprego que consegue: trabalhar para uma firma de advogados especializados em casos de divórcio. A sua missão é fingir que é uma rapariga fácil, em bares de hotel, para desmascarar maridos infiéis. Quando um dos seus alvos se transforma no objecto de uma investigação por assassinato, a Polícia pede a Claire que use todas as suas habilidades para ajudar a atrair o suspeito para uma confissão. Mas, desde o início, ela tem dúvidas. Patrick Fogler é realmente um assassino? Ou o único marido decente que conheceu? E… será que lhe estão a ocultar alguma informação relevante para o caso? Depressa Claire percebe que está a desempenhar o papel mais perigoso da sua vida…

terça-feira, 18 de junho de 2019

A Baía de Miramar

A minha opinião:
Exactamente o que me apetecia ler. E o entusiasmo manteve-se ao longo de todo o livro. Suave e terno, sem ser entediante ou previsível. Um romance convincente com personagens extraordinárias em que todos brilham.

Miramar é um lugar que se quer conhecer. onde os sonhos se podem recuperar e segundas oportunidades acontecer. Ás vezes, o acaso pode mudar a vida. 

Um romance que nos enche o coração.

Autor: Andrew Sean Greer
Páginas: 304 
Editora: Quetzal 
ISBN: 9789897225574
Edição:2019/ maio

Sinopse:
Ele não veio até tão longe apenas para partir mais um coração.

Na esteira da melhor literatura romântica, Davis Bunn apresenta-nos este romance excecional e cativante entre dois estranhos numa pequena cidade costeira. Connor Larkin apanha um expresso no centro de Los Angeles, mas não sabe ao certo para onde vai ou o que procura. Um dia sonhou ser cantor e vê-se agora catapultado para o cinema e para os braços de uma jovem herdeira famosa. Connor sente que tem de repensar tudo e de se reencontrar, mesmo que para tal tenha de colocar em segundo plano o casamento e uma carreira brilhante. Alguma coisa indefinível ficou esquecida, a caminho do sucesso uma parte de si ficou para trás. É assim que, com a data do casamento a aproximar-se, Connor desembarca na pacata cidade costeira da baía de Miramar onde uma mulher notável o vai obrigar a repensar todas as suas escolhas. Ela precisava de lhe conhecer os segredos e de saber se o que ele lhe dizia era verdade.

Sylvie Cassick é o oposto das estrelas pretensiosas de Hollywood. Filha de um pintor com pouco sucesso, teve sempre de trabalhar para alcançar aquilo que queria. Quando Connor se candidata para trabalhar no restaurante de Sylvie, ela não sabe exatamente o que pensar desse estranho, incrivelmente atraente, mas aceita o desafio. Lentamente, sente o coração ceder, mas compreende também que há em Connor mais do que aquilo que ele deixa transparecer. E este percebe que reencontrou o seu destino. Porém o mundo exterior ameaça o vínculo frágil que foram estabelecendo e Connor tem de arriscar perder tudo para poder alcançar a vida que anseia e ser o homem que Sylvie merece.

A Baía de Miramar é uma viagem inesquecível, por caminhos pouco percorridos, em busca de uma verdade sempre envolvida em dúvidas e desejo.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Less

Vencedor do Prémio Pulitzer 2018

Autor: Andrew Sean Greer
Páginas: 304 
Editora: Quetzal 
ISBN: 9789897225574
Edição:2019/ maio

Sinopse:
Arthur Less está a chegar aos cinquenta anos. É um homem de boa índole e que tem uma carreira de escritor discreta e demasiado mediana. Muitos anos antes, fora o jovem amante de um génio da literatura e aprendera a ocupar um lugar de irrelevância ou periferia. Agora, luta com as suas dúvidas e inseguranças, e tenta sobreviver num meio de egos devoradores. Um dia é convidado para um casamento que descobre ser o do seu ex-namorado com outra pessoa.

Assim começa o longo périplo que antecede o seu quinquagésimo aniversário: tentando fugir ao casamento, Less começa a aceitar todo o tipo de convites para participar em leituras, festivais literários, palestras um pouco por todo o mundo.

De França à Índia, da Alemanha ao Japão, do México a Itália, Arthur Less quase se apaixona, quase desiste, quase morre, mas acaba por encontrar o seu caminho de regresso a casa e à vida. Um romance satírico sobre o amor, o avanço da idade, o desencontro e as profundezas do coração humano.


A minha opinião:
Um romance melancólico e pungente, com laivos de humor, acerca da vida de um homem de meia idade solitário e falido que viaja para vários lugares do mundo para escapar ao casamento do seu mais recente amante.

O périplo plano de fuga desenrola-se entre memórias e cómicas peripécias que tornam este romance uma deliciosa ode à vida com este homem cândido.

Romance em que se não aprendermos a amar a literatura e os escritores, ainda que geniais, aprendemos a voltar a amar a linguagem e por causa disso Arthur Less. 

Escrita sumptuosa mas não tão escorreita quanto eu gostaria. Um livro (e um homem) para estimar. 

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Magníficos Estranhos

A minha opinião:
Planeei ler este livro para o projecto de leitura a decorrer "A ler vamos chamar a Primavera" e na primeira tentativa parei na pag. 56 goradas as minhas expectativas.

Mais tarde, retomei e li até ao fim com agrado. Não é uma história que me tenha apaixonado, apesar de bem escrita e sem pontas soltas, para mais sendo um romance de estreia, mas faltou aquele suspense que inquieta e um ritmo mais acelerado que prende. As personagens convencem e a narrativa em três tempos com três narradores está bem feita e explora bem a premissa da importância das histórias que contamos acerca nós mesmos e dos outros. 

Charlie tinha que desvendar a verdade sobre os seus Magníficos Estranhos. E eu precisava de confirmar as minhas suspeitas. Ainda assim, foi um desfecho muito bem conseguido que fechou com chave de ouro.

Autor: Elizabeth Klehfoth
Edição: 2019/ março
Páginas: 464
ISBN: 9789897800726
Editora: Casa das Letras

Sinopse:
Num magnífico dia de verão, Grace Fairchild, a belíssima mulher do magnata do Mercado imobiliário, Alistair Calloway, desaparece da casa de campo da família sem deixar rasto, deixando para trás a filha de sete anos, Charlie, e uma série de perguntas sem resposta.

Anos mais tarde, Charlie continua a lutar com a obscura herança do nome da sua família e o mistério em torno do desaparecimento da mãe. Decidida a, finalmente, pôr o passado por trás das costas, Charlie mergulha na vida escolar de Knollwood, a prestigiada escola de Nova Inglaterra que frequenta, e rapidamente se integra entre a elite da escola.

Charlie foi igualmente escolhida pelo A, a sociedade secreta de elite da escola, conhecida por aterrorizar a faculdade, a administração e os seus inimigos. Pars se tornar membro da mesma, Charlie terá de participar no Jogo, uma caça ao tesouro de alto risco, durante um semestre inteiro, que comprometerá as suas amizades, a sua reputação e até o seu lugar em Knollwood.

À medida que os acontecimentos do passado e do presente convergem, Charlie começa a temer que poderá não sobreviver à terrível verdade sobre a sua família e colocar a sua vida em risco.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Uma Gaiola de Ouro

A minha opinião:
Brutal! Adorei.
Não estou a fazer o comentário "a quente" como a Dora Santos Marques porque o acabei de ler ontem, às tantas, tal era o entusiasmo em confirmar o desfecho que desejava. 

Adoro romances no feminino e adorei Faye, aliás Matilda, uma jovem marcada pelo passado que queria esquecer. Faye queria acreditar que tinha uma vida de sonho. 

Jake é um estereótipo que subestima e estupidifca mulheres mais espertas do que ele. Infelizmente, não é tão ficcional como gostaria. Depois, há Johan e Robin. Bons homens. Chris e Kerstin. Boas amigas. E há a vingança com que eu me deleitei.

Não li outros livros de Camilla Läckberg e não posso fazer comparações, mas vou querer ler mais desta sua incursão feminista.

Imperdível.

Autor: Camilla Läckberg
Edição: 2019/ abril
Páginas: 408
ISBN: 9789896657420
Editora: Suma de Letras

Sinopse:
Uma história dramática sobre fraude, redenção e vingança.

Aparentemente, Faye parece ter tudo. Um marido perfeito, uma filha que muito ama e um apartamento de luxo na melhor zona de Estocolmo. No entanto, algumas memórias sombrias da sua infância em Fjällbacka assombram-na e ela sente-se cada vez mais como se estivesse presa numa gaiola de ouro.

Antes de desistir de tudo pelo marido, Jack, era uma mulher forte e ambiciosa. Quando ele a engana, o mundo de Faye desmorona-se e ela tudo perde, ficando completamente devastada. É então que decide retaliar e levar a cabo uma cruel vingança…

Uma Gaiola de Ouro é um romance destemido sobre uma mulher que foi usada e traída, até tomar conta do próprio destino.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

A Vida Escondida Entre os Livros

A minha opinião:
Uma livraria não é mágica, mas pode roubar-nos o coração... ou lentamente curar um coração. 

Uma das últimas frases deste livro que percebi depois de o ler. Loveday curou o dela e eu encantei-me, não com a livraria mas com as maravilhosas personagens.  

A narrativa terna divide-se entre passado com o título Crime e presente como Poesia e gradualmente vamos vislumbrando o que se passou na vida de Loveday que a levou a refgugiar-se nos livros que a salvaram e a pocurar ser invisível. Uma relação falhada ainda a atormenta e Rob insiste em reatar. Archie é o excêntrico dono da livraria de livros em segunda mão que lhe deu um emprego quando a apanhou a roubar um livro.  

Não li a sinospse e não era o que eu esperava. Esperava menos e recebi mais. Esperava muitas referências a livros (e não são tantas assim) e ao seu poder curativo e fui surpreendida com a força do amor filial. O tema subjacente é a violência domèstica que de todo não estava à espera. Um romance mágico de amor e redenção. Tão bom. 

Autor: Stephanie Butland
Edição: 2019/ março
Páginas: 304
ISBN: 9789898917737
Editora: TopSeller

Sinopse:
Era uma vez uma rapariga que confiava os seus segredos aos livros...

No coração de York, em Inglaterra, uma pequena livraria tornou-se o refúgio da jovem Loveday Cardew — o único sítio em que a tímida livreira se sente segura. Só aí pode cuidar dos livros da mesma forma que os livros cuidam de si, ensinando-a a entender os sentimentos que a inquietam: a solidão, com Anna Karénina; a alegria de viver, com A Feira das Vaidades; as paixões avassaladoras, com O Monte dos Vendavais. Depois de uma tragédia que lhe roubou tudo, uma infância passada com uma família de acolhimento e um relacionamento falhado, não é de admirar que Loveday prefira os livros às pessoas. Até que um dia, numa paragem de autocarro, ela encontra um livro perdido. Em busca deste livro surge Nathan, um poeta que se deixa encantar pela jovem livreira mas que não consegue quebrar a sua barreira de gelo, a não ser com a ajuda de Archie, o excêntrico dono da livraria onde trabalha.

Mas é quando os livros da sua infância começam a aparecer misteriosamente na livraria, que Loveday terá de aprender a confiar nos outros, para descobrir quem será a pessoa do seu passado que está a tentar contactá-la.

Terá ela coragem para revelar a vida que, durante tantos anos, tentou esconder entre os livros?

terça-feira, 21 de maio de 2019

A Única História

A minha opinião:
Julian Barnes continua igual a si próprio, com uma trama de uma simplicidade desarmante que se revela de uma complexidade estonteante. Sentimentos e emoções que vemos à lupa guiados pela memória de Paul. Divertido, de início, questiona que palavra usaríamos para descrever uma relação entre um rapaz de dezanove anos e uma mulher de quarenta e oito. E conta a sua história. A única que interessa. 

A narrativa analítica abrange relacionamentos e sentimentos, muitas vezes tristes, descodificando, uma relação desigual como esta. Afinal... andamos todos à procura de um lugar seguro. E se não o encontrarmos, então temos de aprender a passar o tempo. 

Contrariamente ao que seria de se esperar, não se trata de uma paixão avassaladora que derruba barreiras. Um amor envergonhado, em que as restantes personagens como o marido e as filhas de Susan, a amiga Joan ou os amigos e pais de Paul não têm relevo. Personagens sem brilho ou alegria.

Os romances de Julian Barnes são para ler devagar. A fleuma inglesa no seu melhor.

Autor: Julian Barnes
Edição: 2019/ abril
Páginas: 256
ISBN: 9789897224690
Editora: Quetzal

Sinopse:
«Preferiam amar mais e sofrer mais; ou amar menos e sofrer menos?» É com este convite à reflexão - um enunciado falso, já que não temos escolha, pois não se controla o quanto se ama - que Barnes inicia o seu mais recente romance.

À guisa de preâmbulo, o narrador faz-nos notar que, embora todos tenhamos imensas histórias, inúmeros acontecimentos e ocorrências que transformamos em histórias, cada um de nós tem apenas uma, aquela história - a que contamos mais vezes, nomeadamente a nós mesmos. E a primeira questão que se levanta é se o facto de a contarmos e recontarmos nos aproxima da verdade.

A história do narrador deste livro é a da relação amorosa que se inicia entre ele, um jovem de dezanove anos e a senhora Macleod, uma mulher casada de quarenta e muitos, durante um jogo de ténis.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Em Queda Livre

A minha opinião:
Li sobre uma mulher à beira de um ataque de nervos, se não tomasse algo que a ajudasse a relaxar.  Uma vida aparentemente perfeita que saiu dos eixos com a maternidade, a mudança para os subúrbios e o abdicar da carreira. As pressões sociais, as exigências da filha sensível e caprichosa, o distanciamento do marido focado no seu umbigo e o sucesso como blogger levou-a ao limite.
A doença de Alzeihmer do pai agravou o quadro do ponto de vista da protagonista/ narradora em negação. 

Nada de novo na vida de uma mulher que faz coisas demais e se esforça por gerir tudo sem dar parte de fraca. A alternativa é que talvez não seja tão banal. Comprimidos para as dores (de um acidente anterior) que passaram a analgésicos para as dores da vida. Nada disto combina com a capa fofinha deste livro, se não repararmos nos comprimidos rosa choque no pires da chávena.

Como leitora, não gostei muito de nenhuma das personagens, em que reconheço qualidades e defeitos, o que me agarrou à narrativa. No final, esperava mais. A revelação que tardou, não me conquistou e ficou uma sensação agridoce. Compreendi a mensagem e atribuo autenticidade à trama mas achei fastidiosa. 

Autor: Jennifer Weiner
Edição: 2019/ abril
Páginas: 360
ISBN: 9789722535274
Editora: Bertrand

Sinopse:
Allison Weiss é a típica mãe trabalhadora que tenta conciliar um negócio, pais idosos, uma filha exigente e um casamento. Mas quando o website por ela desenvolvido se torna um enorme sucesso, fica completamente esmagada. Enquanto se esforça por manter a vida equilibrada e satisfazer as necessidades dos que a rodeiam, Allison descobre que os analgésicos receitados para uma lesão nas costas a ajudam a lidar com algo mais do que apenas o desconforto físico - fazem com que se sinta calma e capaz de ultrapassar os seus dias cada vez mais agitados.

À medida que as semanas passam os analgésicos vão desaparecendo a uma velocidade cada vez maior e naturalmente, a sua preocupação aumenta. Em pouco tempo vê-se num mundo que nunca imaginara possível: a reabilitação. No longo caminho que Allison se vê obrigada a percorrer, as lições de vida vão-se suceder.

Numa história rica e absorvente, sempre marcada por um toque de humor e caracterizações realistas e carinhosas, Jennifer Weiner acompanha-nos num percurso emocionante de recuperação e redenção.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Maré Alta

A minha opinião:
Gosto de ser surpreendida por um bom livro. Ocasionalmente acontece, quando o livro não é tão divulgado quanto devia, principalmente, quando se trata de novos autores portugueses não consagrados.

Li agora o segundo dos três romances que Pedro Vieira já publicou. O primeiro não li. A ânsia de ler este romance surgiu na sequência de uma entrevista ao autor numa livraria bem conhecida. O avô materno de quem nem o nome sabe foi o mote para um romance que me fisgou logo nas primeiras páginas, pela linguagem brejeira, pejada de expressões populares que, uso e abuso e pelas personagens de ficção que me provocaram comoção e apreço.  E foi uma leitura compulsiva, em suspense, por aquelas vidas difíceis e árduas que povoaram um passado recente. Vidas incompreendidas. Vidas comuns. 

Retrato de um homem, de um família, de um povo.  Portugal do sec. XX. Um romance bestial de homens e mulheres valentes. Bem pensado e bem concebido. Uma epopeia que marca. Não vou perder nenhum outro romance do Pedro.

Autor: Pedro Vieira
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 472
ISBN: 9789896657314
Editora: Companhia das Letras

Sinopse:
Cabe quase tudo num século de vida de um povo. Naufrágios e glórias, luz e trevas, gente levantada e de joelhos. E, durante todos esses anos, a maré sobe e desce. Há um país que se vai transformando, mesmo visto de longe. Há homens em fuga para a frente, que trocam de nome e de moral. Há mulheres de dentes cerrados. Há filhos deixados para trás. Meadas de histórias e de sangues às quais se perdeu o fio.

Num romance sem heróis, onde todos lutam, sobrevivem e morrem a tentar ser livres, é possível, embora vão, tentar destrinçar, no meio do medo e da culpa, onde acaba a ficção e começa a realidade. E se, por vezes, a intimidade da escrita nos aproxima de acontecimentos distantes, noutros, é a frieza da narrativa que resguarda momentos de grande profundidade. Cortesia de um dos romancistas mais promissores da literatura portuguesa contemporânea, Maré alta é um retrato cru e épico do Portugal do século XX e de quem o viveu, no limiar onde a esperança, o sonho e a memória se confundem e perdem na sucessão de marés.

Um século é muito tempo. Um século não é nada, quando aprendemos a nadar.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Um Ano em Veneza

A minha opinião:
Nicky Pellegrino. Um gosto perdido, agora recuperado. Um romance que apela aos sentidos. Páginas de cor e aventura. Exactamente o que me apetecia ler.

O problema é que seja qual for o livro de Nicky, a comida é a espinha dorsal da história e fico a salivar ansiosa por viajar.

A Kat está numa das cidades mais românticas do mundo, tem cinquenta anos e precisa desesperadamente de uma paixão. Duas mulheres mais velhas e um homen mais novo vão ajudá-la nesse propósito. 

A empatia pela personagem e a admiração por Coco, uma idosa cheia de genica, facilitou a leitura que se fez breve. O destaque vai para Veneza e não posso deixar de comparar com Lisboa devido ao mau estar que certos turistas geram. De resto, é um romance tranquilo e prevísivel que me dispôs bem e se não superou as minhas expectativas, também não as defraudou. Uma espécie de limpa palato, como é referido, para leituras mais exigentes ou pesadas. 

Autor: Nicky Pellegrino
Edição: 2019/ abril
Páginas: 336
ISBN: 9789892344751
Editora: ASA

Sinopse:
Kat é uma aventureira de alma e coração. De tal modo que ganha a vida a viajar para os lugares mais recônditos, a experimentar as iguarias mais exóticas e a escrever sobre as suas experiências. E agora está prestes a embarcar na aventura mais louca de sempre: um relacionamento amoroso.

Perdidamente apaixonada, ela está disposta a ultrapassar todas as barreiras. Massimo é italiano e Kat não tem meias medidas: vai viver com ele para Veneza, ajudá-lo a gerir a sua guesthouse, o Hotel Gondola, explorar a cidade e documentar as suas vivências. Tudo é uma novidade repleta de encanto… os aromas, os sabores, as cores vibrantes dos canais, as pessoas com quem se cruza, e até o homem que a fez querer assentar.

Mas Kat já devia saber que o grande problema das aventuras é que nunca correm da forma que esperamos…

Romântico e delicioso, o novo livro de Nicky Pellegrino transporta-nos para as ruas e os canais de La Serenissima, onde não faltarão - é claro! - os mais ricos e saborosos petiscos venezianos.