quinta-feira, 23 de maio de 2019

A Vida Escondida Entre os Livros

A minha opinião:
Uma livraria não é mágica, mas pode roubar-nos o coração... ou lentamente curar um coração. 

Uma das últimas frases deste livro que percebi depois de o ler. Loveday curou o dela e eu encantei-me, não com a livraria mas com as maravilhosas personagens.  

A narrativa terna divide-se entre passado com o título Crime e presente como Poesia e gradualmente vamos vislumbrando o que se passou na vida de Loveday que a levou a refgugiar-se nos livros que a salvaram e a pocurar ser invisível. Uma relação falhada ainda a atormenta e Rob insiste em reatar. Archie é o excêntrico dono da livraria de livros em segunda mão que lhe deu um emprego quando a apanhou a roubar um livro.  

Não li a sinospse e não era o que eu esperava. Esperava menos e recebi mais. Esperava muitas referências a livros (e não são tantas assim) e ao seu poder curativo e fui surpreendida com a força do amor filial. O tema subjacente é a violência domèstica que de todo não estava à espera. Um romance mágico de amor e redenção. Tão bom. 

Autor: Stephanie Butland
Edição: 2019/ março
Páginas: 304
ISBN: 9789898917737
Editora: TopSeller

Sinopse:
Era uma vez uma rapariga que confiava os seus segredos aos livros...

No coração de York, em Inglaterra, uma pequena livraria tornou-se o refúgio da jovem Loveday Cardew — o único sítio em que a tímida livreira se sente segura. Só aí pode cuidar dos livros da mesma forma que os livros cuidam de si, ensinando-a a entender os sentimentos que a inquietam: a solidão, com Anna Karénina; a alegria de viver, com A Feira das Vaidades; as paixões avassaladoras, com O Monte dos Vendavais. Depois de uma tragédia que lhe roubou tudo, uma infância passada com uma família de acolhimento e um relacionamento falhado, não é de admirar que Loveday prefira os livros às pessoas. Até que um dia, numa paragem de autocarro, ela encontra um livro perdido. Em busca deste livro surge Nathan, um poeta que se deixa encantar pela jovem livreira mas que não consegue quebrar a sua barreira de gelo, a não ser com a ajuda de Archie, o excêntrico dono da livraria onde trabalha.

Mas é quando os livros da sua infância começam a aparecer misteriosamente na livraria, que Loveday terá de aprender a confiar nos outros, para descobrir quem será a pessoa do seu passado que está a tentar contactá-la.

Terá ela coragem para revelar a vida que, durante tantos anos, tentou esconder entre os livros?

terça-feira, 21 de maio de 2019

A Única História

A minha opinião:
Julian Barnes continua igual a si próprio, com uma trama de uma simplicidade desarmante que se revela de uma complexidade estonteante. Sentimentos e emoções que vemos à lupa guiados pela memória de Paul. Divertido, de início, questiona que palavra usaríamos para descrever uma relação entre um rapaz de dezanove anos e uma mulher de quarenta e oito. E conta a sua história. A única que interessa. 

A narrativa analítica abrange relacionamentos e sentimentos, muitas vezes tristes, descodificando, uma relação desigual como esta. Afinal... andamos todos à procura de um lugar seguro. E se não o encontrarmos, então temos de aprender a passar o tempo. 

Contrariamente ao que seria de se esperar, não se trata de uma paixão avassaladora que derruba barreiras. Um amor envergonhado, em que as restantes personagens como o marido e as filhas de Susan, a amiga Joan ou os amigos e pais de Paul não têm relevo. Personagens sem brilho ou alegria.

Os romances de Julian Barnes são para ler devagar. A fleuma inglesa no seu melhor.

Autor: Julian Barnes
Edição: 2019/ abril
Páginas: 256
ISBN: 9789897224690
Editora: Quetzal

Sinopse:
«Preferiam amar mais e sofrer mais; ou amar menos e sofrer menos?» É com este convite à reflexão - um enunciado falso, já que não temos escolha, pois não se controla o quanto se ama - que Barnes inicia o seu mais recente romance.

À guisa de preâmbulo, o narrador faz-nos notar que, embora todos tenhamos imensas histórias, inúmeros acontecimentos e ocorrências que transformamos em histórias, cada um de nós tem apenas uma, aquela história - a que contamos mais vezes, nomeadamente a nós mesmos. E a primeira questão que se levanta é se o facto de a contarmos e recontarmos nos aproxima da verdade.

A história do narrador deste livro é a da relação amorosa que se inicia entre ele, um jovem de dezanove anos e a senhora Macleod, uma mulher casada de quarenta e muitos, durante um jogo de ténis.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Em Queda Livre

A minha opinião:
Li sobre uma mulher à beira de um ataque de nervos, se não tomasse algo que a ajudasse a relaxar.  Uma vida aparentemente perfeita que saiu dos eixos com a maternidade, a mudança para os subúrbios e o abdicar da carreira. As pressões sociais, as exigências da filha sensível e caprichosa, o distanciamento do marido focado no seu umbigo e o sucesso como blogger levou-a ao limite.
A doença de Alzeihmer do pai agravou o quadro do ponto de vista da protagonista/ narradora em negação. 

Nada de novo na vida de uma mulher que faz coisas demais e se esforça por gerir tudo sem dar parte de fraca. A alternativa é que talvez não seja tão banal. Comprimidos para as dores (de um acidente anterior) que passaram a analgésicos para as dores da vida. Nada disto combina com a capa fofinha deste livro, se não repararmos nos comprimidos rosa choque no pires da chávena.

Como leitora, não gostei muito de nenhuma das personagens, em que reconheço qualidades e defeitos, o que me agarrou à narrativa. No final, esperava mais. A revelação que tardou, não me conquistou e ficou uma sensação agridoce. Compreendi a mensagem e atribuo autenticidade à trama mas achei fastidiosa. 

Autor: Jennifer Weiner
Edição: 2019/ abril
Páginas: 360
ISBN: 9789722535274
Editora: Bertrand

Sinopse:
Allison Weiss é a típica mãe trabalhadora que tenta conciliar um negócio, pais idosos, uma filha exigente e um casamento. Mas quando o website por ela desenvolvido se torna um enorme sucesso, fica completamente esmagada. Enquanto se esforça por manter a vida equilibrada e satisfazer as necessidades dos que a rodeiam, Allison descobre que os analgésicos receitados para uma lesão nas costas a ajudam a lidar com algo mais do que apenas o desconforto físico - fazem com que se sinta calma e capaz de ultrapassar os seus dias cada vez mais agitados.

À medida que as semanas passam os analgésicos vão desaparecendo a uma velocidade cada vez maior e naturalmente, a sua preocupação aumenta. Em pouco tempo vê-se num mundo que nunca imaginara possível: a reabilitação. No longo caminho que Allison se vê obrigada a percorrer, as lições de vida vão-se suceder.

Numa história rica e absorvente, sempre marcada por um toque de humor e caracterizações realistas e carinhosas, Jennifer Weiner acompanha-nos num percurso emocionante de recuperação e redenção.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Maré Alta

A minha opinião:
Gosto de ser surpreendida por um bom livro. Ocasionalmente acontece, quando o livro não é tão divulgado quanto devia, principalmente, quando se trata de novos autores portugueses não consagrados.

Li agora o segundo dos três romances que Pedro Vieira já publicou. O primeiro não li. A ânsia de ler este romance surgiu na sequência de uma entrevista ao autor numa livraria bem conhecida. O avô materno de quem nem o nome sabe foi o mote para um romance que me fisgou logo nas primeiras páginas, pela linguagem brejeira, pejada de expressões populares que, uso e abuso e pelas personagens de ficção que me provocaram comoção e apreço.  E foi uma leitura compulsiva, em suspense, por aquelas vidas difíceis e árduas que povoaram um passado recente. Vidas incompreendidas. Vidas comuns. 

Retrato de um homem, de um família, de um povo.  Portugal do sec. XX. Um romance bestial de homens e mulheres valentes. Bem pensado e bem concebido. Uma epopeia que marca. Não vou perder nenhum outro romance do Pedro.

Autor: Pedro Vieira
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 472
ISBN: 9789896657314
Editora: Companhia das Letras

Sinopse:
Cabe quase tudo num século de vida de um povo. Naufrágios e glórias, luz e trevas, gente levantada e de joelhos. E, durante todos esses anos, a maré sobe e desce. Há um país que se vai transformando, mesmo visto de longe. Há homens em fuga para a frente, que trocam de nome e de moral. Há mulheres de dentes cerrados. Há filhos deixados para trás. Meadas de histórias e de sangues às quais se perdeu o fio.

Num romance sem heróis, onde todos lutam, sobrevivem e morrem a tentar ser livres, é possível, embora vão, tentar destrinçar, no meio do medo e da culpa, onde acaba a ficção e começa a realidade. E se, por vezes, a intimidade da escrita nos aproxima de acontecimentos distantes, noutros, é a frieza da narrativa que resguarda momentos de grande profundidade. Cortesia de um dos romancistas mais promissores da literatura portuguesa contemporânea, Maré alta é um retrato cru e épico do Portugal do século XX e de quem o viveu, no limiar onde a esperança, o sonho e a memória se confundem e perdem na sucessão de marés.

Um século é muito tempo. Um século não é nada, quando aprendemos a nadar.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Um Ano em Veneza

A minha opinião:
Nicky Pellegrino. Um gosto perdido, agora recuperado. Um romance que apela aos sentidos. Páginas de cor e aventura. Exactamente o que me apetecia ler.

O problema é que seja qual for o livro de Nicky, a comida é a espinha dorsal da história e fico a salivar ansiosa por viajar.

A Kat está numa das cidades mais românticas do mundo, tem cinquenta anos e precisa desesperadamente de uma paixão. Duas mulheres mais velhas e um homen mais novo vão ajudá-la nesse propósito. 

A empatia pela personagem e a admiração por Coco, uma idosa cheia de genica, facilitou a leitura que se fez breve. O destaque vai para Veneza e não posso deixar de comparar com Lisboa devido ao mau estar que certos turistas geram. De resto, é um romance tranquilo e prevísivel que me dispôs bem e se não superou as minhas expectativas, também não as defraudou. Uma espécie de limpa palato, como é referido, para leituras mais exigentes ou pesadas. 

Autor: Nicky Pellegrino
Edição: 2019/ abril
Páginas: 336
ISBN: 9789892344751
Editora: ASA

Sinopse:
Kat é uma aventureira de alma e coração. De tal modo que ganha a vida a viajar para os lugares mais recônditos, a experimentar as iguarias mais exóticas e a escrever sobre as suas experiências. E agora está prestes a embarcar na aventura mais louca de sempre: um relacionamento amoroso.

Perdidamente apaixonada, ela está disposta a ultrapassar todas as barreiras. Massimo é italiano e Kat não tem meias medidas: vai viver com ele para Veneza, ajudá-lo a gerir a sua guesthouse, o Hotel Gondola, explorar a cidade e documentar as suas vivências. Tudo é uma novidade repleta de encanto… os aromas, os sabores, as cores vibrantes dos canais, as pessoas com quem se cruza, e até o homem que a fez querer assentar.

Mas Kat já devia saber que o grande problema das aventuras é que nunca correm da forma que esperamos…

Romântico e delicioso, o novo livro de Nicky Pellegrino transporta-nos para as ruas e os canais de La Serenissima, onde não faltarão - é claro! - os mais ricos e saborosos petiscos venezianos.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

As Regras da Cortesia

A minha opinião:
Não podia ter começado o mês de modo mais auspicioso do que ao ler este livro.
Muitos são os que me recomendaram o livro "Um Gentleman em Moscovo", pousado há algum tempo na minha mesa de cabeceira, mas apesar disso comecei com "As Regras da Cortesia", o livro antecessor do autor. A sinopse deste belo livro de capa grossa agradou-me com a promessa de um romance no feminino. 

A escrita elegante e fluída cativou-me de imediato, enquanto a narrativa sem excessos descritivos sagaz no relato da conduta humana apresenta desde o princípio um soberbo retrato de época, que me prendeu a atenção como poucos romances o conseguem.

Katey Kontent é pragmática e deliciosamente irónica. Gosta de ler e faz algumas referências a livros e aos seus autores.

Em 1966 numa exposição de retratos dos anos 30, Katey reconhece um dos rostos e história recua no tempo até ao início de 1938 quando ela e Eve disputam Tinker. Banal, não fosse a linguagem, as reviravoltas e as personagens invulgares que  percebem a rapidez com que Nova Iorque muda de direção: como um catavento ... ou a cabeça de uma cobra. O tempo encarrega-se de mostrar qual dos dois. 

As Regras da Cortesia é um manual de conduta de George Washington que se pode ler na integra no fim do livro. Imperdível!


Autor: Amor Towles
Tradução: Tânia Ganho
Edição: 2019/ março
Páginas: 408
ISBN: 9789722066693
Editora: Dom Quixote

Sinopse;
A última noite de 1937, Katey desliza deslumbrante por entre nuvens de fumo num clube de jazz em Greenwich Village. Tem três dólares na carteira e está empenhada em fazê-los render até ao amanhecer. Não será preciso. Porque na mesa ao lado senta-se Tinker, um jovem banqueiro, aconchegado num extraordinário sobretudo de caxemira. E aquele encontro, naquela noite, define a vida de Katey. A remediada filha de emigrantes russos, que sobrevive a custo em Brooklyn, dirá ali adeus ao passado; e dará início a uma imparável escalada social.

As Regras da Cortesia é uma nostálgica revisitação da eufórica Nova Iorque dos anos 30 - uma cidade a recuperar da grande depressão com banhos de champanhe, festas e cocktails. Narrada em flashback por uma protagonista que recorda, décadas mais tarde, aquele amor da juventude.

Primeira obra de Amor Towles (escreveria a seguir Um Gentleman em Moscovo), revela um autor nascido já em plena maturidade estilística. Encontramos aqui a mesma escrita rendilhada e elegante - e a mesma ternura na evocação de uma época de ouro, e de uma cidade e de uma mulher que se reinventam num tempo de promessas.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

O Fim da Solidão

A minha opinião:
Não é segredo. Este romance que Benedict Wells teve que escrever em sete anos tem muito de autobiográfico. 

Extraordinário romance em que uma infância difícil  é como um inimigo invisível que nunca se sabe quando os pode atingir.

Jules é o narrador e o mais novo de três irmãos, órfãos, quando os pais morreram num acidente de viação. O amor que os unia prevaleceu, apesar do distanciamento em que cada um reagiu à sua maneira enquanto estiveram num internato. Solitário e taciturno Jules tinha uma amiga especial, também ela despedaçada - Alva. Juntos e também separados vão construir um futuro.

Um romance terno que me tocou do princípio ao fim e foi impossível parar de ler. Vários fragmentos desta história não devo conseguir esquecer. E não são muitos os que isso acontece. 

Benedict Well limitou-se a escrever sobre a vida como ela é, sem exageros ou lamentos e  apenas delineou personagens com profundidade, que me deixaram a suspirar por mais. Alva e Jules são inesquecíveis. 

Seguramente um dos melhores romances que já li. Este livro é bonito por fora e por dentro.


Autor: Benedict Wells
Edição: 2019/ março
Páginas: 312
ISBN: 9789892344393
Editora: Edições Asa

Sinopse:
Jules Moreau tem onze anos quando os pais morrem num acidente de carro. Nessa noite, a sua infância termina. Segue-se a ida para um colégio interno, juntamente com os dois irmãos mais velhos. Pouco a pouco, os laços que os unem quebram-se. Jules isola-se, alimentando-se das suas memórias; Marty refugia-se ferozmente nos estudos; e Liz procura todas as formas de evasão possíveis para preencher o vazio.

O único consolo do protagonista advém dos momentos que passa na companhia de uma menina ruiva chamada Alva. As duas crianças lêem, ouvem música, partilham o silêncio das tardes no colégio. E nunca falam sobre si mesmas.

Quinze anos mais tarde, os irmãos afastaram-se irremediavelmente uns dos outros. Jules, que continua a reviver o passado interrompido, apenas encontra alento no sonho de se tornar escritor e na ânsia de reencontrar Alva. E quando, por uma vez, tudo parece subitamente possível, uma força invisível - talvez o destino - volta a intervir.

O fim da história de Jules está ainda por acontecer..

quarta-feira, 24 de abril de 2019

O mundo à beira de um ataque de nervos




A minha opinião:
Li o "Razóes para Viver" e fui agradávelmente surpreendida pela franqueza e honestidade do autor e quis repetir. 

No dia a dia não paramos para pensar. Matt Haig pensa e pensa muito. Tem tudo a ver com a sua saúde mental e consequentemente com a saúde física perceber o que lhe faz mal e superar ou evitar. Este livro é sobre a luta dele que é também a luta de todos nós. A nossa vida tornou-se dependente da tecnologia que evolui a grande velocidade e temos que rever e temos que rever a forma como a usamos. E com esta sociedade de consumo funciona. Não é ficção. O alarme já soou e sabemos disso pela ansiedade e solidão que grassa por aí.

Leitor convicto regista muitas notas pertinentes de outros pensadores num pequeno livro concebido para formar e consultar.

Uma leitura poderosa e realista que, nos faz dar mais valor à vida, sem medos e um outro conceito de tempo. Logo, uma leitura compulsiva. 
A linguagem acessível e a escrita organizada levou-me na corrente de ideias assertivas de Matt Haig, baseada na sua experiência pessoal. Exactamente como eu esperava. Muito bom.

Autor: Matt Haig
Edição: 2019/ abril
Páginas: 376
ISBN: 978-972-0-03174-7
Editora: Porto Editora

Sinopse:
E se o modo como vivemos estivesse programado para nos deixar infelizes? Toda a sociedade de consumo assenta na ideia de nos criar o desejo de ter o último modelo, em vez de nos contentarmos com o que temos; somos encorajados a sairmos de nós e a querermos outras vidas: uma receita quase infalível para a infelicidade.

Os índices de stresse e ansiedade estão a subir. Estamos cada vez mais ligados uns aos outros e, no entanto, cada vez mais isolados.

•Como manter o equilíbrio num planeta que nos enlouquece?
•Como preservar a humanidade numa era tão obsessivamente tecnológica?
•Como ser feliz quando somos incentivados a cultivar a ansiedade?

O mundo à beira de um ataque de nervos oferece uma visão pessoal e importante que procura compreender de que forma nos podemos sentir felizes, humanos e íntegros em pleno século XXI.

sábado, 20 de abril de 2019

A Outra Mulher



A minha opinião:
Gabriel Allon. O meu espião favorito. Um artista. Atualmente chefe dos serviços secretos israelitas.

Uma deserção em Viena de um importante agente russo acaba na morte deste. Aos olhos do mundo foi uma execução feita por Gabriel Allon. Na perspectiva dele houve uma fuga.

E foi o início de uma complexa trama, com alguma crítica social e política bem dissimulada, para travarem o Sasha e as "suas medidas ativas" de enfraquecimento do Ocidente. Mais um empolgante e vertiginoso romance de espionagem, de curtos diálogos e muita acção. Entretenimento inteligente.

A Outra Mulher era a filha da traição. 
Vale a pena descobrir e não se esqueçam de ler as notas do autor.



Autor: Daniel Silva
Edição: 2019/ março
Páginas: 464
ISBN: 9788491392903
Editora: HARPER COLLINS
Sinopse:
Num lugarejo isolado da Andaluzia vive uma misteriosa mulher de nacionalidade francesa que começou a escrever umas memórias mais do que perigosas.

É a história de um homem que em tempos amou em Beirute, e de um filho que lhe foi arrebatado em nome da traição. A mulher é a guardiã do segredo mais bem guardado pelo Kremlin: há décadas o KGB infiltrou um agente duplo em pleno coração do ocidente, um traidor que hoje se encontra à beira do poder absoluto. Só uma pessoa é capaz de pôr esta conspiração a nu: Gabriel Allon, o já lendário restaurador de arte e assassino que na atualidade exerce o cargo de diretor dos eficacíssimos serviços secretos israelitas.

Já anteriormente Gabriel se vira obrigado a combater as sombrias forças da nova Rússia, com repercussões pessoais custosas. Desta feita, ele e os russos travarão um confronto final épico em que o destino do mundo que conhecemos está em causa. Gabriel vê-se empurrado para o meio da conspiração quando o seu ativo mais importante no seio dos serviços secretos russos é assassinado enquanto tentava desertar em Viena.

A procura da verdade levá-lo-á a recuar no tempo, até à maior traição do século xx para terminar nas margens do Potomac em Washington. A mil por hora, estranhamente belo e cheio de sentidos duplos e reviravoltas na ação, este livro é um verdadeiro golpe de mestre que demonstra mais uma vez que Daniel Silva é pura e simplesmente o melhor escritor de romances de espionagem dos nossos tempos.

domingo, 14 de abril de 2019

História de uma Família Decente

A minha opinião:
- Mas porque é que vocês me obrigam a fazer destas coisas?

A habitual pergunta que o pai de Maria "Malacarne" repetia à família antes de perder a paciência ou imediatamente a seguir a ter desatado à pancada à direita e à esquerda. Cliché, em situações de violência doméstica. Terrivelmente banal e intemporal. Uma família imperfeita e genuína.

A história de vida de uma mulher italiana. Começa nos anos 80. Maria tinha nove anos e observava a dureza e fealdade do bairro em que vivia. A amizade em segredo entre ela e outra criança, Michele, invisíveis aos olhos dos outros, preservava-os da sordidez do meio. 
Maria era inteligente e pode continuar a estudar. Sagaz, cedo desenvolveu um sexto sentido na compreensão das pessoas.

Narradora inata. Rosa Ventrella é brilhante. Nada entediante. Descrições que ganham vida aos olhos do leitor, mas em que não encontro paralelo especial com os livros de Elena Ferrante. O título e a capa explicam o cerne desta história. Malacarne e a sua família decente. Um romance cinematográfico, de que fiquei completamente viciada e li sofregamente.
Muito bom. Para quem gosta de avaliações, a nota máxima. 

Autor: Rosa Ventrella
Tradução: J. Teixeira de Aguilar
Edição: 2019/ março
Páginas: 320
ISBN: 9789722066716
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Sul de Itália, anos 80. Os verões em Bari velha são passados entre os becos de lajes brancas, onde as crianças se perseguem pelas curvas de um labirinto de ruelas, no meio dos aromas dos lençóis estendidos em arames e dos molhos saborosos.

Maria, de doze anos, cresce aqui com os dois irmãos mais velhos. É uma menina pequena e morena, com feições selvagens que a tornam diferente das outras crianças - uma boca grande e dois olhos quase orientais que brilham como pequenos buracos - e uma certa maneira de ser hostil e insolente que lhe valeu a alcunha Malacarne.

Vive numa terra sem tempo, num bairro onde os abusos são sofridos e infligidos, e de onde é muito difícil escapar. No entanto, Marì não está disposta a submeter-se a normas que não respeita. O seu único apoio é Michele, o filho mais novo do clã Senzasagne, a gente mais decadente de Bari velha.

Apesar da hostilidade entre as suas famílias, entre ambos surge uma amizade delicada, quase fraternal, que o tempo converte em amor.
Um amor que, embora impossível, os preserva do rancor do resto do mundo.

A Casa do Lago

A minha opinião:
A sinopse prometia e como tal, não hesitei comprei. Uma daquelas decisões de impulso, que costumam ser certeiras. Parecia ser um pequeno e encantador livro.

Em conjunto com a Cristina Delgado, Maria João Covas e Maria João decidimos ler este livro e as opiniões divergiram. 

O começo, para mim, não funcionou. Não me agarrou. Depois, também não. A escrita não cumpria. As personagens não tinham profundidade.
Faltava magia ou carisma, mesmo tratando-se de uma época de glamour como foram os famosos anos trinta nesta história contada alternadamente a dois tempos. O próximo remonta a 2010, uma vez que é inspirado num facto (a revelação de um belo apartamento em Paris que estivera fechado  durante 70 anos), mas o passado parecia-me mais interessante até metade do livro, quando a aura de mistério se adensa e surge uma personagem na vida de Anna que muito me agrada - Will, o advogado de sucesso que tem a chave do antigo palácio da familia, Schloss Sieger. O elo de ligação onde tudo começou.
Apesar disso, a narrativa não fluía a bom ritmo como eu pretendia e a leitura apressada visava apenas terminar a leitura o quanto antes. Anna e o avô eram muito formais/ frios na sua relação e nem quando o avô foi hospitalizado e Anna recuperou o que viera buscar voou para junto dele (outros dados não faziam sentido). 
A morte de Max mudou um pouco o desenvolvimento da história e as revelações foram surgindo. Ganhou alguma intensidade e emoção. 

No final, ficou uma sensação agridoce, de dever cumprido, sem glória ou brilho. Não gostei. Gosto de uma história que me deixe plena e a remoer nos acontecimentos depois de terminar. 

Autor: Ella Carey
Edição: 2019/ março
Páginas: 240
ISBN: 9789897103315
Editora: Chá das Cinco

Sinopse:
Anna Young está satisfeita com a sua vida bem-sucedida em São Francisco. Mas o seu mundo é virado do avesso quando o seu avô, Max Albrecht, revela um segredo surpreendente: Anna é a herdeira de uma família aristocrática que perdeu tudo durante a Segunda Guerra Mundial. Há mais de setenta anos, Max foi forçado a deixar para trás a sua vida e um precioso objeto na sua propriedade na antiga Prússia. E agora quer que Anna o recupere.

Anna acede ao pedido do avô e viaja para a Alemanha, impaciente por obter respostas: O que poderá ser assim tão importante para o seu avô? E por que razão ocultou a sua história? A busca leva-a a Wil, um homem que pode deter a chave para desvendar o mistério. Juntos descobrem que os segredos da família estão ligados a um apartamento abandonado em Paris… e que esses segredos têm raízes mais profundas do que alguma vez imaginaram.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

A Grande Solidão

A minha opinião:
Desafiaram-me a ler Kristin Hannah, de quem tenho há muito alguns livros por ler.

Começamos com A Grande Solidão (como chamaram ao Alasca) contado por Leni, uma míuda de treze anos. O pai assustava-a e a mãe que o amava demais mantinha a esperança. Ernt tinha combatido e sido feito prisioneiro na guerra do Vietname. 

A narrativa rica em detalhes sobre a paisagem de grande beleza agreste e inflexível do Alasca deslumbra e é neste cenário onde buscavam encontrar paz, que se sente uma inquietação crescente que angustia e vicia. 

Na segunda parte, Leni tem dezassete anos e a família está em melhores condições financeiras. A vida no Alasca, naquela pequena comunidade continua, com personagens de fibra que apetece conhecer. Novos desafios surgem e o velho obstáculo das mulheres Allbright regressa, apesar de ser expectável que desapareça, o que me renovou o entusiasmo.

Por fim, avança mais alguns anos. As mulheres encontram um porto seguro, mas a vida não pára e novo revês impõe o regresso a onde pertencem. Muita adrenalina nesta inspirada história. 

Um romance épico de amor, dor, perda e redenção... que eu não planeava ler. Projecto Kristin Hannah. Brutal!

Autor: Kristin Hannah
Edição: 2019/ janeiro
Páginas: 456
ISBN: 9789722535991
Editora: Bertrand

Sinopse:
1974, Alasca. Indómito. Imprevisível. E para uma família em crise, a prova definitiva. Ernt Allbright regressa da Guerra do Vietname transformado num homem diferente e vulnerável. Incapaz de manter um emprego, toma uma decisão impulsiva: toda a família deverá encetar uma nova vida no selvagem Alasca, a última fronteira, onde viverão fora do sistema. Com apenas 13 anos, a filha Leni é apanhada na apaixonada e tumultuosa relação dos pais, mas tem esperança de que uma nova terra proporcione um futuro melhor à sua família. Está ansiosa por encontrar o seu lugar no mundo. A mãe, Cora, está disposta a tudo pelo homem que ama, mesmo que isso signifique segui-lo numa aventura no desconhecido. Inicialmente, o Alasca parece ser uma boa opção. Num recanto selvagem e remoto, encontram uma comunidade autónoma, constituída por homens fortes e mulheres ainda mais fortes. Os longos dias de verão e a generosidade dos habitantes locais compensam a inexperiência e os recursos cada vez mais limitados dos Allbright.

À medida que o inverno se aproxima e que a escuridão cai sobre o Alasca, o frágil estado mental de Ernt deteriora-se e a família começa a quebrar. Os perigos exteriores rapidamente se desvanecem quando comparados com as ameaças internas. Na sua pequena cabana, coberta de neve, Leni e a mãe aprendem uma verdade terrível: estão sozinhas. Na natureza, não há ninguém que as possa salvar, a não ser elas mesmas. Neste retrato inesquecível da fragilidade e da resiliência humana, Kristin Hannah revela o carácter indomável do moderno pioneiro americano e o espírito de um Alasca que se dissipa - um lugar de beleza e perigo incomparáveis. A Grande Solidão é uma história ousada e magnífica sobre o amor e a perda, a luta pela sobrevivência e a rudeza que existe tanto no homem como na natureza.

domingo, 31 de março de 2019

A Piscina

A minha opinião:
Atraiu-me, não sei porquê. Uma história simples em que a piscina vai unir duas mulheres numa amizade improvável.
A água como terapia. Vidas comuns, que se equilibram quando nadam no lido. O lido é uma piscina ao ar livre (o que eu não sabia).
Capítulos curtos para nos dar a conhecer estas duas mulheres tão diferentes que se unem por uma causa. Rosemary tem 86 anos. Kate tem 26 (e sofre de ataques de pânico). Rosemary é viúva. Um casamento feliz, que lhe deixou muitas memórias em que o lido teve um papel central nas suas vidas. Não é apenas este casal especial. Uma pequena comunidade também vive momentos felizes nesta piscina.
Suponho que antes não o referi mas adoro um romance que se desenrole em capítulos curtos. Avança mais ligeiro e a leitura fica mais empolgante. A cada personagem, com a sua condição e circunstância um pequeno capítulo que não maça e gradualmente, num crescendo aumenta a intensidade da narrativa tornando-se viciante.
Romance terno e surpreendentemente memorável. As coisas simples importam. Esta história foi inspirada em Brixton de Londres e no sentido de comunidade que ali se vive. Encantador!

Autor: Libby Page
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 336
ISBN: 9789722535625
Editora: Bertrand

Sinopse:
Kate tem 26 anos e trabalha num pequeno jornal local no qual publica notícias insignificantes. Um dia é escolhida para escrever sobre o encerramento do Brockwll Lido, uma piscina local, ao ar livre e integrada num centro de lazer e desporto. No lido, Kate conhece Rosemary, uma viúva de 86 anos que sempre frequentou o lugar desde a sua inauguração, altura em que ainda era criança. Foi aqui que Rosemary se apaixonou pelo marido e foi aqui que sempre nadaram juntos. Quando surge um projeto para transformar o lido num complexo de apartamentos, as memórias de Rosemary e o seu mundo ficam subitamente ameaçados.

Enquanto Kate mergulha na história do lido, vai-se envolvendo simultaneamente na história de uma piscina e na vida de Rosemary, uma mulher singular. O que começa por ser uma simples reportagem, apenas com interesse local, acaba por desaguar numa surpreendente relação de amizade entre duas mulheres empenhadas no combate contra o encerramento do lido.

A Piscina é um romance encantador que capta a essência e o espírito de uma comunidade através de gerações — um conto irresistível de amor, perda e amizade.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Uma Questão de Conveniência

A minha opinião:
Quando vi este livro não percebi que era um romance. Pensei que era mais um livro de culinária. Depois, vi uma crónica sobre o mesmo e soube que tinha de o ler. Num instantinho.

Um livro fino, escrita sóbria, linguagem cuidada e desarmante. O tipo de lógica elementar para uma extraordinária crítica social. Recordou-me um outro romance "A Educação de Eleanor".

A sociedade não aceita bem a diferença. Todos têm de encaixar num padrão. Keiko era estranha. E trabalhava numa loja de conveniência. Um emprego temporário. A própria família considerava-a doente e esperava que recuperasse. E Keiko apesar de não se inquietar com as perguntas, gostava da aceitação dos outros. Durante 18 anos sentia que fazia parte de algo até que um dia alguém entrou na sua vida. 

O enredo é este. E se não fosse japonês poderia ter outro desenvolvimento. Mas, não seria especial. Ou subtil e encantador. Ou comovente e divertido. Não seria tão bom. 

Autor: Sayaka Murata
Tradução: Ruth
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 168
ISBN: 9789896168711
Editora: Gradiva

Sinopse:
Keiko foi sempre estranha - e os pais perguntam-se onde encaixará ela no mundo real. Por isso, quando a rapariga resolve ir trabalhar para uma loja de conveniência, a notícia é recebida com entusiasmo, até porque na loja ela encontra um mundo bastante previsível, que domina com a ajuda de um manual e copiando os colegas até na forma de falar.

Mas aos 36 anos é ainda na mesma loja de conveniência que trabalha, e além disso nunca teve um namorado, frustrando as expectativas da sociedade… Embora Keiko não se importe com isso, sabe que a família e os amigos estão mais ou menos desesperados. Um dia, porém, é contratado para a loja um rapaz com o qual Keiko tem algumas afinidades. Não será então aconselhável para ambos um relacionamento?

Sayaka Murata, uma das vozes mais originais e talentosas da ficção contemporânea japonesa, capta brilhantemente a atmosfera de uma loja de conveniência e satiriza as obsessões que regem a sociedade contemporânea e a pressão exercida sobre as mulheres no sentido de cumprirem expectativas alheias, com o pretexto de terem uma vida normal.

Uma Questão de Conveniência, que venceu o prémio Akutagawa e foi traduzido em mais de vinte países, é o retrato de uma heroína deliciosa que promete ser tão memorável como Amélie Poulain. 

Lealdades

A minha opinião:
Belíssima capa. Apropriada a um livro que se deve ler devagar, porque as palavras têm poder de ressoar e dar um nó cá dentro.

Acho que muitos pais, ressentidos um com o outro, deveriam ler este livro. Iriam perceber as consequências das suas palavras e dos seus actos. 

Opressivo. É essa a sensação que nos atinge com estas quatro personagens que se sentem encurraladas nas suas vidas. Hélene (vitima de maus tratos) a professora que capta o que o aluno Théo cala. O melhor Mathias, alinha num terrível esquema e Cécile, a mãe deste, que percebe que algo se passa, inquieta com um segredo tenebroso do marido. Todos eles leais e sobre esse prisma a primeira página deste livro é brilhante. Voltei a ela várias vezes.

Delphine de Vigan é uma extraordinária escritora e os seus romances não visam apenas o entretenimento. Suponho que seja o que definem como romances de intervenção. Depois de ler, nada permanece igual. Desafio alguém a ler este livro sem ficar perturbado. É uma pena, certos livros não serem mais publicitados e não terem a visibilidade ou protagonismo que merecem. 

Muito, muito, muito bom!

Autor: Delphine De Vigan
Tradução: Tiago Marques
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 168
ISBN: 9789896168711
Editora: Gradiva

Sinopse:
Este é um livro que, com profunda sensibilidade, explora mundos distantes que, afinal, têm muitos pontos em comum: a infância e a vida adulta, a autodestruição e a salvação abnegada, o sofrimento e a busca pela felicidade.

Através de uma narração caleidoscópica, Delphine de Vigan apresenta-nos o drama das relações humanas, com tudo o que estas têm de mais negro e de mais belo.

Lealdades, assente no equilíbrio de contrapontos, é um verdadeiro romance psicológico dos nossos tempos.

A Sombra do Passado

A minha opinião:
Romance clássico e intemporal. Às vezes quente e luminoso, às vezes enigmático e sombrio. Os segredos da mãe e as mentiras do pai. As origens de Addie, não reveladas durante quase quarenta anos, até que bruscamente lhe surge à porta. 

O enredo não é muito original, mas a forma como a história é contada a dois tempos, faz toda a diferença. Um bálsamo para a alma. Addie, uma doce criatura. que tudo faz para agradar e evitar o conflito, vê-se a braços com vários dilemas. 

Curioso que o livro Rebecca tenha um lugar de destaque nesta narrativa, o que me fez pensar que o devo ler o quanto antes. Duas mulheres, duas gerações, Elizabeth e Addie, ávidas leitoras. 

No final, a mensagem subliminal neste romance é que devemos sair da nossa zona de conforto, ousar mudar. Como a menina de dezasseis anos, que foi forçada a crescer. E singrou a todo o custo.

Um muito obrigado a boas amigas que me recomendaram este livro, em particular, Cristina Delgado de
o tempo entre os meus livros que o emprestou.

Autor: Nikola Scott
Tradução: Marta Pinho
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 392
ISBN: 1095579
Editora: Circulo de Leitores

Sinopse:
1958. A bela e inocente Elizabeth Holloway vai passar o verão a Hartland, uma magnífica propriedade no litoral do condado de Sussex, no Sul de Inglaterra.
Para a jovem, os Shaws são um modelo de sofisticação. Contudo, quando Elizabeth se apaixona, ninguém a avisa de que os seus sonhos são perigosamente ingénuos. Quarenta anos mais tarde, a filha de Elizabeth, Addie, encontra uma estranha à sua porta que afirma ser sua irmã gémea. Addie recusa-se a acreditar na declaração - até que o seu pai admite que as circunstâncias do seu nascimento não foram as que ela supõe.
A revelação desafia tudo o que Addie achava que sabia sobre a mulher brilhante e difícil que tinha sido a sua mãe. Agora, ela e a sua nova irmã Phoebe vão descobrir a extraordinária história de uma criança perdida, e o segredo de um verão radioso que mudou a vida de uma mulher para sempre.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Três Desejos

A minha opinião:
Adoro as personagens e os enredos de Liane Moriarty.
Apesar disso, fiquei desiludida com o último que li, "Dez anos depois", comparado com os outros dois, "O segredo do meu marido" e "Pequenas Grandes Mentiras", em que fiquei fã desta autora. A expectativa era grande, mas logo nas primeiras quarenta páginas fiquei rendida às peripécias das enérgicas trigêmeas, intrigada com a estreita ligação e as diferentes personalidades. 

No início, celebravam animadamente o aniversário num restaurante com vários clientes que as observavam sob diferentes perspetivas, quando descamba numa agressão com uma delas a atirar um garfo à outra, grávida, enquanto a terceira chama uma ambulância.

O mote para este romance está dado e vamos recuar até perceber o porquê e a quem aconteceu. O mistério é desvendado através de uma sequência de acontecimentos que interligados desencadearam esta situação que desejamos superada, uma vez que estas personagens já me tinham conquistado.

Encantada, li esta brilhante narrativa pontuada por muitos diálogos, numa escrita que parece fácil e natural, como é apanágio desta autora que eu continuo a adorar. Para além disso, temos temas de relevo como a violência oculta, traição, ataques de pânico, paternidade e laços familiares. Assuntos sérios num bem disposto romance. 

Fabulástico!


Autor: Liane Moriarty
Edição: 2019/ março
Páginas: 419
ISBN: 9789722363440
Editora: Presença

Sinopse:
Lyn, Cat e Gemma Kettle são trigémeas, têm trinta e três anos e parecem atrair a atenção de todos onde quer que se encontrem. Mas cada uma delas tem de lidar com os seus próprios problemas pessoais.

Lyn esforça-se duramente para alcançar o equilíbrio no seu papel de mãe, esposa e profissional sem perder a serenidade. Cat, cujo casamento perfeito é motivo de inveja de todos os amigos, não suspeita que o marido esconde um segredo que abalará profundamente a sua vida. E a desorientada Gemma, que muda de emprego e namorado constantemente, conheceu recentemente o homem que vai descobrir o seu passado oculto. Perante tudo isto, os laços entre as três irmãs parecem ser suficientemente fortes para resistirem aos revezes da vida.

Pelo menos... até àquela noite do jantar do seu trigésimo quarto aniversário em que as verdades de cada uma são reveladas e em que tudo parece irreversível.
Autora bestseller, publicada em 55 países, com mais de 3 milhões de exemplares vendidos. A sua obra Pequenas Grandes Mentiras foi adaptada a série pela HBO. Um romance fresco, despreocupado e muito, muito divertido.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Em Tudo Havia Beleza

A minha opinião:
Pensamentos soltos, à deriva, numa verdadeira catarse. Palavras da vida de um homem. A contemplação dos mortos. Muitos e curtos capítulos que facilitam em muito a leitura. Em tudo havia beleza.

A morte, o desamparo que ele confundia com pobreza, o envelhecimento, o divórcio e a paternidade, a saudade e o amor, numa época e numa familia classe média-baixa que não me é estranha. Curiosas particularidades que nesta demanda pela compreensão do seu passado, eu encontre paralelos com o meu.

Resgatar o passado para se reconciliar com o presente. A herança genética e a educação que, na solidão se repensa na ligação com os outros. A lei de Ordesa.

Sem filtro, sem destoar, sem intenção de brilhar, este livro tornou-se um sucesso. Não creio que seja para todos. Não sei se é uma auto-ficção, romance ou biografia, mas gostei~e li sem parar apesar de estranhar.

Autor: Manuel Vilas
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 400
ISBN: 9789896656515
Editora: Alfaguara

Sinopse:
Impelido por esta convicção, Manuel Vilas compõe, com uma voz corajosa, desencantada, poética, o relato íntimo de uma vida e de um país. Simultaneamente filho e pai, autor e narrador, Vilas escava no passado, procurando recompor as peças, lutando para fazer presente quem já não está. Porque os laços com a família, com os que amamos, mesmo que distantes ou ausentes, são o que nos sustém, o que nos define. São esses mesmos laços que nos permitem ver, à distância do tempo, que a beleza está nos mais simples gestos quotidianos, no afecto contido, inconfessado, e até nas palavras não ditas.

Falando desde as entranhas, Vilas revela a comovente debilidade humana, ao mesmo tempo que ilumina a força única da nossa condição, a inexaurível capacidade de nos levantarmos de novo e seguirmos em frente, mesmo quando não parece possível. É desenhando um caminho de regresso aos que amamos que o amor pode salvar-nos.

Confessional, provocador, comovente, Em tudo havia beleza é uma admirável peça de literatura, em que se entrelaçam destino pessoal e colectivo, romance e autobiografia. Manuel Vilas criou um relato íntimo de perda e vida, de luto e dor, de afecto e pudor, único na sua capacidade de comover o leitor, de fazer da sua história a história de todos nós.

segunda-feira, 11 de março de 2019

O Caso Sparsholt

Autor: Alan Hollinghurst
Edição: 2018/ setembro
Páginas: 544
ISBN: 9789722065863
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Em outubro de 1940, o jovem David Sparsholt chega a Oxford. Elegante, atlético e carismático, parece não ter noção do efeito que provoca nos outros, particularmente em Evert Dax, filho solitário de um escritor célebre.

Enquanto Londres é devastada pelo Blitz, Oxford como que paira numa névoa de alheamento e incerteza, e as noites de blackout parecem encorajar e encobrir encontros que, em tempos normais, seriam impossíveis. Ao longo deste período conturbado, David e Evert forjam uma amizade improvável que vai uni-los ao longo de décadas.

Retrato magistral de um grupo de amigos unidos durante três gerações pela arte, pela literatura e pelo amor, O Caso Sparsholt explora anos cruciais do século XX, cujas consequências se estendem aos dias de hoje. Uma obra-prima pela mão de um dos mais brilhantes escritores de língua inglesa da atualidade.

A minha opinião:
Atraída pela capa belissima e a promessa de um escritor notável comprei este livro. Surpreendi-me com uma narrativa muito descritiva numa escrita exemplar em que o desejo sexual gay sobressaí, o que não me cativou por aí além, e interrompi a leitura. Não por preconceito. Afectos não distinguem género, mas não gosto de romances sem muita ação. Acabei por o tentar ler à noite em pequenas prestações bem intencionadas.

Aproximadamente a meio do livro cheguei superficialmente ao escândalo e pensei que ia desenvolver mas não aconteceu. As diversas personagens em fases distintas expõem sentimentos e percepções sem ligação aparente. E desisti de o ler.

Raras vezes deixei de ler um livro, na expectativa do que poderia perder, mas com tanto por onde escolher não vale mesmo a pena.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Tanta gente, Mariana | As palavras poupadas

A minha opinião:
Gosto de contos. Histórias pequeninas que fazem eco em nós. O que mais gosto numa história é o princípio e o fim e nos contos estes estão bem mais próximos.

Os contos de Maria Judite de Carvalho não me "chamaram"até um destes dias e agora sei porquê.

Lá fora chove e senti a solidão, o desamparo e desesperança.
Tanta Gente, Mariana. Há pessoas assim, que cedo sentem que estão sós. Que ninguém fará nada por elas. E outras desejam e deixam a vida escoar sem concretizar o sonho. Acabei por rir com A Avó Cândida. Curioso título A mãe para o conto que li a seguir. Ainda refleti sobre este e outros aspectos de que tanto gostei. A ânsia por mais dinheiro mesmo para quem tem e não tem a quem o deixar, nem tempo para o gastar ou gozar. O vazio imenso de uma mulher casada com um ser assim. Condoi-me com A menina Arminda que ainda em criança perdeu a inocência e quis amar um filho que não era seu. Noite de Natal perdeu Emilia a esperança. Desencontro não tem muito que se lhe diga. É apenas isso. O passeio de domingo marcou-me mais.

As palavras poupadas é o segundo mais longo conto deste livro e o que menos gostei. E então, cansei. Cansei de tanto sofrimento psicológico e vazio emocional. Cansei de narrativas monocromáticas. Cansei porque faltava algo que me desse animo para prosseguir a leitura e no intimo sempre soube que seriam contos magistralmente bem escritos mas amargos e eu gosto de agridoce.

Autor: Maria Judite de Carvalho
Reimpressão: 2018/ maio
Páginas: 240
ISBN: 9789898866219
Editora: Minotauro

Sinopse:
A presente coleção reúne a obra completa de Maria Judite de Carvalho, considerada uma das escritoras mais marcantes da literatura portuguesa do século XX. Herdeira do existencialismo e do nouveau roman, a sua voz é intemporal, tratando com mestria e um sentido de humor único temas fundamentais, como a solidão da vida na cidade e a angústia e o desespero espelhados no seu quotidiano anónimo.

Observadora exímia, as suas personagens convivem com o ritmo fervilhante de uma vida avassalada por multidões, permanecendo reclusas em si mesmas, separadas por um monólogo da alma infinito.

Este primeiro volume inclui as duas primeiras coletâneas de contos de Maria Judite de Carvalho: Tanta Gente, Mariana (1959) e As Palavras Poupadas (1961), Prémio Camilo Castelo Branco.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Os Enamoramentos


A minha opinião:
Adiei ler o magnifico romance de Javier Marías "Os enamoramentos" porque sabia que seria uma leitura sentida e com sentido. Uma prosa cuidade que implica ler e reler para memorizar o que bem soube exprimir. Convições e sentimentos são postos em causa com uma narrativa que trata o que concerne a morte violenta e inesperada de um homem, elemento de um casal feliz e admirado por María Dolz, num apaixonante tratado sobre a natureza humana. Percepções, anseios, luto, traição, amor, tudo é exposto a um novo olhar (de quem lê) em que se torna impossível não se rever e não ficar marcado pelas palavras do autor. Não são plavras vãs, de efeito, uma vez que várias são as passagens que nos tocam nalguma fibra sensível enquanto a narradora divaga sobre enamoramentos, numa história que funciona em espiral revelando novos contornos das personagens e da trama.

Não é uma história banal, apesar de o parecer, pelo modo como é contada. Exigente e algo densa, não creio que agrade a todos. Contudo, adorei.

Este livro impregnou-me de sentimentos. Extraordinário.


Autor: Javier Marías
Edição: 2015/ abril
Páginas: 376
ISBN: 9789898775474
Editora: Alfaguara

Sinopse:
O novo romance de um dos mais importantes e respeitados escritores espanhóis. Com obra publicada em mais de 50 países, e mais de 6 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo e distinguido com o Prémio Literário Europeu 2011.
Os Enamoramentos foi considerado o melhor romance do ano 2011 (eleito por um painel de 57 críticos literários espanhóis).
O autor aborda o mistério em torno de uma morte acidental para reflectir sobre o estado do "enamoramento", considerado quase universalmente como algo positivo, quase redentor, que tanto justifica as acções nobres e desinteressadas, como as maiores tragédias e catástrofes.

sexta-feira, 1 de março de 2019

A Casa na Praia

A minha opinião:
Nunca lera Daphne du Maurier e há algum tempo que tenho o "Rebecca". Sugeria-me uma escrita rebuscada, elaborada, repleta de descrições. Maçadora. Com "A Casa na Praia" fui surpreendida com uma escrita clara, objetiva, com descrições vivas que enquadram a ação no tempo e no espaço com facilidade e sem tédio, através de uma narrativa envolvente, intrigante, que apetece desvendar. Os nomes dos lugares/ quintas a começar por Tre é que me confundiu um pouco, mas adorei a recriação de uma época dura, com casamentos marcados entre primos, em que os donos das terras agraciados pelo rei detinham o poder.

Os saltos temporais são espantosamente bem conseguidos e a ligação entre passado e presente é antecipada com expectativa. O retrato da familia de Dick prendeu-me a atenção, mais do que o amigo Marcus.

Cornualha é um destino de encanto, depois de seguir Dick nesta alucinante viagem. O final foi outra surpresa, apesar da suspeição com aquela personagem.  Em breve, vou ler os outros romances desta talentosa escritora, agora que sei o que perco. Muito bom!

Autor: Daphne Du Maurier
Tradução: Manuela Madureira
ReEdição: 2011, novembro
Páginas: 352
ISBN: 9789722363068
Editora: Presença

Sinopse:
Dick Young vive na Cornualha, em casa do seu amigo Magnus Lane, um cientista que faz investigação química na Universidade de Londres. Dick sente-se intrigado quando Magnus lhe pede que sirva de cobaia de uma nova droga que este descobriu, mas aceita participar na experiência. a droga fá-lo viajar no tempo, transportando-o para o século XIV, no local exato onde vive: Kilmarth.

A cada viagem proporcionada pela misteriosa droga, Dick vai-se envolvendo mais profundamente nos assuntos de pessoas que morreram há seiscentos anos, enredadas numa teia de amor, ciúme e intrigas. Progressivamente, vai perdendo o controlo da sua vida o do seu próprio tempo. Quando surge a chocante notícia de que Magnus fora assassinado quando se dirigia a Kilmarth, apenas Dick se apercebe da causa aparentemente inexplicável da morte do amigo.

Mas tendo Magnus desaparecido, o que acontecerá à experiência em curso? E a Dick?

Um romance clássico notável, de um dos maiores nomes da literatura britânica.