domingo, 31 de março de 2019

A Piscina

A minha opinião:
Atraiu-me, não sei porquê. Uma história simples em que a piscina vai unir duas mulheres numa amizade improvável.
A água como terapia. Vidas comuns, que se equilibram quando nadam no lido. O lido é uma piscina ao ar livre (o que eu não sabia).
Capítulos curtos para nos dar a conhecer estas duas mulheres tão diferentes que se unem por uma causa. Rosemary tem 86 anos. Kate tem 26 (e sofre de ataques de pânico). Rosemary é viúva. Um casamento feliz, que lhe deixou muitas memórias em que o lido teve um papel central nas suas vidas. Não é apenas este casal especial. Uma pequena comunidade também vive momentos felizes nesta piscina.
Suponho que antes não o referi mas adoro um romance que se desenrole em capítulos curtos. Avança mais ligeiro e a leitura fica mais empolgante. A cada personagem, com a sua condição e circunstância um pequeno capítulo que não maça e gradualmente, num crescendo aumenta a intensidade da narrativa tornando-se viciante.
Romance terno e surpreendentemente memorável. As coisas simples importam. Esta história foi inspirada em Brixton de Londres e no sentido de comunidade que ali se vive. Encantador!

Autor: Libby Page
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 336
ISBN: 9789722535625
Editora: Bertrand

Sinopse:
Kate tem 26 anos e trabalha num pequeno jornal local no qual publica notícias insignificantes. Um dia é escolhida para escrever sobre o encerramento do Brockwll Lido, uma piscina local, ao ar livre e integrada num centro de lazer e desporto. No lido, Kate conhece Rosemary, uma viúva de 86 anos que sempre frequentou o lugar desde a sua inauguração, altura em que ainda era criança. Foi aqui que Rosemary se apaixonou pelo marido e foi aqui que sempre nadaram juntos. Quando surge um projeto para transformar o lido num complexo de apartamentos, as memórias de Rosemary e o seu mundo ficam subitamente ameaçados.

Enquanto Kate mergulha na história do lido, vai-se envolvendo simultaneamente na história de uma piscina e na vida de Rosemary, uma mulher singular. O que começa por ser uma simples reportagem, apenas com interesse local, acaba por desaguar numa surpreendente relação de amizade entre duas mulheres empenhadas no combate contra o encerramento do lido.

A Piscina é um romance encantador que capta a essência e o espírito de uma comunidade através de gerações — um conto irresistível de amor, perda e amizade.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Uma Questão de Conveniência

A minha opinião:
Quando vi este livro não percebi que era um romance. Pensei que era mais um livro de culinária. Depois, vi uma crónica sobre o mesmo e soube que tinha de o ler. Num instantinho.

Um livro fino, escrita sóbria, linguagem cuidada e desarmante. O tipo de lógica elementar para uma extraordinária crítica social. Recordou-me um outro romance "A Educação de Eleanor".

A sociedade não aceita bem a diferença. Todos têm de encaixar num padrão. Keiko era estranha. E trabalhava numa loja de conveniência. Um emprego temporário. A própria família considerava-a doente e esperava que recuperasse. E Keiko apesar de não se inquietar com as perguntas, gostava da aceitação dos outros. Durante 18 anos sentia que fazia parte de algo até que um dia alguém entrou na sua vida. 

O enredo é este. E se não fosse japonês poderia ter outro desenvolvimento. Mas, não seria especial. Ou subtil e encantador. Ou comovente e divertido. Não seria tão bom. 

Autor: Sayaka Murata
Tradução: Ruth
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 168
ISBN: 9789896168711
Editora: Gradiva

Sinopse:
Keiko foi sempre estranha - e os pais perguntam-se onde encaixará ela no mundo real. Por isso, quando a rapariga resolve ir trabalhar para uma loja de conveniência, a notícia é recebida com entusiasmo, até porque na loja ela encontra um mundo bastante previsível, que domina com a ajuda de um manual e copiando os colegas até na forma de falar.

Mas aos 36 anos é ainda na mesma loja de conveniência que trabalha, e além disso nunca teve um namorado, frustrando as expectativas da sociedade… Embora Keiko não se importe com isso, sabe que a família e os amigos estão mais ou menos desesperados. Um dia, porém, é contratado para a loja um rapaz com o qual Keiko tem algumas afinidades. Não será então aconselhável para ambos um relacionamento?

Sayaka Murata, uma das vozes mais originais e talentosas da ficção contemporânea japonesa, capta brilhantemente a atmosfera de uma loja de conveniência e satiriza as obsessões que regem a sociedade contemporânea e a pressão exercida sobre as mulheres no sentido de cumprirem expectativas alheias, com o pretexto de terem uma vida normal.

Uma Questão de Conveniência, que venceu o prémio Akutagawa e foi traduzido em mais de vinte países, é o retrato de uma heroína deliciosa que promete ser tão memorável como Amélie Poulain. 

Lealdades

A minha opinião:
Belíssima capa. Apropriada a um livro que se deve ler devagar, porque as palavras têm poder de ressoar e dar um nó cá dentro.

Acho que muitos pais, ressentidos um com o outro, deveriam ler este livro. Iriam perceber as consequências das suas palavras e dos seus actos. 

Opressivo. É essa a sensação que nos atinge com estas quatro personagens que se sentem encurraladas nas suas vidas. Hélene (vitima de maus tratos) a professora que capta o que o aluno Théo cala. O melhor Mathias, alinha num terrível esquema e Cécile, a mãe deste, que percebe que algo se passa, inquieta com um segredo tenebroso do marido. Todos eles leais e sobre esse prisma a primeira página deste livro é brilhante. Voltei a ela várias vezes.

Delphine de Vigan é uma extraordinária escritora e os seus romances não visam apenas o entretenimento. Suponho que seja o que definem como romances de intervenção. Depois de ler, nada permanece igual. Desafio alguém a ler este livro sem ficar perturbado. É uma pena, certos livros não serem mais publicitados e não terem a visibilidade ou protagonismo que merecem. 

Muito, muito, muito bom!

Autor: Delphine De Vigan
Tradução: Tiago Marques
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 168
ISBN: 9789896168711
Editora: Gradiva

Sinopse:
Este é um livro que, com profunda sensibilidade, explora mundos distantes que, afinal, têm muitos pontos em comum: a infância e a vida adulta, a autodestruição e a salvação abnegada, o sofrimento e a busca pela felicidade.

Através de uma narração caleidoscópica, Delphine de Vigan apresenta-nos o drama das relações humanas, com tudo o que estas têm de mais negro e de mais belo.

Lealdades, assente no equilíbrio de contrapontos, é um verdadeiro romance psicológico dos nossos tempos.

A Sombra do Passado

A minha opinião:
Romance clássico e intemporal. Às vezes quente e luminoso, às vezes enigmático e sombrio. Os segredos da mãe e as mentiras do pai. As origens de Addie, não reveladas durante quase quarenta anos, até que bruscamente lhe surge à porta. 

O enredo não é muito original, mas a forma como a história é contada a dois tempos, faz toda a diferença. Um bálsamo para a alma. Addie, uma doce criatura. que tudo faz para agradar e evitar o conflito, vê-se a braços com vários dilemas. 

Curioso que o livro Rebecca tenha um lugar de destaque nesta narrativa, o que me fez pensar que o devo ler o quanto antes. Duas mulheres, duas gerações, Elizabeth e Addie, ávidas leitoras. 

No final, a mensagem subliminal neste romance é que devemos sair da nossa zona de conforto, ousar mudar. Como a menina de dezasseis anos, que foi forçada a crescer. E singrou a todo o custo.

Um muito obrigado a boas amigas que me recomendaram este livro, em particular, Cristina Delgado de
o tempo entre os meus livros que o emprestou.

Autor: Nikola Scott
Tradução: Marta Pinho
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 392
ISBN: 1095579
Editora: Circulo de Leitores

Sinopse:
1958. A bela e inocente Elizabeth Holloway vai passar o verão a Hartland, uma magnífica propriedade no litoral do condado de Sussex, no Sul de Inglaterra.
Para a jovem, os Shaws são um modelo de sofisticação. Contudo, quando Elizabeth se apaixona, ninguém a avisa de que os seus sonhos são perigosamente ingénuos. Quarenta anos mais tarde, a filha de Elizabeth, Addie, encontra uma estranha à sua porta que afirma ser sua irmã gémea. Addie recusa-se a acreditar na declaração - até que o seu pai admite que as circunstâncias do seu nascimento não foram as que ela supõe.
A revelação desafia tudo o que Addie achava que sabia sobre a mulher brilhante e difícil que tinha sido a sua mãe. Agora, ela e a sua nova irmã Phoebe vão descobrir a extraordinária história de uma criança perdida, e o segredo de um verão radioso que mudou a vida de uma mulher para sempre.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Três Desejos

A minha opinião:
Adoro as personagens e os enredos de Liane Moriarty.
Apesar disso, fiquei desiludida com o último que li, "Dez anos depois", comparado com os outros dois, "O segredo do meu marido" e "Pequenas Grandes Mentiras", em que fiquei fã desta autora. A expectativa era grande, mas logo nas primeiras quarenta páginas fiquei rendida às peripécias das enérgicas trigêmeas, intrigada com a estreita ligação e as diferentes personalidades. 

No início, celebravam animadamente o aniversário num restaurante com vários clientes que as observavam sob diferentes perspetivas, quando descamba numa agressão com uma delas a atirar um garfo à outra, grávida, enquanto a terceira chama uma ambulância.

O mote para este romance está dado e vamos recuar até perceber o porquê e a quem aconteceu. O mistério é desvendado através de uma sequência de acontecimentos que interligados desencadearam esta situação que desejamos superada, uma vez que estas personagens já me tinham conquistado.

Encantada, li esta brilhante narrativa pontuada por muitos diálogos, numa escrita que parece fácil e natural, como é apanágio desta autora que eu continuo a adorar. Para além disso, temos temas de relevo como a violência oculta, traição, ataques de pânico, paternidade e laços familiares. Assuntos sérios num bem disposto romance. 

Fabulástico!


Autor: Liane Moriarty
Edição: 2019/ março
Páginas: 419
ISBN: 9789722363440
Editora: Presença

Sinopse:
Lyn, Cat e Gemma Kettle são trigémeas, têm trinta e três anos e parecem atrair a atenção de todos onde quer que se encontrem. Mas cada uma delas tem de lidar com os seus próprios problemas pessoais.

Lyn esforça-se duramente para alcançar o equilíbrio no seu papel de mãe, esposa e profissional sem perder a serenidade. Cat, cujo casamento perfeito é motivo de inveja de todos os amigos, não suspeita que o marido esconde um segredo que abalará profundamente a sua vida. E a desorientada Gemma, que muda de emprego e namorado constantemente, conheceu recentemente o homem que vai descobrir o seu passado oculto. Perante tudo isto, os laços entre as três irmãs parecem ser suficientemente fortes para resistirem aos revezes da vida.

Pelo menos... até àquela noite do jantar do seu trigésimo quarto aniversário em que as verdades de cada uma são reveladas e em que tudo parece irreversível.
Autora bestseller, publicada em 55 países, com mais de 3 milhões de exemplares vendidos. A sua obra Pequenas Grandes Mentiras foi adaptada a série pela HBO. Um romance fresco, despreocupado e muito, muito divertido.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Em Tudo Havia Beleza

A minha opinião:
Pensamentos soltos, à deriva, numa verdadeira catarse. Palavras da vida de um homem. A contemplação dos mortos. Muitos e curtos capítulos que facilitam em muito a leitura. Em tudo havia beleza.

A morte, o desamparo que ele confundia com pobreza, o envelhecimento, o divórcio e a paternidade, a saudade e o amor, numa época e numa familia classe média-baixa que não me é estranha. Curiosas particularidades que nesta demanda pela compreensão do seu passado, eu encontre paralelos com o meu.

Resgatar o passado para se reconciliar com o presente. A herança genética e a educação que, na solidão se repensa na ligação com os outros. A lei de Ordesa.

Sem filtro, sem destoar, sem intenção de brilhar, este livro tornou-se um sucesso. Não creio que seja para todos. Não sei se é uma auto-ficção, romance ou biografia, mas gostei~e li sem parar apesar de estranhar.

Autor: Manuel Vilas
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 400
ISBN: 9789896656515
Editora: Alfaguara

Sinopse:
Impelido por esta convicção, Manuel Vilas compõe, com uma voz corajosa, desencantada, poética, o relato íntimo de uma vida e de um país. Simultaneamente filho e pai, autor e narrador, Vilas escava no passado, procurando recompor as peças, lutando para fazer presente quem já não está. Porque os laços com a família, com os que amamos, mesmo que distantes ou ausentes, são o que nos sustém, o que nos define. São esses mesmos laços que nos permitem ver, à distância do tempo, que a beleza está nos mais simples gestos quotidianos, no afecto contido, inconfessado, e até nas palavras não ditas.

Falando desde as entranhas, Vilas revela a comovente debilidade humana, ao mesmo tempo que ilumina a força única da nossa condição, a inexaurível capacidade de nos levantarmos de novo e seguirmos em frente, mesmo quando não parece possível. É desenhando um caminho de regresso aos que amamos que o amor pode salvar-nos.

Confessional, provocador, comovente, Em tudo havia beleza é uma admirável peça de literatura, em que se entrelaçam destino pessoal e colectivo, romance e autobiografia. Manuel Vilas criou um relato íntimo de perda e vida, de luto e dor, de afecto e pudor, único na sua capacidade de comover o leitor, de fazer da sua história a história de todos nós.

segunda-feira, 11 de março de 2019

O Caso Sparsholt

Autor: Alan Hollinghurst
Edição: 2018/ setembro
Páginas: 544
ISBN: 9789722065863
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Em outubro de 1940, o jovem David Sparsholt chega a Oxford. Elegante, atlético e carismático, parece não ter noção do efeito que provoca nos outros, particularmente em Evert Dax, filho solitário de um escritor célebre.

Enquanto Londres é devastada pelo Blitz, Oxford como que paira numa névoa de alheamento e incerteza, e as noites de blackout parecem encorajar e encobrir encontros que, em tempos normais, seriam impossíveis. Ao longo deste período conturbado, David e Evert forjam uma amizade improvável que vai uni-los ao longo de décadas.

Retrato magistral de um grupo de amigos unidos durante três gerações pela arte, pela literatura e pelo amor, O Caso Sparsholt explora anos cruciais do século XX, cujas consequências se estendem aos dias de hoje. Uma obra-prima pela mão de um dos mais brilhantes escritores de língua inglesa da atualidade.

A minha opinião:
Atraída pela capa belissima e a promessa de um escritor notável comprei este livro. Surpreendi-me com uma narrativa muito descritiva numa escrita exemplar em que o desejo sexual gay sobressaí, o que não me cativou por aí além, e interrompi a leitura. Não por preconceito. Afectos não distinguem género, mas não gosto de romances sem muita ação. Acabei por o tentar ler à noite em pequenas prestações bem intencionadas.

Aproximadamente a meio do livro cheguei superficialmente ao escândalo e pensei que ia desenvolver mas não aconteceu. As diversas personagens em fases distintas expõem sentimentos e percepções sem ligação aparente. E desisti de o ler.

Raras vezes deixei de ler um livro, na expectativa do que poderia perder, mas com tanto por onde escolher não vale mesmo a pena.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Tanta gente, Mariana | As palavras poupadas

A minha opinião:
Gosto de contos. Histórias pequeninas que fazem eco em nós. O que mais gosto numa história é o princípio e o fim e nos contos estes estão bem mais próximos.

Os contos de Maria Judite de Carvalho não me "chamaram"até um destes dias e agora sei porquê.

Lá fora chove e senti a solidão, o desamparo e desesperança.
Tanta Gente, Mariana. Há pessoas assim, que cedo sentem que estão sós. Que ninguém fará nada por elas. E outras desejam e deixam a vida escoar sem concretizar o sonho. Acabei por rir com A Avó Cândida. Curioso título A mãe para o conto que li a seguir. Ainda refleti sobre este e outros aspectos de que tanto gostei. A ânsia por mais dinheiro mesmo para quem tem e não tem a quem o deixar, nem tempo para o gastar ou gozar. O vazio imenso de uma mulher casada com um ser assim. Condoi-me com A menina Arminda que ainda em criança perdeu a inocência e quis amar um filho que não era seu. Noite de Natal perdeu Emilia a esperança. Desencontro não tem muito que se lhe diga. É apenas isso. O passeio de domingo marcou-me mais.

As palavras poupadas é o segundo mais longo conto deste livro e o que menos gostei. E então, cansei. Cansei de tanto sofrimento psicológico e vazio emocional. Cansei de narrativas monocromáticas. Cansei porque faltava algo que me desse animo para prosseguir a leitura e no intimo sempre soube que seriam contos magistralmente bem escritos mas amargos e eu gosto de agridoce.

Autor: Maria Judite de Carvalho
Reimpressão: 2018/ maio
Páginas: 240
ISBN: 9789898866219
Editora: Minotauro

Sinopse:
A presente coleção reúne a obra completa de Maria Judite de Carvalho, considerada uma das escritoras mais marcantes da literatura portuguesa do século XX. Herdeira do existencialismo e do nouveau roman, a sua voz é intemporal, tratando com mestria e um sentido de humor único temas fundamentais, como a solidão da vida na cidade e a angústia e o desespero espelhados no seu quotidiano anónimo.

Observadora exímia, as suas personagens convivem com o ritmo fervilhante de uma vida avassalada por multidões, permanecendo reclusas em si mesmas, separadas por um monólogo da alma infinito.

Este primeiro volume inclui as duas primeiras coletâneas de contos de Maria Judite de Carvalho: Tanta Gente, Mariana (1959) e As Palavras Poupadas (1961), Prémio Camilo Castelo Branco.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Os Enamoramentos


A minha opinião:
Adiei ler o magnifico romance de Javier Marías "Os enamoramentos" porque sabia que seria uma leitura sentida e com sentido. Uma prosa cuidade que implica ler e reler para memorizar o que bem soube exprimir. Convições e sentimentos são postos em causa com uma narrativa que trata o que concerne a morte violenta e inesperada de um homem, elemento de um casal feliz e admirado por María Dolz, num apaixonante tratado sobre a natureza humana. Percepções, anseios, luto, traição, amor, tudo é exposto a um novo olhar (de quem lê) em que se torna impossível não se rever e não ficar marcado pelas palavras do autor. Não são plavras vãs, de efeito, uma vez que várias são as passagens que nos tocam nalguma fibra sensível enquanto a narradora divaga sobre enamoramentos, numa história que funciona em espiral revelando novos contornos das personagens e da trama.

Não é uma história banal, apesar de o parecer, pelo modo como é contada. Exigente e algo densa, não creio que agrade a todos. Contudo, adorei.

Este livro impregnou-me de sentimentos. Extraordinário.


Autor: Javier Marías
Edição: 2015/ abril
Páginas: 376
ISBN: 9789898775474
Editora: Alfaguara

Sinopse:
O novo romance de um dos mais importantes e respeitados escritores espanhóis. Com obra publicada em mais de 50 países, e mais de 6 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo e distinguido com o Prémio Literário Europeu 2011.
Os Enamoramentos foi considerado o melhor romance do ano 2011 (eleito por um painel de 57 críticos literários espanhóis).
O autor aborda o mistério em torno de uma morte acidental para reflectir sobre o estado do "enamoramento", considerado quase universalmente como algo positivo, quase redentor, que tanto justifica as acções nobres e desinteressadas, como as maiores tragédias e catástrofes.

sexta-feira, 1 de março de 2019

A Casa na Praia

A minha opinião:
Nunca lera Daphne du Maurier e há algum tempo que tenho o "Rebecca". Sugeria-me uma escrita rebuscada, elaborada, repleta de descrições. Maçadora. Com "A Casa na Praia" fui surpreendida com uma escrita clara, objetiva, com descrições vivas que enquadram a ação no tempo e no espaço com facilidade e sem tédio, através de uma narrativa envolvente, intrigante, que apetece desvendar. Os nomes dos lugares/ quintas a começar por Tre é que me confundiu um pouco, mas adorei a recriação de uma época dura, com casamentos marcados entre primos, em que os donos das terras agraciados pelo rei detinham o poder.

Os saltos temporais são espantosamente bem conseguidos e a ligação entre passado e presente é antecipada com expectativa. O retrato da familia de Dick prendeu-me a atenção, mais do que o amigo Marcus.

Cornualha é um destino de encanto, depois de seguir Dick nesta alucinante viagem. O final foi outra surpresa, apesar da suspeição com aquela personagem.  Em breve, vou ler os outros romances desta talentosa escritora, agora que sei o que perco. Muito bom!

Autor: Daphne Du Maurier
Tradução: Manuela Madureira
ReEdição: 2011, novembro
Páginas: 352
ISBN: 9789722363068
Editora: Presença

Sinopse:
Dick Young vive na Cornualha, em casa do seu amigo Magnus Lane, um cientista que faz investigação química na Universidade de Londres. Dick sente-se intrigado quando Magnus lhe pede que sirva de cobaia de uma nova droga que este descobriu, mas aceita participar na experiência. a droga fá-lo viajar no tempo, transportando-o para o século XIV, no local exato onde vive: Kilmarth.

A cada viagem proporcionada pela misteriosa droga, Dick vai-se envolvendo mais profundamente nos assuntos de pessoas que morreram há seiscentos anos, enredadas numa teia de amor, ciúme e intrigas. Progressivamente, vai perdendo o controlo da sua vida o do seu próprio tempo. Quando surge a chocante notícia de que Magnus fora assassinado quando se dirigia a Kilmarth, apenas Dick se apercebe da causa aparentemente inexplicável da morte do amigo.

Mas tendo Magnus desaparecido, o que acontecerá à experiência em curso? E a Dick?

Um romance clássico notável, de um dos maiores nomes da literatura britânica.