quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Voar no Quarto Escuro



A minha opinião:
Não fiquei surpreendida com a escrita apurada deste romance da Márcia mas fui apanhada pela intensidade dos sentimentos descritos. Não o li de imediato porque não me sentia preparada para a violência do que sabia capaz de exibir quando poucos o conseguem. É preciso coragem para enfrentar o que se oculta mal em muitos lares ou o que se calca no coração porque há o que proteger. Não é uma temática fácil mas presente e bem real, se estivermos atentos ao que se passa em nosso redor.

Acutilante e perverso este romance. Sentimentos e emoções fortes no sentir de várias mulheres com ligações entre si. Um mundo de pensamentos que voam no quarto escuro da mente de cada uma e fazem eco no leitor.  Solidão, culpa e amor num romance que li avidamente em poucas horas. 
Parabéns Márcia. Gostei muito. 

Autor: Márcia Balsas
Páginas: 196
Editora: Minotauro
ISBN: 9789898866646
Edição: 2019/ Agosto

Sinopse:
«Sou eu a minha prisão, agora. Até acordar cercada por grades, algures.»

Eduarda apenas sonhara em refazer a sua vida após a morte do marido, que a deixou sozinha no mundo com uma filha adolescente. Não desconfiou que essa nova casa, com um novo companheiro, a conduziria a uma vida de violência, destinada ao esquecimento. Anos de submissão encaminham-na para uma noite de tempestade.

Este é o momento em que as paisagens tão dissonantes da vida de seis mulheres se entrelaçam de uma forma inegável, numa demanda pelo significado da vida. Mães, filhas, amigas, amantes, casas devastadas pela dúvida e pela loucura - todas obrigadas a enfrentar o medo de voar no quarto escuro.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Nove Perfeitos Desconhecidos


A minha opinião:
O que me passou pela cabeça quando vi o título deste livro é que seria um quebra cabeças com nove personagens reclusas numa casa para um concurso televisivo. Estava parcialmente equivocada porque estão juntas num retiro terapêutico. Não procuram lucrar mas antes recuperar. Todos têm algo a contar. E todos têm voz que usam à vez. 

Na verdade, não são nove mas onze personagens. As histórias pessoais de cada um determinam o seu comportamento e ao longo da narrativa vamos sendo surpreendidos. Algumas revelações são difíceis de processar. E o final é brilhante. 

E mais não conto... mas continuo a admirar os enredos puzzle e as personagens incriveis que Liane consegue criar. 

A não perder!

Autor: Liane Moriarty
Páginas: 496
Editora: Edições Asa
ISBN: 9789892345888
Edição: 2019/ Agosto

Sinopse:
Se alguém lhe garantisse uma transformação total em apenas 10 dias, você aceitava?
Nove pessoas aceitam. Os seus motivos são diferentes mas todas embarcam num retiro de luxo. Esperam massagens, meditação e dieta detox. Estão longe de imaginar o desafio que têm pela frente.

Frances Welty é uma escritora bestseller em plena crise de inspiração (entre outras). Quer recuperar a alegria de viver.
Ben e Jessica ganharam 22 milhões de dólares na lotaria. Já não lutam para esticar o dinheiro até ao fim do mês mas passaram a lutar um com o outro. Querem salvar a sua relação.
Napoleon, Heather e Zoe sofreram uma tragédia familiar. Querem perdoar-se a si mesmos e reencontrar a paz (possível).
Tony é um ex-jogador de futebol que perdeu aquilo que mais amava.
Carmel é uma mãe (exausta) de quatro filhos que foi trocada por uma mulher mais nova.
Lars é um advogado gay que se debate com um dilema impossível…

Será que estas nove pessoas vão encontrar a solução para os seus problemas?
Ou será melhor fugirem enquanto podem?

É que Masha, a diretora do retiro, tem para os seus clientes um plano que nenhum deles conhece… 

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

A Agenda Vermelha



A minha opinião:
Simples. A agenda vermelha. Passa despercebido. O que é uma pena porque é um livro encantador. Doris escreveu para reunir as suas memórias, criar uma panorâmica geral da sua vida, o que faz deste romance uma espécie de diário. E é bom viajar  no tempo à boleia de uma grande senhora e conhecer a sua vida e o mundo pelos seus olhos. Doris fez o suficiente. 

A velhice e a solidão. Acho que nos esquecemos de reflectir sobre isso até nos tocar próximo e na relação de Doris com a sobrinha-neta, bem como com as cuidadoras e enfermeiras temos noção da importância do carinho e do respeito. Um romance que nos liga à vida. Um romance que nos faz reavaliar o que e quem nos rodeia. 

Continuo a ler romances nórdicos mas de géneros e estilos muito diferentes. Escrevem bem e conseguem ser arrojados e criativos. Este romance de estreia não é um romance cor-de-rosa. Não há finais felizes, ainda assim tem um final surpreendente e apaziguador. Gostei muito. 

Autor: Sofia Lundberg
Páginas: 320
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03228-7
Edição: 2019/ Setembro

Sinopse:
Doris pode ter noventa e seis anos e morar sozinha em Estocolmo, mas tal não significa que não continue ligada ao mundo. Todas as semanas, aguarda ansiosamente o telefonema por Skype com Jenny, a sobrinha-neta americana que é, simultaneamente, a sua única parente. As conversas com a jovem mãe levam-na de volta à sua própria juventude e tornam mais suportável a iminência da morte, que Doris sente a rondá-la. De uma forma muitíssimo lúcida, escolhe, de entre as inúmeras memórias que uma vida longa carrega, as que estão relacionadas com aqueles que conheceu e amou e cujo nome inscreveu numa pequena agenda vermelha.

As histórias desse passado colorido – o amor platónico pelo pintor modernista Gösta Adrian-Nilsson; o trabalho como manequim de alta-costura em Paris, na década de 1930; a fuga clandestina num barco que é bombardeado pelos soldados alemães do III Reich, no auge da Segunda Guerra Mundial – recriam uma existência plena que, embora se aproxime do derradeiro final, não está isenta de surpresas: um lembrete agridoce de que, na vida, os finais felizes não são apenas ficção.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

1793

A minha opinião:
Mais um romance nórdico. Desta vez, um thriller histórico. Sombrio e sórdido, representativo do ano 1793, com protagonistas marcados pela guerra e pela doença e ainda assim carismáticos.

A letra miudinha dificulta a leitura. Os nomes são difíceis de fixar. O lado engro da trama também não facilita. Uma narrativa crua e cinematográfica que tanta fascina como perturba.

Um crime horrendo num cenário de terror ou não fosse a existência dos mais fracos e pobres sujeitas às piores barbáries.  Descobrir quem é a vitima e o responsável é o objetivo da policia e dos marcados Cecil Winge e Mikel Cardell, a dupla de protagonistas 

Na segunda e terceira parte dois novos infortunados protagonistas prendem a minha atenção e fico em suspense. Kristofer Bliss e Anna Stina.

Li impressionada a estreia de Niklas com uma escrita forte e segura, num cenário bem construído e com personagens que parecem sobrehumanas se não fossem tão profundamente desenvolvidas. Gostei muito.

Autor: Niklas Natt Och Dag
Páginas: 352
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9789896657925
Edição: 2019/ Julho

Sinopse:
No seu romance de estreia, 1793, Niklas Natt och Dag pinta um retrato convincente do final do século XVIII em Estocolmo. Através dos olhos dos diferentes narradores, o verniz em pó e a pintura da época são retirados para revelar a realidade assustadora, mas fascinante, escondida além dos factos secos dos textos de História.

Com um pé firmemente cravado na tradição literária e outro na literatura de suspense, Natt och Dag cria um género inteiramente novo de thriller histórico sugestivo e realista. Retrata a capacidade de se ser cruel em nome da sobrevivência ou da ganância — mas também a capacidade para o amor, a amizade e o desejo de um mundo melhor.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Mentiras Consentidas - Série Sebastian Bergman

A minha opinião:
Sebastian Bergman é o protagonista, sobejamente conhecido para quem gosta de thrillers policiais e segue esta série que já vai no sexto livro. Não é o único que se destaca porque toda a equipa em interação sobressai para tornar as investigações verdadeiramente empolgantes e carregadas de suspense. 
O interessante é o lado humano de cada um dos membros que carregam a sua própria bagagem emocional e que peso tem. Daí o compromisso de lr por ordem para acompanhar o desenvolvimento das personagens e o estágio em que se encontram. E é tão viciante como uma novela que não conseguimos parar de assistir até conhecer o desfecho. 
Quinhentas e tal páginas de adrenalina e no final ficamos a arfar, impacientes para ler o próximo livro, dado o enredo genial que se antecipa.

Desta vez procuram um violador em série e um assassino quando uma das vitimas morre. Poucos crimes afetavam a sociedade daquela maneira em que aterrorizava metade da população. Desde que se fosse mulher , qualquer uma, podia ser a próxima vitima. Ou não?! 
Muito bom!

Autor: Hjorth e Rosenfeldt
Páginas: 528
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9789896658762
Edição: 2019/ Setembro

Sinopse:
Os dias de Sebastian Bergman na Unidade de Homicídios terminaram e agora passa o tempo a dar palestras e a escrever livros. Após os eventos do caso de "A menina silenciosa", não tem notícias da sua filha Vanja há meses e a única pessoa com quem tem contato esporádico é Úrsula.

Vanja também não está na Unidade: agora trabalha como investigadora criminal em Uppsala. Desde o mês passado, está a investigar uma série de agressões contra mulheres. Quando uma das vítimas morre, a Unidade de Homicídios assumirá o caso e, muito em breve, também Sebastian Bergman.

Reunida, a equipa deve deixar de lado os seus problemas pessoais e conflitos para capturar o violador brutal que continua a assustar Uppsala. Tudo fica complicado quando as pistas indicam que as vítimas não foram selecionadas aleatoriamente. Mas qual é a ligação entre elas?

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Olga

A minha opinião:
Olga. A sua história e a História da Alemanha de boa parte do Sec. XX. A escrita simples, extraordináriamente eficaz define esta mulher forte, arguta, de pensamento livre, tornando-a inesquecível, sem ser nada de especial aos olhos do mundo de hoje. Os homens que amou buscavam a vastidão sem fim.

Contemplativa e muito pobre, cedo ficou orfã. A amizade com Herbert transformou-se num amor profundo e duradouro, com frequentes e longas ausências dele, perseguidos por preconceitos. 

Olga é o retrato de uma geração. Uma vida comum com o fascinio do passado recente. Esperava drama e encontrei amor. Esperava vertigem e encontrei intensidade. Esperava feitos heróicos e econtrei bom senso. Esperava que fosse pouco e é muito. Impactante.

Autor: Bernhard Schlink
Páginas: 272
Editora: Edições Asa
ISBN: 9789892345529
Edição: 2019/ Junho

Sinopse:
Na viragem do século XIX, Olga vive com a avó numa aldeia a leste do império alemão. Órfã e habituada a uma vida dura, tem no inquieto Herbert o seu único companheiro de brincadeiras. Herbert é oriundo de uma família abastada e tem o seu futuro planeado há muito; nele não se inclui uma mulher sem berço e sem meios. No entanto, os dois apaixonam-se e resistem, alimentando a ligação em encontros secretos e desesperados. Até que Herbert decide tomar as rédeas do seu destino num ato de insubordinação que, mais uma vez, não inclui Olga. Vítima da febre expansionista alemã, o jovem decide partir à aventura - primeiro em África e depois numa expedição ao Pólo Norte, da qual não regressará. O tempo passa, mas Olga nunca para de escrever a Herbert, no Ártico, vertendo sobre o papel o seu amor e a sua fúria pelo sacrifício feito em nome da pátria.
Anos mais tarde, Olga conta a sua história. É a história de uma mulher forte, apaixonada e em colisão com os preconceitos do seu tempo.

Com a nostalgia e a mestria que lhe são características, Bernhard Schlink fala-nos da alma alemã e das vicissitudes de um amor interrompido pela ambição de uma nação. E apresenta-nos a Olga, uma figura literária inesquecível.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

A Menina que Roubava Morangos

A minha opinião:
Da Série Chocolate, li un ou outro livro mas é fácil recordar as histórias de Vianne Rocher (que associo a Juliette Binoche do filme Chocolate) e da sua filha de verão - Anouk, bem como interessar-me e muito pela sua filha de inverno - Rosette. A menina que roubava morangos. A menina que herdou o bosque onde os colhia. A menina que não gostava de falar e se manifestava por gestos ou sons de animais. 

Três narradores e uma missiva epistolar como quarto narrador. A magia na arte de preparar o chocolate, o que me deixa as papilas gustativas aos saltos, num romance místico, com muitas metáforas, analogias e hipérboles. 
Maravilhoso até... meio. Depois, cansou-me. A rivalidade com Morgana não tornou a trama mais empolgante e a intriga na pequena vila entrou num impassse até próximo do fim quando fechou com chave de ouro. 

O amor e o temor de perder. A liberdade no apelo do vento.

Autor: Joanne Harris
Páginas: 376
Editora: Edições Asa
ISBN: 9789892345727
Edição: 2009/ Julho

Sinopse:
O coração de Vianne Rocher, a encantadora e inquieta maga do chocolate, parece ter finalmente serenado. A vila de Lansquenet-sous-Tannes, que em tempos a rejeitou, é agora o seu lar. Com a filha mais velha, Anouk, a viver em Paris, Vianne dedica-se por inteiro à chocolaterie e a Rosette, a filha mais nova, a sua menina "especial". A acompanhá-las estão os seus amigos do rio, os extravagantes vizinhos, e o circunspecto padre Reynaud. Mas o vento, quando sopra, traz sempre mudanças… E estas começam com a morte de Narcisse, o temperamental florista. A vila fica em alvoroço pois Narcisse deixa não só uma surpreendente herança a Rosette, mas também uma inesperada confissão.

Nada voltará a ser como dantes. E quando uma loja nova abre onde antes se dispunham as magníficas flores de Narcisse, tudo parece um prenúncio de algo: um confronto, alguma turbulência, ou talvez até… um crime? Conseguirá Vianne impedir que o vento leve tudo o que lhe é mais querido?

Há magia no ar. Há luz e sombra. Vingança e amor. Vinte anos depois da publicação de Chocolate, Joanne Harris regressa à pitoresca vila francesa num romance sobre a força do passado, o poder da memória e a aceitação das marcas que a vida deixa em nós.