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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

O Retorno

A minha opinião:
Muita gente já leu este livro e eu há muito que o tinha por ler. Sabia que era sobre os Retornados, um termo que definiu os portugueses que tiveram que regressar das ex-colónias, muitos deles em fuga, sem nada ou quase nada trazer. Histórias que ouvi, de boca em boca. 

Rui é o adolescente que conta a história da sua família. Brilhante. A mente jovem é observadora, analítica e critíca. Nada fica por dizer numa escrita irreprensível e extraordinária. Uma espécie de ladaínha. Afinal, Rui pensa e sente muitas coisas ao mesmo tempo. 

A vida de antes quando o retorno era já uma certeza que adiaram concretizar. As ilusões, a cabeça fraca da mãe, a prisão do pai, a fuga, as condições em que foram instalados à espera, a hipocrisia dos parentes, o preconceito e o receio que o retorno deles tirasse mais do pouco que tinham da metrópole. Rui era um jovem que num ano de espera se tornou um homem. 

Todos os que já leram sabem, este é um romance cinco estrelas. 

Autor: Dulce Maria Cardoso
Páginas: 276
Editora: Edições Asa
ISBN: 9789896711160
Edição: 2012/ março

Sinopse:
Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para alunos do Ensino Secundário, como sugestão de leitura. Também recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

1975, Luanda. A descolonização instiga ódios e guerras. Os brancos debandam e em poucos meses chegam a Portugal mais de meio milhão de pessoas. O processo revolucionário está no seu auge e os retornados são recebidos com desconfiança e hostilidade. Muitos nao têm para onde ir nem do que viver. Rui tem quinze anos e é um deles. 1975. Lisboa. Durante mais de um ano, Rui e a família vivem num quarto de um hotel de 5 estrelas a abarrotar de retornados — um improvável purgatório sem salvação garantida que se degrada de dia para dia. A adolescência torna-se uma espera assustada pela idade adulta: aprender o desespero e a raiva, reaprender o amor, inventar a esperança. África sempre presente mas cada vez mais longe.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Eliete

Autor: Dulce Maria Cardoso
Edição: 2018/ novembro
Páginas: 308
ISBN: 9789896714581
Editora: Tinta da China

Sinopse:
Novo romance de Dulce Maria Cardoso, sete anos depois do estrondoso sucesso de O Retorno, o livro que pôs Portugal a falar pela primeira vez sobre os retornados, o maior tabu da sua história recente.

Eliete é um romance construído em torno da protagonista homónima, e é o seu mundo que Dulce Maria Cardoso apresenta agora aos leitores. Estar a meio da vida é como estar a meio de uma ponte suspensa, qualquer brisa a balança. A vida da Eliete vai a meio e, como se isso não bastasse, aproxima-se um vendaval.

Mas este é ainda o tempo que será recordado como sendo já terrivelmente estranho, apesar de ninguém dar conta disso. Porque tudo parece normal. Deus está ausente ou em trabalhos clandestinos. De tempos a tempos, a Pátria acorda em erupções festivas, mas lá se vai diluindo. E a Família?


A minha opinião:
Adoro os livros da Tinta da China. Bonitos, jeitosinhos e com fitinha marcador. Um mimo!

Eliete é um nome estranho, não é banal, apesar disso esta mulher nada tem de extraordinário e muito em comum com outras da mesma faixa etária que acumularam memórias e sentir. 

A escrita de Dulce Maria Cardoso e a narrativa na primeira pessoa, merecem uma leitura atenta. Não sei se para todos porque as vozes são maioritáriamente femininas. 

Eliete é a protagonista. Casada, duas filhas adultas e uma profissão irrelevante, sente-se só e mal amada. A avó marca uma viragem quando tem um surto e é hospitalizada. A mãe e as filhas Márcia e Inês são personagens de fundo com pouco relevo, mas impactantes no percurso de Eliete, assim como a amiga Milena. Mulheres sem presença masculina forte, com exceção da avó que viveu com o Sr. Pereira. O final do campeonato europeu de futebol em 2016 é outro acontecimento marcante na existência desta mulher que decide agir em sigilo e ... mudar. 

Poderia ser aborrecido ou mais um romance de uma mulher de meia idade insatisfeita neste Portugal pequenino de clima ameno e brandos costumes, mas a inteligência emocional e a sensibilidade de Eliete tornam este romance empolgante e viciante, que dá que pensar e recordar. Continua...

Imperdível.

domingo, 6 de novembro de 2016

Uma Dor tão Desigual

Autor: Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso, Gonçalo M. Tavares, Joel Neto, Maria Teresa Horta, Nuno Camarneiro, Patrícia Reis, Richard Zimler
Edição: 2016/ setembro
Páginas: 200
ISBN: 9789724751139
Editora: Teorema

Sinopse:
Este livro resulta de um desafio feito a oito autores portugueses para que explorassem as fronteiras múltiplas e ténues que definem a saúde psicológica e o que dela nos afasta. Em estilos muito diferentes, um leque extraordinário de escritores brinda-nos com textos que mostram como qualquer um de nós pode viver momentos difíceis e precisar de ajuda.
Estas são histórias de perda, solidão, fraqueza e delírio, mas também de esperança e humanidade. São relatos de gente que podíamos conhecer e talvez conheçamos, histórias íntimas e ricas de homens e mulheres como nós.
A área da saúde psicológica está ainda sujeita a muitos preconceitos, que dificultam a procura de ajuda profissional e estigmatizam quem sofre. Pretende-se com este livro combater esses preconceitos, despertar consciências e ajudar a encontrar uma saída.

A minha opinião: 
Gosto de contos. São curtos, concisos e diretos. Ou seja, estórias pequeninas, sem muitos detalhes que não façam diferença, em que rapidamente chegamos à mensagem que estava na mente do autor, ou não, porque cada leitor foca aspectos que mais lhe interessam.   

Estes contos são relevantes pela temática que abordam. E foi justamente isso que me chamou a atenção.  Isso e o conjunto de autores convidados para este desafio, que do meu ponto de vista foi superado com exito.  

Pode-se gostar mais de um ou de outro dos oito contos que aqui se apresentam,  mas todos foram bem conseguidos. Criativos e muito bem escritos como seria de se esperar. Todos focam problemas distintos e tocam-nos porque já os conhecemos através de amigos, familiares ou meras versões verbais bem menos imaginativas e mais assustadoras. Provavelmente, em algum momento das nossas vidas sentimos a necessidade de ajuda ou de compreensão para situações assim que fugiram do nosso controle. 

Se não, não deixem de ler como um  breve interlúdio que não se deve dispensar pelo muito que nos faz sentir e reflectir.  Uma dor tão desigual. Um prazer de ler!