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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Britt-Marie esteve aqui

A minha opinião:
Britt-Marie é uma mulher peculiar. Rígida e digna. E no entanto, é uma mulher comum. Uma mulher de sessenta e três anos que durante quarenta anos trabalhou em prol da familia e acaba só. Quer um emprego. Quer que saibam que ela está aqui.

É inevitável lembrar-me da rezinguisse do Ove. Uma personagem com um coração de ouro que eu amei. Como gosto da Britt-Marie. Às tantas, fico de perdida de riso com as situações que ela preconiza e de coração apertado com o que sei. Perdida ela limpa. Ha? E todos sabem que ela esteve aqui. 

Este romance é impróprio para cardiacos. Todas as personagens contam e marcam num romance tão extraordinário como a vida. 

A minha perfeita prenda de Natal. 

Autor: Fredrik Backman
Páginas: 304
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03244-7
Edição: 2019/ Novembro

Sinopse:
Não é que Britt-Marie seja uma pessoa crítica, exigente ou difícil - ela apenas espera que as coisas sejam feitas de uma determinada forma. Uma gaveta de talheres desarrumada está no topo da sua lista de pecados imperdoáveis. Os seus dias começam, impreterivelmente, às seis da manhã, porque apenas os lunáticos acordam mais tarde do que essa hora. E não é passivo-agressiva. De modo nenhum. As pessoas é que, às vezes, interpretam as suas sugestões úteis como críticas, o que não é, de todo, a sua intenção. Afinal, Britt-Marie não é alguém que julgue os outros, não importa o quão mal-educados, desleixados ou moralmente suspeitos possam ser.
Quando Britt-Marie descobre que Kent, o marido, lhe é infiel, a sua vida perfeitamente organizada, de repente, desorganiza-se. Tendo de passar a sustentar-se sozinha, arranja um emprego temporário como zeladora do centro recreativo de Borg. Nessa posição, a exigente Britt-Marie tem de lidar com muita sujidade, eletrodomésticos temperamentais, indisciplina a rodos e até uma ratazana como companheira. Britt-Marie vê-se então arrancada da sua zona de conforto e arrastada para a vida dos seus concidadãos de Borg, uma estranha mistura de seres desesperados, canalhas, bêbedos e vagabundos, sendo incumbida da impossível tarefa de levar a equipa de futebol local, composta por várias crianças sem qualquer tipo de talento para acertar numa bola, à vitória. E, quando um dia Kent aparece a pedir-lhe desculpa, ela tem de decidir, de uma vez por todas, o que realmente deseja da vida. Nesta pequena localidade de gente inadaptada, pode Britt-Marie encontrar o lugar a que realmente pertence?
Engraçado e comovente, perspicaz e humano, Britt-Marie esteve aqui celebra as amizades inesperadas que nos mudam para sempre e o poder do mais gentil dos espíritos, para tornar o mundo um lugar melhor.

terça-feira, 24 de abril de 2018

A minha avó pede desculpa

Autor: Fredrik Backman
Edição: 2018/ março
Páginas: 336
ISBN: 978-972-0-03069-6
Tradutor: Elsa T. S. Vieira
Editora: Porto Editora

Sinopse:

Elsa tem sete anos de idade, quase oito, e é diferente. Para já, tem como melhor - e única - amiga a avó de setenta e sete anos de idade, que é doida: não levemente taralhoca, mas doida varrida a sério, capaz de se pôr à varanda a tentar atingir pessoas que querem falar sobre Jesus com uma arma de paintball, ou assaltar um jardim zoológico porque a neta está triste. Todas as noites, Elsa refugia-se nas histórias da Avozinha, cujo cenário é o reino de Miamas, na Terra-de-Quase-Acordar, um reino mágico onde o normal é ser diferente.

Quando a Avozinha morre de repente e deixa uma série de cartas a pedir desculpa às pessoas que prejudicou, tem início a maior aventura de Elsa. As cartas levam-na a descobrir o que se esconde por detrás das vidas de cada um dos estranhíssimos moradores de um prédio muito especial, mas também à verdade sobre contos de fadas, reinos encantados e a forma como as escolhas do passado de uma mulher ímpar criam raízes no futuro dos que a conheceram.

A minha avó pede desculpa é uma belíssima história, contada com o mesmo sentido de humor e a mesma emoção que o romance de estreia de Fredrik Backman, o bestseller internacional Um homem chamado Ove.

A minha opinião:
Quando vi este livro reconheci o autor de Um Homem Chamado Ove. Um excelente cartão de visita para este novo livro para quem já o leu. Daí, a pedir este livro emprestado à minha boa amiga Cristina foi um instantinho e logo o recebi dado o entusiasmo que ambas partilhamos por esta escrita fantasiosa  baseada na realidade. 

"Todas as crianças de sete anos merecem ter os seus super-heróis e um dos superpoderes dos herois devia ser nunca ter cancro." (pag.27)

A avóznha é a melhor amiga de Elsa, uma criança inteligente e perspicaz, que através de vários contos de fadas lhe dá a conhecer o mundo e os que a rodeiam no que define como "castelo", que não é nada mais nada menos do que o pequeno prédio onde habitam e em que todos os inquilinos são personagens. Um mundo de encantar, sem perder o pé no real e nos múltiplos problemas do dia-a-dia. Morte, perda, sofrimento, solidão, perseguição, traumas, tudo tem o seu lugar sem perder a beleza e a leveza, numa narrativa que sem ser exaustiva é muito completa e abrangente. Ao alcance do entendimento de uma criança. 

"Porque nem todos os monstros eram monstros, a princípio. Alguns são monstros nascidos da dor." (pag.118)

A relação desta avó tão especial com esta criança tão peculiar, tão diferentes e tão iguais a tantas outras que muito se amam, é o tema principal deste romance. Mas o protagonistmo desta avó não se encerra na relação com a neta. Os superpoderes desta avó vão sendo desvendados ao longo da trama e a admiração e o espanto confortam o leitor como só um bom romance o consegue. 

"A avózinha de Elsa vivia num ritmo diferente das outras pessoas. Funcionava de forma diferente. Num mundo real, em comparação com tudo o que funcionava, ela era caótica. Porém, quando o mundo real se desmorona, quando tudo se transforma em caos, as pessoas como a avózinha de Elsa podem ser as únicas que se mantêm funcionais." (pag.123)

Talvez por a expetativa ser muito alta não me deslumbrou como esperava.Ainda assim é um romance que merece muito ser lido para descobrir o tanto que se esconde nas "entrelinhas". Ternura que se manifesta na capa e extravassa ao longo de todo a estória. 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Um Homem Chamado Ove

Autor: Fredrik Backman
Edição: 2016/ maio
Páginas: 312
ISBN: 978-972-23-5825-5
Editora: Editorial Presença

Sinopse: 
À primeira vista, Ove é o homem mais rabugento do mundo. Sempre foi assim, mas piorou desde a morte da mulher, que ele adorava. Agora que foi despedido, Ove decide suicidar-se.

Mal sabe ele as peripécias em que se vai meter.

Um jovem casal recém-chegado destrói-lhe a caixa de correio, o seu amigo mais antigo está prestes a ser internado a contragosto num lar, e um gato vadio dá-se a conhecer. 

Ove vê-se obrigado a adiar o fim para ajudar a resolver, muito contrariado, uma série de pequenas e grandes crises.

Um Homem Chamado Ove é um livro simultaneamente hilariante e encantador. Fala-nos deamizades inesperadas e do impacto profundo que podemos ter na vida dos outros.

A minha opinião:
Possivelmente a minha melhor leitura deste verão. E quão inesperado pode ser, quando um pequeno e singelo livro, enreda de tal modo, que tudo e todos os que nos rodeiam ficam em segundo plano, enquanto se acompanha as peripécias das personagens que lidam com o mau feitio de Ove, e ganham vida. Ove, esse, vai direitinho ao coração.

Ove é um homem extraordinário sem o desejar. Taciturno e habilidoso, raramente mostra sentimentos que o seu coração demasiado grande e a sua rabugice oculta, mas quando os princípios porque se rege são questionados, tem de agir. E quando decide ir ao encontro da sua Sonja, porque sente muito a sua falta, depois de ser dispensado do emprego, uma iraniana Grávida de um Esgalgado e as suas duas filhas pequenas mudam-se para a casa do lado, e a sua vida muda. Nem o Gato que não queria fica aos seus cuidados.

Como leitora, passei boa parte do tempo perdida de riso e outro tanto comovida com a generosidade e o desapego de tais personagens. Claro, que o mérito é do autor que consegue imprimir uma autenticidade e vivacidade à narrativa (que nada deixa por contar sobre Ove) que se lê com muito gozo e algum suspense, enquanto se torce por um desfecho favorável às personagens que acarinhamos. 

Há romances assim, que nos pegam desprevenidos e nos conquistam o coração. E são sempre as coisas mais simples como seguir o que parece certo que o conseguem plenamente, com o impacto que isso tem na vida dos outros.

Um prazer de ler!