quarta-feira, 22 de julho de 2015

Uma Casa no Campo

Autor: Elizabeth Adler
Edição: 2014/ julhol
Páginas: 376
ISBN: 9789897261268
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
Issy, de quinze anos, e a mãe, recentemente divorciada, lutam por encontrar o seu caminho e o seu lugar na vida, sozinhas e em conjunto.
Aos trinta e oito anos, com pouco dinheiro e a braços com todas as responsabilidades, Caroline tenta reconciliar-se com a nova situação em que se encontra. Ao decidir deixar para trás a desafogada vida que levava em Singapura (bem como o seu infiel marido e a amante de longa data), acaba a viver no pub de uma aldeia inglesa, trabalhando como chef para ganhar a vida, conhecendo as pessoas mais pitorescas da zona e fazendo amigos.

Porém, Issy adora o pai e secretamente culpa a mãe pela reviravolta operada na sua vida. Ao mesmo tempo que o sonho de Caroline de converter um velho celeiro num restaurante começa a tomar forma, a sua oportunidade de ser feliz é posta em causa por rumores de vingança e homicídio. Quando Issy, a meio caminho entre a adolescência e a idade adulta, começa a fazer algumas escolhas arriscadas, a situação complica-se ainda mais.

A minha opinião:
Não me vou alongar muito, no meu comentário a este romance lançado há um ano. Um romance típico de Elizabeth Adler. 

Singela estória, bem contada, com intriga, crime e romance. Muito agradável e "terapêutico", mas sem grandes exigências ou expectativas. 

Do que recordo, pensei num outro romance desta autora, "Casamento em Veneza", pelo crime e pela ligação das personagens à Ásia.   

O crime rapidamente desvendado, não é de todo o mais importante nesta trama. Algum suspense, mas pouco. O mais relevante é a crescente relação de cumplicidade e estima entre mãe e filha num novo recomeço. Novos amigos e novo ambiente, com várias dificuldades a superar, e muito para descobrir sobre elas próprias, numa narrativa fluída e despretensiosa. Para entreter.  

domingo, 12 de julho de 2015

A Última Dança de Charlot

Autor: Fabio Stassi
Edição: 2015/ abril
Páginas: 256
ISBN: 9789722529600
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
Tal como uma vidente previu, na noite de Natal dos seus 82 anos, a morte vai ao encontro de Charlie Chaplin para o levar consigo. Mas o seu filho mais novo, Christopher, ainda é muito pequeno e o ator quer vê-lo crescer mais um pouco. Faz então um pacto com a Morte: se conseguir fazê-la rir, viverá mais um ano. 
Na sua longa carta de despedida ao filho, enquanto espera por mais um Natal, Chaplin vai contando a surpreendente história da sua vida e das figuras improváveis com quem se cruzou.

Das suas origens humildes em Londres, passando pelo abandono do pai, a doença mental da mãe, o primeiro emprego no circo até à chegada à América. Ardina, tipógrafo, pugilista, realizador de cinema, cada passo contribui para o nascimento de Charlot.

A minha opinião:
"O desejo é o tema da vida.(...)
"Simplesmente, sem desejo nunca houve vida, para mim. Dir.me-ão que são os dramas do sexo que moldam a personalidade. (...) 
Porem, há algum tempo, amiúde dou por mim a pensar, que é sempre o desejo de alguém ou de alguma coisa que origina toda a estupidez, a vulgaridade, a crueldade e o infantilismo dos seres humanos. O desejo tornou-me muitas vezes ridículo, não apenas aos olhos do mundo, como também aos meus, tornou-me surdo, e idiota, expôs-me ao perigo. (...) A hipocrisia quer que não se fale disso, mas é a força mais poderosa que há e ninguém está a salvo dela, em qualquer idade."  (pag. 236/7)

Um pequeno livro sobre o extraordinário percurso e a incrível sorte de Charlie Chaplin, o vagabundo. A ultima dança de Charlot foi negociar com a Morte, conhecido de outros tempos, e assim inicia a narrativa com essa interacção trágico-cómica, que desencadeia uma longa carta ao filho Christopher, onde tudo revela sobre a sua longa vida.

Leitura pausada e ritmada mas eloquente  e enérgica,  que nos puxa para a introspecção e reflexão sobre um tempo em que o cinema começava e em que Charlie na sua roupa desalinhada começava uma longa viagem solitária dando a volta à América entre gente que vivia de expedientes, ou que não vivia de todo, no coração de uma humanidade alheada, excêntrica e miserável. Quão distantes estamos agora?  

sábado, 11 de julho de 2015

Fim de Semana Inesquecível

Autor: Veronica Henry
Edição: 2015/ maio
Páginas: 376
ISBN: 9789897412684
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
Três dias podem tornar-se as férias de uma vida. Segredos. Mentiras. Escândalos.
Num belíssimo hotel da Cornualha, o fim de semana grande está apenas a começar... Claire Marlowe é dona do Townhouse by the Sea juntamente com Luca, o carismático chef. Ela assegura-se de que tudo corre bem - até que um hóspede inesperado faz o check-in e vira todo o seu mundo do avesso.

O resto dos hóspedes chega também com os seus problemas: há um casal à procura de distração de uma tragédia familiar; um homem que tenta remediar um caso amoroso que lamenta amargamente... e a jovem que pensa que aquela povoação pode ser a chave para o seu passado. Temos assuntos do coração, segredos, mentiras e escândalos - tudo embrulhado num longo fim de semana quente.

A minha opinião:
As cores e a paisagem da capa sugerem o que o titulo define. Um romance sobre um fim de semana inesquecível. O imediatismo e intensidade de um fim de semana passado num sitio belo e novo, o gosto picante da descoberta com tudo o que se puder explorar e desfrutar num curto período de tempo. Um romance que nos transporta para um hotel de cinco estrelas numa vila à beira mar, com a sensação dum pequeno paraíso. Personagens tão fantásticas e bem caracterizadas que, gostamos de acompanhar os seus sentimentos mais inquietantes, enquanto se confrontam com segredos que se tornam problemas, e os deixam vulneráveis.

Sem nenhum destaque particular, todas as personagens são acarinhadas pelo leitor durante este fim de semana especial em que tudo se revela e se resolve, numa narrativa segura e bem delineada que nos deixa em suspense enquanto torcemos pelo bom desfecho para todos os envolvidos. Um verdadeiro turn-page em que o amor marca presença como qualquer romance que nos predispõe a acreditar num sonho possível.

Veronica Henry - uma referencia neste género de leitura que tanto aprecio. 

domingo, 5 de julho de 2015

Cinco Dias de Vida

Autor: Julie Lawson Timmer
Edição: 2015/ janeiro
Páginas: 416
ISBN: 9789892328898
Editora: ASA

Sinopse:
Mara é uma advogada de sucesso, tem um casamento feliz, é uma mãe dedicada. Tem, também, uma doença devastadora que esconde do marido e da filha pequena. Ama-os demasiado para aceitar ser um fardo para eles. E tudo corre bem durante alguns anos. São anos maravilhosos mas sobre os quais paira a sombra da sua decisão aquando do diagnóstico: viverá enquanto puder manter-se digna. Agora que o seu corpo está finalmente a ceder, Mara estabelece um doloroso prazo: dentro de cinco dias, acabará com a sua própria vida.

A mais de mil quilómetros de distância, Scott tem também apenas cinco dias para cuidar de Curtis, um menino que acolheu em sua casa e que será agora novamente entregue à mãe, que está prestes a terminar uma pena de prisão. Foi com Scott que Curtis conheceu a estabilidade e o amor e desfrutou plenamente da infância pela primeira vez. O que o espera é uma angustiante incógnita. Para proteger Curtis, Scott tem agora de abdicar dele para sempre.
Mara e Scott são duas pessoas em contagem decrescente. Inesperadamente, as suas vidas vão cruzar-se e unir-se numa amizade que os acompanhará ao longo da semana mais difícil das suas vidas. E, no final dessa dura semana, qual deles estará feliz? Qual estará de luto? E qual deles terá desaparecido para sempre?
Terno e cruel como a própria vida, Cinco Dias de Vida relembra-nos que, por vezes, amar é lutar e nunca desistir; mas, outras vezes, implica abrir mão de tudo.

A minha opinião:
Um romance que é um bom exemplo de como as elevadas expectativas podem não corresponder ao esperado. Gostei deste romance centrado em duas fortes personagens que tem um prazo de cinco dias, que faz toda a diferença numa jornada marcada por uma escolha impossível, mas... não tanto como gostaria. Narrativa muito extensa e detalhada, nem sempre relevante.

Uma clara preocupação da autora em desenvolver no enredo, de forma precisa, todos os aspectos da doença de Huntington, que atingiu Mara e ainda uma profunda reflexão sobre a adoção. Muito mais do que poderíamos pensar de animo leve. O impacto para os pais e os filhos. E o peso dos pais biológicos. Um lado muito serio de um romance que nos obriga a encarar a vida de frente, quando as circunstancias são limites e o dialogo e o bom senso não bastam paras se fazer uma escolha em que o amor é o fiel da balança.

Paradoxo interessante e muito atual, o facto de se expor sentimentos mais íntimos através do anonimato da Internet com novos amigos que nada sabem, porque não conhecem o quadro geral, exceto o que se partilha.

Um romance inteligente e sensível que usa as emoções para chegar à razão, numa linguagem corrente e abrangente mas um tanto exaustiva.

domingo, 28 de junho de 2015

O Caçador do Verão

Autor: Hugo Gonçalves
Edição: 2015/ junho
Páginas: 200
ISBN: 9789897412806
Editora: casa das letras

Sinopse:
Quando José é convocado pelo velho patriarca da família, com quem não fala há anos, a sua perplexidade é enorme e, por isso, inescapável a recordação do verão de 1982, em que o avô – nadador de longas distâncias e anticomunista fanático, a quem o cancro levou todas as mulheres – o foi buscar a uma aldeia algarvia onde a mãe o deixara com uma estranha, decidido a tornar-se o pai que ele nunca tivera.
Foi nesse verão que a perigosa quadrilha de Mancha Negra fugiu da cadeia, provocando uma caça ao homem sem precedentes que deixou o País em sobressalto; que José mergulhou da rocha mais alta e que foi atingido por um raio, julgando assim ganhar os superpoderes necessários para descobrir o paradeiro dos bandidos e resolver o mistério do desaparecimento da mãe; e que, na companhia de um rafeiro chamado Rocky e de três amigos extraordinários, viu nascer dentro de si uma força e uma ferida que, mais tarde, o levariam a tentar corrigir os males do mundo pelas próprias mãos. As memórias da vida numa mansão do Estoril, com o avô austero, uma tia devota e uma prima cúmplice, levam-no a regressar à serra algarvia 30 anos depois, para resgatar o que ficou dessas férias grandes, descobrindo, afinal, o que precisava de saber sobre si próprio.
O Caçador do Verão é um romance fascinante sobre a importância da família e da infância nas nossas vidas, que recupera um tempo em que Portugal se aproximava velozmente da Europa, com tudo o que isso tinha de grato e fatídico.

A minha opinião:
Bom, muito bom. Como gostamos e queremos que seja. Um romance que nos faça reviver outros tempos e outros lugares de boa memória e sem perder a noção do presente. 

Um salto no passado, nomeadamente nos anos 80, para recordar dias marcantes de inocência e de sentido, no contacto com a família e com os outros que chamávamos de amigos, e simultaneamente o regresso ao presente no verão de um caçador que procura a tranquilidade de uma vida aprazível com moderados luxos e confortos, sem que sinta o apelo de agir para se fazer justiça. Um balanço de uma vida longe de terminar, em que a doença rondou os mais chegados e urge recomeçar. 

Tempo que passa mas não passa em vão. Emoções à Flor da Pele que perpassa numa escrita enérgica, num crescendo de intensidade a percepcionar o final. 
Algumas emoções que partilhamos através desta leitura são vivências quotidianas ou exemplos próximos. 

José é o narrador e o protagonista desta historia onde o Avô tem um importante papel. Depois de um afastamento de anos, o encontro avizinha-se difícil mas uma alteração súbita do estado de saúde do avô adia a comunicação e precipita a reflexão, bem como a deslocação para o sul do País.
Um ir e vir do presente ao passado sem atrito e confusão, que tem algo de autobiográfico, como provavelmente acontece em tantos outros romances. Mais um escritor lusitano a registar para acompanhar. 

O fragmento que se segue um tanto revela:

"José não podia deixar de pensar que, no século XXI, num país democrático, sem guerra, sem opressão, homens com mais de quarenta anos ainda lutavam pelo direito de ser outra coisa e buscavam a sua identidade, tal como em crianças combatiam as restrições que os adultos impunham ao movimento e `a velocidade. (...)
Todos faziam parte, mas todos tinham também uma vida contraria, uma força que se opunha ao instituído, uma procura que os desassossegava desde sempre e que jamais encontrava apaziguamento - nem nos casamentos, nem nas contas bancarias ou sequer nas famílias. Uma luta permanente entre a necessidade da ordem e as exigências do ego."          (pag. 86/7)   
   

domingo, 21 de junho de 2015

Coisas Que Uma Mãe Descobre (e de que ninguém fala)

Autor: Filipa Fonseca Silva
Ilustração: Sofia Silva
Edição: 2015/ março
Páginas: 152
ISBN: 9789722529549
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
Cheio de humor e algum sarcasmo, este é um livro indispensável para pais recentes, que descobrem algumas dicas de como lidar com as situações mais inesperadas, para pais experientes, que se vão rever em muitas das peripécias descritas, para pais grávidos, que vão poder preparar-se para o que os espera, e ainda para todos aqueles que nunca quiseram ser pais e que precisavam de novas razões para continuarem a não querer.

Uma compilação de crónicas em que Filipa Fonseca Silva partilha a sua experiência na grande aventura da gravidez e maternidade e que, graças às ilustrações da talentosa Sofia Silva, pode ser completado com fotografias e notas de quem o lê, tornando-se, no final, um divertido álbum de recordações sobre o incrível mundo das mães.

A minha opinião:
É inexplicável e quiçá absurdo o apelo que certos livros exercem sobre nós, que assim que nos acercamos deles, abrimos e lemos sem parar, para mais adiando outras leituras. Esta escritora que não conheço excepto pela escrita e com a qual tenho uma afinidade empática, tem esse efeito. Coisas que uma mãe descobre, proporcionou-me uma deliciosa vertigem de reconhecimento com o que sei e não esqueci sobre a experiência da maternidade (que repeti). O sentido de humor e sentido critico, bem como a lucidez estão bem presentes nesta narrativa que nos faz encarar o bom e o difícil desta viagem de emoções e sentimentos quando um novo ser invade a nossa vida. Tudo muda na nossa rotina e hábitos, na relação com os outros, sejam eles próximos e íntimos ou mais afastados, o que não é necessariamente mau mas diferente. Um novo ciclo que podemos relativizar nos dramas quotidianos com humor. Nem todos conseguem. 

Cada vez mais, gosto de ler livros de autores portugueses, que nos "falam" ao coração. Alguns, não dispenso e é tão gratificante ler uma narrativa bem escrita e sentida. Para mais, só lendo. E não se esqueçam de reparar nas imagens e nos espaços de notas que podemos tornar tão pessoal.    

sábado, 13 de junho de 2015

A Rapariga no Comboio

Autor: Paula Hawkins
Edição: 2015/ junho
Páginas: 320
ISBN: 9789898800541
Editora: TopSeller

Sinopse:
O livro que vai mudar para sempre o modo como vemos a vida dos outros. 
Todos os dias, Rachel apanha o comboio...
No caminho para o trabalho, ela observa sempre as mesmas casas durante a sua viagem. Numa das casas ela observa sempre o mesmo casal, ao qual ela atribui nomes e vidas imaginárias. Aos olhos de Rachel, o casal tem uma vida perfeita, quase igual à que ela perdeu recentemente.
Até que um dia...

Rachel assiste a algo errado com o casal... É uma imagem rápida, mas suficiente para a deixar perturbada. 
Não querendo guardar segredo do que viu, Rachel fala com a polícia. A partir daqui, ela torna-se parte integrante de uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, afetando as vidas de todos os envolvidos.

A minha opinião:
Muitos são já os comentários sobre este livro, e eu que procuro ser um pouco contracorrente não lhe resisti. Mais pela sinopse do que pela publicidade, uma vez que também eu me desloco em transportes públicos para o trabalho e deixo-me levar pela imaginação enquanto observo vidas alheias. Claro que isto só acontece quando não estou embrenhada num livro e não esqueço tudo o resto. Mas a premissa para esta estória passa um pouco pelo ideal de casal perfeito com uma vida idílica, que procuramos ver e copiar de exemplos próximos. E como nos podemos iludir! Mentiras, meias verdades e falsidades contadas para aparentar melhor, mais forte ou mais interessante, num jogo de faz-de-conta. Um mero exercício de poder.   

Rachel é a primeira de três personagens femininas a se dar a conhecer e a dar voz ao seu sentir, recuando ao passado sempre que necessário para justificar o seu ponto de vista. Uma mulher perturbada pela perda que embarcou no vicio do álcool que destruiu o seu casamento. Anna é a rival que persegue e Megan, a mulher que admira, até um dia. Não são personagens virtuosas e ao longo de toda a estória ficamos a saber o que existe de mais relevante e negro na alma destas mulheres que buscam ser felizes e não o são, numa trama bem urdida e algo intrincada como qualquer bom thriller que se preze. Não teve o mérito de me agarrar no inicio, mas conseguiu-o mais tarde, apesar de ter descoberto o criminoso com alguma antecipação, não perdi o interesse no perfil psicológico das personagens envolvidas.  Ainda assim, ficou um pouco aquém das minhas elevadas expectativas.  

sábado, 6 de junho de 2015

DESAMPARO

Autor: Inês Pedrosa
Edição: 2015/ fevereiro
Páginas: 320
ISBN: 9789722056694
Editora: DOM QUIXOTE

Sinopse:
A saga de uma mulher, Jacinta Sousa, que foi levada do colo da mãe para o Brasil aos três anos e regressa para a conhecer mais de cinquenta anos depois é o ponto de partida deste extraordinário romance de Inês Pedrosa. “No Brasil eu sempre fui a Portuguesa; em Portugal, passei a ser a Brasileira".
Numa escrita inteligente, límpida e plena de humor, a autora cria um universo singular, uma aldeia em que se cruzam personagens e histórias de vários continentes.
Emigrações e imigrações de ontem e de hoje, seres solitários e escorraçados que procuram novas formas de vida, enquanto tentam sobreviver à maior depressão económica das últimas décadas.
O amor, a traição, o poder, a inveja, o ciúme, a amizade, o crime, o medo, a vingança e sobretudo a morte atravessam este livro que faz a radiografia do Portugal contemporâneo, num enredo cheio de força e originalidade.

A minha opinião:
Suponho que este seja o segundo livro que leio de Inês Pedrosa. Do primeiro, não me recordo. Este, dificilmente esquecerei.

Desamparo parece-me o titulo adequado. Um estado de espírito presente na sociedade actual. Solidão e medo grassam em pessoas de diferentes condições que o sentem por diferentes motivos. Os afectos substituídos por exibicionismo virtual com valores materiais pouco compensadores. Mas apesar de tudo isto, não é um romance cinzentão e amargurado como a capa o demonstra, com o vivo amarelo a iluminar a imagem.

A acção passa-se num meio rural  - aldeia de Arrifes, no turístico Lagar, onde o imaginário atribui algumas características como a bonomia e a qualidade de vida. Tantas são as vicissitudes como se percebe neste romance. 
A proximidade através do meio ambiente que reconheço e a empatia por personagens como Jacinta e o filho Raul, em contrapartida com a aversão por outras personagens menos dignas, que consideram apenas os seus interesses pessoais, tornam este romance marcante e até divertido.   

"Jacinta era uma mulher do mundo, observadora e arguta;" com muitas memorias para contar. Raul era um arquitecto de meia idade e sem amor, num país que não premeia o mérito. Estas duas personagens são elo de ligação com outras na pequena comunidade, que dão vida a este romance. Passado e presente, porque todos trazem "bagagem". Uns que chegam e outros que partem, uns que regressam e outros não. 

Despretensioso e bem escrito, como eu gosto. Visualizo os lugares e as pessoas nas palavras de Inês Pedrosa. Reencontrei o que sei em parcas palavras. Com um sorriso nos lábios e sem muitas delongas.  

sábado, 30 de maio de 2015

Serpentina

Autor: Mário Zambujal
Edição: 2014/ outubro
Páginas: 160
ISBN: 9789897241765
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
Para Mário Zambujal, o mais importante é saber que os leitores se divertem com os seus livros. É nisso que se concentra quando agarra na caneta e se põe a imaginar peripécias, enredos e personagens. "Serpentina" não fugiu à regra e arrisca-se a ser o romance mais divertido do ano.Nele acompanhamos as reviravoltas na vida de Bruno Bracelim - primeiro a partida da família para o Canadá, quando ainda menino, e depois um acidente de trânsito, já em adulto - e divertimo-nos com as situações armadilhadas de um destino tão imprevisível quanto animado.Num estilo inconfundível, eis um supremo divertimento em que a imaginação e o humor se entrelaçam com a reflexão e a emoção.

A minha opinião:
Um livro muito bem disposto. 
Sarcasmo sobre a atribulada existência de Bruno Bracelim, simultaneamente narrador e personagem principal, enquanto tenta endireitar a sua vida e procura o rosto perfeito de mulher. Mas não há bela sem senão, como lhe explica Noé, enquanto as peripécias surgem com mulheres belas e atrevidas de permeio e bons malandros. E dinheiro, esse malandro que lhe falha, numa mala que passa de mão em mão. 

Mas a vida é cheia de imprevistos e a sorte e a fortuna aparecem quando e onde menos se espera. Bruno, um homem feito, que em criança ficou ao desvelo da madrinha Henriqueta quando a família emigra para o Canada, descobre o paradeiro da mala e uma misteriosa vizinha que o encanta distante. 

Uma leitura tão agradável, leve e despretensiosa que perdemos a noção do tempo ate ao termo do livro. Os estrangeirismos em português são um acréscimo divertido ao todo que lemos. Podem confundir os mais desatentos mas no fim vão apreciar. 

A História de Lupita

Autor: Laura Esquivel
Edição: 2015/ maio
Páginas: 224
ISBN: 9789892330587
Editora: ASA

Sinopse:
Lupita é uma mulher fora de série. Forte. Ardente. Inesquecível. Numa sociedade obcecada com as aparências, o dinheiro e o poder, ela é uma heroína improvável. Uma lutadora que protege os mais fracos e injustiçados. 
Lupita é também uma mulher com um passado doloroso. Frágil. Romântica. Devastada. Que vive com memórias agridoces de um tempo que, sabe, não voltará.

Na sua busca por amor, ela dá por si no lugar errado à hora errada. Bastarão apenas uns segundos para mudar a sua vida. Ao testemunhar um assassinato, Lupita passa a ser uma mulher marcada. Mas a revolta que nasce dentro de si é mais forte do que o medo que sente. A vítima, Arturo, era o único homem em que acreditava incondicionalmente. A sua morte leva-a a tomar uma decisão extrema: lutar até ao limite das suas forças e fazer justiça… por Arturo, por si própria e por todos aqueles que não têm voz.
A escritora mexicana Laura Esquivel, autora do clássico contemporâneo Como Água para Chocolate, está de volta com uma parábola mágica sobre afetos, coragem e redenção. A sua linguagem plena de misticismo e espiritualidade dá vida a uma mulher excecional, uma heroína atípica que ficará gravada para sempre na memória dos leitores.

A minha opinião:
Lupita gostava de ... assim começa ... a história de vida de Guadalupe, que entrelaça os pequenos prazeres triviais do dia-a-dia com a vida difícil que tenta a todo o custo ultrapassar. O crime do presidente da câmara que testemunhou sem compreender e aceitar, é o ponto de partida para uma revolta que abrange a sua vida e a do México, com tudo o que de errado acontece.

Dor, Perda e Redenção são as temáticas de fundo, enquanto a investigação desta mulher se faz com o recurso à amiga Célia. Um livro com uma mensagem subliminar. 

Uma história bonita e inspirada sobre uma mulher simples e marcada que encontra a paz e o amor. Uma mulher que nos cativa, numa história concisa e muito bem contada. Uma história que evolui sem recurso a grandes rasgos de erudição ou descrições, mas com o fito no deslindar do crime e o que o motivou, para que prevaleçam os valores ancestrais mexicanos e os princípios do Bem.

Um prazer de ler!     

domingo, 24 de maio de 2015

O Espião Português

Autor: Nuno Nepomuceno
Trilogia: Freelancer (Vol. 1)
Edição: 2015/ fevereiro (nova edição)
Páginas: 376
ISBN: 9789897061424
Editora: TopBooks

Sinopse:
E se toda a sua vida, tudo aquilo em que acredita, não passar de uma mentira? O que faria?
Estocolmo, Suécia. Encerramento da Presidênca da União Europeia.
Quando André Marques-Smith, o jovem director do Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros português é enviado à capital sueca, está longe de imaginar que aquele será um ponto de viragem na sua vida.

Ao serviço da Cadmo, a agência de espionagem semigovernamental para a qual secretamente trabalha, recupera a primeira parte de um grupo de documentos pertencentes a um cientista russo já falecido. Mas quando regressa a Portugal, tudo muda. Uma nova força obteve a segunda parte do projeto e, de uma forma violenta e aterrorizadora, resolveu mostrar ao mundo que está na corrida pelos estudos do cientista.
Por entre os cenários reais de cidades como Estocolmo, Roma, Viena, Londres e Lisboa, a luta pelo inovador projecto começa, os disfarces sucedem-se, as missões multiplicam-se. E, enquanto é forçado a lidar com os condicionalismos de uma vida dupla, André vê-se inesperadamente envolvido num mundo de mentiras e traições, o mesmo que o levará a fazer uma descoberta que poderá mudar toda a Humanidade.

Vencedor do Prémio Literário Note! 2012, O Espião Português funde elementos tradicionais da ficção de espionagem com uma abordagem inovadora, intimista e sofisticada. Thriller intenso e vertiginoso, ode à família, amizade e amor, este é um romance imprevisível e contemporâneo ao qual não conseguirá ficar indiferente.

A minha opinião:
Com o lançamento do segundo volume desta trilogia intitulado a "A Espia do Oriente" fiquei curiosa em conhecer André Marques-Smith, o espião português que tantos já conheciam e admiravam.

Olhos verdes de perdição para um belo e garboso espião que perdeu um amor que não o merecia. 
Esta parte da trama, de espionagem, intriga, suspense e acção, foi o que menos me convenceu. As peripécias e fugas, as manobras e traições, as viagens de trabalho e resgate num mundo de aparências e convenções correspondem `as expectativas e prendem-nos a uma narrativa rápida e bem elaborada, sem quebras de ritmo ou de interesse do leitor. Mas ... esta fragilidade da personagem que quebra com um tão grande desgosto... aos meus olhos deixa-o com um ar de bom rapaz que era, mas menos duro e viril como ansiava encontrar num bom português espião. 

As surpresas deste espião são outras e bem mais intrincadas que se procuram desvendar numa leitura seguida e sobre as quais nada devo revelar. 

Agora, resta-me ler o segundo volume para saber mais sobre estas motivadas e determinadas personagens a lutar em lados opostos para conseguir um importante projecto.