domingo, 27 de dezembro de 2015

Quando Menos Esperamos...

Autor: Sarah Dunn
Edição: 2010/ julho 
Páginas: 248
ISBN: 978-972-23-4386-2
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
Holly Frick é uma escritora nova-iorquina de trinta e cinco anos, inteligente e divertida, que se vê confrontada com a separação do marido, Alex, por quem ainda está apaixonada. No seu círculo de amigos todos parecem capazes de retirar algum prazer da situação de vida em que se encontram, e Holly decide fazer o mesmo. Compra um cão e envolve-se com um rapaz bastante mais novo. O quotidiano de Holly e dos seus amigos, as amizades, os casos amorosos e as aventuras sexuais, a busca incessante da felicidade e do amor formam um complexo padrão afectivo e emocional que é aqui retratado com profundidade, subtileza e muito humor.

A minha opinião:
Numa demanda por novos velhos livros, este chamou-me a atenção. Depois de ler a sinopse e as primeiras paginas, decidi comprá-lo. Pareceu-me extamente o que precisava naquele momento - uma divertida comédia de costumes, bem ao género de "O Sexo e a Cidade". 

No inicio, o gozo com a caricaturização de personagens çosmopolitas sobrepôs-se e a leitura leve fluiu, mas depois aspetos mais sérios foram surgindo, como a solidão, o desamor, vícios e temores em personagens aparentemente bem sucedidas, e a piada desvaneceu-se. 

Ainda assim não é uma leitura muito exigente ou surpreendente e cumpriu o seu propósito. Desanuviar e relaxar. O mote da capa com o cão na relva desconcertou-me porque Holly resgatou um animal doente que ajudou a curar e depois descobriu o seu dono anterior e... ganhou, perdeu e voltou a ganhar porque quando menos esperamos... 

A magia dos números

Autor: Yoko Ogawa
Edição: 2011/ 
Páginas: 216
ISBN: 9789725649558
Editora: Quetzal Editores

Sinopse:
Uma empregada de limpeza começa a trabalhar em casa de um velho matemático, um homem com mais de sessenta anos, cuja carreira foi brutalmente interrompida por um acidente de automóvel, que reduziu a autonomia da sua memória a oitenta minutos. 
A cada manhã, a jovem mulher deve apresentar-se como se se vissem pela primeira vez - o professor esquece-se que ela existe de um dia para o outro -, mas é com grande paciência, gentileza e muita atenção que ela consegue ganhar a sua confiança, apresentando-lhe também o filho de dez anos. Aí se inicia uma relação maravilhosa: o rapazinho e a sua mãe vão não só partilhar com o velho amnésico a sua paixão pelo beisebol, como vão também aprender com ele a magia dos números. Neste subtil romance sobre a herança e a filiação - e em que três gerações se encontram sob o signo de uma memória extraviada e fugidia - a narrativa desdobra-se com a graça e o rigor de um origami. Lapidar e profundo como um haiku, A Magia dos Números é uma pequena obra-prima..

A minha opinião:
Por motivos alheios `a minha vontade tenho andado arredada de leituras. E de comentários. 

Este romance, sugestão de uma boa amiga com um gosto irrepreensível para livros, esteve algum tempo por ler. A capa é belíssima, mas os números nunca exerceram magia sobre mim. Mas nesta historia ficaram muito perto, porque numa escrita linear e simplicista, de uma delicadeza subtil e rara sensibilidade acompanhei a amizade crescente entre três improváveis personagens sem nome, e assim fui contagiada pelo fascínio dos números e imagine-se... basebol.

O brilhante professor tem uma limitada memória de oitenta minutos e sucessivamente repete as mesmas perguntas ou argumentos, sem enfado, critica ou estranheza para Root, o miúdo de dez anos assim chamado pelo professor porque a forma da sua cabeça lhe parece uma raiz quadrada, ou a empregada, em que juntos brincam com a magia dos números e a associam a factos simples da vida.

Apesar de tudo não foi suficiente para se tornar um livro memorável para mim. Certamente que a falha é minha pela fase da vida em que o li. 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Flores

Autor: Afonso Cruz
Edição: 2015/ setembro
Páginas: 272
ISBN: 9789898775733
Editora: Companhia das Letras

Sinopse:
Um homem sofre desmesuradamente com as notícias que lê nos jornais, com todas as tragédias humanas a que assiste. Um dia depara-se com o facto de não se lembrar do seu primeiro beijo, dos jogos de bola nas ruas da aldeia ou de ver uma mulher nua. Outro homem, seu vizinho, passa bem com as desgraças do mundo, mas perde a cabeça quando vê um chapéu pousado no lugar errado. Contudo, talvez por se lembrar bem da magia do primeiro beijo - e constatar o quanto a sua vida se afastou dela - decide ajudar o vizinho a recuperar todas as memórias perdidas. Uma história inquietante sobre a memória e o que resta de nós quando a perdemos. 

Um romance comovente sobre o amor e o que este precisa de ser para merecer esse nome. 
«Viver não tem nada a ver com isso que as pessoas fazem todos os dias, viver é precisamente o oposto, é aquilo que não fazemos todos os dias.»

A minha opinião:
Consigo ver Afonso Cruz nos seus livros. Não desaparece atrás da beleza, da eternidade da sua voz que encontramos em palavras, em letras que não existem quando lemos, que desaparecem através do seu significado, através daquilo que imaginamos ao ler. "Imagine, como que uma voz que nos eleva e aniquila ao mesmo tempo, nascemos e morremos no mesmo instante." (pag. 98) Esta dicotomia de viver/ morrer, amor/ doença, presente nos livros de Afonso é que me incomoda e me desafia a ler e a não gostar da sua maneira cínica de ver o mundo, apesar da forma quase poética e efabulada de contar uma história.

Flores não é sobre botânica. Tem a ver com a a história das irmãs Flores, no Alentejo do século XX, quando o narrador, um jornalista desencantado com a vida, decide ajudar o vizinho, que a sua filha adora, a recuperar as memorias afetivas e a reconstruir a sua vida através de todos os que o conheceram. Um trabalho difícil com muitas contradições porque há quem o ache bom e quem o ache mau. Afinal, é a memoria que nos forma e quando o idoso Ulme perde a memoria devido a uma doença degenerativa perde a identidade, mas não a capacidade de se indignar e sofrer com as tragédias que sabe através dos meios de comunicação, ao contrario do narrador que se busca no espelho, apático "num sonambulismo que a vida acaba por oferecer em conjunto com tantas frustrações". 

Grito de revolta contra a rotina porque a vida morre com a rotina e não com a morte. Fugir de uma vida absolutamente sedentária e abraçar a mudança, sem o conforto da banalidade ou um outro olhar para a corrupção quotidiana e a miséria sem indiferença, porque Deus está em todo o lado e não apenas nas igrejas. Flores existem mas precisamos de as ver, cheirar e sentir.  
"Entremos mais dentro da espessura."

domingo, 6 de dezembro de 2015

O amante japonês

Autor: Isabel Allende
Edição: 2015/ outubro
Páginas: 336
ISBN: 978-972-0-04774-8
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Em 1939, quando a Polónia capitula sob o jugo dos nazis, os pais da jovem Alma Belasco enviam-na para casa dos tios, uma opulenta mansão em São Francisco. Aí, Alma conhece Ichimei Fukuda, o filho do jardineiro japonês da casa. Entre os dois brota um romance ingénuo, mas os jovens amantes são forçados a separar-se quando, na sequência do ataque a Pearl Harbor, Ichimei e a família – como milhares de outros nipo-americanos – são declarados inimigos e enviados para campos de internamento. Alma e Ichimei voltarão a encontrar-se ao longo dos anos, mas o seu amor permanece condenado aos olhos do mundo. 

Décadas mais tarde, Alma prepara-se para se despedir de uma vida emocionante. Instala-se na Lark House, um excêntrico lar de idosos, onde conhece Irina Bazili, uma jovem funcionária com um passado igualmente turbulento. Irina torna-se amiga do neto de Alma, Seth, e juntos irão descobrir a verdade sobre uma paixão extraordinária que perdurou por quase setenta anos.

A minha opinião:
Isabel Allende é uma referencia que dispensa grandes argumentos. A sua obra fala por si. Mesmo assim não resisto a usar as suas próprias palavras "...demonstrara o seu virtuosismo de narradora, o seu sentido de ritmo e a habilidade para manter o suspense, a sua capacidade de contrastar os factos luminosos com os mais trágicos, luz e sombra...) (pag. 277). 

Não sei porque demorei tanto a escrever sobre este romance de que tanto gostei. Talvez, porque precisei de assentar ideias e ponderar no que escrever e mesmo assim, não vou conseguir atingir nem de perto a clareza, eloquência e lucidez da narrativa. Sem esquecer, as personagens bem definidas que ganham vida para o leitor. Alma, Ichimei e Nathaniel são admiráveis. Irina e Seth não lhes ficam atrás. Mas todas as personagens são grandiosas neste romance que pode conter muito de autobiográfico. Inicialmente, ilude, como sendo uma leitura morna e sensaborona mas ganha fôlego e cativa sem que se perceba.

O ponto de convergência da historia é Lark House, casa de repouso, o que não parece ser muito interessante, mas sobre a perspectiva apresentada fascina e encanta. Senão vejamos:

"Aprendeu a afastar os impulsos de violência, que ás vezes se apoderavam deles como tempestades passageiras, e não ficava assustada com a avareza e as manias de perseguição que alguns sentiam como consequência da solidão. Tentava perceber o significado de carregar o inverno as costas, a insegurança em cada passo, a confusão perante as palavras que não se ouvem bem, a sensação que o resto da humanidade anda muito apressado e fala muito depressa, o vazio, a fragilidade, a fadiga e a indiferença perante o que não lhes diga diretamente respeito, inclusive filhos e netos, cuja ausência já não pesa como antes e é preciso fazer um esforço para os recordar. Sentia ternura pelas rugas, os dedos deformados e a falta de visão. Imaginava como iria ela ser quando fosse idosa, anciã." (pag. 79)

"De acordo com Alma existiam demasiados anciãos no planeta que viviam muito mais do que o necessário para a biologia e do que o possível para a economia, não fazia sentido obriga-los a permanecer presos num corpo dolorido ou numa mente desesperada." (pag. 189)

Historia, entretenimento e reflexão. Que mais se pode pedir de um romance?

Recomendadissimo.  

domingo, 22 de novembro de 2015

Pura Coincidência

Autor: Renée Knight
Edição: 2015/ outubro
Páginas: 304
ISBN: 9789898775757
Editora: Suma de Letras

Sinopse:
E se de repente se apercebesse de que é o protagonista do aterrador romance que está a ler? Catherine tem uma boa vida: goza de grande sucesso na profissão, é casada e tem um filho. Certa noite, encontra na sua mesa-de-cabeceira um livro de título O perfeito desconhecido.

Não sabe como terá ido parar ao seu quarto ou quem o terá ali posto. Ainda assim, começa a lê-lo e rapidamente fica agarrada à história de suspense. Até que, depois de ler várias páginas, chega a uma conclusão aterradora: NÃO É FICÇÃO. O perfeito desconhecido recria vividamente, sem esquecer o mais ínfimo detalhe, o fatídico dia em que Catherine ficou prisioneira de um segredo terrível. Um segredo que só mais uma pessoa conhecia. E essa pessoa está morta.

A minha opinião:
O que dizer de um livro quando este é tão bom e nos deixa sem palavras? O que escrever quando quando nos faz sentir muito mais do que esperávamos e ficamos sem saber por onde começar sem revelar demasiado?

"Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidênciaé frase final deste romance que me atingiu como uma bofetada, depois de perceber onde este bem conseguido thriller psicológico me levou com as diferentes graduações e palpitações sentidas pelas personagens, que à vez vão tendo voz desde que aquele maldito livro surgiu nas suas vidas. Diferentes perspectivas com diferentes ângulos sobre factos que os protagonistas não podem ou optam por não revelar. Fotos são os resquícios que sobraram e deram origem a um livro ficcionado.

Catherine é uma mulher bem sucedida e com uma vida familiar estável até que "O Perfeito Desconhecido" surge na sua vida e a obriga a recuar vinte anos atrás e procurar quem a persegue com aquele segredo vergonhoso. Neste processo, como leitores bem informados, vamos entrando na cabeça e motivações do coautor e promotor do livro, bem como na da vitima, num crescendo de ansiedade. 

E neste enredo, de capítulos pequenos, frases curtas, palavras de acção encontrei uma leitura inquietante mas imparável. Controlo de dados e emoções em narrativas bem interligadas e ajustadas para não se perder a fluência e o ritmo da história que nos surge numa capa chamativa com um bom titulo. 

domingo, 15 de novembro de 2015

Pequenas Grandes Mentiras

Autor: Liane Moriarty
Edição: 2015/ maio
Páginas: 480
ISBN: 9789892330945
Editora: ASA

Sinopse:
A vila costeira de Pirriwee é um bom lugar para viver. As ruas são seguras, as casas são elegantes, e os seus habitantes distintos. Bom… quase todos…

Madeline é tudo menos perfeita. Para começar, recusa-se a viver para as aparências e não se coíbe de dar a sua opinião (principalmente quando não é pedida). O seu lema "Nunca perdoar. Nunca esquecer." vai ser inesperadamente testado ao limite.

Celeste tem o tipo de beleza que leva as pessoas a parar na rua. 
É tão serena que ninguém repara que por detrás dos seus magníficos olhos se escondem sombras negras. Nem as suas melhores amigas sabem o que se passa quando a noite cai.

Jane acabou de chegar. Ao fim de anos a tentar encontrar um lar, a idílica vila parece ter tudo o que procura… e até já conseguiu fazer duas amigas, cujas vidas perfeitas, espera, venham a ter uma boa influência sobre si. É mãe solteira e tão jovem que, no recreio da escola, a confundem com uma babysitter. Mas a sua inocência há muito que se perdeu. 

Um acidente vai unir estas três mulheres numa amizade aparentemente indestrutível. Pelo menos, até à noite da festa. Na vila, nada mais será como antes. São muitas as versões mas o facto indiscutível é que houve uma morte. Como aconteceu? Quem viu? Acima de tudo, quem morreu?

A minha opinião:
BRUTAL!
A palavra que me ocorre imediatamente após terminar a leitura. A historia continua a "martelar-me" no cérebro com tantos significativos episódios e muitos detalhes tão banais e plausíveis, que nos passam despercebidos no quotidiano, mas que a autora recolheu para criar um enredo forte pela credibilidade dos acontecimentos e das personagens, que tomamos como nossas amigas e conhecidas nas suas peculiaridades e angustias (algumas podemos reconhecer como nossas, identificando-nos com as personagens).     

"Isto pode acontecer a qualquer pessoa."

Pois pode e acontece!

As historias não são tão preto e branco como as letras impressas nas paginas de um livro e as vitimas de actos cruéis, sádicos e egoístas não se parecem de todo com a imagem que esperaríamos que tivessem. Protegem-se com pequenas grandes mentiras e reagem como se a vida fosse perfeita até que tudo desabe. 
Acasos e equívocos num desfecho desejável onde a amizade prevalece numa pequena comunidade idílica. 

Quando leio uma historia assim fico sempre a pensar na extraordinária capacidade de transpor em palavras um enredo que se formou na mente criativa de quem a concebeu. E mais não escrevo porque não tenho esse dom.   

domingo, 8 de novembro de 2015

O que ela deixou para trás

Autor: Ellen Marie Wiseman
Edição: 2015/ setembro
Páginas: 352
ISBN: 9789897101861
Editora: Chá das Cinco

Sinopse:
luminado e provocador, este é um romance sublime sobre o desejo de pertença e os mistérios sob as vidas mais comuns. 
Há dez anos, a mãe de Izzy Stone disparou sobre o seu pai enquanto este dormia. Arrasada pela insanidade da mãe, a jovem recusa-se a visitá-la na prisão. Para a ocupar, os seus pais de acolhimento inscreveram-na como voluntária num asilo público. Ali, no meio de pilhas de pertences sem dono, Izzy descobre um molho de cartas por abrir, um jornal antigo e uma janela improvável para o seu passado.

Clara Cartwright, com 18 anos em 1929, está encurralada entre os seus pais superprotetores e o amor por um italiano. Irado por Clara recusar um casamento arranjado para ela, o pai coloca-a num lar sofisticado para pessoas nervosas. Mas, quando a sua fortuna se perde com o crash de 1929, não consegue suportar os custos do lar e Clara é enviada para um asilo público.
A história de Clara mergulha Izzy num passado cheio de enigmas. Se Clara, na verdade, nunca foi doente mental, poderia explicar-se de outra forma o crime da sua mãe? Completar as peças deste puzzle do passado conduz Izzy à reflexão sobre a sua própria vida e a questionar-se sobre tudo o que pensava saber e acreditar.

A minha opinião:
Nunca o proverbio "Não se pode julgar um livro pela capa", fez tanto sentido para mim. Um claro exemplo de que não podemos julgar uma obra pela imagem exterior. Um romance bem estruturado e definido, brilhante pela carga psicológica, com uma capa nada adequada. Uma jovem sonhadora e rica pode espelhar "Clara Cartwright, com 18 anos em 1929" mas não me parece que seja esta a moda da época, e tem pouco ou nada a ver com a narrativa de uma jovem sã internada num sanatório estatal lotado e com difíceis condições. Presa devido a uma educação severa que reprimia sem amar, um numero entre a multidão de esposas, mães, irmãs e filhas descartadas e esquecidas.   

Izzy é a outra jovem protagonista desta narrativa, com um passado marcado pelo assassinato do pai pela mãe. Nada romântico mas muito realista. O assombroso passado de Clara revela o o mistério do doloroso passado de Izzy com consequências que não contamos e que nos tiram o fôlego e obrigam a pausas dada a violência das cenas descritas (pouco comum num romance como o que esperamos com esta capa). A crueldade humana priva-nos de lucidez e é intemporal. Bullying e ... algo mais que não revelo. 

Um romance que inesperadamente nos marca sobre duas jovens que admiramos. O final compensa. Mas até lá chegarmos o que penamos na companhia de Clara, ou alternadamente na companhia de Izzy. MARAVILHOSO E INEBRIANTE!!!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Esta Noite, Fala-me de Amor

Autor: Elin Hilderbrand
Edição: 2015/ maio
Páginas: 360
ISBN: 9789892330921
Editora: ASA

Sinopse:
Esta noite, fala-me de amor, porque esta noite pode ser a última...
A adorável Dabney Kimball Beech é uma lenda viva na ilha de Nantucket. Dabney estudou em Harvard e é uma profissional de sucesso. Mas o seu grande talento é outro: graças a um dom que muitos consideram místico, ela é a casamenteira perfeita. Quando duas pessoas são compatíveis, Dabney vê-as sob uma aura cor de rosa; quando não são, o tom que as envolve é um desolador esverdeado. Ela já juntou mais de quarenta casais. Apenas uma pessoa parece teimosamente imune à sua seta de Cupido: ela própria.

Por mau carma ou piada cósmica, Dabney perdeu o seu grande amor: Clen Hughes, o belíssimo homem de olhos verdes que lhe partiu o coração e que agora, tantos anos depois, está de volta à ilha. A notícia deixa-a inquieta. A mera perspetiva de um reencontro é suficiente para lhe tirar o sono… e com razão. Clen vem virar o seu pequeno mundo do avesso, algo que é simultaneamente maravilhoso e terrível.
Os deliciosos dias e noites que passam juntos não deixam antever a tempestade que se aproxima. No fim, Dabney terá de fazer novamente uso do seu dom… numa corrida contra o tempo.

A minha opinião:
Gosto de finais felizes. E gosto de romances que me proporcionam bons momentos de entretenimento em que posso esperar um final feliz como recompensa pelas circunstancias difíceis que as personagens tiveram que enfrentar. E com o castigo dos maus na trama, claro. 

Mas nem mesmo nos romances temos o final que projectamos e ansiamos. Não significa que não seja um bom final, lógico e razoável, mas não a recompensa esperada dos bons com a punição dos maus. Neste livro temos um romance de encantar com uma personagem de excepcionais qualidades humanas e alta sensibilidade, mas com uma limitação diretamente relacionada com o abandono da mãe em criança (por esta se sentir incapaz de manter uma vida familiar tão insignificante), como sair da ilha de Nantucket para seguir o amor da sua vida Clen. Com o regresso deste, toda a sua vida balança, e a filha entra na confusão, com um pai que sabia mas não conhecia, e um noivo possessivo e controlador a disputar a sua atenção. Um romance tão banal mas envolvente e terno, em que os sentimentos se sobrepõem a tudo o resto e justificam escolhas que podem ser cruciais. 

Parece um romance leve e fútil mas tem muito que se lhe diga. Com um moral a reter e valores a refletir. E tanto para sentir. Gostei muito e não me importo de repetir. 

sábado, 17 de outubro de 2015

Também Isto Passará


Autor: Milena Busquets 
Edição: 2015/ setembro
Páginas: 120
ISBN: 78-989-87-5289-5
Editora: Jacarandá

Sinopse:
Quando Blanca era pequena, para a ajudar a ultrapassar a morte do pai, a sua mãe contou-lhe uma lenda chinesa. Uma lenda sobre um poderoso imperador que convocou os sábios e lhes pediu uma frase que se aplicasse a todas as situações possíveis.

Depois de meses de deliberações, os sábios apresentaram uma proposta ao imperador:«Também isto passará.» E a mãe acrescentou: «A dor e a mágoa passarão, como passam a alegria e a felicidade.» Agora morreu a mãe de Blanca, e este romance, que começa e termina num cemitério, fala da dor da perda, do peso dilacerante da ausência.

Milena Busquets transforma experiências pessoais em literatura e, partindo do íntimo, consegue criar um romance que rompe fronteiras. Através da história de Blanca e da doença e morte da sua mãe, das relações com os amantes e as amigas, combinando prodigiosamente profundidade e leveza, a autora de Também Isto Passará, fala-nos de temas universais.
A dor e o amor, o medo e o desejo, a tristeza e a vontade de sorrir, a desolação e a beleza de uma paisagem em que se entrevê fugazmente a mãe falecida a passear junto ao mar. Porque aqueles que amámos não podem simplesmente desaparecer.

A minha opinião:
A temática dor da perda e o peso dilacerante da ausência não é de todo o tipo de leitura que procuro mesmo que ficcional. Sentimentos profundos e intensos fazem eco em corações magoados com narrativas plenas de sentido. 

A acção passa-se em Cadaqués, localidade catalã da província de Girona. Um lugar deslumbrante e acolhedor, como que um porto de abrigo para a personagem Blanca, que regressa com filhos, ex-maridos e amigos num processo de luto e balanço de vida. A mãe que faleceu após prolongada doença, doença essa que a transfigurou completamente como a mulher que era, deixa a filha devastada apesar da convivência ter sido marcada por uma relação de amor-ódio. 

Narrativa agridoce e acutilante que toca em factos da atualidade que urge refletir. Amor incondicional e absoluto, relacionamentos vários, e valores que se transmitem aos que nos sucedem na vida. Um bom exemplo da linguagem utilizada, sem subterfúgios ou subtilezas é o excerto abaixo (e com isto, fico por aqui neste meu comentário).

"Por vezes interrogo-me sobre o que acontecerá quando esta nova geração de crianças, cujas mães consideram a maternidade uma religião (...mulheres cujo único interesse e preocupação e razão de ser são os filhos, que educam como se eles estivessem destinados a reinar sobre um império, que inundam as redes sociais com as fotografias dos seus rebentos, não apenas de aniversários e viagens, mas dos filhos na sanita ou sentados no penico - não há amor mais impudico do que o amor maternal contemporâneo), crescer e se transformar em seres humanos tão deficientes, contraditórios e infelizes como nós, talvez mais até, porque não me parece que se possa sair ileso de ser fotografado a cagar."                                                                                                                               (pag. 111)

sábado, 10 de outubro de 2015

A Vinha do Anjo

Autor: Sveva Casati Modignani
Edição: 2015/ setembro
Páginas: 384
ISBN: 9789720047755
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Longas filas de videiras estendem-se pelas colinas suaves de Borgofranco. Há dois séculos que a família Brugliani é proprietária daquele antigo burgo e das vinhas, tratadas com paciência para delas extrair vinhos preciosos e únicos. Aos 35 anos, Angelica é a herdeira da tradição e do património familiar. Mãe, esposa, empresária de sucesso: tudo parece perfeito na sua vida. Só ela sabe que por detrás daquela fachada se esconde um mundo sombrio, feito de mentiras - as do marido - e de sonhos pueris.

Numa noite, em que conduzia a sua moto e sentindo-se dominada pela amargura e pelas lágrimas, Angelica não se apercebe de que o carro à sua frente está a travar. O choque é violento, mas felizmente sem consequências graves, quer para ela, quer para o condutor do automóvel, Tancredi D'Azaro. Angelica não sabe ainda que aquele homem é um dos chefs mais aclamados em todo o mundo. E ambos ignoram que, depois daquele encontro fugaz, o destino voltará a entrelaçar os seus caminhos, suscitando a tentação de um novo começo. É então tempo de fazer escolhas, tendo em conta o peso do passado e as responsabilidades do presente - porque a vida é feita de sonhos e paixões.
A Vinha do Anjo conta-nos a história envolvente de uma família e de uma tradição milenar, o retrato de uma protagonista fascinante no qual se reveem muitas das mulheres empreendedoras e corajosas que anonimamente constroem as nossas sociedades.

A minha opinião:
Gosto muito dos romances da Sveva. Uma fraqueza minha mas não perco um. Gosto mais de uns do que de outros, mas gosto sempre. Com o tanto que gosto de ler e de variar em estilo e género, seria de supor que esta fraqueza estaria ultrapassada há muito, mas sempre que se aproxima um novo romance desta autora, eu apresso-me em ler. 

Gosto de romances sobre mulheres. Mulheres que sofrem mas resistem, endurecem e vingam. Mulheres que se perdem e se encontram. Amam e sofrem e voltam a amar. Mulheres com uma carreira profissional e uma família com quem se preocupam e cuidam. Mulheres privilegiadas mas que não se acomodam. Mulheres independentes e com interesse porque se interessam. Este é o universo dos romances da Sveva que eu tanto prezo. 

Angelica Brugliani é uma destas mulheres. Uma mulher do vinho e da terra, que se tinha tornado parte integrante da sua empresa vinícola, tão presente na história da sua família. Uma mulher com uma extraordinária sensibilidade que nos transmite o gosto pelo requintado prazer que obtemos de degustar um bom prato ou um bom vinho. E para isso, temos Tancredi D'Azaro, um chef de cozinha, também ele ligado às origens, que não são muito distantes das nossas, como a ligação ao sol, ao mar, ao céu, ao curso das estações, e à alegria e saber dos sentidos. Enfim... um romance envolvente e sedutor, com personagens com história e que tanto nos dizem. 

Recomendo. Como sempre.

domingo, 4 de outubro de 2015

A Vida Contada de A. J. Fikry

Autor: Gabrielle Zevin
Edição: 2015/ setembro
Páginas: 264
ISBN: 9789898781468
Editora: Self

Sinopse:
A vida de A. J. Fikry não é, de modo algum, a que ele esperou que fosse. Vive sozinho, a sua livraria está a passar pelo pior momento da sua história e, agora, a sua preciosidade mais valiosa, uma rara antologia de poemas de Poe, foi roubada. Mas quando uma misteriosa encomenda aparece na livraria, a sua inesperada chegada dá a Fikry a oportunidade de mudar completamente a sua vida, e ver tudo com novos olhos.

Divertida, terna e comovente, A Vida Contada de A. J. Fikry relembra-nos a todos porque é que lemos e porque é que amamos. Este livro tem humor, romance, suspense, mas, acima de tudo, amor - amor pelos livros e amor pelas pessoas dos livros. 
Um hino à gloriosa imperfeição da humanidade.

A minha opinião:
Não sei explicar porque fiquei cismada com este livro, mas essa é a verdade. Procurei-o e coloquei-o no topo da minha lista de leituras. E uma história tão simples e despretensiosa, com personagens banais e humildes, mas com as quais nos identificamos pelas suas qualidades humanas, perdura na minha memoria e leva-me a refletir nos acasos da vida e no apego que temos por coisas e por pessoas. 

A.J.Fikry é um livreiro que escolheu sê-lo por amor aos livros e à literatura, mas a perda da sua parceira de vida e de negócios muda a sua perspetiva das coisas. Maya altera tudo. Amélia também. Não achei muito verossímil a transfiguração do rabugento Fikry, nem a extraordinária capacidade de Maya ou o romance com Amélia, mas no conjunto temos uma narrativa calorosa e acessível que nos transmite confiança e otimismo, apesar do final.  

A livraria Livros da Ilha na Ilha Alice é o cenário onde se dão os principais acontecimentos e ponto de encontro de pessoas com afinidades que desconheciam. Local de veraneio que fora da época ganha vida literária. Um hino aos livros, em que o e-book não foi esquecido.

"As palavras que não conseguimos arranjar, pedimo-las emprestadas. 
Lemos para sabermos que não estamos sozinhos. Lemos porque estamos sozinhos. Lemos e não estamos sozinhos. Não estamos sozinhos."                                            (pag.249)