segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O Regresso da Primavera

Autor: Sveva Casati Modignani
Edição: 2017/ outubro
Páginas: 400
ISBN: 978-972-0-03017-7
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Passamos muito tempo a perseguir sonhos que nos escapam da mão, uma felicidade que não se deixa aprisionar. E depois acontece que o melhor da vida se revela num instante, talvez na magia de um encontro inesperado. Como aquele que aconteceu entre Lorenzo e Fiamma, surpreendidos por um amor que nem mesmo eles, provavelmente, acreditavam ser ainda possível.

Lorenzo Perego, um homem fascinante e culto, é professor de Geografia Económica numa escola profissional de Milão. Poderia ter escolhido um estabelecimento de maior prestígio, mas o ensino é a sua paixão e ajudar jovens com talento numa realidade difícil e muitas vezes desoladora é um desafio que o entusiasma e enriquece.

Fiamma Morino, com pouco mais de 40 anos, é diretora editorial de uma pequena editora de sucesso que ela própria fundou. Agora que a editora está prestes a sofrer uma drástica mudança de gestão, com que Fiamma não concorda, está disposta a tudo para a defender e continuar a garantir o cuidado e o amor que desde sempre dedica aos seus autores.

Através das vivências de Fiamma e Lorenzo, conhecemos a Itália de hoje, a da crise da Escola e da Economia, mas também aquela que é feita de pessoas empreendedoras, prontas a arregaçar as mangas e decididas a não se renderem.

A minha opinião:
Um gosto adquirido. Não encontro outra explicação para ler qualquer um dos romances da Sveva logo que saiem. O mundo de afetos dos ricos e privilegiados seduz-me inexplicávelmente. Histórias que se centram em personagens bonitas, generosas, altruístas, em contextos profissionais específicos na velha Itália. Desta feita, temos o meio editorial e o pedagógico, com o foco na formação de caráter e de valores. A ténue critica social e política não falta.

Adorei o Lorenzo e Fiamma. Ambos brilham. O passado e o presente muito bem integrados na narrativa, dando-nos a conhecer bem os protagonistas. Uma fórmula em que a escritora é eximia. O equilibrio neste casal invejável tem um desfecho diferente que apreciei. 


Enredo sereno, escrita fluída e visual, são apenas alguns dos elogios que atribuo aos romances desta autora que não me surpreende tanto assim, mas conquista com as suas personagens. E acabo sempre por regressar com deleite. Resquícios da juventude, talvez. Romantismo tolo, quem sabe. Que me importa, gosto assim.

domingo, 22 de outubro de 2017

Homens sem Mulheres

Autor: Haruki Murakami
Edição: 2017/ setembro
Páginas: 256
ISBN: 9789897418105
Editora: Casa das Letras

Sinopse:
O que têm em comum os Beatles, Hemingway, François Truffaut, Woody Allen, Tchékhov, um rapaz chamado Gregor Samsa, um médico doente de amor e o dono de um bar de jazz? Haruki Murakami, pois claro. São sete os contos que dão forma ao mais recente livro: Homens sem Mulheres. Sete homens desencantados e a contas com a solidão. Sete histórias de solidão, mágoa e luto que desafiam os lugares- -comuns sobre o amor. Sete maneiras de traduzir a mesma melancolia, enquanto lá fora «a chuva continua a cair, provocando no mundo inteiro um interminável calafrio». Mas não se deixem enganar: este livro está repleto de mulheres: desejadas, sonhadas, traídas, ouvidas, invocadas, incompreendidas, sobrevalorizadas, eternamente amadas e perdidas para sempre. Um dia, o leitor corre o risco de se transformar num homem sem mulheres. Depois não digam que não avisámos.

A minha opinião:
Nunca li nada de Haruki Murakami. Livros são os amigos que escolhemos ter e como tal sou razoávelmente seletiva. Não achei que Murakami pudesse ser incluido e deixei-o de fora.

Homens sem mulheres é exatamente isso, sete contos de homens sem mulheres.  Desamor, solidão, isolamento e muitos outros sentimentos são contemplados nestes contos numa escrita límpida, tão simples e honesta que fiquei a apreciar. 

Alguma melancolia mas adorei o primeiro conto "Drive my car"em que se assume que todos somos atores. "Yesterday", título da canção dos Beatles, letra inventada por um amigo improvável em que se reflete sobre as dores de crescimento na juventude. 

Na ausência de complicações e inquietações acumuldas, certas pessoas levam uma vida surpreendentemente artificial. O dr. Tokai em um "Orgão Independente" é para mim o conto mais marcante e dramático.

As mulheres têem o condão de anular a realidade mergulhando nela e sem essa intimidade feita de momentos especiais surge a consciência de uma profunda amargura como a Habara em Xerazade. Kino é mais misterioso, enigmático e impactante. Samsa saiu do quarto para aprender sobre o mundo e apaixonou-se. Homens sem mulheres é o último conto. Lidar com a perda no mundo quando se muda de perspetiva. Qualquer um pode saber. 

Qualquer um pode ler e mudar de opinião. 

domingo, 15 de outubro de 2017

Ao Fechar a Porta

Autor: B. A. Paris
Edição: 2017/ julho
Páginas: 264
ISBN: 9789722360593
Editora: Presença

Sinopse:
Quem não conhece um casal como Jack e Grace? Ele é atraente e rico. Ela é encantadora e elegante. Ele é um hábil advogado que nunca perdeu um caso. Ela orienta de forma esmerada a casa onde vivem, e é muito dedicada à irmã com deficiência. Jack e Grace têm tudo para serem um casal feliz. Por mais que alguém resista, é impossível não se sentir atraído por eles. a paz e o conforto que a sua casa proporciona e os jantares requintados que oferecem encantam os amigos. Mas não é fácil estabelecer uma relação próxima com Grace... Ela e Jack são inseparáveis. 

Para uns, o amor entre eles é verdadeiro. Outros estranham Grace. Por que razão não atende o telefone e não sai à rua sozinha? Como pode ser tão magra, sendo tão talentosa na cozinha? Por que motivo as janelas dos quartos têm grades? Será aquele um casamento perfeito, ou tudo não passará de uma perfeita mentira?

A minha opinião:
Reparei neste livrinho. Quando a oportunidade surgiu, não a deixei passar. A sua legitima proprietária teceu elogios e eu fiquei muito curiosa. Daí, a pedi-lo emprestado foi um instantinho. Obrigado Célia.

A tentação da perfeição. O idílico "principe encantado". O sonho realizado em seis meses. A independência financeira abdicada em torno de uma vida a dois. A autonomia suspensa pela promessa de amor conjugal e maternidade.A capacidade de manipular e encantar os mais próximos. Tudo possível de se tornar um pesadelo sufocante. 

Jack e Grace, o aparente casal perfeito. Grace, a vitima silenciada pelo amor à irmã Millie, portadora de sindroma de Down, que conhecemos quando Grace recorda o início do relacionamento. A capacidade de resistir a um sádico jogo de extrema violência psicológica. A vingança no fim. 

Primeiro romance. Gostei.  Ótimas personagens num enredo credível e muito perturbador. Narrativa interrompida por breves momentos para respirar. Expetativa com futuros romances.

O Décimo Terceiro Conto

Autor: Diane Setterfield
Edição: 2007/ abril
Páginas: 366
ISBN: 978-989-84-7028-7
Editora: Marcador

Sinopse:
O Décimo Terceiro Conto narra o encontro de duas mulheres: Margaret, jovem, filha de um alfarrabista, biógrafa amadora, e Vida Winter, escritora famosa, que, sentindo aproximar-se o final dos seus dias, convida a primeira para escrever a sua biografia. Na sua casa de campo, a escritora decide contar a verdadeira história da sua vida, revelando um passado misterioso e cheio de segredos. As duas vão partilhar vivências profundas, resgatando velhas memórias e confrontando-se com fantasmas há muito adormecidos. Sem que pudessem inicialmente prever, acabam por entrelaçar as suas vidas de forma tão intensa, que o resultado não poderia ser outro que não uma inesquecível história de amor, amizade e solidão.

A minha opinião:
Guardei este livro durante tanto tempo por ler. Até ao dia, em que precisei do encantamento das palavras, desejosa de ficar arrebatada com uma boa história e profundamente embrenhada numa narrativa e pensei neste livro.

Encontrei Margaret Lea, que partilha comigo o mesmo anseio nostálgico pelo prazer perdido dos livros. E Vida Winter, uma escritora já idosa com um passado misterioso, que contrata Margaret, desconhecida biógrafa, para contar a sua história. A verdadeira, enquanto todos os seus leitores aguardam "O Décimo Terceiro Conto" do seu primeiro livro incompleto.

Angelfield. A casa, os destinos de George e Mathilde, dos seus filhos Charlie e Isabelle, das netas gémeas Emmeline e Adeline, e o fantasma. Sem esquecer os empregados Missus, John-da-enxada e Judith, personagens secundárias, que provavelmente vivem para lá das páginas deste livro. A estranheza como marca de familia. O isolamento e o medo. Fragmentos de vidas que se colam a quem lê e tenta imaginar um tempo e um lugar distantes, em que recordam outras leituras, como a de Kate Morton, detentora do mesmo poder de transfigurar o real. Simplesmente brilhante. 

Uma história com princípio, meio e... um extraordinário fim. Puzzles, mistérios e segredos. Um verdadeiro romance. Completo. Intemporal. Um insuspeito gosto para amantes de livros. 

Numa casa com crianças não pode haver segredos. 

domingo, 1 de outubro de 2017

A Mulher Secreta

Autor: Anna Ekberg
Edição: 2017/ agosto
Páginas: 480
ISBN: 9789892339610
Editora: Edições Asa

Sinopse: 
O que faria se descobrisse que a sua vida não é sua?

Louise tem tudo para ser feliz. Gere um café que adora numa ilha dinamarquesa, onde mora com o namorado, Joachim. E Louise é, de facto, feliz. Até ao dia em que um homem entra no café e vira a sua vida do avesso. Trata-se de Edmund, que jura que Louise se chama, na verdade, Helene, e é a sua mulher, desaparecida há três anos. E tem provas…

Depressa se torna evidente que Louise não é quem julga ser. É, sim, Helene Söderberg, herdeira de uma vasta fortuna, proprietária de uma grande empresa, mãe de dois filhos pequenos e casada com um marido dedicado. Mas há perguntas que permanecem sem resposta. Porque é que ela não se lembra de nada? Quais são os seus planos para o futuro quando desconhece por completo o passado? 

Conseguirá recuperar o amor dos seus filhos? E os sonhos que partilhou com Joachim?
Obrigada a retomar a sua vida misteriosamente interrompida, Helene é posta à prova de uma maneira tão brutal quanto comovente. Mas no seu coração continua a existir um lugar especial para Louise, a mulher que, por momentos, viveu a vida dos seus sonhos.

Um thriller romântico intenso e visceral sobre traição, ganância, laços de família… e um amor avassalador.

A minha opinião: 
Esta sinopse suscitou a minha curiosidade. Intencional, mas não original. A premissa de uma mulher rica e poderosa que desaparece e reaparece anos depois porque não foi esquecida, enquanto ela esqueceu tudo e todos porque sofre de amnésia dissociativa, não é novidade. Ainda assim, não lhe resisti. 

Julguei que o desvendar do mistério tornaria esta leitura imparável, mas tal não aconteceu de início. Julguei que Anna Ekberg seria uma autora, mas é o pseudónimo de uma dupla de autores que sabe que num thriller nada é o que parece, a verdade é sempre outra e precisamos de estar muito atentos para perceber o engano na história que nos contam. O narrador acompanha os dois protagonistas que separadamente procuram descobrir nos detalhes a verdade e recuperar o que julgam perdido. Por amor, Joachim não desistiu. E a trama adensa-se muito para lá da minha imaginação. Gosto disso. Crime no passado  por ganância,  crime no presente por ódio. E nada mais devo revelar. 

A meu ver, os autores nórdicos impõem um cunho diferentes na sua escrita e nos seus enredos. Menos descritiva e mais direta ou acessivel. Sorri quando li - "Bem-vindos à Dinamarca, pensa Joachim. Aqui, até as putas andam de bicicleta." (pag.199) O ambiente frio e escuro dos seus dias provoca arrepios no sentido da sua escrita. 

"Não há dúvida, a mulher secreta perdoa aos homens o seu ódio pelas mulheres." (pag. 452)

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A Maravilha Imperfeita

Autor: Andrea de Carlo
Edição: 2017/ julho
Páginas: 352
ISBN: 9789722062282
Editora: Dom Quixote

Sinopse: 
Tudo se passa na Provença, no outono, quando as primeiras névoas húmidas se entrecruzam com um longo rasto de calor quase estival. As vilas e as aldeias vão-se esvaziando de habitantes e turistas. Não obstante, prepara-se ainda um grande evento - o concerto de uma célebre banda inglesa, em parte com fins humanitários e em parte para comemorar o terceiro casamento de Nick Cruickshank, vocalista e carismático líder do grupo. Fervilham os preparativos, integralmente organizados com pulso firme por Aileen, a futura mulher de Nick.

Na vila há uma gelataria cuja gerente é uma jovem italiana, Milena, que cria, pensa e experimenta gelados com uma tensão de artista. Milena vive há alguns anos uma relação sólida com uma mulher estável e forte, quase a compensar a evanescência dos gelados, a ponto de se ir submeter dentro de alguns dias à fecundação assistida - um importante passo que talvez não tenha decidido. Sem o confessar, sente-se insegura. Tal como Nick, que pergunta a si mesmo a partir de quando a sua relação com Aileen perdeu o encanto dos primeiros tempos. 

Assim se cruzam os destinos de um famoso rocker inglês e de uma rapariga italiana e, no decurso de três dias, de quarta a sexta-feira, tudo se acelera e precipita num turbilhão inevitável e entusiasmante.

A minha opinião: 
Nesta curiosa demanda por novos autores tenho sido avassalada por revelações e sensações "numa corrente em que a perplexidade e a curiosidade se misturam em doses iguais". (pag.249) 

"- Porque é que a maravilha é imperfeita?
(...)
- Porque não dura.
(...)
- Desaparece. Juntamente com o espanto, a curiosidade, a atenção milimétrica, o divertimento, o prazer, a alegria que continha."           (pag. 112)

O livro não me passou despercebido. Admitamos que não é fácil. A maravilha a que se refere é a que é apresentada na capa, mas não só.  As relações considerando o temperamento de cada um e a sua maneira de reagir às circunstâncias, o conflito de aspirações e exigências que surgem, o equilibrio que é preciso manter sem deixar de ser verdadeiro. Alternando a voz feminina com a masculina, a ligeireza com a profunidade, o simples com o complexo, a comédia com o drama, num romance em que se sobrepõem perguntas dela e dele, de quarta a sábado em trinta e cinco capítulos.

Na contracapa lemos " A vida é demasiado curta para a desperdiçarmos a concretizar sonhos dos outros" e também é disso que se trata. O sentimento de pertença e a liberdade de ser distinto, numa leitura enriquecedora e nada fácil de processar através da introspeção inevitável. Protagonistas cativantes mas perturbados porque sentem a corda à volta do pescoço. 

Fascinante. A escrita, o enredo e o sentido. Um romance que apela aos sentidos e nos deixa a cabeça à roda. Um livro que nos pode mudar.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Todas as Ondas do Mar

Autor: Kerry Lonsdale
Edição: 2017/ julho
Páginas: 336
ISBN: 9789896489410
Editora: IN

Sinopse:
Depois de um desastre avassalador destruir a sua família, Molly Brennan foge do amor da sua vida e dos erros trágicos que cometeu. Passados doze anos, tem uma vida nova com a sua filha de 8 anos, Cassie, num ambiente seguro e pleno de amor e carinho, algo que sempre faltou a Molly. Mas quando Cassie é atormentada com visões assustadoras e pesadelos terríveis, Molly vê-se obrigada a regressar ao único local onde jurou nunca voltar: a sua casa de infância.

A minha opinião:
De quando em vez gosto de ler um romance leve. Um romance sobre almas gémeas/ amores duradoures, laços de familia e capacidades extraordinárias. Um romance sobre mulheres. A avó Nana, a neta Molly e a bisneta Cassie, personagens que inspiram afeto e compaixão. A filha, falecida, não é esquecida porque a sua sorte afetou as pessoas que mais amava que sentiam saudade e remorso.

Molly é uma talentosa artista que consegue transformar o que é considerado lixo, o vidro poroso que encontrava na areia da praia em belissimas peças de arte, mas não se dá valor. Foi maltratada e desvalorizada, como a mãe. Cassie é uma criança brilhante que sofre com a sua clarividência. E Nana, é uma avó como qualquer pessoa gostaria de ter. Maternal e sábia, que se preparou para o regresso da sua familia e sofre em segredo. A união destas mulheres é magnética e a narrativa gira em torno delas e do unico elemento masculino que vale a pena ler - Owen. 

Esperança, espanto e amor. O que procuramos num romance. Uma fórmula simples que resulta se as personagens forem envolventes e convincentes, num cenário idilico e com um enredo bem desenvolvido. Gostei muito e fiquei muito curiosa com o romance anterior "Os segredos que guardamos", que se possível, vou querer ler.

sábado, 9 de setembro de 2017

Os Falsários

Autor: Bradford Morrow
Edição: 2017/ agosto
Páginas: 264
ISBN: 9789897243813
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
Na tradição dos policiais de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, um romance misterioso e profundo sobre o fascínio do colecionismo e o lado sombrio do comércio de livros raros.

O que acontece quando mentimos tão bem que perdemos a noção do que é real? Numa prosa magnificamente cuidada, Bradford Morrow traça uma linha débil entre o devaneio e a intuição, a memória e a ficção autoilusória, entre o amor verdadeiro e o falso.

Uma comunidade bibliófila é abalada com a notícia de que Adam, um colecionador de livros raros, foi atacado e as suas mãos decepadas. Sem suspeitos, a polícia não consegue avançar no caso, e a irmã procura desesperadamente uma pista.

Ao longo das páginas repletas de mistério e simbologias, escritores famosos e citações brilhantes, Will, cunhado e colega de profissão de Adam Diehl, tenta obter uma resposta e, ao mesmo tempo, escapar às ameaças do misterioso «Henry James». Consciente do simbolismo do caso, ele sabe que um homem sem mãos se vê privado do instrumento mais precioso quando se trata de imitar a caligrafia de William Faulkner, James Joyce, Conan Doyle e outros que tais. Na verdade, Will, ele próprio genial falsário, talvez saiba demais.

A minha opinião:
A capa, o título e a sinopse tornaram este livro irresistível para uma leitora como eu. Um livro sobre livros. Falsários. E um crime perturbador. Um inofensivo amante de livros foi alvo de um ataque macabro. 

Brilhantismo e astúcia para concretizar missivas convincentes em manuscritos antigos com a pretensa caligrafia do autor que os peritos não detetam. São estes os falsários de livros raros, cobiça de colecionadores. 

Vamos ao que interessa...
Livro pequeno que me irritou sobejamente e pensei amiude abandonar. Personagens sem brilho, relacionamentos sem chama e uma trama que não evoluia. Aguardava uma surpresa que renovasse a minha expectativa, entretanto baixa, de que esta poderia ser uma leitura empolgante e viciante. Soturno e amorfo era o que pensava. Finalmente cheguei ao fim e fui apanhada no susto. Fiquei ainda mais irritada, se tal era possível,  mas compreendi a argúcia do autor. E pensei melhor sobre o que lera. E apreciei, o que antes não acontecera. Uma outra perspetiva que talvez venha a deixar marca, o que não é fácil. 

Uma experiência inesperada. Não sendo o meu tipo, contráriamente ao que supus pelo que vi do seu exterior, acabou por ser fecundante.

Sr. Mercedes

Autor: Stephen King
Edição: 2017/ março
Páginas: 472
ISBN: 9789722530477
Editora: Bertrand

Sinopse:
Numa madrugada gelada, uma fila de desempregados desesperados vai crescendo para conseguir lugar numa feira de emprego. Inesperadamente, um condutor solitário avança sobre a multidão num Mercedes roubado, atropelando os inocentes; depois recua e torna a avançar. Oito pessoas são mortas, quinze ficam feridas. O assassino foge. Meses mais tarde, noutro lugar da mesma cidade, um polícia reformado chamado Bill Hodges continua perturbado pelo crime que ficou por resolver. Quando recebe uma carta demente de alguém que se autodenomina «O Assassino do Mercedes» e ameaça um ataque ainda mais diabólico, Hodges desperta da sua reforma deprimente e decide a todo o custo evitar uma nova tragédia.

Brady Hartsfield vive com a mãe alcoólica na casa onde nasceu. Adorou aquela sensação de morte ao volante do Mercedes, e quer sentir aquilo de novo. Só Bill Hodges, com os seus dois novos (e improváveis) aliados, pode deter o assassino antes que ataque de novo. E não têm tempo a perder, porque a próxima missão de Brady, se for bem-sucedida, irá chacinar milhares de pessoas. Sr. Mercedes é uma luta épica entre o bem e o mal, e a exploração da mente de um assassino obsessivo.


A minha opinião:
Stephen King está a meio da tabela dos escritores de ficção que em 2016 mais lucraram. Conhecedora desse dado pensei que o devia ler. E se não o fizera antes com o tipo de histórias que o tornaram rico, poderia começar com o Sr. Mercedes, vilão e protagonista desta história. Uma mente engenhosa que encontra satisfação num crime de oportunidade. 

Uma carta que envia ao então reformado policia Bill Hodges, a reclamar o protagonismo reinicia a investigação sem intervenção das autoridades. A dedução e intuição de Bill Hodges que se associa a Jerome fazem-no avançar, apaixonar-se e conhecer Holly, a última das particpantes nesta corrida contra o tempo para impedir um crime ainda mais hediondo. 

O percurso existencial das personagens não é descuidado e as suas forças e fraquezas expostas, o que torna este thriller muito interessante dada a complexidade emocional e intelectual que se revela em personagens que nos parecem estranhas, mas às quais ficamos completamente rendidos.  O brilhantismo da narrativa fazem desta um sucesso com aproximadamente 500 páginas que se lêem sem tédio. 

Muito fácil de ler. Não sendo muito violento é um thriller muito competente que gostei. 

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A amiga

Autor: Dorothy Koomson
Edição: 2017/ junho
Páginas: 496
ISBN: 978-972-0-04025-1
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Quando o marido é promovido, Cece Solarin muda-se para Brighton com os três filhos, animada com a possibilidade de um recomeço. No entanto, o ambiente do bairro que a acolhe parece-lhe ansioso e os vizinhos sobressaltados.

Cece descobre que, três semanas antes, Yvonne, uma das mães mais populares da zona, foi deixada às portas da morte, no pátio da escola dos filhos - a mesma onde se vê obrigada a inscrever os seus.

No primeiro dia de aulas, Cece conhece três mães muito diferentes que parecem querer ajudá-la neste novo começo. Mas Maxie, Anaya e Hazel são também amigas de Yvonne, e a polícia desconfia que uma delas poderá estar envolvida no crime.

Preocupada com a segurança dos filhos, Cece está decidida a descobrir a verdade…


A minha opinião:
Bestial!
Gosto tanto quando o enredo é tão envolvente e verossímel que as personagens tornam-se nossas amigas (ou inimigas) e a leitura tão viciante que as quase 400 páginas lêem-se num ápice.
Dorothy Koomson é uma quase estreia para mim porque o único livro que li era bom, mas sem deixar marca e sem a sinalizar como uma autora a seguir. Este romance quase me passou despercebido como sendo mais um romancezinho. A amiga é um título simples mas qualquer mulher sabe o quanto pode ser complexo. Na verdade, qualquer pessoa sabe. 
 
"... fazer amigos é surpreendentemente fácil, mas a malha que resulta dessa amizade é enganosamente complexa." (pag. 352)

Enganosamente semelhante a um outro romance de que muito gostei como "Pequenas Grandes Mentiras" de Liane Moriarty. E só isso era o bastante para eu o ler. Poderia ser uma desilusão, mas se não o superou ficou lá perto. As personagens marcantes e o suspense no muito que se pode revelar numa intriga que aparenta ser banal é um trunfo que a autora sabe usar com uma narrativa em que cada uma intervêm no tempo certo. Cece é uma nova amiga e a personagem central que vai desvendando toda a tramoia. 

E mais não conto, para não estragar o prazer da descoberta. 
Um prazer de ler!

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O Porto das Almas

Autor: Lars Kepler
Edição: 2017/ maio
Páginas: 392
ISBN: 978-972-0-04841-7
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Jasmin é uma mulher soldado do exército sueco colocada no Kosovo que vive para o filho, Dante, cujo pai é um camarada de armas, um homem instável que tenta afogar os horrores da guerra em álcool e drogas. No Kosovo, Jasmin fica gravemente ferida e, durante a hospitalização, enquanto se encontra entre a vida e a morte, a sua alma parte para uma misteriosa e sobrelotada cidade portuária, um porto de almas, de onde os que morrem jamais regressarão. Mas Jasmin é forte e consegue escapar.

Dois anos após a sua primeira experiência na cidade dos mortos, um acidente rodoviário obriga Jasmin, desta feita acompanhada pelo filho, a regressar: todavia, só ela é que consegue escapar ao porto das almas. O caso de Dante, que está à espera de uma operação, é muito mais grave, e Jasmin não pode abandoná-lo à mercê da cidade misteriosa: a sua única opção é voltar, uma vez mais, e lutar por quem ama, num jogo terrível de vida e morte no qual é provável que saia derrotada.


A minha opinião:
Um thriller sobrenatural. Pareceu-me um bom livro para desligar do anterior. Para mais, ainda não tinha lido nada desta dupla de escritores suecos que assina com o pseudónimo Lars Kepler, e este em particular foi muito bem recomendado.

O reino dos mortos representado por uma cidade portuária sem regras é onde quase toda a ação se passa, como elemento sobrenatural desta narrativa em dois tempos, ou melhor, em dois mundos paralelos. Jasmim é uma personagem forte marcada por uma quase morte que lhe trouxe memórias da cidade que a levaram a ser considerada desiquilibrada. A maternidade alterou o seu modo de vida em função do bem estar de Dante, mas quando um acidente de viação a faz regressar, verifica o que muitos sabem e não querem revelar.

A corrupção, a violência e a morte, com descrições tão visuais foi a parte menos empolgante desta leitura trepidante. Claro que se trata de um thriller, mas esta é uma caracteristica dos autores nórdicos, que não me distanciou tanto assim do livro anterior. Exímios neste género literário, o enredo é bem construído e a leitura fácil não deixa de nos contagiar com a adrenalina de Jasmin que luta para salvar o filho. 

Enfim... Continua no próximo livro da série.