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sábado, 6 de junho de 2015

DESAMPARO

Autor: Inês Pedrosa
Edição: 2015/ fevereiro
Páginas: 320
ISBN: 9789722056694
Editora: DOM QUIXOTE

Sinopse:
A saga de uma mulher, Jacinta Sousa, que foi levada do colo da mãe para o Brasil aos três anos e regressa para a conhecer mais de cinquenta anos depois é o ponto de partida deste extraordinário romance de Inês Pedrosa. “No Brasil eu sempre fui a Portuguesa; em Portugal, passei a ser a Brasileira".
Numa escrita inteligente, límpida e plena de humor, a autora cria um universo singular, uma aldeia em que se cruzam personagens e histórias de vários continentes.
Emigrações e imigrações de ontem e de hoje, seres solitários e escorraçados que procuram novas formas de vida, enquanto tentam sobreviver à maior depressão económica das últimas décadas.
O amor, a traição, o poder, a inveja, o ciúme, a amizade, o crime, o medo, a vingança e sobretudo a morte atravessam este livro que faz a radiografia do Portugal contemporâneo, num enredo cheio de força e originalidade.

A minha opinião:
Suponho que este seja o segundo livro que leio de Inês Pedrosa. Do primeiro, não me recordo. Este, dificilmente esquecerei.

Desamparo parece-me o titulo adequado. Um estado de espírito presente na sociedade actual. Solidão e medo grassam em pessoas de diferentes condições que o sentem por diferentes motivos. Os afectos substituídos por exibicionismo virtual com valores materiais pouco compensadores. Mas apesar de tudo isto, não é um romance cinzentão e amargurado como a capa o demonstra, com o vivo amarelo a iluminar a imagem.

A acção passa-se num meio rural  - aldeia de Arrifes, no turístico Lagar, onde o imaginário atribui algumas características como a bonomia e a qualidade de vida. Tantas são as vicissitudes como se percebe neste romance. 
A proximidade através do meio ambiente que reconheço e a empatia por personagens como Jacinta e o filho Raul, em contrapartida com a aversão por outras personagens menos dignas, que consideram apenas os seus interesses pessoais, tornam este romance marcante e até divertido.   

"Jacinta era uma mulher do mundo, observadora e arguta;" com muitas memorias para contar. Raul era um arquitecto de meia idade e sem amor, num país que não premeia o mérito. Estas duas personagens são elo de ligação com outras na pequena comunidade, que dão vida a este romance. Passado e presente, porque todos trazem "bagagem". Uns que chegam e outros que partem, uns que regressam e outros não. 

Despretensioso e bem escrito, como eu gosto. Visualizo os lugares e as pessoas nas palavras de Inês Pedrosa. Reencontrei o que sei em parcas palavras. Com um sorriso nos lábios e sem muitas delongas.  

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Dentro de Ti Ver o Mar

Autor: Inês Pedrosa
Edição: 2012, Outubro
Páginas: 344
ISBN: 9789722050999,
Editora: Dom Quixote
  
Sinopse:
Um romance provocador sobre os equívocos da globalização e os labirintos da identidade, que interroga, com paixão e humor, numa escrita luminosa e reflexiva, os sonhos e medos do nosso tempo.

Dentro de ti ver o mar. A frase era dele, e dissera-a sem sequer gaguejar. Dentro dela Gabriel perdia completamente a gaguez. A frase era dele e agora Rosa esperava que viesse reivindicar-lha. Era esse o seu engenho emancipatório. Dessa frase que não lhe pertencia surgira uma letra de fado e o sucesso da fadista, numa Lisboa saturada de novos heróis do fado. Procissões de artistas despontavam diariamente para o anonimato. O fracasso subia-lhes à cabeça.
A vida da fadista Rosa, que procura o pai que nunca conheceu, cruza-se com a de Farimah, que escapa ao fado desenhado pelo pai, e com a de Luísa, que não teve mãe e ofereceu a filha. A história de três mulheres desobedientes e de como cada uma delas encontra a sua própria voz.

A minha opinião:
"Dentro de Ti Ver o Mar" expressão de ternura e desejo de um amor sem esperança. Nome de um fado que Rosa compôs e canta com alma e coração. Fado é sobre saudade, solidão, dor, alegria, amor e obsessão. Síntese básica quando este romance alcança tanto mais numa escrita fluída, elaborada e madura que nos leva a reflectir sobre as circunstâncias quotidianas e as pessoas deste meio globalizado.   

Contrariamente ás minhas expectativas li este romance em dois dias, compulsivamente. Bem dimensionado, fácil de manusear e grafia adequada com personagens intrincadas e perturbadoras é um romance com sentir bem lusitano. Mais uma vez, as personagens femininas cativaram-me. Complexas, generosas e fortes, mesmo que sem consciência disso.

Uma agradável leitura, distinto, que mistura coerência com fantasia sem perder o interesse.