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quinta-feira, 27 de abril de 2023

Laranjeira-Amarga

 

A minha opinião:

Depois de Corpos Celestes não podia deixar de ler Laranjeira-Amarga. Jokha Alharthi tem uma escrita intimista, com laivos de ancestralidade que mantém as mulheres subjugadas e vitimas de um patriarcado na Peninsula Arábica e uma dignidade e força que lhes permite transcender amarras e alcançar a intemporalidade. Algumas, privilegiadas, conseguem dar voz a essas mulheres. As primeiras páginas deste romance cativam e impressionam o leitor. Bint Aamir é a personagem que nos toca o coração. Zuhour é a narradora que partiu.

Romance em que muitas são as personagens femininas que em paralelo intervém com apontamentos sobre as suas vidas. Enquanto umas cresciam convencidas que as escolhas da vida já estavam predestinadas, outras rebelam-se sem deixar de sentir culpa. E muitas quebram. Pujante narrativa que numa prosa refinada nos enriquece tanto. De cortar a respiração. Obrigatório ler. 
Uma pena que certos livros não tenham o destaque que merecem.

Autor: Jokha Alharthi
Páginas: 208
Editora: Relógio D'Água
ISBN: 9789897833014
Edição: fevereiro/2023

Sinopse:
Zuhour, uma estudante omanense numa universidade britânica, encontra-se entre o passado e o presente. Tenta fazer amizades e assimilar a cultura britânica, mas não consegue esquecer as relações que foram centrais na sua vida, sendo a mais importante a que manteve com Bint Aamir, mulher que sempre considerara sua avó, e que morreu assim que Zuhour abandonou a Península Arábica.

À medida que a narrativa acompanha as dificuldades por que Bint Aamir passou, entrelaça-se com o presente isolado e insatisfatório de Zuhour, numa combinação de sonhos e memórias. Laranjeira-Amarga é uma exploração sobre estatuto social, desejo e o lugar da mulher na sociedade, feita através de um retrato em mosaico da vida de uma jovem mulher que procura entender as suas origens enquanto imagina uma idade adulta em que o seu poder e a sua felicidade consigam encontrar a liberdade necessária para florescerem.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Corpos Celestes

A minha opinião:
Um romance que retrata um outro universo. Individualmente, cada personagem é um mundo. As mulheres no seu ambiente doméstico são rainhas. Os homens quase despidos de autoridade assumem as suas fraquezas e submetem-se as suas vontades. O papel na dinâmica familiar dos escravos, atualmente livres, integrados nas casas-fortaleza. As tradições e costumes omanenses numa narrativa pujante e mística. Bela. Um outro modo de vida que tanta curiosidade suscita.
 
Para facilitar o reconhecimento dos elos entre as personagens e perceber quem é quem há um esquema nas primeiras páginas. Neste romance, temos duas famílias abastadas ligadas pelo matrimónio numa comunidade fechada. Pode parecer pouco mas as personagens principais, como as secundárias são tão extraordinárias, que li extasiada. No fim, constato que a História e a política intervêm no enredo, o que o engrandece ainda mais.
Brilhantes Corpos Celestes.
 
 
Autor: Jokha Alharthi
Páginas: 240
Editora: Relógio D'Água
ISBN: 9789896419851
Edição: 2020/ janeiro

Sinopse: 
Corpos Celestes narra a vida de três irmãs na aldeia de al-Awafi, em Omã. Mayya, que casa com Abdallah após um desgosto amoroso; Asma, casada por obrigação; e Khawla, que rejeita todas as propostas enquanto espera pelo seu amado, que emigrou para o Canadá.

Estas três mulheres e as suas famílias testemunham o desenvolvimento de Omã, de uma sociedade tradicional e esclavagista, passando pela era pós-colonial, até aos dias de hoje, marcados por um presente complexo.

Elegantemente estruturado e sempre tenso, Corpos Celestes é um romance que vê o seu potencial desenrolar-se na narrativa do desenvolvimento de Omã através dos amores e perdas de uma família.