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sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Segunda Casa

 

A minha opinião: 

Depois de ler a trilogia A Contraluz, Trânsito e Kudos, não podia deixar Segunda Casa. A prosa de Rachel é incisiva e muito precisa. Pequenos livros dão para ler e reler sem ficar indiferente.

Mas... contráriamente ao que eu esperava (e senti quando o iniciei), este romance não me agarrou. Muito conturbado emocionalmente e não consegui sentir empatia pelas personagens. 

A narradora, que no fim é identificada como M. conta a Jeffers (desconhecido na trama) o que se passou desde que se deixou impressionar por uma tela que a reconfortou e libertou, o que a levou a convidar o artista, conhecido pela inicial L., para a sua Segunda Casa. A turbulência desta hospitalidade que envolve o marido Tony, a filha Justine e o companheiro Kurt é devastadora para todos os envolvidos. E reveladora mas também extenuante para o leitor que se vê arrastado num rodopio de emoções. Afinal, o diabo andava à solta. E nada mais do que uma homenagem. 

Autor: Rachel Cusk
Páginas: 160
Editora: Relógio D'Água
ISBN: 9789897831843
Edição: 2021/ novembro 

Sinopse: 
Uma mulher convida um prestigiado pintor para passar uma temporada com ela e a sua família, na casa que acabam de construir numa remota zona costeira. Profundamente impressionada com a sua pintura, espera que o particular olhar do artista ilumine com uma nova luz a sua própria existência e os mistérios da paisagem.

Ao longo desse verão, a presença do pintor vai revelar a distância que separa a realidade das ficções que vamos construindo e as subtis dinâmicas de poder que existem nas relações entre homens e mulheres.

domingo, 21 de julho de 2019

Kudos

A minha opinião:
Gostei tanto deste romance. Apesar de ter noção que não é para todos. A mim, marcou-me, o que considero importante quando se lê muito. Não o consigo definir como um romance convencional.

Faye viaja para promover o seu livro e vai entabuando conversa com desconhecidos ou meros conhecidos que lhe fazem revelações pessoais. Histórias emocionais. Histórias de guerra ou histórias de mudança como Paola e Felícia se referiam ao divórcio. Histórias de sobrevivência. Histórias de liberdade. Histórias de diferença de géneros. Histórias de ligações familiares. Histórias sobre livros e autores numa conferência literária. Histórias que não percebi onde se passavam, mas que começaram com um anónimo num vôo para a Europa. Cheguei a julgar que o cenário era em Portugal.

KUDOS significa prémios. Originalmente era um conceito mais amplo de reconhecimento ou louvor. Como na literatura e na vida.

Último da trilogia que vou reler e reflectir. Muiiito bom.

Autor: Rachel Cusk
Páginas: 192
Editora: Relógio D'Água
ISBN: 9789896419059
Edição: 2019/ Abril

Sinopse:
Uma mulher num avião escuta o desconhecido sentado a seu lado que lhe revela a história da sua vida: o seu emprego, o casamento e a angustiante noite que acabara de passar a enterrar o cão da família.

Esta mulher é Faye, que está a caminho da Europa para promover o seu livro, acabado de publicar. Assim que aterra, as conversas que tem com as pessoas que conhece — sobre arte, família, política, amor, tristeza e alegria, justiça e injustiça — suscitam as perguntas mais abrangentes que o ser humano pode fazer.

Estas conversas, sendo a última com o seu filho, levam Faye a uma conclusão bela mas dramática.

Kudos completa de uma forma exuberante a trilogia de Rachel Cusk, iniciada com A Contraluz e Trânsito.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Trânsito

Autor: Rachel Cusk
Edição: 2018/ julho
Páginas: 232
ISBN: 9789897224454
Tradutor: Ana Matoso
Editora: Quetzal 

Sinopse:
No rescaldo do colapso da família, uma escritora e os seus dois filhos mudam-se para Londres. Essa perturbação vai ser o catalisador de uma série de transições - pessoais, morais, artísticas e práticas -, à medida que ela, Faye, se esforça por construir uma nova realidade para si e para os filhos. Na cidade, é confrontada com aspetos da realidade que sempre tentara evitar - aspetos de vulnerabilidade e poder, de morte e renovação. Esta é a luta para se religar a si própria e à sua crença na vida.

Neste segundo livro de um preciso, curto e ainda assim épico ciclo, Cusk capta com inquietante contenção e honestidade o desejo de habitar uma vida e ao mesmo tempo abandoná-la, e a tortuosa ambivalência que anima a nossa necessidade do real.

A minha opinião:
Mais uma estreia. Não comecei pelo primeiro - A Contraluz, mas antes pelo segundo desta triologia, atraida pela sinopse e pelo título. 

Quando algo não foi concluido ou está a  decorrer, em tom de brincadeira digo que está em Trânsito. Por isso, este título faz todo o sentido tratando-se de uma mudança de vida após um divórcio em que a personagem/ narradora saí do campo para a cidade de Londres, decide comprar uma casa má num lugar bom e descobre o mal nos vizinhos. A premissa começa com um email de uma astróloga que alega saber da sua situação e pode ajudá-la a tirar proveito.

A análise das circunstâncias banais do quotidiano e de si mesma como se contemplada à distância, sem grandes rasgos emocionais, é fascinante e dei por mim absorta num romance que não tem muita ação, nem enquadramento ou previsiel desfecho. Decorre e pronto. Simples assim mas muito eficaz. E bem escrito. Elegante introspeção que nos leva à reflexão. Gosto disso. Recordou-me alguns romances que li de Julian Barnes. 

Fiquei com muita vontade de ler o romance que se segue e espero que não demore muito porque Faye ficou na minha cabeça. Uma mulher só. Retrato atual e acutilante. Uma vida sem história. Narrativa forte e pertubadora em que "observamos" gestos e maneirismos, competitividade, ansiedade, raiva e alegrias, sobretudo em necessidades tanto fisicas como emocionais. Padrões de comportamento.

Muito bom mas não para todos ou em qualquer momento. Um livro que requer disponibilidade.