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quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

As mensageiras da esperança

 

A minha opinião:
Possivelmente o melhor romance de Jojo Moyes. 

As expectativas eram baixas. Confesso que o título e a capa não me convenceram mas como era o último romance desta autora não o poderia perder. E muito grata estou à Porto Editora por me ter cedido este exemplar que devorei, renitente ao início e depois absorta e inquieta. O meu coração vibrava em uníssono com estas extraordinárias personagens. E o que não me convenceu de início, fez todo o sentido depois de o ler.

De realçar que é baseado no projeto da Biblioteca a Cavalo WPA que decorreu entre 1935 e 1943 numa das regiões mais pobres do EUA, a leste do Kentucky, quando estóicas mulheres enfrentaram adversidades para levar instrução, lazer e conforto a quem mais precisava e ainda venceram preconceitos. Neste romance, o pequeno núcleo de cavaleiras superou a maldade hiócrita de um poderoso da região. O que me frustou foi que ele não tivesse o fim que eu acho que merecia. Em compensação, o desenrolar dos acontecimentos não poderia ser mais satisfatório, com o mérito e a felicidade a quem a devia alcançar.

Épico e uma brilhante homenagem. Empolgante e emocionante. Um romance da Jojo Moyes que não irei esquecer.


Autor: Jojo Moyes
Páginas: 428
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03345-1
Edição: 2020/ novembro

Sinopse:
Alice Wright casa-se com o belo americano Bennett Van Cleve na esperança de escapar a uma vida sufocante, em Inglaterra. Mas a pequena cidade de Kentucky rapidamente se revela igualmente claustrofóbica, sobretudo vivendo Alice com o sogro autoritário. É então que é feito um apelo para a participação das mulheres da cidade numa equipa para entregar livros; um projeto da nova biblioteca itinerante de Eleanor Roosevelt. Alice adere com entusiasmo.
Alice conhece assim Margery, a líder desta equipa, uma mulher autossuficiente e de discurso inteligente que nunca pediu permissão a um homem para nada. A elas juntar-se-ão três outras mulheres singulares que ficarão conhecidas como as Packhorse Librarians of Kentucky.
A aventura destas mulheres - e dos homens que amam - torna-se um drama inesquecível de lealdade, justiça, humanidade e paixão. Estas mulheres, autênticas heroínas, recusam-se a ser intimidadas pelos homens ou pelas convenções. E embora enfrentem todos os tipos de perigos, não desistem da missão que abraçaram: levar a sabedoria, a leitura e o mundo fantástico dos livros até aos mais pobres e desfavorecidos.
Mas quando a comunidade de Baileyville se voltar contra elas, será que a determinação - e o poder da palavra escrita - será suficiente para as salvar?

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Viver sem ti

Autor: Jojo Moyes
Edição: 2016/ setembro
Páginas: 408
ISBN: 9789720048851
Editora: Porto Editora

Sinopse: 
Como seguir em frente depois de se perder a pessoa amada? Como construir uma vida que valha a pena ser vivida?
Louisa Clark já não é uma jovem banal a viver uma vida banal. O tempo que passou com Will Traynor transformou-a, sendo agora uma pessoa diferente que tem de enfrentar a vida sem ele. Quando um insólito acidente obriga Lou a regressar a casa dos pais, é impossível não sentir que está de volta ao ponto de partida.
Lou sabe que precisa de um empurrão que a traga de novo à vida. E é assim que acaba por ir parar ao grupo de apoio Seguir em Frente, cujos membros partilham sentimentos, alegrias, frustrações e bolos intragáveis.

Serão também eles que a levarão até Sam Fielding - um paramédico que trabalha entre a vida e a morte, e o único homem que talvez seja capaz de a compreender. Mas eis que uma personagem do passado de Will surge de repente e lhe altera todos os planos, lançando-a num futuro muito diferente…. Para Lou Clark, a vida depois de Will Traynor significa reaprender a apaixonar-se, com todos os riscos que isso implica.
Em Viver Sem Ti, Jojo Moyes traz-nos duas famílias, tão reais como a nossa, cujas alegrias e tristezas nos tocarão profundamente ao longo de uma história feita de surpresas.

A minha opinião: 
Certamente que este romance que é uma sequela do livro Viver depois de Ti terá continuidade. O romance foi reeditado com una nova capa, e daí alguma confusão da minha parte que não reconheci ao primeiro olhar que se tratava da estória de Louisa Clark  depois de Will Traynor . A capa que não aprecio particularmente tem uma imagem do filme que foi adaptado do livro. 

A temática do luto regressa com um grupo de apoio e a adaptação a uma nova vida que Lou não sente como sua mas que gradualmente vai retomando com novos amigos e a família. Uma inesperada e problemática personagem entra em cena e acidentalmente provoca uma queda que a leva ao encontro de Sam e Donna, os paramédicos chamados em seu socorro. 

Mais do que superar situações dramáticas e catastróficas como a morte de quem se ama que Jojo Moyes aborda com sensibilidade e bom senso sem apelo ao sentimentalismo barato ou à mera ficção, explora o potencial de circunstâncias que obrigam a reagir, interagir e intervir, quando é preciso como acolher uma jovem sem rumo e em risco. Uma situação possível em famílias disfuncionais e tão real.

Louisa Clark é uma personagem carismática e empática que merece ser conhecida e devidamente apreciada, bem como Sam Fielding neste romance tão doce sem ser enjoativo ou vulgar. Lily é uma agradável surpresa nesta narrativa que emociona pela sua bravura.

Enfim... um romance que não sendo inesquecível me deixou bem. Um óptimo interlúdio com momentos de humor e alguma comoção.

sábado, 5 de abril de 2014

O olhar de Sophie

Autor: Jojo Moyes
Edição: 2014/ março
Páginas: 456
ISBN: 9789720046451
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Duas mulheres separadas por um século, unidas na determinação em lutar pelo que mais amam.
Somme, 1916. Sophie vive numa vila ocupada pelo Exército alemão, tentando sobreviver às privações e brutalidade impostas pelo invasor, enquanto aguarda notícias do marido, Édouard Lefèvre, um pintor impressionista, que se encontra a lutar na Frente. Quando o comandante alemão vê o retrato de Sophie pintado por Édouard, nasce uma perigosa obsessão que leva Sophie a arriscar tudo - a família, a reputação e a vida.

Quase um século depois, o retrato de Sophie encontra-se pendurado numa parede da casa de Liv Halston, em Londres. Entretanto, Liv conhece o homem que a faz recuperar a vontade de viver, após anos de profundo luto pela morte prematura do marido. Mas não tardará que Liv sofra uma nova desilusão - o quadro que possui é agora reclamado pelos herdeiros e Paul, o homem por quem se apaixonou, está encarregado de investigar o seu paradeiro…
Até onde estará disposta Liv a ir para salvar este quadro? Será o retrato de Sophie assim tão importante que justifique perder tudo de novo?

A minha opinião:
Por vezes, mesmo para alguém como eu que tanto aprecia ler, é difícil articular as palavras para melhor expressar o que sinto e retirei do que li. Mas este é realmente um excelente romance e mesmo não querendo elevar de tal modo as expectativas que se torne uma desilusão para quem o pretender ler, não posso deixar de enaltecer a extraordinária capacidade de contar uma história em dois períodos distintos, sem que nenhuma das partes se destaque ou sobreponha à outra, bem como o conjunto de notáveis personagens que pela sua humanidade permanecem connosco muito depois de terminarmos a leitura.

O enigma de "A Mulher Que Deixaste Para Trás", o quadro que retrata Sophie Lefévre. Por vezes, "a história de um quadro não é apenas sobre o quadro. É também a história de uma família, com todos os seus segredos e os seus delitos". (pag. 282) 
É partindo desta premissa que a autora conta a história de duas mulheres honestas, determinadas e corajosas que estão ligadas a este quadro. Duas heroínas inesquecíveis - Sophie Lefévre e Liv Halston, que me provocaram um frenesim de ansiedade em saber mais e mais sobre as suas bravatas e sem conseguir antever o desfecho.

"O quadro faz-me pensar em ti e no tempo em que éramos felizes juntos. Faz-me pensar que a humanidade é tão capaz construir amor e beleza quando promover destruição." (pag. 333) 

O desvendar de um passado para determinar a posse de um objeto que tanto valor em si contêm, seja ele afetivo ou monetário, mas que suscita diferentes emoções e sentimentos em diferentes graduações, desde comoção e apreço a revolta e ganância. Como leitora, em nenhum momento fui indiferente a todos esses estados de alma. O amor, a beleza e a destruição de que somos capazes de sentir e compartilhar.

Um imenso prazer de ler!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Viver depois de ti

Autor: Jojo Moyes
Edição: 2013, maio
Páginas: 424
ISBN: 9789720045775
Editora:  Porto Editora

Sinopse:
Lou Clark sabe muitas coisas. Sabe quantos passos deve dar entre a paragem do autocarro e a sua casa. Sabe que trabalha na casa de chá The Buttered Bun e sabe que não está apaixonada pelo namorado, Patrick. O que ela não sabe é que vai perder o emprego e que todas as suas certezas vão ser postas em causa.

Will Traynor sabe que o acidente de motociclo lhe tirou  o desejo de viver. Sabe que agora tudo lhe parece triste e inútil e sabe como pôr fim a este sofrimento. O que não sabe é que Lou vai irromper na sua vida com toda a energia e vontade de viver. E nenhum deles sabe que as suas vidas vão mudar para sempre.
Em Viver depois de ti, Jojo Moyes aborda um tema difícil e controverso com sensibilidade e realismo, obrigando-nos a refletir sobre o direito à liberdade de escolha e as suas consequências.
 
A minha opinião:
Gosto muito desta autora mas neste romance ficou muito áquem das minhas expetativas.
 
Um tema polémico e difícil se considerarmos a possibilidade de o encarar na perspetiva do Will, um indivíduo até ao estúpido acidente de que foi vitima, arrogante e cheio de vida que vivia intensamente com todos os meios que tinha ao seu alcance e se vê na impossibilidade de algo fazer sem a ajuda alheia e ainda sobreviver com muitas limitações e sofrimento. Will faz uma escolha e confronta a sua familia com esta e sem juízos de valor li o desenrolar da narrativa que se arrasou demasiado para um final previsível, mas não sei se desejável.
 
Lou Clark é uma personagem extravagante no seu modo de vestir e de estar, que se percebe que tem limitações mas não fisícas e inversamente a Will acomodou-se a uma existência contida e muito condicionada. A interação destas duas personagens será o resultado de toda a narrativa que pouco mais acrescenta em demasiadas páginas.
 
Apesar da delicadeza e sensibilidade com que a história foi contada e das personagens bem construídas não me senti tocada ou emocionada e por isso, ficou áquem das expetativas. Não deixa de ser um livro muito interessante e pertinente que nos faz reflectir sobre a fragilidade do que damos como certo e de como podemos aceitar ou encarar decisões como as que aqui são debatidas.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A última carta de Amor


Autor: Jojo Moyes
Edição: 2012, Junho
Páginas: 456
ISBN: 9789720043702
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Inglaterra, 1960. Quando Jennifer Stirling, uma mulher de vinte e sete anos, acorda no hospital, após um trágico acidente de automóvel, não tem qualquer lembrança da sua vida passada. Não reconhece o marido, não recorda a sua própria casa e tão-pouco se identifica com a vida que lhe dizem ser a sua. Quando encontra uma carta apaixonada, escrita por um homem que assina apenas «B» e que lhe pede para abandonar o marido, irá a todo o custo tentar descobrir a identidade desse homem, enquanto enfrenta os preconceitos sociais estabelecidos.
Anos volvidos, em 2003, uma outra mulher, Ellie, descobre nos arquivos poeirentos do jornal onde trabalha a mesma carta enigmática. Fica de imediato obcecada pela história, que lhe permitirá escrever um artigo que relance a sua carreira e talvez até a ajude a lidar com a sua própria vida amorosa. Afinal, se aquela história tiver tido um final feliz, quem lhe garantirá que o homem com quem se envolveu não acabe também por deixar a mulher?
Uma história de amor apaixonante e arrebatadora, com um final absolutamente inesperado.
 
A minha opinião:
Emotivo, intenso e surpreendente, o que se traduz num excelente romance. Imperdível. Vencedor do prémio Romantic Novel of the year 2011.

Jojo Moyes é uma escritora de referência para mim. Como tal, este romance chamou-me imediatamente a atenção. Mas o que tem este romance de tão especial para quem já leu tantos e tão bons romances?

       "Jennifer Stirling senta-se no sofá forrado a seda. o café a arrefecer no colo, e conta a história de uma jovem esposa no Sul de França, de um marido que, segundo ela, não era melhor nem pior do que os maridos dessa época. Um homem do seu tempo, incapaz de expressar as suas emoções, que considerava um sinal de fraqueza. E depois conta-lhe a história de um homem diametralmente oposto, um homem rezingão, obstinado, apaixonado, magoado pela vida, que a perturbou desde a noite que o conheceu num jantar ao luar."    (pag. 337)

Uma história de amor arrebatadora,  aliás duas histórias (uma passada na década de 6o e a outra em 2003), contada de um modo absorvente e viciante repleto de ação e emoção. Divida em três partes, em que no ínicio de cada capítulo há uma missiva passional, seja carta, email ou sms, reais, em que a autora realça a importância das palavras escritas no sentir de quem as escreve e de quem as recebe.

Um amor de uma vida composto apenas por memórias e cartas sem uma única foto.

       "Mas percebi, que no meio do caos, ter alguém que nos compreenda, que nos deseje, que nos veja como uma versão melhor de nós próprios é o presente mais maravilhoso de todos. Mesmo que não estejamos juntos. saber que, para ti, eu sou esse homem é uma fonte de sustentação para mim."
(carta de Rory para Ellie - pag. 370)

Mais do que palavras sobre o prazer e comoção que sentimos ao ler este romance, inspira-nos a sentir assim.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Um Violino na Noite

Autor:  Jojo Moyes
Edição: 2010, Abril
Páginas: 416
ISBN: 9789720045423
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Isabel Delancey, uma mulher frágil e ainda jovem, alheada das vicissitudes do dia-a-dia, vivia para a música: era violinista numa orquestra sinfónica. O que a prendia à realidade era o amor que sentia por Laurent, o seu marido. Quando este morre num brutal acidente, Isabel vê-se obrigada a confrontar-se com a terrível situação financeira em que o marido deixou a família e a assumir o papel de mãe que sempre tinha sido desempenhado por uma ama.
A Casa Espanhola, uma propriedade que herda inesperadamente, sendo uma fonte inesgotável de problemas, vai ser ao mesmo tempo um desafio à sua coragem e determinação, transformando Isabel numa mulher madura. Ali, vai encontrar uma solidariedade inesperada, um rancor visceral e o amor.

A minha opinião:
Com este livro, ficamos próximos das personagens e lidamos com as suas dificuldades, e a leitura não pára até chegarmos ao epílogo. Começamos por perceber o sacrifício de Laura McCarthy por ambição de uma casa decrépita. Não se trata de uma casa qualquer, mas a Casa Espanhola, uma propriedade aprazível e privilegiada. De seguida, compreendemos a fatalidade de Isabel que, em determinado momento, me irritou um pouco. Uma mulher-menina que viveu dedicada à sua música. Um talento incrível como 1ª violonista e uma nulidade como mãe e mulher em todos os aspectos práticos do dia-a-dia. Assim, foi ludibriada e manipulada grosseiramente por Matt McCarthy que era obcecado pela casa, quando se ofereceu para as obras de recuperação.
O recatado Byron conquista-nos com a sua força e ternura silenciosa.
Percebemos o peso da comunidade e como cada um pode afectar um todo.
Mas, em toda a trama, compreendemos que, com esforço e determinação, tudo se pode superar pelo bem-estar da família, recomeçar a viver.