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sábado, 15 de outubro de 2022

O Homem do Ciúme

 

A minha opinião:

Não lia nada do Jo Nesbø há algum tempo (O Reino aguarda vez) mas reconheço que é um contador de histórias nato e dificilmente não agarra um leitor com um enredo de suspense e intriga. E uma morte ou outra. Londres é o primeiro, em que a empatia pelas personagens não falha. O homem do cíume é o que dá título a este pequeno livro e a mais longa. Um caso com gémeos alpinistas numa pequena ilha. A fila, Lixo, A confissão e O brinco são curtas mas no melhor estilo. Odd é escritor e o que menos gostei. Bons pequenos thrillers. 7 e nem mais.

O sarcasmo das narrativas é um bônus, em que o cíume marca presença em todas. Não fica áquem das expectativas. Viciante como se deseja.

Autor: Jo Nesbø
Páginas: 256
Editora: Dom Quixote
ISBN: 9789722075695
Edição: Setembro/2022

Sinopse: 
Repletos de emoções sombrias, mentes perversas e corações vingativos, estes thrillers do rei do policial nórdico, e criador do icónico detetive Harry Hole, vão levar-nos a ler pela noite fora.

Na Grécia, encontramos um detetive que se tornou perito em ciúme graças a algumas lições duramente aprendidas na sua vida privada. Longe, num outro país, um taxista encontra o brinco da sua mulher num carro pertencente ao patrão e parte à descoberta de como ele lá foi parar. No alto dos céus, uma mulher que contratou o seu assassínio está a bordo de um avião em direção a Londres. E quem é o homem que está sentado ao seu lado?

No seu primeiro livro de thrillers mais curtos, Nesbo, o mestre da literatura policial nórdica, atrai habilmente o leitor enquanto folheia as emoções mais poderosas e fatais da humanidade.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Macbeth

Autor: Jo Nesbø
Edição: 2018/ abril
Páginas: 528
ISBN: 9789722535014
Tradutor: Maria Dulce Guimarães da Costa 
Editora: Bertrand

Sinopse: 

Passado nos anos 70, numa cidade industrial cinzenta e chuvosa, a força policial da zona está concentrada em acabar com um persistente problema de drogas. Duncan, chefe da polícia, é um idealista e visionário, um sonho para a população e um pesadelo para os criminosos. O comércio das drogas é liderado por dois homens, um dos quais, mestre da manipulação chamado Hécate, tem ligações aos poderes mais levados. E pretende usá-las para conseguir escapar ileso.

O seu plano consiste em manipular, de forma consistente e persistente, o inspetor Macbeth, um homem já de si suscetível a tendências paranoides e violentas. O que se segue é uma história irresistível de amor e culpa, de ambição política e inveja, que explora os recantos mais negros da natureza humana, assim como as aspirações da mente criminosa.

A minha opinião: 
Jo Nesbø é um gosto adquirido, ao qual regresso sempre que possível. As personagens que cria são fantásticas e o enredo cinematográfico. Desta feita, recuamos ao ambiente sombrio e intimidante dos anos 70, a uma cidade sórdida na costa oeste que ensombra os espíritos, corrompe corações e encurta vidas.

Como o nome indica - Macbeth é o drama de Shakespeare, recontado por Jo Nesbø, de que eu pouco ou nada sabia. Não foi uma leitura fácil. A violência, a ausência de escrúpulos e a ganância pelo poder levaram-me a interromper algumas vezes a leitura. Afinal, o poder é a droga mais viciante do mundo, despoja de todas as emoções que prendem à moralidade e à humanidade.

"Sob várias alcunhas, mas os químicos são os mesmos. As pessoas pensam que é um antidepressivo porque atua inicialmente como uma anfetamina das primeiras vezes, até que os episíodios se tornam psicóticos. " (pag. 323)

Macbeth sugestionado por Lady elabora um plano para matar o comissário-chefe Duncan e o herói torna-se o vilão. Inversão de valores. A voz feminina comanda porque visualiza o quadro completo e não apenas uma perspectiva. Antecipa comportamentos. Macbeth é um Populista.  E por fim, a fé na capacidade de mudança em que pequenos passos nos vão tornando melhores. Um pouco mais humanitários. Assim caminha o mundo. Intemporal. Pertubador. Atual.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Sangue na Neve

Autor: Jo Nesbø
Edição: 2018/ março
Páginas: 152
ISBN: 9789722064590
Tradutor: Ricardo Gonçalves
Editora: Dom Quixote

Sinopse: 

Olav é um assassino contratado, mas tem uma vida solitária e tranquila. Quando o que se faz na vida é matar o próximo, não é fácil fazer amigos, mas sem ninguém a quem se afeiçoar ou prestar contas, os dias também decorrem sem problemas. Só que o quotidiano de Olav complica-se ao conhecer a mulher dos seus sonhos.

Apaixonar-se por alguém já é por si só uma situação desafiante, mas há duas outras particularidades que fazem desta mulher um vendaval na sua rotina: é casada com o seu chefe. E este acaba de o contratar para a matar.

Como é que Olav irá gerir a situação?
Será que vai conseguir enganar um dos mais temíveis criminosos do país?

Este livro, anterior à série Harry Hole, tem já todos os ingredientes que fazem com que Jo Nesbø seja um dos autores nórdicos de policiais mais bem-sucedidos em todo o mundo.

A minha opinião:
Olav é um anti-herói. Um tipo com tendência em dar às pessoas alguma margem de manobra em relação às suas ações e decisões. Um controverso protagonista por quem se sente empatia. E não é o único que li. Fora da série Harry Hole,  com "O Filho", senti o mesmo pelo protagonista. 

Um assassino com dislexia, que na primeira pessoa narra as suas intuitivas percepções  e alguns detalhes da sua vida, num livro tão pequeno que se lê com animo e interesse até ao fim. Cheguei a questionar-me se não seria um conto, dadas as dimensões dos restantes livros que vi de Jo Nesbø. Ainda assim, em nada o desmerece, porque grandes ou pequenos lêem-se com paixão. 

A escrita coloquial e eficiente é um alento que não cansa. As personagens e o ambiente completam o quadro. As paisgens geladas, bem descritas, cenário em que a frieza também é uma carateristica das personagens. Sangue na Neve é enaltecido pelo contraste visual de alguma beleza. 

Traição, mas em que não existe desenvolvimento das restantes personagens, apenas enquadramento, sequer das mulheres que Olav amou.  Não senti falta de mais. Gostei da trama. O final surpreendeu-me. Gostei e vou repetir. Pretendo conhecer Harry Hole.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O Filho

Autor: Jo Nesbø
Edição: 2017/ março
Páginas: 536
ISBN: 9789722062039
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Antes de ser condenado, Sonny era um adolescente exemplar, campeão de luta livre, e tinha um futuro brilhante pela frente. Até saber que o pai, o seu ídolo, era afinal um polícia corrupto que preferiu o suicídio a ser exposto. Agora, Sonny é um prisioneiro modelo. Metade da sua vida foi passada como recluso, cumprindo penas por crimes que não cometeu. Como compensação, nunca lhe falta heroína. É o centro de um núcleo de corrupção: guardas prisionais, polícias, advogados, e até um capelão desesperado, todos empenhados em mantê-lo drogado na prisão.

Mas quando Sonny descobre a chocante verdade por detrás do suicídio do pai, planeia uma engenhosa fuga e começa a perseguir os responsáveis. Contudo, ao mesmo tempo que faz justiça pelas próprias mãos, é também perseguido por criminosos e pelas forças da lei. Com destaque para Simon, um inspetor prestes a reformar-se, e antigo amigo do pai. 
A questão é quem conseguirá chegar a ele primeiro, e o que fará Sonny quando se sentir encurralado?

Mais uma narrativa, fora da série Harry Hole, em que Nesbø prova, uma vez mais, ser exímio em criar personagens marcantes e merecer a distinção de mestre do suspense.

A minha opinião:
Uma estreia!
Apesar dos muitos livros publicados deste autor nórdico de policiais, eu não o conhecia. E se a capa dos seus livros é apelativa, torna-se ainda mais estranho eu nunca me ter focado neles. A sinopse refere um vingador - o Filho, de um policia, o que me deixou convicta de que o devia ler. 

Não sei como é a série Harry Hole, mas gostei muito de Simon Kefas. Um policia com história. Um policia sagaz e experiente nos Homicídios de Oslo. E claro, Sonny Lofthus, um jovem educado, simpático e ... místico. Um estudante promissor, que se dedicara a competições de luta livre, até perder o pai e a mãe se entregar ao desgosto, bastando a droga para afastar a dor. Mais tarde, para sustentar o vício, assumia culpas alheias. A confissão de um recluso veio alterar esta situação e dá-se a espetacular fuga. Depois ... uma sucessão de acontecimentos onde acontecem alguns crimes em ajuste de contas e a fuga aos seus perseguidores num suspense insustentável que prende à leitura com afeto e repudio pelas personagens. 

A empatia com as personagens principais é o elo mais extraordinário que cria com o leitor. O enredo, neste género, é do melhor que já li e agora que o conheço dificilmente vou perder este autor de vista.

De referir que é também um convite à reflexão sobre um mundo marginal de drogas e dependências numa sociedade tão organizada e racional onde a corrupção tem o seu lugar. 

Muito bom!