quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Concerto em Memória de Um Anjo

Autor: Eric-Emmanuel Schmitt
Edição: 2016/ outubro
Páginas: 192
ISBN: 978-989-75-4147-6

Editora: Editorial Presença

domingo, 20 de novembro de 2016

Água do meu coração

Autor: Charles Martin                         
Edição: 2016/ setembro
Páginas: 384
ISBN: 978-972-0-04802-8
Editora: Porto Editora

sábado, 19 de novembro de 2016

O Meu Nome é Lucy Barton

Autor: Elizabeth Strout                                     
Edição: 2016/ setembro
Páginas: 176
ISBN: 
9789896651176
Editora: Alfaguara Portugal

domingo, 13 de novembro de 2016

A Empregada

Autor: Laura Amy Schlitz
Edição: 2016/ outubro
Páginas: 368
ISBN: 9789896488123
Editora:Editora In

Sinopse: 
Inspirado no diário da avó de Laura Amy Schlitz, a premiada autora deste livro, este é um romance de época que se traduz numa perspicaz e realista visita guiada pela América do início do século XX. A viagem da protagonista, Joan, conduz o leitor por uma interessante exploração dos temas mais quentes da viragem do século, como o feminismo e o trabalho doméstico, a religião e a literatura, a educação e a independência financeira, o amor e a lealdade, antissemitismo, kosher, gratidão, velhas rezingonas, gatos, chapéus e joanetes. Um livro divertido e emotivo, que relata na primeira pessoa a luta de uma jovem inteligente e lutadora pelo direito a um futuro melhor, e do preço que por ele se tem de pagar.

A minha opinião: 
"A empregada" é um romance em forma de diário de uma jovem de 14 anos em 1911 que para fugir a uma vida de subserviência num ambiente familiar rural e masculino consegue um trabalho remunerado como empregada domestica mentindo sobre a idade. 

Os usos e costumes, as diferenças socioeconómicos e o antissemitismo destacam-se nesta historia contada na primeira pessoa do singular. 

Romance de época leve e divertido que me transportou no tempo com a Joan Skraggs (Janet Lovelace para a família judia que a acolheu em Baltimore) e me envolveu nos seus dramas como se os testemunhasse.  Impulsiva, romântica e justa, conquista a idosa governanta Malka com o seu bom coração e esforço, assim como todos os membros da família judaica. Personagens bem caracterizadas pela autora.

O que me conquistou como leitora foi a paixão de Joan pelos livros que minimizavam a sua solidão, mas adorei o conflito entre a sua fé católica e a fé judaica dos Rosenbachm que ela resolveu brilhantemente na sua conversa com o padre. 

Exactamente o tipo de leitura que eu precisava na ocasiao. Aventura e sonho sem devaneios românticos enjoativos. 

domingo, 6 de novembro de 2016

Uma Dor tão Desigual

Autor: Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso, Gonçalo M. Tavares, Joel Neto, Maria Teresa Horta, Nuno Camarneiro, Patrícia Reis, Richard Zimler
Edição: 2016/ setembro
Páginas: 200
ISBN: 9789724751139
Editora: Teorema

Sinopse:
Este livro resulta de um desafio feito a oito autores portugueses para que explorassem as fronteiras múltiplas e ténues que definem a saúde psicológica e o que dela nos afasta. Em estilos muito diferentes, um leque extraordinário de escritores brinda-nos com textos que mostram como qualquer um de nós pode viver momentos difíceis e precisar de ajuda.
Estas são histórias de perda, solidão, fraqueza e delírio, mas também de esperança e humanidade. São relatos de gente que podíamos conhecer e talvez conheçamos, histórias íntimas e ricas de homens e mulheres como nós.
A área da saúde psicológica está ainda sujeita a muitos preconceitos, que dificultam a procura de ajuda profissional e estigmatizam quem sofre. Pretende-se com este livro combater esses preconceitos, despertar consciências e ajudar a encontrar uma saída.

A minha opinião: 
Gosto de contos. São curtos, concisos e diretos. Ou seja, estórias pequeninas, sem muitos detalhes que não façam diferença, em que rapidamente chegamos à mensagem que estava na mente do autor, ou não, porque cada leitor foca aspectos que mais lhe interessam.   

Estes contos são relevantes pela temática que abordam. E foi justamente isso que me chamou a atenção.  Isso e o conjunto de autores convidados para este desafio, que do meu ponto de vista foi superado com exito.  

Pode-se gostar mais de um ou de outro dos oito contos que aqui se apresentam,  mas todos foram bem conseguidos. Criativos e muito bem escritos como seria de se esperar. Todos focam problemas distintos e tocam-nos porque já os conhecemos através de amigos, familiares ou meras versões verbais bem menos imaginativas e mais assustadoras. Provavelmente, em algum momento das nossas vidas sentimos a necessidade de ajuda ou de compreensão para situações assim que fugiram do nosso controle. 

Se não, não deixem de ler como um  breve interlúdio que não se deve dispensar pelo muito que nos faz sentir e reflectir.  Uma dor tão desigual. Um prazer de ler!

domingo, 23 de outubro de 2016

Como Vento Selvagem


Autor: Sveva Casati Modignani                                        
Edição: 2016/ outubro
Páginas: 376
ISBN: 978-972-0-04866-0
Editora: Porto Editora
Mistral Vernati, o grande campeão de Fórmula Um, está em coma no hospital, depois de um terrível acidente na pista de Monza. Enquanto Mistral luta pela vida, uma pequena multidão de personagens move-se à sua volta, com motivações diversas e nem sempre confessáveis. Maria, a companheira, o seu primeiro e único amor; a mãe, que nunca conseguiu compreender as suas opções de vida, mas para quem ele era a sua razão de viver; Chantal, a mulher que nunca o libertou de um casamento falhado, e que mesmo naquele momento dramático só pensa em arruiná-lo; os filhos, Manuel e Fiamma. Entre recordações e segredos, descobriremos a verdadeira história de Mistral e Maria.

A minha opinião: 
Nada de novo!
Ando às voltas com as palavras para tentar explicar porque sempre que um novo romance da Sveva saí eu me apresso a comprar e a ler.  

Procuro o conforto no encontro com personagens fortes e carismáticas numa estrutura narrativa  que se mantêm e aprecio. 

"Mistral Vernati era o piloto mais rápido da história do automobilismo mundial." Desta vez, uma incursão pela fascinante modalidade da Fórmula Um com uma personagem com o nome do vento frio e seco do noroeste que sopra selvagem sobre a Provença. Uma personagem boa, mas o destaque vai para Maria Guido que conheceu na juventude e que sempre amou. Uma mulher fascinante. Mas não a única. A mãe Adèle Plouvin, a manager Florence Roussel, a enteada Fiamma, e Moretta são também relevantes nesta trama em que todo o seu passado é desvendado.

A Máfia que todos afecta e tudo controla é outro dos temas fortes da Sveva presente nesta trama.

Li este romance com a rapidez de uma corrida em que pretendia chegar em primeiro lugar. Não por competição mas pelo prazer de sentir o tempo desaparecer enquanto testemunha de tantos acontecimentos de amargura e esperança. O final é de superação. 

Que bom! Nada de novo!

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Viver sem ti

Autor: Jojo Moyes
Edição: 2016/ setembro
Páginas: 408
ISBN: 9789720048851
Editora: Porto Editora

Sinopse: 
Como seguir em frente depois de se perder a pessoa amada? Como construir uma vida que valha a pena ser vivida?
Louisa Clark já não é uma jovem banal a viver uma vida banal. O tempo que passou com Will Traynor transformou-a, sendo agora uma pessoa diferente que tem de enfrentar a vida sem ele. Quando um insólito acidente obriga Lou a regressar a casa dos pais, é impossível não sentir que está de volta ao ponto de partida.
Lou sabe que precisa de um empurrão que a traga de novo à vida. E é assim que acaba por ir parar ao grupo de apoio Seguir em Frente, cujos membros partilham sentimentos, alegrias, frustrações e bolos intragáveis.

Serão também eles que a levarão até Sam Fielding - um paramédico que trabalha entre a vida e a morte, e o único homem que talvez seja capaz de a compreender. Mas eis que uma personagem do passado de Will surge de repente e lhe altera todos os planos, lançando-a num futuro muito diferente…. Para Lou Clark, a vida depois de Will Traynor significa reaprender a apaixonar-se, com todos os riscos que isso implica.
Em Viver Sem Ti, Jojo Moyes traz-nos duas famílias, tão reais como a nossa, cujas alegrias e tristezas nos tocarão profundamente ao longo de uma história feita de surpresas.

A minha opinião: 
Certamente que este romance que é uma sequela do livro Viver depois de Ti terá continuidade. O romance foi reeditado com una nova capa, e daí alguma confusão da minha parte que não reconheci ao primeiro olhar que se tratava da estória de Louisa Clark  depois de Will Traynor . A capa que não aprecio particularmente tem uma imagem do filme que foi adaptado do livro. 

A temática do luto regressa com um grupo de apoio e a adaptação a uma nova vida que Lou não sente como sua mas que gradualmente vai retomando com novos amigos e a família. Uma inesperada e problemática personagem entra em cena e acidentalmente provoca uma queda que a leva ao encontro de Sam e Donna, os paramédicos chamados em seu socorro. 

Mais do que superar situações dramáticas e catastróficas como a morte de quem se ama que Jojo Moyes aborda com sensibilidade e bom senso sem apelo ao sentimentalismo barato ou à mera ficção, explora o potencial de circunstâncias que obrigam a reagir, interagir e intervir, quando é preciso como acolher uma jovem sem rumo e em risco. Uma situação possível em famílias disfuncionais e tão real.

Louisa Clark é uma personagem carismática e empática que merece ser conhecida e devidamente apreciada, bem como Sam Fielding neste romance tão doce sem ser enjoativo ou vulgar. Lily é uma agradável surpresa nesta narrativa que emociona pela sua bravura.

Enfim... um romance que não sendo inesquecível me deixou bem. Um óptimo interlúdio com momentos de humor e alguma comoção.

sábado, 8 de outubro de 2016

Numa Casca de Noz

Autor: Ian McEwan
Edição: 2016/ setembro
Páginas: 184
ISBN: 978-989-616-735-6
Editora: Gradiva

Sinopse: 
Trudy, em adiantado estado de gravidez, planeia envenenar John, o marido e pai da criança que vai nascer, de conluio com Claude, seu amante e cunhado. Sem o saberem, têm uma improvável testemunha da trama: o bebé, residente no ventre de Trudy.

Um toque de surpresa, trazido pela voz que narra o mundo. E, com isso, apresenta uma perspectiva inigualável. A perícia das palavras, num enredo que guarda a vida e que contém a morte. Uma história de crime e engano, de traição e amor. Estes são ingredientes que, à luz da literatura e pela pena de um grande mestre da escrita, se reúnem para dar corpo a um texto irresistível.

A minha opinião: 
Não, não sabia quem era Ian McEwan. Nunca lera nada dele. Não só por isso, mas também, fiquei sugestionada por este livro que é um mimo. Atraente, fácil de transportar e manusear dadas as dimensões, com uma grafia adequada, e uma sinopse que refere uma conspiração para um crime, o que o tornou irresistível.

Claramente inspirado em “Hamlet”, de Shakespeare, cuja personagem é a potencial vitima inocente e ingénua - o pai poeta do narrador omnipresente que é o feto, que ouve e intui as maquinações congeminadas entre a bela mãe muito grávida que ainda assim bebe demais e o estrupicio do tio invejoso que usou o sexo como forma de seduzir a mãe.  A relação entre as personagens e os sentimentos envolvidos tornaram este romance menos estranho.  O autor foi capaz de transformar esta história irreal consistente e um interessante exercício de escrita que conduz à reflexão com a breve análise que faz do mundo que aguarda o narrador.

Discurso direto e cru do narrador surpreende mas não choca. Leitura incomoda por sentimentos de culpa e remorso misturados com indiferença e lascívia na desordem e suja casa decadente onde tudo se passa.

Em suma, uma história fora do habitual

"Estar encerrado numa casca de noz, ver o mundo em cinco centímetros de marfim, num grão de areia. Porque não, quanto toda a literatura, toda a arte, todo o esforço humano, não passam de um pequeno ponto, no universo das coisas possíveis?   (pág. 63)

domingo, 2 de outubro de 2016

O Segredo do Escritor

Autor: Liz Nugent
Edição: 2016/ julho
Páginas: 240
ISBN: 978-989-75-4159-9
Editora: Marcador

Sinopse: 
O atraente e carismático Oliver Ryan é a imagem do sucesso. Ele e a mulher, Alice, levam uma vida invejável de privilégio e bem-estar. Invejável até que, certa noite, depois do jantar, Oliver agride Alice com tal violência que a deixa em coma.

O próprio Oliver fica aturdido com o seu gesto. No período que se segue, enquanto todos tentam perceber o que terá motivado esse surpreendente ato de selvajaria, Oliver conta a sua história. E o mesmo fazem aqueles com quem a sua vida se cruzou ao longo de cinco décadas. A verdade é ao mesmo tempo trágica e monstruosa, uma história de vergonha, inveja, fraude e manipulação.

Só Oliver sabe o que teve de fazer para alcançar a vida que ambicionava e a que sentia ter direito. Mas nem mesmo ele está preparado para o choque que a revelação do passado lhe reserva.

A minha opinião:
A sinopse que li numa qualquer livraria onde procuro novidades capazes de me interessar sempre que estou entre leituras (principalmente quando o livro que conclui foi realmente satisfatório, senão muito bom e é difícil encontrar um substituo à altura), pareceu-me promissora. Quando a oportunidade surgiu iniciei a leitura com alguma expectativa que se revelou menos promissora, 

A premissa desta história gira em torno de Oliver, o Escritor, de Histórias Infantis, e das pessoas com uma relação não intima, mas próxima, que apresentam a sua perspectiva sobre este homem, de modo a encadear uma trama em que o Oliver participa, e em que se revela a vida de um rapazinho negligenciado e rejeitado pelo pai, sem conhecer a mãe, e nos dá a génese de um monstro, ou psicopata, que de circunstância em circunstância alcança o sucesso.

As várias personagens intervenientes não mudam o discurso tanto quando o deveriam personagens diferentes, mas ainda assim o conteúdo do que revelam acrescenta algo mais à história para prosseguir na leitura. 

O segredo obscuro do Escritor, por muito que outros segredos vão sendo revelados mas não descobertos, com mais ou menos suspense, explica neste thriller psicológico  o fascínio por certas individualidades.

Simples e eficaz, mais pelo conteúdo do que pela forma. Gostei. 

domingo, 25 de setembro de 2016

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão

Autor: Martha Batalha
Edição: 2016/ julho
Páginas: 216
ISBN: 978-972-0-04859-2
Editora: Porto Editora

Sinopse: 
Quando Guida Gusmão, perdida num amor proibido, desaparece da casa dos pais sem deixar rasto, a irmã Eurídice prometeu ser a filha exemplar, a que nunca faria algo que trouxesse novo desgosto aos pais. E Eurídice torna-se a dona de casa perfeita, casada com Antenor, um bom marido, apesar de tudo, ou apesar do nada em que a vida de Eurídice se tornou. 
A vida de Eurídice Gusmão é em muito semelhante à de inúmeras mulheres nascidas no início do século XX e educadas apenas para serem boas esposas. Mulheres como as nossas mães, avós e bisavós, invisíveis em maior ou menor grau, que não puderam protagonizar a sua própria vida.

A minha opinião: 
Eurídice escreveu um livro. A história da invisibilidade. A história das mulheres na década de 40 que eram educadas para serem mães e donas de casa. A história de mulheres que reprimiam os seus sonhos para encaixarem nos sonhos dos outros. Um livro importante que deve ser lido por mulheres fora do comum. 

"Para ela o casamento era algo endémico, algo que acometia homens e mulheres entre dezoito e vinte e cinco anos, Tipo surto de gripe, só que um pouquinho melhor. 
(...)
Antenor confundiu equilíbrio esta mania de Eurídice de usar só metade da atenção para encarar a vida, e pensou Taí a mulher perfeita. Não sabia que a moça estava assim lânguida por tempo limitado. Já na noite de núpcias Eurídice lhe aparece com surpresas indesejadas. E depois ao longo dos anos inventou projetos estapafúrdios." (pag. 90/1)

Não é segredo que gosto de romances no feminino. O que também não é difícil de encontrar. Mas não gosto de um qualquer romance. Muito sentimental, fantasioso ou lamechas não aprecio. Uma história que faça eco em mim e que seja bem contada, com humor e inteligência, de preferência. Como esta da vida de duas protagonistas; Eurídice e Guida, que ainda podem ser vistas por aí

Uma maravilhosa surpresa escrita em português do Brasil que me deixou encantada. 

Advertência: Este livro enquadra-se na categoria de livros que se lêem em dois dias, se conseguirmos interromper a leitura para as atividades normais do dia-a-dia e outras necessidades imperiosas. Senão, arriscam-se a lê-lo em poucas horas com verdadeiro deleite. Uma pausa bem vinda. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A Partir de Uma História Verdadeira

Autor: Delphine De Vigan
Edição: 2016/ maio
Páginas: 400
ISBN: 9789897222993
Editora: Quetzal Editores

Sinopse:
A história é contada na primeira pessoa, com Delphine, a narradora, como uma das duas personagens. Todos os nomes são de pessoas reais: o da autora/narradora, o dos filhos, do namorado… A história é aparentemente autobiográfica e, no entanto, torna-se a certa altura um jogo de espelhos, em que é difícil discernir entre realidade e ficção. Nada previsível, cheio de surpresas, com um suspense crescente (chega a ser atemorizante), mantém o leitor literalmente agarrado até ao fim(*). Delphine crê que a sua incapacidade de escrever terá coincidido com a entrada de L. na sua vida. L. é a mulher perfeita que Delphine gostaria de ser: muito bonita, impecavelmente cuidada, de uma grande sofisticação e inteligência. L. está também ligada à escrita - é escritora-fantasma. L. insinua-se lenta mas inexoravelmente na vida de Delphine: lê-lhe os pensamentos, adivinha-lhe os desejos e necessidades, termina-lhe as frases, torna-se totalmente indispensável - é a amiga ideal. Mas, aos poucos, sabemos que ela conseguiu isolar Delphine (afastando toda a gente), que lhe lê os diários, a correspondência, que se faz passar por ela! E quer demover Delphine de escrever o livro que esta está a preparar, obrigando-a a escrever a obra que ela (L.) quer: Introduz-se, assim, na vida da amiga de forma insidiosa, permanente, por fim violenta, controlando tudo. É aqui que há um volte-face na intriga - até aí muito perto do real - e uma possibilidade autobiográfica. O fim é maravilhosamente surpreendente. O seu livro anterior, Rien ne s’oppose à la nuit, em que conta a história da mãe, vendeu cerca de um milhão de exemplares em França e teve vendas na casa das dezenas de milhares em Espanha.

A minha opinião:
Este é um romance que me perseguiu desde o momento em que o vi. Mas resisti. Achei precoce. Nada sabia de si e poderia revelar-se frustrante, exigente, denso ou maçador.  Uma má aposta. Aguardei algum feedback que acabou por surgir e das mãos de uma boa amiga me foi entregue.

Inquietante e perturbador. Quão vulneráveis podemos ser perante uma mente intuitiva e empenhada que não descura os pormenores para conseguir os seus intentos sem que seja observada ou travada? Quanto podemos ser manipulados e confundidos para nos conduzirem onde se pretende? Duas questões que se colocam enquanto lemos este romance.
O nome da personagem/ narradora é o mesmo da autora e o título induz em dúvida em boa parte da narrativa. Brilhante premissa que mantém o  suspense e a dúvida. L. não tem nome próprio, é apenas uma inicial como se não pudesse ser nomeada para não se materializar. Muito é revelado de autobiográfico, como referido em:

"Julgo que as pessoas sabem que aquilo que escrevemos nunca nos é totalmente estranho. Sabem que há sempre um fio, um motivo, uma falha, que nos liga ao texto. Mas aceitam que substituamos, que condensemos, que desviemos, que alteremos. E que inventemos."  (pag. 88) 

Mas há mais. A natureza do trabalho de um escritor. Os livros que se impõem sem escolha. E as dúvidas que o assaltam. O real ou a ficção. A vida real que pode ser mais audaciosa, criativa ou a inventada como todo o colorido que se conseguir imaginar?!

Um romance de que não me apartei mesmo quando interrompia a leitura. Uma narrativa fulgurante e mais não conto.