domingo, 28 de agosto de 2016

A Incrível Viagem de Arthur Pepper

Autor: Phaedra Patrick
Edição: 2016/ maio
Páginas: 320
ISBN: 9789898839817
Editora: Topseller

Sinopse: 
Repleta de personagens inesquecíveis e episódios memoráveis, A Incrível Viagem de Arthur Pepper é uma história imperdível sobre o despertar para as possibilidades infinitas da vida. 

Arthur Pepper, de 69 anos, leva uma vida simples e rotineira, como quando a sua mulher, Miriam, era viva. Levanta-se às 7h30, rega a sua planta Frederica e vai tratar do jardim. O dia a dia de Arthur corre como deve ser. Sem surpresas. Sem sobressaltos. 

Até que no primeiro aniversário da morte da mulher, tudo muda. Ele encontra no meio dos pertences de Miriam uma pulseira que não se recorda de ter visto antes. Uma pulseira com oito berloques diferentes, cada um mais misterioso do que o outro. Num deles encontra até um número de telefone. 

Intrigado, Arthur resolve telefonar e descobrir a quem pertence aquele número. As revelações que se seguem vão lançá-lo numa jornada surpreendente. De Londres a Paris, cidades que nunca imaginou visitar, Arthur irá fazer novas e fascinantes descobertas não só sobre a sua mulher, mas também sobre si próprio. 

Encantador e comovente, mordaz e cheio de humor, este romance é ideal para leitoras de ficção romântica.

A minha opinião: 
Este é um livro encantador e muito simples. Despretensioso. Apenas entretenimento e alguma reflexão ou balanço para uma fase mais tardia da vida. Contudo, pareceu-me uma leitura mais juvenil ou adequada a um leitor menos experiente. 

Gostei de o ler mas não retive muito. Uma lufada de ar fresco entre leituras mais pesadas e exigentes.

Um idoso em plena forma que se deixara esmagar pelo luto da mulher com quem partilhara uma existência rotineira e confortável em que se sentia seguro. Uma vizinha também ela enlutada que se desdobra em cozinhar para outros que se sentiam perdidos enquanto o seu filho jovem não reagia aos seus apelos, insiste em atazanar Arthur Pepper. 

Uma misteriosa e intrigante pulseira com berloques que é o início de uma grande aventura para este homem que vai descobrir o passado da mulher que ela nunca revelara mas também muito mais sobre si próprio. Na verdade, este é um livro sobre recomeços. 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

A Fortuna

Autor: Cynthia D'Aprix Sweeney 
Edição: 2016/ junho
Páginas: 384
ISBN: 9789724750934
Editora: Editorial Teorema

Sinopse:
A família Plumb destaca-se pela sua espetacular disfuncionalidade. Há anos que os quatro irmãos Plumb desesperam por causa da herança. Em testamento, o pai ditou que o dinheiro fosse distribuído apenas quando a filha mais nova celebrasse 40 anos. O seu objetivo era salutar: incentivá-los a lutarem pelos seus sonhos. Mas o plano saiu gorado, pois a poucos meses do aniversário, eles estão tão endividados que só a fortuna familiar poderá salvá-los.
Melody conta pagar a hipoteca da casa e a universidade das filhas gémeas. Jack espera saldar a dívida que contraiu para manter a sua loja de antiguidades. Bea, uma escritora promissora, debate-se com a inércia e a falta de rumo. Leo, o único que vingou por si próprio, arrisca perder tudo num divórcio tumultuoso. 
E quando estão prestes a deitar a mão ao dinheiro, Leo entra seu Porsche acompanhado por uma jovem empregada de mesa. O que acontece a seguir vai ter consequências devastadoras… e um preço exorbitante que só a herança poderá pagar. 

Privados daquilo que os definiu perante si próprios e os outros, o que será dos irmãos Plumb? A solução para todos os males parece estar nas mãos do próprio Leo. Estará ele disposto a sacrificar-se? Ou terão todos de se adaptar a novas (e infernais) circunstâncias? Unidos pela primeira vez, os irmãos revisitam velhos rancores, enfrentam novas verdades, e (finalmente!) refletem sobre as escolhas que fizeram na vida.

A minha opinião:
Gosto de romances de estreia. Gosto do entusiasmo e energia que marcam a escrita e agarram com facilidade como este romance cinematográfico sobre quatro irmãos no meio cosmopolita de Nova Iorque e a relação entre eles quando está em causa uma herança que tomaram como garantida e a que se habituaram a referir como "a Fortuna". 

Um romance que correspondeu plenamente às minhas expectativas, com um enredo bem desenvolvido e personagens bem definidas, numa narrativa ligeira e movimentada sobre o poder desagregador do dinheiro no seio de uma família com comportamentos disfuncionais que escolhiam um local de encontro porque não sabiam estar uns com os outros enquanto carregavam fracassos pessoais A noção de direito de cada um deles sobre esse dinheiro que deturpa memórias e decisões.

Leo, Jack, Bea e Melody são as personagens centrais desta narrativa, mas gostei muito de Stephanie, que ganha destaque enquanto Leo perde. Gostei dos laços que se criam com a convivência inicial sobre o dinheiro mas alargando para outros assuntos. Gostei de encontrar o que fui buscar. Esperança de que o apego não seja material e outros valores mais elevados se sobreponham, o que não é para todos. Esses são o que falham.

Sem reservas, recomendo. Não é um best seller mas vale bem a pena ler. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

As Histórias que não se Contam

Autor: Susana Piedade
Edição: 2016/ julho
Páginas: 344
ISBN: 9789897415524
Editora: Oficina do Livro

Sinopse: 
Ana pergunta-se como seria hoje o seu dia-a-dia se tivesse sabido detetar no namorado os indícios da doença que o levou inesperadamente. Isabel, seis meses depois da tragédia que lhe virou a vida do avesso, ainda se sente culpada por não ter chegado a horas ao infantário naquela tarde de chuva. Marta, que ousou abandonar, ainda adolescente, uma casa onde era maltratada, não tem agora a coragem de confessar que o amor em que apostou tudo está longe de ser um mar de rosas. São três mulheres jovens, com a vida inteira pela frente, mas para quem o presente se tornou um fardo difícil de carregar e o futuro um tempo sem qualquer esperança. Quem poderia entender a sua dor incomparável? Para quê, então, contarem as suas histórias? Um acidente acabará por cruzar estas três desconhecidas num lugar onde muitas vidas se perdem, mas que para elas representará sobretudo o nascimento de uma amizade que lhes vai permitir lutarem contra o sofrimento e recuperarem aos poucos o ânimo e a vontade de viver. Porque quanto maior é o drama, maior tem de ser a partilha. Com uma linguagem cuidada e uma estrutura francamente original, este belíssimo romance de estreia, finalista do Prémio LeYa em 2015, traz para a cena questões de grande atualidade que afetam muitas mulheres e não devem ser silenciadas, e lê-se de um fôlego, mantendo o suspense até à última página.

A minha opinião: 
"As histórias que não se contam" é sugestivo. Um bom título. As histórias de três protagonistas femininas que vão intercalando as suas vozes enquanto avaliam o que sentem intensamente. Não deve ter sido nada fácil analisar a fundo emoções tão difíceis como as que Ana, Isabel e Marta vivem, como também não foi para mim ler.

Depois de um período em que li bons romances, estava indecisa sobre o que ler a seguir. Procurava um livro que continuasse nessa linha. Não necessariamente um romance exemplar, mas um que me levasse ao abandono dos meus pensamentos enquanto o lesse. E este livro ...hesitei durante dois dias, receava o conteúdo, especificamente a temática da dor da perda e a violência doméstica. O fim dos sonhos e o encarar de uma realidade que não se quer crer. Atual e intemporal.

Gostei da escrita e da fluidez da narrativa, e o meu receio revelou-se certo. Custava-me a avançar e tinha de abrandar para interpretar o sentido das palavras e amortecer o seu impacto, ainda que admirando quem assim escreve. Com alma.

Aproximadamente a meio do livro, dei por mim a lê-lo com avidez, curiosa com o desenrolar de acontecimentos ou o concretizar de possibilidades deixadas em suspense. A amizade entre Ana, Isabel e Marta faz a diferença. Progressivamente, na partilha, vão desconstruindo os problemas, num rumo inesperado que me agradou muito.

Por tudo isto, um romance que recomendo. Uma ótima estreia. Um caso sério ou para ser levado a sério. 

domingo, 31 de julho de 2016

O Livro dos Baltimore

Autor: Joël Dicker
Edição: 2016/ maio
Páginas: 552
ISBN: 9789896650674
Editora: Alfaguara Portugal

Sinopse: 
«Se encontrar este livro, por favor leia-o. Queria que alguém conhecesse a história dos Goldman de Baltimore.»

Até ao dia do Drama, existiam dois ramos da família Goldman: os Goldman de Baltimore e os Goldman de Montclair.
O ramo de Baltimore, próspero e bafejado pela sorte, mora numa luxuosa mansão. Encarna a imagem da elite americana, abastada e influente, que vive em bairros exclusivos, passa férias nos Hamptons e frequenta colégios privados. Já os Goldman de Montclair são uma típica família de classe média e vivem numa casa banal em Nova Jérsia. É a esta família modesta que pertence Marcus Goldman, autor do romance "A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert". Mas era à família feliz e privilegiada de Baltimore que Marcus secretamente desejava pertencer. Mas tudo isto se transforma com o Drama.
Oito anos depois do dia que tudo mudou, é a história da sua família que Marcus Goldman decide investigar. Movido pelas memórias felizes dos tempos áureos de Baltimore, procura descobrir o que se passou no dia do Drama, que mudaria para sempre o destino da família. O que aconteceu realmente aos Goldman de Baltimore?

A minha opinião: 
Provavelmente não teria lido este livro se não me tivesse sido oferecido. 

Até então não me tinha chamado a atenção, mas depois fui investigar. Constatei que tinha estado desatenta porque várias foram as vezes em que o autor foi referido por amigos que tinham lido as outras duas obras - "Verdade Sobre o Caso Harry Quebert” e "Os Últimos Dias dos Nossos Pais". Sem paralelo para mim que ainda não os li. 

"O Livro dos Baltimore" trata-se de uma promessa cumprida por Marcus Goldman ao seu tio Saul Goldman de Baltimore. 

Um cão, Duke, faz a ponte entre o escritor e Alexandra que se tinham afastado oito anos antes e Marcus que tentava ultrapassar um bloqueio criativo retoma ao passado com memórias felizes da adolescência e juventude quando pertencia ao "Gangue dos Baltimore". Saltos temporais marcam esta narrativa mas sem perder a cadência e o interesse pelo enredo desta família.

A perspectiva de Marcus apresenta lacunas que gradualmente ele vai preenchendo e o que parecia óbvio e inevitável percebe-se que não o foi. Os motivos prendem-se com o Drama que ele tende mas tarda em revelar, na proximidade com o curioso vizinho Leo que o julga e repreende como a voz da consciência, 

Sentimentos profundos e conturbados alteram o rumo de sucesso que parecia traçado para os Goldman. Inveja, orgulho e paixão ocultos no seio da família antes e depois do Drama de 2004. Segredos obscuros que tornam esta leitura empolgante e rápida e uma ótima leitura de verão. 

domingo, 24 de julho de 2016

Manual para mulheres de limpeza

Autor: Lucia Berlin
Edição: 2016/ maio
Páginas: 528
ISBN: 9789896650650
Editora: Alfaguara Portugal

Sinopse: 
Manual para mulheres de limpeza reúne o melhor da obra da lendária escritora norte-americana Lucia Berlin. Com um estilo muito próprio, faz eco da sua própria experiência - tão rica quanto turbulenta - e cria verdadeiros milagres a partir da vida de todos os dias. As suas histórias são pedaços de vidas convulsas.

Um dos melhores livros do ano segundo os jornais The New York Times e The Guardian.

A minha opinião: 
Gostei deste livro assim que o vi. 

A capa com aquela figura feminina (a autora) de sorriso negligente chamou-me a atenção, antes mesmo do titulo que guardei na memória e da sinopse que li quando o virei. Ainda assim não foi um livro que li compulsivamente. Ficou parado na minha mesa de cabeceira e ao fim do dia pegava nele para ler mais um conto e apreciar devagar o outro lado do sonho que Lucia narra com desapego, compassividade e economia de palavras.  Quase como se fosse uma peça jornalística que precisamos de conhecer para entender o mundo em que vivemos, que por outro lado, com o tanto que conta torna-se difícil de entender. A violência, maus tratos em mulheres e crianças, a miséria, a dependência do álcool e de drogas, o abandono, a dor e a morte, e em que o belo se mistura com tudo isto em pormenores observados ou imaginados que a autora registou para dar força e profundidade à prosa. Uma escrita tão realista que se torna verdadeira para o leitor. Sentida. 

"E´ uma questão de melhorarmos a realidade, de fazermos a nossa própria verdade." (pag. 483)  

Lidos todos os contos temos a trajectória de vida da autora, que confirmamos no fim com Uma nota sobre Lucia Berlin. Uma vida recheada mas sombria, com rasgos de humor e ironia. Uma nobreza de carácter que marca. Como um diário que se espreita em segredo.  

"O único motivo porque vivi tanto tempo foi ter largado o meu passado. Fechar a porta à dor, ao arrependimento, ao remorso. Se os deixar entrar, basta uma nesga autocomplacente, zás, a porta abre-se por inteiro e eis que entra uma torrente de dor que me rasga o coração e me cega os olhos de vergonha, parte chávenas e garrafas, derruba frascos e estilhaça janelas, faz-me tropeçar, ensanguentada, em açúcar entornado e em vidros partidos, sufocando de pavor até que, num ultimo estremecimento e soluço, fecho a porta pesada. Apanho os cacos uma vez mais. (pag. 509)

domingo, 17 de julho de 2016

História da Menina Perdida

Autor: Elena Ferrante
Edição: 2016/ maio
Páginas: 432
ISBN: 9789896415815
Editora: Relógio D'Água

Sinopse: 
Deixando o marido em Florença, Elena volta a Nápoles para viver com Nino Sarratore, esperando que este se separe da mulher. É agora uma escritora reconhecida e procura escapar ao ambiente conflituoso do bairro onde cresceu e a sua família continua a viver. Evita encontrar Lila. Mas as duas amigas de infância não conseguem manter-se distantes e acabam mesmo por engravidar ao mesmo tempo, o que lhes permite reencontrar, por algum tempo, a passada cumplicidade.

A minha opinião: 
Finalmente li o ultimo volume da tetralogia A Amiga Genial, de Elena Ferrante. 

Ao contrario de outras opiniões considero a narrativa limpa e honesta de Elena Greco exigente pela complexidade de sentimentos que a amizade com Lila tem, bem como os restantes relacionamentos com contornos políticos deste bairro napolitano, para que me permita ler ininterruptamente.  

As personagens permanecem connosco, ou melhor, o desassossego que nos causam não nos deixa esquece-las, mesmo que façam interregnos como os meus. Como se fizéssemos parte da trama. 

Quem escreve com o pseudónimo Elena Ferrante parece ter se inspirado em factos vividos para criar uma historia ficcional muito genuína e sentida, que gradualmente nos conquista mas incomoda porque muitas são as situações angustiantes e dolorosas no bairro miserável, violento e decadente onde cresceram e do qual Elena se procurou libertar mas ao que regressou numa fase da sua vida aqui retratada. A história da Menina Perdida encerra um ciclo de alguma proximidade e consenso entre as duas amigas novamente mães. A ligação das crianças e as suas diferenças deixa Elena insegura mas o pior estava para vir. E tantas outras experiências quotidianas e tantas emoções nesta narrativa rica e dinâmica. 

Para ler e mais tarde reler, porque muitos são os aspectos e pormenores que importa reter nesta bem contada história.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Um Homem Chamado Ove

Autor: Fredrik Backman
Edição: 2016/ maio
Páginas: 312
ISBN: 978-972-23-5825-5
Editora: Editorial Presença

Sinopse: 
À primeira vista, Ove é o homem mais rabugento do mundo. Sempre foi assim, mas piorou desde a morte da mulher, que ele adorava. Agora que foi despedido, Ove decide suicidar-se.

Mal sabe ele as peripécias em que se vai meter.

Um jovem casal recém-chegado destrói-lhe a caixa de correio, o seu amigo mais antigo está prestes a ser internado a contragosto num lar, e um gato vadio dá-se a conhecer. 

Ove vê-se obrigado a adiar o fim para ajudar a resolver, muito contrariado, uma série de pequenas e grandes crises.

Um Homem Chamado Ove é um livro simultaneamente hilariante e encantador. Fala-nos deamizades inesperadas e do impacto profundo que podemos ter na vida dos outros.

A minha opinião:
Possivelmente a minha melhor leitura deste verão. E quão inesperado pode ser, quando um pequeno e singelo livro, enreda de tal modo, que tudo e todos os que nos rodeiam ficam em segundo plano, enquanto se acompanha as peripécias das personagens que lidam com o mau feitio de Ove, e ganham vida. Ove, esse, vai direitinho ao coração.

Ove é um homem extraordinário sem o desejar. Taciturno e habilidoso, raramente mostra sentimentos que o seu coração demasiado grande e a sua rabugice oculta, mas quando os princípios porque se rege são questionados, tem de agir. E quando decide ir ao encontro da sua Sonja, porque sente muito a sua falta, depois de ser dispensado do emprego, uma iraniana Grávida de um Esgalgado e as suas duas filhas pequenas mudam-se para a casa do lado, e a sua vida muda. Nem o Gato que não queria fica aos seus cuidados.

Como leitora, passei boa parte do tempo perdida de riso e outro tanto comovida com a generosidade e o desapego de tais personagens. Claro, que o mérito é do autor que consegue imprimir uma autenticidade e vivacidade à narrativa (que nada deixa por contar sobre Ove) que se lê com muito gozo e algum suspense, enquanto se torce por um desfecho favorável às personagens que acarinhamos. 

Há romances assim, que nos pegam desprevenidos e nos conquistam o coração. E são sempre as coisas mais simples como seguir o que parece certo que o conseguem plenamente, com o impacto que isso tem na vida dos outros.

Um prazer de ler!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

A Felicidade é um Chá Contigo

Autor: Mamen Sánchez
Edição: 2016/ maio
Páginas: 284
ISBN: 9789897542213
Editora: Marcador

Sinopse: 
O inexplicável desaparecimento do gentleman Atticus Craftsman parece estar relacionado com as bruxarias de cinco mulheres desesperadas. São funcionárias da revista Librarte e capazes de qualquer coisa para conservar o emprego.

O inspetor Manchego será encarregue de desenredar uma trama na qual a comédia romântica se entrelaça com o drama mais ternurento. E a intriga policial dá lugar ao maior achado literário de todos os tempos.

Aquilo que parece difícil acaba por ser tornar fácil e todos os problemas se afogam num mar de lágrimas… de tanto rir. Tudo isto para chegar à conclusão de que, aconteça o que acontecer, o amor consegue explicar tudo.

A minha opinião:
De ferias! E ferias sem livros não faz sentido. Assim, para começar procurei uma leitura que fosse leve, alegre e vigorosa, sem ser muito juvenil ou delirante. 

"A Felicidade é um chá contigo" pareceu-me uma boa sugestão, apesar da letra miudinha que redimensiona o livro. Não sei se consegui bem os meus intentos com esta agradável leitura de verão, que me transportou para Espanha, nomeadamente para Granada, diretamente para uma comunidade cigana com toda aquela exuberância e alegria de viver, e um jeitinho muito malandro de conseguir os seus objectivos. O misterioso desaparecimento do Inglês, fanático por um chá, que se deixa seduzir por tudo aquilo que o povo espanhol tem de melhor e que bem conhecemos, como odores e sabores, bem como a generosidade e simpatia que subjuga como magia.

De resto, a história é um pouco fantasiosa e pueril, com personagens encantadoras que se apaixonam e ultrapassam as suas dificuldades, enganos e traições. Sem dúvida uma comédia romântica, com um inspector muito boa pessoa mas pouco competente. Divertido, mas não hilariante. Recomendo com parcimónia.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Uma Boa Mulher


Autor: Jill Alexander EssBaum
Edição: 2016/ maio
Páginas: 304
ISBN: 9789897242908
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
O fascínio e a culpa de uma mulher dividida entre o amor e a luxúria.

Complexo e íntimo, "Uma Boa Mulher" é a história de uma mulher que enfrenta o vazio no seu casamento e procura dar um novo sentido à sua vida. Este é um romance que explora a sensualidade e o desejo em toda a sua força libertadora e subversiva.
Muito elogiado pela crítica internacional e pelos leitores, "Uma Boa Mulher" é um livro profundo e intenso sobre o casamento, a moralidade e o amor-próprio.

A minha opinião:
Não consigo compreender porque tive dificuldade em escrever este parecer, quando gosto de romances no feminino. Esta Boa Mulher (na maior parte do tempo), conheceu apenas uma versão do amor, e ao longo de toda a leitura perturbou-me sem contudo me desinteressar dela. Triste, solitária e entediada escolheu uma controversa via para atenuar as suas dores sem conseguir mais do que viver com o desconforto da culpa e do medo.

Uma americana na Suiça, devido ao regresso do marido ao seu pais natal que não se consegue adaptar ou integrar numa sociedade que considera fria e pragmática, onde a língua também é uma barreira que pouco tenta superar com aulas diárias de alemão. O complexo e intimo mundo de Anna que apenas o leitor conhece já que não o revela à psiquiatra que a acompanha consciente dessa situação, em paralelo com os amantes que nada significam, bem como o desapego à família levaram-me como leitora num carrossel de emoções sem antecipar desfecho possível.

Foi assim uma leitura intensa e envolvente que não se consegue esquecer facilmente porque esta mulher chegou ao limite e tanto perdeu para depois procurar ganhar. Não é literatura cor-de-rosa. Antes um nó no estômago se transportarmos esta narrativa da ficção onde pertence, para o deambular de existências vazias num mundo perfeito por ai.

domingo, 19 de junho de 2016

Rio do Esquecimento

Autor: Isabel Rio Novo
Edição: 2016/ fevereiro
Páginas: 160
ISBN: 9789722059275
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Inverno de 1864. Sentindo a morte a aproximar-se, Miguel Augusto regressa do Brasil, onde enriqueceu, e instala-se no velho burgo nortenho, no palacete conhecido como Casa das Camélias, com a intenção de perfilhar Teresa Baldaia e torná-la sua herdeira. No mesmo ano, Nicolau Sommersen pensa em fazer um bom casamento, não só para recuperar o património familiar que o tempo foi esfarelando, mas sobretudo para fugir à paixão que sente por Maria Adelaide Clarange, senhora casada e mãe de três filhos. Maria Ema Antunes, prima de Nicolau e governanta da Casa das Camélias, hábil e amargurada com a sua vida, urdirá entre todos uma teia de crimes, segredos e vinganças. Subvertendo as estratégias da narrativa histórica, com saltos cronológicos que deixam o leitor em suspenso mesmo até ao final, "Rio do Esquecimento" descreve com saboroso detalhe a sociedade portuense de Oitocentos e assinala o regresso à ficção portuguesa de uma escrita elegante que consegue tornar transparente a sua insuspeitada espessura.

A minha opinião:
Não foi fácil de ler. A escrita requintada e a prosa descritiva para uma narrativa que remonta ao Sec. XIX levou-me para os romances que li enquanto adolescente e estudante nem sempre apreciados e foi necessário vencer essa resistência involuntária que antecipei para me deixar envolver com personagens que também elas remontam aos grandes dramas de amor do século passado.    

Bem urdida trama para um pequeno livro que supus ler num fôlego dadas as suas pequenas dimensões mas que me acompanhou durante dias para melhor o apreciar e assim compreender as intrincadas malhas de sentimentos que motivavam as ações das personagens num salto entre o antes e o agora da narrativa sem perder a coerência e a cadencia do tempo e do lugar. A maldade disfarçada que manipula, o ressentimento e amargura que vinga, a teimosia e ambição que enriquece, o sonho que comanda a vida e determina a morte, o desencanto e insegurança que apaga mas não esquece os que permanecem num toque sobrenatural que deu titulo à obra.

Poderoso como gosto adquirido que importa persistir para surpreender com a natureza humana que silenciosamente se manifesta. 

sábado, 18 de junho de 2016

Razões para viver

Autor: Matt Haig
Edição: 2016/ abril
Páginas: 260
ISBN: 978-972-0-04814-1
Editora: Porto Editora

Sinopse:

Um livro sobre como tirar o máximo partido da vida enquanto cá estamos. 

Aos 24 anos, o mundo de Matt Haig desabou: 

Durante algum tempo, fiquei parado junto ao abismo. Primeiro, a ganhar coragem para morrer; depois, a ganhar coragem para viver. 
Este é um relato na primeira pessoa sobre a forma como Matt mergulhou numa crise profunda, triunfou sobre uma doença que quase o matou e reaprendeu a viver.
Quando se está deprimido, sentimos que estamos sozinhos e que mais ninguém está a passar exatamente por aquilo que nos está a acontecer. Temos tanto medo de que os outros nos achem loucos que acabamos por interiorizar tudo. Temos tanto medo de que as pessoas nos ostracizem ainda mais, que acabamos por nos fechar numa concha. E não falamos sobre o que se passa connosco, o que é uma pena, pois ajuda se falarmos sobre o assunto.

A minha opinião:
Este é um testemunho importante que resulta da coragem de um homem em partilhar a sua experiência com uma doença como a depressão e explorando soluções que devem ser adequadas a cada um como razões para viver. 

Ler este livro foi opção quando a doença me tocou muito perto com um familiar chegado. Sabia bastante sobre o assunto porque infelizmente muitas são as pessoas com quem me cruzei ao longo dos tempos que sofriam deste flagelo. Algumas sabem-no e lutam bravamente contra, outras supõem que estão apenas infelizes afetadas por problemas banais, e outras ainda recusam encarar essa possibilidade por não serem malucos e não falam abertamente sobre o assunto mas apresentam sinais exteriores de risco como a ansiedade, a perturbação do pânico, entre outros.

Contudo este livro é mais abrangente porque nos faz encarar a vida e procurar tirar proveito dela realçando os aspectos positivos em que nos devemos focar, apreciar, sem ignorar o mundo em que vivemos e do qual fazemos parte em conjunto. Altos e baixos de quem sofre desta doença, como de qualquer existência. 

Descobri que a leitura é um excelente terapia porque "cada livro é fruto de uma mente humana num determinado estado" e "alguém que procura alguma coisa" como o leitor procura dentro de si com provisões de esperança e confiança. Apesar da escrita desarmada e fluída não consegui ler este pequeno livro todo de uma só vez e retomei-o sempre que precisava de acomodar e reter a informação que me transmitia. Gratificante, sem duvida, mas realista e como tal inquietante com o muito que desvenda, e simultaneamente redentor e positivo, mesmo que sem falsas esperanças de curas milagrosas.

Recomendo vivamente.