segunda-feira, 18 de março de 2019

Três Desejos

A minha opinião:
Adoro as personagens e os enredos de Liane Moriarty.
Apesar disso, fiquei desiludida com o último que li, "Dez anos depois", comparado com os outros dois, "O segredo do meu marido" e "Pequenas Grandes Mentiras", em que fiquei fã desta autora. A expectativa era grande, mas logo nas primeiras quarenta páginas fiquei rendida às peripécias das energérgicas trigêmeas, intrigada com a estreita ligação e as diferentes personalidades. 

No início, celebravam animadamente o aniversário num restaurante com vários clientes que as observavam sob diferentes perspectivas, quando descamba numa agressão com uma delas a atirar um garfo à outra, grávida, emquanto a terceira, chama uma ambulância.

O mote para este romance está dado. Perceber o porquê e a quem aconteceu. O mistério é desvendado através de todos os acontecimentos que interligados desencadearam esta situação e como será superada.

Encantada, li esta brillhante narrativa, pontuada por muitos diálogos, numa escrita que parece fácil e natural, como é apanágio desta autora, que eu continuo a adorar. Para além disso, temos violência oculta, traição, ataques de pânico, paternidade e laços familiares. Assuntos sérios num bem disposto romance. 

Fabulástico!

Autor: Liane Moriarty
Edição: 2019/ março
Páginas: 419
ISBN: 9789722363440
Editora: Presença

Sinopse:
Lyn, Cat e Gemma Kettle são trigémeas, têm trinta e três anos e parecem atrair a atenção de todos onde quer que se encontrem. Mas cada uma delas tem de lidar com os seus próprios problemas pessoais.

Lyn esforça-se duramente para alcançar o equilíbrio no seu papel de mãe, esposa e profissional sem perder a serenidade. Cat, cujo casamento perfeito é motivo de inveja de todos os amigos, não suspeita que o marido esconde um segredo que abalará profundamente a sua vida. E a desorientada Gemma, que muda de emprego e namorado constantemente, conheceu recentemente o homem que vai descobrir o seu passado oculto. Perante tudo isto, os laços entre as três irmãs parecem ser suficientemente fortes para resistirem aos revezes da vida.

Pelo menos... até àquela noite do jantar do seu trigésimo quarto aniversário em que as verdades de cada uma são reveladas e em que tudo parece irreversível.
Autora bestseller, publicada em 55 países, com mais de 3 milhões de exemplares vendidos. A sua obra Pequenas Grandes Mentiras foi adaptada a série pela HBO. Um romance fresco, despreocupado e muito, muito divertido.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Em Tudo Havia Beleza

A minha opinião:
Pensamentos soltos, à deriva, numa verdadeira catarse. Palavras da vida de um homem. A contemplação dos mortos. Muitos e curtos capítulos que facilitam em muito a leitura. Em tudo havia beleza.

A morte, o desamparo que ele confundia com pobreza, o envelhecimento, o divórcio e a paternidade, a saudade e o amor, numa época e numa familia classe média-baixa que não me é estranha. Curiosas particularidades que nesta demanda pela compreensão do seu passado, eu encontre paralelos com o meu.

Resgatar o passado para se reconciliar com o presente. A herança genética e a educação que, na solidão se repensa na ligação com os outros. A lei de Ordesa.

Sem filtro, sem destoar, sem intenção de brilhar, este livro tornou-se um sucesso. Não creio que seja para todos. Não sei se é uma auto-ficção, romance ou biografia, mas gostei~e li sem parar apesar de estranhar.

Autor: Manuel Vilas
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 400
ISBN: 9789896656515
Editora: Alfaguara

Sinopse:
Impelido por esta convicção, Manuel Vilas compõe, com uma voz corajosa, desencantada, poética, o relato íntimo de uma vida e de um país. Simultaneamente filho e pai, autor e narrador, Vilas escava no passado, procurando recompor as peças, lutando para fazer presente quem já não está. Porque os laços com a família, com os que amamos, mesmo que distantes ou ausentes, são o que nos sustém, o que nos define. São esses mesmos laços que nos permitem ver, à distância do tempo, que a beleza está nos mais simples gestos quotidianos, no afecto contido, inconfessado, e até nas palavras não ditas.

Falando desde as entranhas, Vilas revela a comovente debilidade humana, ao mesmo tempo que ilumina a força única da nossa condição, a inexaurível capacidade de nos levantarmos de novo e seguirmos em frente, mesmo quando não parece possível. É desenhando um caminho de regresso aos que amamos que o amor pode salvar-nos.

Confessional, provocador, comovente, Em tudo havia beleza é uma admirável peça de literatura, em que se entrelaçam destino pessoal e colectivo, romance e autobiografia. Manuel Vilas criou um relato íntimo de perda e vida, de luto e dor, de afecto e pudor, único na sua capacidade de comover o leitor, de fazer da sua história a história de todos nós.

segunda-feira, 11 de março de 2019

O Caso Sparsholt

Autor: Alan Hollinghurst
Edição: 2018/ setembro
Páginas: 544
ISBN: 9789722065863
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Em outubro de 1940, o jovem David Sparsholt chega a Oxford. Elegante, atlético e carismático, parece não ter noção do efeito que provoca nos outros, particularmente em Evert Dax, filho solitário de um escritor célebre.

Enquanto Londres é devastada pelo Blitz, Oxford como que paira numa névoa de alheamento e incerteza, e as noites de blackout parecem encorajar e encobrir encontros que, em tempos normais, seriam impossíveis. Ao longo deste período conturbado, David e Evert forjam uma amizade improvável que vai uni-los ao longo de décadas.

Retrato magistral de um grupo de amigos unidos durante três gerações pela arte, pela literatura e pelo amor, O Caso Sparsholt explora anos cruciais do século XX, cujas consequências se estendem aos dias de hoje. Uma obra-prima pela mão de um dos mais brilhantes escritores de língua inglesa da atualidade.

A minha opinião:
Atraída pela capa belissima e a promessa de um escritor notável comprei este livro. Surpreendi-me com uma narrativa muito descritiva numa escrita exemplar em que o desejo sexual gay sobressaí, o que não me cativou por aí além, e interrompi a leitura. Não por preconceito. Afectos não distinguem género, mas não gosto de romances sem muita ação. Acabei por o tentar ler à noite em pequenas prestações bem intencionadas.

Aproximadamente a meio do livro cheguei superficialmente ao escândalo e pensei que ia desenvolver mas não aconteceu. As diversas personagens em fases distintas expõem sentimentos e percepções sem ligação aparente. E desisti de o ler.

Raras vezes deixei de ler um livro, na expectativa do que poderia perder, mas com tanto por onde escolher não vale mesmo a pena.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Tanta gente, Mariana | As palavras poupadas

A minha opinião:
Gosto de contos. Histórias pequeninas que fazem eco em nós. O que mais gosto numa história é o princípio e o fim e nos contos estes estão bem mais próximos.

Os contos de Maria Judite de Carvalho não me "chamaram"até um destes dias e agora sei porquê.

Lá fora chove e senti a solidão, o desamparo e desesperança.
Tanta Gente, Mariana. Há pessoas assim, que cedo sentem que estão sós. Que ninguém fará nada por elas. E outras desejam e deixam a vida escoar sem concretizar o sonho. Acabei por rir com A Avó Cândida. Curioso título A mãe para o conto que li a seguir. Ainda refleti sobre este e outros aspectos de que tanto gostei. A ânsia por mais dinheiro mesmo para quem tem e não tem a quem o deixar, nem tempo para o gastar ou gozar. O vazio imenso de uma mulher casada com um ser assim. Condoi-me com A menina Arminda que ainda em criança perdeu a inocência e quis amar um filho que não era seu. Noite de Natal perdeu Emilia a esperança. Desencontro não tem muito que se lhe diga. É apenas isso. O passeio de domingo marcou-me mais.

As palavras poupadas é o segundo mais longo conto deste livro e o que menos gostei. E então, cansei. Cansei de tanto sofrimento psicológico e vazio emocional. Cansei de narrativas monocromáticas. Cansei porque faltava algo que me desse animo para prosseguir a leitura e no intimo sempre soube que seriam contos magistralmente bem escritos mas amargos e eu gosto de agridoce.

Autor: Maria Judite de Carvalho
Reimpressão: 2018/ maio
Páginas: 240
ISBN: 9789898866219
Editora: Minotauro

Sinopse:
A presente coleção reúne a obra completa de Maria Judite de Carvalho, considerada uma das escritoras mais marcantes da literatura portuguesa do século XX. Herdeira do existencialismo e do nouveau roman, a sua voz é intemporal, tratando com mestria e um sentido de humor único temas fundamentais, como a solidão da vida na cidade e a angústia e o desespero espelhados no seu quotidiano anónimo.

Observadora exímia, as suas personagens convivem com o ritmo fervilhante de uma vida avassalada por multidões, permanecendo reclusas em si mesmas, separadas por um monólogo da alma infinito.

Este primeiro volume inclui as duas primeiras coletâneas de contos de Maria Judite de Carvalho: Tanta Gente, Mariana (1959) e As Palavras Poupadas (1961), Prémio Camilo Castelo Branco.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Os Enamoramentos


A minha opinião:
Adiei ler o magnifico romance de Javier Marías "Os enamoramentos" porque sabia que seria uma leitura sentida e com sentido. Uma prosa cuidade que implica ler e reler para memorizar o que bem soube exprimir. Convições e sentimentos são postos em causa com uma narrativa que trata o que concerne a morte violenta e inesperada de um homem, elemento de um casal feliz e admirado por María Dolz, num apaixonante tratado sobre a natureza humana. Percepções, anseios, luto, traição, amor, tudo é exposto a um novo olhar (de quem lê) em que se torna impossível não se rever e não ficar marcado pelas palavras do autor. Não são plavras vãs, de efeito, uma vez que várias são as passagens que nos tocam nalguma fibra sensível enquanto a narradora divaga sobre enamoramentos, numa história que funciona em espiral revelando novos contornos das personagens e da trama.

Não é uma história banal, apesar de o parecer, pelo modo como é contada. Exigente e algo densa, não creio que agrade a todos. Contudo, adorei.

Este livro impregnou-me de sentimentos. Extraordinário.


Autor: Javier Marías
Edição: 2015/ abril
Páginas: 376
ISBN: 9789898775474
Editora: Alfaguara

Sinopse:
O novo romance de um dos mais importantes e respeitados escritores espanhóis. Com obra publicada em mais de 50 países, e mais de 6 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo e distinguido com o Prémio Literário Europeu 2011.
Os Enamoramentos foi considerado o melhor romance do ano 2011 (eleito por um painel de 57 críticos literários espanhóis).
O autor aborda o mistério em torno de uma morte acidental para reflectir sobre o estado do "enamoramento", considerado quase universalmente como algo positivo, quase redentor, que tanto justifica as acções nobres e desinteressadas, como as maiores tragédias e catástrofes.

sexta-feira, 1 de março de 2019

A Casa na Praia

A minha opinião:
Nunca lera Daphne du Maurier e há algum tempo que tenho o "Rebecca". Sugeria-me uma escrita rebuscada, elaborada, repleta de descrições. Maçadora. Com "A Casa na Praia" fui surpreendida com uma escrita clara, objetiva, com descrições vivas que enquadram a ação no tempo e no espaço com facilidade e sem tédio, através de uma narrativa envolvente, intrigante, que apetece desvendar. Os nomes dos lugares/ quintas a começar por Tre é que me confundiu um pouco, mas adorei a recriação de uma época dura, com casamentos marcados entre primos, em que os donos das terras agraciados pelo rei detinham o poder.

Os saltos temporais são espantosamente bem conseguidos e a ligação entre passado e presente é antecipada com expectativa. O retrato da familia de Dick prendeu-me a atenção, mais do que o amigo Marcus.

Cornualha é um destino de encanto, depois de seguir Dick nesta alucinante viagem. O final foi outra surpresa, apesar da suspeição com aquela personagem.  Em breve, vou ler os outros romances desta talentosa escritora, agora que sei o que perco. Muito bom!

Autor: Daphne Du Maurier
Tradução: Manuela Madureira
ReEdição: 2011, novembro
Páginas: 352
ISBN: 9789722363068
Editora: Presença

Sinopse:
Dick Young vive na Cornualha, em casa do seu amigo Magnus Lane, um cientista que faz investigação química na Universidade de Londres. Dick sente-se intrigado quando Magnus lhe pede que sirva de cobaia de uma nova droga que este descobriu, mas aceita participar na experiência. a droga fá-lo viajar no tempo, transportando-o para o século XIV, no local exato onde vive: Kilmarth.

A cada viagem proporcionada pela misteriosa droga, Dick vai-se envolvendo mais profundamente nos assuntos de pessoas que morreram há seiscentos anos, enredadas numa teia de amor, ciúme e intrigas. Progressivamente, vai perdendo o controlo da sua vida o do seu próprio tempo. Quando surge a chocante notícia de que Magnus fora assassinado quando se dirigia a Kilmarth, apenas Dick se apercebe da causa aparentemente inexplicável da morte do amigo.

Mas tendo Magnus desaparecido, o que acontecerá à experiência em curso? E a Dick?

Um romance clássico notável, de um dos maiores nomes da literatura britânica.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Materna Doçura

A minha opinião:
Guardei este livro para um dia ler. Quando vi que ia ser reeditado (para mim, com uma capa mais apelativa), fui buscá-lo, iniciei a leitura e de imediato fiquei agarrada. Um fim de semana chega para o ler.

Não me dei ao cuidado de ler a sinopse e nada sabia da trama. Sacha está na prisão, entretanto a trama recua no tempo e conhecemos o Professor, que tem um papel a desempenhar na vida de Sacha. Duas personagens maravilhosas que tinham que se encontrar. Ambos perderam o seu amor maternal, e encontraram um afecto filial, sem laços consaguíneos. A casualidade é valorizada no enredo, não muito credível, que não achei lamechas, apenas sentimental.

Escrita fluída e ritmada, linguagem brejeira, naquele nosso jeitinho sarcástico de dizer coisas sérias a brincar. O amor maternal é disso que se trata. 

Materna Doçura é o romance de estreia de Possidónio Cachapa. Muito bom!

Autor: Possidónio Cachapa
Edição: 2004/ abril
Páginas: 246
ISBN: 9789895550722
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
Ninguém sai ileso de um grande amor. Ou da falta dele. Esta é uma história de fronteiras. E de reencontros. Os homens têm coração de mulher. Deixam-se amar em silêncio. As mulheres têm força de homens. São elas que mais fazem avançar a acção. A materna doçura não precisa de cédula nem de parto. A grande mãe preta e o irredimível solteirão amam os filhos que não tiveram. Este romance faz-se com um infinito «M» de mãe. Numa escrita viciante e cheia de surpresas, a língua portuguesa funciona como chave de «reconhecimento» entre personagens supostamente estranhas. Ninguém diga que conhece a última geração de ficcionistas portugueses se não tiver lido e relido este livro 


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Autor: Chloé Esposito
Edição: 2019/ feveriro
Páginas: 320
ISBN: 9789722535380
Tradutor: Fernanda Oliveira
Editora: Bertrand

Sinopse:
Alvie Knightly até pode acordar no Ritz, mas a sua vida não é um mar de rosas.
Para começar, tem a maior ressaca de sempre. E depois, a sua gémea mimada, Beth, foi encontrada morta na Sicília, e agora a polícia quer interrogá-la.
E ainda por cima, o namorado sexy de Alvie desapareceu com o dinheiro todo que roubaram a Beth.
Mas ele meteu-se com a miúda errada.

Alvie vai perseguir o seu ex em Roma num jogo de gato e rato em que só um pode sobreviver.
Não há fúria no inferno como a de uma mulher enganada… Mas será que Alvie conseguirá vingança antes de ser apanhada pelos seus crimes?



A minha opinião:
Alvie continua louca. E Má. Uma paródia. Os exageros de Alvie são para rir!
Aviso: esta personagem não é para ser levada a sério.

Para quem não leu o livro anterior, o primeiro capítulo apresentado como Termo de Responsabilidade faz um breve resumo dos principais acontecimentos até à situação em que se encontra. Abandonada, roubada e sedenta de vingança.

Alvie corre atrás do prejuízo que dá pelo nome de Nino. Literalmente. Em Roma. Obcecada, tarada e alcoólatra, faz tudo o que lhe dá na real gana, até mesmo matar, para se defender e proteger. Ou acidentalmente. Tanto faz! Sem filtros ou balizas morais, apenas as sociais constangem os movimentos da livre Alvie, que se faz passar por Beth quando lhe parece conveniente.

De quando em quando, surgem flashes do passado em que a inveja pela gêmea e a ausência da figura paterna se fazem sentir. A mãe é a progenitora certa neste delirante thriller, que se lê num ápice e que certamente fará as delicias de uns e a repulsa de outros. 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Culpa

Autor: Jeff Abbott
Edição: 2018/ setembro
Páginas: 392
ISBN: 978-972-0-03118-1
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Há dois anos, Jane Norton esteve envolvida num acidente de automóvel que vitimou o seu amigo David e a deixou com amnésia. Ao início, todos são compreensivos em relação ao sucedido, mas o aparecimento de um bilhete de suicídio assinado por Jane no local do acidente gera a desconfiança, o ressentimento e o afastamento de todos aqueles que os conheciam.

Para além de continuar a enfrentar a suspeita e a hostilidade da cidade onde vive, o aniversário do acidente traz novos problemas: a campa de David é vandalizada e Jane começa a receber mensagens anónimas através das redes sociais. Alguém com um nome falso diz saber o que verdadeiramente aconteceu na noite fatídica de que ela não se lembra. Jane, desesperada por obter respostas a todas as questões que a atormentam, lança-se numa investigação frenética que pode, mais uma vez, colocá-la perante um destino mortífero.

Com uma escrita ágil, viciante e atual, Jeff Abbott reafirma o seu talento como um dos mestres mundiais do suspense, construindo um thriller cujo enredo original, as surpresas constantes e, acima de tudo, a profundidade psicológica das personagens são marcas de um romance negro de primeira ordem.

A minha opinião:
Tantas mentiras. Tanto que lhe haviam ocultado. Enquanto Jane estava cega com a sua culpa e procurava recuperar a memória dos últimos três anos antes do acidente em que perdeu o seu melhor amigo, David,e o pai, num outro acidente anterior, outros escondiam os seus segredos, as suas intenções, as suas culpas. E reescreviam a história.

Uma agressão desencadeia uma série de reações, depois de uma misteriosa personagem entrar em ação tentando culpabilizar e fazer com que todos os envolvidos paguem. Jane busca a verdade e esperta, segue todas as pistas possíveis. 

Como leitora, fiquei viciada neste desenfreado enredo, com reviravoltas sucessivas que não antecipava. Sequer, cheguei a quem se escondia sob o nome Liv Danger. A óbvia, melhor amiga, não me convencia.

De início, começou devagar. Sem grande suspense ou interesse. Mas ganhou fôlego e tornou-se um bom thriller psicológico. Agarrou-me e li-o sem parar em poucos dias. Muito fixe!

Guerra e Terebintina

Autor: Stefan Hertmans
Tradução: Arie Pos
Edição: 2019/ janeiro
Páginas: 328
ISBN: 9789722066341
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Urbain Martien - um soldado flamengo que sobreviveu à Primeira Guerra Mundial - deixou ao neto dois cadernos contando a sua vida desde criança. Depois de muito tempo sem conseguir abri-los, o escritor Stefan Hertmans decidiu prestar-lhe homenagem reescrevendo essas memórias. E, à medida que lia as palavras do avô, encontrou a chave de muitos quartos que até então tinham permanecido fechados.

Da infância miserável nas igrejas a ver o pai pintar às trincheiras geladas da Flandres onde combateu; do casamento com a irmã da rapariga que amava à luta entre o que desejava ser e o que foi obrigado a tornar-se, Guerra e Terebintina é um livro com reminiscências de Sebald que cruza a biografia, o romance e a história e nos oferece o retrato de um herói anónimo pintado com a beleza de um fresco renascentista.

A minha opinião:
Este livro é uma bela e simultaneamente tenebrosa viagem no tempo. Bem acompanhada. 

Urbain Martien nasceu em 1891 e faleceu em 1981. Como se sua vida não tivesse sido mais do que a troca de dois algarismos num número. O mundo em que cresceu foi mudando, em parte com cheiros que entretanto desapareceram. Talento e miséria honrada. O pai, pintor de igrejas, capaz de coisas miraculosas, não era elogiado porque isso significava o fim da sua dedicação mal remunerada. E ele descobriu essa paixão.

Relutei em ler este livro. Ouvi falar muito bem e o título convenceu-me, a sinopse não. Por fim, deparei-me com ele quando fui levantar um outro livro e... pimba! Comecei a ler e de imediato não me conquistou. A escrita desarmante e segura foi bem acolhida e pouco depois o espiríto do avô do autor tomou conta e fiquei rendida a uma história de vida genuína.E que história! Duríssima. A guerra. Um homem, um artista, que via com olhos de ver e deixa um importante testemunho.

O relato de guerra mais vivido que já li. Prosa profundamente sentida sobre as virtudes que sucumbiram no inferno das trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Paradoxo da trágica vida de um homem jogado para trás e para a frente, entre o militar que tinha forçadamente sido e o pintor que queria ter sido. Guerra e terebintina.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Os Anos Doces

 Autor: Hiromi Kawakami
Edição: 2012/ fevereiro
Páginas: 176
ISBN: 9789896412715
Tradutor: Renata Correia Botelho
Editora: Relógio D'Água

Sinopse:
Omachi Tsukiko encontra uma tarde, por acaso, o seu antigo professor de Japonês num izakaya onde por vezes vai no regresso do trabalho. No decurso dos vários encontros que se sucedem, vai estabelecer-se entre eles, de modo quase impercetível, uma ligação difícil de definir, até dada a enorme diferença de idades. Juntos vão apanhar cogumelos, visitar um mercado, participar numa festa de cerejeiras em flor. São acontecimentos prosaicos, mas que, de modo subtil, vão tecendo um véu que parece capaz de dissipar-se a qualquer momento. O estilo de Kawakami capta a delicadeza da vida no exato momento em que ela parece dissolver-se. Os Anos Doces recebeu o PrémioTanizaki em 2001.

A minha opinião:
Uma história sobre uma relação difiícl de definir entre um velhote que tinha sido professor de liceu e a antiga aluna. Casual, uma vez que se encontravam sempre por acaso. Sem anúncios prévios nem combinações. Ambos tinham um longo hábito de estarem sós. Juntos, desfrutavam de pequenos prazeres.

Um romance suave e doce. A narrativa flui sem grandes rasgos mas não me aborreceu nem um pouco. Como se deixasse a mente divergir enquanto observava a vida de um estranho par em harmonia. Sem expectativas, deixei-me levar e gostei.