sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Dez Anos Depois



Autor:Liane Moriarty
Edição: 2011/ junho
Páginas: 424
ISBN: 9789722345354
Tradutor: Ana Lourenço
Editora: Presença

Sinopse:
Quando, aos trinta e nove anos, Alice Love dá uma aparatosa queda numa aula de step, a última década da sua vida parece ter-se apagado por completo da sua memória. Tem novamente 29 anos, está apaixonadíssima pelo marido e à espera do primeiro filho. Só há um pequeno problema: tudo isto se passou há dez anos… No presente, Alice é mãe de três filhos, enfrenta um difícil processo de divórcio e está de relações cortadas com a irmã, que adora. Conseguirá alguma vez reencontrar a mulher que foi na fase mais feliz da sua vida?


A minha opinião:
É inevitável pensar como me sentiria se perdesse dez anos da minha memória e que coisas me iriam surpreender. Os filhos esquecidos enquanto indivíduos com as suas próprias personalidades, peculiaridades e histórias. E tantas pessoas que entraram e saíram da minha vida seriam apagadas.

Muito estranho, mas realizar uma história divertida, credível e empolgante é um feito para Liane Moriarty. Não tão brilhante quanto O Segredo do Meu Marido ou Pequenas Grandes Mentiras, que suponho que sejam livros posteriores, mas ainda assim a capacidade narrativa, eloquência e o carisma das personagens que prendem o leitor está lá. E não ficam pontas soltas. Tudo bem desenvolvido e resolvido sem maçar. 

Uma leitura reconfortante, como por vezes eu gosto e preciso. 

Alice Love te, uma nova oportunidade de mudar de rumo e quantos de nós não gostariamos disso?

terça-feira, 18 de setembro de 2018

A Carne

Autor: Rosa Montero
Edição: 2017/ dezembro
Páginas: 192
ISBN: 978-972-0-03013-9
Tradutor: Helena Pitta
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Numa noite, Soledad contrata um gigolô para que a acompanhe a um espetáculo de ópera, um ardil, na verdade, que não é mais do que uma tentativa de provocação a um ex-amante.

No entanto, um violento e imprevisível incidente alterará por completo o curso daquela noite e marcará o início, entre ambos, de uma relação vulcânica, inquietante, e talvez perigosa. Ela tem sessenta anos; o gigolô, trinta e dois. Começa o jogo…

A narração desta aventura irá mesclar-se com as histórias dos escritores malditos da exposição que Soledad se encontra a preparar para a Biblioteca Nacional - e ser maldito é «desejarmos ser como os outros mas não conseguirmos, querer que nos amem mas só causarmos medo, talvez riso, não suportarmos a vida e, sobretudo, não nos suportarmos a nós próprios».
Como a própria Soledad, talvez?

Devorar ou ser devorado: A Carne é um romance audaz e surpreendente, o mais livre e pessoal de todos os que Rosa Montero já escreveu, que nos fala do passar dos anos, do medo da morte, da necessidade de amar e da gloriosa tirania do sexo. Tudo através da voz de uma eterna sedutora, apanhada de surpresa pelo seu próprio envelhecimento.

A minha opinião:
Demorei a conseguir ler este romance. A sinopse pareceu-me promissora mas a oportunidade  não surgiu antes e apenas nesta atribulada fase em que os afazeres e inquietações são muitos foi possível concretizar este desejo. Com este romance, a escritora/jornalista entrou definitivamente na minha lista do autores que não dispenso de ler. 

A necessidade de amor, o abismo do desamor, a raiva e glória da paixão, contemplados na exposíção sobre Escritores Malditos que a curadora de arte se preparava para apresentar ao mundo e que intercala em pequenos curiosos excertos na narrativa vibrante e mordaz do seu relacionamento com Adam, o gigolo, também eles malditos.

Soledad sente a inexpugnável passagem do tempo e o apelo da carne de uma forma que não pode deixar de exteriorizar com humor e mágoa. A parafernália de truques e produtos para retardar o envelhecimento e combater as maleitas que por medo ou debilidade se ganham muito me divertiu. Soledad é uma mulher como tantas outras e certamente este romance tem um pouco de autobiográfico, no que concerne à pressão social, o isolamento e a solidão de certas mulheres, nomeadamente mulheres de carreira. Adam, o gigolo não é o tipo de personagem que eu esperava encontrar. Surpreende e desarma mas não cativa. O apelo e a empatia/ antipatia com este livro depende exclusivamente de Soledad.

Rosa Montero aparece como personagem secundária (com algum relevo) na trama de Soledad Alegre, que bem se poderia chamar Crónica do Desamor.

Tr
epidante, e lúcido, numa escrita desarmante e envolvente é profundamente sentido, pelo menos para mim. Recomendo sem reservas.

O Segredo da Minha Mãe

Autor: J. L. Witterick
Edição: 2018/ março
Páginas: 208
ISBN: 9789898869791
Tradutor: Marta Mendonça
Editora: TopSeller

Sinopse:
Contada de quatro perspetivas diferentes, esta é a história comovente de duas mulheres que serão recordadas pela sua tremenda coragem e humanidade.

Em 1939, as tropas de Hitler invadem a Polónia e põem em marcha uma perseguição desumana ao povo judeu. Todos sabem que proteger judeus num país ocupado pelos nazis é uma sentença de morte.

Mas Franciszka e a filha, Helena, movidas por um profundo sentimento de justiça e respeito pela vida humana, decidem arriscar tudo para abrigar duas famílias judaicas e um soldado alemão desertor na sua modesta casa em Sokal. Uma das famílias fica escondida numa cave improvisada por baixo da cozinha. A outra, num palheiro por cima da pocilga. O soldado fica num sótão exíguo.

Para que todos possam sobreviver, Franciszka e a filha terão de ser mais astutas do que os vizinhos e do que os temíveis comandantes alemães, que montam guarda em frente à casa. As duas mulheres estão dispostas a tudo para salvá-los, o que implica não só escondê-los e alimentá-los, mas também conseguir manter acesa dentro deles a chama da esperança.

A minha opinião:
Não pensei que pudesse gostar tanto deste livrinho comovente e inspirador. A Segunda Guerra Mundial é um tema de sofrimento que me incomoda muito e não procuro ler, mesmo tratando-se de ficção. Este maravilhoso livro foi inspirado numa história verídica de nobreza de espírito, inteligência e coragem. Pessoas extraordinárias que confirmam que o amor é a única coisa que se recebe em maior quantidade do que se dá.

O segredo da minha mãe com quatro singelos testemunhos ligados entre si lê-se como se fosse poesia, que deveria ser lida por qualquer um como leitura obrigatória. 

Sem mais a acrescentar porque a sinopse não ilude, sugiro que entrem na leitura como eu o fiz. Sem expectativas e relativa informação. Certamente que irão gostar. 

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Trânsito

Autor: Rachel Cusk
Edição: 2018/ julho
Páginas: 232
ISBN: 9789897224454
Tradutor: Ana Matoso
Editora: Quetzal 

Sinopse:
No rescaldo do colapso da família, uma escritora e os seus dois filhos mudam-se para Londres. Essa perturbação vai ser o catalisador de uma série de transições - pessoais, morais, artísticas e práticas -, à medida que ela, Faye, se esforça por construir uma nova realidade para si e para os filhos. Na cidade, é confrontada com aspetos da realidade que sempre tentara evitar - aspetos de vulnerabilidade e poder, de morte e renovação. Esta é a luta para se religar a si própria e à sua crença na vida.

Neste segundo livro de um preciso, curto e ainda assim épico ciclo, Cusk capta com inquietante contenção e honestidade o desejo de habitar uma vida e ao mesmo tempo abandoná-la, e a tortuosa ambivalência que anima a nossa necessidade do real.

A minha opinião:
Mais uma estreia. Não comecei pelo primeiro - A Contraluz, mas antes pelo segundo desta triologia, atraida pela sinopse e pelo título. 

Quando algo não foi concluido ou está a  decorrer, em tom de brincadeira digo que está em Trânsito. Por isso, este título faz todo o sentido tratando-se de uma mudança de vida após um divórcio em que a personagem/ narradora saí do campo para a cidade de Londres, decide comprar uma casa má num lugar bom e descobre o mal nos vizinhos. A premissa começa com um email de uma astróloga que alega saber da sua situação e pode ajudá-la a tirar proveito.

A análise das circunstâncias banais do quotidiano e de si mesma como se contemplada à distância, sem grandes rasgos emocionais, é fascinante e dei por mim absorta num romance que não tem muita ação, nem enquadramento ou previsiel desfecho. Decorre e pronto. Simples assim mas muito eficaz. E bem escrito. Elegante introspeção que nos leva à reflexão. Gosto disso. Recordou-me alguns romances que li de Julian Barnes. 

Fiquei com muita vontade de ler o romance que se segue e espero que não demore muito porque Faye ficou na minha cabeça. Uma mulher só. Retrato atual e acutilante. Uma vida sem história. Narrativa forte e pertubadora em que "observamos" gestos e maneirismos, competitividade, ansiedade, raiva e alegrias, sobretudo em necessidades tanto fisicas como emocionais. Padrões de comportamento.

Muito bom mas não para todos ou em qualquer momento. Um livro que requer disponibilidade.

sábado, 1 de setembro de 2018

Ala Feminina

Autor: Vanessa Ribeiro Rodrigues
Edição: 2018/ março
Páginas: 272
ISBN: 9789898892041
Editora: Desassossego

Sinopse:
Pode a reclusão revelar mistérios da condição da mulher?


O que têm em comum uma colombiana, uma romena, uma angolana, uma venezuelana, uma uruguaia, três brasileiras e nove portuguesas? Para elas, a liberdade é um desejo que carregam na mente, livre para sonhar, com o corpo preso num cárcere, labirinto entre o Rio de Janeiro, o Porto e Lisboa.

São mães, vaidosas, filhas, amantes, sonhadoras, escrevem cartas, leem livros, amam. São barqueiras invisíveis entre dois mundos: o mundo cá de fora e um céu gradeado. Este é mais do que um livro-reportagem, é a intuição subjetiva a partir de conversas com mulheres privadas de liberdade: os medos, os desafios, as conquistas, os desabafos, a ânsia de ser livre.

A minha opinião:
Fiquei curiosa quando percebi que este livro de não ficção era sobre mulheres reclusas. "Tendemos a olhar o mundo e os outros com as lentes da nossa própria condição. Com a fronteira dos nossos próprios caminhos e limitações. Temos uma lente que é a nossa construção social. E isso é sempre limitador ou indagador."  (pag.71)  

A minha consciência indagadora e limitada levou-me a ler este livro. A abrir o meu prisma sobre a condição destas mulheres. "Sonhos, ansiedades, dificuldades, tempo ocupado, reinserção social, criminalidade" (pag. 106) violência e dor. Em suma, a condição feminina em reclusão, porquê e como subsistem.  

O peso do tempo fechada. "O tempo, sempre o tempo, precioso traiçoeiro se não ocuparem os dias. Uma faca de dois gumes, uma densidade que impõe a inércia e a autodestruição." (pag.107) (PELE, Afroreggae e Reklusas). Projectos ocupacionais e não só. Tantos testemunhos apurados em sete anos entre lá e cá do Oceano Atlântico. Na sua essência muitos são semelhantes. Lamento, engano, culpa, mas nunca desapego afectivo que dá alento, esperança e disponibilidade para a mudança ao sairem.

Fragmentos de histórias escolhidas. De azar, ambição e ilusão. Narrativas paralelas. Desabafos de alma. A forma de ver, pensar e sentir da jornalista que compôs este livro com intenção de dar voz às margens. Simples e cru, em passagens quase poéticas, deve ser lido para sentir o pulsar destas mulheres tão genuinas e humanas. 

Apesar disso, não correspondeu às minhas expetativas. Não deve ser lido de seguida porque se torna um tanto repetitivo, monocromático como a capa. Por outro lado, talvez não tenha sido o meu melhor momento para o ler. Não deixem por isso de o experienciar.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O Homem que Não Ligou

Autor: Rosie Walsh
Edição: 2018/ junho
Páginas: 352
ISBN: 9789892342450
Tradutor: Elsa T. S. Vieira
Editora: ASA

Sinopse:
Imagine que conhece um homem e se apaixona loucamente e é recíproco. São almas gémeas e um dia ele desaparece sem deixar rasto.

É o que acontece a Sarah. o seu primeiro encontro com Eddie é acidental mas tão intenso que não voltam a separar-se durante sete dias. São dias mágicos em que partilham tudo e se dão a conhecer sem reservas. Sabem que o que sentem um pelo outro é profundo e verdadeiro. Até que ele parte numa viagem breve. Promete telefonar. Mas não telefona.


Nunca mais.

Passam-se semanas, meses… e a preocupação de Sarah intensifica-se. Não acredita nos amigos, que tentam convencê-la a esquecê-lo. Afinal, dizem, ela não é a primeira pessoa (nem a última) a ser ignorada por um amante. o melhor, garantem, é seguir em frente e não pensar mais no assunto. Mas ela não é capaz. Pois sabe - e sabe, com toda a certeza - que algo de terrível aconteceu.

E um dia descobre que, afinal, tinha razão.

A minha opinião:
Apesar da capa pirosérrima, do título que sugere outro enredo, e da nota de capa sobre amar perdidamente e acreditar contra tudo e todos me parecer uma lamechice, é surpreendentemente bom. Muito bom mesmo. Um livro, contrário às piores expectativas pode ser assim, simplesmente maravilhoso. A narrativa bem conseguida, as personagens de forte personalidade e carisma e a trama que nos apanha desprevenidos fazem deste um dos melhores que já li, porque conseguiu emocionar-me como raramente acontece, para mais num romance e consistentemente em todo ele. Recordou-me os romances de Charles Martin, que eu adoro.

Um homem esfuziante e atraente que apareceu numa parte do mundo que ela tanto temia e pintou tudo de cores vivas. Um amor improvável. O elo desta história que se descontroi com um regresso ao passado num quebra cabeças muito bem feito, em que mesmo um leitor experiente não antecipa numa trama que parece banal sem o ser, em que as personagens de ficção tornam-se reais. Resilência, força e recompensa.  

Sei que estou a ser enigmática, mas não devo revelar mais. Espero que partam à descoberta como eu fiz.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Deixo-Te Para Não Te Perder

Autor: Taylor Jenkins Reid
Edição: 2018/ agosto
Páginas: 336
ISBN: 9789722362528
Tradutor: Cristina Lourenço 
Editora: Presença

Sinopse:
Um romance deslumbrante sobre casamento, laços familiares e uma mulher singular. O casamento de Lauren e Ryan atinge o ponto de rutura e ambos tomam a decisão pouco convencional de se afastarem durante um ano, na esperança de que isso lhes permita apaixonarem-se de novo. Durante esta separação, cada um é livre de viver como entender, à exceção de nenhum estabelecer qualquer contacto com o outro.

Lauren inicia uma viagem de autodescoberta e depressa se apercebe de que tanto os seus familiares como os seus amigos têm ideias muito próprias sobre o significado do matrimónio. a perceção desse facto e os desafios decorrentes da separação de Ryan mudam a visão de Lauren sobre monogamia e casamento. E ela passa a interrogar-se: quando estamos ligados a alguém sem um compromisso de fidelidade e quando vivemos uma relação sem casamento - ou seja, quando já não há laços entre o amor e o desejo - a que damos nós valor? Pelo que estamos nós dispostos a lutar?

Um romance surpreendente sobre o que acontece quando o amor se dissipa. E sobre continuarmos apaixonados, lutarmos pelo amor, renunciarmos a ele ou entregarmo-nos com toda a nossa alma. É, sobretudo, a história de um casal preso a um velho arquétipo, mas à procura de um novo caminho rumo à felicidade.

A minha opinião:
Literaura light. Precisava disto depois do romance anterior. Sem ser fútil ou demasiado juvenil, mas que não me obrigasse a um carrocel de emoções fortes. E acertei em cheio. Uma pequena maravilha. As personagens simpáticas e francas no contexto de uma relação que descambou analisada, sob a perspectiva dela e epistolar dele (emails). Divertidamente séria e dividida em cinco partes esta inteligente história que tantos casais já vivenciaram. Aquele ponto do casamento em que a maioria cede. 


"Tudo o que tens a fazer é nunca desistir."  (pag. 326)

Lauren lia muito, como revelou num primeiro encontro após a separação. Ficção, principalmente. Thrillers. Policiais. Na verdade deixara de ler tudo o que tivesse uma história de amor. Era muito menos deprimente ler sobre homicídios. 

A Presença frequentemente nos presenteia com romances inspiradores. Leves e encantadores, que nos fazem sorrir e sonhar com o futuro, como este, em que um belo e frágil casamento não se perdeu. E outros relacionamentos com personagens enternecedoras giram em torno dos protagonistas. Contudo, também nos induz em erro porque parece que se leêm em poucas horas e damos por nós arrebatadas durante dias, a virar página atrás de página (quase transparente) sem vislumbrar o fim e sem pressa de o alcançar. Delicioso engano. E sempre com o livrinho a reboque, bem disfarçado em qualquer mala. 

Não conhecia a autora e gostei tanto que espero repetir. Fiquei apenas intrigada por não saber o que aconteceu ao pai de Lauren. Enfim... mistério, que enalteceu a familia. 

domingo, 12 de agosto de 2018

Jogos de Raiva

Autor: Rodrigo Guedes de Carvalho
Edição: 2018/ maio
Páginas: 448
ISBN: 9789722065047
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Um homem levanta a voz acima da algazarra de conversas. E pede que ponham mais alto o som do televisor do restaurante. É então que todos reparam no que ele vê. Não percebem ou não acreditam. E na rua, no bairro, na cidade, no país, homens, mulheres e crianças vão-se calando. Está por todo o lado, a imagem horrível e hipnotizante. O homem que pediu silêncio leva as mãos à cara e pensa: como chegámos aqui?

A era da comunicação global trouxe inimagináveis maravilhas. Partilhas imediatas de ensinamentos, denúncias e solidariedades. Mas permitiu também que saísse das cavernas uma realidade abjecta. Insultos, ameaças, ironias maldosas. Nunca, como hoje, a semente do ódio foi tão espalhada.

É sobre este pano de fundo que se conta a história de uma família. Três gerações a olhar para um futuro embriagado num estado de guerra. Uma família que esconde, enquanto puder, um segredo.
Jogos de Raiva traça duros retratos sem filtro sobre medos e remorsos, sobre o racismo, a depressão, a sexualidade, o jornalismo, a adopção, a arte e a amizade. E o poder das histórias.
É sobre a urgência da confiança, da identidade e do amor.
É um livro sobre todos nós, à deriva num novo mundo


A minha opinião:
Estou a ler menos. Retomar o labor habitual após as férias custa e com este livro é garantido que logo na primeira página levamos um abanão, ou melhor, um estalo bem dado para acordar. Depois... é perceber como e porquê ao longo de uma narrativa que sem peias nem meias palavras explode à frente dos nossos olhos para nos recordar o que queremos esquecer ou ignorar. Assuntos tabu como o suicidio, a depressão, o racismo, são abordados de um modo que, os mais distraidos ou pouco exigentes não podem deixar de reparar, mesmo que não percebam o quanto custou a aguçar. Leitura exigente, durissima em algumas partes, abraça causas que não procuramos num romance e extrema-as até ao limite, sem com isso nos impedir de ler compulsivamente até ao fim. De assinalar, a escrita apurada, assertiva e tão lúcida de Rodrigo Guedes de Carvalho que nos obriga a ler e a reler. Importa refletir sobre o jornalismo de hoje e o impacto das redes sociais na vida quotidiana. 

A história gira em torno de uma familia do Porto. Riquissimas personagens. De conteúdo. Tanto de nós existe em cada uma delas. Os mais atentos, sensiveis e inteligentes vão perceber o quanto a vilania, ira, vaidade e inveja se manifesta e como combatê-la. A familia na dor da perda e na dor de não entender, subsiste e supera, com o amor que os une apesar das diferenças. 

Como Bernard Shaw tinha aconselhado numa lição para alunos de escrita criativa:"Se não consegues livrar-te dos esqueletos da tua familia, ao menos fá-los dançar".  (pag. 182)

Rodrigo, obrigada por esta dança.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Marcada para Morrer

Autoras: Peter James
Edição: 2018/ janeiro
Páginas: 472
ISBN: 9789897244094
Tradutor: Dina Antunes
Editora: Clube do Autor

Sinopse: 

Se há livros capazes de suspender a respiração normal do leitor, este é um deles. Tal como a obra anterior de Peter James, Marcada para Morrer é um thriller que promete dar que falar (e noites sem dormir).

Escutou-a a gritar. Um grito aterrador. Depois, surgem os corpos assassinados, uns no passado e outros no presente. No final, a perversidade por trás destes crimes vai surpreendê-lo e arrepiá-lo.

Até que ponto um passado tortuoso é capaz de gerar uma mente monstruosa e vingativa? O que fazer quando o pior mal existe naqueles em quem mais confiamos?

A minha opinião: 
Em jeito de desabafo, como é meu apanágio, admito que depois de muito adiar, comecei a ler este thriller com alguma relutância e cheguei a ponderar não o fazer. A maldade/ crueldade custa a ler, mesmo em ficção. 

Jovens mulheres escolhidas vigiadas e raptadas porque tinham determinadas carateristicas físicas, posteriormente marcadas para morrer por um psicopata que julga assim vingar o mal que sofrera, inquieta. Por outro lado, vicia, quando a sequência de acontecimentos narrados em curtissimos capítulos, cruza com um outro crime do passado, e ainda surgem suspeitas sobre o misterioso desaparecimento da mulher do detective Roy Grace. 

A ansia pelo castigo do vilão, o bem que deve vencer o mal, o percurso atribulado para o conseguir em que se procura antever a resolução dos inteligentes enigmas para evitar que mais crimes/ projectos aconteçam, não nos deixam parar de ler. Neste sentido, é um excelente thriller, semelhante no formato aos que li de Stephen King, em que se espera continuidade da trama num próximo livro. O senão, são as muitas personagens que dificultam um pouco no início, até se perceber qual a sua relevância na história, compensado pela empatia fácil e pronta com o protagonista.  

Ainda bem que não desisti. Valeu a pena. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A Ilha dos Segredos

Autor: Nadia Marks
Edição: 2018/ julho
Páginas: 304
ISBN: 9789898741073
Tradutor: Inês Castro 
Editora: Noites Brancas

Sinopse: 
Muitas vezes, a vida corre ao contrário do planeado. Anna sabe-o melhor do que ninguém. Por isso, a viagem até à ilha onde estão as suas raízes promete dar-lhe a força de que tanto precisa. Na Grécia, Anna irá enfrentar a história desconhecida da sua família e descobrir mistérios enterrados há mais de cinquenta anos.

Nessa ilha paradisíaca do mar Egeu e à sombra dos limoeiros da casa de família, Anna irá confrontar-se com segredos dolorosos, histórias antigas e sensações adormecidas.

A Ilha dos Segredos é um romance sobre como o passado, o afeto pelos outros e a liberdade podem curar as feridas mais profundas.

«O grego antigo tem quatro palavras distintas para amor: agápe, eros, philía e storgé. Poderá afinal existir uma?»

A minha opinião: 
Agradada com este romance apressei-me a ler. A história é sobre um regresso ao lar, onde os cinco tipos de amor que os gregos reconhecem são vividos por Anna durante uma inesperada crise pessoal. Segredos, vislumbram-se logo no inicio, numa pequena comunidade, uma ilha grega, com todo o seu colorido sensorial descritos com afeição.

Na segunda parte, um amor proibido do passado é revelado. Um segredo de família oculto durante décadas. A partir daqui, este romance despretensioso e simples, entusiasma, ao ponto de não se conseguir parar de ler até tudo se saber. As personagens não são muito elaboradas ou marcantes, aspecto que registo com menor apreço. Ainda assim gostei. Um romance de verão. E um convite para uma viagem de descoberta e lazer.

Tenho de Saber

Autor: Karen Cleveland
Edição: 2018/ maio
Páginas: 296
ISBN: 9789897770104
Tradutor: Victor Antunes 
Editora: Planeta

Sinopse: 

Ao perseguir uma célula de agentes russos adormecidos em território americano, uma analista da CIA descobre um terrível segredo. Vivian Miller é uma dedicada analista de contra-espionagem que tem por missão descobrir os chefes das células de agentes adormecidos a operar nos Estados Unidos.

Ao aceder ao computador de um possível operacional russo, Vivian tropeça num ficheiro secreto sobre agentes infiltrados em território americano. Depois de mais alguns cliques, tudo aquilo que para ela é importante - o trabalho, o marido e até os quatro filhos - se encontra ameaçado.

Karen Cleveland, a autora do fenómeno editorial do momento, trabalhou para a CIA como analista durante oito anos, os últimos seis ligados ao contraterrorismo.

A minha opinião: 
Quando me falaram deste livro, não liguei. Quando vi a capa, não liguei. Apenas mais um livro de espionagem. Não me chamou. Não sabia o livro que se seguiria, mas como fora emprestado com a convicção de que iria gostar, acreditei. E não é que não erraram?! A história gira em torno de uma agente que procura descobrir espiões russos infiltrados nos EUA e quando o consegue, descobre o marido. O casamento feliz e a harmonia familiar são postos em causa para esta mulher em conflito.

Narrativa na primeira pessoa, com um discurso intimista e introspectivo na demanda para encontrar uma saída a uma situação impossível. O leitor, cético, acompanha-a, e é surpreendido com o desenlace, em que a ultima frase, aliás, a ultima palavra, lança uma nova perspetiva sobre toda a trama, que certamente terá continuidade.

Recomendo sem reservas.