segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Ao Sol de Tânger

Autor: Christine Mangan
Edição: 2018/ setembro
Páginas: 288
ISBN: 9789722362641
Tradutor: Miguel Romeira
Editora: Presença

Sinopse:
A última pessoa que Alice espera ver quando chegou a Tânger, com o seu novo marido, é Lucy Mason. Depois de um acidente em Bennington, as duas jovens - outrora colegas de quarto inseparáveis - não se viam há mais de um ano. Mas ali está Lucy, a tentar reparar as coisas e recuperar a cumplicidade de antigamente. Alice talvez devesse sentir algum alívio por ter ali uma amiga, ela ainda não conseguiu adaptar-se à sua vida em Marrocos; tem medo de se aventurar na confusão das medinas e o calor opressivo apavora-a. Lucy, independente e destemida como sempre, ajuda Alice a sair do apartamento e a explorar o país. Porém, Alice depressa dá por si dominada por um sentimento que já conhece: o controlo constante de Lucy.

Para agravar a situação, John, o marido de Alice, desaparece e ela começa a questionar tudo à sua volta: a relação com a sua enigmática amiga, a decisão de se mudar para Tânger e até a sua própria sanidade mental. Uma história afiada como um punhal, numa estreia literária cheia de peripécias, exotismo e charme, escrita com tal mestria, que deixará o leitor arrebatado.

A minha opinião:
Gosto da capa. Bem escolhida. Facilmente e sem nada saber imaginei o tempo e o lugar.  E assumi que seria a foto de Lucy, quem dizia sempre o que lhe ia na cabeça, sabia o que queria e tratava de o conseguir.

Alice... é a outra personagem. Uma jovem mulher marcada pela morte dos pais e com algumas sombras que a rodeavam. 

E Tânger, uma estranha cidade sem lei que pertencia a todos e a ninguém, que pelo peso que tem na história é em si uma personagem com os seus odores, ruídos e clima. 

O enredo é sobre a estranha relação destas duas mulheres, outrora amigas, que alternadamente contam a sua versão. A ligação lembra a série de Elena Ferrante, apesar de o desiquilíbrio de forças entre elas ser mais acentuado. 

Mais um thriller, de estreia, muito competente. Cinematográfico, o que muito apreciei. Mistério, suspense e intriga.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A Última Mentira

Autor: Kimberly Belle
Edição: 2018/ junho
Páginas: 304
ISBN: 9789897103179
Tradutor: Ester Cortegano
Editora: Chá das Cinco

Sinopse:
O casamento de Iris e Will é perfeito: uma mansão num bairro excelente, carreiras apaixonantes e a excitação de tentarem ter o primeiro filho. Mas na manhã em que Will parte para uma viagem de negócios a Orlando, o mundo idílico de Iris desmorona-se. Um avião que se dirigia para Seattle despenhou-se e, de acordo com a companhia aérea, Will é uma das vítimas mortais.

Confusa e arrasada pela dor, Iris pensa que só pode ser um mal-entendido. Mas à medida que o tempo passa e não há sinal de Will, ela aceita relutantemente que ele morreu. Ainda assim, precisa de respostas. Porque é que Will mentiu sobre o destino da viagem? O que ia fazer a Seattle? E que mais mentiras contou? Infelizmente, há perguntas que só devemos fazer quando estamos preparados para as respostas.

A minha opinião:
Acabei de ler este livro sem saber bem o que opinar. Durante boa parte do livro achei que não convencia, mas mais para o fim conseguiu entusiarmar-me e o fim agradou-me mesmo. O idílio de sete anos de casamento desfaz-se com um trágico acidente de avião em que Iris descobre um rol de mentiras do seu perfeito marido. Não me chocou que uma psicóloga não se tenha apercebido. A paixão tira a lucidez e discernimento dos mais aptos e a relação era tão boa que tentavam ter um filho, contudo a narrativa não evoluiu como eu esperava e não me provocou aquele frémito de ansiedade que gosto, talvez, porque leio muito. 

Gostei da caracterização de um narcisista que dá credibilidade profissional à protagonista. Gostei da Iris e da sua familia. Gostei de Evan. E depois a busca de dados no rasto das pistas que ia apurando fazia sentido, mas... faltou algo. A surpresa. Nem o vilão me enganou.

 Enfim... um thriller "doméstico" mediano.

sábado, 3 de novembro de 2018

Se Esta Rua Falasse

Autor: James Baldwin
Edição: 2018/ setembro
Páginas: 208
ISBN: 9789896656461
Tradutor: José Mário Silva
Editora: Alfaguara

Sinopse: 
Se esta rua falasse, esta seria a história que contaria: Tish, 19 anos, apaixona-se por Fonny, que conhece desde criança. Fazem juras de amor e conjuram sonhos para a vida a dois. Sensual, violento e profundamente comovente, este romance é uma bela canção de blues, de toada doce-amarga, com notas de raiva e ainda assim cheia de esperança. Publicado pela primeira vez em 1974, Se esta rua falasse é o quinto romance de James Baldwin, um dos nomes maiores da literatura americana do século XX e uma das vozes mais influentes do activismo pelos direitos civis.

Um romance manifesto contra a injustiça da justiça e uma história de amor intemporal, é hoje tão pertinente e tão comovente quanto no dia da sua publicação. 

A minha opinião: 
Uma tremenda história de amor. Belíssima como o são todas as grandes histórias de amor. E pungente. 

Escrita simples e inspirada que encanta e desarma quando se trata de pobreza, preconceito e despotismo. Mesmo entre negros, no Harlem, algumas décadas atrás. Se considerarmos que, James Baldwin faleceu em 1987 e fugiu ao racismo e homofobia, percebemos a atualidade deste romance, que provoca alguma angústia, sendo por isso um tanto difícil de ler. Essencial quando esses mesmos problemas ressurgem um pouco por todo o lado.

Fonny, o amor de Tish, narradora e protagonista, é acusado e preso por um crime que não cometeu e tudo gira à volta do esforço para o libertar, enquanto nos dá a conhecer as pessoas que são e o meio onde se movem.  

As personagens são grandiosas e inesquecíveis. Adorei a família de Tish, bem como os protagonistas, claro, e abominei a mãe e irmãs de Fonny. 

O final deixou-me abismada, e no primeiro momento não o entendi. Tive que ler e reler e fiquei naquela "será que é o copo meio cheio ou meio vazio"? Aconteceu o melhor ou o pior aquele jovem casal que tanto sofreu? Depois de uma perda conclui que foi o melhor mas... bolas... custou.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O Desaparecimento de Stephanie Mailer

Autor: Joël Dicker
Edição: 2018/ julho
Páginas: 661
ISBN: 9789896655884
Tradutor: José Mário Silva
Editora: Alfaguara

Sinopse: 
Na noite de 30 de Julho de 1994, a pacata vila de Orphea, na costa leste dos Estados Unidos, assiste ao grande espectáculo de abertura do festival de teatro. Mas o presidente da Câmara está atrasado para a cerimónia… Ao mesmo tempo, Samuel Paladin percorre as ruas desertas da vila à procura da mulher, que saiu para correr e não voltou. Só para quando encontra o seu corpo em frente à casa do presidente da Câmara. Dentro da casa, toda a família do presidente está morta.

A investigação é entregue a Jesse Rosenberg e Derek Scott, dois jovens polícias do estado de Nova Iorque. Ambiciosos e tenazes, conseguem cercar o assassino e são condecorados por isso. Vinte anos mais tarde, na cerimónia de despedida de Rosenberg da Polícia, a jornalista Stephanie Mailer confronta-o com uma revelação inesperada: o assassino não é quem eles pensavam, e a jornalista reclama ter informações-chave para encontrar o verdadeiro culpado.

Dias depois, Stephanie desaparece.

Assim começa este thriller colossal, de ritmo vertiginoso, entrelaçando tramas, personagens, surpresas e volte-faces, sacudindo o leitor e impelindo-o, sem possibilidade de parar, até ao inesperado e inesquecível desenlace.

O que aconteceu a Stephanie Mailer?

E o que aconteceu realmente no Verão de 1994?

A minha opinião: 
Não sou fã de Joël Dicker. A escrita e as personagens não me seduzem. Apesar disso, li quase todos os seus livros e admiro a sua capacidade de "emaranhar" uma trama a dois tempos e ainda conseguir "tecer" uma história consistente, plausível e perfeitamente perceptivel num esquema sem "malhas" soltas e ainda recheado de cor num padrão de belo efeito. 

Tanto quanto me lembro não difere muito do seu mais conhecido livro "A verdade sobre o caso de Harry Quebert". Admito que, como a expectativa não era alta foi bem sucedido e apesar das suas mais de 600 páginas foi um verdadeiro "page turner".

A ação passa-se em Orphea, nos Hamptons, (um lugar onde a vida parece mais doce) com várias personagens, em que todas elas escondem segredos que as torna suspeitas em algum momento. Jesse, instigado por Stephanie e Derek, os dois policias, na companhia de Anna, reabrem um doloroso processo de um quádruplo assassinato em 1994. Os equívocos e as revelações sucedem-se, enquanto a sorte protege quem procura recuperar pistas perservadas nesta narrativa hollywoodesca, de curtos capítulos e muito diálogo.

Em suma, não fica na memória, mas entretêm quanto baste. O final é francamente dececionante. Steven Bergdorf na sua relação com Alice foram os que menos me convenceram e o seu desfecho, ainda que irónico, manteve o mesmo registo. De resto, lê-se bem, mas está longe de ser dos thrillers policiais que mais gostei. 

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Fica Comigo

Autor: Ayobámi Adébáyò
Edição: 2018/ outubro
Páginas: 288
ISBN: 9789898864437
Tradutor: R
Editora: Elsinore

Sinopse: 
Yejide e Akin estão casados desde os tempos de faculdade, onde se conheceram e apaixonaram. Agora, decorridos vários anos, Yejide espera por um milagre: uma criança. É o que o seu marido quer, e o que a sociedade espera dela - e, entre consultas de fertilidade, curandeiros e tisanas, Yejide tem feito tudo o que pode para consegui-lo. A família de Akin, no entanto, começa a dar sinais de impaciência, e quando sugerem ao jovem casal acolher em casa uma segunda esposa, mais jovem, os dois percebem que terão de encontrar uma solução rapidamente.

Percorrendo os anos turbulentos da Nigéria da década de 1980 até aos nossos dias, Fica Comigo é uma história sobre a fragilidade do amor conjugal e do colapso da família sob o peso exasperante da maternidade, bem como da contradição de valores que coexistem no interior de uma mesma sociedade.

A minha opinião: 
Surpreendentemente bom. Mesmo muito. De quando em quando, surge um romance, de que nada sabia e que me consegue arrebatar com uma personagem feminina tão forte e marcante, nada ofuscada pelo marido, igualmente impactante, numa história que nada tem de banal ou simples quando se trata da Nigéria na década de 80 e que vai até dias mais próximos. 

A pressão da maternidade numa sociedade que aceita a poligamia. Uma visão sábia e intima do drama do casal sem sentimentalismo e muita emoção. Perda. Traição. E redenção. E que história!!!

Bem pensada e bem contada. Daquelas que não se esquecem. Uma jovem escritora que se lançou com o seu primeiro romance. Uau!

A Persuasão Feminina

Autor: Meg Wolitzer
Edição: 2018/ setembro
Páginas: 480
ISBN: 9789896605186
Tradutor: Raquel Dutra Lopes
Editora: Teorema

Sinopse: 
Jovem, brilhante e ambiciosa, Greer Kadetsky acaba de ser aceite na prestigiada universidade de Yale com uma bolsa de estudo. Para entrar, basta preencher um formulário. Algo que os pais, na sua descontracção de hippies da velha guarda, não fazem.

É assim que ela se vê relegada para uma universidade de segunda linha enquanto o namorado, Cory, filho de imigrantes portugueses, concretiza o sonho de ambos e segue para Yale.

Enquanto se debate com a inesperada falta de rumo, Greer conhece a carismática Faith Frank, figura icónica do feminismo americano. Ao assistir a uma palestra de Faith, a chama que Greer temia extinta ilumina-se.

Anos depois, já terminada a faculdade, Cory dedica-se à alta finança enquanto Greer luta pelos seus ideais com fervor. São percursos distintos que os obrigam a confrontarem-se com a complexidade da vida adulta.

Aos poucos, ambos se afastam do futuro que sempre imaginaram para si próprios. E um dia, vão perceber como estão longe daquilo que sonharam ser.

A minha opinião: 
Não li o "Os Interessantes", que aguarda vez na minha estante em muito boa companhia, mas adorei o romance "A mulher".

"A Persuasão Feminina" começa com a protagonista Greer jovem, zangada com os pais por não estar na faculdade que merecia quando conhece Faith Frank, uma acérrima defensora dos direitos das mulheres. Mais tarde, vão trabalhar juntas e criam um laço quase maternal, dada a diferença geracional. A mudança das personagens, inclusive das personagens secundárias relevantes no enredo, bem como as mudanças na sociedade, com os anseios e conquistas das mulheres antes e depois, ou as cedências que se fazem em prol de um bem que se julga maior. Um romance com um cunho marcadamente feminista, pertinente e atual. O poder e ambição a par do desenvolvimento e humanidade, tantas vezes longe do que idealizamos.

Naturalmente bem escrito. Um romance para se ler devagar.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

O Castigo dos Ignorantes

Autor: Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt
Serie: Sebastian Bergman (Vol. 5)
Edição: 2018/ setembro
Páginas: 512
ISBN: 9789896655556
Tradutor: Elin Baginha
Editora: Suma de Letras

Sinopse:
O REGRESSO DE SEBASTIAN BERGMAN

A estrela de um reality show é encontrada morta numa escola, com um disparo na cabeça. Amarrado a uma cadeira de sala de aula, posicionado de frente para um canto, com orelhas-de-burro. Um exame longo, de várias páginas, pregado na parte de trás da cadeira. A julgar pelo número de respostas erradas, a vítima falhou no teste mais importante da sua vida.

Esta morte será o primeiro de uma série de assassinatos contra várias personalidades dos media e o Departamento de Investigação Criminal é chamado. Lutam para encontrar provas e finalmente Sebastian Bergman descobre pistas em chats e cartas anónimas publicadas em jornais. O autor das cartas opõe-se à falta de educação entre os modelos da nova geração e fala muito sobre os assassinatos. Sebastian desafia-o e fica claro que o seu oponente sem rosto tem informações sobre os assassinatos a que ninguém além da polícia —e do assassino —tem acesso.

Neste novo caso Sebastian Bergman e sua equipa enfrentam um serial killer complexo e tortuoso, que ameaça a própria existência da equipa.

A minha opinião:
Finalmente terminei. Uma história bem contada quando chega ao fim é um climax ansiado. Para mais, esta dupla de autores não deixa a intensidade narrativa quebrar em qualquer um dos volumosos livros e o final é sempre tremendo. Como leitores, ansiamos por mais, porque o próximo já foi iniciado com o desfecho deste livro, completamente inesperado.

A equipa de Riksmord continua eficaz e emocionalmente caótica. Qualquer um deles lida com dificuldades ou problemas que atenuam com o trabalho. Esta faceta humana torna-os mais realistas, enquanto a dinâmica do grupo é volátil e gera empatia.

Sebastian Bergman, um mentiroso viciado em sexo para esquecer a dor e a culpa encontra um criminoso à sua altura, motivado para acabar com a idolatria da estupidez, punindo primeiro os ignorantes que reprovam nos testes e depois os que os promovem. Uma chamada de atenção ao que singra hoje em dia, enquanto os crimes continuam e a equipa busca o culpado, no que terá sucesso graças à temeridade de Sebastian. Mais uma vez, muito bom.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Fim de Turno

Autor: Stephen King
Edição: 2018/ julho
Páginas: 376
ISBN: 9789722535458
Tradutor: Ana lourenço
Editora: Bertrand

Sinopse:
Bill Hodges, que agora gere uma agência com a colega Holly Gibney, fica intrigado com a letra Z escrita a marcador na cena de um crime para que são chamados.
À medida que se vão acumulando casos idênticos, Hodges fica espantado ao perceber que as pistas apontam para Brady Hartsfield, o célebre «assassino do Mercedes» que eles ajudaram a condenar. Devia ser impossível: Brady está confinado a um quarto de hospital num estado aparentemente vegetativo.

Mas Brady Hartsfield tem novos poderes letais. E planeia uma vingança, não só contra Hodges e os seus amigos, mas contra a cidade inteira.
O relógio bate de formas inesperadas…

A minha opinião:
Depois de ler "Sr. Mercedes", "Perdido e Achado", tinha que ler "Fim de Turno", o último livro da trilogia Bill Hodges do género Thriller Policial, que fecha em grande o ciclo Brady Hartshield. Em sequência, com uma breve resenha no início do primeiro,  pode perfeitamente ser lido sem os restantes. Apenas quem se apega a Holly e Bill como eu, tem que os ler todos, sem perder este Fim de Turno (termo utilizado na passagem à reforma de um policia). Fim de Turno é o que está prestes a acontecer ao antigo parceiro de Bill que o chama para um último caso. Um crime seguido de suicídio. Uma vitima do mediático assassino do Mercedes, que deixa estranhas pistas que o det-ref e a sua sócia seguem. Afinal, Bill duvida do estado vegetativo do príncipe do suicídio. 

Para este assassino não é o controle. Suicídio é controle. "Brady sabe que há alguma coisa porque toda a gente se preocupa, e os adolescentes preocupam-se mais do que toda a gente." (pag. 254) A capacidade de transformar o desagradável ruído de fundo dos adolescentes em monstros devastadores que os conduzem a um final definitivo que não desejam é o poder do vilão desta história. Afinal, cada suicídio que chega às redes sociais gera novas sete tentativas, cinco que são só para chamar a atenção e duas que são reais. 

O brilhantismo da narrativa repete-se com a mestria de Stephen King e o seu fascínio pelo terror e o fantástico. Adequando os vícios em eletrónica e jogos, bem como certos desenhos animados que são considerados potencialmente perigosos, cria uma trama hipnótica e genial, de suspense até ao fim. Muito fixe. 


sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Dez Anos Depois



Autor:Liane Moriarty
Edição: 2011/ junho
Páginas: 424
ISBN: 9789722345354
Tradutor: Ana Lourenço
Editora: Presença

Sinopse:
Quando, aos trinta e nove anos, Alice Love dá uma aparatosa queda numa aula de step, a última década da sua vida parece ter-se apagado por completo da sua memória. Tem novamente 29 anos, está apaixonadíssima pelo marido e à espera do primeiro filho. Só há um pequeno problema: tudo isto se passou há dez anos… No presente, Alice é mãe de três filhos, enfrenta um difícil processo de divórcio e está de relações cortadas com a irmã, que adora. Conseguirá alguma vez reencontrar a mulher que foi na fase mais feliz da sua vida?


A minha opinião:
É inevitável pensar como me sentiria se perdesse dez anos da minha memória e que coisas me iriam surpreender. Os filhos esquecidos enquanto indivíduos com as suas próprias personalidades, peculiaridades e histórias. E tantas pessoas que entraram e saíram da minha vida seriam apagadas.

Muito estranho, mas realizar uma história divertida, credível e empolgante é um feito para Liane Moriarty. Não tão brilhante quanto O Segredo do Meu Marido ou Pequenas Grandes Mentiras, que suponho que sejam livros posteriores, mas ainda assim a capacidade narrativa, eloquência e o carisma das personagens que prendem o leitor está lá. E não ficam pontas soltas. Tudo bem desenvolvido e resolvido sem maçar. 

Uma leitura reconfortante, como por vezes eu gosto e preciso. 

Alice Love te, uma nova oportunidade de mudar de rumo e quantos de nós não gostariamos disso?

terça-feira, 18 de setembro de 2018

A Carne

Autor: Rosa Montero
Edição: 2017/ dezembro
Páginas: 192
ISBN: 978-972-0-03013-9
Tradutor: Helena Pitta
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Numa noite, Soledad contrata um gigolô para que a acompanhe a um espetáculo de ópera, um ardil, na verdade, que não é mais do que uma tentativa de provocação a um ex-amante.

No entanto, um violento e imprevisível incidente alterará por completo o curso daquela noite e marcará o início, entre ambos, de uma relação vulcânica, inquietante, e talvez perigosa. Ela tem sessenta anos; o gigolô, trinta e dois. Começa o jogo…

A narração desta aventura irá mesclar-se com as histórias dos escritores malditos da exposição que Soledad se encontra a preparar para a Biblioteca Nacional - e ser maldito é «desejarmos ser como os outros mas não conseguirmos, querer que nos amem mas só causarmos medo, talvez riso, não suportarmos a vida e, sobretudo, não nos suportarmos a nós próprios».
Como a própria Soledad, talvez?

Devorar ou ser devorado: A Carne é um romance audaz e surpreendente, o mais livre e pessoal de todos os que Rosa Montero já escreveu, que nos fala do passar dos anos, do medo da morte, da necessidade de amar e da gloriosa tirania do sexo. Tudo através da voz de uma eterna sedutora, apanhada de surpresa pelo seu próprio envelhecimento.

A minha opinião:
Demorei a conseguir ler este romance. A sinopse pareceu-me promissora mas a oportunidade  não surgiu antes e apenas nesta atribulada fase em que os afazeres e inquietações são muitos foi possível concretizar este desejo. Com este romance, a escritora/jornalista entrou definitivamente na minha lista do autores que não dispenso de ler. 

A necessidade de amor, o abismo do desamor, a raiva e glória da paixão, contemplados na exposíção sobre Escritores Malditos que a curadora de arte se preparava para apresentar ao mundo e que intercala em pequenos curiosos excertos na narrativa vibrante e mordaz do seu relacionamento com Adam, o gigolo, também eles malditos.

Soledad sente a inexpugnável passagem do tempo e o apelo da carne de uma forma que não pode deixar de exteriorizar com humor e mágoa. A parafernália de truques e produtos para retardar o envelhecimento e combater as maleitas que por medo ou debilidade se ganham muito me divertiu. Soledad é uma mulher como tantas outras e certamente este romance tem um pouco de autobiográfico, no que concerne à pressão social, o isolamento e a solidão de certas mulheres, nomeadamente mulheres de carreira. Adam, o gigolo não é o tipo de personagem que eu esperava encontrar. Surpreende e desarma mas não cativa. O apelo e a empatia/ antipatia com este livro depende exclusivamente de Soledad.

Rosa Montero aparece como personagem secundária (com algum relevo) na trama de Soledad Alegre, que bem se poderia chamar Crónica do Desamor.

Tr
epidante, e lúcido, numa escrita desarmante e envolvente é profundamente sentido, pelo menos para mim. Recomendo sem reservas.

O Segredo da Minha Mãe

Autor: J. L. Witterick
Edição: 2018/ março
Páginas: 208
ISBN: 9789898869791
Tradutor: Marta Mendonça
Editora: TopSeller

Sinopse:
Contada de quatro perspetivas diferentes, esta é a história comovente de duas mulheres que serão recordadas pela sua tremenda coragem e humanidade.

Em 1939, as tropas de Hitler invadem a Polónia e põem em marcha uma perseguição desumana ao povo judeu. Todos sabem que proteger judeus num país ocupado pelos nazis é uma sentença de morte.

Mas Franciszka e a filha, Helena, movidas por um profundo sentimento de justiça e respeito pela vida humana, decidem arriscar tudo para abrigar duas famílias judaicas e um soldado alemão desertor na sua modesta casa em Sokal. Uma das famílias fica escondida numa cave improvisada por baixo da cozinha. A outra, num palheiro por cima da pocilga. O soldado fica num sótão exíguo.

Para que todos possam sobreviver, Franciszka e a filha terão de ser mais astutas do que os vizinhos e do que os temíveis comandantes alemães, que montam guarda em frente à casa. As duas mulheres estão dispostas a tudo para salvá-los, o que implica não só escondê-los e alimentá-los, mas também conseguir manter acesa dentro deles a chama da esperança.

A minha opinião:
Não pensei que pudesse gostar tanto deste livrinho comovente e inspirador. A Segunda Guerra Mundial é um tema de sofrimento que me incomoda muito e não procuro ler, mesmo tratando-se de ficção. Este maravilhoso livro foi inspirado numa história verídica de nobreza de espírito, inteligência e coragem. Pessoas extraordinárias que confirmam que o amor é a única coisa que se recebe em maior quantidade do que se dá.

O segredo da minha mãe com quatro singelos testemunhos ligados entre si lê-se como se fosse poesia, que deveria ser lida por qualquer um como leitura obrigatória. 

Sem mais a acrescentar porque a sinopse não ilude, sugiro que entrem na leitura como eu o fiz. Sem expectativas e relativa informação. Certamente que irão gostar.