quinta-feira, 29 de março de 2018

A Casa de Papel

Autor: Carlos María Domínguez
Edição: 2010/ julho
Páginas: 80
ISBN: 9789892308692
Tradutor: Henrique Tavares e Castro
Editora: Asa

Sinopse: 

Os livros mudam o destino das pessoas: Hemingway incutiu em muitos o seu famoso espírito aventureiro; os intrépidos mosqueteiros de Dumas abalaram as vidas emocionais de um sem-número de leitores; Demian, de Hermann Hesse, apresentou o hinduísmo a milhares de jovens; muitos outros foram arrancados às malhas do suicídio por um vulgar livro de cozinha. Bluma Lennon foi uma das vítimas da Literatura.
Na Primavera de 1998, Bluma, uma lindíssima professora de Cambridge, acaba de comprar um livro de poemas de Emily Dickinson quando é atropelada. Após a sua morte, um colega e ex-amante recebe um exemplar de A Linha da Sombra, de Joseph Conrad, em que Bluma escrevera uma misteriosa dedicatória. Intrigado, parte numa busca que o leva a Buenos Aires com o objectivo de procurar pistas sobre a identidade e o destino de um obscuro mas dedicado bibliófilo e a sua intrigante ligação com Bluma.
A Casa de Papel é um romance excepcional sobre o amor desmesurado pelas bibliotecas e pela literatura. Uma envolvente intriga policial e metafísica que envolve o leitor numa viagem de descoberta e deslumbramento perante os estranhos vínculos entre a realidade e a ficção.

A minha opinião: 
Ouvi falar tão bem deste pequeno livro, que logo que a oportunidade de o ler surgiu aproveitei. "Pequeno mas maravilhoso. De fácil e breve leitura. Um livro de culto para quem gosta de livros e bibliotecas." Estes foram alguns dos apartes, plenamente justificados, que ouvi de amigos tão afeiçoados aos livros quanto eu. Que me lembre, faltou a referência sobre a escrita virtuosa e simples de Carlos María Domínguez que, em muito valoriza a história. 

Mais do que um colecionador, um bibliógrafo, Carlos Brauer era um leitor compulsivo, um viciado, o que o levou à ruina e a uma casa de papel numa zona inóspita e desoladora. Uma solidão escolhida. O lado negro do amor aos livros, no tanto de bom e de transformador que contem.  Uma leitura singela, tão gratificante e enriquecedora, que não posso deixar de recomendar. Ademais, cada vez mais se insiste em hábitos de leitura que devem começar cedo.  

PRECIOSO! IMPORTA DESCOBRIR PARA OS AINDA NÃO LEITORES.

Os leitores, esses sentem-se compreendidos e reconhecem os pequenos hábitos e despertam para novas leituras em falta. Uma maravilha e uma tentação.    

domingo, 25 de março de 2018

Perdido e Achado

Autor: Stephen King
Edição: 2018/ março
Páginas: 392
ISBN: 9789722535083
Tradutor: Ana Lourenço
Editora: Bertrand

Sinopse: 

1978:
Morris Bellamy está tão obcecado por John Rothstein, um icónico autor norte-americano, que era capaz de matar para conseguir um livro inédito do escritor.

2009:
Pete Saubers, um rapaz cujo pai foi brutalmente ferido por um Mercedes roubado, descobre uma mala cheia de dinheiro e os cadernos de Rothstein.

2014:
Depois de trinta e cinco anos na prisão, Morris sai em liberdade condicional. E está determinado a recuperar o seu tesouro.

Cabe agora a Bill Hodges, detetive reformado que gere uma empresa de investigação chamada Finders Keepers, salvar Pete de um Morris cada vez mais desvairado e com sede de vingança...

A minha opinião:  
Depois de "Sr. Mercedes", "Perdido e Achado" é o segundo livro da trilogia Bill Hodges do género Thriller Policial. 

Ao contrário do que se poderia esperar, as primeiras cento e tais páginas não têm nada tem a ver com a história anterior, mas ainda assim Stephen King conseguiu um segundo vilão obcecado que me deixou impressionada e arrepiada. Uma história dentro da história, ou seja, o enredo  anterior é relembrado, mas o contexto é outro e conta com novas personagens. Os protagonistas são Pete Saubers e  Morris Bellamy, dois viciados na personagem Jimmy Gold que o escritor John Rothstein criou como ídolo de uma juventude. O desfecho desta personagem não agradou ao psicopata que anseia por novas estórias redentoras. O poder profundo da fantasia. O poder dos livros, não como objetos, mas pelas histórias e ideias que contêm, que faz ressonância na imaginação do leitor. 

"Esta merda não quer dizer merda nenhuma" 
(lema de Jimmy Gold)

O antes em 1978, e o depois em 2009, são duas das três partes que compõem esta história em que o trio improvável de detetives não se destaca. Aliás, neste segundo livro, a sua participação é quase irrelevante. Os protagonistas, tão semelhantes na sua motivação e distintos na sua envolvência familiar e social, que o autor não descura, bem como a narrativa emotiva fazem deste thriller uma leitura apaixonante. Outra coisa não seria de se esperar de Stephen King, mestre do suspense. Não é muito violento, mas o gostinho pelo terror está lá. Bill Hodges mantêm o carisma e a intuição, que o faz acreditar que o pesadelo não terminou. E assim, tenho que aguardar pelo terceiro livro. 

segunda-feira, 19 de março de 2018

13 Envelopes Azuis

Autor: Maureen Johnson
Edição: 2018/ março
Páginas: 288
ISBN: 9789897760587
Tradutor: Rui Azeredo
Editora: IN

Sinopse: 

Um romance leve, escrito por uma autora de vários bestsellers, ideal para qualquer pessoa que goste de uma boa história cheia de aventura, amor e família.
Ginny é uma jovem que depende da sua tia Peg, uma excêntrica artista de Nova Iorque, para manter a vida excitante.
Mas um dia, sem qualquer aviso, a tia Peg parte para a Europa, até que um terrível telefonema vem mudar tudo, e Ginny recebe um envelope azul, enviado pela tia Peg, com mil dólares, um bilhete de avião e umas estranhas instruções... um romance a não perder...!

A minha opinião: 
Eu queria ler um romance levezinho para contrabalançar de leituras mais pesadas. Um romance em que não me sentisse envolvida. Uma bonita mensagem, personagens encantadoras, quiça extravagantes, num enredo singelo, talvez não muito original, mas bem contado. Quanto baste. Esta era a minha expectativa que saiu frustada. 

As pimeiras cem páginas mantive a esperança de conseguir perceber as motivações para aquela demanda, para além das instruções das cartas que a tia Peg deixara depois de falecer. Recordei um outro romance, em que as missivas eram entregues espaçadamente e o propósito era auxiliar a superar o luto.

O equivoco começa logo na sinopse. Ginny é uma jovem que estimava a tia mas não dependia dela. A ligação afetiva tinha sido abruptamente interrompida quando a tia desapareceu sem dar noticias. E as missivas visam inicialmente explicar a sua conduta e dar a conhecer a sua vida. O envelope que levantou continha 13 envelopes azuis numerados com indicações de quando deveriam ser abertos, o que implicava normalmente uma viagem e alguns contactos para desvendar as pistas. No ençalco de Ginny começamos por ir a Inglaterra e a primeira pista consistia em descobir o PIN de um cartão com a resposta a uma questão - "O que vendeu Richard à rainha quando esta se deslocou ao Harrods?". 

A narrativa, um tanto dispersa e despreendida, continua por vários pontos da Europa. A mensagem é compreensível, mas sem o apoio de personagens simpáticas ou envolventes não convence. Confesso que comecei a saltar descrições de lugares por nada acrescentarem à estória, exceto persuadirem a visitar. Maureen Johnson autora bestseller de vários livros não esteve inspirada para este romance.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Anatomia de um Escândalo

Autor: Sarah Vaughan
Edição: 2018/ março
Páginas: 352
ISBN: 9789898869647
Tradutor: Dina Antunes
Editora: TopSeller

Sinopse: 
A verdade é um conceito complexo.

James Whitehouse é um bom pai, um marido dedicado e uma figura pública carismática e bem-sucedida. Um dia, é acusado de violação por uma colaboradora próxima. 
Sophie, a sua esposa, está convencida de que ele é inocente e procura desesperadamente proteger a sua família das mentiras que ameaçam arruinar-lhes a vida.

Será que é sempre interpretada da mesma forma?

Kate Woodcroft é a advogada de acusação. 
Ela sabe que no tribunal vence quem apresentar os melhores argumentos, e não necessariamente quem é inocente. 
Ainda assim, está certa de que James é culpado e tudo fará para o condenar.

De que lado estará a verdade?

Será James vítima de um infeliz mal-entendido ou o autor de um sórdido crime? 
E estará a razão do lado de Sophie ou de Kate? 
Este escândalo — que irá forçar Sophie a reavaliar o seu casamento e Kate a enfrentar os seus demónios — deixará marcas na vida de todos eles.

A minha opinião: 
Adoro o toque aveludado da capa deste livro. 
Começou por me agradar assim que li a sinopse nas redes sociais, numa altura em que os escândalos sexuais estão na boca do mundo. Um romance de uma jornalista/escritora com a perspetiva de todos os envolvidos, ainda que seja fição, pareceu-me promissor. A curiosidade levou a melhor. A memória remonta para outros casos reais, alguns que a autora chegou a alumiar.

A expetativa era alta e sensivelmente até metade do livro estava longe de corresponder. A narrativa que salta no tempo e no espaço, dava apenas a conhecer os perfis das personagens, sendo uma delas uma misteriosa desconhecida do passado de James e Sophie enquanto estudantes universitários. Com o início do julgamento, sem que tenha sido dado particular destaque à vitima da violação, o interesse na narrativa, exemplarmente escrita, aumenta e redobra quando se percebe o que está por detrás daquele processo. O carisma das personagens faz o resto.  

Um tema pertinente e não isento de preconceito. "A violação é um crime particularmente sórdido e, se não se tratar de uma violação cometida por um estranho, uma violação contra a qual nos alertaram quando ainda éramos miúdas - o homem numa viela que nos encosta uma arma lâmina ao pescoço -; se for uma violação cometida por um homem bem-apessoado, de classe média, que já teve uma relação com a queixosa; o tipo de homem com o qual nos cruzamos na rua ou vemos à porta de uma escola; que de bom grado convidaríamos para jantar ou que apresentaríamos aos nossos pais ou aos nossos filhos; se for esse tipo de violação e esse tipo de homem, então é algo difícil de fazer para um jurado - livrar-se dessa particularmente suja e intransigente nódoa."  (pag. 265/6) 

Ao contrário do que eu esperava e talvez por isso, é mais romance e menos thriller, mais descritivo e menos ação, o foco está mais no sentir das personagens do que nas peripécias, e como tal demorei a apreciar a narrativa inteligente que nos conduz inevitávelmente a algum tipo de reflexão amadurecida. O final surpreende pela positiva, porque achei consistente e principlamente verossímel. Poderia ser real. 

Gostei muito e recomendo.

Simplificar

Autor: Brooke Mcalary
Edição: 2018/ março
Páginas: 144
ISBN: 9789897242991
Tradutor: Ana Glória Lucas
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
No mundo em que vivemos, repleto de estímulos e solicitações, reduzir o número de tarefas parece uma missão impossível. Executar uma tarefa de cada vez, por outro lado, é muitas vezes visto como falta de eficiência. No entanto, o caminho para uma vida mais realizada e feliz passa precisamente por saber dizer não ao acessório e focar-se no aqui e agora.

Este livro vai ajudá-lo a transformar e descomplicar a sua vida. Seguindo os rituais e exercícios de bem-estar que a autora propõe, irá ser capaz de:

Sentir-se em controlo dos seus dias;
Minimizar o stresse;
Aprender a fazer escolhas importantes;
Esvaziar a mente r dormir melhor;
Desconectar-se e viver em plenitude.

Pequenas mudanças para uma vida com maior satisfação pessoal. 

A minha opinião:
Com um livro, recebi outro. Dois em um. Um miminho! Uma gentileza do Clube do Autor. 

Um pequeno livro de bolso, que nos relembra o valor das coisas simples. Parece elementar,  algo que não perdemos de vista, mas deixou de o ser no ritmo acelerado do dia a dia em que tudo queremos abarcar. O equilibrio tão desejado não é atingido, por maiores que sejam os esforços. Arrumar e organizar não apenas o nosso lar, mas a nossa mente. Libertarmo-nos do superfúlo e inútil com algumas dicas e curtos exercícios. 

Com base na sua experiência pessoal, Brooke Mcalary após uma grave depressão pós-parto, dedicou-se a descobrir como ter uma vida mais simples e feliz. Uma nova forma de estar, em que partilha os seus fundamentos.  

Para uma livrólica assumida como eu, a pausa para ler e descontrair está sempre agendada. Algo de desfruto com prazer.

sábado, 10 de março de 2018

O Homem de Giz

Autor: C. J. Tudor
Edição: 2018/ janeiro
Páginas: 320
ISBN: 9789896579937
Tradutor: Victor Antunes
Editora: Planeta

Sinopse:
Toda a gente tem segredos...

Tudo aconteceu há trinta anos, e Eddie convenceu-se de que o passado tinha ficado para trás. Até ao dia em que recebeu uma carta que continha apenas duas coisas: um pedaço de giz e o desenho de uma figura em traços rígidos. À medida que a história se vai repetindo, Eddie vai percebendo que o jogo nunca terminou.

Um mistério em torno de um jogo de infância que enveredou por um caminho perigoso.

Um livro diferente dentro do género thriller, uma vez que combina o psicológico com um toque de Stephen King e umas pinceladas de Irvine Welsh.

A minha opinião:
Um bom thriller é empolgante e absurdamente viciante.  Por isso, está tão em voga. A admiração surge quando se trata de uma estreia, como é o caso. As editoras aproveitam a onda com apelativas campanhas publicitárias que podem ou não gerar expetativas correspondidas. Muitos são os comentários nesse sentido. A desvantagem para o leitor é que num ápice se chega ao fim e depois é difícil substituir por um novo livro que sustente o mesmo nível de entusiasmo.

O Homem de Giz é o titulo e a alcunha de um individuo, estranho pela sua aparência - albino, que testemunha e intervêm em algumas situações dramáticas. Os pequenos bonecos que representam a figura humana, como imagem de capa, podem sugerir várias ações, pistas para crimes e esse foi o mote para C.J.Tudor escrever este thriller a partir de uma brincadeira de crianças.

O protagonista e narrador é Eddie  Adams /"Munster" e foi uma das crianças de um grupo de amigos, todos eles muito diferenciados e com pecularidades pessoais e familiares que se fica a conhecer na estreita interligação entre o passado e o presente em que a narrativa vai alternando para revelar quase tudo do enredo carregado de tensão e mistério. Os pesadelos do Eddie são tão intimidadores que esse aspecto sobrenatural chega a confundir, mas continuamos com ele até ao final a não persuadir nada, questionar tudo e a olhar para além do óbvio. E desvendamos os muitos secredos ocultos à vista de todos. Incrivel, bem estruturada e bem desenvolvida trama que prende num ambiente algo sombrio mas muito cinematográfico, não muito diferente de outros que vamos recordando.

Um livro que marca é sempre um bom livro. Nesse pressuposto, talvez este seja mesmo um dos livros do ano. Gostei muito e poderei reler um dia mais tarde.

sábado, 3 de março de 2018

O Diário Secreto de Hendrik Groen aos 83 Anos e 1/4

Autor: Hendrik Groen
Edição: 2018/ janeiro
Páginas: 304
ISBN: 9789722361583
Tradutor: Susana Canhoto
Editora: Presença

Sinopse:
Hendrik Groen pode estar velho, mas ainda muito longe de estar morto, e espera não ser enterrado tão cedo. Os seus passeios diários são cada vez mais curtos porque as pernas começam a dar de si, e as suas idas ao médico são agora mais frequentes do que ele gostaria. Hendrik está velho, mas quem disse que tem de viver confinado ao lar para idosos perto de Amesterdão esperando que a morte chegue? Quando o Ano Novo começa, decide escrever o seu diário...

Um romance inspirador que se tornou um fenómeno literário em todo o mundo. Ao chegar à última página, será difícil ao leitor, de qualquer idade, despedir-se de um personagem tão encantador e divertido.

A minha opinião:
Ser membro de um clube de leitura tem destas coisas. Muitas são as leituras que se fazem por influencia de quem leu e nos sugestiona. Mas não é apenas isso. O convívio, a partilha, a saudável divergência e discussão que se gera entre pessoas que se respeitam e querem bem é muito bom. Este livro, à semelhança de tantos outros que li, foi um empréstimo de quem me conhece bem e sabe dos meus gostos literários. Não falha. Adorei.

Já tinha reparado neste livro, (pudera, faço prospecção de mercado com regularidade), mas fiquei em dúvida. Gostei tanto do Ove de "Um Homem Chamado Ove", um resmungão com um coração de ouro, que ansiava por encontrar outra personagem assim. Hendrik não é lamuriento, queixinhas, sequer resmungão, mas sarcástico, generoso e consciencioso.  Aliás, são oito os velhos vivaços do clube Velho mas não morto que decidem gozar o melhor que puderem o resto das suas vidas. Adorei o desbocado Everet. 

Hendrik faz um diário de todos os seus dias durante um ano. Hilariante e comovente em partes iguais, e sempre acutilante. Um retrato imperdível da Terceira Idade. O contexto é diferente do nosso, uma vez que se passa num lar na Holanda, e ainda que não sejam abastados, as circunstâncias são outras num dos países mais ricos do mundo. O declínio, as limitações e a morte são transversais. 

A escrita corrente e fluída em pequenos trechos torna fácil o pegar e largar do livro. O teor do que se lê, dá que pensar dado que não caminhamos para novosO mistério sobre o autor não me intrigou mas encantou. A popularidade deste livro não me surpreendeu. Os vários temas sérios que foram abordados davam uma longa palestra com muita discussão. Recomendo.