domingo, 29 de dezembro de 2013

OS MELHORES DE 2013

Inevitável cliché de fazer o balanço dos melhores livros lidos em 2013.

(sem qualquer ordem específica ou destaque) 










sábado, 28 de dezembro de 2013

O Anjo Caído

Autor: Daniel Silva
Edição: 2013, outubro
Páginas: 400
ISBN: 9789722527125
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
Depois de ter sobrevivido por um triz à sua mais recente missão, Gabriel Allon, o herói dos serviços secretos israelitas, refugiou-se por detrás dos muros do Vaticano, onde se encontra a restaurar uma das obras-primas de Caravaggio. Mas certa manhã, bem cedo, é chamado à Basílica de São Pedro por monsenhor Luigi Donati, o influente secretário privado de Sua Santidade o Papa Paulo VII. Foi encontrado o cadáver de uma bela mulher debaixo da magnífica abóbada de Miguel Ângelo.

A polícia do Vaticano suspeita de suicídio, mas Gabriel não concorda. E, segundo parece, o mesmo se passa com Donati, que receia que uma investigação pública possa vir provocar no seio da Igreja e, por isso, chama Gabriel para que ele descubra discretamente a verdade. Com uma advertência: «Regra número um no Vaticano», diz Donati. «Não faça demasiadas perguntas.»
Gabriel descobre que a mulher morta desvendara um segredo perigoso, que ameaça uma organização criminosa que anda a pilhar tesouros da Antiguidade e a vendê-los a quem oferecer mais dinheiro. Mas não se trata apenas de ganância. Um agente misterioso planeia uma sabotagem que irá mergulhar o mundo num conflito de proporções apocalípticas…

A minha opinião:
Uma intricada trama à medida de Gabriel Allon, célebre restaurador de quadros dos Velhos Mestres, espião e assassíno israelita reformado e salvador do Santo Padre. 

Provei e gostei. Li anteriormente um livro de Daniel Silva e fiquei envolvida na trama vertiginosa onde se sucedem acontecimentos e peripécias várias a um bom ritmo que impedem o leitor de interromper a leitura. Sempre sucede algo que provoca uma reviravolta no momento certo em que como leitor pode estar a perder o interesse. Novos intervenientes com outros contornos, personagens boas e más, assentes em valores morais ou políticos, mas com carisma sufíciente para não se pretender parar de ler. 
O autor é claramente um defensor da causa israelita e uma pessoa extremamente bem informada que, traz alguns dos seus conhecimentos, fruto de uma interessada pesquisa para as suas obras de ficção. 
Tenho por hábito ler as Notas de Autor. Neste não foi exceção e tal como o autor fico chocada por ainda haver quem negue o Holoausto e os seis milhões de judeus mortos. A paz no Médio Oriente é um sonho que gostariamos concretizado mas parece distante enquanto persistir a disputa pela Terra prometida que divide Palestinianos e Israelitas.

Gabriel Allon é uma personagem admirável pela sua integridade, mas também pela sua coragem e liderança. Sofrido mas inabalável nas suas convições. Vive discretamente em Itália com a sua Chiara que lhe dá uma nova oportunidade de amar, ocupando-se a restaurar quadros famosos ao serviço do Vaticano, quando se dá a morte de Claudia Andreatti (o anjo caído) que a pedido do amigo Luigi Donati vai investigar. Esta fazia um sigiloso trabalho que pode comprometer a Igreja. Assim começa e desenrolando-se tanto acontece. Ganância e obscurantismo.  

Uma boa leitura.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O Último Livro

Autor: Zoran Zivkovic
Edição: 2011, março
Páginas: 248
ISBN: 9789896231446
Editora: Cavalo de Ferro

Sinopse:
Algo de terrível está a acontecer na Livraria Papyrus! O senhor Todorovic, um dos mais fiéis clientes, morreu inesperadamente, enquanto, sentado numa das poltronas da livraria, folheava tranquilamente um livro. Causa da morte: desconhecida. Vera Gavrilovic, uma das proprietárias, está preocupada. Até porque este é apenas o início: a esta primeira morte sucede outra, e depois outra, e outra ainda. Todas elas sem motivo aparente. Este estranho caso parece talhado à medida do bibliófilo Inspector Dejan Lukic. Dejan, com a ajuda de Vera, dará início a uma desconcertante investigação, que se adensará cada vez mais, ao ponto de envolver a polícia secreta. Isto até se depararem com o último livro... 

Enquanto o mistério não é desvendado num final surpreendente, página após página, Zivkovic convida o leitor a reflectir sobre temas apaixonantes: qual a relação entre o autor e as suas personagens? Entre sonho e literatura? O que acontece quando se abre um livro? Um romance brilhante, imaginativo, subtil e fascinante que está a conquistar os leitores de todo o mundo.

A minha opinião:
Há livros que somos influenciadas a ler por opiniões alheias bem intencionadas, que nos suscitam um tal fascínio que mal podemos esperar para começar a lê-lo. Este foi um desses casos de atração imediata e avassaladora, que se manteve desde as primeiras páginas num leitura rápida e compulsiva. Um livro que se lê num dia. 

Não é um livro memorável mas é certamente propício a um tempo de evasão e introspeção, equilibrado com alguma diversão e mistério. Escrito com uma simplicidade envolvente, uma narrativa bem desenvolvida e ritmada em que não faltam mortes inexplicáveis numa livraria idílica para bibliógrafos como eu, e um inspector licenciado em literatura com estranhas sensações que carateriza como "dejá vu" possivelmente afectado pelo chá de figo e pela companhia da Vera. (Claro que tinha tudo para me atrair!)

Falta o Último Livro. Um livro fatal! E um desfecho inesperado. 

Recomendado. Um prazer de ler.

BOAS FESTAS


VOTOS
DE BOAS FESTAS
ATRASADOS 
MAS
SEMPRE 
DESEJANDO O MELHOR 
PARA QUEM ME QUER BEM 
COMIGO
PARTILHA O GOSTO POR LER.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Para onde vão os guarda-chuvas

Autor: Afonso Cruz
Edição: 2013, outubro
Páginas: 624
ISBN: 9789896721978
Editora: Alfaguara (uma chancela Objectiva)

Sinopse:
O pano de fundo deste romance é um Oriente efabulado, baseado no que pensamos que foi o seu passado e acreditamos ser o seu presente, com tudo o que esse Oriente tem de mágico, de diferente e de perverso. Conta a história de um homem que ambiciona ser invisível, de uma criança que gostaria de voar como um avião, de uma mulher que quer casar com um homem de olhos azuis, de um poeta profundamente mudo, de um general russo que é uma espécie de galo de luta, de uma mulher cujos cabelos fogem de uma gaiola, de um indiano apaixonado e de um rapaz que tem o universo inteiro dentro da boca.

Um magnífico romance que abre com uma história ilustrada para crianças que já não acreditam no Pai Natal e se desdobra numa sublime tapeçaria de vidas, tecida com os fios e as cores das coisas que encontramos, perdemos e esperamos reencontrar.

A minha opinião:
Ouvi e li tantos e tão rasgados elogios a Afonso Cruz, que não resisti a conhecer este seu último romance. Senti-me excluída de um clube de admiradores e apreciadores, que bem o conhecem, em que eu nada sabia.

Desasossego e pasmo foram os estados de espírito que me acompanharam durante toda a leitura deste romance efabulado sobre um Oriente imaginário e que transcende o passado e o presente. 

Tanto para refletir e assimilar sobre a natureza, nomeadamente a natureza humana. O bem e o mal, de mãos dadas na complexidade da vida. O padrão de um tapete comparado à trama da vida em que se entrelaçam os fios de várias cores qual personagens de uma narrativa, para um efeito espantoso feito por um hábil tecelão. 
Religião e tolerância. Talvez seja este o tom de fundo em que tudo se confunde e mesmo assim continua a fazer sentido. Elahi é a personagem central que sofre perdas terríveis e resiste, enquanto se interroga sobre o "equilibrio/ absurdamente/ moralmente/ esteticamente desiquilibrado" do mundo.

Histórias que podem não ser felizes ou redentoras como esperamos ler, apesar dos valores subjacentes e sublimados numa linguagem poética (ou quase- não sei avaliar) e bem ritmada , de tolerância, compreensão e afetos. Talvez o propósito seja agitar consciências e certamente que o faz muito bem. 

Simplicidade e despojamento que torna Afonso Cruz brilhante na sua criatividade e originalidade. Digno de se conhecer e valorizar numa experiência literária completamente diferente e  fora dos meus padrões.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Quinta-feira no parque

Autor: Hilary Boyd
Edição: 2013, agosto
Páginas: 308
ISBN: 9789899788039
Editora: Noites Brancas


Sinopse:
Jeanie foi uma esposa terna durante mais de 30 anos, uma mãe dedicada e, mais recentemente, uma avó alegre. Mas Jeanie tem um segredo: o marido, George, há muito que não dorme na sua cama. Estará apaixonado por outra mulher? O que terá ela feito de errado? Por mais perguntas que coloque, Jeanie permanece sem respostas.

Neste turbilhão emocional, Jeanie anseia pelas quintas-feiras, o dia mais luminoso da semana. Às quintas, ela leva a sua neta a brincar no parque. E é aí que encontra Ray, também ele a tomar conta do neto. Ray revela-se um homem amável, bonito e bom conversador - exatamente o contrário de George. De repente, Jeanie sente-se de novo atraente e viva, e apaixona-se por Ray. Mas terá ela a coragem para, contra tudo e contra todos, virar a sua vida do avesso e dar uma nova oportunidade ao amor?
Quinta-feira no Parque é um romance terno e autêntico sobre os múltiplos laços que unem um casal e a redescoberta de emoções arrebatadoras quando menos se espera.

A minha opinião:
Grata surpresa porque a sinopse não lhe faz justiça e a capa também não, mas é um romance maravilhoso com que me deleitei, arrebatada por uma estória simples mas tão plausível e consistente como as personagens que o compõem. Se não fosse um pequeno dístico na capa a amarelo com "Bestseller internacional...", nada nos preparava para um conteúdo tão enriquecedor dada a proximidade que estabelece com a leitora sobre os seus próprios sentimentos. Essa é a fórmula mágica deste romance - empatia.

Sem rodeios ou distrações, encaramos de frente uma relação inesperada de uma mulher comum, numa fase mais madura da sua vida, com um casamento de longa duração, por um homem vivído e bem resolvido que lhe corresponde mas sem exigências, pressões ou expetativas elevadas. Algo que consideramos irreal, improvável ou censurável mas que pode ter contornos tão naturais e reais. Uma segunda oportunidade de ser feliz. 

Um romance que nos dá que pensar.  O que esperamos, pensamos e até avaliamos ou julgamos dos que nos rodeiam e com quem temos fortes afetos?  O amor numa fase mais tardia da vida, porque não? 

Lindo e enternecedor. Dúvidas, contradições, hesitações, alegrias e tristezas num relato pungente e sentido, como eu tanto aprecio. 

Um prazer imensurável de ler! A repetir um dia mais tarde. 

Malavita

Autor: Tonino Benacquista
Edição: 2013, novembro
Páginas: 272
ISBN: 9789896761028
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Uma família instala-se em Cholong-sur-Avre, na Normandia. Fred, o pai, diz ser escritor e preparar um livro sobre o Dia D. Maggie, a mãe, é voluntária numa associação de caridade e excelente na preparação de barbecues. Belle, a filha, faz honra ao seu nome. Warren, o filho, soube tornar-se indispensável para todos os colegas. E há a cadela, Malavita…

Uma família aparentemente como as outras, em suma. Mas uma coisa é certa: se eles forem viver para o vosso bairro, fujam sem olhar para trás… Um extraordinário romance de sátira, ação e suspense, agora adaptado ao cinema por Luc Besson.
A minha opinião:
Malavita é sem surpresa uma divertida narrativa sobre uma familia americana sui generis, recolocada ao abrigo do programa de proteção de testemunhas em França, na Normandia. O patriarca da familia, um ex-mafioso, inventa o papel de escritor perante a comunidade que o acolheu  e assume-o  com as suas memórias e temos assim um vislumbre do seu passado de terror e domínio, que agora os persegue sem tréguas.
Malavita. Um dos muitos nomes que os sicilianos deram à Máfia. A malavita, a má vida.(...) um nome mais melodioso do que "Máfia", "onorevole societá", "polvo" ou a "cosa nostra". Malavita é também o nome da cadela de Fred, uma personagem quase ausente. Tal como a Máfia, quase ausente não significa algo que se deve subestimar. Umaa força discreta e oculta.
Os vícios e costumes desta familia de resilentes e resistentes americanos acompanha-os para onde quer que vão e as peripécias sucedem-se para desespero dos que o vigiam. Em analogia, os diferentes modos de vida dos europeus e americanos. 
Uma leitura despretensiosa mas bem disposta que proporciona bons momentos de entretenimento com uma estória bem encadeada, e em que na capa do livro surge a referida familia ... de atores bem conhecidos e que projetamos para as carismáticas personagens.
Uma deliciosa estória!

domingo, 24 de novembro de 2013

Tango da Velha Guarda

Autor: Arturo Pérez-Reverte
Edição: 2013, outubro
Páginas: 464
ISBN: 9789892324432
Editora: ASA

Sinopse:
1928. No salão deserto e silencioso de um transatlântico que navega pela noite dentro, um casal dança um tango ainda por escrever... Ela é Mecha Inzunza, uma mulher enigmática e melancólica. Ele é Max Costa, um elegante fura-vidas. Rumam a Buenos Aires, onde Armando de Troeye, marido de Mecha e músico afamado, enfrenta um extravagante desafio.
Ao abrigo das ruelas lúgubres e ilícitas da cidade, nasce entre Mecha e Max uma história de amor arrebatadora que será precocemente interrompida. Voltarão a encontrar-se apenas duas vezes ao longo das suas vidas.

Em 1937, numa intriga de espionagem na Riviera Francesa, um dos destinos preferidos da alta sociedade europeia. E em Sorrento, 1966, durante uma inquietante partida de xadrez. Aqui, o tempo é já de nostalgia. O jogo dos amantes está perto do fim. A sua paixão acompanhou o esplendor e a decadência da Europa do século XX e transcendeu o tempo e a distância. Sempre presente e sempre impossível.
Dois amantes dotados de um carisma apenas possível aos grandes personagens de ficção. O século XX como cenário teatral onde decorrem paixões, intrigas, aventuras e reencontros. Esperança e nostalgia. Luz e sombra. Arturo Pérez Reverte escreveu um romance trepidante e criou com Mecha Inzunza uma heroína épica e definitiva.

A minha opinião:
Em tempos ouvi que um bom romance é um que nos marca, que deixa uma marca indével. E não poderei fazer melhor elogio a esta leitura do que considerar que as personagens Max Costa e Mecha Inzunza vão figurar no universo das que, provavelmente, nunca esquecerei. Mecha Inzunza e Max Costa são carismáticos e fortes e protagonizam uma memorável história de amor em três actos ao longo de 40 anos.

Três períodos históricos distintos (1928; 1937 - marco; Guerra Civil Espanhola e 1966 - marco: a Guerra Fria) em que se entrelaça sedução, aventura, intriga, espionagem e suspense.

Romance longo de um hábil contador de histórias atento aos pormenores, pelo cuidado em caraterizar as personagens e os ambientes que as envolvem, assim como os contextos históricos em que se movem. Um romance que classifico de cinematográfico. 
Alternando o ano de 1966 do último reencontro, e os dois encontros anteriores, desenvolve-se a trama num crescendo interesse (sem nunca nos confundirmos ou perdermos). Lento e lascivo em 1928, depois audaz e perigoso em 1937, para concluir como inteligente e planeado em 1966.

Para mais tarde reler. Um prazer de ler. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Contracorpo

Autor: Patrícia Reis
Edição: 2013,
Páginas: 216
ISBN: 9789722051651
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Uma mulher fica viúva com dois filhos. Alguns anos depois da morte do marido, a vida não se refez e o filho mais velho, agora adolescente, cresce contra a mãe, num silêncio obstinado que só quebra nas histórias que se conta para adormecer e nos desenhos que faz de forma compulsiva. Com o anúncio do chumbo escolar, a mãe decide, sem grandes reflexões, fazer uma viagem com este filho, deixando o pequeno com os avós. Não se trata de uma viagem com destino, mas antes uma procura.

Contracorpo é um livro contra o silêncio e sobre o silêncio. É uma história de procura de identidades distintas - da mulher e do quase homem - e ainda de descobertas. Uma mãe nunca é o que se espera. Um filho é sempre uma surpresa. O encontro dá-se enquanto procuram caminhos, de Lisboa a Roma, num jogo de claro escuro. Como se tudo fosse uma imagem.
 
A minha opinião:
(Cedida a O tempo entre os meus livros)
A minha determinação de ler este romance em tempo oportuno, surgiu após uma apresentação feita pela autora de um romance de um outro autor. Bem humoradas e criteriosas palavras mantiveram-me interessada e atenta a uma intervenção que, provavelmente me passaria despercebida e sem nada reter. Assim, a temática deste romance e o interesse que Patrícia Reis me despertou com as suas breves palavras levaram-me a considerar este livro. E se bem o pensei, melhor o concretizei.

E não me desiludi. Patrícia Reis é hábil com as palavras para expor sentimentos e pensamentos. Sensível. Contra-senso de uma autora que tão bem comunica numa narrativa sobre dois protagonistas - mãe e filho, que não comunicam. Algum tempo depois da morte do pai de Pedro (e Gonçalo), marido de Maria, o distanciamento dá-se e a percepção é que desistiram da relação, impondo-se o silêncio. A intimidade e partilha desapareceu, dando-lhe a lugar a uma solidão amarga e um vazio que pode ser físico.

(...) "Vivem assim. Em mundos separados. Estão em frentes distintas. Apesar do medo que existe, nada ultrapassa o facto de terem posto a comunicação num modo silencioso, como se faz aos telemóveis, às televisões, aos computadores. Já não são um do outro. Suportam-se. Como tantos outros casais. Seria de esperar que fosse de outra forma, tratando-se de mãe e filho. Mas não é assim. Maria não o compreende e Pedro não quer ser compreendido. Há uma sensação de injustiça e de frustração?" (pag. 19)

Quantas destas palavras não fazem eco em pais de filhos adolescentes que, sentem que perdem os filhos e são incapazes de ultrapassar as barreiras. "Repete: falar com um adolescente é o mesmo que dar banho a um peixe." (pag.20)

Num acto desesperado, Maria enceta uma viagem sem rumo ou paragens definidas, para reencontrar o filho e se encontrar a si mesma. Conta com a família e culpabiliza-se por deixar o Gonçalo, filho mais novo, aos seus cuidados. Um acto final com todos os riscos inerentes.

Um acto de coragem ou loucura. Afinal, o que pode ser mais importante?!

Um livro que li com o coração pesado mas esperança de que, o fim seria o desejado. Um livro emocionante e marcante. Um livro que recomendo.

sábado, 2 de novembro de 2013

E depois, a Paulette ...

Autor: Barbara Constantine
Edição: 2013, julho
Páginas: 216
ISBN: 9789722526678
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
Ferdinand vive sozinho na sua grande quinta deserta, coisa que não o deixa muito feliz. Um dia, depois de uma violenta tempestade, passa com os netos pela vizinha e descobre que o teto dela está prestes a desabar. Claramente, ela não tem para onde ir. E com grande naturalidade, os meninos, de seis e oito anos, sugerem ao avô que a convide para ficar na quinta. Mas a realidade não é assim tão simples, há certas coisas que se fazem, e outras que não…

Depois de uma longa noite de reflexão, ele acaba por ir procurá-la na mesma.
Uma coisa leva à outra e a quinta começa a encher-se, a agitar-se, recomeça a funcionar. Um amigo de infância agora idoso, duas senhoras muito velhas em estado de pânico, estudantes que andam um pouco perdidos, um amor que nasce, animais. E depois, a Paulette…

A minha opinião:
Não esperava gostar tanto deste livro. Foi uma maravilhosa surpresa. Tal como o final. Um romance inspirador e enternecedor sobre solidariedade entre gerações. Narrativa tão simples e lógica que me deixou encantada. Um daqueles romances que nos aconchega e reconforta como uma camisola velha que se encontrava esquecida e aparentemente sem serventia, mas que tanto consolo nos dá quando desprovidos de vaidade nos deixamos envolver pela suavidade e espessura dela. Em suma, quando nos deixamos arrebatar pelos simples prazeres da vida. 

Lição de vida de um pequeno grupo de idosos que quando reunidos descobrem que são úteis e aptos para comandar as suas vidas e ainda conseguir a entreajuda dos jovens e alguns animais que passam a fazer parte da quinta de Ferdinand. 

Muitos capítulos curtos, setenta para ser mais exacta, por temas, compõem esta estória simples e quase inocente, para se chegar a um final inesperado e que deixa alguns aspetos em aberto sobre o desfecho de algumas personagens. Personagens marcantes e credíveis. 

Um prazer de ler!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Até ao Fim do Mundo

Autor: Maria Semple
Edição: 2013, agosto
Páginas: 360
ISBN: 9789724746494
Editora: Teorema

Sinopse:
A fama de Bernadette Fox precede-a.
No círculo restrito e elitista do design mundial, ela é uma arquiteta revolucionária.
Para o marido, um guru da Microsoft, ela é a prodigiosa e atormentada paixão da sua vida.
Segundo os vizinhos e conhecidos, ela representa uma afronta e uma ameaça.
Mas aos olhos da filha, Bee, ela é, simplesmente, a Mãe.
E um dia Bernadette desaparece.
Quando todos parecem reagir à sua ausência com diversos graus de alívio, Bee é a única disposta a tudo para a encontrar. Mas a instável e agorafóbica Bernadette não quer ser encontrada e tem meios e inteligência suficientes para se manter incógnita... mesmo que para tal tenha de encetar uma impossível viagem ao fim do mundo.
Neste retrato de uma mulher pouco convencional, a autora explora a fragilidade e a inadequação das mentes criativas face à voracidade uniformizadora do mundo moderno. A incómoda Bernadette e a sua família disfuncional são paradigmas das relações humanas do século XXI.

A minha opinião:
Esta é um romance peculiar. Primeiro estranha-se e depois entranha-se. No início não agrada. Uma confusão com vários tipos de texto, desde e-mails, cartas, relatórios, faxes, notas, posts de blogs e muito pouco de narrativa comum para contar uma estória com personagens extravagantes. Geniais intelectualmente mas desajustados na relação com os outros e no quotidiano mundano. 
As personagens são: Bernadette Fox, arquitecta notável que sofreu um desaire com a sua criação mais brilhante - A Casa das Vinte Milhas (uma construção com materiais recicláveis - tudo o que estava à mão numa área de vinte milhas e que demorou 3 anos), e agorafóbica; o marido, Elgie Branch, workholic; a Bee (filha adolescente com um nome impronuncíavel), narradora e personagem principal; Audrey Grifffinm, a vilã/anjo; e Soo-Lin, a secretária do marido.

Trama agitada e "confusa" que parece um tanto inconsistente, até captarmos a mensagem implícita. A genialidade incompreendida. Pessoas criativas e excetionalmente dotadas que quando impedidas de criar tornam-se uma ameaça para os demais. A dificuldade em ultrapassar as barreiras de comunicação e o quão longe estamos de conhecer os que estão próximos, bem como as causas subjacentes à sua conduta.

É realmente uma excelente leitura, quando conseguimos ultrapassar a nossa percepção inicial e nos deixamos envolver com a ação nos ambientes descritos, que vão desde Seattle à Antárctica. Humor e drama, aventura e intriga. Diversão garantida para absorver.

sábado, 26 de outubro de 2013

O impostor

Autor: Damon Galgut
Edição: 2013, maio
Páginas: 320
ISBN: 9789896721756
Editora: Alfaguara

Sinopse:
Na sociedade do pós-apartheid, Adam perde o emprego e vê-se forçado a deixar Joanesburgo e mudar-se para uma casa abandonada nos limites da cidade. Aí, no meio da savana, entre a depressão e a embriaguez, tenta encontrar na literatura um novo caminho. Mas, afinal, encontra Canning, um homem que diz que Adam lhe salvou a vida nos tempos de escola. Adam não se recorda de Canning mas decide entrar no jogo, seduzido por tudo o que Canning tem: uma grande fortuna herdada do pai e uma bela e enigmática mulher, por quem se sente perigosamente atraído.

Na extravagante mansão de Canning e Baby, um local mágico e fantástico, Adam é arrastado para uma estranha relação a três, que o transforma irremediavelmente.
Este magnífico romance evoca uma sociedade em permanente mudança pelas forças do dinheiro e do poder, um mundo cruel e claustrofóbico, carregado de dilemas morais, onde o sexo, a morte e a traição formam uma teia em perigo iminente de explosão.
Duas vezes finalista do Man Booker Prize, Damon Galgut é uma voz incontornável da literatura sul-africana.

A minha opinião:
Inquietante pelos pensamentos e sentimentos expressos numa linguagem límpida e objetiva mas polida. Um romance difícil de processar  pelo muito que contêm. Um retrato sobre África do Sul após o apartheid onde a supremacia (atualmente multiracial) dos mais fortes sobre os mais fracos se impõe, abstendo-se conscientemente de valores morais, com preponderância da ganância e corrupção em detrimento da vida e natureza. 

Adam Napier, desencantado "branco" que se assume nesta fase difícil da sua vida como um potencial poeta, é aparentemente o Impostor desta trama que decorre em Karoo, uma pequena comunidade rural agreste, onde reencontra um antigo colega do colégio interno, Kenneth Canning e a sua estranha bela mulher negra, Baby. Estes personagens mantém uma perturbadora ligação onde prevalece solidão, tédio e ambivalencia.

"Escrever poesia é uma forma diferente de se purgar."
(pag.141)

O desfecho é tão duro e realista como todo o enredo e ambiente desta estória que é a antítese de romance, mas excecional pela escrita. Todas as personagens apresentam fragilidades e misérias. 

"Fachadas e rostos públicos; poder oculto nas sombras".  
(pag. 238)

Poder-se à dizer que todos poderão ser os Impostores. 

domingo, 20 de outubro de 2013

A minha pequena livraria

Autor: Wendy Welch
Edição: 2013, setembro
Páginas: 280
ISBN: 9789899788046
Editora: Noites Brancas

Sinopse:
Wendy e Jack sempre sonharam ter uma livraria, por isso, quando trocaram os exigentes empregos por uma vida mais simples numa cidade mineira no interior dos Estados Unidos, aproveitaram uma inesperada oportunidade de perseguir esse sonho. E conseguiram. Contra todas as probabilidades, mas com muita determinação, otimismo, perseverança e um amor incondicional pelos livros, mais do que estabelecer um negócio, o casal consegue criar uma comunidade em torno da sua livraria.

A minha opinião:
Quando vi este livro, não consegui resistir a comprá-lo. Uma daquelas tentações inexplicáveis e consumista. E apressei-me a lê-lo. Mas, apesar da escrita fluída, coloquial e bem disposta não me prendeu ... inicialmente! Era um relato verídico de um casal de bibliófilos que realizou um sonho antigo de ter uma livraria de livros usados e as dificuldades ao instalarem-se numa pequena comunidade, pelo qual se apaixonaram, mas que os considerava forasteiros. Muitos aspetos do negócio ocuparam várias páginas. Mas percebi entretanto que é realmente como apresenta a folha de rosto - Uma história sobre a amizade, o espírito de comunidade e o invulgar prazer de um bom livro. 

Uma pequena preciosidade à medida que foi sendo lido. Tem todos aqueles pormenores que me cativam. Os sentidos reagiram primeiro ao cheiro, toque e visão de letras bem distribuídas com as dimensões adequadas. Depois, a mente e o espírito captaram o resto do muito que este livro transmite a quem aprecia livros. 

"Os escritores intemporais perduram porque (...) "Os melhores momentos de leitura ocorrem quando nos deparamos com alguma coisa - um pensamento, um sentimento, uma forma de ver as coisas -que achamos especial, que nos diz algo. E ali está ela, escrita por outra pessoa, alguém que nunca conhecemos, talvez até à muito falecida. E é como se esse alguém nos tivesse estendido a mão." (...) "É uma lindíssima relação recíproca. É história. É poesia."" 
(pags. 240/1)

Tales of the Lonesome Pine Used Books, na pequena cidade de Big Stone Gap, na Virginia é certamente um lugar mágico. A concretização de um sonho. Abrangente a muitos bibliógrafos. A Wendy e Jack deu-lhes um sentimento de pertença numa comunidade que lhes granjeou amigos e diversão. E muito trabalho. Essa experiência e os seus gostos são aqui partilhados connosco.

"Quando se vende um livro a uma pessoa, não se vende apenas trezentos e cinquenta gramas de papel, tinta e cola - vende-se uma vida nova. Amor e amizade e humor e navios no mar à noite - um livro, um livro à séria, contêm todo o céu e a terra."
Christopher Morley, The Haunted Bookshop (no prefácio)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A Travessia

Autor: Wm. Paul Young
Edição: 2013, setembro
Páginas: 304
ISBN: 9789720042354
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Anthony Spencer é um empresário de sucesso, um homem orgulhoso e egocêntrico que não olha a meios para conseguir os seus objetivos. Um dia, o destino prega-lhe uma partida: um AVC deixa-o nos cuidados intensivos, em estado de coma.
Entre a vida e a morte, Anthony vê-se num mundo que espelha a dor e a tristeza que tem dentro de si.

Confuso, sem compreender exatamente onde está e como foi ali parar, viaja pela sua consciência para compreender quem realmente é e descobrir tudo o que tem perdido ao longo da vida: a esperança, a amizade genuína e o amor verdadeiro, sentimentos que há muito o seu coração deixara de sentir.
Em busca de uma segunda oportunidade, Anthony fará uma jornada de redenção e encontro com o seu verdadeiro ser.

A minha opinião:
Não li o anterior romance deste autor, "A Cabana", porque me pareceu muito sentimental e banalizado. Contudo, este novo romance despertou-me alguma curiosidade. Pretendia conhecer o género que tantos apreciaram e comentaram e sem termo de comparação ou expetativas elevadas, arrisquei.

O título e a sinopse deixam antever do que se trata. Uma narrativa ficcional de um homem depois de uma vida desgarrada e solitária, até paranóica, que após uma partida do destino faz uma jornada espiritual e religiosa extraordinária. Algumas personagens peculiares com a aparência que a imaginação de (Antony) Tony cria nos momentos em que se cruzam no devastado ermo que fora a sua vida, e outras menos peculiares e mais plausíveis como Molly, Cabby, Clarence e Maaggie no mundo real que ele via através das janelas da alma (olhos) de qualquer um deles e com quem conseguia comunicar.

Narrativa inicialmente amarga e desagradável,  que provoca aversão por uma personagem tão odiosa e egocêntrica. Subitamente muda drasticamente e Tony é uma nova personagem que não reconheço. Apesar de a apreciar e esta me divertir com diálogos bem humorados, a travessia espiritual revelou uma personagem demasiado distinta desde a transição.

Nada de muito surpreendente ou emocional e por isso, não foi uma leitura tão satisfatória como gostaria. Fluída e acessível e talvez daí a fácil promoção. Contudo, as mensagens que transmite são louváveis e a ter em consideração. 

sábado, 12 de outubro de 2013

Amor Proibido

Autor: Santa Montefiore
Edição: 2013, julho
Páginas: 344
ISBN: 9789724249186
Editora: Círculo de Leitores

Sinopse:
Quando é que a atração se transforma em tentação? Quando é que a tentação se transforma em compulsão?
Com um casamento feliz, dois filhos pequenos e um círculo de amigas dedicadas, Angelica sabe que deve estar grata. Mas depois conhece um carismático sul-africano que a seduz e a faz sentir-se bela. O que começa por ser uma amizade a grande distância evolui para algo mais profundo e em breve ela espera ansiosamente pelos seus mails.

Das glamorosas ruas de Londres para os luxuriantes vinhedos da África do Sul, Angelica persegue um sonho que põe em risco tudo o que estima. Contudo, o sonho é maculado e um momento de violência selvática junta-se a Jack para logo os separar. Com a vida reduzida à sua mais pura essência, Angelica descobre que o que o destino rouba com uma mão dá com a outra...

A minha opinião:
Nunca antes li  nada de Santa Montefíore. Apesar disso, tenho alguns outros livros dela nas minhas estantes, (bem como de outros autores) que me pareceram promissores, mas aos quais ainda não consegui chegar. E agora percebo o que perdi e o porquê de ser uma reconhecida autora para quem aprecia romances com carisma e atualidade.

Este romance inicialmente recordou-me as quatro amigas de O Sexo e a Cidade, que neste caso são cinco. A personagem principal é Angelica, que dedica o seu tempo ao cuidado dos filhos, aos seus livros como escritora de livros infantis e ao convívio com quatro amigas - Letícia, Scarlet, Kate e Candace com quem se encontra regularmente. Parece fútil mas as esposas de "novos ricos"/ bem sucedidos homens de negócios são assim - privilegiadas! Movem-se num mundo que idealizamos, com disponibilidade para satisfazer caprichos, em que marcas elitistas de estilistas estão ao seu alcance - naturalmente, e ainda assim tem conflitos emocionais e afetivos como todas. Este pequeno grupo reside em Londres e está a entrar na faixa dos quarenta, com maridos, e filhos menores. 

Num jantar social, uma poderosa atração e empatia surge entre Angelica e Jack, reforçada quando se conhecem melhor e descobrem que partilham afinidades filosóficas e existenciais. Um amor proibido separado pela distância.

O enredo é simples mas plausível e consistente, contado com suavidade e segurança de quem sabe o que faz para prender e encantar o leitor que quer acompanhar o desenvolvimento e desfecho deste grupo de personagens. Foi fácil transportar-me nas asas do sonho e da fantasia para lugares fascinantes na companhia das personagens que consigo vislumbrar através das palavras.

Um romance maravilhoso que apesar da letra miudinha não me consegui apartar enquanto não conclui.

sábado, 28 de setembro de 2013

Dias de Paixão

Autor: Sarah Pekkanen
Edição: 2013, setembro
Páginas: 352
ISBN: 9789898626196
Editora: Topseller

Sinopse:
Até onde nos pode levar a paixão?
Quatro mulheres juntam-se com os seus maridos para uma semana paradisíaca na Jamaica, em pleno mar das Caraíbas. O motivo da reunião é o aniversário de Dwight, um amigo dos tempos da faculdade, que de rapazinho tímido e inseguro se transformou num empresário rico e bem-sucedido.

Todas elas anseiam por fugir temporariamente às suas vidas. Tina sente o peso e o cansaço de ser mãe de quatro crianças pequenas. Allie está abalada pela notícia de que uma doença genética degenerativa é comum na sua família. Savannah carrega o segredo da infidelidade do marido. Finalmente, Pauline, a mulher que não olha a despesas para organizar ao seu marido rico aquela festa inesquecível, esconde segredos de Dwight, e espera, com esta semana, reparar as falhas no seu casamento.
O que começa por ser uma semana idílica, com lânguidas horas passadas numa praia privada, jantares gourmet, aventuras radicais e noites de paixão, transforma-se em algo mais profundo com a chegada de uma poderosa tempestade que acaba por atingir a ilha. O grupo ver-se-á envolvido em redemoinhos tumultuosos, forçando cada uma das mulheres a reavaliar tudo o que sabe sobre os seus amigos e sobre si própria, as suas relações amorosas e a paixão. Todas procuram descobrir uma coisa...

A minha opinião:
Refleti sobre o que escrever! 

Apesar de inicialmente a capa e o título não me tentarem, foi a sinopse que fez com que me decidisse a lê-lo.
Escrita coloquial e fluída, sem grandes preâmbulos e descrições, dá-nos uma panorâmica das emoções e sentimentos destas credíveis e realistas mulheres que tem nesta idílica viagem patrocinada por um amigo do tempos da faculdade, o escape perfeito para os seus problemas durante uma semana. A amizade faz com que se confrontem com os obstáculos e esclareçam os equívocos que prejudicavam os seus relacionamentos. Profundos sentimentos recalcados vêem à tona quando nada mais havia para os ocultar, na proximidade e convívio entre quatro casais muito diferentes entre si, depois de um furação no paraíso.

Leitura perfeita para um dia de chuva como o de hoje. Aconchegada e aninhada recuperava de uma semana intensa com uma leitura que quando iniciada, não apetece interromper. Um deleite!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Envolvida



Autor: Sylvia Day
Série: Crossfire (Vol. 3)
Edição: 2013, julho
Páginas: 400
ISBN: 9789897450136
Editora: 5 Sentidos

Sinopse:
Desde que vi o Gideon pela primeira vez, percebi que ele tinha algo de que eu precisava, algo a que eu não conseguia resistir. Percebi-lhe também uma alma perigosa e atormentada – tal como a minha. Envolvi-me. Eu precisava dele tanto como precisava que o meu coração batesse.

Ninguém sabe o quanto ele arriscou por mim e o quanto eu fui ameaçada; ninguém imagina quão negra e desesperada se tornou a sombra dos nossos passados.
Entrelaçados nos nossos segredos, tentamos desafiar o destino.
Definimos as nossas próprias regras e rendemo-nos completamente ao intenso poder da obsessão.

A minha opinião:
Por circunstâncias várias, o tempo ou ritmo dedicado à leitura mudou. Como tal, procuro variedade e qualidade. Um modo até de recuperar o entusiasmo. Romance erótico com estória é interessante, e não descarto como variedade que me proporciona lazer mas não necessariamente qualidade de leitura.

Depois de ler Rendida e Refletida fazia todo o sentido concluir a passional e sexual estória de Eva e Gideon, no que supunha ser o último da série Crossfire. Mas não é. E, dos três, é certamente o mais fraco, assumindo-se plenamente como romance erótico, com muitas e exaustivas descrições de atos sexuais entre os protagonistas - Gideon, "Sombrio e Perigoso" milionário que esconde um passado tenebroso e que canaliza as suas energias para verdadeiras maratonas sexuais, e Eva, também ela devastada por abusos, mas que o acompanha com o mesmo entusiasmo. Basicamente, a relação assenta em sexo e dependência emocional, com algum crescendo no nível de confiança entre eles, mas pouco. A trama não apresenta muito mais porque nada evolui ou desenvolve para cativar o leitor. Sequer algo de relevante ou intenso surge com as personagens secundárias. Ponderei inclusive desistir desta leitura numa determinada fase por ser cansativa.

Erótico ... nada mais.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Café do Amor

Autor: Deborah Smith
Edição: 2013, maio
Páginas: 432
ISBN: 9789720045959
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Cathryn Deen vivia num mundo de sonho: atriz famosa, idolatrada, era considerada a mulher mais bela do planeta. A fama era tudo na sua vida. Mas após sofrer um trágico acidente de automóvel, que a deixa marcada para sempre, decide ocultar-se de tudo e todos.

Escondida na casa da sua avó materna nas montanhas da Carolina do Norte, Cathryn tenta ultrapassar os seus traumas com a ajuda da sua grande prima Delta, uma mulher roliça e bem-disposta, dona do café local. Considerada por todos a alma daquele vale, Delta alimenta com os seus cozinhados e biscoitos deliciosos o corpo e o espírito dos mais carentes.
Um dos seus protegidos é Thomas Mitternich, um famoso arquiteto, fugido de Nova Iorque, após os atentados às Torres Gémeas lhe terem roubado o que de mais valioso tinha na vida: a mulher e o filho. Atormentado pela culpa, Thomas acredita que nada nem ninguém lhe poderá devolver a razão de viver e, entregue ao álcool e ao desespero, espera um dia ganhar coragem para se juntar àqueles que mais amava.
O destino irá cruzar os caminhos de Cathryn e Thomas numa história magnífica de superação, ensinando-os a transformar as adversidades em oportunidades e a valorizar a beleza que existe em tudo o que os rodeia.

A minha opinião:
Uma história admirável de coragem e inspiração ... e amor,  contada com a mestria de quem sabe como tocar a fibra sensível do coração do leitor, com palavras de dor e humor, numa mistura realmente inebriante. Personagens marcadas pelo drama, de inteligência acutilante e humor cáustico que sobreviveram a difíceis experiências de perda e no limite resistem.

Um romance que não nos deixa indiferentes, seja pela humanidade e integridade das personagens  que, mesmo fragilizadas, acodem e acolhem quem deles necessita, como as meninas enjeitadas pela sorte (e animais domésticos também), seja pelas deslumbrantes paisagens descritas das montanhas da Carolina do Norte, com o Cume da Mulher Selvagem, que herdou da avó Nettie e onde Cathryn Deen procurou esconder as suas cicatrizes e recuperar a fé e a esperança no futuro, com um núcleo de amigos que nunca desistem de ajudar e amparar.

Esta leitura tem o condão de nos reconciliar com a Humanidade e de nos fazer acreditar que o ser humano é notável quando sabe usar o coração. E o impensável acontece. Faz-nos sentir que a Vida vale a pena ser vivida. Afinal, "os desígnios da banha são insondáveis"

Um senão: Não gostei do título que achei lamechas e muito romancezinho. Preferia-o traduzido à letra "O Cafè Crossroads" de Delta que era o colo de mãe que todos precisamos em alguns momentos.

Um prazer de ler!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Todos os teus beijos

Autor: Laura Lee Guhrke
Edição: 2013, maio
Páginas: 336
ISBN: 9789897260612
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
Todos conhecem Dylan Moore - o seu brilhante talento e a sua busca pelo prazer - mas ninguém sabe o tormento que esconde. Apenas uma mulher se apercebe da força que impele a alma de Dylan, uma mulher que o persegue em sonhos e desperta nele paixões que nenhuma outra despertou. Desgraçada e agora muito pobre, Grace Cheval nada quer ter com o sedutor que a deseja.

Quando Dylan lhe oferece o emprego de precetora para a filha que há pouco encontrou, sabe que as suas intenções não são honradas. Porém, é-lhe difícil resistir a este homem tão carismático e devolve-lhe os beijos apaixonados com todo o ardor. Atrever-se-á Dylan a esperar que esta beldade orgulhosa e intrépida derreta o gelo que envolve o seu coração?

A minha opinião:
Laura Lee Guhrke tem uma escrita cativante e envolvente, com personagens muito charmosas e atraentes que torna uma estória de época com um previsível final cor-de-rosa numa aprazível leitura que nos deleita entre o sonho e a fantasia. Por essa razão, quando preciso de um escape, sei que esta é uma autora que nos presenteia com uma leitura romântica e sedutora. Mais uma trama que nos reporta a uma época de convenções e etiqueta, muito distante do que conhecemos como real. Em que o papel da mulher na sociedade e na família era muito diferente do atual. Interessante, por essa vertente que nos retrata.

Um artista/músico e compositor de sucesso atormentado depois de uma queda de cavalo, em que ficou com um problema auditivo que se esforça por ocultar, apesar de tal quase o levar à loucura e ao suicídio. Uma belíssima jovem viúva, rejeitada pela família, com relativo talento musical, que um dia salva o talentoso artista que a considera desde então a sua musa.

Lazer e entretenimento garantido. Sem grandes pretensões, senão o encantamento da leitora.

sábado, 14 de setembro de 2013

Culpa

Autor: Ferdinand von Schirach
Edição: 2013, agosto
Páginas: 152
ISBN: 9789722045001
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Um homem recebe no Natal uma dentadura nova, em vez de cumprir uma pena de prisão. Um rapaz é torturado quase até à morte em nome dos Illuminati. Os nove «cidadãos respeitáveis» de uma banda de metais destroem a vida de uma jovem, e nenhum deles tem de expiar o crime...

Ferdinand von Schirach transformou meros processos penais em literatura de qualidade, com uma intensidade penetrante, de uma forma discreta mas sempre assertiva, num estilo entre o lírico e o lacónico. São as questões intemporais como o bem e o mal, a culpa, a inocência e a responsabilidade que cada um de nós tem de assumir que se destacam.

A minha opinião:
Uma leitura para agitar consciências. Não que o autor, nestas concisas narrativas, o faça explorando as emoções. Fá-lo com desprendimento, quase lacónico ou irónico em alguns excertos, mas acutilante. Com tanta informação que recebemos hoje em dia, ficamos indiferentes ou ignoramos a dor e o sofrimento dos visados, sem sentirmos culpa ou medo, sem consciência do que realmente está envolvido. Estes contos permitem-nos reflectir ou visualizar subitamente o muito que se oculta entre nós ou fingimos não ver. Inclusive a natureza da culpa e de como lidar ou superar.

Literatura de qualidade. Como relatos de incidentes e casos policiais que passam pelas mãos de entendidos em leis, se podem transformar em contos fortes e pungentes.

Uma leitura forte e nada subtil para sentir e reflectir. 

domingo, 8 de setembro de 2013

Perto de ti

Autor: Anita Notaro
Edição: 2013, abril
Páginas: 452
ISBN: 9789897260551
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
Louisa está farta da sua vida. Do namorado, do trabalho, do apartamento - tudo precisa de uma reforma imediata e radical. E assim ela decide mudar tudo a favor de uma existência despreocupada, trocando o seu apartamento por uma casa móvel, o carro por uma moto, e as suas roupas elegantes por outras informais. E, acima de tudo, começa um novo trabalho como psicóloga de cães.

Com as amigas Maddy e Clodagh, embarca numa nova aventura - para conhecer pessoas diferentes, descobrir novos lugares e encontrar um homem novo e fabuloso. O seu trabalho traz-lhe recompensas imediatas e extraordinárias quando ela conhece os donos de cães cujos problemas muitas vezes parecem ecoar os dos donos. Mas independentemente do stresse da sua nova vida, Louisa tem o apoio das amigas. Se ao menos isso pudesse durar para sempre...

A minha opinião:
Um romance muito feminino. E que não me arrebatou. Terno no cuidado com os animais que a protagonista, especialista em comportamento animal e psicologia (encantadora de animais, principalmente cães) quando decide mudar de hábitos, rotinas, em suma, de vida e abraçar outros objetivos mais simples e salutares onde os animais tem um espaço privilegiado.

Os donos dos animais tornam-se chegados, presentes com os seus problemas e dificuldades que Lulu a pouco e pouco vai colmatando e a amizade que partilha com as duas amigas de longa data, Maddy e Clodagh, alarga-se a um novo leque diferenciado de amigos.

Uma leitura pausada e amena que apesar de cativante é um tanto extensa e o desenvolvimento da estória um tanto lento.  Não é uma estória de grandes paixões mas de amizades consolidadas e problemas ultrapassados. Como os geracionais.

Encantador.

sábado, 7 de setembro de 2013

Casado até Quarta

Autor: Catherine Bybee
Edição: 2013, Agosto
Páginas: 200
ISBN: 9789722526333
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
Blake Harrison: 
Rico, de boas famílias, encantador… e a precisar de uma mulher que se case com ele até quarta-feira. Blake pede ajuda a Sam, que afinal não é o homem de negócios que ele pensava. Pelo contrário, Blake depara com Samantha Elliot, uma mulher linda e arrojada com uma voz de fazer perder a cabeça. 

Samantha Elliot: 
Dona de uma agência matrimonial, ela própria não está disponível para o casamento… quer dizer, até Blake lhe oferecer dez milhões de dólares por um contrato de um ano. Não há nada de indecente na proposta dele e, além disso, o dinheiro vai ajudar imenso nas contas do médico da família de Sam. A única coisa que ela tem de fazer é guardar para si a atração que sente pelo marido e evitar a cama dele. Porém, é difícil resistir aos beijos ardentes de Blake e ao seu charme sensual são demasiado difíceis de resistir. O contrato de casamento previa tudo e mais alguma coisa… menos que se apaixonassem.

A minha opinião:
Este romance é um miminho. Não percebi porque o consideraram na categoria de literatura erótica. Mas é certamente para almas românticas e muito sonhadoras. Das que ainda sonham com o príncipe encantado. É curioso que este tipo de histórias vai sempre existir, para alimentar a fantasia de relações perfeitas. Contudo, apesar de se saber que é uma utopia, é sempre bom sonhar. 

Blake e Sam são personagens idílicas. Blake tem o bónus de ser rico. Uma fortuna construída por si em afronta ao pai, mas que não o deixa renegar a herança quando este falece e deixa um testamento com cláusulas específicas. Quando conhece Sam e decide que será com ela que irá estipular o acordo, que não é mais do que um negócio sigiloso entre eles, deixam de parte qualquer envolvimento emocional ou físico. E o entusiasmo começa com uma narrativa em que os sentidos não respeitam o acordo. Depois existem outros interessados na herança e no título. Enfim ... um miminho e parece que lhe seguem outros porque este é um de uma série de romances com títulos relacionados com os dias da semana.

Para combater agruras e desgostos, uma breve leitura de encantar.

domingo, 1 de setembro de 2013

A livraria noite e dia do Senhor Penumbra

Autor: Robin Sloan
Edição: 2013, julho
Páginas: 288
ISBN: 9789722526791
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
A grande recessão fez com que Clay Jannon perdesse o seu emprego confortável, mas previsível, como web designer; contudo, a sorte, a pura curiosidade e a sua capacidade de subir e descer um escadote como um macaco permitem-lhe encontrar emprego no turno da noite da misteriosa Livraria Noite e Dia - gerida pelo não menos misterioso A. Penumbra. Após algumas noites de trabalho, os mistérios sucedem-se: a livraria tem pouquíssimos clientes, mas eles vêm repetidamente e parecem nunca comprar nada, limitando-se a «pedir emprestados» uns volumes obscuros dos recantos ainda mais obscuros da livraria, segundo um acordo com o excêntrico livreiro.

Apesar dos avisos do seu novo patrão, Clay não resiste a analisar o comportamento dos seus clientes e a tentar descobrir de que tratam aqueles estranhos volumes e exatamente o que se passa nesta bizarra livraria. No entanto, os segredos que descobre (com a ajuda de uma namorada que trabalha na Google e um bando de amigos geeks e techies) vão muito além das paredes da Livraria Noite e Dia… um mistério tão vasto que só pode caber dentro de um livro!

A minha opinião:
Divertido, jovial e muito diferente de qualquer outra coisa que li. Original! E irritantemente enigmático!
E que capa maravilhosa. Parecem livros dispostos em prateleiras - que brilham - quando apagamos a luz!

Bem, comecei esta leitura com ideias feitas. Erro crasso. Supunha que com base nesta estranhissima livraria aberta noite e dia, encontraria uma leitura leve e simples, sem grandes pretensões literárias e sem grande esforço intelectual, numa misteriosa aventura com prós e contras em torno da leitura em e-readers ou computadores comparativa à leitura em livros. Ou a hipotética incompatibilidade, sendo o primeiro dissuasor do segundo género. E de facto, através das novas tecnologias o acesso a informação codificada há 500 anos foi rapidamente deslindado, mas a conjugação de ambos permite um enriquecimento e aprofundamento do ato, apesar da objeção da Irmandade da Lombada Intacta e do Primeiro Leitor. Foi muito mais do que imaginei!!!

Depois de muitas peripécias rocambolescas, em que me perdi com tantos termos "técnicos" que quase exigiram tradução (senti-me jurrássica) estava algo irritada comigo mesma por não vislumbrar de que se tratava O Enigma. E fiquei felicíssima (e aliviada) com o desfecho.   

Cinzas do Passado

Autor: Martin Suter
Edição: 2012
Páginas: 256
ISBN: 978-972-0-04377-1
Editora: Porto Editora

Sinopse:
A história comovente de um homem arrastado para o passado por uma doença que o despoja do presente.

Aos sessenta e cinco anos, Konrad Lang ainda vive às custas da abastada família Koch. Durante anos, foi um parasita tolerável, inicialmente enquanto companheiro de brincadeiras de Thomas Koch, o herdeiro da fortuna da família, mais tarde enquanto zelador da mansão de férias em Corfu, embora sempre sujeito aos caprichos da família. Certa noite, porém, Konrad pega acidentalmente fogo à mansão, reduzindo-a a cinzas. A princípio, atribui-se a causa desse incidente ao seu alcoolismo, mas os esquecimentos de Konrad sucedem-se.
São os primeiros sintomas de um mal misterioso, que trará consigo consequências perturbadoras. No entanto, à medida que a memória recente de Konrad se vai esvaindo, as recordações que muitos esperavam estar soterradas vão ressurgindo pouco a pouco... A doença de Alzheimer instala-se, ameaçando pôr a descoberto segredos guardados a sete chaves.

A minha opinião:
Este livro intrigou-me. E durante muito tempo aguardou a sua vez de ser lido. A capa e o título fascinaram-me, mas nada sabia sobre ele. Quando iniciei a leitura, tipo teste, fiquei agarrada pela escrita segura e convincente acerca de uma personagem solitária, Konrad Lang, que vivia à margem de uma família rica e poderosa sem razão aparente, sequer caridade ou dívida antiga. Um mistério que entrelaça toda a narrativa sem que descortinemos o porquê, mas que magistralmente o autor tece ao longo das páginas em que se percepciona uma doença silenciosa e devastadora como o Alzheimer, que estaria interligada com o vício da bebida de que Koni sofria. 

Thriller psicológico. Ao melhor nível. 
Doença que pouco a pouco se vai manifestando e revelando as graduações e a confusão do paciente que a tenta ocultar aos demais que o rodeiam, por "pequenos esquecimentos, distrações insignificantes, coisas que se perdem, nomes que se esquecem, dificuldade em escolher o menu dos restaurantes, perda do sentido de orientação, incapacidade de reconhecer pessoas que se conhece bem e de recordar os nomes dos objetos e sua utilidade. Tudo se esquece e apenas se recordam as coisas muito antigas." (pag. 211). E nesta última frase, temos o "busílis" de toda a trama - de todo este intenso thriller que o autor concebeu em torno de uma doença que revela o passado escondido na memória e que não poderia ressurgir sob pena de um crime o silenciar. 

Um livro admirável que não nos deixa indiferentes.  

terça-feira, 27 de agosto de 2013

a praia das pétalas de rosa

Autor: Dorothy Koomson
Edição: 2012, abril
Páginas: 544
ISBN: 9789720044471
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Todas as histórias de amor sofrem reviravoltas.
Depois de quinze anos de um grande amor e um casamento perfeito, Scott, marido de Tamia, é acusado de algo impensável. De repente, tudo aquilo em que Tamia acreditava - amizade, família, amor e intimidade - parece não ter qualquer valor. Ela não sabe em quem confiar, nem sonha o que o futuro lhe reserva.

Então, uma estranha chega à cidade, para lançar pétalas de rosa ao mar, em memória de alguém muito querido e há muito perdido. Esta mulher transporta consigo verdades chocantes que transformarão as vidas de todos, incluindo Tamia que será obrigada a fazer a mais dolorosa das escolhas...
O que estaria disposta a fazer para salvar a sua família?

A minha opinião:
Demorei a decidir o que comentar sobre este romance. Por vezes parece-me que o escrevo é sempre redundante ou pouco esclarecedor. E de facto eu não pretendo elucidar demasiado sobre a história e assim desmotivar quem o deseja ler. Apenas acrescentar um pouco mais à sinopse e sobre o que extrai do que li.

Este foi um daqueles livros que li por insistência de uma ou duas pessoas próximas, porque apesar de achar a capa e o título lindos, parecia-me que seria um daqueles romances populuchos, feitos para agradar às massas e sem grande consistência, mas fui agradavelmente surpreendida. É efetivamente um romance que agrada às mulheres. Sobre mulheres para mulheres. Em foco os equívocos do amor e ... da amizade.

Um casamento que parecia perfeito até que surge uma acusação de crime sexual por parte da vizinha e melhor amiga de Tami  sobre o marido, colega de trabalho da vitima. Tudo é equacionado quando as duas versões colidem. E muito se revela dada a percepção, persistência e coragem de Tami.
Três narradoras e personagens principais que gradualmente se dão a conhecer e nos desvendam as circunstâncias, com alguns avanços e recuos no tempo, importantes para o desenvolvimento e desfecho da trama. Ciume, inveja e traição. E compreensão e solidariedade. Aventura e impunidade com desvios comportamentais.

Claro que não conhecia esta autora, mas sabe como contar uma história que nos toca o coração.
Já ouviram falar da Praia das Rosas?