sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Para onde vão os guarda-chuvas

Autor: Afonso Cruz
Edição: 2013, outubro
Páginas: 624
ISBN: 9789896721978
Editora: Alfaguara (uma chancela Objectiva)

Sinopse:
O pano de fundo deste romance é um Oriente efabulado, baseado no que pensamos que foi o seu passado e acreditamos ser o seu presente, com tudo o que esse Oriente tem de mágico, de diferente e de perverso. Conta a história de um homem que ambiciona ser invisível, de uma criança que gostaria de voar como um avião, de uma mulher que quer casar com um homem de olhos azuis, de um poeta profundamente mudo, de um general russo que é uma espécie de galo de luta, de uma mulher cujos cabelos fogem de uma gaiola, de um indiano apaixonado e de um rapaz que tem o universo inteiro dentro da boca.

Um magnífico romance que abre com uma história ilustrada para crianças que já não acreditam no Pai Natal e se desdobra numa sublime tapeçaria de vidas, tecida com os fios e as cores das coisas que encontramos, perdemos e esperamos reencontrar.

A minha opinião:
Ouvi e li tantos e tão rasgados elogios a Afonso Cruz, que não resisti a conhecer este seu último romance. Senti-me excluída de um clube de admiradores e apreciadores, que bem o conhecem, em que eu nada sabia.

Desasossego e pasmo foram os estados de espírito que me acompanharam durante toda a leitura deste romance efabulado sobre um Oriente imaginário e que transcende o passado e o presente. 

Tanto para refletir e assimilar sobre a natureza, nomeadamente a natureza humana. O bem e o mal, de mãos dadas na complexidade da vida. O padrão de um tapete comparado à trama da vida em que se entrelaçam os fios de várias cores qual personagens de uma narrativa, para um efeito espantoso feito por um hábil tecelão. 
Religião e tolerância. Talvez seja este o tom de fundo em que tudo se confunde e mesmo assim continua a fazer sentido. Elahi é a personagem central que sofre perdas terríveis e resiste, enquanto se interroga sobre o "equilibrio/ absurdamente/ moralmente/ esteticamente desiquilibrado" do mundo.

Histórias que podem não ser felizes ou redentoras como esperamos ler, apesar dos valores subjacentes e sublimados numa linguagem poética (ou quase- não sei avaliar) e bem ritmada , de tolerância, compreensão e afetos. Talvez o propósito seja agitar consciências e certamente que o faz muito bem. 

Simplicidade e despojamento que torna Afonso Cruz brilhante na sua criatividade e originalidade. Digno de se conhecer e valorizar numa experiência literária completamente diferente e  fora dos meus padrões.

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