domingo, 28 de dezembro de 2014

A Informadora

Subtítulo: Um mistério na Roma antiga
Autor: Lindsey Davis
Edição: 2014/ março
Páginas: 400
ISBN: 9789892325668
Editora: ASA

Sinopse: 
Roma, ano 89 DC. As regras ditam que uma mulher deve ser submissa e modesta. Não deve levantar a voz, vestir roupas extravagantes, sair à noite, beber ou desafiar a autoridade… e muito menos envolver-se em assuntos criminais.
Flávia Albia contraria todas estas normas (e mais algumas). Vive sozinha na zona boémia de Roma, cultiva amizades pouco recomendáveis e não se coíbe de lutar pelos seus direitos. Filha de um detetive, Flávia decidiu desde cedo seguir os passos do pai. Mas a investigação é uma profissão masculina. Para ser respeitada, ela sabe que terá de ser a mais rápida, a mais perspicaz, a melhor.

Flávia é a única a reparar que o número de mortes inexplicáveis tem vindo a aumentar na cidade. Por não terem ligação entre si nem indícios de violência, não levantaram suspeitas.
As denúncias de Flávia são ignoradas pelas autoridades, que estão demasiado ocupadas com a organização dos Jogos de Ceres, o momento alto do ano. E até mesmo a própria Flávia, distraída com a perspetiva de um novo romance, não vê que a morte está demasiado perto de casa…

A minha opinião: 
Reservada, implacável e auto suficiente. Inteligente e indomesticável como uma raposa, mas capaz de uma forte lealdade. Criatura solitária capaz de socializar, alegre e divertida mas que depois tornava a isolar-se. Vivia na comunidade urbana, mas sub-repticiamente. Nunca chegava verdadeiramente a fazer parte dela, assim era Flávia Alba, uma viúva jovem e informadora/ investigadora que segue o rasto de misteriosos crimes.

Um romance levezinho e fantasioso que se passa na Antiguidade Clássica, onde o protagonismo é dado a uma mulher, que se sabia mover na sociedade da época. Sarcasmo e alguma teatralidade no decorrer da trama em que se procura desvendar a identidade do assassino da agulha. De fácil resolução e sem qualquer rasgo de brilhantismo acompanhamos as pistas nesta singela aventura, que nada mais visa do que entreter e distrair para depois se esquecer.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Um Anjo da Guarda

Autor: James Patterson e Gabrielle Charbonnet
Edição: 2014/ novembro
Páginas: 304
ISBN: 9789898626905
Editora: TopSeller

Sinopse: 
Será o nosso coração capaz de amar para além do mundo real?
Michael era o amigo imaginário de Jane, que a acompanhava, guiava e protegia quando ela, ainda criança, se sentia sozinha. Apesar de a mãe ser uma bem-sucedida produtora da Broadway e do ambiente glamoroso que a rodeava, Jane não era uma menina feliz. Michael e Jane eram os melhores amigos mas, quando ela fez 9 anos, o seu amigo imaginário teve de partir…

Vinte e três anos mais tarde, Jane é uma dramaturga de sucesso, trabalha na produtora da mãe e tem um namorado atraente e encantador. No entanto, ela continua infeliz e sem conseguir esquecer Michael. Até que, inesperadamente, volta a vê-lo. Teria Michael afinal sido sempre real?
Uma história de amor mágica e comovente, com uma reviravolta emocionante, que nos faz acreditar no poder do amor verdadeiro.

A minha opinião: 
Depois de uma intensa semana de trabalho, nada melhor do um romance idílico para desanuviar e esquecer, aconchegando-nos numa gratificante leitura. Um romance que faz bem ao coração. Um romance que desperta a criança que existe dentro de nós. 

Quem não precisa de um Amigo Imaginário da infância que não nos esqueça, e de quem não nos esquecemos como o Anjo da Guarda que sempre gostaríamos que nos acompanhasse e protegesse?  

Jane é uma pobre menina rica e vinte e três anos depois é uma insegura mulher de sucesso, dominada por uma mãe forte e poderosa que a sufoca na sua ambição e sedução. Um namorado egocêntrico que procura singrar como ator  em troca de um noivado leva Jane ao desespero, quando reencontra Michael que se apercebe do drama e da falta que lhe faz. E pior, não resiste a aproximar-se da mulher que admira. 

James Patterson num registo diferente do habitual que leio, repleto de ternura e encanto, apesar dos vilões. Pequenos capítulos numa escrita fluída, ritmada e vibrante. Um romance que procura repor a nossa reserva de magia, fantasia nesta época tão cheia de sensações e emoções como o Natal. Um deleite!

Nota: O booktrailer que vi é uma adaptação um pouco livre do livro. 

domingo, 7 de dezembro de 2014

O Nadador

Autor: Joakim Zander
Edição: 2014/ julho
Páginas: 463
ISBN: 9789896722708
Editora: Suma de Letras

Sinopse: 
Um thriller viciante que não poderá parar de ler.
Damasco. Uma noite quente no princípio dos anos 80.
Um agente americano entrega a sua bebé a um destino incerto, uma traição que jamais se perdoará e que será o começo de uma fuga de si próprio. Até ao dia em que não pode continuar a esconder-se da verdade e se vê obrigado a tomar uma decisão crucial.

Trinta anos depois, Klara Walldéen, uma jovem sueca que trabalha no Parlamento Europeu, vê-se envolvida numa trama de espionagem internacional na qual está implicado Mahmoud Shammosh, o seu antigo amante e ex-membro das forças especiais do exército sueco.
Klara e Mahmoud transformam-se no alvo de uma caçada através da Europa, um mundo onde as fronteiras entre países são tão ténues como a linha que separa um aliado de um inimigo, a verdade da mentira, o passado do presente.

A minha opinião: 
Ele gostava de nadar. O agente americano que sobreviveu a um ataque que lhe foi infringido mas perdeu a mulher e afastou-o da sua filha bebé para a proteger. Anos depois, essa filha é uma mulher determinada que é arrastada numa trama com o seu anterior amante Mahmoud, também ele surpreendido num encontro com um antigo companheiro de armas que assinava as mensagens com "Vontade, coragem e perseverança".

Uma outra personagem, George, é retida pela ambição e por um obscuro segredo da sua carreira que o pode destruir mas ultrapassa o medo e reage ativamente numa ilha inóspita da Suécia durante uma tempestade.

Apesar das suas mais de quatrocentas páginas é uma leitura viciante que se lê num ápice, em que cada capítulo suspende a trama num momento crucial e retoma com outra personagem no ponto em que tinha ficado em suspense. São quatro as personagens com honra de capítulo que dão sequência à história. Uma história envolvente e perigosa com os meandros do poder a atuar para encobrir o rasto da violência noutro lado do mundo.  

Atual esta narrativa empolgante e tensa em que seguimos por cenários que bem imaginamos quando não os conhecemos, duma Europa fria e cinzenta onde se dá a ação. Um bom thriller para uma leitora não apaixonada pelo género. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Stoner

Autor: John Edward Williams
ReEdição: 2014/ novembro
Páginas: 263
ISBN: 9789722055567
Editora: Dom Quixote

Sinopse: 
Romance publicado em 1965, caído no esquecimento. Tal como o seu autor, John Williams - também ele um obscuro professor americano, de uma obscura universidade. 
Passados quase 50 anos, o mesmo amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia. 
Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: "É o melhor romance que ninguém leu". Porque é que um romance tão emocionalmente exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial nas mais diferentes latitudes? A resposta está no livro. Na era da hiper comunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta, partilhamos com ele a devoção à literatura, revemo-nos nos seus fracassos; sabendo que todo o desapontamento e solidão são relativos - se tivermos um livro a que nos agarrar.

A minha opinião: 
Stoner, deu-me que pensar, depois da inquietação inicial. Uma frieza ou distanciamento num relato de uma vida inteira como se fosse extra-corpóreo ou nada tivesse importância e apenas fosse um ritual de passagem apesar de alguns, muitos episódios serem carregado de tristeza e pesar. A sua identidade contida no seu amor ao conhecimento e ao ensino.

Prosa simples e elegante em que a paixão é disfarçada por uma inteligência límpida.. Dormência, indiferença, distanciamento ocultavam a paixão que na juventude Stoner dera ao conhecimento que lhe fora revelado por Archer Sloane, e depois a Katherine num romance de rara sensibilidade. Humilde e sem nunca perder os laços de sangue à terra dura que o viu nascer, Stoner assume-se como um homem de letras e a faculdade como o seu refúgio. O seu casamento envenenado, uma fonte de perturbação para mim como leitora, perante a passividade de Stoner quando Edith começou a usar a filha na batalha que travava contra ele. E Lomax, o seu inimigo na carreira que sem brilho mas com empenho e mérito desenvolvia. Tanta injustiça para um homem bom à luz dum tempo que sucintamente o autor recordou. Tanto que pensar depois do muito que nos faz sentir.

Um romance marcante. Um hino à literatura. 

domingo, 23 de novembro de 2014

RECOMEÇAR

Autor: María Dueñas
Edição: 2014/ novembro
Páginas: 440
ISBN: 9789720047052
Editora: Porto Editora

Sinopse: 
Recomeçar atravessa fronteiras e épocas para nos falar de perdas, coragem, segundas oportunidades e reconstrução. Uma história luminosa que desenrola intrigas imprevistas, amores entrecruzados e personagens cheias de paixão e humanidade.
Blanca é professora, com uma carreira consolidada, dois filhos jovens. A braços com o fracasso do seu casamento, decide deixar a sua atual vida para trás e ruma a Santa Cecília, na Califórnia, com a missão de organizar o espólio deixado por Andrés Fontana à Universidade; fechada num sótão sombrio, Blanca vê- se a braços com uma tarefa aparentemente hercúlea e cinzenta, mas que acabaria por revelar-se uma empreitada emocionante.

Amores cruzados, certezas e interesses silenciados que acabam por vir à tona, viagens de ida e volta entre Espanha e EUA, entre o presente e o passado de duas línguas e dois mundos em permanente reencontro.

Três anos depois da publicação de O Tempo entre Costuras, volto a bater à porta dos leitores com a história e a voz de uma mulher. Uma mulher contemporânea, cuja estabilidade, aparentemente invulnerável, se desvaneceu no ar. Chama-se Blanca Perea e decidiu fugir.
Maria Dueñas

A minha opinião: 
Quando comentei com um grupo de amigos que lera este livro, procuraram saber a minha opinião comparando com o "bestseller" anterior da autora. Infelizmente não posso fazer o paralelo porque não li "O tempo entre Costuras".  Foi contudo, devido ao eco desse romance que li "Recomeçar".  Por experiência própria sei que por vezes isso é um mau prenuncio.  

Recomeçar é um tributo às segundas oportunidades. 
A luz e a sombra da essência humana. 
Num dia mau deixaram de ser amadas. Perante o abandono e a incerteza, face ao desamor e à crueza irreversível da realidade, defenderam-se como puderam e batalharam com as armas que tinham ao seu alcance. Com boas ou más artes, com o que o intelecto, as vísceras ou o puro instinto de sobrevivência puseram à mão. A distribuição foi sempre arbitrária, a ninguém foi dado escolher, e há quem assuma e avance e quem fique a ruminar o ressentimento como uma pastilha elástica amarga que, passado décadas, ainda tem sabor.  
"(...) o amor é volúvel, estranho e arbitrário, privado de compreensão e racionalidade."  
(adaptação de fragmento retirado da pag. 427)

Blanca lutou durante vinte e cinco anos. Viu crescer os filhos, esteve perto do companheiro, construiu um lar e quando sentiu que "a vida caiu-lhe aos pés com o peso e o frio de uma bola de chumbo" partiu para longe para recomeçar. Não encontrou nem rasto do cenário californiano a que as séries televisivas e o imaginário colectivo nos habituaram, mas empenhou-se em tirar Andrés Fontana das trevas.  

Duas histórias que se cruzam quando tentam reconstruir o passado a partir dos testemunhos escritos e o que restava através da memória de Daniel, como duas versões diferentes do mesmo: a carne e os ossos face ao legado intelectual. 

Bem construído e com uma linguagem sóbria, elegante - irrepreensível, esta narrativa tinha tudo para agradar, mas uma letra miudinha e muitas páginas para atingir o âmago das personagens e o seu percurso, torna-a uma leitura exigente e por vezes cansativa, perdendo assim o fôlego e a concentração. Contudo, creio que vale a pena partir à descoberta porque é uma leitura subjectiva.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A Família Sogliano

Autor: Sveva Casati Modignani
Edição: 2014/ setembro
Páginas: 384
ISBN: 9789720046871
Editora: Porto Editora

Sinopse: 
É um fim de dia de maio quando na residência setecentista da família Sogliano, toca o telefone. A família está reunida para o jantar: Orsola, mulher de Edoardo, os cinco filhos do casal, a sogra, Margherita, e as suas duas filhas. Estão todos à espera de Edoardo. É Orsola quem atende, e toma conhecimento, através da voz formal de um polícia, da morte do marido num acidente de automóvel. O golpe é tremendo: trinta anos de amor despedaçados num instante. Mas Orsola não pode saber que aquela mágoa avassaladora se vai transformar em breve numa dor ainda mais profunda, no momento em que descobre uma série de fotografias recentes do marido na companhia de um bonito rapazinho de olhos amendoados, que assina: «O teu filho Steve».

A partir deste início fulgurante, Sveva conta-nos a história daquela família ligada à indústria do coral nos últimos dois séculos. A história de Orsola - uma mulher livre e independente de Milão; de Edoardo - o herdeiro da mais importante família do coral de Torre del Greco, mas também a história de Margherita - uma mulher do sul, orgulhosa e de coração generoso.
Uma vez mais, Sveva Casati Modignani envolve o leitor numa história apaixonante de uma grande família, entre amores, luzes e sombras, alegrias e sofrimentos, sucessos e falhanços, tendo como pano de fundo um ambiente tão insólito quanto fascinante e pouco conhecido: o mundo do coral, essa matéria-prima que nos encanta há milhares de anos.

A minha opinião: 
Sveva Casati Modignani é uma "velha" conhecida minha, considerando que li todos os seus livros em português. Muito criticada pelos apreciadores de literatura mais séria, tem uma vertente idealista e romântica que me encanta. É marcadamente feminista e defende o valor das mulheres como matriarcas. Mulheres que apesar das suas origens, qualquer que seja a sua classe social, são fortes, determinadas e batalhadoras, assegurando o seu destacado lugar na família, na sociedade e na carreira, sem perder a feminilidade, independência e sensualidade. Mulheres que conquistam privilégios inalcançaveis para a maioria, como um conto de fadas moderno.  

Mais uma vez, cumpriu. Orsola e Margherita são as personagens principais que em pequenos capítulos contam todos os episódios relevantes nas suas vidas e na sua família. Uma saga familiar no mundo do coral na Torre del Greco em Itália. 

O coral foi a grande aventura dos Sogliano, sinónimo de beleza, fantasia e arte, bem como fonte de preocupações. Durante anos, tinha significado ornamental mas também de superstição. Os Sogliano enriqueceram dignamente. Com a morte súbita de Edoardo unem-se, apesar das suas diferentes personalidades com diferentes sensibilidades e maturidade para acolherem Steve, jovem e desamparado sem o apoio dos humildes avós chineses e da mãe que penosamente reconstruíra a sua existência. 

Um romance que li com deleite. Um valor seguro e encantatório, como se nos levasse pela mão enquanto é contada uma história, recuando ao passado sempre que necessário para melhor nos dar a conhecer as personagens. 

Um prazer de ler!

sábado, 8 de novembro de 2014

Terra de Milagres

Autor: João Felgar
Edição: 2014/ setembro
Páginas: 280
ISBN: 9789897241680
Editora: Clube do Autor

Sinopse: 
Júlia é costureira numa aldeia do interior português. Na mesma terra, vivem as suas filhas Leta Mirita e Adelaide. A primeira vive um casamento infeliz, depois de se ter entregado a um homem que lhe prometeu «uma vida bonita». Quanto a Adelaide, só ela sabe o que se passa entre as paredes do quarto que partilha com Antero, seu marido.

Numa noite de temporal o rio invade a aldeia, destrói a ponte que a liga ao resto do mundo, e leva consigo os seis filhos varões de Adelaide. Quando as águas do rio se acalmam, Luzia de Siracusa, filha de Adelaide, vive os seus primeiros arrebatamentos místicos. A fama de santa e milagreira corre veloz, e dá origem a um culto popular que atrai à aldeia multidões de peregrinos e devotos, indiferentes à hostilidade que o fenómeno inspira às autoridades eclesiásticas.

Ódios e cumplicidades entrelaçam-se com os comportamentos e hábitos do nosso tempo e da nossa terra. Uma terra onde por trás de um segredo se esconde sempre outro, e onde nem os milagres são o que parecem.

A minha opinião: 
Uma boa amiga recomendou e emprestou-me este livro. Mesmo para quem tanto lê, livros há que se destacam. Este é, sem dúvida imperdível. Uma excelente prenda de Natal, podem crer! (Não, não conheço o autor.) Um livro para ler e reler e olhar para dentro de nós.

Para além da inegável qualidade da escrita ao contar com segurança e sem hesitações uma história tão absurdamente portuguesa com a fé e o fanatismo no comando das operações naquela pequena comunidade isolada do mundo por uma ponte que ruiu, temos uma galeria de personagens com sentir e sensibilidade feminina, admiráveis e impressionantes. Força, coragem e determinação, mas também medo, dor e solidão. Segredos, medo e ambição de Adelaide, que toma as rédeas do poder e a quase todos verga. Comandante de um pequeno exército que treinou com o intuito de a proteger, e ocultar um tenebroso segredo, que a sua cega e desmedida ambição  e vaidade não queria revelado.

Os acontecimentos precedem-na e Julia, Leta Mirita, Gualter e Agripina vão descobrir o enigma de um bébé que nasceu na noite da tragédia na colónia dos leprosos.

Leitura voraz e pasma que não se esquece. Tanto para discutir e sublinhar nas palavras sábias de Júlia. Luzia de Siracusa, uma não personagem no cerne da trama.

Tenho um reparo a fazer, que não diminui o meu apreço por esta obra que aplaudo, mas que não posso deixar de referir. Uma gralha com um nome de um dos gémeos que se repete inclusive na mesma página onde surge como Constante e Clemente.

E mais não conto, obrigatório ler. Obrigado Cristina Delgado.

AÇO

Autor: Silvia Avallone
Edição: 2014/ julho
Páginas: 368
ISBN: 9789896265960
Editora: Esfera dos Livros

Sinopse: 
Uma história sobre amizade de duas adolescentes e a dificuldade em crescer num mundo sem esperança.



Não é fácil crescer na rua Stalingrado, na cidade siderúrgica de Piombino, no litoral da Toscana, por debaixo da sombra da imponente fábrica de aço. Ter 14 anos num ambiente social degradado, demasiado duro, junto a realidades incómodas como a violência, a droga, a delinquência… e, principalmente, a total ausência de ilusões, complica ainda mais a adolescência de Francesca e Anna.

Mas estas duas jovens não estão dispostas a baixar os braços e a dar-se por vencidas. Têm como arma a sua beleza exuberante, a sua sexualidade, e a vitalidade que a juventude lhes confere, e estão prontas a ultrapassar todos os obstáculos, para lutar pelos seus sonhos. 
Silvia Avallone, que surpreendeu Itália e comoveu a Europa com esta obra aclamada pela crítica, transporta-nos até a uma Itália industrial e periférica, para retratar a história de uma amizade intensa entre duas jovens que procuram desesperadamente a sua identidade. Com mestria e sinceridade, a autora capta as contradições da nossa época e da nossa economia, onde reina a falta de esperança e de perspetivas e os dramas dos jovens actuais. 
Um livro actual, polémico, arrojado e duro como o Aço. Contudo, absolutamente comovente. Aço ensina aos jovens o valor da amizade e do amor e aos adultos, quem são e o que pensam, verdadeiramente os seus filhos.

A minha opinião: 
Frio e duro como aço.  Realidade fria e dura como a liga metálica que algumas personagens desta história criavam na fábrica próxima daquele bairro social, onde todos viviam em condições humanas limites. 


Os sonhos e a amizade era o elo que resistia a tudo naquele ambiente agreste e poluído, apesar da praia que os jovens desfrutavam e da ilha de Elba ali tão perto. Uma fuga ao sofrimento, à pobreza, violência doméstica, droga, prostituição, em suma, a uma vida fragmentada e tão diferente dos sonhos que fervilhavam no interior de cada uma destas personagens. Anna e Francesca simbolizam o que de mais puro e belo vibrava naquele cenário e eram admiradas e desejadas, enquanto alegremente mantinham aquela ligação como o ferro e o carbono que unidos são um só - AÇO. A sexualidade, e o desejo que desponta nos corações daquelas jovens que se completavam, provoca um afastamento doloroso. 

Numa linguagem crua seguimos o dia-a-dia destes jovens e das suas famílias. Não é uma leitura fácil e tranquila, mas perturbadora e inquietante que nos obriga a olhar de frente para o que normalmente viramos a cara para não encarar. Não há fuga possível com esta leitura. 

Recomendo para quem procura uma leitura séria e lúcida, sem devaneios românticos e felizes. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário Ikea

Autor: Romain Puértolas
Edição: 2014/ setembro
Páginas: 208
ISBN: 9789720046925
Editora: Porto Editora

Sinopse: 
Ajatashatru Larash Patel, faquir de profissão, que vive de expedientes e truques de vão de escada, acorda certa manhã decidido a comprar uma nova cama de pregos. Abre o jornal e vê uma promoção aliciante: uma cama de pregos a 99,99€ na loja Ikea mais próxima, em Paris. Veste-se para a ocasião – fato de seda brilhante, gravata e o seu melhor turbante – e parte da Índia com destino ao aeroporto Charles de Gaulle. Uma vez chegado ao enorme edifício azul e, maravilhado com a sapiência expositiva da megastore sueca, decide passar aí a noite a explorar o espaço.

No entanto, um batalhão de funcionários da loja, a trabalhar fora de horas, obriga-o a esconder-se dentro de um armário, prestes a ser despachado para Inglaterra. Para o faquir, é o começo de uma aventura feita de encontros surreais, perseguições, fugas e aventuras inimagináveis, que o levam numa viagem por toda a Europa e Norte de África.
Trata-se de uma aventura rocambolesca e hilariante passada nos quatro cantos da Europa e na Líbia pós-Kadhafi, uma história de amor efervescente, mas também o reflexo de uma terrível realidade: o combate travado por todos os clandestinos, últimos aventureiros do nosso século.

A minha opinião: 
Uma fantástica viagem que começou em França num armário e passou por Inglaterra, Espanha, Itália e Líbia durante nove dias como clandestino involuntário. Uma viagem interior que nos ensina que é descobrindo outras coisas que nos tornamos diferentes. 

Os encontros que o faquir teve ao sabor dos imprevistos que marcaram o seu périplo com cinco "electrochoques em pleno peito"durante esta aventura, o amor de Marie e a amizade de Sophie, transformaram-no num novo homem. E certamente, transformam o leitor que lê esta genial narrativa, sugestionados à partida por um título longo e estapafúrdio esperam um livro humorístico (tipo banda desenhada em texto) e não um romance bem engendrado, que apesar de divertidíssimo também é critico e fala sobre assuntos muito sérios, como a realidade dos "países ricos" com os imigrantes clandestinos.

Um fragmento adaptado (os tempos dos verbos) reza assim:
"Abandonam tudo para partir para um país onde pensam que os deixam trabalhar e ganhar dinheiro, mesmo que para isso tenham que apanhar merda com as mãos. Tudo o que pedem, desde que os aceitem. Encontrar um trabalho honesto a fim de poderem enviar dinheiro para a família, para a sua gente, para que as crianças não ostentem aqueles ventres dilatados e pesados como bolas de basquete, e ao mesmo tempo tão vazios, para que sobrevivam todos à luz do sol, sem as moscas que se colam aos lábios depois de terem pousado no cu das vacas".

Conto, sátira ou farsa, não sei ... mas impõe alguma reflexão. As metáforas abundam, inclusive com as personagens. 
O faquir indiano, charlatão e vigarista, de turbante branco, alto, seco, com um bigode que lhe atravessa a cara, piercings e cicatrizes é difícil de esquecer e não visualizar sem sorrir. Regenera e torna-se escritor e começa por escrever numa camisa os primeiros capítulos do seu livro. Não é maravilhoso?

Estereótipos cómicos para realçar aspectos críticos na sociedade. Um livro diferente e especial, que merece ser lido.

domingo, 26 de outubro de 2014

A Mulher Silenciosa

Autor: A. S. A. Harrisom
Edição: 2014/ maio
Páginas: 272
ISBN: 9789722352765
Editora: Editorial Presença

Sinopse: 
Jodi Brett e Todd Gilbert vivem juntos há 22 anos, num confortável apartamento em Chicago com vista para o lago. Os dias decorrem numa tranquilidade aparente, à medida que a sua relação se vai lentamente consumindo. Até ao dia em que Jodi fica a saber que Todd tem um relacionamento sério com a filha de um dos seus melhores amigos, Natasha Kovacs. Em estado de negação, Jodi não reage quando Todd lhe diz que vai casar com Natasha ou quando a avisa de que ela terá de abandonar o apartamento onde vivem. Mas este será, para Jodi, um ponto de viragem sem regresso possível.

A Mulher Silenciosa é um romance avassalador, misto de comédia de costumes e thriller psicológico, que nos revela o lado negro do casamento e até onde uma mulher é capaz de ir quando já nada mais tem a perder.

A minha opinião: 
Há livros que nos perseguem. E não sossegamos enquanto não estão na nossa posse. Com este romance foi assim, uma obsessão disparatada que se revelou acertada logo nas primeiras páginas. 

Duas personagens e dois narradores que alternadamente contam a sua versão dos factos. Ele (Todd), e Ela(Jodi), na primeira parte e na segunda apenas Ela, depois de ele já a não a poder contar.

Uma existência aprazível e luxuosa numa relação confortável que durava há vinte e dois anos, sem filhos, que se desmorona sem que nenhum deles o deseje. A leviandade dele com inúmeras traições inconsequentes, que ela procurava ignorar, neste homem de meia idade que procura ultrapassar uma depressão com uma relação mais séria com a filha do melhor amigo de infância e os catapulta para o abismo com uma gravidez.

A autora, já desaparecida, conseguiu capturar nesta narrativa muitas das vicissitudes de uma relação longa e assente em silêncios, em que as personagens têm um passado perturbador mal resolvido.
O que distingue este romance dos demais, é a proximidade com o real, ao dissecar o comportamento de um casal por detrás da fachada. Uma análise psicológica num crescendo de ansiedade para uma leitura participativa, com a empatia ou aversão do leitor.  Ambas as personagens são censuráveis e ambos são perceptíveis. A tolerância e passividade de Jodi, para a fraqueza e cobardia de Todd na dinâmica do casal.  

Bem conseguido primeiro romance, que inquieta e instiga a ler até ao desfecho, tal a intensidade da narrativa.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

A vida secreta de Stella Bain

Autor: Anita Shreve
Edição: 2014/ julho
Páginas: 260
ISBN: 9789897241635
Editora: Clube do Autor

Sinopse: 
Um livro sobre a vida, a esperança, as lembranças do passado e a capacidade de construir um futuro contra todas as expectativas.
França, 1916. Uma mulher acorda na cama de um hospital de campanha em Marne, sem qualquer recordação do seu passado ou de como ali chegara. Enverga o uniforme de uma enfermeira voluntária britânica, mas fala com um sotaque americano. O que fará ali, em pleno campo de batalha?

Identificou-se como Stella, mas sente que esse não é o seu verdadeiro nome. De repente, uma palavra incita-a a agir e Stella parte para Londres, onde espera encontrar algumas respostas e abrir as portas para o seu passado.
Com a ajuda de um cirurgião britânico, que a acolhe e se interessa pelo seu caso, vai-se redescobrindo, e as verdades são ao mesmo tempo chocantes e surpreendentes. Ao recuperar a memória, Stella vê-se obrigada a confrontar o passado sombrio da mulher que foi.
Neste envolvente drama, Anita Shreve tece uma apaixonante história acerca do amor e da memória, tendo como pano de fundo uma guerra que devastou milhões de civis e deixou sequelas em todos aqueles que testemunharam os seus horrores.
Um romance histórico inesquecível, sério e surpreendente.

A minha opinião: 
Este romance reconciliou-me com Anita Shreve. "A praia do Destino" foi uma revelação, mas os outros romances que li da autora foram uma desilusão. "A vida secreta de Stella Bain" tem o mesmo cunho do primeiro livro que li (e referi), e por isso, ficará impresso na minha memória. 

Stella Bain é uma mulher forte, determinada e corajosa que enfrenta a morte enquanto condutora de ambulâncias e muito sofrimento e devastação durante a 1º Guerra Mundial como auxiliar de enfermagem. Uma mulher que perdeu a memória e a identidade. Uma mulher coerente com um tempo e um lugar em que o rigor e a rigidez das regras masculinas dava pouca liberdade e espaço às mulheres. 

O passado para explicar o presente da narrativa que decorre no início do Sec. XX. Etna Bliss surge no Almirantado, enquanto os primórdios da psicoterapia começa a lidar com o que sabemos ser o trauma de guerra.

Uma história viciante que se lê de um fôlego. Uma personagem admirável, contida e reservada, mas de uma ética inabalável. Recomeçar e recuperar o que de mais precioso uma mulher pode ter. 

E mais não revelo, porque a descoberta é algo que não se deve perder no desenvolvimento de uma narrativa.

Recomendo sem reversas. 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A Fórmula da Saudade

Subtítulo: Podemos fugir dos outros, mas não de nós mesmos
Autor: Daniel Oliveira
Edição: 2014/ outubro
Páginas: 248
ISBN: 9789897411854
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
Uma história inspirada em factos reais, com vários elementos autobiográficos ao longo de todo o livro.
A conhecida apresentadora de televisão Camila Vaz vê-se obrigada a fugir de Portugal para atenuar o escândalo provocado pelo lançamento do livro A Persistência da Memória. Quando finalmente decide reaparecer em público, recebe um jornalista num hotel do Rio de Janeiro, no último dia do ano - e rapidamente o encontro se torna um espaço de confissão e sedução, despertando sentimentos e memórias de ambos há muito perdidos no tempo.

A conversa entre os dois trará à superfície a paixão e o ciúme, a inocência e a perversão, a fé e o sexo, levando a que o entrevistador recorde a bela história de amor que lhe corre no sangue - a dos seus avós, Zulmira e Joaquim, que se conhecem na Lisboa dos anos 1950, até que o jovem oficial é enviado para as colónias portuguesas na Índia, onde a tensão social fará com que a sua missão termine em tragédia. O que sucede depois de acontecer o pior? Será possível condensar a saudade numa fórmula universal que descodifique o amor, a morte, a vida? E como é que uma conversa entre um homem e uma mulher se pode tornar uma viagem ao íntimo da alma humana?

A minha opinião:
"Nós estamos permanentemente a conhecer o que acontece e a definir essas imagens por comparação com o conhecimento que já adquirimos, daí que a definição de beleza, inteligência (...) seja sempre uma interpretação nossa, que nos vai estimular consoante a nossa idiossincrasia e o histórico do nosso próprio comportamento."     (pag.59)

Pareceu-me uma metáfora para a abordagem que fazemos a este livro. Consoante o leitor e o seu sentir, esta viagem que a leitura nos proporciona pode ser empolgante e estimulante ou difusa e insatisfatória.  Pela minha parte, tenho um mix dos dois. 
Nota-se, que é inspirada em factos reais, e que muito do autor  foi transferido para o narrador nesta entrevista a Camila. A sua faceta de entrevistador, com perguntas sustentadas não apenas na pesquisa ou interesse, mas também na sua sensibilidade e historia, no que que procura desvendar Camila. Uma mulher bela, madura, sofisticada e  inteligentíssima, que desconcerta por vezes o entrevistador. E o leitor. 
Um jogo de sedução em que se fala de sentimentos e relacionamentos. Muitas são as definições apresentadas, que nos fazem abrandar a leitura e refletir. Ainda assim, houve momentos em que me pareceu que faltou alma na narrativa. Uma percepção difícil de definir por palavras. 

Aproximadamente a meio do livro, surge a história de amor dos avós do narrador como prova concreta de que que o amor pode transformar.   

"- A saudade doí?" - Questionei.o.
"- É a mãe de todas as dores. É uma falta de nós, uma incompletude de nós mesmos. A saudade é a inconsequência da vida, é a frustração, o não ter tamanho suficiente para se chegar aonde se quer, é não ser bom o suficiente para ter tudo o que se merece, não ter a glória da satisfação permanente. É não conseguir. Saudade é o que somos, mais do que aquilo que fomos."   (pag. 90)

sábado, 18 de outubro de 2014

Em Segredo

Autor: Catherine McKenzie
Edição: 2014/ julho
Páginas: 304
ISBN: 9789898626516
Editora: Topseller

Sinopse: 
Será que conhece a pesoa que ama?
Ao regressar a casa, vindo do trabalho, Jeff Manning é atropelado por um carro e morre. Duas mulheres ficam desfeitas perante a notícia: a sua esposa, Claire, e uma colega de trabalho, Tish. 
Destroçada com a sua perda, Claire tem sobre os ombros o dever de confortar o filho, e ainda de lidar com os preparativos para o funeral e com a chegada do irmão de Jeff, com quem namorara anos antes.
Tish, por seu lado, voluntaria-se para estar presente no velório em nome da empresa, mas apenas ela sabe a dor que realmente sente. 

Contada através das vozes de três pessoas, Jeff, Tish e Claire, a narrativa de Em Segredo explora a complexidade das relações, as repercussões das nossas escolhas individuais e a responsabilidade que temos perante aqueles que amamos.

A minha opinião: 
Não há "meias palavras" para expressar a minha opinião sobre este livro. 
Normalmente, por respeito a quem o apreciou, tento suavizar a minha opinião quando negativa, mas essa vontade revela-se dificultada com este romance. Promissor, mas muito aquém das expetativas. Nem as personagens ou a narrativa cativam o leitor.  

Três narradores para um triângulo amoroso. As suas vidas durante um curto período exaustivamente analisadas, com diálogos pormenorizados e sem grande relevância, para personagens com pouco encanto ou carisma. A morte de um dos narradores e uma das principais personagens, é possivelmente o ponto mais alto da trama. 

Até meio do livro, consegui ler com algum empenho, depois, gradualmente fui desistindo, até terminar a leitura, como direi ... em diagonal. 

Enfim! Não recomendo!

domingo, 12 de outubro de 2014

O Primeiro Marido

Autor: Laura Dave
Edição: 2014/ abril
Páginas: 256
ISBN: 9789898626363
Editora: Topseller

Sinopse: 
Se o amor da tua vida te deixasse, o que farias?
Uma história romântica e divertida sobre uma mulher dividida entre o seu marido e o homem com quem ela julgava que se ia casar.
Annie Adams está a alguns dias de celebrar o seu 32.º aniversário e pensa que encontrou, finalmente, a felicidade. Jornalista, escreve uma coluna semanal sobre viagens e passa a vida a explorar os lugares mais exóticos e interessantes do mundo. Vive em Los Angeles com Nick, o namorado com quem já pensa casar, numa relação aparentemente feliz que já conta com cinco anos. Quando Nick chega um dia a casa e a informa de que, «segundo a terapeuta», talvez precisem de «um tempo», Annie fica destroçada.

Perdida num turbilhão de sentimentos, Annie acaba por conhecer Griffin, um charmoso chef, que de imediato a conquista. E em apenas três meses, Annie dá por si casada e a reconstruir a sua vida numa zona rural do Massachusetts. Mas quando Nick lhe pede uma segunda oportunidade, Annie fica dividida entre o seu marido e o homem com quem ela sente que deveria ter casado.

A minha opinião: 
Irónico e imensamente divertido. A aventura de uma vida para a escritora de viagens Annie Adams.

Sempre procuramos coisas que nos façam sentir bem. A procura pode ser o mais longe que se consegue. Até se pode transformar isso numa carreira. E podemos passar o resto da vida a tentar. Até encontrarmos o lugar a que pertencemos e de onde não se quer fugir. Tem tudo a ver com a pessoa que está ao nosso lado.

Tão simples e tão eficaz. Assim é este enredo. Simples! 
E delicioso! 
A supersticiosa Annie que sempre que vê o filme "Férias em Roma" com Audrey Hepburn, se consola com a possibilidade de encontrar o tipo de romance idílico das personagens e não as tragédias com que se depara depois. O fim de uma relação de cinco anos, nenhuma viagem de jeito, um despedimento e um pedido de casamento tardio. Nenhum futuro aparente numa cidade pequena, fria e ventosa. Onde tinha um cunhado louco e uma casa preenchida com dois gémeos cheios de saudades da mãe e quinhentas fotografias arruinadas. Onde o marido tinha uma linda e simpática ex-namorada, uma mãe que não gostava dela e um restaurante sem nome. Um lugar onde conseguia ouvir todos os seus medos. Um sentimento crescente de liberdade para descobrir aquilo que pode ser e alguém que a ame por aquilo que é.

Relacionamentos e escolhas. Fracassos e vitórias. Erros com que se aprende. Sempre com um sorriso. 
Jovial e Romântico. Odiei a capa deste livro mas adorei lê-lo. Um perfeito livro para um dia de chuva. 

sábado, 11 de outubro de 2014

Para Sempre

Autor: Judith McNaught
Edição: 2014/ setembro
Páginas: 448
ISBN: 9789892328317
Editora: ASA

Sinopse: 
A vida muda num segundo.
Victoria Seaton cruzou um oceano. Para trás, deixou tudo o que amava. A sua cidade, Nova Iorque. Andrew, o homem dos seus sonhos. E a casa onde nasceu, agora tristemente vazia após a morte súbita dos pais. 
Órfã e desamparada, Victoria não tem outra solução que não rumar ao desconhecido. A Inglaterra, um país que nunca visitou. Aos aristocráticos Fielding, uma família que nunca viu e à qual pertence apenas no papel. A uma herança que não sabia existir.

O seu único conforto é a sua irmã Dorothy, a quem protege fingindo ser a mulher corajosa que, intimamente, teme não ser. A alta sociedade britânica rapidamente a põe à prova com as suas regras rígidas, tão diferentes dos modos calorosos e simples do seu país natal. Igualmente impenetráveis são as reacções da família. Quando conhece a avó - a duquesa de Claremont - Victoria não percebe o porquê do seu olhar venenoso e a sua obstinação em acolher apenas Dorothy. As irmãs acabam por ser separadas e Victoria fica à mercê do jovem lorde Jason Fielding, seu primo afastado. Jason é um homem frio, sensual e implacável. Nos salões da moda, é o alvo de todas as atenções, a chama que atrai homens e mulheres, o "felino selvagem entre gatinhos domésticos". Ele permanece um mistério aos olhos de Victoria, que recusa submeter-se às suas ordens ríspidas. Por seu lado, Jason não sabe como reagir ao temperamento explosivo da jovem americana. A relação de ambos é tão excitante quanto impossível. Sobre ela paira - negra e omnipresente - a sombra do passado com os seus mistérios, segredos e crimes…

A minha opinião: 
Um romance clássico, de fácil leitura, apesar das quase quatrocentos e quarenta páginas de história. 

Uma das características da maioria dos romances de época que li, e que os torna muito semelhantes entre si, mas também adequados para determinados momentos em que se pretende relaxar e vaguear sem pensar, é possuírem um enredo focado em personagens fascinantes e carismáticas, privilegiadas, envolvidas numa paixão com muitos capítulos, que tem um derradeiro final feliz, contada por uma maga da escrita. As personagens secundárias tem o papel assegurado como vilãs ou gentis cavalheiros ou perfeitas damas. 
Um regresso ao passado, na trama e por vezes na vivência da leitora (como é o meu caso), que mergulho num tempo de inocência e devaneio com um romance de encantar. 

Escrita fluída e ritmada, que arrebata as mais românticas e sonhadoras, com a história da pobre, desamparada, corajosa, hábil e lindíssima jovem que vai apaixonar-se pelo viril, belo e temido protector, "sobrinho" do primo que a acolhe quando órfã. Muitas peripécias e muitos confrontos. Jason é um homem marcado por um passado sofrido que o levou ao sucesso e à fortuna, mas relutante em ceder ao amor.

Um livro que nos dá exatamente o que esperamos.

domingo, 5 de outubro de 2014

A mulher de Cabelos Loiros e o Homem do Chapéu

Autor: Deborah McKinlay
Edição: 2014/ agosto
Páginas: 240
ISBN: 9789892328003
Editora: ASA

Sinopse: 
Tudo começa com uma carta.
Eve Petworth escreve-a com o objetivo de felicitar um dos seus escritores favoritos. 
Jackson Cooper lê-a e, embora tenha tudo o que um escritor de fama mundial possa desejar, sente uma ligação imediata com a sua autora. Algo que, percebe então, o sucesso e o dinheiro não compram. 
Não se conhecem pessoalmente e têm pouco – ou mesmo nada – em comum.

Eve é inglesa e vive voluntariamente enclausurada em casa. O mundo fora de portas angustia-a. As relações sociais paralisam-na. É uma romântica que se condenou à solidão. 
Jackson é americano e vive rodeado de pessoas, principalmente mulheres. Mas ninguém consegue ajudá-lo a ultrapassar o bloqueio criativo que o atormenta secretamente. É um artista sem rumo. 
Em jeito de evasão, Jackson transfere o seu impulso criativo para a cozinha. Infelizmente, a sua nova namorada é vegetariana e pouco dada a devaneios gastronómicos. Essa é uma lacuna que Eve está mais do que habilitada a preencher, dada a energia que dedica às mais delicadas e complexas iguarias. E quando trocam receitas e segredos culinários, a distância entre ambos quase se extingue. Uma distância que é simultaneamente reconfortante (para Eve) e tentadora (para Jackson). 
O escritor está disposto a arriscar quebrar a magia que esta improvável amizade trouxe à sua vida e propõe um encontro na cidade mais gourmet do mundo: Paris.
Não podia saber que a ansiedade patológica de Eve torna esse sonho impossível...

A minha opinião: 
Uma histórira que nos é contada com tal delicadeza, que damos por nós atentos a duas personagens em dois pontos distintos do globo terreste com uma atração comum... por comida. Não por gula, mas requinte e sofisticação de duas almas gémeas que nada sabem uma da outra, e que retiram prazer no ato de preparar saborosos pratos, que degustam deliciados e partilham um com o outro.

O tipo de envolvência que confundimos com ligeireza ou leveza, num enredo que convida a uma leitura serena.  

"Uma leitura que se abranda, de propósito, para apreciar a escrita, o humor nas frases breves, as descrições evocativas das refeições e dos cenários. (...) Um livro que nos faz sentir a solidão que estava subjacente na história que saía das páginas."  

O titulo intriga por parecer inusitado e nada revelar. A imagem da dama da capa transporta-nos para o passado e a sinopse convida à leitura para quem tem esse vício. Quem resiste a um platónico contacto com o seu escritor favorito iniciado por carta?! As palavras certas para um escritor bloqueado e desencantado, de uma admiradora com um outro tipo de bloqueio, resultado de carregar um fardo demasiado pesado durante muito tempo. Um fardo que a progenitora lhe colocara em cima sem contemplações. Um ímpeto de momento de profundo prazer levaram-na a escrever uma breve missiva, que desencadeou uma intensa correspondência entre ambos. 

Um livro que consegue fazer o que as boas histórias sempre conseguem: fazer-nos esquecer de nós.

sábado, 4 de outubro de 2014

Viagem ao Fim do Coração

Autor: Ana Casaca
Edição: 2014/ setembro
Páginas: 328
ISBN: 9789897021152
Editora: Guerra & Paz

Sinopse: 
Num romance toda a nossa vida: como a queremos, como às vezes não a queremos.

Luísa ainda era uma adolescente. Tiago já era um jovem adulto. Conheceram-se na solidão de uma pequena praia, na margem de um rio. Tinham em comum uma relação familiar traumática. Num caso, o trauma do amor dos pais. No outro, o trauma do ódio dos pais. Conheceram-se num dia que pareceu conter uma vida inteira. Mas teriam ficado separados para sempre, se a invisível linha de uma doença que rói o corpo e anuncia a morte não os tivesse voltado a ligar, dezasseis anos depois. Luísa e Tiago podem até redescobrir o amor, mas apenas se a silenciosa presença das metástases não se alastrar aos seus corações. 
"Viagem ao Fim do Coração" é mais do que uma comovente história de amor. É a recriação de um admirável mundo de pais e mães, filhos e irmãos, ódios e amores. Revela os pesadelos de um cancro injusto, mas não abdica do que é humano e essencial, o sonho.

A minha opinião: 
Há livros que nos tocam de uma maneira única. Este é demasiado real, ou não fosse inspirado numa história verídica. Talvez por isso, cria uma ligação com o leitor, que fica a pensar na personagem e nas suas circunstâncias, mesmo quando não está debruçado sobre as páginas do livro. Mesmo depois de o terminar, não quer ler sobre qualquer outra pessoa.

Neste romance, o que me chamou de imediato a atenção foi quem o escreveu - Ana Casaca. E logo decidi que tinha de o ler, antes de o virar para ler a sinopse. Depois, vacilei na minha determinação. Aprecio a capacidade criativa e mestria da escrita da autora, ao captar sentimentos e emoções por palavras pungentes e sinceras, lindas e comoventes, mas nesta narrativa, isso seria avassalador para mim.

Luisa é uma personagem excecional, inspirada em Rita, uma jovem brilhante que se deslocava para os tratamentos de bicicleta e encarava a sua doença de frente, conversando sem pudor, sobre os seus medos e as suas dúvidas. Sem lamechices e pieguices, este é um romance forte e pragmático, que tem o amor como o elo vital entre todas as personagens que alternadamente tem voz nesta narrativa. O amor filial do Tiago em oposição ao desamor filial de Luísa e Pedro, ou o amor fraternal entre Luísa e Pedro, bem como o profundo e verdadeiro amor entre Tiago e Luísa.

Talento em contar uma história. E que história! Uma história que não podia perder. Obrigado Cristina.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Veneza Pode Esperar

Autor: Rita Ferro
Edição: 2014/ janeiro
Páginas: 240
ISBN: 9789722054065
Editora: Dom Quixote

Sinopse: 
São raríssimas as autoras portuguesas que abrem a porta da sua intimidade aos leitores. Ao fim de duas dezenas de títulos, Rita Ferro corre esse risco oferecendo-nos a narrativa diária de alguns meses da sua vida, sem artifícios literários, num dos períodos mais sombrios e no rescaldo de perdas nucleares: o maior amigo, a casa onde investiu todas as economias, a mãe, o afastamento daquele que pode ter sido o seu grande amor.

Veneza Pode Esperar é o balanço autobiográfico de uma pósfeminista pragmática, mas aberta ao mistério, às voltas com o malestar contemporâneo, ao longo de 240 páginas tonalizadas pelo humor, a auto-ironia e a amarga lucidez de quem sabe perder, onde o presente se confunde com a memória e a escritora com uma das suas personagens.

Trata-se do primeiro volume de um diário íntimo, coleccionável como um folhetim, sem happy end nem beijos ao pôr do Sol.

A minha opinião: 
Pensamentos e memórias num tom agridoce. Um desnudar de alma que me surpreendeu e me prendeu a uma leitura que tanto me deu.  

Tal como a Rita só tenho um critério. Leio o que me apetece quando me apetece. E sofro de breves falhas de memória quando tenho que referir um título ou um autor. Sei o que li e o que extraí, mas raramente consigo acrescentar o suficiente ou enaltecer uma obra como merece. Não me tenho em tão grande conta que receie fazer figura de idiota. Este é um pequeno fragmento que retive, mas muitos serão os laços que senti com uma Rita que não conheço. 

Um livro de sentimentos. Solidão, desfasamento, tédio, dificuldades e muitas pequenas e grandes alegrias que me fizeram soltar estridentes gargalhadas. Sentido critico acutilante para um humor refinado, ou nem tanto.     

Tudo isto para exprimir numa só palavra - ADOREI!! 

O Francoatirador Paciente

Autor: Arturo Pérez-Reverte
Edição: 2014/ julho
Páginas: 240
ISBN: 9789892327808
Editora: ASA

Sinopse:
Sniper é uma lenda viva no mundo da arte de rua. Subversivo e omnipresente na tela urbana, ninguém conhece a sua identidade, poucos terão visto o seu rosto, não há relatos do seu paradeiro. Quem é o verdadeiro Sniper por detrás deste enigma que o mistifica? É um heroico cruzamento de Salman Rushdie e Banksy, um justiceiro solitário? Ou um terrorista urbano, um enomaníaco cujas ações já se revelaram fatais?

Alejandra Varela, especialista em arte, decide seguir os passos deste homem sem lei. Uma mira telescópica de francoatirador assina todos os trabalhos de Sniper, e é essa mira que leva Alejandra a infiltrar-se no submundo de Madrid e Lisboa, Verona e Nápoles. Cidades que são os campos de batalha prediletos deste caçador solitário. Mas, a coberto das sombras, uma outra pessoa aguarda para descobrir o paradeiro de Sniper, embora as suas motivações sejam bem diferentes… 
Segue-se um formidável duelo de inteligências, um jogo de perseguição entre caçador e presa cujo final é, no mínimo, surpreendente.
Thriller centrado no obscuro e inexplorado submundo da arte urbana, nas suas leis e códigos éticos próprios, na frágil distinção entre arte e vandalismo, O Francoatirador Paciente é um convite à reflexão sobre a identidade urbana, a arte e o artista moderno.

A minha opinião:
Tema forte e bem explorado: a arte urbana. Numa sociedade que tudo domestica, compra e torna seu, a arte atual só pode ser livre e só pode realizar-se na rua, e ao realizar-se na rua só pode ser ilegal, porque é exercida em território alheio aos valores que a sociedade atual impõe. Dá que pensar. Principalmente quando, para além da transgressão e adrenalina, o graffiti torna possível uma camaradagem invulgar noutros ambientes, anónima por detrás de cada tag

"Lá fora, (...) enquanto agitas o spray, cheiras a tinta fresca que outro writer deixou na mesma parede como se cheirasses o seu rasto, sentes-te parte de algo. Sentes-te menos sozinha. Menos ninguém." (pag. 32)

Li há algum tempo atrás "O Tango da Velha Guarda" e fiquei rendida a uma escrita madura, segura, numa bem concebida e elaborada trama, com duas personagens memoráveis. Esperava sentir o mesmo entusiasmo com "O Francoatirador Paciente". Mas essa expectativa talvez tenha sido prejudicial, porque, apesar da inegável qualidade deste romance, não acarinhei tanto este enredo e estas personagens. 

O ritmo é pausado, e daí a minha dificuldade em classificá-lo como thriller, porque não senti senti aquela tensão e suspense que associo a esse género. Alguma curiosidade apenas, em perceber a motivação real de Alejandra Varela ao procurar descobrir a identidade do talentoso Sniper, e como a sua reputação o consagrara tanto perante outros writters que arriscavam a vida para concretizar os desafios que lançava. O final é o que mais impacto tem.   

Uma leitura que recomendo, porque, noutro momento, tirarei melhor partido dela.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A Amante

Autor: James Patterson com David Ellis
Edição: 2014/ junho
Páginas: 352
ISBN: 9789898626417
Editora: Topseller

Sinopse:
No seu thriller mais excitante, James Patterson mergulha-nos nas profundezas de uma mente torturada. Uma perseguição implacável através de um mundo de perigos e enganos. 
O jornalista Ben Casper é paranoico e obsessivo. E a maior e mais compulsiva das suas fixações é Diana, a bela mas inacessível mulher dos seus sonhos.

Quando ela é encontrada morta, após uma queda da varanda do seu apartamento, as autoridades não hesitam em considerar que é um suicídio. Mas Ben conhecia bem Diana e sabe que ela nunca se mataria. Convence-se de que a amiga foi assassinada e embarca numa aventura arriscada para conseguir prová-lo. 
O jornalista descobre, porém, que ela levava uma vida dupla, e à medida que outras pessoas envolvidas na vida de Diana morrem em circunstâncias questionáveis, torna-se evidente que alguém não quer que a verdade venha ao de cima. E, a menos que Ben desista da sua investigação, ele pode ser o próximo a «sair de cena».

A minha opinião:
James Patterson é sobejamente conhecido para perder mais tempo com considerações sobre a sua capacidade criativa.  É o caso com este enredo num ritmo rápido e enérgico, por um protagonista como Ben Casper, em que seguimos os seus devaneios e delírios numa perseguição implacável que lhe é dirigida sem que ele pare de procurar a verdade. Um tanto irreal a resistência deste talentoso jornalista em superar obstáculos que destruiriam a maior parte das pessoas, apesar de ele ser inventivo, determinado e brilhante, enquanto ainda tinha que lidar com os demónios da sua infância.  

Chantagem e conspiração internacional numa trama ardilosa e retorcida para um herói das novas tecnologias. Ação e suspense como só James Patterson nos pode oferecer.

domingo, 7 de setembro de 2014

Um amor perdido

Autor: Anna McPartlin
Edição: 2014/ agosto
Páginas: 354
ISBN: 9789897261428
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
A 21 de junho de 2007 Alexandra Kavanagh saiu de casa, falou com a vizinha, meteu-se no comboio, chegou à estação de Dalkey e desapareceu... Tom está destroçado. Não encontra a mulher, o seu mundo desmoronou e o seu único objetivo é localizá-la.
Durante dezassete anos, Jane cuidou do filho Kurt, da excêntrica irmã Elle, e da rabugenta mãe Rose. A única pessoa de que não cuida é dela própria.

Elle é artista e considerada um génio. Como tal, o seu comportamento um tanto errático é tolerado. Embora a sua vida pareça perfeita, a tristeza de Elle é por vezes profunda.
Leslie perdeu toda a família para o cancro. Passou vinte anos à espera de morrer, mas após uma operação radical está determinada a viver de novo.
Quatro meses depois do desaparecimento de Alexandra. Tom entra num elevador com Jane, Elle e Leslie para um concerto de Jack Lukeman. Uma hora mais tarde, os quatro desconhecidos saem de lá com as suas vidas entrelaçadas para sempre. Um Amor Perdido aborda o alcoolismo, a depressão, a negação e a dor e ainda assim irá dar por si a sorrir e até a rir.

Outrora Jane e Alexandra eram inseparáveis - partilhavam aventuras, segredos e grandes sonhos para o futuro. Porém, quando Jane engravidou aos dezoito anos, elas afastaram-se. Dezassete anos depois, Jane descobre que Alexandra desapareceu e decide ajudar o marido de Alexandra, Tom, a encontrar a mulher. Contudo, enquanto procura Alexandra, Jane terá de enfrentar algumas grandes questões sobre si mesma. O que aconteceu à jovem alegre que ela foi? O que acontecerá se deixar de tentar controlar o mundo? E o amor significa realmente dar asas aos outros? Duas pessoas destroçadas encontram-se acidentalmente e descobrem uma na outra força, amizade - e até o início da esperança...

A minha opinião:
Há coisas que não entendo! Esta capa é demasiado colorida, assim como este título demasiado lamechas para o tipo de leitura que proporciona, mais exigente do que aparenta e mais forte do que iludidas irão encontrar. Poderão não o apreciar devidamente e certamente, que afasta leitores mais sérios. 

Não é um romance para se ler de ânimo leve porque a trama e as personagens não são para brincadeiras. A família Moore com Rose, Jane e Elle, são passivo-agressivas na sua relação com os outros e inclusive entre si, e se parecem uma família disfuncional é porque não se aperceberam dos laços que as liga, bem como a Kurt, Dominic e Irene. 

O desaparecimento da melhor amiga de infância de Jane e um claustrofóbico encontro num elevador entre um devastado marido que espalhava cartazes, uma solitária amargurada com um gene ameaçador que dizimara a sua família, e a presença da extravagante e louca artista Elmore, desencadeia uma sucessão de acontecimentos que tanto nos podem levar às lágrimas como ao riso, por compaixão com sentimentos de dor e sofrimento tão compreensíveis e transparentes, como pela coragem em responder prontamente aquilo que socialmente sabemos inadequado, mas sentimos vontade de soltar. 

Uma trama bem urdida, em que gradualmente vamos desvendando todos os segredos e motivações destas personagens que, parecem alucinadas ou irreais, mas são tão confusas e perturbadas como qualquer um que se disperse no mundo sem um amigo ou familiar que lhe dê a mão num momento chave. Personagens que cativam o leitor pelas suas fraquezas.

Nem no final este romance é leve, fácil ou doce, portanto desenganem-se se procuram uma leitura assim. Arriscam-se a ficar marcadas e a reverenciar Anna McPartlin pela sua capacidade em conceber e contar uma boa história.