segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Stoner

Autor: John Edward Williams
ReEdição: 2014/ novembro
Páginas: 263
ISBN: 9789722055567
Editora: Dom Quixote

Sinopse: 
Romance publicado em 1965, caído no esquecimento. Tal como o seu autor, John Williams - também ele um obscuro professor americano, de uma obscura universidade. 
Passados quase 50 anos, o mesmo amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia. 
Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: "É o melhor romance que ninguém leu". Porque é que um romance tão emocionalmente exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial nas mais diferentes latitudes? A resposta está no livro. Na era da hiper comunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta, partilhamos com ele a devoção à literatura, revemo-nos nos seus fracassos; sabendo que todo o desapontamento e solidão são relativos - se tivermos um livro a que nos agarrar.

A minha opinião: 
Stoner, deu-me que pensar, depois da inquietação inicial. Uma frieza ou distanciamento num relato de uma vida inteira como se fosse extra-corpóreo ou nada tivesse importância e apenas fosse um ritual de passagem apesar de alguns, muitos episódios serem carregado de tristeza e pesar. A sua identidade contida no seu amor ao conhecimento e ao ensino.

Prosa simples e elegante em que a paixão é disfarçada por uma inteligência límpida.. Dormência, indiferença, distanciamento ocultavam a paixão que na juventude Stoner dera ao conhecimento que lhe fora revelado por Archer Sloane, e depois a Katherine num romance de rara sensibilidade. Humilde e sem nunca perder os laços de sangue à terra dura que o viu nascer, Stoner assume-se como um homem de letras e a faculdade como o seu refúgio. O seu casamento envenenado, uma fonte de perturbação para mim como leitora, perante a passividade de Stoner quando Edith começou a usar a filha na batalha que travava contra ele. E Lomax, o seu inimigo na carreira que sem brilho mas com empenho e mérito desenvolvia. Tanta injustiça para um homem bom à luz dum tempo que sucintamente o autor recordou. Tanto que pensar depois do muito que nos faz sentir.

Um romance marcante. Um hino à literatura. 

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