segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O Regresso da Primavera

Autor: Sveva Casati Modignani
Edição: 2017/ outubro
Páginas: 400
ISBN: 978-972-0-03017-7
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Passamos muito tempo a perseguir sonhos que nos escapam da mão, uma felicidade que não se deixa aprisionar. E depois acontece que o melhor da vida se revela num instante, talvez na magia de um encontro inesperado. Como aquele que aconteceu entre Lorenzo e Fiamma, surpreendidos por um amor que nem mesmo eles, provavelmente, acreditavam ser ainda possível.

Lorenzo Perego, um homem fascinante e culto, é professor de Geografia Económica numa escola profissional de Milão. Poderia ter escolhido um estabelecimento de maior prestígio, mas o ensino é a sua paixão e ajudar jovens com talento numa realidade difícil e muitas vezes desoladora é um desafio que o entusiasma e enriquece.

Fiamma Morino, com pouco mais de 40 anos, é diretora editorial de uma pequena editora de sucesso que ela própria fundou. Agora que a editora está prestes a sofrer uma drástica mudança de gestão, com que Fiamma não concorda, está disposta a tudo para a defender e continuar a garantir o cuidado e o amor que desde sempre dedica aos seus autores.

Através das vivências de Fiamma e Lorenzo, conhecemos a Itália de hoje, a da crise da Escola e da Economia, mas também aquela que é feita de pessoas empreendedoras, prontas a arregaçar as mangas e decididas a não se renderem.

A minha opinião:
Um gosto adquirido. Não encontro outra explicação para ler qualquer um dos romances da Sveva logo que saiem. O mundo de afetos dos ricos e privilegiados seduz-me inexplicávelmente. Histórias que se centram em personagens bonitas, generosas, altruístas, em contextos profissionais específicos na velha Itália. Desta feita, temos o meio editorial e o pedagógico, com o foco na formação de caráter e de valores. A ténue critica social e política não falta.

Adorei o Lorenzo e Fiamma. Ambos brilham. O passado e o presente muito bem integrados na narrativa, dando-nos a conhecer bem os protagonistas. Uma fórmula em que a escritora é eximia. O equilibrio neste casal invejável tem um desfecho diferente que apreciei. 


Enredo sereno, escrita fluída e visual, são apenas alguns dos elogios que atribuo aos romances desta autora que não me surpreende tanto assim, mas conquista com as suas personagens. E acabo sempre por regressar com deleite. Resquícios da juventude, talvez. Romantismo tolo, quem sabe. Que me importa, gosto assim.

domingo, 22 de outubro de 2017

Homens sem Mulheres

Autor: Haruki Murakami
Edição: 2017/ setembro
Páginas: 256
ISBN: 9789897418105
Editora: Casa das Letras

Sinopse:
O que têm em comum os Beatles, Hemingway, François Truffaut, Woody Allen, Tchékhov, um rapaz chamado Gregor Samsa, um médico doente de amor e o dono de um bar de jazz? Haruki Murakami, pois claro. São sete os contos que dão forma ao mais recente livro: Homens sem Mulheres. Sete homens desencantados e a contas com a solidão. Sete histórias de solidão, mágoa e luto que desafiam os lugares- -comuns sobre o amor. Sete maneiras de traduzir a mesma melancolia, enquanto lá fora «a chuva continua a cair, provocando no mundo inteiro um interminável calafrio». Mas não se deixem enganar: este livro está repleto de mulheres: desejadas, sonhadas, traídas, ouvidas, invocadas, incompreendidas, sobrevalorizadas, eternamente amadas e perdidas para sempre. Um dia, o leitor corre o risco de se transformar num homem sem mulheres. Depois não digam que não avisámos.

A minha opinião:
Nunca li nada de Haruki Murakami. Livros são os amigos que escolhemos ter e como tal sou razoávelmente seletiva. Não achei que Murakami pudesse ser incluido e deixei-o de fora.

Homens sem mulheres é exatamente isso, sete contos de homens sem mulheres.  Desamor, solidão, isolamento e muitos outros sentimentos são contemplados nestes contos numa escrita límpida, tão simples e honesta que fiquei a apreciar. 

Alguma melancolia mas adorei o primeiro conto "Drive my car"em que se assume que todos somos atores. "Yesterday", título da canção dos Beatles, letra inventada por um amigo improvável em que se reflete sobre as dores de crescimento na juventude. 

Na ausência de complicações e inquietações acumuldas, certas pessoas levam uma vida surpreendentemente artificial. O dr. Tokai em um "Orgão Independente" é para mim o conto mais marcante e dramático.

As mulheres têem o condão de anular a realidade mergulhando nela e sem essa intimidade feita de momentos especiais surge a consciência de uma profunda amargura como a Habara em Xerazade. Kino é mais misterioso, enigmático e impactante. Samsa saiu do quarto para aprender sobre o mundo e apaixonou-se. Homens sem mulheres é o último conto. Lidar com a perda no mundo quando se muda de perspetiva. Qualquer um pode saber. 

Qualquer um pode ler e mudar de opinião. 

domingo, 15 de outubro de 2017

Ao Fechar a Porta

Autor: B. A. Paris
Edição: 2017/ julho
Páginas: 264
ISBN: 9789722360593
Editora: Presença

Sinopse:
Quem não conhece um casal como Jack e Grace? Ele é atraente e rico. Ela é encantadora e elegante. Ele é um hábil advogado que nunca perdeu um caso. Ela orienta de forma esmerada a casa onde vivem, e é muito dedicada à irmã com deficiência. Jack e Grace têm tudo para serem um casal feliz. Por mais que alguém resista, é impossível não se sentir atraído por eles. a paz e o conforto que a sua casa proporciona e os jantares requintados que oferecem encantam os amigos. Mas não é fácil estabelecer uma relação próxima com Grace... Ela e Jack são inseparáveis. 

Para uns, o amor entre eles é verdadeiro. Outros estranham Grace. Por que razão não atende o telefone e não sai à rua sozinha? Como pode ser tão magra, sendo tão talentosa na cozinha? Por que motivo as janelas dos quartos têm grades? Será aquele um casamento perfeito, ou tudo não passará de uma perfeita mentira?

A minha opinião:
Reparei neste livrinho. Quando a oportunidade surgiu, não a deixei passar. A sua legitima proprietária teceu elogios e eu fiquei muito curiosa. Daí, a pedi-lo emprestado foi um instantinho. Obrigado Célia.

A tentação da perfeição. O idílico "principe encantado". O sonho realizado em seis meses. A independência financeira abdicada em torno de uma vida a dois. A autonomia suspensa pela promessa de amor conjugal e maternidade.A capacidade de manipular e encantar os mais próximos. Tudo possível de se tornar um pesadelo sufocante. 

Jack e Grace, o aparente casal perfeito. Grace, a vitima silenciada pelo amor à irmã Millie, portadora de sindroma de Down, que conhecemos quando Grace recorda o início do relacionamento. A capacidade de resistir a um sádico jogo de extrema violência psicológica. A vingança no fim. 

Primeiro romance. Gostei.  Ótimas personagens num enredo credível e muito perturbador. Narrativa interrompida por breves momentos para respirar. Expetativa com futuros romances.

O Décimo Terceiro Conto

Autor: Diane Setterfield
Edição: 2007/ abril
Páginas: 366
ISBN: 978-989-84-7028-7
Editora: Marcador

Sinopse:
O Décimo Terceiro Conto narra o encontro de duas mulheres: Margaret, jovem, filha de um alfarrabista, biógrafa amadora, e Vida Winter, escritora famosa, que, sentindo aproximar-se o final dos seus dias, convida a primeira para escrever a sua biografia. Na sua casa de campo, a escritora decide contar a verdadeira história da sua vida, revelando um passado misterioso e cheio de segredos. As duas vão partilhar vivências profundas, resgatando velhas memórias e confrontando-se com fantasmas há muito adormecidos. Sem que pudessem inicialmente prever, acabam por entrelaçar as suas vidas de forma tão intensa, que o resultado não poderia ser outro que não uma inesquecível história de amor, amizade e solidão.

A minha opinião:
Guardei este livro durante tanto tempo por ler. Até ao dia, em que precisei do encantamento das palavras, desejosa de ficar arrebatada com uma boa história e profundamente embrenhada numa narrativa e pensei neste livro.

Encontrei Margaret Lea, que partilha comigo o mesmo anseio nostálgico pelo prazer perdido dos livros. E Vida Winter, uma escritora já idosa com um passado misterioso, que contrata Margaret, desconhecida biógrafa, para contar a sua história. A verdadeira, enquanto todos os seus leitores aguardam "O Décimo Terceiro Conto" do seu primeiro livro incompleto.

Angelfield. A casa, os destinos de George e Mathilde, dos seus filhos Charlie e Isabelle, das netas gémeas Emmeline e Adeline, e o fantasma. Sem esquecer os empregados Missus, John-da-enxada e Judith, personagens secundárias, que provavelmente vivem para lá das páginas deste livro. A estranheza como marca de familia. O isolamento e o medo. Fragmentos de vidas que se colam a quem lê e tenta imaginar um tempo e um lugar distantes, em que recordam outras leituras, como a de Kate Morton, detentora do mesmo poder de transfigurar o real. Simplesmente brilhante. 

Uma história com princípio, meio e... um extraordinário fim. Puzzles, mistérios e segredos. Um verdadeiro romance. Completo. Intemporal. Um insuspeito gosto para amantes de livros. 

Numa casa com crianças não pode haver segredos. 

domingo, 1 de outubro de 2017

A Mulher Secreta

Autor: Anna Ekberg
Edição: 2017/ agosto
Páginas: 480
ISBN: 9789892339610
Editora: Edições Asa

Sinopse: 
O que faria se descobrisse que a sua vida não é sua?

Louise tem tudo para ser feliz. Gere um café que adora numa ilha dinamarquesa, onde mora com o namorado, Joachim. E Louise é, de facto, feliz. Até ao dia em que um homem entra no café e vira a sua vida do avesso. Trata-se de Edmund, que jura que Louise se chama, na verdade, Helene, e é a sua mulher, desaparecida há três anos. E tem provas…

Depressa se torna evidente que Louise não é quem julga ser. É, sim, Helene Söderberg, herdeira de uma vasta fortuna, proprietária de uma grande empresa, mãe de dois filhos pequenos e casada com um marido dedicado. Mas há perguntas que permanecem sem resposta. Porque é que ela não se lembra de nada? Quais são os seus planos para o futuro quando desconhece por completo o passado? 

Conseguirá recuperar o amor dos seus filhos? E os sonhos que partilhou com Joachim?
Obrigada a retomar a sua vida misteriosamente interrompida, Helene é posta à prova de uma maneira tão brutal quanto comovente. Mas no seu coração continua a existir um lugar especial para Louise, a mulher que, por momentos, viveu a vida dos seus sonhos.

Um thriller romântico intenso e visceral sobre traição, ganância, laços de família… e um amor avassalador.

A minha opinião: 
Esta sinopse suscitou a minha curiosidade. Intencional, mas não original. A premissa de uma mulher rica e poderosa que desaparece e reaparece anos depois porque não foi esquecida, enquanto ela esqueceu tudo e todos porque sofre de amnésia dissociativa, não é novidade. Ainda assim, não lhe resisti. 

Julguei que o desvendar do mistério tornaria esta leitura imparável, mas tal não aconteceu de início. Julguei que Anna Ekberg seria uma autora, mas é o pseudónimo de uma dupla de autores que sabe que num thriller nada é o que parece, a verdade é sempre outra e precisamos de estar muito atentos para perceber o engano na história que nos contam. O narrador acompanha os dois protagonistas que separadamente procuram descobrir nos detalhes a verdade e recuperar o que julgam perdido. Por amor, Joachim não desistiu. E a trama adensa-se muito para lá da minha imaginação. Gosto disso. Crime no passado  por ganância,  crime no presente por ódio. E nada mais devo revelar. 

A meu ver, os autores nórdicos impõem um cunho diferentes na sua escrita e nos seus enredos. Menos descritiva e mais direta ou acessivel. Sorri quando li - "Bem-vindos à Dinamarca, pensa Joachim. Aqui, até as putas andam de bicicleta." (pag.199) O ambiente frio e escuro dos seus dias provoca arrepios no sentido da sua escrita. 

"Não há dúvida, a mulher secreta perdoa aos homens o seu ódio pelas mulheres." (pag. 452)