domingo, 15 de outubro de 2017

Ao Fechar a Porta

Autor: B. A. Paris
Edição: 2017/ julho
Páginas: 264
ISBN: 9789722360593
Editora: Presença

Sinopse:
Quem não conhece um casal como Jack e Grace? Ele é atraente e rico. Ela é encantadora e elegante. Ele é um hábil advogado que nunca perdeu um caso. Ela orienta de forma esmerada a casa onde vivem, e é muito dedicada à irmã com deficiência. Jack e Grace têm tudo para serem um casal feliz. Por mais que alguém resista, é impossível não se sentir atraído por eles. a paz e o conforto que a sua casa proporciona e os jantares requintados que oferecem encantam os amigos. Mas não é fácil estabelecer uma relação próxima com Grace... Ela e Jack são inseparáveis. 

Para uns, o amor entre eles é verdadeiro. Outros estranham Grace. Por que razão não atende o telefone e não sai à rua sozinha? Como pode ser tão magra, sendo tão talentosa na cozinha? Por que motivo as janelas dos quartos têm grades? Será aquele um casamento perfeito, ou tudo não passará de uma perfeita mentira?

A minha opinião:
Reparei neste livrinho. Quando a oportunidade surgiu, não a deixei passar. A sua legitima proprietária teceu elogios e eu fiquei muito curiosa. Daí, a pedi-lo emprestado foi um instantinho. Obrigado Célia.

A tentação da perfeição. O idílico "principe encantado". O sonho realizado em seis meses. A independência financeira abdicada em torno de uma vida a dois. A autonomia suspensa pela promessa de amor conjugal e maternidade.A capacidade de manipular e encantar os mais próximos. Tudo possível de se tornar um pesadelo sufocante. 

Jack e Grace, o aparente casal perfeito. Grace, a vitima silenciada pelo amor à irmã Millie, portadora de sindroma de Down, que conhecemos quando Grace recorda o início do relacionamento. A capacidade de resistir a um sádico jogo de extrema violência psicológica. A vingança no fim. 

Primeiro romance. Gostei.  Ótimas personagens num enredo credível e muito perturbador. Narrativa interrompida por breves momentos para respirar. Expetativa com futuros romances.

O Décimo Terceiro Conto

Autor: Diane Setterfield
Edição: 2007/ abril
Páginas: 366
ISBN: 978-989-84-7028-7
Editora: Marcador

Sinopse:
O Décimo Terceiro Conto narra o encontro de duas mulheres: Margaret, jovem, filha de um alfarrabista, biógrafa amadora, e Vida Winter, escritora famosa, que, sentindo aproximar-se o final dos seus dias, convida a primeira para escrever a sua biografia. Na sua casa de campo, a escritora decide contar a verdadeira história da sua vida, revelando um passado misterioso e cheio de segredos. As duas vão partilhar vivências profundas, resgatando velhas memórias e confrontando-se com fantasmas há muito adormecidos. Sem que pudessem inicialmente prever, acabam por entrelaçar as suas vidas de forma tão intensa, que o resultado não poderia ser outro que não uma inesquecível história de amor, amizade e solidão.

A minha opinião:
Guardei este livro durante tanto tempo por ler. Até ao dia, em que precisei do encantamento das palavras, desejosa de ficar arrebatada com uma boa história e profundamente embrenhada numa narrativa e pensei neste livro.

Encontrei Margaret Lea, que partilha comigo o mesmo anseio nostálgico pelo prazer perdido dos livros. E Vida Winter, uma escritora já idosa com um passado misterioso, que contrata Margaret, desconhecida biógrafa, para contar a sua história. A verdadeira, enquanto todos os seus leitores aguardam "O Décimo Terceiro Conto" do seu primeiro livro incompleto.

Angelfield. A casa, os destinos de George e Mathilde, dos seus filhos Charlie e Isabelle, das netas gémeas Emmeline e Adeline, e o fantasma. Sem esquecer os empregados Missus, John-da-enxada e Judith, personagens secundárias, que provavelmente vivem para lá das páginas deste livro. A estranheza como marca de familia. O isolamento e o medo. Fragmentos de vidas que se colam a quem lê e tenta imaginar um tempo e um lugar distantes, em que recordam outras leituras, como a de Kate Morton, detentora do mesmo poder de transfigurar o real. Simplesmente brilhante. 

Uma história com princípio, meio e... um extraordinário fim. Puzzles, mistérios e segredos. Um verdadeiro romance. Completo. Intemporal. Um insuspeito gosto para amantes de livros. 

Numa casa com crianças não pode haver segredos. 

domingo, 1 de outubro de 2017

A Mulher Secreta

Autor: Anna Ekberg
Edição: 2017/ agosto
Páginas: 480
ISBN: 9789892339610
Editora: Edições Asa

Sinopse: 
O que faria se descobrisse que a sua vida não é sua?

Louise tem tudo para ser feliz. Gere um café que adora numa ilha dinamarquesa, onde mora com o namorado, Joachim. E Louise é, de facto, feliz. Até ao dia em que um homem entra no café e vira a sua vida do avesso. Trata-se de Edmund, que jura que Louise se chama, na verdade, Helene, e é a sua mulher, desaparecida há três anos. E tem provas…

Depressa se torna evidente que Louise não é quem julga ser. É, sim, Helene Söderberg, herdeira de uma vasta fortuna, proprietária de uma grande empresa, mãe de dois filhos pequenos e casada com um marido dedicado. Mas há perguntas que permanecem sem resposta. Porque é que ela não se lembra de nada? Quais são os seus planos para o futuro quando desconhece por completo o passado? 

Conseguirá recuperar o amor dos seus filhos? E os sonhos que partilhou com Joachim?
Obrigada a retomar a sua vida misteriosamente interrompida, Helene é posta à prova de uma maneira tão brutal quanto comovente. Mas no seu coração continua a existir um lugar especial para Louise, a mulher que, por momentos, viveu a vida dos seus sonhos.

Um thriller romântico intenso e visceral sobre traição, ganância, laços de família… e um amor avassalador.

A minha opinião: 
Esta sinopse suscitou a minha curiosidade. Intencional, mas não original. A premissa de uma mulher rica e poderosa que desaparece e reaparece anos depois porque não foi esquecida, enquanto ela esqueceu tudo e todos porque sofre de amnésia dissociativa, não é novidade. Ainda assim, não lhe resisti. 

Julguei que o desvendar do mistério tornaria esta leitura imparável, mas tal não aconteceu de início. Julguei que Anna Ekberg seria uma autora, mas é o pseudónimo de uma dupla de autores que sabe que num thriller nada é o que parece, a verdade é sempre outra e precisamos de estar muito atentos para perceber o engano na história que nos contam. O narrador acompanha os dois protagonistas que separadamente procuram descobrir nos detalhes a verdade e recuperar o que julgam perdido. Por amor, Joachim não desistiu. E a trama adensa-se muito para lá da minha imaginação. Gosto disso. Crime no passado  por ganância,  crime no presente por ódio. E nada mais devo revelar. 

A meu ver, os autores nórdicos impõem um cunho diferentes na sua escrita e nos seus enredos. Menos descritiva e mais direta ou acessivel. Sorri quando li - "Bem-vindos à Dinamarca, pensa Joachim. Aqui, até as putas andam de bicicleta." (pag.199) O ambiente frio e escuro dos seus dias provoca arrepios no sentido da sua escrita. 

"Não há dúvida, a mulher secreta perdoa aos homens o seu ódio pelas mulheres." (pag. 452)

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A Maravilha Imperfeita

Autor: Andrea de Carlo
Edição: 2017/ julho
Páginas: 352
ISBN: 9789722062282
Editora: Dom Quixote

Sinopse: 
Tudo se passa na Provença, no outono, quando as primeiras névoas húmidas se entrecruzam com um longo rasto de calor quase estival. As vilas e as aldeias vão-se esvaziando de habitantes e turistas. Não obstante, prepara-se ainda um grande evento - o concerto de uma célebre banda inglesa, em parte com fins humanitários e em parte para comemorar o terceiro casamento de Nick Cruickshank, vocalista e carismático líder do grupo. Fervilham os preparativos, integralmente organizados com pulso firme por Aileen, a futura mulher de Nick.

Na vila há uma gelataria cuja gerente é uma jovem italiana, Milena, que cria, pensa e experimenta gelados com uma tensão de artista. Milena vive há alguns anos uma relação sólida com uma mulher estável e forte, quase a compensar a evanescência dos gelados, a ponto de se ir submeter dentro de alguns dias à fecundação assistida - um importante passo que talvez não tenha decidido. Sem o confessar, sente-se insegura. Tal como Nick, que pergunta a si mesmo a partir de quando a sua relação com Aileen perdeu o encanto dos primeiros tempos. 

Assim se cruzam os destinos de um famoso rocker inglês e de uma rapariga italiana e, no decurso de três dias, de quarta a sexta-feira, tudo se acelera e precipita num turbilhão inevitável e entusiasmante.

A minha opinião: 
Nesta curiosa demanda por novos autores tenho sido avassalada por revelações e sensações "numa corrente em que a perplexidade e a curiosidade se misturam em doses iguais". (pag.249) 

"- Porque é que a maravilha é imperfeita?
(...)
- Porque não dura.
(...)
- Desaparece. Juntamente com o espanto, a curiosidade, a atenção milimétrica, o divertimento, o prazer, a alegria que continha."           (pag. 112)

O livro não me passou despercebido. Admitamos que não é fácil. A maravilha a que se refere é a que é apresentada na capa, mas não só.  As relações considerando o temperamento de cada um e a sua maneira de reagir às circunstâncias, o conflito de aspirações e exigências que surgem, o equilibrio que é preciso manter sem deixar de ser verdadeiro. Alternando a voz feminina com a masculina, a ligeireza com a profunidade, o simples com o complexo, a comédia com o drama, num romance em que se sobrepõem perguntas dela e dele, de quarta a sábado em trinta e cinco capítulos.

Na contracapa lemos " A vida é demasiado curta para a desperdiçarmos a concretizar sonhos dos outros" e também é disso que se trata. O sentimento de pertença e a liberdade de ser distinto, numa leitura enriquecedora e nada fácil de processar através da introspeção inevitável. Protagonistas cativantes mas perturbados porque sentem a corda à volta do pescoço. 

Fascinante. A escrita, o enredo e o sentido. Um romance que apela aos sentidos e nos deixa a cabeça à roda. Um livro que nos pode mudar.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Todas as Ondas do Mar

Autor: Kerry Lonsdale
Edição: 2017/ julho
Páginas: 336
ISBN: 9789896489410
Editora: IN

Sinopse:
Depois de um desastre avassalador destruir a sua família, Molly Brennan foge do amor da sua vida e dos erros trágicos que cometeu. Passados doze anos, tem uma vida nova com a sua filha de 8 anos, Cassie, num ambiente seguro e pleno de amor e carinho, algo que sempre faltou a Molly. Mas quando Cassie é atormentada com visões assustadoras e pesadelos terríveis, Molly vê-se obrigada a regressar ao único local onde jurou nunca voltar: a sua casa de infância.

A minha opinião:
De quando em vez gosto de ler um romance leve. Um romance sobre almas gémeas/ amores duradoures, laços de familia e capacidades extraordinárias. Um romance sobre mulheres. A avó Nana, a neta Molly e a bisneta Cassie, personagens que inspiram afeto e compaixão. A filha, falecida, não é esquecida porque a sua sorte afetou as pessoas que mais amava que sentiam saudade e remorso.

Molly é uma talentosa artista que consegue transformar o que é considerado lixo, o vidro poroso que encontrava na areia da praia em belissimas peças de arte, mas não se dá valor. Foi maltratada e desvalorizada, como a mãe. Cassie é uma criança brilhante que sofre com a sua clarividência. E Nana, é uma avó como qualquer pessoa gostaria de ter. Maternal e sábia, que se preparou para o regresso da sua familia e sofre em segredo. A união destas mulheres é magnética e a narrativa gira em torno delas e do unico elemento masculino que vale a pena ler - Owen. 

Esperança, espanto e amor. O que procuramos num romance. Uma fórmula simples que resulta se as personagens forem envolventes e convincentes, num cenário idilico e com um enredo bem desenvolvido. Gostei muito e fiquei muito curiosa com o romance anterior "Os segredos que guardamos", que se possível, vou querer ler.

sábado, 9 de setembro de 2017

Os Falsários

Autor: Bradford Morrow
Edição: 2017/ agosto
Páginas: 264
ISBN: 9789897243813
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
Na tradição dos policiais de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, um romance misterioso e profundo sobre o fascínio do colecionismo e o lado sombrio do comércio de livros raros.

O que acontece quando mentimos tão bem que perdemos a noção do que é real? Numa prosa magnificamente cuidada, Bradford Morrow traça uma linha débil entre o devaneio e a intuição, a memória e a ficção autoilusória, entre o amor verdadeiro e o falso.

Uma comunidade bibliófila é abalada com a notícia de que Adam, um colecionador de livros raros, foi atacado e as suas mãos decepadas. Sem suspeitos, a polícia não consegue avançar no caso, e a irmã procura desesperadamente uma pista.

Ao longo das páginas repletas de mistério e simbologias, escritores famosos e citações brilhantes, Will, cunhado e colega de profissão de Adam Diehl, tenta obter uma resposta e, ao mesmo tempo, escapar às ameaças do misterioso «Henry James». Consciente do simbolismo do caso, ele sabe que um homem sem mãos se vê privado do instrumento mais precioso quando se trata de imitar a caligrafia de William Faulkner, James Joyce, Conan Doyle e outros que tais. Na verdade, Will, ele próprio genial falsário, talvez saiba demais.

A minha opinião:
A capa, o título e a sinopse tornaram este livro irresistível para uma leitora como eu. Um livro sobre livros. Falsários. E um crime perturbador. Um inofensivo amante de livros foi alvo de um ataque macabro. 

Brilhantismo e astúcia para concretizar missivas convincentes em manuscritos antigos com a pretensa caligrafia do autor que os peritos não detetam. São estes os falsários de livros raros, cobiça de colecionadores. 

Vamos ao que interessa...
Livro pequeno que me irritou sobejamente e pensei amiude abandonar. Personagens sem brilho, relacionamentos sem chama e uma trama que não evoluia. Aguardava uma surpresa que renovasse a minha expectativa, entretanto baixa, de que esta poderia ser uma leitura empolgante e viciante. Soturno e amorfo era o que pensava. Finalmente cheguei ao fim e fui apanhada no susto. Fiquei ainda mais irritada, se tal era possível,  mas compreendi a argúcia do autor. E pensei melhor sobre o que lera. E apreciei, o que antes não acontecera. Uma outra perspetiva que talvez venha a deixar marca, o que não é fácil. 

Uma experiência inesperada. Não sendo o meu tipo, contráriamente ao que supus pelo que vi do seu exterior, acabou por ser fecundante.

Sr. Mercedes

Autor: Stephen King
Edição: 2017/ março
Páginas: 472
ISBN: 9789722530477
Editora: Bertrand

Sinopse:
Numa madrugada gelada, uma fila de desempregados desesperados vai crescendo para conseguir lugar numa feira de emprego. Inesperadamente, um condutor solitário avança sobre a multidão num Mercedes roubado, atropelando os inocentes; depois recua e torna a avançar. Oito pessoas são mortas, quinze ficam feridas. O assassino foge. Meses mais tarde, noutro lugar da mesma cidade, um polícia reformado chamado Bill Hodges continua perturbado pelo crime que ficou por resolver. Quando recebe uma carta demente de alguém que se autodenomina «O Assassino do Mercedes» e ameaça um ataque ainda mais diabólico, Hodges desperta da sua reforma deprimente e decide a todo o custo evitar uma nova tragédia.

Brady Hartsfield vive com a mãe alcoólica na casa onde nasceu. Adorou aquela sensação de morte ao volante do Mercedes, e quer sentir aquilo de novo. Só Bill Hodges, com os seus dois novos (e improváveis) aliados, pode deter o assassino antes que ataque de novo. E não têm tempo a perder, porque a próxima missão de Brady, se for bem-sucedida, irá chacinar milhares de pessoas. Sr. Mercedes é uma luta épica entre o bem e o mal, e a exploração da mente de um assassino obsessivo.


A minha opinião:
Stephen King está a meio da tabela dos escritores de ficção que em 2016 mais lucraram. Conhecedora desse dado pensei que o devia ler. E se não o fizera antes com o tipo de histórias que o tornaram rico, poderia começar com o Sr. Mercedes, vilão e protagonista desta história. Uma mente engenhosa que encontra satisfação num crime de oportunidade. 

Uma carta que envia ao então reformado policia Bill Hodges, a reclamar o protagonismo reinicia a investigação sem intervenção das autoridades. A dedução e intuição de Bill Hodges que se associa a Jerome fazem-no avançar, apaixonar-se e conhecer Holly, a última das particpantes nesta corrida contra o tempo para impedir um crime ainda mais hediondo. 

O percurso existencial das personagens não é descuidado e as suas forças e fraquezas expostas, o que torna este thriller muito interessante dada a complexidade emocional e intelectual que se revela em personagens que nos parecem estranhas, mas às quais ficamos completamente rendidos.  O brilhantismo da narrativa fazem desta um sucesso com aproximadamente 500 páginas que se lêem sem tédio. 

Muito fácil de ler. Não sendo muito violento é um thriller muito competente que gostei. 

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A amiga

Autor: Dorothy Koomson
Edição: 2017/ junho
Páginas: 496
ISBN: 978-972-0-04025-1
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Quando o marido é promovido, Cece Solarin muda-se para Brighton com os três filhos, animada com a possibilidade de um recomeço. No entanto, o ambiente do bairro que a acolhe parece-lhe ansioso e os vizinhos sobressaltados.

Cece descobre que, três semanas antes, Yvonne, uma das mães mais populares da zona, foi deixada às portas da morte, no pátio da escola dos filhos - a mesma onde se vê obrigada a inscrever os seus.

No primeiro dia de aulas, Cece conhece três mães muito diferentes que parecem querer ajudá-la neste novo começo. Mas Maxie, Anaya e Hazel são também amigas de Yvonne, e a polícia desconfia que uma delas poderá estar envolvida no crime.

Preocupada com a segurança dos filhos, Cece está decidida a descobrir a verdade…


A minha opinião:
Bestial!
Gosto tanto quando o enredo é tão envolvente e verossímel que as personagens tornam-se nossas amigas (ou inimigas) e a leitura tão viciante que as quase 400 páginas lêem-se num ápice.
Dorothy Koomson é uma quase estreia para mim porque o único livro que li era bom, mas sem deixar marca e sem a sinalizar como uma autora a seguir. Este romance quase me passou despercebido como sendo mais um romancezinho. A amiga é um título simples mas qualquer mulher sabe o quanto pode ser complexo. Na verdade, qualquer pessoa sabe. 
 
"... fazer amigos é surpreendentemente fácil, mas a malha que resulta dessa amizade é enganosamente complexa." (pag. 352)

Enganosamente semelhante a um outro romance de que muito gostei como "Pequenas Grandes Mentiras" de Liane Moriarty. E só isso era o bastante para eu o ler. Poderia ser uma desilusão, mas se não o superou ficou lá perto. As personagens marcantes e o suspense no muito que se pode revelar numa intriga que aparenta ser banal é um trunfo que a autora sabe usar com uma narrativa em que cada uma intervêm no tempo certo. Cece é uma nova amiga e a personagem central que vai desvendando toda a tramoia. 

E mais não conto, para não estragar o prazer da descoberta. 
Um prazer de ler!

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O Porto das Almas

Autor: Lars Kepler
Edição: 2017/ maio
Páginas: 392
ISBN: 978-972-0-04841-7
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Jasmin é uma mulher soldado do exército sueco colocada no Kosovo que vive para o filho, Dante, cujo pai é um camarada de armas, um homem instável que tenta afogar os horrores da guerra em álcool e drogas. No Kosovo, Jasmin fica gravemente ferida e, durante a hospitalização, enquanto se encontra entre a vida e a morte, a sua alma parte para uma misteriosa e sobrelotada cidade portuária, um porto de almas, de onde os que morrem jamais regressarão. Mas Jasmin é forte e consegue escapar.

Dois anos após a sua primeira experiência na cidade dos mortos, um acidente rodoviário obriga Jasmin, desta feita acompanhada pelo filho, a regressar: todavia, só ela é que consegue escapar ao porto das almas. O caso de Dante, que está à espera de uma operação, é muito mais grave, e Jasmin não pode abandoná-lo à mercê da cidade misteriosa: a sua única opção é voltar, uma vez mais, e lutar por quem ama, num jogo terrível de vida e morte no qual é provável que saia derrotada.


A minha opinião:
Um thriller sobrenatural. Pareceu-me um bom livro para desligar do anterior. Para mais, ainda não tinha lido nada desta dupla de escritores suecos que assina com o pseudónimo Lars Kepler, e este em particular foi muito bem recomendado.

O reino dos mortos representado por uma cidade portuária sem regras é onde quase toda a ação se passa, como elemento sobrenatural desta narrativa em dois tempos, ou melhor, em dois mundos paralelos. Jasmim é uma personagem forte marcada por uma quase morte que lhe trouxe memórias da cidade que a levaram a ser considerada desiquilibrada. A maternidade alterou o seu modo de vida em função do bem estar de Dante, mas quando um acidente de viação a faz regressar, verifica o que muitos sabem e não querem revelar.

A corrupção, a violência e a morte, com descrições tão visuais foi a parte menos empolgante desta leitura trepidante. Claro que se trata de um thriller, mas esta é uma caracteristica dos autores nórdicos, que não me distanciou tanto assim do livro anterior. Exímios neste género literário, o enredo é bem construído e a leitura fácil não deixa de nos contagiar com a adrenalina de Jasmin que luta para salvar o filho. 

Enfim... Continua no próximo livro da série.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O Ministério da Felicidade Suprema

Autor: Arundhati Roy
Edição: 2017/ junho
Páginas: 464
ISBN: 9789892339146
Editora: Asa

Sinopse:
Num cemitério da cidade, Anjum desenrola um tapete persa puído entre duas campas. Num passeio de betão surge um bebé, como que do nada, num leito de lixo. Num vale coberto de neve, um pai escreve à filha de cinco anos, falando-lhe do número de pessoas que estiveram presentes no seu funeral.

Num apartamento, sob o olhar atento de uma pequena coruja, uma mulher solitária alimenta uma osga até à morte. E, na Jannat Guest House, duas pessoas dormem abraçadas como se tivessem acabado de se conhecer.

Uma viagem íntima pelo subcontinente indiano, desde os bairros superlotados da Velha Deli e os centros comerciais reluzentes da nova metrópole às montanhas e os vales de Caxemira, com um elenco glorioso de personagens inesquecíveis, apanhadas pela maré da História, todas elas em busca de um porto seguro. Contada num sussurro, num grito, com lágrimas e gargalhadas, é uma história de amor e ao mesmo tempo uma provocação. Os seus heróis, presentes e defuntos, humanos e animais, são almas que o mundo quebrou e que o amor curou. E, por este motivo, nunca se renderão.

 
A minha opinião:
Não li "O Deus das Pequenas Coisas". Ainda assim, estava entusiasmada em ler o novo romance e mudar para uma leitura com um diferente apelo dos sentidos. Contudo, a prosa colorida, crua e inquietante não me agarrou inicialmente. Talvez, porque não soubesse de todo o que me esperava. Um encadear de histórias, com tanto de mirabolante ou mistico, violento ou realista que não se esquece facilmente, sendo esse o propósito oculto - intemporalidade. Alguns dos episódios ultrapassam a ficção. Anjum é a heroína transgénero, a personagem principal que atravessa todas as histórias e com o seu nascimento começa a narrativa. Outras personagens marcam e destacam-se por capítulos.  

A India. Os vales de Caxemira. As suas mil e uma facetas. As novas familias de coração, diferenciadas e alargadas. A guerra como modo de vida. A história num ciclo de perda e renovação, perturbação e normalidade. Tanto para apreender. O mundo é um lugar estranho.

"Como sempre, a história seria tanto uma revelação do futuro como era um estudo do passado" (pag. 421) 

Avassalador, recorre a requintadas metáforas e terminologia própria para nos transmitir em sussurro ou gritos a alma de um povo. Um romance de emoções fortes e sentimentos à flor da pele. Esperança e dor entretecidas de forma apertada e inextricável.  

"Como contar uma história destroçada? Tornando-me lentamente todos. Não. Tornando-me lentamente tudo." (pag.456)  

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A Seca

Autor: Jane Harper
Edição: 2017/ julho
Páginas: 352
ISBN: 9789892339443
Editora: Asa

Sinopse:
No calor sufocante do deserto, uma pequena vila é abalada por um crime inexplicável. Luke Hadler, filho da terra e amado por todos, matou brutalmente a mulher e o filho, tendo-se suicidado em seguida. Dos alegres retratos de família apenas sobreviveu a pequena Charlotte, de 13 meses.
Ninguém parece duvidar da explicação oficial para o crime exceto os pais de Luke, que tentam convencer o amigo de infância do filho, Aaron Falk, a manter a mente aberta a outras possibilidades.

Aaron está relutante. Após anos de ausência, o regresso à terra natal está a revelar-se duro mas as memórias da infância partilhada com Luke falam mais alto. Embora dividido, ele aprofunda a investigação e, pouco a pouco, começa também a duvidar da acusação que paira sobre a honra do amigo. Mas há algo ainda mais assustador: estas mortes ameaçam desenterrar o velho segredo que ditou o fim da inocência de Aaron e Luke tantos anos antes. Sob um sol escaldante, a claustrofóbica vila assolada pela seca pulsa de tensão. Se Luke é inocente, estará o culpado pela morte da sua família a viver entre eles? Todos se conhecem e ninguém seria capaz de semelhante atrocidade. Certo?

Uma atmosfera intensa e vibrante que esconde um mistério surpreendente. O romance de estreia de Jane Harper é absolutamente imperdível.


A minha opinião:
NÃO É UMA SECA! Talvez seja o melhor policial que me lembro ter lido. E não é uma frase de promoção.

Adoro quando a história é tão absorvente, mas tão absorvente, que nos poucos momentos livres que tenho me esqueço de tudo para mergulhar na leitura e acompanhar o desenrolar dos acontecimentos que, nesta narrativa nem antecipo.

Atmosférico é uma palavra que se aplica. A seca. A desolação e a dureza pura e dura da terra que se estende a perder de vista, em que a chuva é uma benção que não se dá há dois anos. Uma cidade pequena, boatos grandes. Um crime hediondo que parece estar relacionado com um mistério antigo. Uma trama tão equilibrada e bem contada que se torna exemplar, principalmente se se considerar que é uma estreia. Mal posso aguardar pelos próximos livros desta autora.

O início agarrou-me de imediato. O primeiro parágrafo bastou. O meu receio era de que a história fosse tenebrosa, mas não, é eficaz e consistente, e como tal, intensa e apaixonante. A investigação segue todos os passos que Falk, um policial, filho da terra escorraçado por estar ligado ao mistério do passado, deveria seguir oficiosamente. A cidade é uma personagem que Falk procura compreender. As memórias interligam os factos. E novos dados se revelam paulatinamente. Muito bom. Um livro para partilhar e perservar. 

"Não era a primeira vez que a quinta via morte, e as moscas-varejeiras não faziam distinção. Para elas, havia pouca diferença entre a carcaça de um animal e o cadáver de uma pessoa."

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A Mulher do Camarote 10

Autor: Ruth Ware
Edição: 2017/ julho
Páginas: 344
ISBN: 9789897243806
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
Emocionante e compulsivo, este romance evoca o ambiente clássico dos policiais de Agatha Christie: um ritmo que aumenta gradualmente de tensão, a sensação de perigo iminente e um conjunto de suspeitos reunidos num único lugar.

A jornalista Lo Blacklock recebe um convite irrecusável: acompanhar a primeria viagem do cruzeiro de luxo Aurora Borealis. O serviço é exclusivo e a bordo estão vários empresários e pessoas influentes da sociedade. No entanto, a viagem ganha outros contornos para a jornalista. Certa noite, testemunha aquilo que acredita ser um crime no camarote ao lado do seu.

Desesperada, denuncia o ocorrido ao responsável pela embarcação. Ninguém acredita na sua versão, pois todos os passageiros continuam no navio. Blacklock decide investigar o crime por conta própria. Colocando a carreira e a própria vida em risco, ela não vai descansar enquanto não encontrar resposta para o mistério do camarote 10.

A minha opinião:
Muitos comentários já circulam sobre este livro. Eu li uns quantos e refleti sobre a minha opinião. Um cruzeiro nos fiordes noruegueses com o propósito de ver as Luzes do Norte é certamente aliciante, mas... não para mim. Não gosto de estar "fora de pé", e como tal, sabia que este enredo ficcionado não me seria indiferente.  A escrita simples e direta não falhou em passar uma tensão constante num espaço confinado. 

No começo da história, sexta feira, dia 18 de setembro, Lo Blacklock foi assaltada. No domingo, rompeu com o namorado antes de viajar como jornalista para cobrir a inauguração do cruzeiro. Perturbada e frágil, embarcou num barco  bem menor do que imaginara, com tectos baixos, corredores estreitos e espaços acanhados que davam uma sensação de clausura. Neste estado de espirito testemunha um crime e começa a investigar no restrito núcleo de presentes, o suspeito ou suspeitos, enquanto estes põem em causa a fiabilidade do seu testemunho. Apesar de não ter sentido grande empatia pela personagem, ela é muito humana nas suas emoções e reações.  

Em determinado momento, fui averiguar qual o título original deste thriller para perceber porque razão o título não coincidia com o texto. A vitima do camarote 10 foi quase sempre referida como a "rapariga" e não a "mulher. Traduzido à letra, pensei se não seria para não se confundir com qualquer outra "rapariga" num outro meio de transporte, de um qualquer outro livro do género. 

Em jeito de conclusão, é uma história intensa e vertiginosa, como convêm. Bem escrita, tem ritmo, suspense, ação e um bom final. O que se quer. Uma autora a seguir.

domingo, 30 de julho de 2017

A Elegância do Ouriço

Autor: Muriel Barbery
Edição: 2008/ dezembro
Páginas: 280
ISBN: 9789722340519
Editora: Presença

Sinopse:
É num edifício situado num bairro rico de Paris e habitado por uma burguesia rica e snobe, que decorre este emocionante romance contado a duas vozes. Alternadamente, as duas protagonistas vão dando a conhecer o seu bairro e as pessoas que as rodeiam. Renée é uma porteira de 54 anos, cultíssima autodidacta e apaixonada pela pintura naturalista holandesa, por filosofia, pelo cinema japonês e uma devoradora de livros. Paloma, a segunda protagonista, é uma adolescente de 12 anos, astuta, que percebe mais do mundo à sua volta do que aquilo que aparenta, e que deseja suicidar-se no dia do seu décimo terceiro aniversário. Entre a aparente humildade e ignorância de Renée e de Paloma, aparece um novo morador no prédio: o senhor Ozu, um japonês que inicia uma relação de amizade com ambas, formando-se um pequeno trio que terá para todos um papel redentor. Um livro terno, divertido e com personagens que irão cativar os leitores desde a primeira página.

A minha opinião:
De repente, estava à toa, sem saber o que me apetecia ler.  Não é uma situação inédita mas, é invulgar. Numa feira do livro, resolvi esta dificuldade, quando encontrei "A elegância do Ouriço", romance sobejamente conhecido e deveras elogiado. Devo referir desde já, que todos os elogios são  mais do que merecidos, uma vez que também eu fiquei rendida a Renée e Paloma desde as primeiras páginas.  As duas principais personagens, almas gémeas, fisicamente próximas, demoraram a encontrar-se e apenas o conseguiram com a ajuda do Kakuro Ozu.


"A senhora Michel (Renée) tem a elegância do ouriço: exteriormente, está coberta de espinhos, uma autêntica fortaleza, mas pressinto que, no interior, também é tão requintada como os ouriços, que são uns animaizinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes."    (pag. 118)

A estranheza com o título fica resolvida com este parágrafo dos pensamentos profundos que Paloma pretende deixar após a sua morte. Se o apreciava antes consegui então compreendê-lo. Personagens invisiveis porque se fecham em si e se ocultam na multidão. 

Numa única palavra o que me apraz acrescentar sobre este livro é que é SUBLIME! Leitura fácil e enriquecedora, linguagem erudita, prosa elegante e diferenciada, sentido súbtil e inteligente. Certamente que este é um dos livros da minha vida.

Recordo que este romance foi referido num outro que li recentemente - "O Livreiro de Paris" e a sua Farmácia Literária, em que Monsieur Perdu o sugeriu a uma cliente na pag. 21 deste modo maravilhoso:

"- Precisa de um quarto só para si. Não demasiado luminoso, com uma gatinha nova para lhe fazer companhia. E este livro, que fará o favor de ler com calma. Para que possa descansar entre a leitura. Vai refletir muito e provavelmente também vai chorar. Por si. Pelos anos. Mas depois vai sentir-se melhor. Vai perceber que não tem de morrer agora, mesmo que sinta isso, depois de o tipo não ter sido decente. E vai voltar a gostar de si própria e deixar de se sentir feia e ingénua."

segunda-feira, 24 de julho de 2017

O Pianista de Hotel

Autor: Rodrigo Guedes de Carvalho
Edição: 2017/ maio
Páginas: 480
ISBN: 9789722062701
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
O Pianista de Hotel transporta-nos numa melodia.

É uma entrada para um mundo regido pela linguagem da música, pela sua força e beleza, presentes no ritmo de cada frase, de cada parágrafo rigorosamente medido.
Livro em camadas, nele se cruzam diversos planos, diversas histórias perpassadas pelo poder redentor da música que entra e rasga, a solidão, a dor e o vazio das pessoas que habitam nestas páginas. Com um vasto subtexto, a densidade das personagens está carregada de mistérios que nos prendem a sucessivas interrogações.

Há um pouco de nós em todas elas.
Há muito de nós neste mergulho ao mais fundo da alma humana.
É um romance que se lê e ouve, que mantém todos os sentidos alerta. Uma pauta musical, com andamentos diversos, que acabam por se cruzar numa vertigem imprevisível de autêntico thriller psicológico.

E, depois, há o pianista…

A minha opinião:
"O Pianista de Hotel" é o quinto romance de Rodrigo Guedes de Carvalho e o primeiro que leio deste autor. A publicidade e os comentários favoráveis tornaram possível esta leitura, marcada por uma inquietação ou tensão constante. Uma leitura que não se quer rápida, apesar da linguagem acessível e rica em diferentes tons.  A estrutura narrativa  não tem qualquer reparo, excepto o acesso sem pejo que a torna compulsiva. 

Duas personagens principais, Maria Luísa e Luis Gustavo, dois nomes próprios como que a chamar a atenção para a solidão, a perda e o desamparo, num vazio tão  grande que os torna conscientes do que e de quem os rodeia. Circunstâncias tão próximas que julguei que teriam que se encontrar. Outras vidas se sobrepõem nesta narrativa, como Pedro Gouveia e Saúl Samuel, outras dores se acumulam no quotidiano de uma grande cidade portuguesa. A violência contra as mulheres que me toca particularmente. Bullying, homossexualidade e morte. E claro, a música e o pianista de hotel. A beleza que não ouvimos neste romance que desperta os sentidos. 

Um romance forte e acutilante. Um romance que vou querer reler. Um romance para o qual desejava um final idílico. Um romance que perturba. Muito bom. 

domingo, 23 de julho de 2017

A Chave para Rebecca

Autor: Ken Follett
Edição: 2017/ abril
Páginas: 384
ISBN: 978-972-23-6003-6
Editora: Presença

Sinopse:
Para os alemães, é conhecido por Esfinge; para os outros, é Alex Wolff, um empresário europeu. Espião alemão, Wolff chega ao Cairo vindo do deserto. Leva consigo um rádio, um punhal e um exemplar do romance Rebecca, de Daphne du Maurier. Trata-se de um homem implacável, violento e disposto a tudo para levar a cabo a missão de que foi incumbido.

Wolff tem de enviar a Rommel mensagens diárias, utilizando um código no referido exemplar. A campanha britânica no Norte de África está em perigo e só o major William Vandam, dos serviços secretos, e Elene, uma prostituta egípcia por quem este se apaixonou, podem travar as mensagens clandestinas de Wolff. À medida que as tropas de Rommel avançam, Vandam persegue Wolff em busca da chave do código secreto e do confronto final, do qual só um deles sairá vencedor.

Com uma história intrincada e maravilhosamente bem construída, A Chave para Rebecca é um dos thrillers mais entusiasmantes de Ken Follett.
   

A minha opinião:
Admito, li muito pouco de Ken Follett. Não resisti quando encontrei este livro a baixo custo. Não sabia que era uma nova edição de um livro já lançado anteriormente. Ainda assim, não desvaneceu em nada o prazer da leitura.

Thriller de espionagem em que ambas as forças intervenientes na Segunda Guerra Mundial procuram vencer. Alex Wolff é um espião alemão de regresso ao Egito, que se depara com o major William Vandam, chefe de segurança dos Serviços Secretos Britânicos no Cairo para o travar. O espião conhecido por Esfinge, consegue um bom avanço com a cooperação de Sonja, uma famosa bailariana do ventre, ao revelar aos alemães muitos dos planos e segredos dos Aliados. Elene, jovem, judia e egípcia, apaixona-se pelo viúvo major Vandam e aceita seduzir o espião para deste modo o localizarem e prenderem.

Uma intricada trama, com algumas personagens relevantes para a ação, e com um enredo inicíal muito simples. A diferença é no modo rápido e ritmado, como é contada a história. E nos detalhes que tornam esta trama coerente e consistente. Cinematográfica. O carisma e a inteligência do vilão é uma surpresa que, num outro romance de Ken Follett também me surpreendeu. Apesar disso, torci pelos bons. Não foi dos melhores livros que li do género mas foi uma agradável leitura. 

terça-feira, 11 de julho de 2017

Isto Acaba Aqui

Autor: Colleen Hoover
Edição: 2017/ maio
Páginas: 336
ISBN: 9789898800985
Editora: TopSeller

Sinopse:
O que te resta quando o homem dos teus sonhos te magoa? 

Lily tem 25 anos. Acaba de se mudar para Boston, pronta para começar uma nova vida e encontrar finalmente a felicidade. No terraço de um edifício, onde se refugia para pensar, conhece o homem dos seus sonhos: Ryle. Um neurocirurgião. Bonito. Inteligente. Perfeito. Todas as peças começam a encaixar-se.

Mas Ryle tem um segredo. Um passado que não conta a ninguém, nem mesmo a Lily. Existe dentro dele um turbilhão que faz Lily recordar-se do seu pai e das coisas que este fazia à sua mãe, mascaradas de amor, e sucedidas por pedidos de desculpa.

Será Lily capaz de perceber os sinais antes que seja demasiado tarde? 
Terá força para interromper o ciclo?

A minha opinião:
Com esta capa, dificilmente teria lido este livro, senão me tivesse sido imposto por uma boa amiga com um único comentário - "Tens que ler este livro!" E acertou, claro!

Um romance que ultrapassa barreiras. Do preconceito. Ou de ideias préconcebidas, nomeadamente de que se pretende apenas entretenimento. 

Um romance que é um caso sério. Uma temática batida mas nunca o suficiente, e sempre pertinente. Ideal para mentes sonhadoras e idealistas, corajosas e ousadas, que não devem perder os seus limites. Mulheres fortes e inteligentes que se apaixonam por homens bonitos, carinhosos, compassivos e divertidos numa relação que parece perfeitamente possível e ainda assim, ter de escolher. A empatia com os protagonistas é de realçar porque  torna esta leitura imparável e absorvente. 

Uma estória pessoal e exigente para a autora que merece a minha admiração pelo desfecho exemplar. O início também vale a pena recordar e as cartas para Ellen DeGeneres no formato de diário que nos dão a conhecer Atlas num outro caso que importa repensar. 

Um romance a não perder. Enredo, personagens, narrativa sem motivo para crítica. Um prazer de ler!

sábado, 8 de julho de 2017

Nem Morto!

Autor: Lee Child
Série: Jack Reacher
Páginas: 424
ISBN: 9789722532426
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
Jack Reacher não tem para onde ir e quando chega a uma passagem de nível numa pradaria com o curioso nome de Mother's Rest, aquele parece-lhe o sítio ideal para fazer uma paragem de um dia. Está à espera de encontrar uma campa abandonada num mar de trigo maduro… mas, em vez disso, encontra uma mulher à espera do colega desaparecido, uma mensagem crítica acerca da morte de duzentas pessoas e uma cidade de gente silenciosa e vigilante. A paragem de Reacher transforma-se numa missão sem fim... no coração das trevas!

A minha opinião:
Ando numa de estreias. Lee Child é um dos escritores que nunca li, num género literário que é do meu agrado. Uma investigação com um protagonista 
excepcional - taciturno e frugal nas respostas, mas que inspira confiança e segurança - Jack Reacher. Consigo imaginar Tom Cruise no papel de Reacher de um filme que nunca vi.

Nesta trama mistério tem uma parceira casual, Michelle Chang, ex FBI, atualmente investigadora privada, que procura um outro investigador, entretanto desaparecido, que pedira o seu apoio em Mother´s Rest. A relação entre eles é de profundo entendimento nesta narrativa marcada por muitos diálogos.

Thriller com ação. O foco está nas personagens e no cenário bem descrito, mas lá mais para o fim percebi onde é que toda aquela trama mistério ia desenrolar. Um repugnante e lucrativo esquema que foi um murro no estômago tal a sordidez dos crimes. Uma ótima leitura de férias!

quarta-feira, 5 de julho de 2017

A Terceira Mulher

Autor: Lisa Jewell
Edição: 2017/ junho
Páginas: 304
ISBN: 9789898869043
Editora: TopSeller

Sinopse:
Todos temos segredos, e os segredos têm consequências.
Adrian Wolfe tem duas ex-mulheres, cinco filhos e demasiada bagagem.

Mesmo assim, ele e a sua terceira mulher, Maya, vivem em harmonia com a sua extensa família… Até que Maya morre inesperadamente e sem explicação. Um ano depois, as circunstâncias bizarras da sua morte continuam a atormentar Adrian: terá sido mesmo acidente? Ou suicídio? Teria Maya razões para tirar a sua própria vida?

Tentando ultrapassar o luto, Adrian decide investigar e descobre segredos perturbadores que o levam a passar em revista a relação com as ex-mulheres e os filhos. De repente, a frágil bolha de felicidade que envolvia a sua esquizofrénica família rebenta. Nem tudo é o que parece com os Wolfes. E quanto mais defeitos Adrian descobre na sua vida aparentemente perfeita, mais ele se questiona: será que algo ou alguém levou Maya à beira do precipício?

Um romance intenso sobre famílias modernas, que o deixará completamente agarrado aos seus segredos.

A minha opinião:
Não, não e não. Não tem comparação com os romances de Liane Moriarty.
Vagamente semelhante no tipo de enredo em que sentimentos ocultos em ambientes alegres vão sendo gradualmente expostos. A intensidade, o ritmo e o suspense que Liane consegue tão bem, não são atingidos neste romance. As personagens também não são tão bem conseguidas. Em suma, é um bom romance mas ficou aquém das minhas expectativas, considerando a possibilidade referida na capa.

Maya é a protagonista que morre no início da estória, e justamente por isso, a narrativa avança e recua no tempo, para deste modo se compreender a relação causa e efeito na razão deste desfecho numa aparente feliz família alargada. Uma utopia.  Adrian assumia que quando partia atrás do brilho de uma nova relação com uma nova mulher, as ex. e os filhos ficavam bem na sua antiga vida sem ele. A mesma casa, os mesmos amigos, a mesma escola. Era generoso. Enfim... os problemas surgem com uma misteriosa mulher e a revelação de emails críticos que Maya escondeu enviados por um deles. 

Atual e analítico. Sensível. Faltou o rasgo de genialidade para ser um romance empolgante e memorável.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Debaixo da Pele

Autor: David Machado
Edição: 2017/ maio
Páginas: 304
ISBN: 9789722062725
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Júlia nunca contou toda a verdade sobre o que lhe aconteceu. Nem aos pais, que a sentem cada vez mais distante; nem às amigas, que não vê há meses. Acreditou que dessa forma seria possível esquecer tudo; mas a memória que o seu corpo guarda não pode ser apagada, e por isso, apesar dos seus dezanove anos, Júlia só deseja ficar quieta, encolhida numa vida vazia, longe de tudo e de todos.

No prédio onde mora, vive Catarina, uma menina de quatro ou cinco anos, filha de uns vizinhos cujas discussões violentas Júlia escuta através das paredes. Salvar essa criança torna-se então essencial à sua própria salvação. Mas será possível fugir do passado quando ele permanece debaixo da pele?

Eis o ponto de partida deste romance fascinante e profundamente actual, que acompanhará os momentos cruciais das vidas de Júlia e Catarina ao longo de mais de trinta anos, nos quais as suas histórias ora se entretecem, ora se afastam.


A minha opinião:
Sabia que ler um romance de David Machado não seria pacifico. Ademais com o que era sugerido pelo título e pela capa. Preparei-me psicologicamente para as personagens Júlia e Catarina, vitimas de violência. Mas... não me preparei de todo para o que iria ler. Não é possível ficar indiferente ao teor do que escreve muito bem.  

"Júlia não está cá" é um conto de "pouco mais de cem páginas sobre um dia na vida de uma rapariga chamada Júlia, que no ano anterior, foi agredida pelo namorado e que desde então, quer viver o menos possível. Porém, nesse dia em particular, conhece uma criança que precisa de ajuda e..." a missão de Júlia foi demais para mim que abandonei a leitura. Como é óbvio, retomei, graças a uma conversa com uma amiga mais esclarecida do que eu sobre o que se seguia.

O distinto segundo conto, de frases curtas e algumas rectificações, é  mais próximo no tempo. Trata a relação com contornos trágicos de uma jovem inquilina de um homem mais velho. Tinham em comum o eco da dor das suas infâncias, entranhadas debaixo da pele. E o medo. Uma constante de quem sofre. Salomão, o narrador fictício, criado pelo protagonista para se proteger da violência do texto que explanava o sucedido em duas versões paralelas. 

E por fim, o último conto, sobre "As cassetes do Manuel", actual e factual. A infância do Manuel enquanto a mãe travava uma guerra que durava a sua vida toda contra o medo e nisto se resume todo o livro. Um emaranhado que encadeia algumas personagens, que começam por ser vitimas e por vezes, acabam como agressores, resultado do medo e da dor que fica debaixo da pele, porque mesmo que se apague da memória o corpo recorda.

Muito bom e de leitura compulsiva, mas difícil, não pelo discurso que muda, como seria de esperar.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Quando Perdes Tudo Não Tens Pressa de Ir a Lado Nenhum

Autor: Dulce Garcia
Edição: 2017/ fevereiro
Páginas: 272
ISBN: 9789897022524
Editora: Guerra & Paz

Sinopse:
Um homem, duas mulheres, uma criança. A história de um triângulo amoroso à luz do que são hoje as relações sentimentais, marcadas por separações e recomeços e jogos psicológicos variados. Um romance onde se fala de paixão, desejo, raiva e um medo incrível da loucura. Também tem ameaças, mentiras e sexo. E humor, esse lado cómico que existe em todos os episódios, até nos mais trágicos.
O que nos leva a apaixonarmo-nos e deixar tudo para trás? Como é possível mentirmos para obrigarmos alguém a ficar ao nosso lado. É normal um pai não gostar de um filho? E o amor, sempre o amor, é hoje uma doença ou a única terapia?
Isabel sempre disfarçou os seus sentimentos debaixo de uma capa de serenidade, sobretudo desde que o irmão enlouqueceu depois de assistir a uma autópsia. Mas apaixona-se.
Uma história de amor escandalosamente contemporânea, que fala de desejo e raiva, da violência do fim dos casamentos e da luta em torno da guarda dos filhos, da culpa de quem decide partir e de como isso pode arrasar o futuro.


A minha opinião:
"O amor é o único lugar onde os adultos recuperam uma parte da infância."  (pag. 126)

Depois de um romance histórico numa perspectiva feminina, nada melhor do que ler um romance atual com ambas as perspetivas, alternadamente, a feminina e a masculina. Um primeiro romance com muito génio, perspicácia e humor. A temática não é fácil. E nem todos poderão querer ler um romance acerca de um triângulo amoroso num jogo psicológico tão comum hoje em dia. Afinal, andamos todos atrás da felicidade, procuramos escapar à solidão e é tudo tão intenso e dramático que se torna ridiculo, cruel e imaturo. Com "bagagem" se chega e com mais "bagagem" se parte e daí os saltos temporais em que se ganha em entendimento e nada se perde da estória. 

Atrevo-me a escrever que o título é perfeito. Longo, mas combinado com a capa e a sinopse ficamos logo com uma ideia do que se espera desta leitura. E é mais, muito mais. Um romance que não se deve perder. Sem pressa, ler e descobrir pontos em comum que nos podem levar a alguns lugares. 

"Que estranha raça (...) A nossa. Fazemos os possíveis por passar cada vez menos tempo sozinhos; arranjamos amantes, amigos, empregos absorventes e doenças que nos afastem da consciência; procuramos a salvação fora do casulo quando o único sentido da vida está no forro do que somos." (pag. 18) 

"O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sózinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo."  (pag.95) 

Café Amargo

Autor: Simonetta Agnello Hornby
Edição: 2017/ junho
Páginas: 368
ISBN: 9789897243691
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
Café amargo acompanha a vida de uma mulher que não se curva perante o poder masculino. O romance nasce na Sicília, mas a autora transporta-nos até muito mais longe. A protagonista é uma mulher de paixões, marcada também por vários sofrimentos que engole com altivez, como se fosse uma chávena de café amargo. A história de Maria e das suas escolhas pouco convencionais retrata uma época decisiva da Europa. Um romance histórico marcado por memórias pessoais e vividas.

A minha opinião:
Com muito agrado recebi este livro que já tinha debaixo de olho.

Um romance no feminino. Não que seja um romance dedicado ou exclusivamente compreendido por leitoras, mas a perspectiva é feminina. Maria é uma personagem impactante. Reservada, discreta e firme. Inteligente, sem dúvida, uma vez que soube impôr-se sem grandes atritos. Feminista, ou melhor, socialista na Sicília no inicio do Sec. XX. O papel da mulher era procriar, cuidar e servir e Maria renegava-o. Parece biográfico mas é ficção. 

Pietro Marra propôs casamento a Maria assim que a viu. Contrariamente, ao que era habitual na época, ela determinou as condições. Não teve uma vida fácil apesar de priveligiada. Uma familia sólida, um casamento com um homem rico e três filhos fantásticos, mas as invejas e rivalidades determinaram o Café Amargo que cedo teve que tomar. Pietro, amante do belo e de vícios era um problema que ela também tinha que gerir. Não se trata de um romance sobre a pobre menina rica apesar de ter de amar em segredo.

Ao longo da sua vida, que corre paralelamente com alguns dos grandes acontecimentos de Itália, uma estreita amizade a liga a Giosué que a instrui e a ajuda a ver as coisas do mundo. A conquista de África, o racismo contra os negros e contra os judeus. Narrativa crua e pouco dada a devaneios românticos com exceção da correspondência de Giosué durante a Segunda Guerra Mundial numa escrita segura que é pontuada por descriçoes que nos situam no tempo e nos lugares. 

Adorei ler este livro num breve período de férias. Uma maravilhosa oferenda. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

A Magia das Pequenas Coisas

Autor: Sarah Addison Allen
Edição: 2017/ abril
Páginas: 280
ISBN: 9789897417085
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
Por detrás das sebes de um jardim encantado, está aninhada a casa da família Waverley. As mulheres que a habitam são herdeiras de um legado mágico: a macieira, que produz frutos proféticos, e as flores comestíveis, com os seus poderes únicos. Mas algo se passa ultimamente. Uma estranha inquietude parece invadir tudo e todos.

A discreta Claire tem um novo negócio. Inspirada pelo jardim, ela produz doces artesanais em que usa a lavanda para atrair a felicidade, as rosas para reconquistar os amores perdidos, a lúcia-lima para acalmar a garganta e o espírito… E o sucesso destas guloseimas é tanto que ameaça afastar Claire das pessoas e da vida que tanto ama. A rebelde Sydney anseia apenas por um novo começo... e um novo bebé. 

Mas as tentativas têm sido vãs. A sua alegria de viver perde um pouco de brilho a cada dia que passa. A "pequena" Bay, agora uma adolescente, acabou de declarar o seu amor pelo rapaz errado. Apenas Evanelle continua a dar às pessoas exatamente aquilo de que precisam…

E quando um misterioso forasteiro chega à cidade e desafia a essência da própria família, cada uma destas mulheres terá de fazer escolhas difíceis e inesperadas.

A minha opinião:
A Magia das Pequenas Coisas é encantador por fora e por dentro. 

Apaixonei-me pelas estórias de Sarah Addison Allen há muito e desde então acho que não perdi nenhuma. Aromas e magia desde o primeiro das Irmãs Waverley com o título O Jardim Encantado.

Se bem me lembro ... cada uma das estórias é sobre uma das mulheres Waverley e o seu dom especial. Claro que a ligação entre elas prevalece e cada uma das narrativas é independente das anteriores e abreviada no contexto atual. Desta feita, a protagonista é Bay, a filha de 15 anos de Sydney. O seu dom especial é a capacidade de captar o lugar de pertença de cada um com que se cruza e Josh ser o seu par, o que unanimemente não é bem aceite. Depois, cada uma das mulheres tem os seus próprios conflitos e dificuldades para superar num romance repleto de desejos, sensações e percepções que fazem parte do universo feminino. 

O ano em que tudo mudou é um marco,  uma mudança de vida, e a primeira geada é quando a velha e sábia macieira floresce e tudo se ajeita como num passe de mágica num romance de encantar. Um romance que é um bálsamo para contrabalançar dias difíceis. Positividade, confiança e aceitação num enredo tão bom. Um prazer de ler!