domingo, 12 de novembro de 2017

Falcó

Autor: Arturo Pérez-Reverte
Edição: 2017/ agosto
Páginas: 272
ISBN: 9789892340319
Editora: ASA

Sinopse:
Em 1936, no início da Guerra Civil Espanhola, Lorenzo Falcó move-se por entre as sombras do submundo. Ex-contrabandista de armas, espião sem escrúpulos, encontra-se agora a trabalhar para os serviços de inteligência franquistas. A sua missão? Libertar um detido da prisão. Tem Eva Rengel e os irmãos Montero como companheiros. (E, quem sabe, vítimas? Pois os tempos são traiçoeiros, e nada é o que parece.)

Mas surgem imprevistos, há conflitos de interesses, desenterram-se segredos, há torturas, perseguições e massacres. Só que Falcó não é dos que desistem facilmente… e está determinado a levar a cabo uma missão que poderá alterar o curso da História. Será em Portugal, na aparente tranquilidade do Estoril - local favorito entre espiões - que tudo se conclui.

Entrelaçando magistralmente realidade e ficção, Arturo Pérez-Reverte dá início a uma nova saga protagonizada por Lorenzo Falcó, um personagem fascinante, complexo e inesquecível.

A minha opinião:
Não é segredo que gosto muito da escrita precisa de Arturo Pérez-Reverte que abrilhanta os enredos. Com o ex-contrabandista e espião dos anos 30 Lorenzo Falcó fiquei agarrada a um tempo e a um lugar em que se confundiam anarquistas, socialistas, fascistas, comunistas e uma denuncia era sinal de sofrimento e morte sem fundamentação. Os espiões proliferavam e o vil metal era considerado por todos igual. Sem escrúpulos, mulherengo, Falcó não é o heroi romântico que se poderia imaginar. Não luta por uma causa ou ideologia como Eva Rengel, personagen enigmática e aguerrida com quem se envolve. 

"Só disponho de uma vida, disse ele. Um breve momento entre duas noites. E o mundo é uma aventura formidável que não estou disposto a perder." (pag.82)

A Guerra Civil Espanhola. Neste romance, sentimos o ambiente de uma guerra, sem lados para defender ou personagens para acarinhar, mas sem deixar de perceber o comportamento dos intervenientes e sentir o horror, dadas as descrições e observações que constam da narrativa, fruto da investigação e critica do autor. 

Observei a foto de Arturo Pérez-Reverte e não pude deixar de pensar que o protagonista Lorenzo Falcó poderia ser interpretado pelo mesmo numa qualquer boa produção cinematográfica. O sorriso sarcástico e o olhar inteligente e algo cínico tem tudo a ver com o espião sedutor e aventureiro dos anos 30.

O fim em Portugal, nomeadamente no Estoril, encerra bem esta narrativa, sem pontas soltas e que promete continuação. Gostei muito e espero regressar em breve a mais um romance.

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