sábado, 8 de novembro de 2014

AÇO

Autor: Silvia Avallone
Edição: 2014/ julho
Páginas: 368
ISBN: 9789896265960
Editora: Esfera dos Livros

Sinopse: 
Uma história sobre amizade de duas adolescentes e a dificuldade em crescer num mundo sem esperança.



Não é fácil crescer na rua Stalingrado, na cidade siderúrgica de Piombino, no litoral da Toscana, por debaixo da sombra da imponente fábrica de aço. Ter 14 anos num ambiente social degradado, demasiado duro, junto a realidades incómodas como a violência, a droga, a delinquência… e, principalmente, a total ausência de ilusões, complica ainda mais a adolescência de Francesca e Anna.

Mas estas duas jovens não estão dispostas a baixar os braços e a dar-se por vencidas. Têm como arma a sua beleza exuberante, a sua sexualidade, e a vitalidade que a juventude lhes confere, e estão prontas a ultrapassar todos os obstáculos, para lutar pelos seus sonhos. 
Silvia Avallone, que surpreendeu Itália e comoveu a Europa com esta obra aclamada pela crítica, transporta-nos até a uma Itália industrial e periférica, para retratar a história de uma amizade intensa entre duas jovens que procuram desesperadamente a sua identidade. Com mestria e sinceridade, a autora capta as contradições da nossa época e da nossa economia, onde reina a falta de esperança e de perspetivas e os dramas dos jovens actuais. 
Um livro actual, polémico, arrojado e duro como o Aço. Contudo, absolutamente comovente. Aço ensina aos jovens o valor da amizade e do amor e aos adultos, quem são e o que pensam, verdadeiramente os seus filhos.

A minha opinião: 
Frio e duro como aço.  Realidade fria e dura como a liga metálica que algumas personagens desta história criavam na fábrica próxima daquele bairro social, onde todos viviam em condições humanas limites. 


Os sonhos e a amizade era o elo que resistia a tudo naquele ambiente agreste e poluído, apesar da praia que os jovens desfrutavam e da ilha de Elba ali tão perto. Uma fuga ao sofrimento, à pobreza, violência doméstica, droga, prostituição, em suma, a uma vida fragmentada e tão diferente dos sonhos que fervilhavam no interior de cada uma destas personagens. Anna e Francesca simbolizam o que de mais puro e belo vibrava naquele cenário e eram admiradas e desejadas, enquanto alegremente mantinham aquela ligação como o ferro e o carbono que unidos são um só - AÇO. A sexualidade, e o desejo que desponta nos corações daquelas jovens que se completavam, provoca um afastamento doloroso. 

Numa linguagem crua seguimos o dia-a-dia destes jovens e das suas famílias. Não é uma leitura fácil e tranquila, mas perturbadora e inquietante que nos obriga a olhar de frente para o que normalmente viramos a cara para não encarar. Não há fuga possível com esta leitura. 

Recomendo para quem procura uma leitura séria e lúcida, sem devaneios românticos e felizes. 

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