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domingo, 29 de julho de 2012

As cores da amizade

Autor: Lisa Verge Higgins
Edição: 2012, maio
Páginas:  304
ISBN: 9789720043535
Editora: Porto Editora


Sinopse:
Rachel Braun sempre foi uma inspiração para o grupo de amigas, aquela que vivia a vida ao máximo. Antes de morrer, Rachel escreve uma carta para cada uma das três melhores amigas desafiando-as a enfrentarem os seus maiores medos.
Sarah, uma enfermeira da assistência internacional, terá de cruzar meio mundo até reencontrar o único homem que realmente amou. Kate, a dona de casa e mãe a tempo inteiro, terá de se confrontar com o medo das alturas; o skydiving será uma revelação para Kate em todos os sentidos. E Jo, a mulher da sólida carreira no mundo dos media, aquela para quem a maternidade não é tema de conversa, fica com a mais aterrorizadora das tarefas: cuidar da filha de Rachel, a pequena órfã Grace. Ainda mal acreditando no desaparecimento da amiga, as três mulheres percebem que o legado de Rachel vai permanecer nas suas vidas e que ela jamais morrerá nos seus corações.


A minha opinião:
Não correspondeu de todo ao que eu esperava e desejava. Faltou empatia com as personagens numa estória em que o ponto de partida para a reviravolta das suas vidas é a surpreendente perda da amiga louca e aventureira que endereça cartas com indicações que elas decidem acatar.

Faltou algo mais que eu me debato para descobrir, mas apesar da fluidez dos acontecimentos e algum drama, não consegui abstrair-me na leitura ou envolver-me e sentir como verossímil ou credível a estória. Mantive algum distanciamento de quem lê uma obra de ficção. (Talvez a falha seja minha porque trata-se de uma leitura de verão com várias interrupções e esta não seja a leitura ideal para estas circunstâncias).

Mas, voltando ao principal. 
Rachel, Kate, Sarah e Jo, conheceram-se num clube de montanhismo. Todas tinham razões distintas para aderir ao clube. A Kate - Mrs. Jansen era um verdadeiro ratinho de biblioteca que precisava de um pretexto para sair de casa. A Sarah, de Vermont e adora actividades ao ar livre. Jo, entrou devido a um engano na sala para onde se dirigia, mas todas precisavam de vez em quando, de trepar aos cumes das montanhas. Para ver as coisas sob um ângulo diferente.
Quatro mulheres distintas que escolheram opções de vida diferentes e ainda assim tinham limitações ao seu bem estar e equilíbrio. Também lhes faltava algo que a amiga Rachel coloca em perspectiva, quando escreve missivas em que lhes pede algo de estranho e complexo de executar, e tudo põe em risco. Meios de limpar a mente, concentrar energias e discernir o que era realmente importante.
Todas precisamos de uma amiga assim, que tenho o distanciamento e coragem suficiente para nos alertar para o que devemos mudar.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ao encontro do nosso amor

Autor: Michael Baron
Edição: 2012, Abril
Páginas: 200
ISBN: 9789898228871
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
A história de um amor imortal

Joseph, um homem à beira dos quarenta anos, acorda desorientado e constrangido num local que não reconhece. Parte numa viagem para encontrar a sua casa, sem saber para onde vai, orientado apenas pela visão preciosa e indelével da mulher que ama.
Antoinette é uma mulher de idade, que vive numa residência para séniores e que se refugiou no seu mundo interior. Aí, o corpo e a mente não a atraiçoaram. Aí, é uma jovem recém-casada com um marido que a idolatra e uma vida inteira de sonhos para viver. Aí, ela está verdadeiramente em casa.
Warren, filho de Antoinette, é um quarentão, anos que atravessa uma das fases mais difíceis da sua vida. Com tempo a mais, resolve tentar recriar as recordações de casa confeccionando os melhores pratos da mãe e saboreá-los com ela.
Joseph, Antoinette e Warren são três pessoas que andam à procura de casa, cada uma à sua maneira. No modo como se ligam umas às outras nesta fase crítica das suas vidas reside o fundamento do tipo de história profunda e comovente que nos habituámos a esperar de Michael Baron.

A minha opinião:
Desconcertante. As personagens para o leitor. Confusas, perdidas, sem memória como Joseph. Sem rumo como Warren após perder o emprego e no decorrer do processo de divórcio. Perdida no passado como Antoinette. 
Este pequeno, místico e terno romance fala de amor como elo entre as pessoas. Como a força motriz capaz de superar tudo ... o tempo e o espaço.

O autor inspirou-se naqueles raros casos que são exemplo de amor intemporal ou imortal como refere na capa. O amor dos romances mas que existe na vida real. O amor dos pais que sempre o fascinou. Um casal que formava um todo homogéneo, que quando um partiu, ficou um vazio impossível de preencher.
Através de Antoinette vislumbramos o pesadelo da doença de Alzheimer e apreciamos a dedicação e carinho de Warren ao tentar uma aproximação por cheiros e sabores, apelando às memórias dos muitos pratos que a mãe inventou. E também eu senti as papilas gustativas a salivar com as descrições dos pratos que Warren cozinhava para a mãe.
Que pratos suculentos e com divertidos e imaginativos nomes! Pratos dedicados a vizinhos, amigos e família.

Não é um livro memorável mas ainda assim é uma leitura agradável. As personagens são sucintamente abordadas porque o que interessa é o que as ligava. O amor entre eles.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Emmi e Leo - A sétima onda

Autor: Daniel Glattauer
Edição: 2012, Junho
Páginas: 240
ISBN: 9789720043078
Editora: Porto Editora

Sinopse:
«Pensas que não te vejo, que não te sinto. Engano. Puro engano. Quando te escrevo, seguro-te bem junto a mim.»

Emmi e Leo são os protagonistas de um amor virtual apaixonante, que passou por todo o tipo de emoções, menos a de um encontro físico. A relação, iniciada no irresistível Quando sopra o vento norte, parece ter chegado a um impasse. Leo decide partir para os EUA, renunciando a um amor impossível.
Quando regressa, longos meses depois, o encontro entre ambos concretiza-se. Mas Emmi continua casada e Leo tem em Pamela o amor estável com que sempre sonhara.Só que, na verdade, os dois amantes nunca estiveram mais apaixonados. Conseguirão eles, por fim, vencer o destino que parece teimar em separá-los?

A minha opinião:
Adorei ler Quando Sopra o Vento Norte e deliciei-me com esta refrescante "Sétima Onda". Que ansiedade me provocou a picardia entre Leo e Emmi que me fez ler este romance avidámente?!!!

Divertido, romântico e inovador, num jogo de palavras, ora espirituosas e provocatórias, ora audazes e inteligentes, ora carinhosas e carentes, num sentimento correspondido ... electrónicamente.
Desconhecidos que se cruzaram e descobriram, uma afinidade, empatia e entendimento tão grande que trespassou o seguro, o lógico e o racional e se tornou numa paixão avassaladora, que buscava a partilha e a compreensão. Uma paixão sofrida pelos impedimentos de ambos.

"Emmi, tenho de te confessar uma coisa, és a única mulher a quem escrevo, a quem escrevo desta forma, como sou, como quero. Na verdade és o meu diário, mas não ficas calada como um diário. Não és tão paciente. Intrometes-te sempre, retalias, contradizes-me, deixas-me desconcertado. És um diário com rosto, corpo e aparência."
(pag. 113)

Um amor possível e verossímel na Era da Informação/ Digital.

Numa linguagem simples, acessível e sintética, definimos e visualisamos os protagonistas, que o autor tão bem e distintamente caraterizou através de mensagens de email, e sofremos e torcemos pela união deles, apesar de todas as barreiras e dilemas.

"Porque te escrevo? Porque me apetece. E porque não quero esperar calada pela sétima onda. Sim,aqui conta-se a história da intransigente sétima onda. As primeiras seis são previsíveis e equilibradas. Elas necessitam umas das outras, formam-se umas sobre as outras, não trazem quaisquer surpresas. Mantêm a continuidade. Seis tentativas, tão diferentes ao vê-las de longe, seis tentativas - e sempre o mesmo objetivo.
Mas atenção à sétima onda! É imprevisível. Durante muito tempo é normal, desenrola-se numa sequência monótona, adapta-se à anterior. Mas por vezes rebenta. Sempre apenas ela, sempre apenas a sétima onda. Ela é despreocupada, inofensiva, rebelde, varre tudo e constrói tudo de novo. Para ela não há um antes, apenas um agora. Depois dela, tudo é diferente. Melhor ou pior? Só alguns podem julgar, aqueles que foram apanhados por ela, que tiveram a coragem de se entregar a ela e de se deixar enfeitiçar."
(pag. 160)

Eu fui apanhada por esta sétima onda, entreguei-me a ela. Deixei-me enfeitiçar nesta vertiginosa onda.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A Mulher - Casa

Subtítulo: Cenas da Vida Intíma em Paris
Autor: Tânia Ganho
Edição: 2012, Maio
Páginas: 376
ISBN: 9789720045942
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Ela é uma modista de chapéus pouco conhecida; ele, um ghostwriter de políticos menores e personalidades duvidosas. Quando trocam a pacata Aix-en-Provence pela imponente Paris, levam consigo toda uma bagagem de sonhos e promessas de glamour. Porém, o crescente sucesso profissional do marido depressa reduz Mara ao papel de mãe e dona de casa, arrastando-a para um abismo de solidão e desencanto.
É então que se envolve com Matthéo, um jovem chef mais novo do que ela, e de súbito se vê enredada numa espiral de sentimentos contraditórios onde a lealdade, a luxúria e o dever encerram as agonizantes perguntas: poderá uma adúltera ser uma boa mãe? Poderá ela esperar que este amor proibido a salve de si mesma e da sua falta de fé?

A minha opinião:
Muito gratificante  de cada vez que sou surpreendida com um novo autor que tão bem escreve em português. Que sabe contar uma estória. Que consegue caraterizar uma personagem como a Mara, com expressividade, intensidade e realismo. Parece-me que as percepções e emoções de Mara são próximas à autora. Também eu, e possivelmente muitas mulheres se identificam com algumas das facetas de personalidade de Mara, ou mesmo com as percepções, emoções e sentimentos em situações que ela experiencia. Esse entendimento, torna este romance uma leitura viciante.

O casamento e a maternidade em contramão com as expetativas, sonhos e ambições.
"O seu casamento é uma competição constante, um concurso com direito a um só vencedor. Talvez todos os casais sejam assim, mas ela sonha com uma relação em que duas pessoas fluam naturalmente para um mesmo objectivo, as ideias convirjam, as decisões se tomem em espontâneo unísono. Uma relação feita de silêncios e olhares cúmplices, economia de palavras, parcimónia de gestos inúteis."
(pag. 103)

"Mara sustêm a respiração sempre que a vê, fascinada com a pose e o equilíbrio perfeitos, a aparente descontracção, como se ser mãe fosse diferente para algumas pessoas, umas quantas eleitas que têm filhos que obedecem e não fazem birras e deixam que lhes ponham cintos de segurança e não se atiram das bicicletas para o chão. Filhos que comem, dormem, não se sujam, não gritam."
(pag. 236)

Esforço e exigência em crescendo, em prejuizo da autonomia e empenho na incipiente carreira criativa de Mara. Talvez a compreensão das circunstâncias seja deturpada, como a falta de carinho e apoio do marido que descreve workaholic e subserviente, mas é profundamente honesta e genuína no seu sentir.

"Às vezes, pensa com tristeza, o facto de duas pessoas se amarem não é suficiente para sustentar um casamento. É preciso simbiose: crescerem juntas no mesmo sentido, ao mesmo ritmo, terem metas comuns. Nesse momento, a única relação de simbiose que existe naquela casa é entre Thomas e o Ministro; Mara foi devorada algures pelo caminho, como plâncton."
(pag.251)
Eloquente. Melhor do que as minhas palavras, preferi  retirar fragmentos para ilustrar o meu parecer.

Numa linguagem rica, elaborada e "viva" de pormenores, a autora descreve e insere Paris na narrativa como se de outra personagem se tratasse. Uma personagem com um papel a desempenhar na narrativa.
Os meandros do poder e a hipocrisia e ilusão que corrompem os envolvidos. Tanto para absorver neste romance, que se torna uma leitura pausada e analitíca.

Um prazer de ler!!!

terça-feira, 10 de julho de 2012

As Coisas Que te Caem dos Olhos

Autor: Gabriele Picco
Edição: 2012, Abril
Páginas: 216
ISBN: 9789896660918
Editora: Contraponto

Sinopse:
Ennio é um jovem tímido que tem um interesse muito especial: lágrimas, misteriosas gotas de água salgada que contêm sonhos, lembranças, medos… Quando vê uma, fotografa-a e inventa uma história. Contudo, o próprio Ennio não chora, nunca. Aprendeu a enterrar a dor, a ocultar os sentimentos e, com eles, o seu segredo mais inconfessável.
Fugindo do passado, Ennio parte para Nova Iorque. Certo dia, encontra o diário de uma rapariga japonesa: Kazuko. Deslumbrado pelos fabulosos desenhos que encontra naquelas páginas, Ennio parte numa busca incessante para devolver o livro à dona. Durante este périplo, a sua história entrecruza-se com a de outras personagens tão excêntricas quanto cativantes: Gianny, que tem uma fisga no nome; Arwin, que filma tudo o que o rodeia com uma câmara escondida no cabelo; Josh, que perdeu a mulher no atentado às Torres Gémeas e agora coleciona pó; e, ainda, uma gaivota ferida, resgatada da neve de abril – que, dizem, dá sorte.
Uma fábula enternecedora com pequenas ilustrações do autor. Gabriele Picco também desenhou a capa, que na realidade foi uma escultura que fez.

A minha opinião:
Uma fábula urbana sobre o amor e a imaginação. Uma fábula ... porquê? Para mim, uma fábula é um género narrativo em que as personagens são animais, que personificam carateristicas humanas como a fala.

Conto Urbano.
Personagens com comportamentos errantes ou desconcertantes, em consequência de situações passadas, de medo, dor, perda, solidão, culpa. A linguagem utilizada é a dos afetos nesta imaginativa narrativa. Estados de espirito, emoções e sentimentos sobressaem e são "lidos" pelo coração e não pela mente.

Ennio é a principal personagem, estranha e intrigante, que virou costas a algo em Itália,  e nos dá a conhecer uma panóplia de outras personagens como o patrão Gianny, rude e em stress para sustentar um negócio de sucesso, e, com alguma ambiguidade moral; Arwin e a sua omnipresente Zelda que filma tudo de uma éfemera existência; Jessica -  pequena irmã de Arwin doente; Josh e o trauma presente da perda da mulher no 11 de Setembro, que compulsivamente colecciona pó; Victoria, rica e solitária que troca emails com o vizinho, até se envolverem; e finalmente Kazuko, a excêntrica artista, que esqueceu um diário de imagens/ "biblia", que apaixona Ennio.
Aparentemente nada liga estas personagens, mas na imensa Nova Iorque, cruzam-se e convivem estas existências marcadas por algum tipo de amor e perda.

Pequenos contos num conto maior que o autor com uma linguagem simples e até poética (e os desenhos de Kazuko), muita criatividade e fantasia, nos envolve e arrebata como crianças grandes na ambiguidades dos sentidos e sentimentos.

Gostei do "humor" e sentir recalcado que representa o homenzinho na barriga do Ennio. Ennio que nunca chora e coleciona fotos de lágrimas.

"Faz-me lembrar uma das centenas de fotografias que tirou às lágrimas de pessoas. Começou em menino, com a sua Polaroid, e, agora, fotografar essas pequenas gotas salgadas com a máquina digital tornou-se para ele uma espécie de obscessão. Está convencido de que nas lágrimas das pessoas se pode ler o seu passado. Até as recordações mais longínquas..."

(pag. 32)
Diferente e ... primeiro estranha-se e depois entranha-se. A ler!

domingo, 8 de julho de 2012

Alma Rebelde


Autor: Carla M. Soares
Edição: 2012, Abril
Páginas: 288
ISBN: 9789720043375
Editora: Porto Editora

Sinopse:
No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios.
Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança.
Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor.
Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?

A minha opinião:
Um romance de época encantador. Li este romance de uma "assentada" só. Não foi uma surpresa porque correspondeu exatamente ao que eu esperava e desejava ler.

Um romance aprazível e encantador que de ínicio narra os sentimentos de uma jovem angustiada, de familia abastada mas sem título ou brasão, que encarava o casamento como uma escravidão e sevícias. Um espírito livre que se revoltava contra tal destino, a que estava sujeita a sua prima Ester com quem se correspondia regularmente.

A "voz" de personagens secundárias como a Ester ou mesmo D. Ana (a mãe do noivo) surgem através de cartas que pautam esta narrativa. Pertinente e muito interessante, que em muito valoriza este romance.

Numa escrita simples e serena, Carla M. Soares, conta uma história de amor entre duas personagens que se comprometem num casamento arranjado pelas respetivas familias como estranhos, e em que mais não aspiravam do que uma pacífica e respeitosa união, sendo surpreendidos desde o primeiro momento pelas controversas personalidades e sentimentos.

Santiago é uma personagem que corresponde ao imaginário de qualquer mulher. Seduz a leitora.

Não sendo um bestseller, é na minha opinião direccionado para um público jovem e sonhador, que tem o mérito de nos dar a conhecer uma nova autora portuguesa e proporciona-nos ainda assim, uma leitura fluida e muito agradável, com personagens verossímeis e convincentes.

Suave e tranquilo, é certamente uma agradável leitura. 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Fragmento

"- Pensar que umas gentes tão primitivas foram capazes de produzir algo tão extraordinário? - exclamou Hanna ao ver uma das ilustrações.
- A quem está a chamar "primitivo"? - replicou Ferguson.
- Os Chineses são os pais da pornografia; têm os mais antigos livros do mundo sobre o tema, que recua até ao ano 200 a.C. Aliás, os imperadores da dinastia Han chegavam a ser sepultados com as suas 'receitas de quarto' favoritas e com manuais de 'artes secretas'.
- Tudo para agradarem aos anjos! - exclamou Polly a rir.
- O Imperador Amarelo deitou-se com mil e duzentas esposas e concubinas, e subiu aos Céus com a alma pura - declarou orgulhosamente Ferguson, iniciando então uma palestra sobre as virtudes de se ter múltiplos parceiros amorosos ao longa da vida.- Ao deitar-se com muitas mulheres, o homem adquire uma reserva inesgotável de energia yin, que lhe prolonga a vida, lhe cura as doenças e lhe dá o poder de fazer um filho mesmo aos oitenta anos.
- E o que ganham as mulheres por se deitarem com muitos homens? - perguntou Linda Harris com uma expressão desaprovadora, embora fosse olhando de fugida para o livro ilustrado sobre a mesa.
- Sofrimento e seios descaidos, o que mais haveria de ser?! - sentenciou Polly, falando tão solenemente  como Ferguson, entre gargalhadas. - Para os homens é medicinal; para as mulheres é fatal."
(pag. 262)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Português Inquieto

Autor: Kunal Basu
Edição: 2012, Abril
Páginas: 432
ISBN: 9789892318103
Editora: ASA

Sinopse:
Lisboa, 1898: António Maria, jovem médico e afamado playboy, descobre que o seu pai está a morrer de sífilis, a terrível praga que afecta todas as camadas da sociedade. Órfão de mãe desde criança, António não se conforma com a ideia de perder o pai tão cedo. Mas os seus conhecimentos médicos de nada servem neste caso. Determinado a encontrar a cura, parte para Pequim, na esperança de que a medicina tradicional chinesa tenha a resposta que teima em escapar ao Ocidente. Sob a orientação do Dr. Xu, António inicia-se naquela prática ancestral. Contudo, esta não vai ser a sua única revelação a Oriente. Quando conhece a sedutora e independente Fumi, ele apaixona-se pela primeira vez.
Mas à sua volta, a violência eclode. A Rebelião dos Boxers ameaça todos os estrangeiros a viver no país. António terá de decidir-se rapidamente entre a fuga e a permanência na China, a sua segurança pessoal e a possível cura para o pai. E há ainda Fumi, o amor a que ele não tenciona renunciar e que o leva a questionar tudo, alterando irreversivelmente o rumo da sua vida.

A minha opinião:
O título, a capa e a sinopse deixaram-me inquieta ... por o ler. Um livro que promete e cumpre como sendo uma boa leitura.

Depois de ler O Gosto Proibido do Gengibre, de que tanto gostei, estava entusiasmada com este romance histórico. Uma narrativa sobre as aventuras de um português que na viragem para o século XX, viaja para um lugar distante e exótico para encontrar a cura para uma doença vergonhosa e atroz - a sífilis. Muito pouco sabemos hoje em dia, quanto tanto se fala na Sida, sobre esta doença sexualmente transmissível, que vitimava prostitutas, marinheiros, soldados e camponeses. Mas as classes priveligiadas também eram vitimas desta tenebrosa doença.

"A sífilis ... manisfestava-se de forma diferente em cada vitima. Em alguns casos, mantinha-se adormecida por vários anos, enquanto noutros atacava com toda a violência mal apareciam as primeiras feridas nas partes privadas. Era tão comum encontrar a campa de uma vitima jovem, que mal chegara à flor da idade, como a de um idoso que vivera uma longa vida, mesmo com sífilis."
(pags. 249/250)

António é uma personagem boémia, galante e carismática, muito parecido com o seu pai, um respeitado e conceituado médico.  Dois homens solitários ligados por uma ausência.

"Desde que António compreendera a irrevogável trajetória da caixa em que a sua mãe fora colocada, formara-se entre ele e o pai uma camaradagem silenciosa, fundada no imaginar do que poderia ter sido se ela ainda fosse viva."
(pag.19)

Uma narrativa colorida, pautada por descrições repletas de sons, cheiros e odores marcantes e distintos, personagens misteriosas e enigmáticas, diferentes e inspiradas, que nos transportam para um tempo e um lugar em conflito. Conflitos culturais e sociais numa espiral de violência e morte, onde António se apaixona por Fumi. Um amor obsessivo.

Um prazer de ler!

sábado, 30 de junho de 2012

A Sorte de Jim

Autor: Kingsley Amis
Edição: 2011, Maio
Páginas: 368
ISBN: 9789897220104
Editora: Quetzal

Sinopse:
James (Jim) Dixon é um jovem professor universitário de história medieval aborrecido com o seu trabalho e lutando por sobreviver a uma sociedade burguesa e provinciana. Nas várias frentes – superiores hierárquicos, colegas, alunos, namoradas – os equívocos, as maquinações, os mal-entendidos, os favoritismos (também exercidos por ele próprio) concorrem para o seu tormento. Jim fuma e bebe em demasia e dirige-se à desfilada para um ponto de rutura.
Jim terá a sorte de conseguir escapar às armadilhas das circunstâncias, libertar-se, sair por cima. Mas quão livre será o novo Jim?
Uma obra-prima sobre o homem em conflito com uma realidade ilegível, uma comunicação deteriorada por jogos, um ego imperscrutável e uma sociedade repressiva.
Considerado por Christopher Hitchens o livro mais divertido da segunda metade do século XX e, por Toby Young, o melhor romance cómico do século XX, A Sorte de Jim é uma hilariante sátira da vida académica britânica e um marco na literatura do pós-guerra.

A minha opinião:
Difícil entrar na estória e embrenhar-me na leitura. Possivelmente, por razões subjetivas como cansaço, depois de um ano exigente e muitas leituras.

Estava expectante em relação a este romance, porque numa critica referida ao alto da capa, era considerado como "O romance mais divertido da segunda metade do século XX", mas Jim é uma personagem cínica, critica e amargurada que narra um período da sua vida numa linguagem elaborada, cuidada, com recurso a figuras de estilo como ironia e sarcasmo. O humor é negro como a personagem que se sente frustado, e sobressai medo, irritabilidade, compaixão e aborrecimento. No meio, algumas situações hilariantes.

Uma análise aproximada da realidade, sobre a complexidade das relações humanas em contexto laboral, onde os interesses, favores e manobras visam a atingir certos fins e não os mais nobres. Uma sátira de usos e costumes atual.

Bem escrito mas uma leitura exigente e nada fácil. Não foi um dos meus preferidos. Mas mais uma vez, reconheço que tem mérito mas não surgiu no meu melhor momento.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Fragmento

“Na fotografia, Ethel encontrava-se numa fase inicial de remissão da doença, embora ainda lhe faltasse grande parte do cabelo à conta da radioterapia. O cabelo não caiu todo ao mesmo tempo, como se vê nos filmes. Foi caindo em tufos desiguais, grossos nalguns pontos, ralos noutros. Ela pedira a Henry que pegasse numa tesoura e o cortasse rente, coisa que ele fez a contragosto. Foi o primeiro de vários momentos íntimo que os dois partilhariam – uma longa licença sabática para Henry, que passou a dedicar-se exclusivamente aos cuidados diários da mulher, parte da mecânica da morte. Henry fizera tudo o que pudera. Porém, optar por cuidar carinhosamente dela foi como virar um avião para uma montanha o mais suavemente possível. O desastre é iminente; a única coisa que conta é a forma como passamos o tempo em plena queda.”

(pag. 42)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O Gosto Proibido do Gengibre



Autor: Jamie Ford
Edição: 2011, Maio
Páginas: 320
ISBN: 9789720043344
Editora: Porto Editora

Sinopse:
1986. Henry Lee, um americano de ascendência chinesa, junta-se a uma multidão que se encontra à porta do Hotel Panama, outrora o ponto de encontro da comunidade japonesa de Seattle. O hotel esteve entaipado durante décadas, mas a sua nova proprietária descobriu na cave poeirenta os pertences das famílias japonesas que, após o ataque a Pearl Harbor, foram enviadas para campos de internamento. Quando uma sombrinha de bambu é exibida, Henry recua quarenta anos e recorda Keiko, uma jovem de ascendência japonesa com quem criou um profundo laço de amizade e de amor inocente que ultrapassou os preconceitos ancestrais que opunham as duas comunidades. Quando Keiko e a sua família são enviados para um campo, apenas resta aos dois jovens esperar que a guerra termine para que as promessas que fizeram um ao outro se possam finalmente cumprir.
Passados quarenta anos, Henry, agora viúvo, ainda tenta encontrar uma explicação para o vazio que o acompanhou desde então; para a atitude distante de um pai que nunca entendeu; para a relação difícil com o filho; e, sobretudo, uma explicação para as suas próprias escolhas.

O Gosto Proibido do Gengibre é um romance extraordinário, que nos revela uma das épocas mais conflituosas da História dos Estados Unidos.

A minha opinião:
Tudo neste romance é terno, suave, delicado. Belo. Uma estreia absolutamente imperdível. Um autor de referência em futuros romances.

Uma parte da história (para mim menos conhecida) que não deve ser esquecida.  Discriminação étnica, raiva e cegueira contra cidadãos americanos de ascendência asiática em comunidades vizinhas mas em lados opostos na 2ª Guerra Mundial. Através da narrativa suave de Henry caminhamos a par e passo  ao passado e recordamos um outro ângulo da Guerra em que sentimos e interiorizamos uma lição. Que não é a cor da pele ou a aparência fisica que nos define mas o que fazemos e aquilo que as nossas ações dizem sobre nós.

Henry Lee recua 40 anos e recorda a amizade genuína e o seu primerio amor por Keiko. Um amor proibido. Um amor marcado pela dor e sofrimento do pai quando orfão emigrou para os EUA. Um amor afastado quando milhares de japoneses foram isolados em campos vedados e vigiados por homens armados. Um amor perseguido pela incompreensão humana em tempo de guerra.

"Henry estava a aprender que o tempo tende a criar distância, mais do que as montanhas e o fuso horário que os separavam. Uma distância real, aquela que nos faz sofrer e parar de pensar. São tantas as saudades que um sentimento tão grande começa a magoar."
                                                                                                                              (pag. 274)

A dificuldade comunicacional entre pais e filhos em que entram valores como a honra e a lealdade. A resistência humana quando a esperança é o alimento que os sustenta e tanto mais, que torna dificil saber como comentar este romance que tanto nos dá e muito nos acrescenta. Escrito com alma e coração.

Um grande, grande, grande prazer de ler.

terça-feira, 19 de junho de 2012

O Anjo que Queria Pecar

Autor: Francisco Salgueiro
Edição: 2012, Abril
Páginas: 240
ISBN: 9789895559459
Editora: Oficina do Livro


Sinopse:
O «Mistério da Boca do Inferno» assombrou gerações durante décadas. O inexplicável desaparecimento do célebre mestre do oculto e da magia negra Aleister Crowley, com a conivência do escritor Fernando Pessoa, colocou Portugal e a Europa em sobressalto nos anos 30.
Mas, factos só agora revelados demonstram que a conspiração se prolongou muito para lá do seu tempo, chegando aos dias de hoje e envolvendo uma perversa teia de sexo e manipulação orquestrada por uma criatura demoníaca, da qual foi vítima o Anjo que Queria Pecar.
Os títulos de cada capítulo do livro são frases escritas por Fernando Pessoa ou por seus heterónimos.

A minha opinião:
A capa é atraente e o título sugestivo, mas o que me convenceu foi o prólogo com a última frase convicta  do autor de que não conseguiria parar de ler. Um mistério finalmente revelado sobre o desaparecimento na Boca do Inferno, de uma sinistra personagem associada à magia negra, que infundia respeito ou temor - Aleister Crowley.
(Não é o primeiro livro que leio de um autor português que recorre a estes temas de fundo - espiritismo ou ocultismo  - o que não deixa de ser interessante num país onde a cultura e a religião é católica).

Romance, intriga policial, thriller manteve-me cativa da trama até ao final. O veredicto do autor confirmou-se, por mais estranho que isso me possa parecer, não consegui parar de o ler. Talvez, também eu tenha sido vitima das mensagens subliminares de que recentemente ouvi falar.

Não conheço o suficiente da obra, vida e personalidade de Fernando Pessoa para fazer paralelo com a personagem, mas creio que apesar de alguma pesquisa, trata-se de uma mera obra de ficção, fruto da imaginação do autor. De qualquer modo, todos sabemos um pouco sobre Fernando Pessoa, considerado um dos maiores poetas portugueses, mas um homem solitário e com um tremendo dessassossego interior que, se destacou assim pela sua genialidade mas se suicidiou aos 47 anos.

Intenso e perturbador com toda a envolvência de medo que transfigura tudo o que conhecemos e que sugestiona a comportamentos irracionais e violentos. Forte pulsão sexual em toda a narrativa que marca a conduta das personagens. Ficção a partir de personagens e factos reais.

Realço os pequenos capítulos com titulos retirados de frases do poeta neste pequeno livro que me supreendeu e agradou.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Melodia do Amor

Autor: Lesley Pearse
Edição: 2011, Agosto
Páginas: 520
ISBN: 9789892315973
Editora: ASA

Sinopse:
Liverpool, 1893. Os sonhos de Beth são desfeitos quando ela, o irmão Sam e a irmã mais nova, Molly, ficam órfãos. As suas vidas, até então tranquilas e seguras, sofrem uma dramática reviravolta. Para escapar a um futuro de miséria e servidão, Sam e Beth decidem arriscar tudo, atravessar o Atlântico e partir à conquista do sonho americano. Mas Molly é demasiado pequena para os acompanhar e os irmãos vêem-se obrigados a tomar uma decisão que os marcará para sempre: deixá-la em Inglaterra, a cargo de uma família adoptiva.
A bordo do navio para Nova Iorque não faltam vigaristas e trapaceiros, mas o talento de Beth com o violino conquista-lhe a alcunha de Cigana, a amizade de Theo, um carismático jogador de cartas, e do perspicaz Jack. Juntos, os jovens vão começar de novo num país onde todos os sonhos são possíveis.
Para a romântica Beth, esta será a maior aventura da sua vida. Conseguirá a Cigana voltar a encontrar um verdadeiro lar?

Uma história de amor incondicional e coragem sem limites. Um livro irresistível, da autora de Nunca me Esqueças, Procuro-te e Segue o Coração.

A minha opinião:
Uma epópeia vertiginosa de leitura compulsiva. Volumoso, mas de rápida leitura porque muitas são as aventuras, a um bom ritmo e com muita acção. Apesar de baseado em factos reais não deixa de ser claramente uma obra de ficção.

Este é um daqueles romances que nunca chamaram a minha atenção. A capa até é bela na sua simplicidade, mas a sinopse não captou o meu interesse. Contudo, apesar de não ser um best-seller é um romance agradável e bem construido, com personagens carismáticas, em que narra um período da história quando muitos procuravam melhores condições de vida ou mesmo fugir à miséria, e embarcavam à conquista do sonho americano. Primeiro Nova Iorque,  depois Filadélfia, a fuga para  Montreal e finalmente a corrida ao ouro em Dawson City, no Yukon, Canadá.

A personagem principal, Beth Bolton - A Rainha Cigana é uma superheroína - jovem, bela, forte, corajosa e muito talentosa, que arrebata a admiração e o aplauso dos muitos que a ouvem tocar violino. Acompanhada do irmão e de dois amigos, vão viver inumeras dificuldades e peripécias. O desfecho não me surpreendeu, aliás pareceu-me previsível (muitos romances lidos), mas ainda assim foi uma leitura empolgante como se projetasse toda a história em filme.

       "Ocorreu-me que nunca antes tinha conhecido um paz tão perfeita.  Desde que se conseguia recordar, sempre houvera gente e barulho à sua volta. Até nas montanhas, no trilho, houvera sempre pessoas por perto. Em Dawson, perguntara muitas vezes a velhos garimpeiros que viviam a quilómetros de distância  do vizinho mais próximo como conseguiam aguentar tamanho isolamento. Quase todos diziam que o adoravam. Fazia agora uma pálida ideia do porquê. O silêncio curava todos os males."
pag. 462

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Emmi e Leo - A sétima ond@

(Novidade que anseio ler, depois de Quando sopra o vento norte

Sinopse:
«Pensas que não te vejo, que não te sinto. Engano. Puro engano. Quando te escrevo, seguro-te bem junto a mim.»

Emmi e Leo são os protagonistas de um amor virtual apaixonante, que passou por todo o tipo de emoções, menos a de um encontro físico. A relação, iniciada no irresistível Quando sopra o vento norte, parece ter chegado a um impasse. Leo decide partir para os EUA, renunciando a um amor impossível.
Quando regressa, longos meses depois, o encontro entre ambos concretiza-se. Mas Emmi continua casada e Leo tem em Pamela o amor estável com que sempre sonhara.
Só que, na verdade, os dois amantes nunca estiveram mais apaixonados. Conseguirão eles, por fim, vencer o destino que parece teimar em separá-los?

Nota pessoal:
Não me considero viciada em compras mas há livros que se tornam uma verdadeira tentação depois de ter sentido imenso gozo a ler um outro livro, deste ou daquele autor. Tenho, devido ao delicado/ difícil momento económico em que vivemos, procurado conter estes meus impulsos consumistas mas, acabo por me persuadir que são um investimento e que muito, muito, muito mais tarde, irão constar do meu "testamento" (esperemos que haja algo mais com valor para o fazer) como herança para quem os valorizar.
Livros considero que são um bem essencial para o bem estar psiquico e emocional do ser humano. Cada um escolhe o que melhor lhe convêm, e obtêm conhecimento, e/ou sensações e emocões diversas. De qualquer modo, um livro acrescenta-nos sempre algo, mesmo que o armazenenos numa gaveta da memória.
Portanto, creio que na medida do possível, irei sempre sucumbir a um ou autor que admiro, e adquirir este ou aquele livro pelo prazer de o ler.

A última carta de Amor


Autor: Jojo Moyes
Edição: 2012, Junho
Páginas: 456
ISBN: 9789720043702
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Inglaterra, 1960. Quando Jennifer Stirling, uma mulher de vinte e sete anos, acorda no hospital, após um trágico acidente de automóvel, não tem qualquer lembrança da sua vida passada. Não reconhece o marido, não recorda a sua própria casa e tão-pouco se identifica com a vida que lhe dizem ser a sua. Quando encontra uma carta apaixonada, escrita por um homem que assina apenas «B» e que lhe pede para abandonar o marido, irá a todo o custo tentar descobrir a identidade desse homem, enquanto enfrenta os preconceitos sociais estabelecidos.
Anos volvidos, em 2003, uma outra mulher, Ellie, descobre nos arquivos poeirentos do jornal onde trabalha a mesma carta enigmática. Fica de imediato obcecada pela história, que lhe permitirá escrever um artigo que relance a sua carreira e talvez até a ajude a lidar com a sua própria vida amorosa. Afinal, se aquela história tiver tido um final feliz, quem lhe garantirá que o homem com quem se envolveu não acabe também por deixar a mulher?
Uma história de amor apaixonante e arrebatadora, com um final absolutamente inesperado.
 
A minha opinião:
Emotivo, intenso e surpreendente, o que se traduz num excelente romance. Imperdível. Vencedor do prémio Romantic Novel of the year 2011.

Jojo Moyes é uma escritora de referência para mim. Como tal, este romance chamou-me imediatamente a atenção. Mas o que tem este romance de tão especial para quem já leu tantos e tão bons romances?

       "Jennifer Stirling senta-se no sofá forrado a seda. o café a arrefecer no colo, e conta a história de uma jovem esposa no Sul de França, de um marido que, segundo ela, não era melhor nem pior do que os maridos dessa época. Um homem do seu tempo, incapaz de expressar as suas emoções, que considerava um sinal de fraqueza. E depois conta-lhe a história de um homem diametralmente oposto, um homem rezingão, obstinado, apaixonado, magoado pela vida, que a perturbou desde a noite que o conheceu num jantar ao luar."    (pag. 337)

Uma história de amor arrebatadora,  aliás duas histórias (uma passada na década de 6o e a outra em 2003), contada de um modo absorvente e viciante repleto de ação e emoção. Divida em três partes, em que no ínicio de cada capítulo há uma missiva passional, seja carta, email ou sms, reais, em que a autora realça a importância das palavras escritas no sentir de quem as escreve e de quem as recebe.

Um amor de uma vida composto apenas por memórias e cartas sem uma única foto.

       "Mas percebi, que no meio do caos, ter alguém que nos compreenda, que nos deseje, que nos veja como uma versão melhor de nós próprios é o presente mais maravilhoso de todos. Mesmo que não estejamos juntos. saber que, para ti, eu sou esse homem é uma fonte de sustentação para mim."
(carta de Rory para Ellie - pag. 370)

Mais do que palavras sobre o prazer e comoção que sentimos ao ler este romance, inspira-nos a sentir assim.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Segredos do Passado

Autor: Mary Nickson
Edição: 2012, Março
Páginas: 420
ISBN: 9789899711679
Editora: Noites Brancas
 
Sinopse:
Quando o passado nos limita, é preciso recomeçar uma nova vida, afastando as sombras da antiga. Segredos do Passado é uma bela história de amor passada entre lagos e castelos perdidos.
Há cinco anos, Isobel e Giles inauguraram um centro de artes na sua mansão escocesa. Agora, com mais um curso de escrita criativa prestes a iniciar-se, aguardam a chegada de um grupo a contas com o passado. Determinada a começar uma nova vida, Louisa Forrester parte para a Escócia em busca de aventura, novos relacionamentos e de uma segunda oportunidade.
Marnie Donovan é uma jovem americana que, após um passado marcado por vários abandonos, decide dar um novo sentido à vida. E para tal, quer encontrar a casa de infância de que a misteriosa benfeitora tanto lhe falara e assim honrar a sua memória.
Isobel Grant é uma mulher divertida e a perfeita anfitriã. Mas enquanto tenta manter as aparências de uma vida familiar idílica, enfrenta o maior desafio da sua vida, que coloca em causa o próprio casamento.
No decorrer do curso, Louisa e Marnie sentem uma crescente atração pelo enigmático Christopher Piper e, em pouco tempo, vão ser forçadas a encarar os seus medos mais recônditos e as escolhas que fizeram.
 
A minha opinião:
Uma estreia que não correu conforme as minhas expetativas. Reconheço as qualidades deste romance com uma narrativa cuidada e bem estruturada mas... não me prendeu.  Julgo que a excessivamente elaborada caracterização das personagens e de todo o ambiente que as rodeava numa letra muito miudinha, que dificultava a leitura, contribuiram para esta minha opinião. 
 
Um romance sobre o valor da amizade em pessoas com histórias de vida distintas e assaz dificeis, que resolveram experienciar um curso de escrita criativa num recanto belo da Escócia. Personagens emocionalmente ricas e consistentes que tem que ultrapassar traumas e dificuldades do passado ou então decifrar um enigma apresentado como uma caça ao tesouro para Marnie. 
As personagens que mais me cativaram foram as desavindas irmãs Isobel e Lorna que também elas disputaram o mesmo homem - Giles, tal como Marnie e Louisa por Christopher.  Emoções e sentimentos contraditórios em que o entendimento e a comunicação nas últimas, superou as diferenças.
 
Não deixa de ser um belo romance mas para mim foi muito extenso e descritivo. Uma escrita compassada e reflexiva que não foi oportuna. Talvez noutro momento consiga assimilar melhor este romance.

Fragmento

"A felicidade e a infelicidade são com frequência vizinhas uma da outra. Dito de outra maneira, poder-se-ia considerar que por vezes a felicidade se mete por uns atalhos bem estranhos. Não me tivesse Claude deixado naquela altura e, possivelmente, eu ter-me-ia ido encontrar com Bernardette naquela fria e nublada segunda-feira de novembro. Não teria andado a vaguear por Paris a sentir-me a pessoa mais solitária do mundo, não me teria, ao cair da noite e dominada pela autocomiseração, deixado ficar durante tanto tempo na Pont Louis-Phillipe a contemplar a água, não me teria refugiado do jovem polícia preocupado naquela pequena livraria situada na Île saint-Louis, e jamais teria encontrado o livro que viria a transformar a minha vida numa maravilhosa aventura."

                                             Pag. 23

LEITURA E PRAIA




(Assim aproveitei os últimos dias)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O Sorriso das Mulheres



Autor: Nicolas Barreau
Edição: 2012, Abril
Páginas: 292
ISBN: 9789898228895
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
O livro mais encantador da temporada

Para Aurélie Bredin, as coincidências não existem. Jovem, sensível e atraente, é a proprietária de um pequeno e romântico restaurante, Le Temps des Cerises, situado no coração de Paris, a dois passos do Boulevard Saint-Germain.
Naquele pequeno restaurante forrado a madeira, com toalhas aos quadradinhos vermelhos e brancos, o seu pai conquistou o coração da sua mãe graças ao menu d’amour. E foi ali, rodeada pelo aroma do chocolate e da canela, que Aurélie cresceu e onde encontra consolo nos momentos difíceis da sua vida. Mas agora, magoada pelo abandono de Claude, nem sequer a calidez acolhedora da cozinha é capaz de consolá-la.
Uma tarde, mais triste que nunca, Aurélie refugia-se numa livraria. Um romance, O Sorriso das Mulheres, chama a sua atenção. Quando o folheia, descobre que a protagonista é inspirada nela e que Le Temps des Cerises é um dos cenários principais.
Graças a esta prenda inesperada, volta a sentir-se animada. Decide entrar em contacto com o autor, Robert Miller, para lhe agradecer. Mas isso não é fácil. Qualquer tentativa de conhecer o escritor – um misterioso e esquivo inglês – morre na secretária de André Chabanais, o editor que publicou o romance.
Porém, Aurélie não desiste e quando um dia surge efectivamente uma carta do autor na sua caixa de correio, acaba por daí resultar um encontro bem diferente daquele que tinha imaginado…

A minha opinião:
Espirituoso.

Mais do que encantador, penso que a plavra que melhor o define é Espirituoso. Um romance que nos predispõe bem, e nos mantêm um sorriso no rosto porque o autor com a sua sensibilidade  e genialidade captou bem a natureza feminina e fez deste romance UM PRESENTE DOS CÉUS (palavras dele).

Gosto de ler os prefácios e os posfácios e recomendo que o façam porque melhor compreendemos o que se passa (passou) na mente do autor. Neste caso:

       "... pretendo que este permaneça um lugar da fantasia, um lugar em que os desejos ganham contornos de realidade e tudo se torna possível. O sorriso das mulheres é um presente dos céus, é o ínicio de qualquer história de amor..."

Este romance é belo na sua simplicidade e verossimilhança. Aurélie e André são credíveis. Podem ser inventados mas também poderia ser baseado nas muitas reviravoltas de duas pessoas apaixonadas (ou pelo menos uma delas), que finalmente se encontram depois de muitas peripécias, algumas delas hilariantes, outras nem tanto ou até mesmo sofridas, num cenário tão maravilhoso e romântico como o de Paris - a cidade luz/ cidade do amor e entre os requintados aromas e sabores da cozinha francesa.

Aguçaram-me a curiosidade sobre este romance. E ainda bem porque é um romance que deveria mesmo ler. O sentimento expresso neste divertido romance de André por Aurélie desde que ficou cativo do belo sorriso de Aurélie e que seduziu com o seu primeiro romance.

Um prazer de ler!
(Não gosto de classificar o que leio mas não resisto a definir o que me agradou muito como um prazer de ler. Normalmente são livros que pretendo adquirir e mais tarde reler.)