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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Todas as palavras de Amor

Autor: Ana Casaca
Edição: 2013, Janeiro
Páginas:
ISBN: 9789897020605
Editora: Editora Guerra & Paz 

Sinopse:
Numa viagem em busca de si mesma, Alice escreve a primeira de muitas cartas a um grande amor. Não imagina que, na morada para onde envia as cartas, vive António, um homem que nunca viu. O homem recebe a primeira carta e as palavras daquela mulher que também não conhece, confrontam-no com aquilo de que sempre fugira.
Alice é uma mulher divorciada à procura do seu próprio rumo. António é um padre que, nunca ousou trilhar o caminho do amor. Todas as Palavras de Amor é um romance que começa com a surpresa de um engano. Depois, em páginas de uma escrita fulgurante, aprendemos que um engano talvez seja a melhor forma de modificar duas vidas para sempre.

A minha opinião:
Gosto tanto de cartas de Amor. Como de receber flores. Emocionam pelo gesto e pelo muito que contêm e significam.

Num frio dia deste Inverno e com um estado de espírito soturno, triste, fiz a minha habitual ronda por uma livraria e deparei-me com este livro. A sinopse atraiu-me e sai acompanhada por esta história, que de pronto comecei a ler. Fiquei rendida e emocionei-me. Pode parecer cliché afirmar que é uma leitura compulsiva e viciante, mas não parei de o ler noite fora. Queria saber o destino de um Amor que tão bem se expressava em belas, singelas e verdadeiras palavras. Palavras que fazem eco em quem sente Amor.

Não sou influencíavel por campanhas de publicidade ou por inspirados comentários/ opiniões (apesar de partilhar as minhas), mas este livro veio de encontro ao que ansiava ler no momento. Palavras inspiradas que me fizessem estremecer de emoção.

Poderia ser mais desenvolvida, mas talvez perdesse o encanto. Afinal, o foco são os sentimentos de Amor entre as personagens princípais, Desamor entre Tomás e Sofia - amigos de António e envolvidos numa relação de longa duração e Ilusão de Amor entre Alice e Pedro. Também o Amor-filiar tem lugar nesta história expressa na sua quase totalidade por carta.

"Quando escrevo, digo o que jamais diria olhando nos olhos. Quando escrevo, sou dez vez mais eu do que quando falo e sinto que me escutaram melhor também, que me entenderam de uma forma mais íntima."
(pag. 83)

"Quando amamos alguém, temos de sair da nossa zona de conforto, temos de desprender as amarras que nos mantinham estáveis e segurarmos apenas a mão daquele que amamos, de olhos fechados e peito rasgado. "
(pag. 169)

Um grande prazer de ler!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

A Última Duquesa

Autor: Daisy Goodwin
Edição: 2012, Outubro
Páginas: 384
ISBN: 9789896264079
Editora: Esfera dos Livros
  
Sinopse:
Cora Cash, possivelmente a herdeira mais rica da América nos anos 1890, foi criada a acreditar que o dinheiro lhe podia abrir qualquer porta. Bonita, com um guarda-roupa invejável, vive no meio do luxo de uma mansão em Newport. Mas a sua autoritária mãe deseja vê-la casada com um nobre inglês. Pouco interessada nos sentimentos da filha, envia-a para Inglaterra para garantir o tão desejado casamento aristocrático. Cora fica consternada com a receção. As grandes casas que frequenta são geladas e muito desconfortáveis. Sem casa de banho e aquecimento central. Os corredores enchem-se de intrigas, e nas caves, nas alas dos criados, reina a coscuvilhice. Só quando perde o seu coração para o duque de Warehamm, um misterioso homem que quase não conhece, é que Cora percebe que está a jogar um jogo para o qual não está devidamente preparada, que não entende, mas onde a sua felicidade futura pode ser o preço.

A minha opinião:
Não sei se será por me sentir cansada e um tanto tensa, que esta leitura não me agarrou e arrastou-se bem mais do que o esperado. Gosto de romances históricos e descobrir diferenças de conduta e valores no sec. XIX tem o seu quê de fascinante, mas as personagens não as senti como credíveis, e como tal carismáticas. Outro aspeto que me desiludiu foi a opulência que me pareceu absurda dos Cash, quando o objetivo deveria ser realçar os excessos dos muito ricos do Novo Continente, em contraste com a decadência da aristocracia cheia de pergaminhos do Velho Continente.

Não vou alongar-me até porque é raro não apreciar um romance senão na sua totalidade, pelo menos em parte, mas este achei-o extenso, exaustivo em pormenores e assim um tanto maçador. Faço a ressalva sobre o meu estado de espírito que não se coadunou com esta leitura mais pausada e descritiva, mas não achei "brilho" ou "encantamento" nesta narrativa ou sequer nos diálogos. Um retrato de época sem glamour. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Dentro de Ti Ver o Mar

Autor: Inês Pedrosa
Edição: 2012, Outubro
Páginas: 344
ISBN: 9789722050999,
Editora: Dom Quixote
  
Sinopse:
Um romance provocador sobre os equívocos da globalização e os labirintos da identidade, que interroga, com paixão e humor, numa escrita luminosa e reflexiva, os sonhos e medos do nosso tempo.

Dentro de ti ver o mar. A frase era dele, e dissera-a sem sequer gaguejar. Dentro dela Gabriel perdia completamente a gaguez. A frase era dele e agora Rosa esperava que viesse reivindicar-lha. Era esse o seu engenho emancipatório. Dessa frase que não lhe pertencia surgira uma letra de fado e o sucesso da fadista, numa Lisboa saturada de novos heróis do fado. Procissões de artistas despontavam diariamente para o anonimato. O fracasso subia-lhes à cabeça.
A vida da fadista Rosa, que procura o pai que nunca conheceu, cruza-se com a de Farimah, que escapa ao fado desenhado pelo pai, e com a de Luísa, que não teve mãe e ofereceu a filha. A história de três mulheres desobedientes e de como cada uma delas encontra a sua própria voz.

A minha opinião:
"Dentro de Ti Ver o Mar" expressão de ternura e desejo de um amor sem esperança. Nome de um fado que Rosa compôs e canta com alma e coração. Fado é sobre saudade, solidão, dor, alegria, amor e obsessão. Síntese básica quando este romance alcança tanto mais numa escrita fluída, elaborada e madura que nos leva a reflectir sobre as circunstâncias quotidianas e as pessoas deste meio globalizado.   

Contrariamente ás minhas expectativas li este romance em dois dias, compulsivamente. Bem dimensionado, fácil de manusear e grafia adequada com personagens intrincadas e perturbadoras é um romance com sentir bem lusitano. Mais uma vez, as personagens femininas cativaram-me. Complexas, generosas e fortes, mesmo que sem consciência disso.

Uma agradável leitura, distinto, que mistura coerência com fantasia sem perder o interesse.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

As Primeiras Luzes da Manhã

Autor: Fabio Volo
Edição: 2013, Fevereiro
Páginas: 228
ISBN: 9789722349901
Editora: Editorial Presença
 
Sinopse:
Elena vive uma vida sem paixão. Mas agora, ao aproximar-se dos quarenta, a rotina fastidiosa que tomou conta dos seus dias e do seu casamento é cada vez mais difícil de ignorar. Deseja ardentemente uma mudança, mas o medo de arriscar é proporcional a esse desejo, e Elena continua à espera que seja a vida a tomar a iniciativa... Até ao momento em que ganha coragem e aceita o convite do colega de trabalho que há algum tempo se insinua junto dela. Este envolvimento intenso e inesperado inicia-a num erotismo pleno e sem tabus que a liberta e finalmente lhe abre caminho para a tão desejada intimidade com o seu próprio mundo afetivo.

A minha opinião:
Não conheço a escrita de Fabio Volo e qualquer um dos seus anteriores romances e daí o interesse em experienciar uma leitura de um bem sucedido e para mais italiano, autor. A sinopse tornou imperiosa e prioritária esta leitura. As primeiras páginas confimaram a  minha decisão porque de imediato gostei da direta e passional Elena. Uma mulher com alguma maturidade que toma consciência de si e da sua falhada relação matrimonial e abertamente assume opiniões, percepções, emoções e sentimentos mais profundos. Não é um tema novo mas a diferença está no modo como é abordado e a proximidade que o mesmo toca o(a) leitor(a).

O que me surpreendeu um pouco foi a descoberta da sensualidade e erotismo por Elena (um pouco à semelhança de alguns romances que grassam por aí recentemente), e depois perdeu-se num devaneio que não prometia terminar bem. 

Um autor que me cativou e que irei seguir. Admirável como consegue compor uma personagem feminina com tal sensibilidade e expressividade que se reconhece em amigas e conhecidas com experiências de vida análogas.
Se possivel vou tentar ler os romances anteriores para desfrutar de um autor que parece ter muito a contar.
 
"Toda a mulher deveria encontrar um homem que a levasse pela mão e a guiasse até à sua própria intimidade. Um homem capaz de, com um só abraço, reconstituir-lhe uma vida inteira."
(pag. 97)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Uma história por contar

Autor: Monica Ali
Edição: 2013, Janeiro
Páginas: 296
ISBN: 9789722524698
Editora: Bertrand 
Sinopse:
E se a princesa Diana estivesse viva?
Quando a princesa Diana morreu em Paris, tinha trinta e sete anos. Se tivesse sobrevivido, faria cinquenta e um anos no dia 1 de julho de 2012. Quem seria ela agora se estivesse viva? O que faria? E onde?
Monica Ali, uma das escritoras mais versáteis e ousadas do nosso tempo, imaginou um destino diferente para Diana no seu novo livro. Uma década após o acidente de Paris, uma mulher britânica chamada Lydia vive numa pequena cidade norte-americana. Tem um círculo de amigas: uma tem uma loja de roupa, outra é agente imobiliária, outra é uma mãe a tempo inteiro. Lydia é voluntária num canil e gosta de nadar. O namorado, que a adora, sente que ela não se dá a conhecer. Quem é ela?
Uma História por Contar fala dos custos da fama, do sentido da identidade e da possibilidade (ou impossibilidade) de se reinventar uma vida. A princesa ficcional de Monica Ali é bonita, intrépida e engenhosa e conseguiu para si própria uma paz frágil. Mas depois o passado ameaça destruir a sua nova vida.

A minha opinião:
Diana Frances Spencer, mais conhecida como Diana, Princesa de Gales, e neste romance Lydia Snaresbrook, a complexa mulher que se reinventou para além do mito e do conto de fadas que era um real pesadelo.
Diana, foi possivelmente a mulher mais amada, admirada, invejada e incompreendida do sec. XX. Um paradoxo que a personagem do seu Secretário particular, Lawrence Standing,  expõe em diário privado durante os últimos dias da sua vida, como sendo quem intimamente a conheceu e ajudou. Revelador porque inclui muitos dados que publicamente foram divulgados mas aqui considerados sobre um prisma humano.

Um romance suave e subtil que foca a essência feminina não só através da narrativa de Lydia mas também na sua relação de amizade com Tevis, Amber, Susie e Esther. Dúvidas, anseios e receios.

Sereno até à reviravolta com a casual visita de Grabowski, um conturbado foto-jornalista que se dedicava sem êxito a escrever um livro sobre tudo o que recolhera sobre Diana, a ser publicado dez anos após o seu desaparecimento, quando reconhece algo de deslumbrante na Lydia e começa uma perseguição alucinante como ambas as personagens o sentiam.

Depois do romance, o thriller. O final restaura-me a fé no ser humano.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Fragmento

"Todas aquelas obsessões, bem como a busca maníaca de conforto (na comida, nas terapias, no amor), não carregam a marca indelével de uma personalidade defeituosa ou de uma ansiedade patológica. Vi no seu comportamento a reação de uma vida em permanente estado de crise, sob um insuportável nível de escrutínio, na tóxica e altamente inflamável estratosfera da fama.
Outros houve que lidaram com isso? Não é argumento que me convença. Mais ninguém viveu ao seu nível, com as mesmas restrições, na era dos multimédida vinte e quaro horas por dia. Não me ocorre uma comparação justa."

in "Uma história por contar" de Monica Ali, pag. 145

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O Diplomata


Autor: Vasco Ricardo
Edição: 2012, Dezembro
Páginas: 140
ISBN: 9789898629050
Editora: Pastelaria Studios
 
Sinopse:
Gabriel é um político norte-americano de topo que possui uma família perfeita e uma reputação imaculada. Contudo, por detrás da sua figura exemplar, um outro homem emerge. Violento, frio e calculista, Gabriel parte em busca de algo e não parará enquanto não for bem-sucedido.
"...E quando já ninguém chorava, dei por mim a verter lágrimas que cheiravam e sabiam a sangue..."

A minha opinião:
Já deixou de ser surpresa, ler um bom livro escrito por um autor português. E mais uma vez o confirmo e por essa razão, opto por o fazer quando a sinopse, a capa ou uma critica me suscitam curiosidade e interesse. 
 
A Capa é forte e apelativa e uma boa introdução para lhe pegar e começar a leitura.
 
Sucinto e objetivo, perfeito para ler numa tarde fria mas solarenta como hoje, conjuga ação, intriga, suspense e vingança numa narrativa... aliás duas. Presente e passado, Ocidente e Oriente, fausto e miséria, em duas narrativas distintas mas que acabam por convergir como o leitor o deduz, mas não sem alguns desenvolvimentos inesperados. Uma trama bem urdida, com um Secretário de Estado da poderosa  nação americana, que tem o perfil adequado para desempenhar o seu objetivo com sucesso e brilhantismo. E também, a história de  uma criança inteligente sujeita a sobreviver numa familia de pessoas corajosas e com princípios, numa aldeia sem recursos, num país em que o medo,  a violência e a fome grassam e matam impunemente.
Apresentação de um filme de Hollywood e notícia ou documentário de uma qualquer estação televisiva. Duas história que encaramos com atenção e interesses diferentes num mundo que se deseja mais justo.
 
Um livro sem grandes pretensões mas com inegável qualidade dado que oferece uma alternativa de  leitura aprazível e compulsiva.
Recomendo.
 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Cada dia, cada hora

Autor: Nataša Dragnić
Edição: 2012, Outubro
Páginas: 256
ISBN: 9789720043542
Editora: Porto Editora

Sinopse:
"Tudo é como sempre foi quando estão juntos. Sem tirar nem pôr. (...) É a perfeição da vida. Como se o tempo não existisse sequer."
Como nos versos de Pablo Neruda, Dora e Luka sentem, "cada dia, cada hora", estar destinados um ao outro. Em crianças eram inseparáveis, até ao momento em que a família de Dora parte da pequena cidade croata onde viviam. Dezasseis anos mais tarde, o destino volta a uni-los, desta vez em Paris. É evidente que foram feitos um para o outro, mas a vida encarrega-se de separar os seus caminhos. Cada dia, cada hora é a história de um amor atemporal e único, tão poético e comovente como a voz em que é narrado. Desde a costa do Adriático até aos teatros de Paris, o romance de Dora e Luka faz-nos sonhar com os amores perdidos ao longo da vida e devolve-nos a esperança num final feliz.

A minha opinião:
Um amor verdadeiro, desejável e universal, feito de pensamentos e emoções pausadamente exprimidos a duas vozes em paralelo, com frases curtas e incisivas em pequenos capítulos. A linguagem do sentir que sem o suporte de uma narrativa mais contextualizada e elaborada é invulgar, mas ainda assim permite uma leitura intensa e escorreita. Um romance diferente mas que sensibiliza e agita as emoções do leitor porque tudo parece tão simples em duas pessoas destinadas a estar e a ficar juntas mas ... estes dois com alma de artistas, que desde muito jovens tanto se atraem... (e mais não conto, porque este é um romance que merece ser lido e sentido).
 
"Tudo é como sempre foi quando estão juntos. Sem tirar nem pôr. Cada movimento de um complementa o movimento do outro. Tudo se ajusta. Continuamente. Corpos, olhares, palavras. É a perfeição da vida. Como se o tempo não existisse sequer. Como se não houvesse outro tempo."
(pag. 209)
 
Este fragmento que parcialmente se encontra na sinopse, parece-me uma boa imagem deste Amor que transcende o tempo e os outros, mas não as barreiras auto-impostas entre o Querer e o Poder ou o Dever. Um belissimo romance de estreia, de uma autora que desejo acompanhar num futuro que espero breve.
 
Um prazer de ler! (Que sorte a minha. Um auspicioso ínicio de ano literário.)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O Segredo de Sophia

Autor: Susanna Kearsley
Edição: 2012, Junho
Páginas: 512
ISBN: 9789892319445
Editora: ASA

Sinopse:
Carrie McClelland é uma escritora de sucesso a braços com o pior inimigo de qualquer artista: um bloqueio criativo. Em busca de inspiração, ela decide mudar de cenário e visitar a Escócia, onde se apaixona pelas belas paisagens e pelo Castelo de Slain, um lugar em ruínas que lhe transmite uma inexplicável sensação de pertença e bem-estar. Tudo parece atraí-la para aquele lugar, até mesmo o seu coração, que vacila sempre que encontra Graham Keith, um homem que acaba de conhecer mas lhe é, também, estranhamente familiar.Com o castelo como cenário e uma das suas antepassadas - Sophia - como heroína, Carrie começa o seu novo romance. E rapidamente dá por si a escrever com uma rapidez invulgar e com um imaginário tão intrigante que a leva a perguntar-se se estará a lidar apenas com a sua imaginação. Será a "sua" Sophia tão ficcional como ela pensa? À medida que a sua escrita ganha vida própria, as memórias de Sophia transportam Carrie para as intrigas do século XVIII e para uma incrível história de amor perdida no tempo. Depois de três séculos de esquecimento, o "segredo de Sophia" tem de ser revelado.

A minha opinião:
Um romance maravilhoso. Devaneio entre páginas. 
 
Retardei a leitura só pelo prazer de viajar por paisagens e cenários de sonho junto ao mar da Escócia. Personagens admiráveis e interessantes, mobilizadas por valores e ideais como a restauração ao poder do rei Jaime Stewart VIII da Escócia,  tornaram muito dificil interromper a leitura sem ansiar por saber mais. Mas não é apenas a parte de romance histórico que cativa o leitor porque a presença e atítude de Carrie e Graham num romance contemporâneo tornam este livro digno de ser lido e relido.

Narrativa segura e suave contada em dois tons. Primeira pessoa do singular com a Carrie e terceira pessoa do singular quando se trata da história de Sophia, uma personagem fascinante e forte que resistiu a várias vicissitudes. Como a autora escreveu: "Qualquer obra de ficção histórica é baseada em pessoas reais" e esta é resultado de um apurado estudo e muito empenho num romance absolutamente imperdível pelo carisma das personagens que se tornam compreensivelmente reais para o leitor.
Duas épocas diferentes separadas por três séculos de História, que Carrie recupera quando escreve o seu romance em que pela primeira vez a protagonista é uma mulher, mas na qual os homens também tem papeis preponderantes. Semelhanças e dissonâncias na história de ambas.

Há romances que merecem uma maior projeção e divulgação e este é certamente um desses casos. A capa bonita não é suficientemente apelativa e não espelha o conteúdo deste forte e inspirado romance, que não é exclusivamente para um público feminino.
 
Um prazer de ler!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Claraboia

Autor: José Saramago
Edição: 2011, Outubro
Páginas: 400
ISBN: 9789722124416
Editora: CAMINHO

Sinopse:
«Claraboia é a história de um prédio com seis inquilinos sucessivamente envolvidos num enredo. Acho que o livro não está mal construído. Enfim, é um livro também ingénuo, mas que, tanto quanto me recordo, tem coisas que já têm que ver com o meu modo de ser.» José Saramago

"Em janeiro de 1953, com 30 anos, sob o pseudônimo Honorato, José Saramago concluiu o seu segundo romance, "Claraboia".
Por caprichos que a literatura é pródiga em operar, quase 60 anos depois, o livro é publicado. Um presente deixado por Saramago, segundo a viúva".

A minha opinião:
Poderia afirmar que este livro me surgiu de repente e como tal não o referi antes, mas não é verdade. Emprestaram-mo há um ano e eu guardei-o sem grande convição de o ler. Supunha erradamente que seria maçudo ou cheio de ideias políticas, com o uso particular da sintaxe e pontuação de Saramago. Contudo, como não gosto de devolver um livro sem o ler, li as primeiras páginas e fiquei tão agradávelmente surpreendida que não parei. Afinal, sempre o devolvi lido.

Uma narrativa simples e segura que, de tão bem elaborada acusa o espiríto vivo, acutilante e critíco do autor. Retrata "aproximadamente" o prédio da minha infância com os seus inquilinos. Um vislumbre do passado, um recuar no tempo, mas sem ser antiquado ou desatualizado porque a natureza humana e as relações afetivas são intemporais. Uma pequena comunidade habitada por seis familias analisada à lupa ou como que observada através da claraboia daquele prédio, para lá de portas e janelas fechadas. Tanto para lá do que era permitido pela moral e bons costumes que a censura não poderia deixar passar.

Bem escrito e com alguma profundidade, foi um prazer de ler, principalmente os diálogos respeitosos entre o Silvestre e o Abel. Dois homens que pensavam e avaliavam o sentido da vida à luz do seu saber.

As personagens são estereótipos da classe média portuguesa de então e cada pequeno capítulo caracteriza personagens e situações do quotidiano de cada uma dessas familias com o seu quê de conflitos, ambiguidades ou dificuldades.

Retive este fragmento de diálogo entre as minhas personagens favoritas que já mencionei:
"Não, não fujo. Aprendi a ver mais longe que a sola destes sapatos, aprendi que, por detrás desta vida desgraçada que os homens levam, há um grande ideal, uma grande esperança. Aprendi que a vida de cada um de nós deve ser orientada por essa esperança  e por esse ideal. E que se há gente que não sente assim, é porque morreu antes de nascer. Sorriu e acrescentou: Esta frase não é minha. Ouvi-a há muitos anos...
- Na sua opinião, eu pertenço ao grupo daqueles que morreram antes de nascer?
- Pertence a outro grupo, ao grupo dos que ainda não nasceram.
- Não está a esquecer-se da experiência que tenho?
- Não esqueço nada. A experiência só vale quando é útil aos outros e o Abel não é útil a ninguém."
(pag.219)
Não julgo o homem mas apenas a obra, porque talvez algumas ideias préconcebidas tenham-me impedido de ser mais consistente no meu ajuízar. Tenho ainda muito a aprender...

sábado, 19 de janeiro de 2013

O Sedutor

Autor: Madeline Hunter
Edição: 2012, Outubro
Páginas: 368
ISBN: 9789892318462
Editora: ASA
 
Sinopse:
Diane Albret é órfã e passou a maior parte da sua vida num colégio interno. Sem mais família, está habituada a receber apenas uma visita: Daniel St. John, o seu irresistível tutor. Ao longo do tempo, ele visitou-a sempre uma vez por ano. Mas o seu mais recente encontro reserva-lhe uma surpresa: Daniel esperava encontrar uma menina e Diane é já uma bela e carismática mulher. Ele aceita retirá-la da clausura do colégio e levá-la consigo para Londres. Porém, ambos têm planos que preferem manter em segredo.
Diane está decidida a descobrir o que se passou com a sua família, que nunca chegou a conhecer. Só Daniel pode revelar o que ela tanto deseja saber, mas ele tudo fará para que o passado permaneça secreto, pois os seus efeitos representam uma ameaça fatal para a vida de ambos. Por seu lado, Daniel está subtilmente a usar a inocência da sua protegida para uma vingança que planeia há mais de uma década.
Mas a crescente proximidade entre ambos ameaça dificultar-lhes os planos e, pouco a pouco, eles apercebem-se de que têm mais em comum do que julgavam. Poderá um novo amor triunfar sobre ódios antigos?
 
A minha opinião:
Madeline Hunter não nos traz nada de novo neste romance de época, mas era exatamente isso que eu pretendia. Um romance focado nas princípais personagens e na relação de sedução que tem o desfecho esperado. Personagens desassosegadas com um passado misterioso, mas um carisma e elegância indiscutíveis que se seduzem mutúamente.

Daniel St. John é o homem diabo para a Diane jovem. Dono de um poderoso magnetismo e muito viril conseguiu sem ascendência nobre enriquecer com o seu esforço e inteligência. O ideal masculino dos romances de Madeline Hunter que, no passado faziam sonhar e suspirar muitas donzelas românticas e apaixonada.  Agora proporcionam-nos uma leitura fantasiosa e de entretenimento.

Muito bem escrito e com peripécias e contrariedades que nos prendem até ao envolvimento e arrebatamento sexual anunciado. E depois até ao desfecho com as rocambolescas situações de afastamento e aproximação, tal é a atração e desejo que os liga.

Em dias como este, tempetuosos, é particularmente agradável descontrair com um livro na mão e escutar o vento a bater nas vidraças e a chuva a cair. Reconfortante quando estamos no aconchego do lar. Boas leituras para quem escolheu passar o fim de semana como eu.

domingo, 13 de janeiro de 2013

A Culpa é das Estrelas

Autor: John Green
Edição: 2012, Setembro
Páginas: 256
ISBN: 9789892320946
Editora: ASA
 
Sinopse:
Apesar do milagre da medicina que fez diminuir o tumor que a atacara há alguns anos, Hazel nunca tinha conhecido outra situação que não a de doente terminal, sendo o capítulo final da sua vida parte integrante do seu diagnóstico. Mas com a chegada repentina ao Grupo de Apoio dos Miúdos com Cancro de uma atraente reviravolta de seu nome Augustus Waters, a história de Hazel vê-se agora prestes a ser completamente rescrita.

PERSPICAZ, ARROJADO, IRREVERENTE E CRU, A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars no original) é a obra mais ambiciosa e comovente que o premiado autor John Green nos apresentou até hoje, explorando de maneira brilhante a aventura divertida, empolgante e trágica que é estar-se vivo e apaixonado.
 
A minha opinião:
Devastador. E honesto, mesmo tratando-se de uma obra de fição. Um romance desafortunado entre dois belos e inteligentes jovens
 
Difícil de ler enquanto mãe. Esta temática é um dos mais temidos medos que encerramos dentro de nós relativamente a algo para o qual somos completamente impotentes. Uma obra de fição apenas e deste modo, o autor tenta perservar-nos à magoa e ao sofrimento que não nos deixa indiferentes.
Lúcidas, sarcásticas e irreverentes, assim são as personagens que encontramos nesta narrativa bem composta e bem escrita.
 
"Os meus pensamentos são estrelas que eu não consigo incluir em constelações." (pag. 251).
 
Um romance de vida e de morte, e de todos os que acompanham o que de muito acontece nesses termos. Uma guerra com um vencedor anunciado. Uma guerra com destemidos lutadores que outra opção não tem. Uma guerra sem heróis em que alguns receiam o esquecimento e a indignidade.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Fragmento

"Baloiço Desesperadamente Só Precisa de Casa Acolhedora 

Um baloiço bastante desgastado mas seguro em termos de estrutura, procura uma nova casa. Construa memórias com o seu filho ou filhos, para que um dia, ele ou ela ou eles olhem para o jardim das traseiras e sintam a dor do sentimentalismo de modo tão desesperado como eu senti estar tarde.

Tudo é frágil e fugaz, caro leitor, mas, com este baloiço, o(s) seu(s) filho(s) serão apresentados  aos pós e contras da vida humana de uma maneira calma e segura, e poderão também aprender a lição mais importante de todas: Por mais impulso que se dê, por mais alto que se chegue, não se consegue dar a volta completa."
(pag. 105)
(Este excerto em forma de anúncio  deve ser    muito divulgado  na Net. Ainda assim não resisti a partilhá-lo também, pela sabedoria e beleza que encerra nestas poucas palavras.)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

De Malibu, com Amor


Autor: Elizabeth Adler
Edição: 2012, Julho
Páginas: 352
ISBN: 9789897260094
Editora: Quinta Essência
Sinopse:
Uma história de mistério, romance e glamour…
Quando o detective privado das estrelas de cinema, Mac Reilly, ouve o grito de uma mulher a sobrepor-se ao ruído das ondas a rebentar, a sua vida altera-se para sempre. Uma bela mulher perturbada envergando apenas um negligée preto de renda à porta de uma fabulosa casa de praia aponta-lhe uma arma.
Mac escapa à bala, mas por pouco. Quem é aquela mulher? Dias depois já desapareceu e a Smith & Wesson com que quase o matou aparece no carro dele.

Praticamente ao mesmo tempo, Allie Ray, estrela do grande ecrã e namoradinha da América, desaparece também. As duas mulheres estão relacionadas e Mac vê-se de repente envolvido numa teia de enganos. Vai precisar de ajuda para conseguir apurar toda a verdade.
É aqui que entra em cena Sunny Alvarez. Sunny e Mac têm uma relação marcada por alguns arrufos. Ultimamente, muitos arrufos. Mas agora ele precisa dela mais do que nunca.
Juntos iniciam uma perseguição que os levará da Califórnia do Sul até às praias do México, das ruas de Roma até às zonas rurais de França. Mantêm-se um passo atrás de um assassino esquivo e um passo à frente de uma actriz que só quer desaparecer...
Com as descrições, reviravoltas no enredo e personagens irresistíveis que são a imagem de marca de Elizabeth Adler, De Malibu, com Amor é suspense no seu melhor.
Em Malibu, Mac Reilly é um especialista em crimes relacionados com o mundo do cinema. No entanto, o detetive certamente não esperava deparar com uma mulher em negligée preto a apontar-lhe uma arma. Assim que se esquivou da bala, a desconhecida fugiu. Quem poderia ser aquela beldade misteriosa? Ao mesmo tempo, é anunciado o desaparecimento de Allie Ray, estrela de cinema, querida da América. Mac está convencido de que os dois casos se encontram relacionados... Mas como prová-lo? Para o ajudar, conta com a sua noiva eterna, a sublime Sunny Alvarez. Ambos irão envolver-se numa investigação que os leva da Califórnia às praias do México, das ruas de Roma ao interior da França em busca de um assassino e de uma atriz que quer a todo o custo recuperar o anonimato...

A minha opinião:´
Elizabeth Adler e uma longa sinopse deram -me uma antevisão do que iria ler - romance, aventura, intriga, suspense e investigação num formato leve e fluido que predispõe bem e termina melhor - os bons vencem e os vilões morrem ou são punidos. Muito glamour e muitas viagens - Malibu, Roma, México e Sul de França.

Neste romance de Elizabeth Adler o que me cativou foi a possibilidade de revisitar ou recordar lugares de boa memória, através das sintéticas descrições dos locais  idílicos onde decorre a ação.

Mac Reilly, Sunny e Allie Ray são as personagens princípais enquanto Pirate, Tesoro e Querido são personagens secundárias caninas numa ligação que une os donos aos seus animais e enternece o leitor. Ação e mistério quanto baste, numa teia que envolve crimes, fraudes, perseguições e ameaças motivadas por ganância, despeito e inveja. Glamour, luxo e a exuberância em Hollywood que fascina mas aprisiona e/ ou desumaniza os protagonistas de tanto sucesso.

Narrativa nada monótona mas um tanto previsível, que tem o mérito de prender o leitor, preferencialmente do sexo feminio.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Um Casamento no Natal

                                            
                                              


Autor: James Patterson e Richard DiLallo
Edição: 2012, Outubro
Páginas: 192
ISBN: 978-972-23-4897-3
Editora: Presença
 
Sinopse:
Está tudo a postos para se festejar o Natal, mas este ano o maior motivo de celebração é o casamento de Gaby Summerhill. Desde que o marido morreu três anos antes, os seus quatro filhos seguiram rumos diferentes, consumidos pelos problemas das suas vidas. Mas quando Gaby anuncia que se vai casar – e que a identidade do noivo permanecerá secreta até ao dia do casamento – talvez assim consiga ter finalmente a família reunida. A partir de personagens envolventes e um enredo emotivo, Um Casamento no Natal lança um olhar luminoso sobre as relações familiares e a magia da época natalícia.
Uma noiva, três propostas de casamento... Quem será o escolhido?

A minha opinião:
Nesta época festiva que hoje finda, apeteceu-me muito ler um romance que estava imbuído do verdadeiro espírito de Natal: amor, respeito, solidariedade e fraternidade.
E sempre James Patterson que, garantidamente nos proporciona uma leitura envolvente,  arrebatadora e muito divertida. Algum suspense, mas distinto do que carateriza os policiais... sonhador.

"O tempo voa. (...) Se vocês não lerem - tanto com o coração como com o cérebro - serão um adulto estúpido. Pior ainda, perderão uma das melhores experiências que poderão ter. Não encontrarão, em parte alguma,  pessoas mais interessantes do que nos livros. Eu já conheci montes de pessoas, e já li montes de livros, e isto é a verdade pura.
(...)
Sabem, uma das melhores coisas acerca da leitura é termos sempre alguma coisa em que pensar quando não estamos a ler."
(pag.90)
Este excerto sintetiza tudo. Percpecionamos o encantamento que todas as personagens nesta fantasia de Natal exercem sobre o leitor. A generosa Gaby que com a sua bondade simples acrescentava força e sabedoria a tudo o que dizia e assim aglutinava todos em seu circulo com afeto. Os filhos e principalmente os três pretendentes, que mantinham entre si uma sólida amizade apesar de "lutarem" pelo amor de Gaby. Qualquer um deles, faria a felicidade de qualquer Gaby, em qualquer lugar e tempo e ficamos assim em suspense sonhador até, sabermos qual dos três será o noivo de Gaby.
 
Em pequenos capítulos "conhecemos" os quatro filhos, genros, nora e netos de Gaby e entrevemos um tanto das suas vidas com todas as dificuldades e alegrias. Personagens que nos dão que pensar quando não estamos a ler.

Um prazer de ler!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Alex Cross

Autor: James Patterson
Edição: 2012, Novembro
Páginas: 384
ISBN: 9789898626011
Editora: Topseller
 
Sinopse:
Alex Cross era uma estrela em ascensão na Polícia de Washington DC quando um desconhecido assassinou a sua mulher, Maria, à sua frente.
Anos mais tarde, Alex deixou as forças de segurança e regressou à carreira de psicólogo, revelando-se um bem-sucedido escritor de livros policiais. A vida com a sua avó, Nana Mama, e os filhos Damon, Jannie e o pequeno Alex parece correr na perfeição, e o detetive admite mesmo viver um novo amor.
É nesta fase que John Sampson, o seu antigo parceiro na Polícia, lhe pede ajuda para capturar um perigoso criminoso. Cross regressa então à ação, sem saber que se prepara para enfrentar o assassino da sua própria mulher.
Tem início a busca pelo homicida mais astuto e psicótico que jamais enfrentou, que o vai empurrar perigosamente para o ponto de rutura.
 
A minha opinião:
Nada como fazer a transição de ano, intervalando os festejos e os votos de Bom Ano, com uma leitura vibrante, viciante e compulsiva. James Patterson é  exímio nisso, seja com romances ou policiais. Prefiro romances, mas de quando em quando gosto de um bom policial com muito  suspense, acção e intriga.  De arrepiar e tirar o fôlego com os brutais crimes e violações de um psicopata em série como Michael Sullivan.
 
Alex Cross é uma personagem tão normal e humana quanto credível, sem rasgos de genialidade mas com sensações a que dá crédito em momentos críticos, e assim cativa os leitores que se identificam com ele. Chefe de familia, ou quase, não fosse o protagonismo da avó Nana com a familia Cross, e ele estaria perdido sem todo aquele afeto e organização.  
 
E que eloquente e terno que é, todo aquele amor que ainda devota à falecida mulher Maria. As memórias de tempos felizes que perserva, mesmo nos momentos mais dificeis e desgastantes com crianças pequenas choronas.
 
A mente do criminoso que nos fascina, bem como as acções que nem conseguimos conceber, prendem-nos a esta leitura de uma trama bem urdida e bem escrita em pequenos capítulos - 122 - ao longo das suas 384 páginas, até ao seu desenlace. Algumas surpresas, muito suspense e crimes e a perseguição de Alex Cross e John Sampson tornam este policial imperdível para quem aprecia o género.
 
Muito bom mesmo. Apesar de ser mais um de vários da série Alex Cross. Mal posso esperar para ver o filme.


sábado, 29 de dezembro de 2012

O funeral da nossa mãe

                                             

Autor: Célia Correia Loureiro
Edição: 2012, Outubro
Páginas: 437
ISBN: 9789898455482
Editora: Alfarroba
Sinopse:
Quando, aos 58 anos, Carolina Alves decide pôr termo à vida, deixa um pedido concreto às suas três filhas: que se reúnam na festa em honra da padroeira da vila e que recuperem os laços de sangue que as consagram irmãs. Luísa emigrou para Paris, decepcionada com a frieza da mãe; Cecília é pianista e vive num alheamento artístico constante e Inês refugiou-se na política para fugir à negligência da família.
Com a ajuda da tia Elisa, vão regressar aos campos de alfazema da infância e desvendar ao longo de quatro dias o passado inesperado de Carolina. Os seus erros, as suas fraquezas e, numa reviravolta inesperada, o acto vil que lhe permitiu prender a si há trinta e oito anos aquele que viria a ser o pai das suas filhas...
 
A minha opinião:
Um romance de emoções e afetos.
 
Já há algum tempo que descobri a alma lusa em inspirados e bem escritos romances de autores portugueses, contrariando assim o meu ceticismo e desconfiança sobre a capacidade e competência dos mesmos de me agradarem  com um romance que fica na memória. Claro que não me refiro aos conceituados e indiscútiveis autores da nossa literatura, mas a novos autores quase anónimos. Parabéns, este é mais um belissimo exemplo. Claro que sinto admiração e congratulo quem o consegue fazer tão bem.

Uma hisória de picos quando são revelados segredos do passado das personagens. Na sinopse, percepcionamos que se tratam dos segredos de Carolina desvendados com a sua morte e que deram origem à dificil relação afectiva dos pais, mas é muito mais do que isso. A  justificada aproximação das três irmãs e a convivência forçada por tão triste evento vai permitir exorcisar todos os fantasmas e avaliar tudo o que sabiam do passado conjunto e dos seus reais sentimentos. Uma catarse.
 
Analitica e muito descritiva dos ambientes, ideologias e caraterização das personagens é o que considero o ponto fraco desta leitura porque marca o ritmo como pausado (e não compulsivo como aprecio), até que uma nova revelação fosse apresentada ao leitor. Ainda assim, devido a uma boa conjugação de acção e  emoção, gostei muito deste romance. A empatia e proximidade com as personagens que "não são a história de ninguém mas serão certamente a história de alguém" tornam-na cativante e envolvente porque todos temos segredos e histórias a contar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O último dia de um amor Eterno

Autor: Francisco Goldman
Edição: 2012, Novembro
Páginas: 360
ISBN: 9789898461339
Editora: Matéria-Prima
 
Sinopse:
Francisco Goldman era um homem sem sorte no amor e avesso a compromissos: a escrita bastava-lhe para viver. Até conhecer Aura Estrada, uma belíssima mulher e brilhante estudante de literatura.
A paixão de Aura pela vida e pela literatura preencheram o vazio existente na vida de Francisco. Casaram no Verão de 2005, no México.
O arrebatamento com que ambos encaravam a vida e o gosto pelo inesperado faziam prever uma longa vida juntos. Mas, em 2007, a dois meses de completarem dois anos de casados, Aura morre de forma trágica.

Sentindo-se responsável pela morte da mulher e profundamente ferido pela sua perda, Francisco entra numa espiral autodestrutiva. Porém, depois de ter chegado a equacionar pôr fim à sua própria vida, percebeu que o mais importante seria honrar e perpetuar a memória de Aura.
O último dia de um amor eterno é a homenagem prestada à mulher amada, à brilhante estudante e escritora, a uma vida cheia de amor e partilha.
Entre a ficção e a realidade, Goldman recupera tudo o que o uniu a Aura, revisitando-a, descobrindo-a, mesmo depois da sua morte, num relato por vezes duro, por vezes triste, mas também divertido.
O último dia de um amor eterno é, acima de tudo, um tributo e uma expiação da dor que surge quando se perde a amor de uma vida.
 
A minha opinião:
Muito dificil de ler e não vale a pena dissimular que talvez o obstáculo ou a falha seja minha porque não consigo avaliar ou julgar tão significativa perda.
De qualquer modo, apesar de a sinopse ser suficientemente objetiva para se perceber do que se tratava, há variadissimas formas de vivenciar um luto e uma tão grande perda. Este é um relato sentido e sofrido, em que a diversão é quase ausente (e não conforme a sinopse referenciava).
 
Uma escrita coerente, baseada em reminiscências e memórias, assim como nos diários que Aura deixou (ou não fosse ela uma mulher de letras), permitiram ao autor compor um quadro, mais ou menos próximo, de uma mulher dinâmica e entusiástica que muito admirou e amou, bem como reviver um curto período feliz da sua vida, abruptamente interrompido, quando numa praia do México, Aura foi enrolada numa onda e fragmentou a coluna. Todas estas emoções condensadas nesta narrativa "mexem" com o leitor e tornam a leitura um tanto exigente e perturbadora.

Relevante nesta narrativa é a relação de Aura com a mãe. Superprotetora e interventiva, a mãe, desempenhava um forte papel na vida da filha, do mesmo modo que Aura se sentia responsável pela mãe. Acentuadas diferenças culturais nesta relação maternal, se fizermos um paralelo com as relações que reconhecemos.

Importante testemunho de um grande amor que, deste modo, o autor exalta.
 
"Um acidente tão bizarro que aconteceu apenas a uma pessoa, Aura, e a mais nenhum dos incontáveis nadadores que fazem bodysurf em Mazunte há anos, dia após dia. Aura foi muito desafortunada. Morreu porque eu estava a ser eu mesmo, um adolescente eterno... Morreu porque, a irromper de amor, decidi juntar-me a ela dentro de água. Mas tudo isto também é uma fuga à VERDADE, contra a qual a minha narrativa diligentemente construída desaba como uma onda enorme de nada."
(pag.338)

sábado, 22 de dezembro de 2012

Boas Festas




A todos os que seguem ou visitam este blogue desejo um Feliz Natal e um 2013 melhor do que este ano que em breve termina. Que seja repleto de calor humano, cor e alegria.
Depois de um ano cinzento, marcado por notícias que nos inquietam e sobressaltam, mudemos para melhor.  Vamos colorir o panorama.
 
Muitas e boas leituras no sapatinho.