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domingo, 1 de setembro de 2013

Cinzas do Passado

Autor: Martin Suter
Edição: 2012
Páginas: 256
ISBN: 978-972-0-04377-1
Editora: Porto Editora

Sinopse:
A história comovente de um homem arrastado para o passado por uma doença que o despoja do presente.

Aos sessenta e cinco anos, Konrad Lang ainda vive às custas da abastada família Koch. Durante anos, foi um parasita tolerável, inicialmente enquanto companheiro de brincadeiras de Thomas Koch, o herdeiro da fortuna da família, mais tarde enquanto zelador da mansão de férias em Corfu, embora sempre sujeito aos caprichos da família. Certa noite, porém, Konrad pega acidentalmente fogo à mansão, reduzindo-a a cinzas. A princípio, atribui-se a causa desse incidente ao seu alcoolismo, mas os esquecimentos de Konrad sucedem-se.
São os primeiros sintomas de um mal misterioso, que trará consigo consequências perturbadoras. No entanto, à medida que a memória recente de Konrad se vai esvaindo, as recordações que muitos esperavam estar soterradas vão ressurgindo pouco a pouco... A doença de Alzheimer instala-se, ameaçando pôr a descoberto segredos guardados a sete chaves.

A minha opinião:
Este livro intrigou-me. E durante muito tempo aguardou a sua vez de ser lido. A capa e o título fascinaram-me, mas nada sabia sobre ele. Quando iniciei a leitura, tipo teste, fiquei agarrada pela escrita segura e convincente acerca de uma personagem solitária, Konrad Lang, que vivia à margem de uma família rica e poderosa sem razão aparente, sequer caridade ou dívida antiga. Um mistério que entrelaça toda a narrativa sem que descortinemos o porquê, mas que magistralmente o autor tece ao longo das páginas em que se percepciona uma doença silenciosa e devastadora como o Alzheimer, que estaria interligada com o vício da bebida de que Koni sofria. 

Thriller psicológico. Ao melhor nível. 
Doença que pouco a pouco se vai manifestando e revelando as graduações e a confusão do paciente que a tenta ocultar aos demais que o rodeiam, por "pequenos esquecimentos, distrações insignificantes, coisas que se perdem, nomes que se esquecem, dificuldade em escolher o menu dos restaurantes, perda do sentido de orientação, incapacidade de reconhecer pessoas que se conhece bem e de recordar os nomes dos objetos e sua utilidade. Tudo se esquece e apenas se recordam as coisas muito antigas." (pag. 211). E nesta última frase, temos o "busílis" de toda a trama - de todo este intenso thriller que o autor concebeu em torno de uma doença que revela o passado escondido na memória e que não poderia ressurgir sob pena de um crime o silenciar. 

Um livro admirável que não nos deixa indiferentes.  

terça-feira, 27 de agosto de 2013

a praia das pétalas de rosa

Autor: Dorothy Koomson
Edição: 2012, abril
Páginas: 544
ISBN: 9789720044471
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Todas as histórias de amor sofrem reviravoltas.
Depois de quinze anos de um grande amor e um casamento perfeito, Scott, marido de Tamia, é acusado de algo impensável. De repente, tudo aquilo em que Tamia acreditava - amizade, família, amor e intimidade - parece não ter qualquer valor. Ela não sabe em quem confiar, nem sonha o que o futuro lhe reserva.

Então, uma estranha chega à cidade, para lançar pétalas de rosa ao mar, em memória de alguém muito querido e há muito perdido. Esta mulher transporta consigo verdades chocantes que transformarão as vidas de todos, incluindo Tamia que será obrigada a fazer a mais dolorosa das escolhas...
O que estaria disposta a fazer para salvar a sua família?

A minha opinião:
Demorei a decidir o que comentar sobre este romance. Por vezes parece-me que o escrevo é sempre redundante ou pouco esclarecedor. E de facto eu não pretendo elucidar demasiado sobre a história e assim desmotivar quem o deseja ler. Apenas acrescentar um pouco mais à sinopse e sobre o que extrai do que li.

Este foi um daqueles livros que li por insistência de uma ou duas pessoas próximas, porque apesar de achar a capa e o título lindos, parecia-me que seria um daqueles romances populuchos, feitos para agradar às massas e sem grande consistência, mas fui agradavelmente surpreendida. É efetivamente um romance que agrada às mulheres. Sobre mulheres para mulheres. Em foco os equívocos do amor e ... da amizade.

Um casamento que parecia perfeito até que surge uma acusação de crime sexual por parte da vizinha e melhor amiga de Tami  sobre o marido, colega de trabalho da vitima. Tudo é equacionado quando as duas versões colidem. E muito se revela dada a percepção, persistência e coragem de Tami.
Três narradoras e personagens principais que gradualmente se dão a conhecer e nos desvendam as circunstâncias, com alguns avanços e recuos no tempo, importantes para o desenvolvimento e desfecho da trama. Ciume, inveja e traição. E compreensão e solidariedade. Aventura e impunidade com desvios comportamentais.

Claro que não conhecia esta autora, mas sabe como contar uma história que nos toca o coração.
Já ouviram falar da Praia das Rosas?  

sábado, 24 de agosto de 2013

Depois

Autor: Rosamund Lupton
Edição: 2013, fevereiro
Páginas: 432
ISBN: 9789722633826
Editora: Civilização

Sinopse:
Um dia perfeito, um crime terrível
É um incêndio e eles estão lá dentro. Eles estão lá dentro…
Fumo negro mancha o céu azul de verão. Uma escola está a arder. E uma mãe, Grace, vê o fumo e corre. Sabe que Jenny, a sua filha adolescente, está lá dentro. Corre para o edifício em chamas para a salvar.

Depois, Grace tem de descobrir a identidade do autor do incêndio e proteger a sua família da pessoa que continua determinada a destruí-los a todos.
Depois, tem de forçar os limites da sua força física e descobrir que o amor não conhece limites.

A minha opinião:
Intenso. Perturbador como um thriller sabe ser, e arrebatador na vertigem que evoca.

Quem leu o primeiro romance desta autora sabe o que ela é capaz de conceber. Mais do que uma trama que nos consegue surpreender e envolver com personagens emocionalmente ricas e complexas mas tão humanas, é o modo como conduz a narrativa que é arrebatador e provoca um efeito inebriante em que não conseguimos facilmente suspender a leitura ou pelo menos desligar da estória mesmo quando suspendemos a leitura. E isso é que eu considero excecional num autor - quando consegue que seja qual for a trama ou as personagens, prender-nos e repetir a proeza em todas as obras.

Mas, desta vez, explora uma vertente diferente: o paranormal. A vida para além do corpo/ mundo físico, num thriller psicológico em que se destacam quatro personagens - as vítimas: Jenny, Grace e Mike e Sarah, elementos da mesma família. Reféns da dor.  Enquanto as duas primeiras se debatem para viver e resistir aos graves ferimentos de um incêndio na escola, os últimos dois sofrem com a impotência e a perda das que amam. Resta-lhes proteger e descobrir o vilão de tão infame crime - fogo posto e tentativa de homicídio. 

Ritmado e fluído, numa trama bem elaborada que não se consegue parar de ler até descortinar o culpado. Vibrante e viciante na empatia que se estabelece com o leitor enquanto acompanha toda a investigação. 

Uma autora a reter.

domingo, 18 de agosto de 2013

Não deixes que me levem

Autor: Catherine Ryan Hyde
Edição: 2012, outubro
Páginas: 312
ISBN: 9789721061859
Editora: Pub. Europa-América

Sinopse:
E se abandonar a sua mãe… for a única forma de a salvar?
«Lembras-te de me dizer que conseguirias sempre encontrar-me? Bem, nunca te esqueças disso. Por favor.»
GRACE
Grace é uma menina de dez anos que sabe que é amada pela mãe. Mas a mãe também ama as drogas. Grace não conseguirá evitar por muito mais tempo as ameaças da «senhora dos Serviços Sociais», que a quer colocar numa instituição. A sua única esperança é…

BILLY
Billy Shine é um adulto que não sai do seu apartamento há anos. Tem muito medo das pessoas. E assim, dia após dia, leva uma vida perfeitamente planificada e silenciosa dentro de sua casa. Até agora…
O PLANO
Grace invade a vida de Billy com uma voz bem alta e um plano para libertar a mãe daquele martírio. Mas não será fácil, pois para salvar a mãe terão de arrancar-lhe a única coisa de que ela realmente precisa: Grace.

A minha opinião:
Enternecedor. Mágico. Um bálsamo para a alma.

Solidariedade, ternura e empatia por uma criança muito especial que comove os habitantes de um prédio numa zona não muito segura, que assistem à sua solidão e abandono, negligenciada pela mãe envolvida nas drogas. 

É difícil resistir a envolver-nos com o muito que a Grace e Billy nos contam. Como mãe também não me foi fácil resistir à indignação com as reviravoltas que lhes são impostas quando tudo parecia estar no bom caminho. Claro está, que este romance está vocacionado para a vertente emocional. Mas, não cai na lágrima fácil porque a narrativa foge a essa tentação e as personagens são peculiares. Frágeis enquanto sujeitas a um passado que as definiu mas que gostariam que tivesse sido diferente e fortes porque conseguem encontrar forças desconhecidas na conjugação de esforços em prol de Grace em que gradualmente todos beneficiam. Grace cresce e adquiri novas competências e os vizinhos afastam os seus medos, inseguranças, traumas e fobias. 

Grace e Billy são as personagens que mais intensamente se relacionam. E qualquer um dos dois comove o leitor. E também divertem porque Grace é uma criança muita viva e espevitada. 

Leitura ritmada, fluída e hipnótica mas que certamente passa despercebida pela apresentação  do livro. Ou por ser um tema "batido". Mas, que não deixa de ser um Prazer de Ler.

sábado, 17 de agosto de 2013

Tigres Sob Um Céu Vermelho

Autor: Liza Klaussmann   
Edição: 2013, maio

Páginas: 328
ISBN: 9789722525640
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
Nick e a sua prima, Helena, cresceram a compartilhar os verões quentes na Casa do Tigre, propriedade da família. Como a Segunda Guerra Mundial entretanto termina e elas estão à chegar à idade adulta, preparam-se para partir à conquista do mundo. Nenhuma delas encontra a vida que tinha imaginado e, com o passar dos anos, as viagens até à Casa do Tigre assumem uma nova complexidade.

É então que, à beira da década de 1960, a filha de Nick e o filho de Helena fazem uma descoberta sinistra que mergulha numa sombra profunda a luminosidade daquela ilha outrora brilhante. Magnificamente contado a partir de cinco perspetivas, Tigres Sob Um Céu Vermelho é um romance latente de violência, traição, paixão e segredos por detrás de uma fachada pura e delicada.

A minha opinião:
Um romance perturbador. Thriller psicológico familiar.

Envolvente na medida em que nos cinge a tentar descobrir na leitura individual da narrativa de cada uma das cinco personagens que compõem o agregado familiar, quando se dará a tragédia. A Pulsão que se sente em cada um extravasa para uma reação extrema/ limite enquanto relatam a sua versão dos mesmos acontecimentos no mesmo período. Personagens devastadas. Fragmentadas. Sentimentos ambíguos de amor/ ódio. Um puzzle a construir, para percebermos a complexidade dos sentimentos humanos e o quão difícil discernir a razão que move cada um. 

Não é um livro luminoso, agradável mas sombrio e até melodramático. Apesar da paisagem descrita ser aprazível e desejável mas a época retratada é de recuperação e renovação em que tudo está marcado pelo dor da 2ª Guerra Mundial. 

Um livro interessante mas que não me conquistou.

Desamor

Autor: O Arrumadinho (Ricardo Martins Pereira)
Edição: 2013, junho
Páginas: 176
ISBN: 9789897410581
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
Nove histórias reais de corações partidos para que compreenda melhor a sua relação.
Numa altura em que as relações amorosas parecem cada vez mais vulneráveis, e em que as razões para as terminar são cada vez mais triviais, importa olhar para histórias verdadeiras e tentar compreendê- las. Para construir Desamor, o autor analisou centenas de relatos enviados por leitores do seu blogue, O Arrumadinho, e escolheu aqueles que, no conjunto, melhor conseguem espelhar os vários tipos de relações dos dias de hoje.

Desamor revela-nos nove casos contados ao pormenor por mulheres que, a dada altura, acreditaram estar a viver um amor verdadeiro e recíproco, mas acabaram com o coração partido. Nestas páginas, há histórias de amores que começam ou acabam por influência das redes sociais, de dificuldades que nascem dos filhos, de relações à distância, de traições, equívocos fatais e paixões antigas. Estas narrativas encaixam em vivências experienciadas por muitos de nós e reflectem a fragilidade de uma grande parte das relações amorosas nos nossos dias.

A minha opinião:
Tal como o próprio título indica, são nove pequenas histórias reais de desilusão e desencanto no feminino. Um amor que poderia ser o tal, e que se revelou um terrível engano, que algum sofrimento causou. Relacionamentos assentes em bases diferentes do antigamente, com encontros online e não presenciais (até um determinado momento) com elevadas expetativas, como em qualquer história de amor e que negligenciaram os sinais de perigo até a verdade se revelar. 

Neste livro são as mulheres que se expôem, mais passionais e vulneráveis a contar a sua história de desamor. Numa linguagem tão natural como uma conversa verbal/ monólogo, desvendam o muito que sentiram enquanto apaixonadas e o quanto sofreram com o fim desse encantamento.

Um livro fácil de ler e pertinente, com nove testemunhos de histórias sem final feliz. Interessante proposta mas que não me cativou completamente. A fragilidade, insegurança e até ingenuidade de algumas destas mulheres incomodou-me. E o desfecho triste, em que nem sempre conseguem superar a mágoa infringida também. Mas, são casos a reter e a evitar.

Tudo o que nunca te disse

Autor: Romana Petri
Edição: 2013, julho
Páginas: 192
ISBN: 9789722526647
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
Mario e Cristiana já passaram dos sessenta anos e estão divorciados há quinze. Ele é engenheiro hidráulico, acabado de se mudar para o Rio de Janeiro com a sua jovem mulher e o filho com pouco mais de um ano. Ela vive em Roma com os dois filhos já crescidos e um segundo casamento, feliz. Certo dia, Cristiana recebe uma carta estranha de Mario, do Brasil. Escreve-lhe dizendo que se sente velho, que gostaria de reencontrar um pouco da juventude trocando cartas com ela. Diz que só assim, voltando atrás com quem se foi jovem, se pode continuar a sê-lo. Mas quais serão verdadeiramente as suas intenções?
Através das respostas de Cristiana, o leitor verá desfilar diante dos seus olhos, ao mesmo tempo que a história de um amor naufragado, os tiques e os mal-estares de toda uma geração: as falsas utopias, a crise das relações entre homens e mulheres, a revolução fracassada, o terrorismo, os muitos ideais que se esfumaram, deixando espaço apenas para a realidade banal. E depois os rancores, as traições mútuas, todas as coisas nunca ditas que finalmente vêm ao de cima de maneira violenta, brutal, impiedosa. Até se chegar a um verdadeiro ajuste de contas, no qual todas as cartas são postas na mesa.

A minha opinião:
Alguns amigos referiram algumas obras de Romana Petri. Inexplicavelmente, não me senti tentada, até deparar com este novo romance. E mais uma vez, essa tentação foi plenamente justificada porque o li apenas num único belíssimo dia de praia.

Contrariamente a algumas opiniões, não senti amargura ou desilusão que me fosse transmitida com esta leitura, mas é inquestionavelmente um ajuste de contas com o passado. Não era de todo essa a proposta de Mário quando iniciou esta troca de correspondência a que Cristiana deu continuidade, mas o tempo, a distância e a feliz fase afectiva actual, permitiram-lhe expor o muito que sentiu e sabia com honestidade e verdade sobre a sua vida conjunta. 
Cristiana é uma mulher paciente mas não submissa ou resignada, que no momento certo tomou coragem e mudou a sua história, conseguindo singrar e avançar. Quando confrontada com o pedido de Mário, aceitou encerrar essa história e o muito que conteve sem ocultar a mágoa e o sofrimento.

Nestas cartas surgem duas personagens secundárias - Mimmo e a Elsa. que vivem uma dramática existência. Ficção mas que infelizmente pode reproduzir algo de muito terrível e ... real. Aliás, como toda esta narrativa o pode ser. 

Bem escrito e credível, expressa sentimentos, com segurança, coerência e fluidez. 

Um prazer de ler!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Ninguém me conhece como tu



 

Autor: Anna McPartlin
Edição: 2013, julho
Páginas: 424
ISBN: 9789897260711
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
Eva e Lily eram as melhores amigas desde a infância. Porém, uma discussão enorme e dezassete anos mais tarde, Eva acorda de um acidente horrível e encontra a sua velha amiga a cuidar dela.
De início, o reencontro é feito a medo, mas durante os muitos meses de Eva no hospital, as amigas enfrentam tanto as mentiras do passado como as suas falhas presentes.

E cada uma vê claramente como a outra precisa de mudar a sua vida: Lily deve sair de um casamento impossível e Eva tem de enfrentar a dor que causou a outros. A crise que reuniu Eva e Lily parece uma bênção que lhes deu uma segunda oportunidade para se apoiarem quando mais precisam de um ombro amigo. Mal sabem elas que a sua amizade está sob uma ameaça que irá mudar o futuro para sempre...
 
A minha opinião:
Um romance inesquecível. Marcante. Esse aspecto surpreendeu-me porque esperava um romance leve, agradável sobre o reencontro em circunstâncias difíceis de duas amigas há muito desavindas, e não uma estória forte, bem contada com personagens bem definidas e tão realista. Personagens de uma honestidade desarmante que um acidente reuniu. Acidente esse que de tão extraordinário poderia parecer ficção mas foi uma réplica da vivência de um amigo da autora. 
 
Uma estória sobre perda e a capacidade de sobrevivência necessária para o superar.  Uma pergunta se impõe inicialmente: "Que se passou para afastar duas jovens que cresceram juntas e que tanto se estimavam?" E mais tarde uma outra questão se colocou da parte da Lily: "Se soubesses que ias deixar este mundo mais cedo, farias tudo de forma diferente?", mas que como leitora nos leva à reflexão.
 
Um romance com tanto para nos dar... mas que a capa e o título não o dão a entender. Um romance que foca assuntos delicados e difíceis como a violência psicológica e a dependência emocional. Fragilidades que conseguem ser ultrapassadas com verdadeiros amigos.

Inesperadamente recomendo. Um prazer de ler.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

As mulheres casadas não falam de amor

Autor: Melanie Gideon
Edição: 2013, maio

Páginas: 464
ISBN: 9789896721725
Editora: Objectiva

Sinopse:
Alice está casada com William há vinte anos. Recorda-se, como se fosse ontem, do dia em que o conheceu. No entanto, ultimamente, é ao Facebook, e não ao marido, que confia os seus pensamentos mais íntimos.
Um dia, recebe um questionário anónimo sobre amor e casamento da parte de um Investigador 101. Decide responder, sob o pseudónimo Mulher 22, sem imaginar que isso mudará a sua vida.

Confissão após confissão, Alice sente-se cada vez mais livre e também mais apaixonada pelo Investigador 101, genuinamente interessado nos seus sentimentos como há muito ninguém estava. Alice não tarda a ver-se confrontada com uma decisão potencialmente devastadora: cessar toda a comunicação com o Investigador 101 para salvar o casamento ou admitir que o coração lhe levou a melhor e está novamente apaixonada.
Com uma voz fresca, comovente e divertida, As Mulheres Casadas Não Falam de Amor é a história de uma mulher que, tentando reencontrar-se, corre o risco de descobrir que, afinal, quer estar onde sempre esteve.

A minha opinião:
Espirituoso e refrescante ... e romântico.  

Quando peguei neste romance e o abri, vacilei. A letra miudinha num livro volumoso não auguravam uma leitura fácil excepto se fosse inspirada. E a autora escolheu vários modos e ritmos para contar uma estória sobre a influência das novas tecnologias e as redes sociais na intimidade. Muito atual e pertinente, e se por vezes utiliza a comunicação utilizada em Facebook, Twitter e email para passar emoções, também vai buscar um toque de teatro e drama para explorar os excessos da protagonista que se vê enredada numa teia complexa de sentimentos. E o tipo de narrativa - romance, com a variante das respostas ao inquérito, sem conhecermos as perguntas, em que vai recordando o passado e intercalando com o presente num balanço em que tudo se equaciona.

Um romance que pode ser enganador, porque apesar da forma despojada e divertida como aborda os assuntos, estes nada tem de leves ou fantasiosos. As pessoas comuns tem estes problemas e questões com o casamento, os filhos, o trabalho e os amigos. Relações ... e ralações no Sec. XXI.

Uma leitura agradável e viciante, para um público-alvo com alguma experiência de vida, que assim melhor poderá compreender o que a autora pretende projectar - As encruzilhadas da vida.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O Meu Ano Mágico

Autor: Nina Sankovitch
Edição: 2013, maio

Páginas: 284
ISBN: 9789724621661
Editora: Casa das Letras

Sinopse:
Como 365 livros conseguiram mudar uma vida
Um desafio: ler um livro por dia durante um ano. Aceita?
Foi essa a promessa que Nina Sankovitch fez a si própria. Após perder a irmã mais velha, e embora precisasse de cuidar dos quatro filhos e lidar com os percalços do quotidiano de uma grande família, Nina estabeleceu uma meta para si própria: ler um livro por dia, durante um ano inteiro, de Tolstoy a Ian McEwan, passando por António Lobo Antunes, José Eduardo Agualusa, José Saramago e Mia Couto.

Nesse verdadeiro sonho literário, Nina descobrirá que esse ano de leitura mágica mudará tudo ao seu redor e que os livros são uma ótima terapia.
O Meu Ano Mágico relata também a história da família Sankovitch: o pai de Nina, que escapou da morte por um triz na Bielo-Rússia durante a Segunda Guerra Mundial; os quatro filhos traquinas, que lhe recomendavam livros ao mesmo tempo que a ajudavam nas lides domésticas; e Anne-Marie, a sua irmã mais velha e a sua verdadeira fonte de inspiração, com quem Nina compartilhou os prazeres da leitura, mesmo nos seus últimos momentos de vida.
Os livros são o alimento da alma. Todos os apaixonados por literatura sabem que um livro cura, acolhe e envolve. É o que busca a autora de O Meu Ano Mágico.

A minha opinião:
Romance leve, cativante e comovente.

Não é uma leitura muito ambiciosa ou exigente mas ainda assim, agradável e aprazível, principalmente porque tal como a autora/ protagonista desta história verídica tenho uma forte ligação com os livros. Uma companhia preciosa que partilho, pelo muito que significam e proporcionam.

A empatia deve-se a estes e outros aspectos, como a idade da Nina quando decidiu em consciência retomar o rumo da sua vida mas acomodando o muito que ainda estava em convulsão dentro de si e a fazia viver num ritmo muito acelerado.

A história gira em torno de uma leitora convicta que procurou, num hiato de um ano, a alegria, a sabedoria e o conforto dos livros para a mágoa e dor da perda da irmã. Irmã essa que é uma presença predominante e constante de toda a narrativa.

Um livro que é um convite à introspecção para repensar a sua vida. Foi o que a autora fez de um modo muito original e com inegável sucesso. 

domingo, 14 de julho de 2013

Citação ... Henry Miller

"Tal como o dinheiro, os livros devem ser mantidos circulação constante. Emprestem e peçam de empréstimo - tanto livros como dinheiro! Mas sobretudo livros, porque eles representam infinitamente mais do que dinheiro. Um livro não é apenas um amigo, arranja-nos amigos. Quando possuímos um livro com a mente e o espírito, ficamos enriquecidos. Mas quando o passamos a outrem, o enriquecimento é triplo."

in "O Meu Ano Mágico" de Nina Sankovitch, pag.134

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Bordel Português

Autor: Nelson Quintino
Edição: 2013, maio

Páginas: 344
ISBN: 9789898633026
Editora: Divina Comédia

Sinopse:
Henrique H queria encontrar Deus.
Desempregado em nome coletivo, ex-forcado amador, batoteiro profissional especializado em perder e pagar depois, agente de cobranças difíceis, contrabandista de rebuçados de fruta e chupa-chupas, vendedor de tristezas alheias nas horas vagas, taxista de fim de semana sem carta de condução, Henrique pretendia abandonar de uma vez por todas as azáfamas da má vida.

Com um registo literário semelhante aos primeiros romances de António Lobo Antunes, Bordel Português é o retrato de uma Lisboa atual, mas castiça, com personagens tão coloridas como as de Crónica dos Bons Malandros, de Mário Zambujal.

A minha opinião:
PROVAVELMENTE O MELHOR ROMANCE DO ANO.
Este é o slogan deste livro que vejo diariamente numa livraria. Mas não foi por esse motivo que o escolhi ler. Contudo, mentalmente dou por mim  a concordar. É realmente um romance genial, que muito gozo me deu ler. Sem uma capa apelativa, um título peculiar mas enganador e uma sinopse muito sucinta, pouco há que chame a atenção do leitor menos experimentado.

Atual e simplicista, caricaturiza um grupo de personagens em que o protagonista é Henrique H. (Herculano), e de uma assentada só faz um retrato consciente e irónico dos portugueses e da sua visão do mundo e da vida. A sua particular forma de ser e de estar. O desenrascanço (tão português) que os leva a sobreviver com alguns subterfúgios, jogadas ou negociatas. E a defendê-lo até à exaustão.
Este romance permite-nos rir de nós mesmos e ainda refletir sobre assuntos sérios. A importância de um pénis pequeno não é um desses assuntos mas muito me ri.

Muito haveria a dizer sobre a criatividade do autor ao contar esta estória (em pequenos capítulos). Do que li sobre ele, é que é reservado e pouco falador e que a sua escrita fala por si, e também nesse aspeto, dou por mim, mentalmente, a concordar. E a ansiar que "abra a gaveta" para editar novos romances muito em breve.
Humor inteligente precisa-se. E talento é sempre bem vindo.

domingo, 7 de julho de 2013

O Inimigo Invisível

Autor: Rute Pinheiro Coelho
Edição: 2013, maio

Páginas: 280
ISBN: 9789898461605
Editora: Matéria Prima

Sinopse:
Margarida Vaz Mendonça descobre que o primeiro-ministro foi escolhido e preparado para o cargo pela Maçonaria. Confrontada com um relato detalhado sobre os bastidores dos partidos e da vida politica portuguesa, a jornalista tem acesso a informações que põem em causa a democracia.

O poder escondido da irmandade, a forma como actua nos meios de comunicação social e as ligações que fomenta entre Portugal e Angola, a América Latina e Timor-Leste tornam-se claras aos seus olhos. Numa vertigem de receios e sentimentos contraditórios, a jornalista decide partilhar com o mundo todos os segredos que lhe foram revelados… Mas a tarefa torna-se complicada. A teia do poder da Maçonaria é demasiado complexa. E atingir um inimigo invisível passa a ser mais difícil do que nunca.
Neste livro, o leitor é levado a entrar no perigoso mundo de influências que dominam grande parte das decisões políticas do país. Um jogo de máscaras e sombras que apenas a coragem poderá destruir.

UMA FICÇÃO REVELADORA BASEADA EM FACTOS REAIS.
ATÉ ONDE A FICÇÃO ULTRAPASSA A REALIDADE? DESCUBRA AS SEMELHANÇAS E AS DIFERENÇAS…

A minha opinião:
Estava curiosa em ler este romance. Afinal há muito tempo que sabemos coisas que esta ficção tão bem espelha e facilmente atribuímos rostos aos titulares de cargos políticos, económicos e jornalísticos desta narrativa tão bem conseguida. Mas a autora apenas queria contar uma estória sobre os interesses económicos e a ganancia que subverteu os valores e princípios da Maçonaria numa construção assumidamente ficcional. Contudo, com base em dados reais que expôs no fim do livro e que são de acesso público.

Um romance actual. Aborda temas muito recentes e pragmáticos. Como o clube de Bilderberg, entre tantos outros. Mas o melhor é mesmo experienciar esta leitura e tirar as suas próprias ilações. Eu deixei-me ir e não fiquei nada surpreendida com o desfecho. Uma romance que se lê em poucas horas, tal o nível de interesse que nos suscita ou o modo como está escrito, quase todo ele assente em diálogos.

Mais uma vez fui agradavelmente presenteada com uma boa narrativa, consistente e sólida, bem entrosada e
ritmada que recomendo sem reservas. De uma autora portuguesa. 

Um prazer de ler!

O Desejo

Autor: Nicole Jordan
Edição: 2013, janeiro

Páginas: 399
ISBN: 9789897260360
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
Amante lendário e chefe de espionagem, o sombriamente sensual conde de Wycliff evita o matrimónio até que um encontro próximo com a morte o faz ansiar por um filho que perpetue o seu nome. No momento em que Lucian avista a atraente Brynn Caldwell numa praia da Cornualha, sabe que encontrou a mulher que quer para sua esposa.

Brynn acredita que o fascínio daquele conhecido libertino por ela resulta de uma maldição com séculos que condena as mulheres da sua família a tentarem os homens - apenas para conduzirem aqueles que amam à morte. Obrigada por circunstâncias difíceis a casar com Lucian, Brynn entrega o corpo às suas carícias mas não se atreve a entregar-lhe o coração.
Preso numa batalha de vontades com a sua encantadora mulher, Lucian começa a suspeitar que Brynn é uma traidora. Não tarda a verse atraído para uma teia de perigo e traição, na qual o preço de conquistar o coração esquivo da esposa pode ser a sua própria vida.

A minha opinião:
Por vezes, penso no que me leva a escolher ler estes livros. Romances de época - XIX, fantasiosos e de entretenimento. Romances da adolescência. Contudo, atualmente estes romances são mais ousados. Focados no romance mas principalmente no sexo entre os protagonistas. E as descrições são mais que muitas e bem explicitas. Deixam muito pouco à imaginação. Mas, não me chocam. 

O que me faz lê-los é porque são divertidos e bem escritos e remontam-nos para cavalheiros e apaixonados senhores, nobres, que se apaixonavam perdidamente pelas belas e destemidas damas, que argumentavam ou rebatiam, até sucumbirem aos desejos. O príncipe encantado está num lugar bem recôndito da nossa mente mas ainda acirra fantasias e devaneios que nos distraem quando os lemos em livros de histórias (de séculos passados). E para mais, másculo, viril e um excelente amante. Que melhor dispersão quando a realidade se impõe, do que um bom romance sem qualquer traço com o possível e verossímil?

Romance de época erótico desde as primeiras páginas. A narrativa envolve também uma maldição cigana e um perigoso espião, mas este último tema deixou muito a desejar. De facto, o que importa mesmo é a relação dos protagonista. Tudo o resto é acessório.

sábado, 6 de julho de 2013

A Reviravolta

Autor: Michael Connelly
Edição: 2013, junho

Páginas: 376
ISBN: 9789720045874
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Em 1986, um crime brutal abalou a vida dos habitantes de Hancock Park: Melissa Landy, de doze anos, foi raptada e brutalmente assassinada, e o seu corpo atirado para uma lixeira. Vinte e quatro anos depois, o caso regressa à barra dos tribunais, sob o olhar atento dos meios de comunicação social. Jason Jessup, o suposto infanticida, tem em seu poder uma prova de ADN capaz de o ilibar do crime.

Porém, o advogado Mickey Haller, conhecido pelas suas defesas vitoriosas, aceita agora uma nova missão: trabalhar pela primeira vez com o gabinete do procurador do Ministério Público para provar a culpa de Jessup.
Com a ajuda do detetive Bosch e da ex-mulher, a destemida Maggie McPherson, Haller terá então de superar um advogado de defesa hábil na manipulação dos meios de comunicação social, um réu ardiloso e uma testemunha relutante em depor ao fim de tantos anos. E o jogo torna-se cada vez mais perigoso à medida que a família de Haller e a de Bosch se veem transformadas em peças de xadrez num tabuleiro fatal.

A minha opinião:
Os meandros da justiça americana num empolgante thriller. Investigação policial e ação judicial bem doseados numa elaborada trama.

Uma gaveta de um arquivo aberta. Um  processo reaberto vinte e quatro depois, quando a ciência permitiu uma análise do ADN encontrado no vestido da vitima e se apurou não ser do arguido condenado. Assim, começa esta aventura repleta de suspense e intriga entre o que se passa nas malhas da lei com o sistema judicial americano e um novo julgamento e uma insidiosa, aprofundada e hábil investigação para apurar ou confirmar a culpa do arguido. O tempo apaga algumas pistas e desaparecem testemunhas mas também cria outros argumentos de defesa e culpa que os advogados Mickey Haller e Maggie McPerson exploram, bem como o "rato" do advogado de defesa, que adora a exposição dos media.

Protagonistas que admiramos e com os quais nos envolvemos. O tipo de leitura que nos permite abstrair de tudo para acompanharmos a par e passo esta trama e assim desvendarmos o desfecho. Um cenário digno de um filme, e contado por um experiente e hábil contador de estórias.
Para quem gosta do género, considero imperdível.

sábado, 29 de junho de 2013

Cidade Aberta

Autor: Teju Cole
Edição: 2013, junho

Páginas: 288
ISBN: 9789897221095
Editora: Quetzal

Sinopse:
Julius, um jovem médico nigeriano, deambula sem destino através das ruas de Manhattan. Caminhar liberta-o do ambiente tenso da sua profissão e oferece-lhe o espaço necessário para pensar no relacionamento com os outros, na recente separação da namorada, no presente e no passado. Nesta caminhada por Nova Iorque, os milhares de rostos por que passa não atenuam o seu sentimento de solidão, pelo contrário.

Mas não se trata aqui apenas de uma paisagem física: Julius atravessa também um território social, cruzando-se com pessoas de diferentes culturas e origens, com quem partilha um cidade, um imaginário e sonhos impossíveis.
Tendo merecido os maiores elogios (que o comparam a Sebald, Coetzee e Henry James), este romance é também uma investigação sobre a identidade, a liberdade, a perda, o exílio interior e a entrega.
Cidade Aberta é uma obra profundamente original, cativante e encantatória.

A minha opinião:
Não tinha qualquer opinião formada sobre este livro. E ... tive que ponderar sobre o que escrever sobre ele.
Um romance contraditório porque difere de tudo o que já li. Sem um fio condutor coerente porque são divagações aleatórias de um solitário não amargurado que circula pelas ruas de Nova Iorque e que casualmente se cruza com transeuntes de várias raças e credos e com eles tem relacionamentos vagos mas significativos. Para além disso, é um atento observador e faz interpretações sobre o muito que vê, percepciona e ouve nas ruas e o partilha com o leitor. Muitas ideias pré-concebidas sobre outras pessoas que julgamos sem conhecer, podem ser avaliadas sobre outra óptica. Numa cidade como Nova Iorque (e também Bruxelas onde Julius tem uma breve estadia), cosmopolita e multicultural vivem pessoas, imigrantes ou migrantes que tem circunstancias sobre os quais importa pensar. 

Um romance singular. Devido às suas peculiares características provoca dois tipos distintos de emoções. Ou se gosta ou detesta.

"Os passeios vinham ao encontro de uma necessidade: eram uma libertação do ambiente mental que vigorava no trabalho, com as suas regras apertadas, e mal percebi que eram uma boa terapia tornaram-se algo absolutamente normal, ao ponto de me esquecer como era a minha vida antes dessas caminhadas. No trabalho imperava um regime de perfeição e de competência que impedia a improvisão e era intolerante para com o erro. (...)As ruas serviam como um oposto, bem vindo a tudo aquilo. Cada decisão - onde virar à esquerda, quanto tempo ficar parado a ver o pôr do sol sobre Nova Jérsia ou ir a passo largo por entre as sombras no East Side e atravessar em direção a Queens - não tinha consequências de maior e era, por essa razão, um bom indicador da liberdade." (pag.15)

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O Segredo de Compostela

Autor: Alberto S. Santos
Edição: 2013, maio

Páginas: 480
ISBN: 9789720043931
Editora: Porto Editora

Sinopse:
O dia 28 de janeiro de 1879 tinha tudo para ficar marcado na história da cristandade. Depois de dias suados de escavações na catedral de Compostela, foi encontrado o túmulo onde se acreditava que repousavam os ossos do santo apóstolo.
Mas e se no destino final a que nos conduzem os místicos caminhos de Santiago se esconder um dos segredos mais bem guardados do Ocidente?

Prisciliano, líder carismático do século IV e pioneiro defensor da igualdade das mulheres e dos valores do Cristianismo primitivo, é a figura preponderante neste enigma secular. Comprometido com a força da sua espiritualidade, viveu no coração os sobressaltos de um amor proibido, envolto em ciúmes e intrigas.
Ainda que aclamado bispo pelo povo, Prisciliano tornou-se no primeiro mártir da sua Igreja, a quem a História ainda não prestou o devido reconhecimento.
Depois de extraordinárias revelações, descubra neste fascinante romance respostas às inquietações que atravessam os tempos: Afinal, quem está sepultado no túmulo?
Qual o sentido atual das peregrinações a Santiago de Compostela?

A minha opinião:
Uma capa belíssima, não acham?
Talvez a mais bonita e agradável ao toque que este ano tive. Uma sinopse intrigante e apelativa e este romance tinha tudo para me chamar a atenção e procurar lê-lo. Contudo, após o entusiasmo inicial e mesmo admirando a escrita e o profundo trabalho de pesquisa que o autor teve que fazer sobre uma personagem e uma época real que recriou, não consegui ler este livro compulsivamente como é meu hábito. Talvez o fim trágico me impedisse ou o facto de se tornar um tanto extenso e exaustivo, mas retomei sempre para o apreciar demoradamente. 

Jornada épica de um herói espiritual que a Igreja Católica ainda não reconheceu devidamente. Honra e dignidade na defesa dos valores que regem o espírito do verdadeiro cristianismo. Ao longo dos tempos, a Igreja muito tem para expiar, apesar de serem os Homens, com a sua conduta, que fazem a História.

Prisciliano, aristocrata, culto e inteligente, mas pagão, desde cedo se identificou como Buscador... dos fundamentos da fé e da verdadeira espiritualidade . Um homem com um dom... o de evangelizar, ensinar e instruir, o que fazia com uma simplicidade e clareza desconcertantes . Mas isso só serviu para assustar bispos e clérigos gananciosos e ociosos que viam a Igreja como meio para os seus vis sentimentos de poder e ascensão social.  Um homem que amou profundamente. Egéria. 

Um romance perturbador, pelo muito que em si encerra sobre as doutrinas e dogmas da Igreja Católica e a missão dos primeiros cristãos que combateram o que ainda hoje a desvirtua.

sábado, 22 de junho de 2013

Uma casa de familia

Autor: Natasha Solomons
Edição: 2013, 

Páginas: 416
ISBN: 9789892321561
Editora: ASA

Sinopse:
Na primavera de 1938, a ameaça nazi paira sobre a Europa. Em Viena, a família Landau vê desaparecer muitos dos seus amigos e teme pela sua segurança. Decidem fugir do país mas não poderão partir juntos. Elise, a filha mais nova, é enviada para Inglaterra, onde a espera um emprego como criada de uma família aristocrática. É a única forma de garantir a sua segurança. Para trás deixa uma vida privilegiada. Em Tyneford, ela tenta encontrar o seu lugar na rígida hierarquia da casa. É agora uma das criadas, mas nunca antes trabalhou. Tem a educação e os hábitos da classe alta, mas não pertence à aristocracia. Enquanto areia as pratas e prepara as lareiras, usa as magníficas pérolas da mãe por baixo do uniforme. Sabe que deve limitar-se a servir, mas não consegue evitar o escândalo ao dançar com Kit, o filho do dono da casa. Juntos vão desafiar as convenções da severa aristocracia inglesa numa história de amor que tocará todos os que os rodeiam. Em Tyneford, ela vai aprender que é possível ser mais do que uma pessoa. Viver mais do que uma vida. Amar mais do que uma vez.

A minha opinião:
"Esta noite sonhei com a casa de Tyneford. Quando me deitar para dormir, verei a casa como era neste primeiro verão. As roseiras à volta da porta das traseiras. O cavalo no estábulo. Os dentes a mastigar e a mastigar. O cheiro a magnólia e sal. E depois acordarei dentro do meu sonho. Sou novamente Elise. Alice descansa e todos estão vivos. As minhas mãos são brancas e macias, sem as marcas da idade. Estou de pé no relvado e oiço o chamamento do mar, o som dos barcos de pesca na baía. Um homem-rapaz inglês. (...)
Sinto o gosto de água salgada na língua. Água salgada - lágrimas e uma viagem." (pag. 412)

Este é um aprazível romance baseado num numa aldeia fantasma na costa de Dorset. Um lugar remoto e secreto. Um lugar especial, com uma casa de família no campo, que se manteve inalterável durante anos e anos. Uma paisagem típica dos anos quarenta que a autora reproduz com alguma fidelidade e onde Elise Landau vai refugiar-se antes do rebentamento da 2ª Guerra Mundial como criada, trocando a sua vida privilegiada de filha de burgueses intelectuais judeus por uma existência árdua em que as saudades de Anna (a mãe) e Julian (o pai) e Margot (a irmã mais velha recém casada, refugiada nos EUA) a desesperavam.

Sereno e terno, com muitas descrições de um lugar perdido no tempo, este é um romance para se ler pausadamente, como que embaladas ao sabor das ondas. As consequências da guerra afectam este pequeno pedaço do paraíso. Mas as memórias de momentos felizes sempre podem acarinhar-nos para sempre.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

se pudesse voltar atrás

Autor: Marc Levy
Edição: 2013, abril

Páginas: 248
ISBN: 9789722526005
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
Andrew Stilman, jornalista do New York Times, acaba de se casar. Na manhã de 9 de julho de 2012, bem cedo, está a fazer jogging na margem do Hudson quando, de súbito, é violentamente agredido. Uma dor fulgurante atravessa-lhe o corpo e ele sente-se submergir num rio de sangue. Andrew perde os sentidos… e, ao recuperar a consciência, está a 9 de maio de 2012.
Dois meses mais cedo, dois meses antes do seu casamento.
A partir desse momento, Andrew tem 60 dias para descobrir o seu assassino, 60 dias para mudar o curso do seu destino. E, a partir de então, cada minuto conta…
A sua investigação leva-o numa viagem vertiginosa, de Nova Iorque a Buenos Aires, e até aos meandros dos momentos mais obscuros da ditadura argentina. Uma corrida contra o tempo, entre o suspense e a paixão.

A minha opinião:
Procurei resistir mas não consegui. A tentação de voltar a ler Marc Levy no seu mais recente livro e deliciar-me com diálogos cúmplices e muito divertidos entre personagens que se estimam, para além da vertigem literária com uma quedazinha para o místico e espiritual que desde logo se antecipa nesta leitura, é simplesmente irresistível. Afinal, quem consegue evitar considerar a possibilidade de voltar atrás e mudar as circunstâncias que desencadearam esta ou aquela situação? E se ...? Tantas eventualidades ... 

Esta premissa é o que dá nome ao livro. Contudo, Andrew não suspeita quem poderia tê-lo assassinado e porquê, e como tal, tem de o descobrir para assim reverter o seu destino. Conta com um amigo que, apesar de céptico se dispõe a ajudá-lo, bem como um detective reformado que acidentalmente o tinha atropelado. Uma corrida contra o tempo.

Thriller, investigação policial e romance, tudo condensado numa narrativa que empolga e diverte para um desfecho inesperado. Mas, o mais importante e que nos faz reflectir seja o artigo sobre a adoção de crianças chinesas por muitas famílias americanas que se descobre ter sido uma manobra criminosa. Uma das pistas que ele segue para descobrir o criminoso. O seu último artigo não publicado, do conhecimento dos visados que vigiavam a investigação que desenvolvia em Buenos Aires, sobre o desaparecimento de 30.000 pessoas durante a ditadura argentina, sem que os responsáveis tenham sido verdadeiramente punidos e as consequências para as famílias e filhos, é talvez o mais perturbador de toda a trama que ultrapassa a fição. Mistura de géneros que prodigiosamente Marc Levy consegue numa estória absolutamente soberba.

Um prazer de ler!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Correr

Autor: Jean Echenoz
Edição: 2011
Páginas: 128
ISBN: 9789896231484
Editora: Cavalo de Ferro

Sinopse:
Logo após a guerra, em 1946, nos campeonatos organizados pelas forças aliadas em Berlim, atrás do cartaz Checoslováquia, para grande chacota do público presente, vem apenas um único atleta, magro e escanzelado. Mas quando nos 5.000 metros aquele atleta não só se desembaraça em poucos minutos dos seus mais possantes adversários com uma volta de avanço, como agora começa a ultrapassá-los nova­mente, um a seguir ao outro e, enquanto estes abran­dam, ele volta a acelerar, cada vez mais. De boca aberta ou aos gritos o público do estádio já não aguenta mais. Mais do que duas voltas! Vocifera o locutor do estádio. Em pé, a exultar, estão oitenta mil espectadores. Aquilo não é normal, gritam, aquele tipo faz tudo o que não deveria fazer e ganha! O nome daquele rapaz magro e louro de sorriso aberto nunca mais ninguém o esquecerá: Emil Zatopek. Pou­cos anos e dois Jogos Olímpicos depois, Emil torna-se invencível. 

Num livro comovente e emocionante, Echenoz percorre quarenta anos de História recente dando-nos a conhecer a vida ex­cepcional de um dos grandes mitos do desporto, descrevendo de forma atractiva os seus maiores sucessos, mas também as difíceis relações com o poder comunista, a instrumentalização da sua carreira como veículo de propaganda, censura e con­trolo, e as perseguições politicas de que foi alvo e que ditaram o fim da sua carreira.

A minha opinião:
Emprestaram-me este livro porque de tantos e tão rasgados elogios quis lê-lo. Costumo brincar que certos livros são para eruditos e portanto não são para mim. Receava que este fosse um tanto ... fastidioso. Mas não há maior equivoco e este pequeno nas dimensões mas imenso no muito que nos faz sentir em tão concisas e simples palavras, deveria ser de leitura obrigatória. Um livro que nos abre os horizontes ... e a mente para o muito que esquecemos ou não queremos saber. 

Um ser humano excepcional. Capaz de grandes feitos. De se superar e de enfrentar adversidades absurdas, transcendentes, sempre com uma tranquilidade e sorriso que eram a sua imagem de marca.  Heróico e real.  

Uma narrativa emotiva num tempo que decorre desde a Segunda Guerra Mundial até depois da Primavera de Praga. O socialismo para um checo que foi propaganda de um regime e que depois ... é melhor ler e reflectir.