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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Sonhos de papel

Autor: Ruta Sepetys
Edição: 2014/ janeiro
Páginas: 384
ISBN: 9789892325187
Editora: ASA

Sinopse:
Quem diz que só se vive uma vez nunca leu um livro.
Josie Moraine vive mais do que uma vida. Ela é filha de uma das prostitutas de luxo mais cobiçadas de Nova Orleães, um estigma que a arrasta para o submundo decadente da cidade. Vítima da negligência da mãe, tem nos moradores do extravagante Bairro Francês os seus maiores aliados. De Cokie, humilde e fiel; a Willie, a dona de um bordel cuja frieza esconde um coração de ouro; e a Jesse, tímido, atraente e eternamente apaixonado, todos a protegem e velam por ela.

Mas Josie sonha mais alto e move-se com igual à-vontade nos corredores da livraria onde, graças à bondade de um desconhecido, trabalha e habita. Este é o seu porto seguro. Aqui, entre as estantes repletas de livros, no pequeno escritório que agora lhe serve de quarto, não tem de se defender da sua própria mãe nem fingir ser a durona solitária que domina as ruas. Ao anoitecer, quando a porta se fecha e as luzes se apagam, ela descobre nas páginas que folheia a imensidão do mundo e anseia por uma vida melhor. Uma vida como a de Charlotte, a filha de uma família da alta sociedade, cuja amizade a inquieta a ponto de arriscar tudo, mesmo a promessa de um amor verdadeiro.
E quando os seus sonhos estão prestes a realizar-se, um crime muda tudo... para sempre.

A minha opinião:
Romance histórico em Nova Orleães na década de cinquenta, onde Josie tenta resistir a todos os pervertidos e à promiscuidade da mãe, que a aliciam para um futuro de miséria de que sempre procurou fugir, escondendo-se e embalando-se com uma suave cantilena. Inteligente e trabalhadora tem um pequeno grupo de benfeitores que a protegem, ensinam e incentivam a lutar e a iludir a sociedade da época.
Josie, Willie e Jesse são personagens inesquecíveis que nos relembram que apesar da má sorte é possível manter a esperança e sonhar. Sólidos, íntegros e corajosos conquistaram todos, não pela sua aparência ou modo de vida mas pelos seus princípios e valores.

Este romance inebriou-me no primeiro parágrafo e não consegui parar de o ler.
"A minha mãe é prostituta. Não é do tipo obsceno, das que andam na rua. É muito bonita, bem-falante e tem roupas lindas. No entanto, vai para a cama com homens por dinheiro ou presentes e, de acordo com o dicionário, isso faz dela uma prostituta."

A narrativa de Josie de uma fragilidade e simplicidade desarmante e alguma melancolia é suscetível de abalar os corações mais sensíveis. Os crimes que a rodeiam numa cidade mundana e decadente com pessoas que admira e respeita provocam alguma revolta e prendem o leitor a um desfecho que pretendem de justiça.

Mais uma autora que pretendo seguir, com este e outros romances que quero incluir na minha estante. Gostei da escrita equilibrada e fluída que embeleza Nova Orleães como no meu imaginário e gostei das personagens que irão ter um lugar de destaque na galeria de personagens que guardo na memória.

"Não existe beleza sublime que não contenha a sua porção de estranheza."
Sir Francis Bacon

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Despedida de Casado

Autor: Virgílio Castelo
Edição: 2014/ março
Páginas: 264
ISBN: 9789896265304
Editora: Esfera dos Livros

Sinopse:
Morrer por amor. Numa fria madrugada, num ato de loucura, João e Beatriz decidem suicidar-se para eternizar o seu amor, tornando-o assim perfeito. Imortal. Na escuridão da planície alentejana entram nos seus carros e aceleram vertiginosamente um contra o outro. Mas João, no último momento, decide reescrever o seu destino.

Para isso será necessário uma despedida. Do casamento, de Beatriz, de uma relação perigosa, baseada na obsessão e no ciúme descontrolado. Despedir-se sem olhar para trás e partir numa longa viagem em busca de si próprio, da sua essência e de uma nova forma de amar, até agora desconhecida. Um amor puro, sem sofrimento, nem ameaças, capaz, quem sabe, de o fazer verdadeiramente e apenas feliz.
Depois do êxito do seu primeiro romance, O Último Navegador, o ator Virgílio Castelo regressa à escrita com este poderoso romance sobre as relações humanas. Até onde podemos ir quando nos apaixonamos? Ao longo destas páginas somos questionados e impelidos a descobrir diferentes formas de amar. Do amor obsessivo e doentio, capaz de nos arrastar para o lado mais obscuro e desconhecido do nosso ser, capaz de nos levar à loucura e até à morte, ao amor são, onde a entrega, a esperança e a paixão, dão novos significados à palavra amar.
 
A minha opinião:
"Sempre achara ser feliz um objetivo infantil e quase estúpido, na medida em que só com um alheamento total do mundo à nossa volta, poderíamos, talvez, atingir um estado de maravilhamento permanente, capaz de nos fazer crer detentores desse privilégio divino: parar o tempo, definir o espaço, e inventar o modo. Mas, apesar de a humanidade ter vindo a conquistar cada vez mais céu, de há milhões de anos para cá, a verdade é ainda bastante prosaica: é muito difícil sermos deuses, por mais que a gente o queira, ou até mereça." 
(pag. 237)

Quando li a sinopse fiquei bastante tentada a ler este romance. A complexidade das relações afetivas. Mais do que entretenimento, procuro uma estória bem desenvolvida e habilmente contada que faça eco em mim. Nesse sentido sobressaltei-me quando percebi quem era o autor. Mas decidi não ceder a esse subtil preconceito em julgar antecipadamente quem não conheço realmente. E foi com agrado que li este romance. 

Não é uma leitura fácil tal a intensidade dos sentimentos expressos, numa narrativa densa mas a que não se fica indiferente. Enriquecedora se o permitirmos, dependendo do conceito que tivermos de felicidade. 

Nesta tragédia amorosa entre duas figuras mediáticas sujeitas ao escrutínio e mesquinhez da opinião pública, temos uma relação marcada por excessos. Tóxica e desequilibrada. Nestas coisas do amor, há frequentemente um desajuste, em que um gosta e o outro apenas se deixa gostar ou um pede, exige e cobra e o outro cede e submete-se, até que surge o fantasma do divórcio e tudo se complica. Em que a vertigem do sexo ou as limitações financeiras não impedem o desfecho. 

Com um final surpreendente e místico, que muito me agradou. 
Em suma, recomendo sem hesitações.

domingo, 20 de abril de 2014

Primeiro Amor

Autor: James Patterson e Emily Raymond
Edição: 2014/ janeiro
Páginas: 288
ISBN: 9789898626295
Editora: TopSeller

Sinopse:
Baseado em acontecimentos reais da vida de James Patterson.
Axi Moore era uma aluna aplicada. Mas não gostava de dar nas vistas e não contava a ninguém que o que realmente desejava era fugir de tudo. A única pessoa no mundo em quem confiava era Robinson, o seu melhor amigo, por quem estava secretamente apaixonada.
Quando finalmente decide seguir os seus impulsos e quebrar as regras, Axi convida Robinson para a acompanhar na sua longa viagem. Uma jornada intempestiva, marcada pela paixão oculta e pelo desejo de descobrir o mundo. Mas o que no início era apenas uma aventura livre e despreocupada em breve vai tomar um rumo perigoso e incontrolável.
Envolvidos numa sucessão de acontecimentos violentos e dramáticos, os protagonistas são colocados à prova das mais variadas formas. Poderá a primeira grande paixão das suas vidas sobreviver a tudo, até que a morte os separe?
Um romance notável e extraordinariamente comovente, inspirado no próprio passado de James Patterson. Um testemunho impressionante sobre a força do primeiro amor e as suas consequências para o resto das nossas vidas.

A minha opinião:
James Patterson conquistou-me uma vez mais com esta estória simples e emotiva, dividida em duas partes. A primeira parte conta-nos a aventura de dois jovens normais num mundo de liberdade, beleza e irresponsabilidade maravilhosa e terrível, enquanto a segunda parte é mais triste e sombria, porque nos confronta com uma tremenda verdade. Apesar de planearem a fuga, há coisas das quais não se pode fugir. Por outro lado, foi por ignorarem a verdade que chegaram tão longe e essa é a lição que este romance nos dá que merece ser recordada. Não é original mas é sempre bom insistir. Não ficar parados a lamentar-se e assumir o controlo, porque uma pessoa pode estar morta muito antes de morrer realmente.

Axi Moore, a Menina Certinha que é personagem e narrador desta estória, conta-nos sobre o amor de duas almas gémeas, o seu primeiro amor num estilo leve, fluído e coloquial, próprio de uma adolescente. 

Pessoalmente, apesar de encontrar algumas semelhanças na segunda parte deste romance com o romance "A culpa é das estrelas" de John Green, este foi o meu preferido. 

Terno e comovente, é sem dúvida, um leitura que recomendo.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Nunca te distraias da vida

Autor: Manuel Forjaz
Edição: 2014/ março
Páginas: 172
ISBN: 9789897411267
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
Nunca te distraias da vida é um livro biográfico, mas não é uma biografia.
É um livro que nos fala do cancro e do que é viver todos os dias com a doença, tentando manter a disciplina, a alegria e uma agenda profissional milimetricamente preenchida, como Manuel Forjaz sempre teve. Sem que pretenda ser um manual de comportamento ou, sequer, um livro de auto-ajuda, trata-se de um testemunho e de uma ferramenta muito útil para todas as pessoas que estão a viver um problema semelhante ou que têm um familiar ou um amigo doente.
Um livro despretensioso, que explica o que é lutar sem nunca baixar os braços. 

Um livro sobre a vida, a história de quem vive com a doença e com uma certeza “ Poderei morrer da doença, mas a doença não me matará.”

A minha opinião:
Este é uma daqueles livros que não planeei ler. Não conheci o autor mas estive presente no lançamento deste livro onde fui surpreendida por um evento que definiria como acontecimento social, tal o número de pessoas presentes que eram alvo do flash dos fotógrafos. Realço que do que assisti, Manuel Forjaz era uma pessoa que merecia a admiração e o apreço de todos os que como eu se dirigiram à livraria naquele dia. Um otimista crónico que vivia a vida como ela deve vivida. Sem cedências à autocomiseração nem distracções, como afirmava. Foi essa forma de vida, um pouco parecida com a minha, que fizeram com que lhe prestasse atenção e apreciasse aquela serenidade que o iluminava, num comunicador nato. Um homem encantador. Felizardos os que com ele privaram. 

A determinação com que enfrentava a doença, e a frontalidade em falar do que era ter um cancro, sem hesitações ou subterfúgios, fez com que lesse este livro. Não que o compreenda na totalidade, porque não sei o que é ter alguém que ame doente. Mas este é um livro despretensioso que pretende desmitificar a doença com um testemunho.

Não se esquecer de viver a vida, que é fantástica, surpreendente e extraordinária. Podemos morrer da doença mas a doença não nos matará.  

terça-feira, 15 de abril de 2014

Nove Mil Dias e uma só Noite

Autor: Jessica Brockmole
Edição: 2014/ janeiro
Páginas: 256
ISBN: 978-972-23-5185-0
Editora: Editoral Presença

Sinopse:
Março de 1912. A jovem poetisa Elspeth Dunn nunca saiu da remota ilha escocesa de Skye, onde vive, e é com grande surpresa que recebe a primeira carta de um admirador do outro lado do Atlântico. É o início de uma intensa troca de correspondência que culminará num grande amor. Subitamente, a Europa vê-se envolvida numa Guerra Mundial, e o curso normal das vidas é abruptamente interrompido.
Junho de 1940. O Velho Continente vive mais uma vez o tormento de um conflito mundial e uma nova troca epistolar incendeia os corações de dois amantes, desta vez o de Margareth, filha de Elspeth, e o do jovem piloto da Royal Air Force por quem se apaixonou. Cheio de glamour e de pormenores de época, este romance faz a ponte entre as vidas de duas gerações - os seus sonhos, as suas paixões e esperanças -, e é um testemunho do poder do amor sobre as maiores adversidades.

A minha opinião:
Este romance em formato epistolar surpreendeu-me ... porque me emocionou e comoveu. Que melhor elogio lhe posso fazer?! É sempre bom quando lemos mais um romance e ele se supera e não é apenas mais um, mas o romance que iremos recordar pela extraordinária história de amor que transcende o tempo e o espaço, numa intimidade e cumplicidade admirável colocada quase na totalidade através da palavra escrita.

Um grande romance apanhado na Primeira Guerra Mundial que, enquanto decorria a Segunda Guerra Mundial é alvo de escrutínio e investigação por Margaret, filha de Elspeth (Sue), também ela a viver um intenso romance mantido por carta.  

O espírito vivo e o humor corrosivo das personagens Elspeth e David deixaram-me cativa e viciada. O mistério no desenrolar daquela grande história de amor sem prever qual o desfecho depois de tantos sobressaltos, manteve-me em suspense e com extrema dificuldade em interromper a leitura sempre que a isso era obrigada. 

"Eu devia ter-te contado, devia ter-te ensinado a endureceres o teu coração. Devia ter-te ensinado que uma carta nunca é apenas uma carta. As palavras no papel inundam a alma. Se tu soubesses." (pag. 22)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Laços de Vida

Autor: Debbie Macomber
Edição: 2014/ março
Páginas: 360
ISBN: 9789720046246 
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Durante anos, o objetivo de Libby Morgan foi tornar-se sócia da conhecida e competitiva firma de advogados onde trabalha. Para tal sacrificou tudo - amizades, casamento e o sonho de criar uma família. Quando finalmente é chamada à administração, Libby mal contém a sua felicidade, mas não está preparada para a notícia que irá receber: face às dificuldades económicas, Libby é despedida.
Sem perspetivas de trabalho, Libby aproveita para cuidar das amizades que descurou. Assim, enquanto retoma velhos hábitos, passa a frequentar uma loja de malhas onde nutrirá amizades que lhe mudarão a vida.

É ali que conhecerá a doce e sensível Lydia, a proprietária da loja e a sua espirituosa filha adolescente, Casey; bem como a melhor amiga desta, Ava, uma jovem muito tímida e ingénua, que carrega um segredo que não ousa contar a ninguém. Não tardará que Libby considere aquelas mulheres inspiradoras a sua nova família. Consegue mesmo encontrar o amor na figura de um médico enigmático conhecido por doutor Coração de Pedra.
Mas quando tudo finalmente se parece recompor, Libby é confrontada com uma fantástica oferta de trabalho que, caso aceite, poderá ameaçar a felicidade pessoal conquistada há tão pouco tempo. Que opção escolher quando os dois mundos parecem tão incompatíveis?

A minha opinião:
Este romance não foi o que eu esperava. Debbie Macomner é uma autora que reconheço e até mais de metade deste romance estava deliciada com a ligação empática que tinha estabelecido com Libby numa situação que compreendia. Orfã de mãe ainda muito jovem e desamparada pelo pai, batalhou para singrar na vida e corresponder às expetativas e simultâneamente preencher o vazio que o divórcio lhe deixou com a falácia de que o trabalho seria a solução. "A profissão alimentara-lhe o ego e permitira-lhe escamotear os problemas atrás de uma parede defensiva.". (pag. 302)

Quantas e quantas pessoas conhecemos que enquadramos nesta descrição e que foram surpreendidas com a demissão, quando tinham dado tudo de si em prol de uma carreira???
As relações casuais que foram surgindo neste período permitiam-lhe obter alguma confiança e esperança, principalmente depois de conhecer Philip, que contrariamente à alcunha porque era conhecido, era gentil, compassivo e terno. É neste ponto que o meu entusiasmo esmorece porque a relação de dois adultos apesar das feridas de relacionamentos antigos não seria tão idílica e frugal mesmo levando com calma. Seria apaixonada, emotiva e vigorosa nos preciosos momentos partilhados e obviamente que teria sexo. O cunho de realismo e atualidade desta narrativa perde-se.

A partir daí, não houve crescimento da personagem mas uma regressão, em que o ritmo e fluidez da narrativa abrandou com muitos diálogos que pouco acrescentavam para um final muito romanceado e novamente pouco verossímil.

Comovente com a temática da gravidez em adolescentes através personagem de Ava, e inspirador com o o voluntariado no berçário do hospital, que justifica a belíssima capa deste livro, mas ainda assim ficou áquem das  minhas expetativas.

sábado, 5 de abril de 2014

O olhar de Sophie

Autor: Jojo Moyes
Edição: 2014/ março
Páginas: 456
ISBN: 9789720046451
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Duas mulheres separadas por um século, unidas na determinação em lutar pelo que mais amam.
Somme, 1916. Sophie vive numa vila ocupada pelo Exército alemão, tentando sobreviver às privações e brutalidade impostas pelo invasor, enquanto aguarda notícias do marido, Édouard Lefèvre, um pintor impressionista, que se encontra a lutar na Frente. Quando o comandante alemão vê o retrato de Sophie pintado por Édouard, nasce uma perigosa obsessão que leva Sophie a arriscar tudo - a família, a reputação e a vida.

Quase um século depois, o retrato de Sophie encontra-se pendurado numa parede da casa de Liv Halston, em Londres. Entretanto, Liv conhece o homem que a faz recuperar a vontade de viver, após anos de profundo luto pela morte prematura do marido. Mas não tardará que Liv sofra uma nova desilusão - o quadro que possui é agora reclamado pelos herdeiros e Paul, o homem por quem se apaixonou, está encarregado de investigar o seu paradeiro…
Até onde estará disposta Liv a ir para salvar este quadro? Será o retrato de Sophie assim tão importante que justifique perder tudo de novo?

A minha opinião:
Por vezes, mesmo para alguém como eu que tanto aprecia ler, é difícil articular as palavras para melhor expressar o que sinto e retirei do que li. Mas este é realmente um excelente romance e mesmo não querendo elevar de tal modo as expectativas que se torne uma desilusão para quem o pretender ler, não posso deixar de enaltecer a extraordinária capacidade de contar uma história em dois períodos distintos, sem que nenhuma das partes se destaque ou sobreponha à outra, bem como o conjunto de notáveis personagens que pela sua humanidade permanecem connosco muito depois de terminarmos a leitura.

O enigma de "A Mulher Que Deixaste Para Trás", o quadro que retrata Sophie Lefévre. Por vezes, "a história de um quadro não é apenas sobre o quadro. É também a história de uma família, com todos os seus segredos e os seus delitos". (pag. 282) 
É partindo desta premissa que a autora conta a história de duas mulheres honestas, determinadas e corajosas que estão ligadas a este quadro. Duas heroínas inesquecíveis - Sophie Lefévre e Liv Halston, que me provocaram um frenesim de ansiedade em saber mais e mais sobre as suas bravatas e sem conseguir antever o desfecho.

"O quadro faz-me pensar em ti e no tempo em que éramos felizes juntos. Faz-me pensar que a humanidade é tão capaz construir amor e beleza quando promover destruição." (pag. 333) 

O desvendar de um passado para determinar a posse de um objeto que tanto valor em si contêm, seja ele afetivo ou monetário, mas que suscita diferentes emoções e sentimentos em diferentes graduações, desde comoção e apreço a revolta e ganância. Como leitora, em nenhum momento fui indiferente a todos esses estados de alma. O amor, a beleza e a destruição de que somos capazes de sentir e compartilhar.

Um imenso prazer de ler!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Traição

Autor: Jason Matthews
Edição: 2013/ outubro
Páginas: 504
ISBN: 9789892324654
Editora: Lua de Papel

Sinopse:
Nate Nash acaba de ser descoberto.
O jovem agente está em Moscovo, onde trafica informações com o mais valioso espião da CIA no Kremlin. Os russos não sabem quem os anda a trair. Mas perceberam que Nate é a peça-chave para desmascarar o agente duplo.
Os russos jogam então o seu trunfo - Dominika Egorova, estrela do ballet clássico caída em desgraça no Teatro Bolshoi. Extremamente atraente, dotada de uma capacidade excecional para "ler" emoções, é forçada a aceitar uma missão: seduzir Nate Nash.

Começa o jogo.
Da Grécia a Helsínquia, dos corredores de Washington aos aposentos imperiais de Vladimir Putin a trama complica-se. As embaixadas agitam-se, os russos apertam o cerco, há um sádico assassino à solta, sucedem-se as armadilhas, fazem-se e desfazem-se alianças. Nate e Dominika percebem que dependem um do outro para sobreviver.
Traição é provalmente o melhor e mais credível romance de espionagem publicado neste século, nos EUA. O autor, Jason Matthews, trabalhou na CIA durante 33 anos. Foi diretor de operações, recrutou espiões, comandou missões clandestinas. Pôs todos os seus conhecimentos ao serviço deste thriller trepidante, que agarra o leitor até um épico final.
Aclamado pela crítica, Traição ameça tornar-se o equivalente contemporêneo de O Espião que Veio do Frio, de John Le Carré. Um romance preciso, de um suspense sufocante, povoado de personagens que não esqueceremos tão cedo - como a dilacerada Dominika, digna rival de Lisbeth Salander, da trilogia Millennium.

A minha opinião:
"Traição" não é um romance de espionagem fácil de ler. Intrincado e minucioso, com um cunho de autenticidade que o autor imprimiu numa trama adaptada aos dias de hoje. A acção passa-se entre um agente da CIA e uma agente do regime de Putin, mas muitos outros intervenientes surgem ao longo da narrativa. Gable é um dos mais carismáticos, mas o protagonismo é de Dominika Egorova, uma sinesteta, treinada para encontros com informadores e abordagens de recrutamento.  "Alguém que aprende os sons, as letras ou os números como cores... também vê as emoções como cores".

Numa demanda para descobrir quem é o traidor que colabora com a CIA e passa informações em breves encontros, inicialmente em Moscovo onde quase foram apanhados, e mais adiante em Helsínquia para onde Nate fora afastado, Dominika que ultrapassara duras provas é enviada para o aliciar e recrutar. Os sentimentos atrapalham e depois tudo se descontrola com muita espionagem.

Uma visão de uma outra guerra fria no pós-guerra fria mas mais moderna e ligada em que as armas são o petróleo e o gás natural e nos bastidores existe tanta crueldade, repressão e corrupção e os americanos são os bons da fita, mas nem sempre bem sucedidos. 

terça-feira, 25 de março de 2014

As Mulheres do Marquês de Pombal

Autor: María Pilar Queralt del Hierro
Edição: 2014/ fevereiro
Páginas: 160 + 8 extratextos
ISBN: 9789896265243
Editora: Esfera dos Livros

Sinopse:
Por detrás de um grande homem de Estado como Sebastião José de Carvalho e Melo não está uma grande mulher, mas sim várias.Umas unidas por laços de sangue, como a sua mãe Maria Teresa Luiza de Mendonça e Melo, outras por laços afetivos como as suas duas esposas. A primeira, dez anos mais velha que o jovem Sebastião, foi a viúva Teresa de Mendonça e Almada. O namoro não foi bem aceite, mas Sebastião José não hesitou, raptou a noiva e casou em segredo, escandalizando tudo e todos. Amor ou ambição por um casamento com uma mulher de uma classe superior à sua? O casamento foi curto, a mulher morreu de doença enquanto o jovem ascendia na carreira diplomática. Primeiro Londres, depois Viena. Foi aqui que conheceu a sua segunda mulher, companheira de uma vida e mãe dos seus quatro filhos, Maria Leonor Ernestina Daun.
Mas Sebastião José era um homem inteligente, frio, mais dado às suas ambições políticas que às artes do coração. Há uma mulher que fica na história como a grande protetora e responsável pela sua ascensão ao poder: a rainha Maria Ana de Áustria que o colocou ao lado de D. João V e depois do filho D. José I. Mas também foram as mulheres as responsáveis pela sua queda. O seu confronto com a Marquesa de Távora, D. Leonor, o processo sangrento daquela família e o desafeto de D. Maria I por este homem levaram-no à desgraça.
A autora bestseller María Pilar Queralt del Hierro traz-nos a história destas mulheres que, de uma forma ou de outra, estiveram presentes na vida do Marquês de Pombal, o estadista ilustrado que soube fazer com que Lisboa renascesse das cinzas em 1755. Viajamos pela sua escrita através do século XVIII, pelos palácios reais, pelas intrigas da corte, pelos salões onde se reuniam escritores, artistas, políticos unidos pelos ventos do Iluminismo, é aqui neste ambiente que conhecemos Teresa Margarida da Silva ou Leonor de Almeida Lorena, Marquesa de Alorna.
 
A minha opinião:
Algum interesse pela nossa História, sem pretender parecer erudita, fizeram-me querer ler este livro e, como mulher, não podia passar-me ao lado. De igual modo, não me passa despercebida diariamente a estátua deste grande estadista que foi Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal.

É indiscutível a importância das mulheres na vida de grandes homens, mesmo que o seu poder seja exercido na sombra, como acontecia no Séc. XVIII. Neste caso, não me deleitei com aventuras galantes, porque, apesar de ser uma época de fausto e opulência com o muito que provinha do Brasil, o Marquês de Pombal foi um homem sério, inteligente e calculista que soube conduzir a sua vida sem excessos e aproveitar o pensamento do Século das Luzes nas suas reformas. Mais do que as obras que perduraram e os factos que sobejamente conhecemos e pelos quais o Marquês de Pombal não foi esquecido, pretendia conhecer a sua faceta humana e ter um retrato genérico do ambiente que se vivia - um retrato de Época - e esse objetivo foi plenamente alcançado neste pequeno e bem escrito livro. O retrato das mulheres que o rodearam e a sua influência foram o mote para esta leitura.

Bem elaborado, conciso e factual, este pequeno livro foi um maravilhoso interregno entre leituras mais fantasiosas, que me permitiu saber mais sobre mulheres cultas e inteligentes que aglutinaram o saber e o poder. Valentes!

domingo, 23 de março de 2014

Jesus Cristo bebia cerveja

Autor: Afonso Cruz
Edição: 2012/ abril
Páginas: 252
ISBN: 9789896721336
Editora: Alfaguara

Sinopse:
Uma pequena aldeia alentejana transforma-se em Jerusalém graças ao amor de uma rapariga pela sua avó, cujo maior desejo é visitar a Terra Santa. Um professor paralelo a si mesmo, uma inglesa que dorme dentro de uma baleia, uma rapariga que lê westerns e crê que a sua mãe foi substituída pela própria Virgem Maria, são algumas das personagens que compõem uma história comovente e irónica sobre a capacidade de transformação do ser humano e sobre as coisas fundamentais da vida: o amor, o sacrifício, e a cerveja.

Jesus Cristo bebia cerveja é o novo e esperado romance de uma das vozes mais fortes e originais da literatura portuguesa actual, a que é impossível ficar indiferente.

A minha opinião:
Até há bem pouco tempo não conhecia Afonso Cruz e as suas obras. A oportunidade surgiu num encontro de leitores que muito o admiravam e fervorosamente recomendavam os seus livros. "Para onde vão os guarda-chuvas" foi o primeiro romance que li e apesar de apreciar a sua prosa fiquei desagradada como o final que me marcou. O intuito seria esse mas fiquei relutante em ler outros livros. Receava que o choque se repetisse e fosse confrontada com outros finais perturbadores. Este livro, teve o mérito de me reconciliar com o autor e permitir novas incursões no seu fantástico mundo criativo e critico, que nos desafia com tantas personagens que parecem irreais ou mera ficção mas que se enquadram perfeitamente no quotidiano ou no real pelos seus valores e princípios. O bom e o mau conjugam-se e convivem numa bem estruturada estória num ambiente surreal mas vibrante de vida e energia.

É gratificante quando para além do aspecto lúdico conseguimos extrair muito mais e esse objectivo é plenamente alcançado com interpretações e questões filosóficas, religiosas, sociais e espirituais mais ou menos subtis ou despercebidas que cada um em cada momento absorve à sua maneira através desta leitura. Muitos excertos/ fragmentos podem ser extraídos mas seria exaustivo fazê-lo. Considerei apenas um que se segue. A minha sugestão é ler e reler esta espécie de tragicomédia de uma mente delirante mas muito assertiva.

"Há dois tipos de Deus: o que nasce da barriga vazia e o que nasce da barriga cheia. O primeiro é vazio, terroso, carnal, necessário para criar uma sensação de amparo e justiça num mundo em que não há nada disso. O segundo é um luxo, fruto de elucubrações. Não precisamos dele mas ainda assim fazemo-lo existir. É feito de argumentos. Nasce de barrigas cheias. No primeiro acreditamos com o corpo, com o fígado, com o estômago, com os rins e com o sangue. No segundo, acreditamos com a cabeça. O primeiro tem mãos, unhas encardidas, barbas e relâmpagos na voz. O segundo não tem forma, nem corpo, nem nome."
(pag. 127)

domingo, 16 de março de 2014

O Barco Encantado

Autor: Luanne Rice
Edição: 2013/ outubro
Páginas: 292
ISBN: 9789897260919
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
Luanne Rice apresenta-nos o retrato caloroso, embora pungente, de três irmãs que vivem separadas e que regressam uma última vez a Martha`s Vineyard para se despedirem da casa de família. Recordações da avó, da mãe e do pai irlandês, que partiu de barco no ano em que Dar, a mais velha, fazia doze anos, vieram ao de cima e expuseram as ténues brechas no mito da família - especialmente quando cartas antigas, agora descobertas, revelam uma verdade que as faz percorrer a terra natal dos seus antepassados.

Transpostas para um lugar desconhecido, cada irmã encara a vida, os sentimentos e os laços com a casa de família sob uma nova perspetiva. Mas como abrirem mão de um local que contém o amor complexo da sua imperfeita família?
O romance encerra uma temporada em Martha`s Vineyard, uma missão à Irlanda, um elenco memorável de amigos, incluindo um místico extravagante, a paixão pelo surf e três irmãs muito diferentes com uma vida repleta de beleza, sofrimento e um amor profundo em que nunca tiveram a certeza de poder confiar. O Barco Encantado é um romance tão intemporal quanto o mar à volta do qual se desenrola e que tem Luanne Rice no seu melhor, capturando com o seu talento invulgar a família em toda a sua complexidade.

A minha opinião:
Há livros que exercem um tal fascínio sobre nós que perdemos a noção do tempo enquanto nos deixamos arrebatar pelas personagens e pela sua história, como se os conhecêssemos ou participássemos na trama. Mais do que isso, alteram o nosso estado de espírito e a nossa respiração acelera ou abranda  ao ritmo da narrativa. A harmonia desta narrativa e os fortes afectos que ligavam as personagens apaziguaram-me. 

Li todas os livros de Luanne Rice em português, e houve uns que gostei mais do que outros. Aprecio a escrita madura e segura desta autora que sabe como contar uma história ligando bem o passado e o presente com personagens honestas em que os epílogos podem não ser idílicos mas sempre com uma componente mística.

Três irmãs assombradas pela figura do pai que partira num barco à vela e nunca regressara. Três irmãs que se encontram para uma despedida e um confronto com o passado. Dar, a mais velha das três, teve de lutar e vestir a pele de uma das suas personagem nas suas novelas gráficas  e tornar assim invisível o seu sofrimento, guardado no fundo da sua memória enquanto as irmãs com problemas mais prosaicos aceitaram e lidaram com a vida de uma forma mais simples. Cada uma das irmãs McCarthy, seguira de formas diferentes o rasto das suas origens e usara a imaginação para perscrutar o enigma da Irlanda e do pai. 

As revelações e descobertas tornam tudo mais complicado porque se questionam porque tem de lutar para manter o que sempre amaram e tomaram como certo, quando não se falava de dinheiro ou valores ou impostos e tudo parecia perfeito.

Um livro memorável. Laços familiares e afectos numa ambiente inspirador que me deixou verdadeiramente ENCANTADA.

O Ano em que Me Apaixonei por Todas

Autor: Use Lahoz
Edição: 2014, fevereiro
Páginas: 304
ISBN: 9789898626301
Editora: Topseller

Sinopse:
Uma ode à beleza da vida, ao amor e à amizade.
Sylvain, um jovem parisiense que está a caminho dos trinta, sofre de um caso grave de síndrome de Peter Pan: recusa-se a entrar na idade adulta. Embora possua inúmeras virtudes — é perspicaz, simpático, inteligente e versado em várias línguas —, tem também muitos defeitos: é incapaz de seguir em frente quando se trata de amor. A ideia de crescer assusta-o de morte, o que o leva a aceitar um trabalho mal remunerado em Madrid, para estar mais perto de Heike, a antiga namorada que ele não consegue esquecer.

Sylvain traz consigo um plano para reconquistar Heike, mas, entre tantas outras pessoas incríveis com quem se cruza, alguém muito especial irá levá-lo a fazer uma escolha. E quando descobre acidentalmente um manuscrito que contém toda a saga da família do seu vizinho Metodio Fournier, revela-se diante dos seus olhos uma história maravilhosa e excitante, cheia de estranhas coincidências, que muda para sempre a sua visão do amor e do mundo.
No final desse ano inesquecível em Madrid, Sylvain regressará a casa, onde abraçará o seu destino.

A minha opinião:
Expresso a minha opinião agora, com uma outra perspectiva, devido a algum distanciamento por ter lido este romance há alguns dias. Na ocasião, li-o com gosto e não me pareceu tão pueril como agora o sinto. Personagens não tão jovens assim, refiro-me ao grupo de Sylvain, que viviam intensamente e sem responsabilidades lidando com as perdas e fracassos com novos relacionamentos e algumas farras desgarradas. Sem dúvida, que retrata uma geração que tarda em crescer e a acção decorre em Madrid, cidade bem conhecida pela intensidade da vida nocturna e ambiente aprazível e propício ao convívio e diversão.
“Dizem que uma pessoa é do local onde se apaixona”

Sempre que Sylvain ou a mãe tinham desgostos de amor reparavam o coração na velha oficina de Monsieur Tatin, num registo surreal que nos surpreende ao longo de toda a narrativa. Um toque irreverente e fantástico que adorei porque sempre desejamos ter um Monsieur Tatin nas nossas vidas e este era realmente especial. 

Em paralelo, surge Metodio Founier com o seu manuscrito “Aberto por Amor” numa saga famílial a oferecer à mulher amada. Um percurso de vida precocemente amadurecido, de muita labuta e dedicação, diametralmente oposto ao de Sylvain com quem se cruza.

Um romance que não sendo excecional é apaixonante pela estória equilibrada e personagens masculinas. O título é esclarecido no final do livro e deixa-nos plenos de reconhecimento e satisfação.

quarta-feira, 5 de março de 2014

O Quanto Amamos

Autor: W. Bruce Cameron
Edição: 2013/ outubro
Páginas: 200
ISBN: 9789892324685
Editora: ASA

Sinopse:
Uma lição de vida. Um romance inesquecível sobre lealdade, generosidade, o poder redentor do amor... e a ternura que o olhar de um cachorrinho inspira até no mais insensível dos corações.
Após o fim traumático de uma relação amorosa, Josh Michaels decidiu isolar-se do mundo. Tudo corria como planeado até ao dia em que um vizinho abandona uma cadela à sua porta. O momento não podia ser pior.

Josh está deprimido e nunca antes teve animais de estimação mas há algo de que tem absoluta certeza: nunca será cruel para com um ser vivo. Ainda que inexperiente, está disposto a dar o seu melhor para que a meiga Lucy se sinta protegida. Mas nada o podia preparar para o facto de Lucy estar grávida e, pior, prestes a dar à luz. Em pânico, pede ajuda ao abrigo de animais local. É aí que conhece Kerri, uma aguerrida defensora dos animais que o vai ajudar a cuidar de Lucy e a preparar os cachorrinhos para adoção. E não só... A relação entre ambos rapidamente se intensifica e dá a Josh a esperança que ele pensava perdida para sempre.
Sem mãos a medir perante tantas mudanças, Josh fica surpreendido consigo mesmo ao aperceber-se do quanto ama a sua nova vida. Mas todas as relações precisam de entrega e dedicação totais.
Contra todas as expectativas, Josh construiu um lar... mas terá aberto verdadeiramente o seu coração?

A minha opinião:
Um pequeno livro ternurento, tal como o imaginamos.

A capa e a sinopse remete-nos para uma estória simples de afetos com animais, nomeadamente com o melhor amigo do Homem, o Cão. Josh e Lucy são os protagonistas. Para aumentar o núcleo surgem cinco fantásticos cachorrinhos - Sophie, Oliver, Lola, Rufus e Cody e ainda como orientadora de todo o processo para um principiante intimidado, a jovem Kerri. Depois, é só deixar as emoções fluir e acompanhar o despertar de sentimentos duradouros e verdadeiros por companheiros de quatro patas que enternecem corações sensíveis numa narrativa leve e divertida.

Um daqueles romances que correspondem às expectativas e que se lêem num ápice com um sorriso no rosto e o coração repleto de afeto. 

Este livro é indicado para quem compreende a importância de ter um animal na sua vida. 

segunda-feira, 3 de março de 2014

As Lágrimas de Lúcifer

Autor: James Thompson
Edição: 2013/ outubro
Páginas: 296
ISBN: 9789720043795
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Um ano após o caso Sufia Elmi, o inspetor Kari Vaara regressa a contragosto a Helsínquia, numa tentativa desesperada para conseguir ultrapassar as insónias e os fantasmas que persistem em persegui-lo.
Ao serviço da Brigada de Homicídios de Helsínquia, Kari terá nas suas mãos os dois casos mais mediáticos do momento: o brutal homicídio da mulher dissoluta de um homem de negócios russo e o estranho envolvimento em crimes de guerra de um herói nacional da Segunda Guerra Mundial, já nonagenário, cujos contornos políticos estão na iminência de provocar um incidente diplomático entre a Finlândia e a Alemanha.

Assombrado pelo passado, serão as circunstâncias do presente que o farão descobrir a verdade e as respostas que tanto procura.

A minha opinião:
Sei que parece cliché mas este policial prendeu-me da primeira à última página como só um bom livro o consegue. Absolutamente viciante. James Thompson sabe como contar uma história com desprendimento e empenhamento suficiente para seguirmos todas as pistas e todos os raciocínios de Kari como se fossem nossos e ainda partilhamos os seus pensamentos de agrado e desagrado com o todo que o rodeia. A empatia natural com o inspector Kari Vaara ajuda em muito ao envolvimento com esta narrativa num ambiente culturalmente distinto e gélido como a Finlândia.

Kari é chamado a investigar dois casos com contornos políticos e sujeitos a pressões. Um crime brutal de uma mulher devassa  e a participação de um nonagenário que pretendem extraditar acusado de crimes de guerra durante a Segunda Guerra Mundial onde o seu avô também esteve. Passado e presente em confronto, enquanto fortes dores de cabeça o dilaceram. 
 
Li a biografia de James Thompson e percebi que foi buscar em muito as suas experiências pessoais para compor as personagens de Kari e Kate. Kate é americana como James o é, a viver na Finlândia.
Marido e mulher temerosos de falhar quando esperam uma filha após um passado difícil a superar. Boas pessoas que conseguiram singrar depois de uma infância terrível. Família que não escolhemos.

O lado mais sórdido da vida é com isso que Kari e os policiais se deparam no dia-a-dia. Crimes e suicídios. Perversões sexuais e um consumo excessivo de álcool. Embrenhada teia com variados desempenhos que o obcecado Kari e o génio arrogante Milo desvendam. 

Fantástico. Dos melhores policiais que já li. 

sábado, 1 de março de 2014

CAVALO DE FOGO Congo

Autor: Florencia Bonelli
Edição: 2013/ outubro
Páginas: 624
ISBN: 9789720044921
Editora: Porto Editora

Sinopse:
A cirurgiã pediátrica Matilde Martínez abandona Paris rumo ao Congo levada por um sonho: aliviar o sofrimento das crianças vítimas da violência e da fome que imperam naquele país africano. No entanto, deixou para trás uma difícil história de amor que não consegue esquecer.
Por outro lado, o mercenário Eliah Al-Saud chega ao Congo movido por uma ambição: apoderar-se de uma mina de coltan, o minério mais cobiçado pelos fabricantes de telemóveis, que lhe renderá enormes lucros. Mas, acima de tudo, para recuperar Matilde, que considera a razão da sua vida.

Os traumas e segredos que os distanciaram em Paris continuam latentes e, rodeados por um contexto cruel e injusto, a reconciliação parece impossível. Mas Matilde e Eliah tentarão fazer tudo para que o seu amor triunfe.
Um romance carregado de erotismo que dá seguimento à história de CAVALO DE FOGO Paris.

A minha opinião:
Um romance intenso, vibrante e arrebatador. Em nada inferior ao volume anterior desta trilogia. Continuação de espionagem, intriga, suspense, acção e muita paixão.  
Um prazer de ler!

Descobri Florencia Bonelli através do site Segredo dos Livros onde participo, e desde então não mais perdi um dos seus livros. Narrativas fortes e seguras, marcadas por muita acção e imensas personagens em vários cenários por todo o globo terrestre. As personagens destacam-se, sejam eles vilões ou heróis, homens ou mulheres, todos tem um passado e apresentam uma faceta humana que prende os leitores. Esta autora é mestre na arte de contar uma história intrincada e romântica porque os sentimentos e emoções estão presentes, com momentos de desespero e angústia, enquanto outros são de felicidade e alegria. 

Nesta história os ciumes e a impossibilidade de Matilde gerar filhos afastaram os protagonistas, mas o profundo amor recíproco aproxima-os, apesar dos rivais que os rodeiam num ambiente opressivo e sufocante como o do clima, e o conflito bélico disfarçado de guerras tribais mas influenciado por interesses multinacionais gananciosos que muito sofrimento provocam ao povo. 

"O que se passa no Congo é um genocídio de ninguém fala (...). Aqui mata-se com AK-47, mas também com a negligência e com a corrupção. Morrem aos milhares devido à ausência de uma política de saúde. E ninguém se interessa desde que se possa continuar a saquear os recursos das províncias (...).
- Qual é a realidade da mulher congolesa? (...)
- A mulher transformou-se no campo de batalha do Congo. As diversas fações  sabem que, destruindo a mulher congolesa, desarticulam o tecido social. Entre as mulheres veem-se mais mortes resultantes de violações do que de tripanossomíase africana. Os ataques são de uma crueldade inaudíta. Se os violadores não as matam, mutilam-nas."  (pag. 306)

Ficção que podemos enquadrar em exemplos bem reais em África. 

Confesso que não gosto das capas que foram escolhidas para esta trilogia. Estes romances perdem leitores que poderiam apreciá-los se não os considerassem exclusivamente para um público feminino. A dimensão deste livro deve assustar quem não conhece a escrita e as histórias de Florencia Bonelli. Mas, ousando descobre-se que o terceiro e último "Cavalo de Fogo - Gaza" é absolutamente imperdível. 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Que Importa a Fúria do Mar

Autor: Ana Margarida de Carvalho
Edição: 2013
Páginas: 240
ISBN: 9789724746395
Editora: Editorial Teorema

Sinopse:
Numa madrugada de 1934, um maço de cartas é lançado de um comboio em andamento por um homem que deixou uma história de amor interrompida e leva uma estilha cravada no coração. Na carruagem, além de Joaquim, viajam os revoltosos do golpe da Marinha Grande, feitos prisioneiros pela Polícia de Salazar, que cumprem a primeira etapa de uma viagem com destino a Cabo Verde, onde inaugurarão o campo de concentração do Tarrafal.

Dessas cartas e da mulher a quem se dirigiam ouvirá falar muitos anos mais tarde Eugénia, a jornalista encarregada de entrevistar um dos últimos sobreviventes desse inferno africano e cuja vida, depois do primeiro encontro com Joaquim, nunca mais será a mesma. Separados pelo tempo, pelo espaço, pelos continentes, pela malária e pelo arame farpado, os destinos de Joaquim e Eugénia tocar-se-ão, apesar de tudo, no pêlo de um gato sem nome que ambos afagam e na estranha cumplicidade com que partilham memórias insólitas, infâncias sombrias e amores decididamente impossíveis.

A minha opinião:
Um romance amargo.  Como amarga pode ser a vida.
Cruel, desumana, como concordarão depois de ler este romance. Um realismo difícil de processar. Um daqueles romances que nos dão que pensar e que normalmente nos fazem sair da nossa zona de conforto e confrontar-nos com um passado recente de fome, doenças, violência e morte para os que eram deportados para o Tarrafal, na ilha de Santiago, arquipélago de Cabo Verde. Em Portugal Continental também grassava a miséria e as crianças muito cedo começavam em duros trabalhos.
Duas personagens, duas gerações, dois tempos históricos distintos. Uma jornalista, Eugénia, interessa-se por um idoso que dá pelo nome de Joaquim,  e procura conhecer a história e o homem. E nessa estranha junção chegam a partilham um gato.

Um comunista que nunca o foi. Um revoltado com uma farpa no peito e um imenso amor expresso por cartas a Luísa. Os devaneios de Eugénia. Ambos enfrentam memórias amargas, numa narrativa saltitante, sem fio condutor que ora me confundia, ora me entristecia durante mais de metade da narrativa, mas sempre admirando quem tão bem consegue escrever em português. Mais do que o conteúdo, apreciei o modo. Brilhante uso das palavras. Lírico e eloquente.

"O mar é a mais líquida, a mais extensa e a mais habitada das metáforas. Transparente, mas parece azul por reflexo do céu. Também pode ser verde, depende das algas transportadas ou do grau de poluição. Tem os abismos do subconsciente, a metamorfose contínua da superfície. Tem grutas e recifes de coral. Destroços de naufrágios, despojos da humanidade a boiar. Às vezes, convulsiona-se, outras, estagna-se. Erguem-se vagas que se elevam a dezoito metros de altura, outras calmarias de tédio e sudação. Em poucos minutos ensaia-se uma tempestade, emissária das fúrias dos deuses, depois tudo se dissipa como uma bruma imponderável. Recomeça sempre, ondulação sem repouso, em cada onda, um reinicio do ciclo eterno, como a cadência de um verso. Tudo transita, tudo recomeça, tudo se dissolve, tudo se funde na ambivalência." 
(pag. 137)

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Apaixonada por um Milionário

Autor: Ruth Cardello
Edição: 2013
Páginas: 168
ISBN: 9789722351065
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
Dominic Corisi é bilionário, tem um corpo perfeito e um charme irresistível que lhe garante que todas as mulheres que deseja lhe caiam aos pés. Quer dizer, todas menos Abby Dartley, uma jovem e atraente professora que não acredita em correr riscos, sobretudo no que toca a homens. É precisamente por isso que Dominic está decidido a não a deixar escapar e, quando os negócios o obrigam a viajar até à China, leva Abby com ele. Mas com as suas condições: sem promessas e sem compromissos. Só sexo. Porém, na China, Abby toma conhecimento de uma intriga que a poderá obrigar a abandonar o seu papel submisso de amante, mesmo que isso signifique perder o homem que ama...


A minha opinião:
Parece imaturidade ler romances com títulos tão ... como direi... sonhadores e fúteis quanto este.  Mas, porque não??? De quando em quando, quando nos sentimos pressionadas e desgastadas, até agastadas, devemos deixar-nos enlevar num mundo de sonho e fantasia, tão distante do real, que nos permita sorrir dos problemas. Romântico, como muitos o somos, apesar de o ocultarmos. E depois, mais um dia dos namorados, em que não sou adepta do consumismo, excepto quando opto por um livro leve e agradável intercalado com bons momentos de carinho e afecto bem reais.

Li um excerto deste livro no site da Editorial Presença e achei-o tão agradável com uma escrita fluída e envolvente, que na primeira oportunidade dirigi-me a uma livraria e o adquiri. E não parei de o ler porque adorei a interação das personagens, bem como as suas personalidades - Dominic e Abby.  
A vivacidade de Abby não a deixa intimidar-se e assim abre brechas na fortaleza deste homem poderoso e dominador. E depois... depois, o romance acontece. 

Acessível e despretensioso este romance. Um miminho. OK, acho que tenho de ler o romance que se segue desta autora e já lançado pela Presença. Outra ida à livraria. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Os Níveis da Vida

Autor: Julian Barnes
Edição: 2013, novembro
Páginas: 112
ISBN: 9789897221323
Editora: Quetzal

Sinopse:
Juntam-se duas coisas que nunca antes haviam sido juntas. E o mundo transforma-se…O novo livro de Julian Barnes é sobre balonismo, fotografia, amor e sofrimento; sobre juntar duas coisas, duas pessoas, e sobre separá-las. Um dos jurados que atribuiu a Barnes, em 2011, o Prémio Man Booker descreveu-o como «um incomparável mago do coração». Este livro confirma essa tese.

A minha opinião:
"Todas as histórias de amor são potenciais histórias de dor. Se não para um, para o outro. Às vezes, para ambos."

Julian Barnes numa escrita muito pessoal. 
Notável como consegue transportar para o papel todas as graduações emocionais sentidas com a morte da sua mulher com quem viveu trinta anos de um amor conjugal. 
É impossível ficar indiferente a sentimentos, emoções e pensamentos tão distintamente compreendidos na dor do luto e expressos por palavras sábias sobre a relação com os outros e consigo próprio.  Qualquer pessoa que tenha passado por tal sentiu dor, raiva, tristeza, medo, angústia e solidão mas Julian teve lucidez e talento para libertar todo esse intenso sentir através de um sucinto capítulo que definiu como A Perda de Profundidade. 

O primeiro de três capítulos - O Pecado da Altitude - causa estranheza porque é sobre balonismo e a leitura prossegue desprendida até ao segundo capítulo - Ao Nível, em que uma história de amor sem final feliz se revela. No último capítulo, chegarmos ao âmago desta leitura e percebemos onde o autor nos quis fazer chegar. 

Curta mas emocionante leitura. Um livro que nos marca. Sobriedade e Autenticidade. Uma experiência de leitura inolvidável. O que se busca no prazer de ler. 

Belíssimo. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A Persistência da Memória

Autor: Daniel Oliveira
Edição: 2013, novembro
Páginas: 240
ISBN: 9789897411076
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
Camila está em conflito permanente com a sua consciência. Dotada de uma aptidão rara, a que a medicina designa por síndrome de memória superior, tem a capacidade de se recordar ao pormenor de todos os acontecimentos da sua vida, mesmo aqueles que desejaria esquecer. Nesta teia de emoções, onde se misturam passado e presente, amor e perda, culpa e prazer, Camila busca a liberdade que a memória não lhe concede, sobrevivendo entre relações extremas e perversas.

Um segredo inconfessável e a frágil fronteira entre sonho e realidade atravessam este romance desconcertante sobre a intimidade de uma mulher perseguida pelas sombras da sua própria história.

A minha opinião:
Nada como uma tempestade Stephanie para dar um bom andamento nas leituras durante o fim-de-semana. Abrigada e aconchegada no conforto do lar, com um livro entre mãos, senti que o tempo passou agradavelmente. 

Daniel Oliveira é sobejamente conhecido do público por um programa de grande audiência que eu semanalmente não perco. O programa com reconhecido mérito deve-o ao entrevistador  que sabe como preparar e conduzir uma entrevista em que nos dá a conhecer o lado mais humano de figuras públicas. Inteligência e sensibilidade caracterizam-no e depois de uns quantos comentários apreciativos, decidi ainda que relutante, ler este romance. O início foi auspicioso e fiquei intrigada em conhecer Camila Vaz, uma mulher que reúne em si tantas outras na sua desilusão amorosa, com a agravante da sua super memória que não a deixa esquecer todos os detalhes relacionados com a sua vida. Depois..., banalizou-se e divagou sem rumo por um passado de algum despudor e liberdade. 
Apesar de bem escrito, a coerência e consistência da trama perdeu-se e deixou-me com uma promessa não cumprida. Em muito semelhante a alguns livros, até eróticos, que por aí abundam.

Camila peca por falta de profundidade, ao contrário do que consegue Daniel Oliveira extrair das pessoas que escolhe entrevistar.

Não é um livro que persista na minha memória.