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quarta-feira, 25 de junho de 2014

A Improvável Viagem de Harold Fry

Autor: Rachel Joyce
Edição: 2014/ maio
Páginas: 312
ISBN: 9789720045799
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Para Harold Fry os dias são todos iguais. Nada acontece na pequena aldeia onde vive com a mulher Maureen, que se irrita com quase tudo o que ele faz. Até que uma carta vem mudar tudo: Queenie Hennessy, uma amiga de longa data que não vê há vinte anos, e que está agora doente numa casa de saúde, decide dar notícias. Harold responde-lhe rapidamente e sai para colocar a carta no marco do correio. No entanto, está longe de imaginar que este curto percurso terminará mil quilómetros e 87 dias depois.

E assim começa esta improvável viagem de Harold Fry. Uma viagem que vai alterar a sua vida, que o fará descobrir os seus verdadeiros anseios há tanto adormecidos e sobretudo vai ajudá-lo a exorcizar os seus fantasmas.
Com este seu romance sobre o amor, a amizade e o arrependimento, A improvável viagem de Harold Fry, que recebeu o National Book Ward para primeira obra, Rachel Joyce revela-se uma irresistível contadora de histórias.

A minha opinião:
Não sou de grandes rasgos de inspiração para emitir opiniões sobre o quanto gostei dum romance. Frequentemente, faltam-me as palavras certas para expressar o quão avassalador ou surpreendente foi ler este ou aquele romance. Supostamente, seria mais um romance mediano com uma capa atractiva. No entanto, as personagens Harold e Maureen, são tão grandiosas e genuínas e a história tão simples e eloquente, que fiquei rendida a uma narrativa assim, por palavras belas, sentidas e significativas. 

Não é normal eu colocar uma série de post-its a marcar vários excertos de um livro. Quanto muito, um ou outro. Este, na minha mão, parecia um livro de estudo. O motivo para tanto entusiasmo é a "nudez das palavras"que nos apanha de surpresa como se não tivéssemos roupa vestida. Por exemplo:

"Harold imaginou aquele homem no cais de uma estação, tão elegante naquele fato, com uma aparência tão diferente de todas as outras pessoas. O mesmo aconteceria por certo em toda a Inglaterra. As pessoas iam comprar leite, ou encher os depósitos dos carros ou mesmo põr cartas nos correios. E o que mais ninguém sabia era o aterrador peso daquilo que traziam dentro de si. O esforço inumano que por vezes era necessário fazer para se parecer normal e para executar uma parte das coisas que pareciam simultâneamente fáceis e quotidianas. A solidão que isso implicava. Sentiu-se comovido e como que reduzido à sua humana insignificância."    (pag.92)

"Na cidade, os pensamentos de Harold tinham parado. Agora que estava de volta à imensidão dos campos, de novo entre lugares as imagens corriam livres na sua mente. Ao caminhar, libertava o passado que durante vinte anos procurara evitar, e, agora, esse passado tagarelava e brincava na sua cabeça com uma energia selvagem absolutamente única. Já não via as distancias em temos de quilómetros. Media-as com as suas recordações."                                             (pag. 98) 

"Harold acreditava que, na realidade,  a sua jornada só agora começara. Pensara que tinha começado no instante em que decidira partir para Berwick (...). Os começos podiam acontecer mais do que uma vez ou de diferentes maneiras. Podíamos pensar que estávamos a principiar uma coisa, quando na realidade, estávamos apenas a continuá-la. Enfrentara as suas insuficiências e vencera-as, e, por isso, a verdadeira caminhada só agora começava."             (pag.154)

"Aprendera a verdadeira dimensão das pessoas - afinal, todos éramos pequenas criaturas neste mundo, e era precisamente isso que o deixava maravilhado e a transbordar de ternura. Ah, e também a solidão que ser-se assim, pequeno, acarretava. O mundo era constituído por pessoas que punham um pé em frente do outro; e uma vida podia parecer vulgar apenas porque a pessoa que a vivia, a vivia assim há muito, muito tempo. Harold já não conseguia passar por um desconhecido sem reconhecer a verdade de que todas as pessoas eram iguais, e também únicas; e esse era o dilema do ser humano."                                                                                                      (pag. 156)
   
 E é quanto baste. Um prazer de ler!

sexta-feira, 20 de junho de 2014

As pessoas Felizes Lêem e Bebem Café

Autor: Agnes Martin-Lugand
Edição: 2014/ maio
Páginas: 208
ISBN: 9789897021077
Editora: Guerra e Paz

Sinopse: 
Depois da morte do marido e da filha num brutal acidente de automóvel, Diane fecha-se em casa durante um ano, imersa em recordações, incapaz de reagir. Mas, quando já nada parece poder mudar, é precisamente uma dessas recordações que a faz escolher Mulranny, uma pequeníssima aldeia na Irlanda, como destino.
Instalada numa casa em frente ao mar, Diane é gentilmente recebida por todos os habitantes - todos menos um. Será Edward, o bruto e antipático vizinho, a resgatar Diane da apatia em que parece estar novamente a mergulhar. Primeiro, pela ira e pelo ódio. Mas depois, contra todas as expectativas, pela atracção. Como enfrentar este turbilhão de sentimentos? O que fazer com eles?

A minha opinião:
Romance que quando se pega não se despega.

Uma daquelas compras por impulso que, como todos sabemos são as melhores. A capa chamou-me a atenção, e desde já devo acrescentar que a Diane que imaginei tem aquele aspecto. A Diane é parisiense. 
O título, extenso, intriga. E surpreende, quando sabemos de que se trata. 

Enquanto decorria a leitura, que durou apenas algumas horas, pensei que se as pessoas felizes lêem e bebem café, (categoria onde me integro), as pessoas infelizes fumam e por vezes, bebem demasiado... para afugentar fantasmas ou sufocar a dor. Não é uma descrição justa, mas adequa-se. Diane e a Edward, vizinhos por um curto período,  no meio do nada, ou melhor uma pequena e acolhedora localidade próxima do mar, na Irlanda, procuravam o isolamento e a privacidade para fazer o Luto. Edward era alto e irascível, tornando-se intimidante, mas isso era algo que Diane não conseguia tolerar e retaliava energicamente. 

Contrariamente ao que que se possa pensar, não é um romance leve, banal ou lamechas. A mágoa, o ressentimento e a perda, sem a contenção que nos exigem os outros, ou a vida mundana, é devastador e extremo e nesse ponto, o ridículo e o caricato também tem lugar. 

Romance equilibrado sobre sentimentos. 
A importância de um bom amigo, como o Félix para um colo quando necessário e uma pequena comunidade, onde alguma pessoas, que sem nada saber ou exigir em troca, ajudam e confortam. O papel dos outros na recuperação de corações partidos.

Maravilhoso.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Bibliotecário

Autor:  A.M. Dean
Edição: 2014/ março
Páginas: 404
ISBN: 9789897241246
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
O Bibliotecário é um romance rico e aliciante, baseado numa pesquisa histórica profunda. A história envolve um dos tesouros da Antiguidade e passa-se numa série de cenários exóticos e marcados pelo mistério, mantendo o suspense até ao último momento.
Uma professora universitária, especialista em história das religiões, sonha com uma vida de aventuras, desconhecendo que o seu desejo está prestes a concretizar-se.

Arno Holmstrand, um reputado académico, deixa um conjunto de pistas à jovem professora momentos antes de ser assassinado. Emily inicia então uma busca tão inesperada quanto perigosa: a localização da biblioteca perdida de Alexandria. Durante sete séculos, o edifício guardou o maior património cultural e científico da Antiguidade. O mundo julga esse tesouro perdido para todo o sempre, mas as evidências levam Emily a questionar a história.
Decifrando as sucessivas pistas deixadas pelo misterioso guardião, Emily lança-se numa corrida contra o tempo para impedir que o paradeiro da biblioteca e a sua preciosa sabedoria caia nas mãos erradas.

A minha opinião:
"A Idade das Trevas pode pertencer ao passado (...) mas as mais obscuras estarão ainda por vir , e chegarão no momento em que ficarmos privados do passado." (pag. 220)

Uma lição de História partindo do desaparecimento da grande Biblioteca Real da Alexandria, um dos grandes mistérios da Antiguidade. Conjugando factos reais com fição, o autor criou uma complexa teia de mistério e suspense, onde toda a ação se passa entre Londres, Alexandria e Istambul.

A informação em si mesma não é perigosa, o que é perigoso é o que fazemos com ela. Por essa razão, o chefe dos Bibliotecários, o Guardião da Biblioteca, tomou a decisão de transferir o imenso espólio que incluía literatura, conhecimentos sobre Estados e governos, bem como avanços científicos e investigação tecnológica para a clandestinidade e formou a Sociedade no início do VII. A organização dos Bibliotecários de Alexandria não era uma simples rede de indivíduos a guardar uma colecção de saber e conhecimento, mas uma das mais antigas e maiores operações de espionagem da história, com um poderoso inimigo na figura do Secretário do Conselho, outra milenar e bem organizada rede de indivíduos que planeiam um terrível golpe sobre o presidente dos Estados Unidos da América.

Uma perseguição implacável à arguta doutora Emily, que espantosamente consegue recursos e energia para prosseguir nesta demanda. Num bom ritmo, esta narrativa empolga mas não convence. Não deixa de ser uma história interessante e envolvente mas fica a faltar algo que lhe dê sustentabilidade na atuação da heroína e dos vilões.  Romance histórico ao estilo de Dan Brown.  

sábado, 14 de junho de 2014

Grace de Mónaco

Subtítulo: Biografia Oficial
Autor:  Jeffrey Robinson
Edição: 2014/ maio
Páginas: 376
ISBN: 9789892325620
Editora: ASA

Sinopse:
Em 1955, Grace Kelly tinha a América a seus pés. Já ganhara um Óscar, era a atriz preferida do grande mestre Hitchcock e uma estrela de Hollywood. Na Europa, o príncipe Rainier, soberano do Principado do Mónaco, era o solteirão mais cobiçado. Conheceram-se rodeados por uma comitiva e expostos aos flashes das câmaras fotográficas. Pouco sabiam um sobre o outro.
O que se seguiu foi um dos romances mais badalados do século XX e um casamento que emocionou o mundo.

O nascimento dos filhos - os príncipes Alberto, Carolina e Stéphanie - teve um impacto mediático sem precedentes. O Mónaco transformou-se no destino de sonho de milhões de pessoas. Foram tempos mágicos, nos quais tudo parecia possível. Mas o conto de fadas teria um fim abrupto. No fatídico dia 13 de setembro de 1982, Grace saiu de casa ao volante de um Rover e sofreu um acidente fatal. Nas colinas de Monte Carlo, morreu uma estrela e nasceu uma lenda.
Numa iniciativa inédita, o príncipe Rainier e os filhos – o príncipe Alberto e as princesas Carolina e Stéphanie – colaboraram na escrita desta biografia. A história de amor entre Rainier e Grace; os anos rebeldes de Carolina e a morte trágica do seu marido, Stefano Casiraghi; o peso da responsabilidade do príncipe Alberto enquanto futuro monarca e a solidão de Stephanie após o acidente que vitimou a mãe, todos os momentos marcantes da Casa Grimaldi são pela primeira vez revelados pela família. Esta é a sua fascinante história.

A minha opinião:
Esta é a biografia oficial que começou a ser escrita em 1989, e contou com a cooperação plena e inédita de quatro pessoas: o príncipe Rainier III, o príncipe Alberto, a princesa Carolina e a princesa Stéphanie, e que assim pretendiam contar a verdade.   

Grace Kelly é uma personalidade incontornável do sec. XX que encarna beleza, glamour e sucesso e foi seguida por milhares de pessoas ao longo da sua vida como atriz e mais tarde, como princesa. Grace era uma pessoa delicada e amável, oriunda de uma família com antecedentes irlandeses e alemães, onde teve uma educação tradicional e rígida, muito ligada ao desporto. Quando casou, ela e Rainier foram protagonistas de um conto de fadas, mais do que governantes de um pequeno país que reabilitaram e em que Grace deu vida à Riviera como um ícone do cinema o poderia fazer com os seus amigos de Hollywood.

Poucos tiveram uma vida tão cheia e encantadora, mas com um final tão triste. Cercados por parasitas, lacaios, oportunistas, alpinistas sociais e patifes, tiveram sérias dificuldades em escolher em quem confiar e amar. Os filhos foram sempre alvo de perseguições intoleráveis pelos paparazzis e muitos escândalos suscitaram, ora fabricados ora imprudentes.  

Numa retrospectiva alargada, o autor não deixa nada por contar. Escrutina tudo, desde os conflitos políticos e económicos do Mónaco, ao convívio social e eventos, e à vida em família. Perfeito! Demasiado para mim, e é isso que torna este livro um tanto excessivo e exaustivo, porque não creio em tanta perfeição e idílio. Sequer acredito ou admiro ícones. Mas, para quem acompanhou a vida e obra de Grace kelly, é um livro a ler.  

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Quando éramos mentirosos

Autor:  E. Lockhart
Edição: 2014/ maio
Páginas: 312
ISBN: 9789892327365
Editora: ASA

Sinopse:
E se alguém lhe perguntar como acabar este livro… MINTA.

A família Sinclair parece perfeita. Ninguém falha, levanta a voz ou cai no ridículo. Os Sinclair são atléticos, atraentes e felizes. A sua fortuna é antiga. Os seus verões são passados numa ilha privada, onde se reúnem todos os anos sem exceção.

É sob o encantamento da ilha que Cadence, a mais jovem herdeira da fortuna familiar, comete um erro: apaixona-se desesperadamente. Cadence é brilhante, mas secretamente frágil e atormentada. Gat é determinado, mas abertamente impetuoso e inconveniente. A relação de ambos põe em causa as rígidas normas do clã. E isso simplesmente não pode acontecer.
Os Sinclair parecem ter tudo. E têm, de facto. Têm segredos. Escondem tragédias. Vivem mentiras. E a maior de todas as mentiras é tão intolerável que não pode ser revelada. Nem mesmo a si.

A minha opinião:
Pode parecer, mas não se trata de um romance comum. Não é mais um conto de encantar. No início, com um capítulo dedicado às boas vindas, é sugerido um romance com uma forte carga dramática, sobre a bela Família Sinclair, onde os quatro mentirosos são os protagonistas - Johnny, Mireen, Cady (primos) e Gat, e assim é. 

Nas primeiras páginas temos um mapa da ilha privada dos Sinclair, o que se revela muito útil para conseguir visualizar o cenário onde a ação se dá, assim como a árvore genealógica da família de modo a não nos perdermos numa estória onde os nomes próprios são uma constante, numa narrativa espartilhada em pequenos capítulos, composto por frases curtas e incisivas. 

O modo como a autora escolheu contar esta estória consegue apanhar o leitor desprevenido. Narrativa singela e inocente que se adensa gradualmente, com detalhes horríveis e contornos sinistros, para um desfecho inesperado e marcante. As notas de imprensa da capa não são mera publicidade. 

Patriarcado manipulador, irmãs inúteis e frustradas que, na rivalidade entre si, perdem o que de mais importante têm, enquanto os jovens perdem a inocência, mas mantêm a amizade que os liga e o amor de Gat e Cadence subsiste para sempre.

Um romance inesquecível.

A Sentinela

Autor:  Richard Zimler
Edição: 2013/ outubro
Páginas: 424
ISBN: 9789720044907
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Até que ponto um único assassinato pode iluminar a crise em que se encontra o país?
6 de julho de 2012. Henrique Monroe, inspetor-chefe da Polícia Judiciária, é chamado a um luxuoso palacete de Lisboa para investigar o homicídio de Pedro Coutinho, um abastado construtor civil. Depois de interrogar a filha da vítima, Monroe começa a acreditar que Coutinho foi assassinado ao tentar defender a perturbada adolescente do violento assédio sexual de algum amigo da família. Ao mesmo tempo, uma pen que o inspetor descobre escondida na biblioteca da casa contém alguns ficheiros com indícios de que a vítima poderá também ter sido silenciada por um dos políticos implicados na rede de corrupção que o industrial montara para conseguir os seus contratos.

Tendo como pano de fundo o Portugal contemporâneo, um país traído por uma elite política corrupta, que sofre sob o peso dos seus próprios erros históricos, Richard Zimler criou um intrigante policial psicológico, com uma figura central que se debate com os seus demónios pessoais ao mesmo tempo que tenta deslindar um caso que irá abalar para sempre os muros da sua própria identidade.

A minha opinião:
Nunca tinha lido nenhum outro romance de Richard Zimler. Achei que teria a oportunidade de apreciar a sua escrita e a capacidade de conceber uma boa estória através deste livro, mas não antevi, pela sinopse, a intensidade dos meus sentimentos para com esta ficção que retrata uma realidade recente. Violação e abuso de menores, bem como crueldade e violência por parte de quem mais os devia proteger, são temáticas que, mesmo em ficção, evito.

Contudo, esta foi uma leitura apetecível e imparável dada a bem construída trama que vai aumentando em complexidade e ambivalência enquanto novos elementos vão surgindo no decorrer da investigação policial, acompanhada de personagens credíveis e conturbadas que vão ganhando profundidade ao longo da narrativa, em paralelo com um confronto da personagem principal com o passado num crescendo quase intolerável.

Harry e Ernie, dois irmãos inseparáveis, com tanto para contar e superar que vai surgir entre eles uma terceira personagem sempre vigilante - a sentinela Gabriel.

Romance forte e muito bem concebido. Muito bom.

sábado, 31 de maio de 2014

Uma Espia no meu Passado

Autor: Lucinda Riley
Edição: 2013/ junho
Páginas: 496
ISBN: 9789892323619
Editora: ASA

Sinopse:
Côte d`Azur, 1998. Émilie lutou sempre contra o seu passado aristocrático. Agora, com a morte da mãe, é obrigada a confrontá-lo pois é a única herdeira do imponente castelo da família. Mas com a casa vem uma pesada dívida e muitas interrogações: qual era a finalidade do quarto secreto que descobre por baixo da adega? Quem é a misteriosa Sophia, que assina um comovente caderno de poemas? Quem foram os protagonistas da trágica paixão que mudou o curso da história da família?

Londres, 1943. Em plena Segunda Guerra Mundial, a inexperiente Constance Carruthers é recrutada pelos serviços de espionagem britânicos e enviada para Paris. Um incidente separa-a do seu contacto na Resistência Francesa, obrigando-a a refugiar-se junto de uma família aristocrata que entretém membros da elite de Hitler ao mesmo tempo que conspira para libertar o país. Numa cidade repleta de espiões e no auge da ocupação nazi, Constance vai ter de decidir a quem confiar o seu coração.
Constance e Émilie estão separadas por meio século mas unidas por laços que resistiram à força demolidora do tempo. Os segredos que o passado encerra pulsam ainda em busca de redenção.

A minha opinião:
Como pode uma pessoa compreender o presente se não conhecer o passado? 

É com base nessa premissa que a autora entrelaça duas histórias, em duas épocas distintas, com duas mulheres como protagonistas para uma maravilhosa narrativa, com um enredo emocionante e personagens profundamente humanas. Para quem vivenciou aquela época terrível da Segunda Guerra Mundial, não é fácil encarar o passado de um modo frio e desligado ou sequer de uma perspetiva lógica como acontece às novas gerações, saturadas de ler e ouvir falar daquele tempo, mas que ainda assim teve impacto no desenvolvimento do futuro, como aconteceu com a família aristocrata de la Martinières.  

Rivalidades e invejas traçaram também o destino de irmãos em ambas as épocas, como foi o caso de Sebastian e Alex, netos de Constance Carruthers, em 1999, bem como de Frederik e Falk em 1943.

Lucinda Riley consegue tecer histórias de muitas páginas que se lêem num ápice, tal o encantamento a que sujeita os seus leitores, com narrativas vibrantes de mistério, intriga, aventura e ação, ainda que um tanto romanceadas. Personagens carismáticas, representativas do Bem e do Mal. que evoluem no desenrolar da trama. Contudo, não as achei muito consistentes em determinadas peripécias. Apreciei particularmente o Alex, como bom analista das personalidades que o rodeavam, tendo avaliado que Émile não correspondia ao arquétipo de mimada e autoconfiante, mas antes repudiasse o brilho, glamour e os excessos que protagonizaram a vida da sua mãe, relegando-a para um segundo lugar, sentindo-se pouco amada e ignorada e assim vulnerável a um oportunista mentiroso.

Por tudo isto, uma autora a reter e um livro a ler.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Enquanto Houver Estrelas no Céu

Autor: Kristin Harmel
Edição: 2014/ maio
Páginas: 384
ISBN: 9789720044266
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Desde sempre, Rose, ao entardecer, olhava o céu em busca da estrela da tarde. Era aquela estrela, agora que a sua memória a estava a abandonar, que lhe permitia recordar-se de quem era e de onde vinha; que a transportava para os seus dezassete anos, para uma confeitaria nas margens do Sena. Ninguém conhecia a sua história nem sequer a sua neta, Hope. Num dos seus raros momentos de lucidez sente que é importante falar-lhe de um passado longínquo, que manteve em segredo durante setenta anos e que em breve ficará perdido para sempre.
Munida de uma lista de nomes e de fragmentos de uma vida, Hope parte para Paris em busca de respostas.
Para Hope esta será também uma viagem de descoberta: de tradições religiosas há muito diluídas, de histórias vividas numa Paris ocupada onde o amor sobrevive e, sobretudo, da sua capacidade de recomeçar e acreditar em si mesma.

A minha opinião:
MA-RA-VI-LHO-SO.
Profética frase na capa "Enrosque-se no sofá com uma chávena de chá, um bolo e devore este livro - vai adorar."

Esta é a história de um amor profundo entre um homem e uma mulher, e desse modo, a história de uma família, quando o presente encontra o passado e tantos segredos e mentiras se revelam. Novos começos, doces como todas as receitas de Marnie e Hope, e muito comoventes, embrulhados  com muito amor. 
 
Uma lição que a Humanidade devia aprender. Não é a religião que divide o Homem. É o Bem e o Mal que ele pratica na Terra. Todos falamos ao mesmo Deus.

No fim da vida de Rose, o passado vem acossá-la e nos momentos de lucidez sabe que tem que descobrir tudo sobre o desaparecimento dos seus durante a Segunda Guerra Mundial, em Paris. Entrega à neta Hope uma lista de nomes, que ficaram gravados no seu coração e escritos no céu. Ela parte em busca do seu legado sem o saber.
Por vezes, a vida complica-se. As circunstâncias seguram-os. As decisões orientam o destino: Mas o coração mostra sempre o norte, e este romance toca-nos na alma e agita emoções e pensamentos enquanto nos debatemos com os nossos próprios valores. Três mulheres que não esqueceremos. Um romance contado a duas vozes, e em dois tempos e lugares distintos. Possivelmente, os sentimentos de pertença acompanham os laços de sangue. 

De todos os géneros literários que leio, o romance é o que mais gosto, e neste, entrelaçam-se com mestria, dois tipos. O romance histórico e o contemporâneo, com  personagens fortes e de grande coração. 

"- Chérie, estou a ver desaparecer as estrelas.
(...)
- Porque, apesar de não conseguirmos ver, elas estão sempre lá. - disse. Estão apenas escondidas atrás do sol. 
(...)
- É muito bom, querida, recordar que não temos de ver uma coisa para saber que ela existe. 
(pag. 48)

Dos melhores romances que já li. E foram realmente muitos. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O jogo de Ripper

Autor: Isabel Allende
Edição: 2014/ fevereiro
Páginas: 400
ISBN: 9789720044983
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Indiana e Amanda Jackson sempre se apoiaram uma à outra. No entanto, mãe e filha não poderiam ser mais diferentes. Indiana, uma bela terapeuta holística, valoriza a bondade e a liberdade de espírito. Há muito divorciada do pai de Amanda, resiste a comprometer-se em definitivo com qualquer um dos homens que a deseja: Alan, membro de uma família da elite de São Francisco, e Ryan, um enigmático ex-navy seal marcado pelos horrores da guerra.

Enquanto a mãe vê sempre o melhor nas pessoas, Amanda sente-se fascinada pelo lado obscuro da natureza humana. Brilhante e introvertida, a jovem é uma investigadora nata, viciada em livros policiais e em Ripper, um jogo de mistério online em que ela participa com outros adolescentes espalhados pelo mundo e com o avô, com quem mantém uma relação de estreita cumplicidade.

Quando uma série de crimes ocorre em São Francisco, os membros de Ripper encontram terreno para saírem das investigações virtuais, descobrindo, bem antes da polícia, a existência de uma ligação entre os crimes. No momento em que Indiana desaparece, o caso torna-se pessoal, e Amanda tentará deslindar o mistério antes que seja demasiado tarde.

A minha opinião:
Mistério e suspense no romance de Ripper.

Os membros de Ripper eram um exclusivo grupo de freaks que comunicavam pela internet para encurralar e destruir o misterioso Jack, o Estripador, ultrapassando obstáculos e vencendo os inimigos que apareciam pelo caminho. Cada um deles, criou uma personagem para si mesmo enquanto jogador, e aproveitou as suas aptidões quando o local de ação se transferiu para São Francisco  em 2012. Amanda Martin, de 17 anos, dirigia e coordenava o grupo com os préstimos do esbirro, seu avô. Inteligente e arguta, cedo Amanda desenvolveu uma reprovável curiosidade pela maldade em geral e pelo homicídio em particular, consequência de ser uma leitora voraz, com os perigos que isso implica. O facto de o pai ser o chefe do Departamento de Homicídios de São Francisco contribuiu para o pernicioso interesse com o conhecimento das malfeitorias que aconteciam na cidade, lugar idílico que não convidava ao crime.

Não li muitas das obras de Isabel Allende e como tal, não posso ser incluída no seu clube de fãs, mas do que li, apreciei bastante. Este romance que foge ao realismo mágico em que é exímia, proporcionou-me momentos de leitura verdadeiramente empolgantes. O tom irónico e crítico não me passou despercebido. Empatia pelas personagens ou a inquietação de querer desvendar mais do que então sabia sobre os crimes tornaram esta leitura viciante. Numa escrita fluída e ritmada, a autora relevou gradualmente e na medida do meu interesse, tudo o que precisava saber sobre as personagens que tão bem caraterizou ou a trama.

Curiosamente, adorei a personagem Indiana, a generosa e altruísta "bruxa" boa que arrasava corações, enquanto duas outras personagens que lhe eram chegadas me incomodavam sobejamente, ainda sem imaginar a participação que teriam. O ser surpreendida foi talvez o mais gratificante desta estória bem construída, mas outros aspectos já referidos a tornaram um prazer de ler.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Corpos Subtis

Autor: Norman Rush
Edição: 2014/ abril
Páginas: 232
ISBN: 9789897221521
Editora: Quetzal

Sinopse:
Nina e Ned estão a tentar conceber um filho. Em pleno período fértil de Nina, Ned apanha subitamente, e sem aviso, um avião, para comparecer ao funeral de Douglas, um misterioso amigo dos seus tempos de estudante. Nina, furiosa, põe-se a caminho, atrás dele, para poderem ir para a cama no momento certo.
Douglas era o chefe de um círculo de amigos da faculdade, e Nina fica incrédula perante o ascendente que, volvidos tantos anos e malgrado o afastamento, o grupo - e em especial Douglas, mesmo depois de morto - tem sobre Ned.

Corpos Subtis explora a reconfiguração e a reavaliação desse grupo de amigos no seguimento da morte de Douglas e questiona as razões pelas quais fazemos os amigos que fazemos, porque os conservamos e qual o sentido que damos às nossas histórias pessoais.
É um retrato sábio e divertido, e uma observação finíssima da inconstância das relações e das novas verdades que podem emergir de velhas certezas.
Como a toda a obra de Norman Rush, a Corpos Subtis também se aplica a máxima "ficção é a verdade contada de forma excessiva e belíssima". É certamente também uma envolvente e rigorosa lição na arte do romance.

A minha opinião:
Não foi de todo o que eu esperava ou desejava ler. 

A Quetzal distingue-se por apresentar frequentemente romances de muita qualidade, embora nem sempre acessíveis ou compreensíveis para o leitor comum, categoria onde me enquadro. Este é um romance peculiar ou estranho, pelas personagens e pelo modo como agem, pensam e se relacionam.

Um pequeno grupo de indivíduos da faixa etária dos quarenta, definidos como crânios na faculdade, que na altura se manifestavam com comportamentos bizarros, reencontram-se muitos anos depois devido a um estúpido acidente onde morreu o líder desse grupo. Desconectadas com o real, mas com uma visão politizada do mundo, ou simplesmente desfuncionais nos seus relacionamentos, inclusive no laço que os unia desde a faculdade, estas personagens procuravam um rumo ou um elo, assim como eu como leitora procurava discernir o quanto faltava revelar-se sobre eles.
Ned e Nina são as personagens principais. Na sua relação, investem num projecto comum. Um filho. Por essa razão, Nina seguiu Ned e impôs a sua presença, mesmo sem ser convidada naquele belo cenário. Intuitiva ou arguta, Nina rapidamente se apercebe do muito que se oculta. 
Rude é a palavra que melhor descreve o afecto no seu relacionamento com Ned,  mas que ainda assim funcionava.

Corpos subtis é a essência que se oculta em cada um de nós e com a qual nos confrontamos através destas personagens, com tantos problemas e ambiguidades por resolver.
Não foi um enredo ou personagens que me prendessem à leitura. Mas estive algo intrigada com o que poderia desvendar destas excêntricas e até grosseiras personagens, que chegavam a ser criticadas, por não saberem usar a sanita para urinar.

"O Douglas disse uma coisa que era bem verdade. Disse que o objetivo da guerra é preservar a continuidade da vida de todos os dias, recorrendo para isso a todos os meios que forem necessários." 
(pag. 64).

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Os Demónios de Álvaro Cobra

Autor: Carlos Campaniço
Edição: 2013/ fevereiro
Páginas: 240
ISBN: 9789724746166
Editora: Editorial Teorema

Sinopse:
A aldeia de Medinas seria um lugar bem mais aprazível não fosse contar-se entre os seus habitantes Álvaro Cobra, um lavrador que atrai fenómenos sobrenaturais e tão depressa é tido por bruxo como por santo: não chorou ao nascer, com um mês já tinha dois dentes, consegue ouvir a Terra girar sobre si própria, tem uma cadela que adivinha o tempo e, além disso, já morreu duas vezes - mas ressuscitou, e desde então um bando de grifos faz ninho no seu telhado. A sua estranheza impediu-o, porém, de arranjar mulher, mas o encontro com a filha de um nómada que vende torrão doce na Feira de Setembro promete mudar esse estado de coisas, ainda que a união traga surpresas (nem sempre agradáveis) quer ao próprio lavrador, quer às mulheres da sua família: a bisavó Lourença, que conta cento e cinquenta anos mas guarda invejável lucidez; a mãe, que consegue trabalhar a terra com uma mão e cozinhar com a outra; ou mesmo Branca Mariana, a irmã excessivamente febril que vive prostrada numa cama onde os lençóis chegam a pegar fogo. Do casamento atribulado, nascerá Vicente, o filho de quem se espera uma existência completamente distinta da do pai. Porém, tratando-se de um Cobra, nunca fiando…

Ao ficcionar uma aldeia alentejana em finais do século XIX - na qual judeus, árabes e cristãos andam às turras e os mitos ganham terreno à realidade -, Carlos Campaniço oferece-nos uma galeria de personagens inesquecíveis, que vão de um anarquista à dona de um bordel ambulante, e recicla de forma original o realismo mágico para revisitar as virtudes e os defeitos das pequenas comunidades rurais do nosso Portugal.

A minha opinião:
Quem me conhece sabe que, hesito e pondero antes de ler obras de autores portugueses, mesmo quando são muito recomendados. A minha preocupação é que a narrativa seja muito descritiva ou analítica e que me faça sentir apenas tédio. Não foi o que aconteceu e foi uma grata surpresa. Tão grande, que não cabia em mim o espanto.

Uma estória de realismo mágico contada em bom ritmo, que me recordou os contos de tradição oral que tanto me encantam. A vivacidade e espiritualidade de certas expressões que são intemporais e que definem a nossa identidade surgem com frequência nesta narrativa bem estruturada, que exorbita e caricatura circunstâncias ou personagens em tantas peripécias.

Sendo eu de um meio pequeno em que todos se conhecem e todos sabem de tudo e sobre todos, é muito divertido o impacto que a aldeia alentejana - Medinas, tem nesta estória. É como se de outra personagem se tratasse, e condicionasse a ação das outras personagens. Efeito punitivo ou moralizador e nestes moldes também entram cristãos e judeus e a relação entre eles nos finais do Sec. XIX.

Empatia por personagens exacerbadas com os seus defeitos e qualidades, as suas alegrias e tristezas, em existências marcadas por dificuldades e dureza.

"(...) - Uma família insólita: o marido com suas singularidades inusitadas e suas coleiras de epítetos; a bisavó quem sabe, a mulher mais velha do mundo; a cunhada, doente com febre toda uma vida; e a sogra com duas mãos desiguais. Chegou a parecer-lhe que aquela casa era um abrigo de gente saída dos contos populares dos nómadas. Não obstante, no rosto da aldeia, as gentes eram iguais ás demais encontradas nas vilas e aldeias e nos caminhos de terra batida daquele imenso Sul."
(pag. 57)

Indubitavelmente, um prazer de ler. 

domingo, 11 de maio de 2014

A Onda

Autor: Sonali Deraniyagala
Edição: 2013/ outubro
Páginas: 240
ISBN: 9789896682057
Editora: Vogais

Sinopse:
Na manhã de 26 de dezembro de 2004, Sonali Deraniyagala perdeu duma só vez os pais, o marido e os dois filhos. O tsunami que nesse dia atingiu o sudoeste asiático levou-lhe a família mas ela, como por milagre, sobreviveu.
Neste livro corajoso, pungente e franco, a autora descreve os terríveis momentos que viveu e a sua longa jornada desde então. Num relato cativante e emocional, Sonali descreve como se debateu furiosamente, durante os primeiros meses após a tragédia, contra uma realidade que não conseguia enfrentar e simultaneamente não podia negar.

Conta também como depois, ao longo dos anos que se seguiram, lentamente, permitiu que a memória a levasse de volta à vida magnífica e feliz que perdera, à casa da sua família em Londres, ao nascimento dos seus filhos, ao ano em que conheceu o marido em Cambridge e à sua infância em Colombo, no Sri Lanka.
Durante todo este percurso, Sonali foi aprendendo o difícil equilíbrio entre as memórias quase insuportáveis da sua perda e a necessidade de manter a sua família, de alguma forma, ainda viva dentro dela.
Com uma escrita emocional e sincera, que torna este impressionante relato ainda mais poderoso, A Onda é uma memória biográfica extraordinária que se lê com comoção. Um livro que irá captar a atenção dos leitores pela sua brutal honestidade e intensidade.

A minha opinião:
Não foi uma primeira escolha. Algumas boas criticas/ comentários determinaram esta leitura, que antecipei como sendo uma narrativa autobiográfica amargurada e sofrida. Não é o meu género. Normalmente, não consigo manter o distanciamento necessário ou evitar projectar-me naquela situação. Por isso, protelei um pouco esta leitura. 

Contudo, fui surpreendida pela estória. Partindo de um doloroso facto seguiu um rumo baseado nas memórias e pensamentos, durante um curto período evolutivo de sete anos. Começa no momento em que se apercebem de uma estranha alteração no mar naquele fatídico dia e fogem. Concisa e objetiva, Sonali narra o que se passou, acrescentando informações que reuniu com familiares e amigos dos tempos mais perturbados. Confusão e caos mental, até sentimentos de culpa, vergonha, raiva e muita dor, fazem deste livro uma verdadeira catarse para a autora que a tanto sobreviveu.

Singular e surpreendente é o apego à natureza e a preponderância que esta tinha na relação familiar, revelada nas memórias expostas sempre que regressa aos tempos anteriores aquele dia 26 de dezembro de 2004, e nos dá a conhecer a sua desaparecida família e a dinâmica com todos os elementos. 

Sri Lanka deve ser muito especial. Apesar do passado de perda e dor, e sendo a sua pátria, Sonali não desistiu e regressou para ... e mais não conto. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O Amor é uma Canoa

Autor: Ben Schrank
Edição: 2013/ setembro
Páginas: 384
ISBN: 9789892324098
Editora: ASA

Sinopse:
Um livro sobre livros, escritores e os seus atormentados editores
Stella Petrovic é uma ambiciosa editora a braços com uma missão quase impossível: colocar um livro nas listas de bestsellers mais concorridas dos Estados Unidos. Mas não se trata de um livro qualquer e sim do manual de autoajuda O Casamento é uma Canoa, que foi publicado há já cinquenta anos.

Peter Herman é um herói nacional graças a esse mesmo livro, o primeiro e último da sua carreira. Os conselhos sentimentais de O Casamento é uma Canoa inspiraram gerações de americanos. Com um casamento longo e feliz, Peter era a prova da eficácia das suas próprias palavras. Agora, viúvo e sem esperança, duvida de tudo o que escreveu tantos anos antes.
Para Stella, o que está em jogo não suporta dúvidas ou hesitações. A editora está disposta a tudo para convencer o mundo de que O Casamento é, de facto, uma Canoa. E nada melhor do que encontrar um casal em busca de salvação. Emily e Eli estão casados há pouco tempo mas a paixão que os uniu está desgastada pela rotina. São perfeitos para o plano que Stella tem em mente... mas, para isso, ela terá de conseguir o apoio da única pessoa que não acredita no livro: o seu autor.

A minha opinião:
Raramente, tenho uma opinião desfavorável sobre um livro, mas... Parece-me que este foi um projeto mal concretizado por parte do autor, que não lhe conseguiu dar a volta ambicionada. Faltou ritmo e fluidez na narrativa, bem como credibilidade e interação das personagens que desse ação e todo um quadro vivo ao leitor. Deste modo, nem o enredo ou as personagens cativaram. 

Não me suscitou qualquer emoção, nem mesmo o drama de Emily, quando descobre que o seu idílico casamento era uma farsa, uma vez que Eli a traía, o que a levou a participar e a ganhar um concurso sobre com o autor do livro de autoajuda "O amor é uma canoa". 

Foi mesmo muito complicado não interromper e desistir de o ler. 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Os livros do final da tua vida

Autor: Will Schwalbe
Edição: 2013/ outubro
Páginas: 328
ISBN: 9789897240751
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
Forçados por uma trágica circunstância, Will Schwalbe e a mãe ficam longas horas em salas de espera de hospitais. Para passar o tempo, decidem falar dos livros que estão a ler. Através das suas leituras, percebemos o quanto os livros são reconfortantes, surpreendentes e maravilhosos.
(...)
Esta é a inspiradora história de um filho e de uma mãe que formam um "clube de leitura" que os aproxima à medida que a vida dela se acerca do fim. Nos dois anos que se seguem, Will e Mary Anne travam conversas desencadeadas por uma eclética série de livros e por uma paixão partilhada pela leitura. Os assuntos que discutem abarcam questões de fé e de coragem, bem como tópicos mais comuns. São constantemente recordados do poder que os livros tem de nos confortar, espantar, ensinar e de nos dizer o que devemos fazer com as nossas vidas. Ler não é o oposto de fazer, é o oposto de morrer.

Will e Mary Anne partilham esperanças e preocupações - e redescobrem as suas vidas - por intermédio dos seus livros preferidos. O resultado é uma história profundamente comovente acerca da perda, mas também uma celebração da vida.

A minha opinião:
Se leram a sinopse, percebem porque tinha que ler este livro.

Recentemente li três romances quase seguidos, em que a personagem principal se debate contra um cancro, e não é fácil, mesmo quando se trata de personagens fortes, positivas e determinadas em prosseguir com a sua vida mas muito lúcidas. Todas elas tinham fé. Esta personagem destaca-se pelo trabalho humanitário em prol dos refugiados.

Mary Anne Schwalbe que morreu aos 75 anos de idade, era uma mulher pequena, tranquila e sorridente que "poderia parecer tão convencional como uma senhora de sociedade mas que viajava por todo o mundo, muitas vezes em circunstâncias desesperadamente complicadas; (...) viu o pior, mas acreditou no melhor". "Nunca vacilou na sua convicção de que os livros são a ferramenta mais poderosa do arsenal humano, que ler todo o tipo de livros, seja em que formato for - electrónico(embora não fosse o que ela escolheria), impresso ou audiolivro  -, é a melhor forma de entretenimento, bem como a maneira de tomarmos parte da conversa da humanidade." (pag. 316)

E mais não comento... é quanto baste. Vale a pena ler, desde que consigamos lidar com todo o processo de combate a uma doença mortal mas tratável e o quanto podemos fazer durante esse período. 

Feitiço

Autor: Sylvia Day
Edição: 2014/ abril
Páginas: 216
ISBN: 9789720046598
Editora: 5 Sentidos

Sinopse:
Max Westin: a personificação da sensualidade.
Victoria podia até cheirá-la e senti-la assim que ele se aproximava. Tudo nele era brutal e determinado. Uma criatura primitiva, tal como ela.
Max segurou a mão dela de forma intensa e a sua respiração ofegante e excitante deixou bem clara a sua intenção de a possuir, de a domar.

"Victoria."
O nome dela, uma só palavra, foi entoado com tamanha possessividade que ela quase sentiu a coleira à volta do pescoço.
“Está na tua natureza”, murmurou ele. “O desejo de seres possuída.”
Neste jogo do gato e do rato, tudo parece uma ilusão mas a paixão é muito real.

A minha opinião:
Não há muito a dizer sobre este romance erótico, uma vez que se insere num género literário que se tornou moda nos últimos tempos. Não é de todo o que prefiro, mas tem a sua piada. Muito linear, a estória serve para enquadrar uma série de atos sexuais descritos ao pormenor numa relação fogosa e muito apaixonada. 

Esta narrativa insere-se também ao nível do fantástico, e trata-se de uma poderosa atração sexual entre uma "Familiar" em vias de se tornar "Bravia", devido à morte do seu amado que lhe delegou os poderes mágicos, e um "Predador" - "Feiticeiro" incumbido de a dominar e a tornar submissa. Uma fantasia criada por uma mente criativa que é capaz de descrever vertiginosos e alucinantes atos sexuais, tal a fluência e a frequência, por duas personagens belíssimas e sexualmente vorazes e incansáveis. Nesta relação, como se depreende, há situações de bondage, com dominação e submissão, mas sem violência e mútuo consentimento.

Leitura muito acessível e fluída para ler sem pudores e uma mente aberta. A capa é sugestiva e de muito bom gosto. 

Sylvia Day num género em que é mestre, para leitoras que apreciem.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Sonhos de papel

Autor: Ruta Sepetys
Edição: 2014/ janeiro
Páginas: 384
ISBN: 9789892325187
Editora: ASA

Sinopse:
Quem diz que só se vive uma vez nunca leu um livro.
Josie Moraine vive mais do que uma vida. Ela é filha de uma das prostitutas de luxo mais cobiçadas de Nova Orleães, um estigma que a arrasta para o submundo decadente da cidade. Vítima da negligência da mãe, tem nos moradores do extravagante Bairro Francês os seus maiores aliados. De Cokie, humilde e fiel; a Willie, a dona de um bordel cuja frieza esconde um coração de ouro; e a Jesse, tímido, atraente e eternamente apaixonado, todos a protegem e velam por ela.

Mas Josie sonha mais alto e move-se com igual à-vontade nos corredores da livraria onde, graças à bondade de um desconhecido, trabalha e habita. Este é o seu porto seguro. Aqui, entre as estantes repletas de livros, no pequeno escritório que agora lhe serve de quarto, não tem de se defender da sua própria mãe nem fingir ser a durona solitária que domina as ruas. Ao anoitecer, quando a porta se fecha e as luzes se apagam, ela descobre nas páginas que folheia a imensidão do mundo e anseia por uma vida melhor. Uma vida como a de Charlotte, a filha de uma família da alta sociedade, cuja amizade a inquieta a ponto de arriscar tudo, mesmo a promessa de um amor verdadeiro.
E quando os seus sonhos estão prestes a realizar-se, um crime muda tudo... para sempre.

A minha opinião:
Romance histórico em Nova Orleães na década de cinquenta, onde Josie tenta resistir a todos os pervertidos e à promiscuidade da mãe, que a aliciam para um futuro de miséria de que sempre procurou fugir, escondendo-se e embalando-se com uma suave cantilena. Inteligente e trabalhadora tem um pequeno grupo de benfeitores que a protegem, ensinam e incentivam a lutar e a iludir a sociedade da época.
Josie, Willie e Jesse são personagens inesquecíveis que nos relembram que apesar da má sorte é possível manter a esperança e sonhar. Sólidos, íntegros e corajosos conquistaram todos, não pela sua aparência ou modo de vida mas pelos seus princípios e valores.

Este romance inebriou-me no primeiro parágrafo e não consegui parar de o ler.
"A minha mãe é prostituta. Não é do tipo obsceno, das que andam na rua. É muito bonita, bem-falante e tem roupas lindas. No entanto, vai para a cama com homens por dinheiro ou presentes e, de acordo com o dicionário, isso faz dela uma prostituta."

A narrativa de Josie de uma fragilidade e simplicidade desarmante e alguma melancolia é suscetível de abalar os corações mais sensíveis. Os crimes que a rodeiam numa cidade mundana e decadente com pessoas que admira e respeita provocam alguma revolta e prendem o leitor a um desfecho que pretendem de justiça.

Mais uma autora que pretendo seguir, com este e outros romances que quero incluir na minha estante. Gostei da escrita equilibrada e fluída que embeleza Nova Orleães como no meu imaginário e gostei das personagens que irão ter um lugar de destaque na galeria de personagens que guardo na memória.

"Não existe beleza sublime que não contenha a sua porção de estranheza."
Sir Francis Bacon

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Despedida de Casado

Autor: Virgílio Castelo
Edição: 2014/ março
Páginas: 264
ISBN: 9789896265304
Editora: Esfera dos Livros

Sinopse:
Morrer por amor. Numa fria madrugada, num ato de loucura, João e Beatriz decidem suicidar-se para eternizar o seu amor, tornando-o assim perfeito. Imortal. Na escuridão da planície alentejana entram nos seus carros e aceleram vertiginosamente um contra o outro. Mas João, no último momento, decide reescrever o seu destino.

Para isso será necessário uma despedida. Do casamento, de Beatriz, de uma relação perigosa, baseada na obsessão e no ciúme descontrolado. Despedir-se sem olhar para trás e partir numa longa viagem em busca de si próprio, da sua essência e de uma nova forma de amar, até agora desconhecida. Um amor puro, sem sofrimento, nem ameaças, capaz, quem sabe, de o fazer verdadeiramente e apenas feliz.
Depois do êxito do seu primeiro romance, O Último Navegador, o ator Virgílio Castelo regressa à escrita com este poderoso romance sobre as relações humanas. Até onde podemos ir quando nos apaixonamos? Ao longo destas páginas somos questionados e impelidos a descobrir diferentes formas de amar. Do amor obsessivo e doentio, capaz de nos arrastar para o lado mais obscuro e desconhecido do nosso ser, capaz de nos levar à loucura e até à morte, ao amor são, onde a entrega, a esperança e a paixão, dão novos significados à palavra amar.
 
A minha opinião:
"Sempre achara ser feliz um objetivo infantil e quase estúpido, na medida em que só com um alheamento total do mundo à nossa volta, poderíamos, talvez, atingir um estado de maravilhamento permanente, capaz de nos fazer crer detentores desse privilégio divino: parar o tempo, definir o espaço, e inventar o modo. Mas, apesar de a humanidade ter vindo a conquistar cada vez mais céu, de há milhões de anos para cá, a verdade é ainda bastante prosaica: é muito difícil sermos deuses, por mais que a gente o queira, ou até mereça." 
(pag. 237)

Quando li a sinopse fiquei bastante tentada a ler este romance. A complexidade das relações afetivas. Mais do que entretenimento, procuro uma estória bem desenvolvida e habilmente contada que faça eco em mim. Nesse sentido sobressaltei-me quando percebi quem era o autor. Mas decidi não ceder a esse subtil preconceito em julgar antecipadamente quem não conheço realmente. E foi com agrado que li este romance. 

Não é uma leitura fácil tal a intensidade dos sentimentos expressos, numa narrativa densa mas a que não se fica indiferente. Enriquecedora se o permitirmos, dependendo do conceito que tivermos de felicidade. 

Nesta tragédia amorosa entre duas figuras mediáticas sujeitas ao escrutínio e mesquinhez da opinião pública, temos uma relação marcada por excessos. Tóxica e desequilibrada. Nestas coisas do amor, há frequentemente um desajuste, em que um gosta e o outro apenas se deixa gostar ou um pede, exige e cobra e o outro cede e submete-se, até que surge o fantasma do divórcio e tudo se complica. Em que a vertigem do sexo ou as limitações financeiras não impedem o desfecho. 

Com um final surpreendente e místico, que muito me agradou. 
Em suma, recomendo sem hesitações.

domingo, 20 de abril de 2014

Primeiro Amor

Autor: James Patterson e Emily Raymond
Edição: 2014/ janeiro
Páginas: 288
ISBN: 9789898626295
Editora: TopSeller

Sinopse:
Baseado em acontecimentos reais da vida de James Patterson.
Axi Moore era uma aluna aplicada. Mas não gostava de dar nas vistas e não contava a ninguém que o que realmente desejava era fugir de tudo. A única pessoa no mundo em quem confiava era Robinson, o seu melhor amigo, por quem estava secretamente apaixonada.
Quando finalmente decide seguir os seus impulsos e quebrar as regras, Axi convida Robinson para a acompanhar na sua longa viagem. Uma jornada intempestiva, marcada pela paixão oculta e pelo desejo de descobrir o mundo. Mas o que no início era apenas uma aventura livre e despreocupada em breve vai tomar um rumo perigoso e incontrolável.
Envolvidos numa sucessão de acontecimentos violentos e dramáticos, os protagonistas são colocados à prova das mais variadas formas. Poderá a primeira grande paixão das suas vidas sobreviver a tudo, até que a morte os separe?
Um romance notável e extraordinariamente comovente, inspirado no próprio passado de James Patterson. Um testemunho impressionante sobre a força do primeiro amor e as suas consequências para o resto das nossas vidas.

A minha opinião:
James Patterson conquistou-me uma vez mais com esta estória simples e emotiva, dividida em duas partes. A primeira parte conta-nos a aventura de dois jovens normais num mundo de liberdade, beleza e irresponsabilidade maravilhosa e terrível, enquanto a segunda parte é mais triste e sombria, porque nos confronta com uma tremenda verdade. Apesar de planearem a fuga, há coisas das quais não se pode fugir. Por outro lado, foi por ignorarem a verdade que chegaram tão longe e essa é a lição que este romance nos dá que merece ser recordada. Não é original mas é sempre bom insistir. Não ficar parados a lamentar-se e assumir o controlo, porque uma pessoa pode estar morta muito antes de morrer realmente.

Axi Moore, a Menina Certinha que é personagem e narrador desta estória, conta-nos sobre o amor de duas almas gémeas, o seu primeiro amor num estilo leve, fluído e coloquial, próprio de uma adolescente. 

Pessoalmente, apesar de encontrar algumas semelhanças na segunda parte deste romance com o romance "A culpa é das estrelas" de John Green, este foi o meu preferido. 

Terno e comovente, é sem dúvida, um leitura que recomendo.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Nunca te distraias da vida

Autor: Manuel Forjaz
Edição: 2014/ março
Páginas: 172
ISBN: 9789897411267
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
Nunca te distraias da vida é um livro biográfico, mas não é uma biografia.
É um livro que nos fala do cancro e do que é viver todos os dias com a doença, tentando manter a disciplina, a alegria e uma agenda profissional milimetricamente preenchida, como Manuel Forjaz sempre teve. Sem que pretenda ser um manual de comportamento ou, sequer, um livro de auto-ajuda, trata-se de um testemunho e de uma ferramenta muito útil para todas as pessoas que estão a viver um problema semelhante ou que têm um familiar ou um amigo doente.
Um livro despretensioso, que explica o que é lutar sem nunca baixar os braços. 

Um livro sobre a vida, a história de quem vive com a doença e com uma certeza “ Poderei morrer da doença, mas a doença não me matará.”

A minha opinião:
Este é uma daqueles livros que não planeei ler. Não conheci o autor mas estive presente no lançamento deste livro onde fui surpreendida por um evento que definiria como acontecimento social, tal o número de pessoas presentes que eram alvo do flash dos fotógrafos. Realço que do que assisti, Manuel Forjaz era uma pessoa que merecia a admiração e o apreço de todos os que como eu se dirigiram à livraria naquele dia. Um otimista crónico que vivia a vida como ela deve vivida. Sem cedências à autocomiseração nem distracções, como afirmava. Foi essa forma de vida, um pouco parecida com a minha, que fizeram com que lhe prestasse atenção e apreciasse aquela serenidade que o iluminava, num comunicador nato. Um homem encantador. Felizardos os que com ele privaram. 

A determinação com que enfrentava a doença, e a frontalidade em falar do que era ter um cancro, sem hesitações ou subterfúgios, fez com que lesse este livro. Não que o compreenda na totalidade, porque não sei o que é ter alguém que ame doente. Mas este é um livro despretensioso que pretende desmitificar a doença com um testemunho.

Não se esquecer de viver a vida, que é fantástica, surpreendente e extraordinária. Podemos morrer da doença mas a doença não nos matará.