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domingo, 30 de junho de 2019

Cai a noite em Caracas

A minha opinião:
Há livros que doem... e são extraordinários.

"Prometeram. Que nunca mais ninguém roubaria, que tudo seria do povo, que cada um teria a casa dos seus sonhos, que nada de mal voltaria a acontecer. Prometeram que se fartaram.
...
Os dias assemelhavam-se mais à gestão de uma guerra do que à vida... Os vivos lutavam à dentada pelas sobras. Naquela cidade sem desfechos, brigávamos por um sítio onde morrer."


É uma pena que não se leia mais. Saberiam mais sobre a culpa do sobrevivente. O que tem e o que não tem. O que parte e o que fica. O que é de fiar e o suspeito.

Em Caracas seria sempre noite. Uma metáfora que se compreende bem depois de ler este livro magistral. Fundamental ler!


Autor: Karina Sainz Borgo
Páginas: 215
Editora: Alfaguara
ISBN: 9789896657345
Edição: 2019/ junho

Sinopse:
Caracas, Venezuela: Num país que antes da crise era a terra dos sonhos, da beleza e da prosperidade e que agora está esgaçado pela corrupção, pela criminalidade e pela repressão, Adelaida procura apenas sobreviver. A sua mãe, professora, grande companheira de toda a vida, acaba de morrer de uma doença prolongada. Adelaida, de trinta e oito anos, fica sem nada, sem ninguém, à deriva numa cidade em que tudo falta, menos a violência e a extorsão.

Poucos dias depois do funeral, Adelaida encontra a sua casa ocupada por um grupo de mulheres às ordens do regime. Decide procurar refúgio na casa da vizinha, mas quando bate à porta só recebe silêncio. Aurora Peralta, a quem todos chamam “a filha da espanhola”, está morta no chão da sala. Em cima da mesa, está uma carta a informá-la da concessão do passaporte espanhol: um salvo-conduto para fugir do inferno.

Para sobreviver, Adelaida terá de deixar de ser quem é.

Cai a Noite em Caracas é o retrato de uma mulher que, frente a uma situação extrema, terá de transformar-se, renegar o pasado para se agarrar a uma nova vida. É a história de muitas outras mulheres, muitos outros homens, crianças, velhos, encurralados num país em que a violência, a miséria e a traição marcam o ritmo diário da existência. Um romance extraordinário, que anuncia uma grande promessa na literatura em espanhol.

No Meio do Nada

A minha opinião:
Do nada surgem histórias que parecem pensamentos soltos, desassossego que é preciso libertar. Angústia. Solidão. Perda. Desencanto. Saudade. Fé ... E têm nome. Nomes, maioritariamente femininos. As mulheres têm este hábito de exteriorizar em jeito de ladainha o que lhes apoquenta a alma. Monólogos. Supostamente há interlocutores que escutam sem falar. Trivialidades e dramas em desabafo sentido. Genuinamente nosso.

Escrita clara e objectiva, para uma leitura muito breve de concisas histórias (duas ou três páginas) de que gostei muito. De um lado para o outro, sem tempo a perder, gosto de começar e acabar uma história.


Autor: António Mota
Páginas: 224
Editora: ASA
ISBN: 9789892344225
Edição: 2019/ Fevereiro

Sinopse:
Como num palco, e com a unidade temática de um romance, as múltiplas personagens de No Meio do Nada, falam do que as desassossega.

Monólogos sobre a busca da felicidade, a solidão, a passagem do tempo, os sonhos e as desilusões, as súbitas mudanças, o envelhecimento, o medo, o espanto, as novas moradas, o deslaçar dos afetos, o amor e a crueldade.

Histórias francas e ousadas, que nos interpelam, onde nos reconhecemos e, por vezes, nos encontramos.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

A Paciente Silenciosa

A minha opinião:
Cúm caraças! O final deste thriller apanhou-me mesmo de surpresa. Deve ser por isso que toda a gente anda a falar nele. 

A sinopse chamou-me a atenção. O que leva uma mulher a matar o marido, sem que nada indicie maus tratos? Fiquei intrigada. Achei que poderia ser bom. Fiquei atenta e os ecos positivos não tardaram.

Os protagonistas seduzem o leitor, enquanto as personagens secundárias provocam desconforto e desconcerto. O silêncio da danificada Alicia, que no seu diário é uma mulher razoável e realizada, é um mistério que o psicoterapeuta Theo a braços com os seus próprios traumas quer curar.

Escrita fácil e fluída, ritmo pausado em que o leitor é enredado pela narrativa das personagens para desvendar o móbil do crime. Não cheguei lá como é costume. 
Muito bom.

Autor: Alex Michaelides
Páginas: 336
Editora: Presença
ISBN: 9789722363822
Edição: 2019/ maio

Sinopse:
Alicia Berenson é uma pintora britânica, jovem e famosa, que vive numa casa sublime nos arredores de Londres com o marido, Gabriel, um conhecido fotógrafo de moda. A vida de ambos parece perfeita. Mas uma noite, quando ele chega a casa depois de uma sessão fotográfica, Alicia mata -o com cinco tiros. E nunca mais diz uma palavra.

A recusa de Alicia em falar e dar qualquer tipo de explicação sobre a tragédia, transforma-se num mistério que prende a imaginação da opinião pública, e confere a Alicia uma notoriedade sem precedentes. O preço dos seus trabalhos artísticos dispara e ela, a paciente silenciosa, é alvo de um mediatismo implacável. Para evitar isso, é conduzida para uma unidade forense de alta segurança no norte de Londres.

Theo Faber, um psicoterapeuta criminal, espera há muito pela oportunidade de trabalhar com Alicia. A sua determinação em convencê-la a falar e a desvendar as razões misteriosas que motivaram o assassínio do marido leva-o por um caminho tortuoso, numa busca pela verdade que ameaça consumi-lo...

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Contador de Histórias

A minha opinião:
Contador de histórias é... maravilhoso... para quem gosta tanto de ler contos como eu. Quase que parece fácil escrever curtas histórias comoventes e divertidas que surpreendem. Não acho que poderiam ser desenvolvidas para um romance porque gosto tanto de histórias sem muito entretanto que vão direto ao que interessa. Histórias que podem ser contadas oralmente. Por isso, li devagar para melhor recordar. Algumas, marcadas com asterisco no final, baseiam-se em factos reais. As restantes são ficção.

Começa com Único com apenas 100 palavras. Quem matou o presidente da Câmara numa pequena cidade é uma deliciosa intriga burguesa. A primeira detenção de um polícia não se esquece. E o que dizer da memorável académica versada em Shakespeare que bate um cavalheiro. O amor que vence na guerra não é banal, assim como uma boleia pode ser o encontro de uma vida e claro que não podia perder a oportunidade de decidir o meu final para as férias de uma vida. A reforma do bancário é merecida. 
Enfim... treze admiráveis contos. 


Autor: Jeffrey Archer
Páginas: 208
Editora: Bertrand
ISBN: 9789722536110
Edição: 2019/ abril

Sinopse:
Jeffrey Archer, o autor da saga dos Clifton, regressa com um novo livro de contos há muito aguardado pelos leitores, repleto de textos emocionantes e, às vezes comoventes, escritos nos últimos dez anos.

Descubra o que aconteceu ao jovem detetive napolitano que, para resolver um assassínio, é arrastado para uma pequena cidade. Veja o que muda na vida de um jovem à medida que este descobre as origens da fortuna do seu pai. Siga as histórias de uma mulher que, na década de 1930, se atreve a desafiar homens poderosos, e a de uma outra, jovem, que apanha boleia e tem o encontro da sua vida.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

A Rapariga Sem Pele

A minha opinião:
Li este livro ao concluir o projecto A Ler Vamos Chamar a Primavera

De início, não me entusiasmou como eu esperava. A escrita seca não fluía, apesar dos acontecimentos e do passado do protagonista, por quem não sentia empatia, sucederem em curtos capítulos. O frio, esse arrepia a pele, com as breves descrições da calota glaciar onde foi encontrado o homem do gelo e onde se deu o crime macabro.

Gronelândia. Nuuk, uma cidade com cerca de dezasseis mil habitantes em que a única coisa que havia à volta eram montanhas, céu ou mar. Fascinante porque é real. A cidade e o clima árctico destacam-se neste enredo tortuoso e severo que ganha ímpeto com a personagem Tupaarnaq. E as revelações do passado daquela pequena comunidade. A maligna estatística oculta. 

A capa é bestial.


Autor: Mads Peder Nordbo
Páginas: 368
Editora: Planeta
ISBN: 9789897771392
Edição: 2019/ maio

Sinopse:
Um policial intenso e perturbador na fascinante Gronelândia. Neve, gelo e neblina revelam terríveis segredos mortais escondidos há muito tempo. Quando um cadáver viquingue mumificado é descoberto numa fenda no gelo, o jornalista Matthew Cave é destacado para cobrir a história.

No dia seguinte, a múmia desapareceu. o corpo do polícia que a guardava jaz no gelo, nu e esfolado, tal como as vítimas de uma horrível série de assassínios que aterrorizaram a remota Nuuk na década de 1970.

Acredita em Mim

A minha opinião:
Vìciante. Intenso. Excelente leitura para um fim de semana prolongado.

Claire julga-se actriz mas acaba enredada num trabalho para uma firma de advogados como engodo para maridos infiéis. Um dos maridos não vacila e a mulher aparece morta e Claire é envolvida como isco para apanhar o criminoso que é tido como sociopata.


O livro "Flores do Mal" de Charles Baudelaire é o elo de ligação de duas mentes brilhantemente retorcidas que confundem o leitor. 
"Acima de tudo, porém, é uma história sobre um homem e uma mulher a tentarem adivinhar os motivos um do outro."  (pag. 290)

Capítulos curtos, escrita directa na voz de Claire e um enredo bem construído com bom ritmo e muitas reviravoltas que mantêm o suspense no auge. 

Muito superior ao anterior thriller psicológico do autor "A rapariga de antes" que também li. 

Autor: J. P. Delaney
Páginas: 424
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9789896657871
Edição: 2019/ maio

Sinopse;
Claire Wright gosta de se pôr na pele de outras pessoas.

Mas quem é o isco… e quem é a presa?

Claire é uma inglesa estudante de teatro em Nova Iorque. Sem o green card, não tem outra saída senão aceitar o único emprego que consegue: trabalhar para uma firma de advogados especializados em casos de divórcio. A sua missão é fingir que é uma rapariga fácil, em bares de hotel, para desmascarar maridos infiéis. Quando um dos seus alvos se transforma no objecto de uma investigação por assassinato, a Polícia pede a Claire que use todas as suas habilidades para ajudar a atrair o suspeito para uma confissão. Mas, desde o início, ela tem dúvidas. Patrick Fogler é realmente um assassino? Ou o único marido decente que conheceu? E… será que lhe estão a ocultar alguma informação relevante para o caso? Depressa Claire percebe que está a desempenhar o papel mais perigoso da sua vida…

terça-feira, 18 de junho de 2019

A Baía de Miramar

A minha opinião:
Exactamente o que me apetecia ler. E o entusiasmo manteve-se ao longo de todo o livro. Suave e terno, sem ser entediante ou previsível. Um romance convincente com personagens extraordinárias em que todos brilham.

Miramar é um lugar que se quer conhecer. onde os sonhos se podem recuperar e segundas oportunidades acontecer. Ás vezes, o acaso pode mudar a vida. 

Um romance que nos enche o coração.

Autor: Andrew Sean Greer
Páginas: 304 
Editora: Quetzal 
ISBN: 9789897225574
Edição:2019/ maio

Sinopse:
Ele não veio até tão longe apenas para partir mais um coração.

Na esteira da melhor literatura romântica, Davis Bunn apresenta-nos este romance excecional e cativante entre dois estranhos numa pequena cidade costeira. Connor Larkin apanha um expresso no centro de Los Angeles, mas não sabe ao certo para onde vai ou o que procura. Um dia sonhou ser cantor e vê-se agora catapultado para o cinema e para os braços de uma jovem herdeira famosa. Connor sente que tem de repensar tudo e de se reencontrar, mesmo que para tal tenha de colocar em segundo plano o casamento e uma carreira brilhante. Alguma coisa indefinível ficou esquecida, a caminho do sucesso uma parte de si ficou para trás. É assim que, com a data do casamento a aproximar-se, Connor desembarca na pacata cidade costeira da baía de Miramar onde uma mulher notável o vai obrigar a repensar todas as suas escolhas. Ela precisava de lhe conhecer os segredos e de saber se o que ele lhe dizia era verdade.

Sylvie Cassick é o oposto das estrelas pretensiosas de Hollywood. Filha de um pintor com pouco sucesso, teve sempre de trabalhar para alcançar aquilo que queria. Quando Connor se candidata para trabalhar no restaurante de Sylvie, ela não sabe exatamente o que pensar desse estranho, incrivelmente atraente, mas aceita o desafio. Lentamente, sente o coração ceder, mas compreende também que há em Connor mais do que aquilo que ele deixa transparecer. E este percebe que reencontrou o seu destino. Porém o mundo exterior ameaça o vínculo frágil que foram estabelecendo e Connor tem de arriscar perder tudo para poder alcançar a vida que anseia e ser o homem que Sylvie merece.

A Baía de Miramar é uma viagem inesquecível, por caminhos pouco percorridos, em busca de uma verdade sempre envolvida em dúvidas e desejo.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Less

Vencedor do Prémio Pulitzer 2018

Autor: Andrew Sean Greer
Páginas: 304 
Editora: Quetzal 
ISBN: 9789897225574
Edição:2019/ maio

Sinopse:
Arthur Less está a chegar aos cinquenta anos. É um homem de boa índole e que tem uma carreira de escritor discreta e demasiado mediana. Muitos anos antes, fora o jovem amante de um génio da literatura e aprendera a ocupar um lugar de irrelevância ou periferia. Agora, luta com as suas dúvidas e inseguranças, e tenta sobreviver num meio de egos devoradores. Um dia é convidado para um casamento que descobre ser o do seu ex-namorado com outra pessoa.

Assim começa o longo périplo que antecede o seu quinquagésimo aniversário: tentando fugir ao casamento, Less começa a aceitar todo o tipo de convites para participar em leituras, festivais literários, palestras um pouco por todo o mundo.

De França à Índia, da Alemanha ao Japão, do México a Itália, Arthur Less quase se apaixona, quase desiste, quase morre, mas acaba por encontrar o seu caminho de regresso a casa e à vida. Um romance satírico sobre o amor, o avanço da idade, o desencontro e as profundezas do coração humano.


A minha opinião:
Um romance melancólico e pungente, com laivos de humor, acerca da vida de um homem de meia idade solitário e falido que viaja para vários lugares do mundo para escapar ao casamento do seu mais recente amante.

O périplo plano de fuga desenrola-se entre memórias e cómicas peripécias que tornam este romance uma deliciosa ode à vida com este homem cândido.

Romance em que se não aprendermos a amar a literatura e os escritores, ainda que geniais, aprendemos a voltar a amar a linguagem e por causa disso Arthur Less. 

Escrita sumptuosa mas não tão escorreita quanto eu gostaria. Um livro (e um homem) para estimar. 

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Magníficos Estranhos

A minha opinião:
Planeei ler este livro para o projecto de leitura a decorrer "A ler vamos chamar a Primavera" e na primeira tentativa parei na pag. 56 goradas as minhas expectativas.

Mais tarde, retomei e li até ao fim com agrado. Não é uma história que me tenha apaixonado, apesar de bem escrita e sem pontas soltas, para mais sendo um romance de estreia, mas faltou aquele suspense que inquieta e um ritmo mais acelerado que prende. As personagens convencem e a narrativa em três tempos com três narradores está bem feita e explora bem a premissa da importância das histórias que contamos acerca nós mesmos e dos outros. 

Charlie tinha que desvendar a verdade sobre os seus Magníficos Estranhos. E eu precisava de confirmar as minhas suspeitas. Ainda assim, foi um desfecho muito bem conseguido que fechou com chave de ouro.

Autor: Elizabeth Klehfoth
Edição: 2019/ março
Páginas: 464
ISBN: 9789897800726
Editora: Casa das Letras

Sinopse:
Num magnífico dia de verão, Grace Fairchild, a belíssima mulher do magnata do Mercado imobiliário, Alistair Calloway, desaparece da casa de campo da família sem deixar rasto, deixando para trás a filha de sete anos, Charlie, e uma série de perguntas sem resposta.

Anos mais tarde, Charlie continua a lutar com a obscura herança do nome da sua família e o mistério em torno do desaparecimento da mãe. Decidida a, finalmente, pôr o passado por trás das costas, Charlie mergulha na vida escolar de Knollwood, a prestigiada escola de Nova Inglaterra que frequenta, e rapidamente se integra entre a elite da escola.

Charlie foi igualmente escolhida pelo A, a sociedade secreta de elite da escola, conhecida por aterrorizar a faculdade, a administração e os seus inimigos. Pars se tornar membro da mesma, Charlie terá de participar no Jogo, uma caça ao tesouro de alto risco, durante um semestre inteiro, que comprometerá as suas amizades, a sua reputação e até o seu lugar em Knollwood.

À medida que os acontecimentos do passado e do presente convergem, Charlie começa a temer que poderá não sobreviver à terrível verdade sobre a sua família e colocar a sua vida em risco.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Uma Gaiola de Ouro

A minha opinião:
Brutal! Adorei.
Não estou a fazer o comentário "a quente" como a Dora Santos Marques porque o acabei de ler ontem, às tantas, tal era o entusiasmo em confirmar o desfecho que desejava. 

Adoro romances no feminino e adorei Faye, aliás Matilda, uma jovem marcada pelo passado que queria esquecer. Faye queria acreditar que tinha uma vida de sonho. 

Jake é um estereótipo que subestima e estupidifca mulheres mais espertas do que ele. Infelizmente, não é tão ficcional como gostaria. Depois, há Johan e Robin. Bons homens. Chris e Kerstin. Boas amigas. E há a vingança com que eu me deleitei.

Não li outros livros de Camilla Läckberg e não posso fazer comparações, mas vou querer ler mais desta sua incursão feminista.

Imperdível.

Autor: Camilla Läckberg
Edição: 2019/ abril
Páginas: 408
ISBN: 9789896657420
Editora: Suma de Letras

Sinopse:
Uma história dramática sobre fraude, redenção e vingança.

Aparentemente, Faye parece ter tudo. Um marido perfeito, uma filha que muito ama e um apartamento de luxo na melhor zona de Estocolmo. No entanto, algumas memórias sombrias da sua infância em Fjällbacka assombram-na e ela sente-se cada vez mais como se estivesse presa numa gaiola de ouro.

Antes de desistir de tudo pelo marido, Jack, era uma mulher forte e ambiciosa. Quando ele a engana, o mundo de Faye desmorona-se e ela tudo perde, ficando completamente devastada. É então que decide retaliar e levar a cabo uma cruel vingança…

Uma Gaiola de Ouro é um romance destemido sobre uma mulher que foi usada e traída, até tomar conta do próprio destino.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

A Vida Escondida Entre os Livros

A minha opinião:
Uma livraria não é mágica, mas pode roubar-nos o coração... ou lentamente curar um coração. 

Uma das últimas frases deste livro que percebi depois de o ler. Loveday curou o dela e eu encantei-me, não com a livraria mas com as maravilhosas personagens.  

A narrativa terna divide-se entre passado com o título Crime e presente como Poesia e gradualmente vamos vislumbrando o que se passou na vida de Loveday que a levou a refgugiar-se nos livros que a salvaram e a pocurar ser invisível. Uma relação falhada ainda a atormenta e Rob insiste em reatar. Archie é o excêntrico dono da livraria de livros em segunda mão que lhe deu um emprego quando a apanhou a roubar um livro.  

Não li a sinospse e não era o que eu esperava. Esperava menos e recebi mais. Esperava muitas referências a livros (e não são tantas assim) e ao seu poder curativo e fui surpreendida com a força do amor filial. O tema subjacente é a violência domèstica que de todo não estava à espera. Um romance mágico de amor e redenção. Tão bom. 

Autor: Stephanie Butland
Edição: 2019/ março
Páginas: 304
ISBN: 9789898917737
Editora: TopSeller

Sinopse:
Era uma vez uma rapariga que confiava os seus segredos aos livros...

No coração de York, em Inglaterra, uma pequena livraria tornou-se o refúgio da jovem Loveday Cardew — o único sítio em que a tímida livreira se sente segura. Só aí pode cuidar dos livros da mesma forma que os livros cuidam de si, ensinando-a a entender os sentimentos que a inquietam: a solidão, com Anna Karénina; a alegria de viver, com A Feira das Vaidades; as paixões avassaladoras, com O Monte dos Vendavais. Depois de uma tragédia que lhe roubou tudo, uma infância passada com uma família de acolhimento e um relacionamento falhado, não é de admirar que Loveday prefira os livros às pessoas. Até que um dia, numa paragem de autocarro, ela encontra um livro perdido. Em busca deste livro surge Nathan, um poeta que se deixa encantar pela jovem livreira mas que não consegue quebrar a sua barreira de gelo, a não ser com a ajuda de Archie, o excêntrico dono da livraria onde trabalha.

Mas é quando os livros da sua infância começam a aparecer misteriosamente na livraria, que Loveday terá de aprender a confiar nos outros, para descobrir quem será a pessoa do seu passado que está a tentar contactá-la.

Terá ela coragem para revelar a vida que, durante tantos anos, tentou esconder entre os livros?

terça-feira, 21 de maio de 2019

A Única História

A minha opinião:
Julian Barnes continua igual a si próprio, com uma trama de uma simplicidade desarmante que se revela de uma complexidade estonteante. Sentimentos e emoções que vemos à lupa guiados pela memória de Paul. Divertido, de início, questiona que palavra usaríamos para descrever uma relação entre um rapaz de dezanove anos e uma mulher de quarenta e oito. E conta a sua história. A única que interessa. 

A narrativa analítica abrange relacionamentos e sentimentos, muitas vezes tristes, descodificando, uma relação desigual como esta. Afinal... andamos todos à procura de um lugar seguro. E se não o encontrarmos, então temos de aprender a passar o tempo. 

Contrariamente ao que seria de se esperar, não se trata de uma paixão avassaladora que derruba barreiras. Um amor envergonhado, em que as restantes personagens como o marido e as filhas de Susan, a amiga Joan ou os amigos e pais de Paul não têm relevo. Personagens sem brilho ou alegria.

Os romances de Julian Barnes são para ler devagar. A fleuma inglesa no seu melhor.

Autor: Julian Barnes
Edição: 2019/ abril
Páginas: 256
ISBN: 9789897224690
Editora: Quetzal

Sinopse:
«Preferiam amar mais e sofrer mais; ou amar menos e sofrer menos?» É com este convite à reflexão - um enunciado falso, já que não temos escolha, pois não se controla o quanto se ama - que Barnes inicia o seu mais recente romance.

À guisa de preâmbulo, o narrador faz-nos notar que, embora todos tenhamos imensas histórias, inúmeros acontecimentos e ocorrências que transformamos em histórias, cada um de nós tem apenas uma, aquela história - a que contamos mais vezes, nomeadamente a nós mesmos. E a primeira questão que se levanta é se o facto de a contarmos e recontarmos nos aproxima da verdade.

A história do narrador deste livro é a da relação amorosa que se inicia entre ele, um jovem de dezanove anos e a senhora Macleod, uma mulher casada de quarenta e muitos, durante um jogo de ténis.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Em Queda Livre

A minha opinião:
Li sobre uma mulher à beira de um ataque de nervos, se não tomasse algo que a ajudasse a relaxar.  Uma vida aparentemente perfeita que saiu dos eixos com a maternidade, a mudança para os subúrbios e o abdicar da carreira. As pressões sociais, as exigências da filha sensível e caprichosa, o distanciamento do marido focado no seu umbigo e o sucesso como blogger levou-a ao limite.
A doença de Alzeihmer do pai agravou o quadro do ponto de vista da protagonista/ narradora em negação. 

Nada de novo na vida de uma mulher que faz coisas demais e se esforça por gerir tudo sem dar parte de fraca. A alternativa é que talvez não seja tão banal. Comprimidos para as dores (de um acidente anterior) que passaram a analgésicos para as dores da vida. Nada disto combina com a capa fofinha deste livro, se não repararmos nos comprimidos rosa choque no pires da chávena.

Como leitora, não gostei muito de nenhuma das personagens, em que reconheço qualidades e defeitos, o que me agarrou à narrativa. No final, esperava mais. A revelação que tardou, não me conquistou e ficou uma sensação agridoce. Compreendi a mensagem e atribuo autenticidade à trama mas achei fastidiosa. 

Autor: Jennifer Weiner
Edição: 2019/ abril
Páginas: 360
ISBN: 9789722535274
Editora: Bertrand

Sinopse:
Allison Weiss é a típica mãe trabalhadora que tenta conciliar um negócio, pais idosos, uma filha exigente e um casamento. Mas quando o website por ela desenvolvido se torna um enorme sucesso, fica completamente esmagada. Enquanto se esforça por manter a vida equilibrada e satisfazer as necessidades dos que a rodeiam, Allison descobre que os analgésicos receitados para uma lesão nas costas a ajudam a lidar com algo mais do que apenas o desconforto físico - fazem com que se sinta calma e capaz de ultrapassar os seus dias cada vez mais agitados.

À medida que as semanas passam os analgésicos vão desaparecendo a uma velocidade cada vez maior e naturalmente, a sua preocupação aumenta. Em pouco tempo vê-se num mundo que nunca imaginara possível: a reabilitação. No longo caminho que Allison se vê obrigada a percorrer, as lições de vida vão-se suceder.

Numa história rica e absorvente, sempre marcada por um toque de humor e caracterizações realistas e carinhosas, Jennifer Weiner acompanha-nos num percurso emocionante de recuperação e redenção.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Maré Alta

A minha opinião:
Gosto de ser surpreendida por um bom livro. Ocasionalmente acontece, quando o livro não é tão divulgado quanto devia, principalmente, quando se trata de novos autores portugueses não consagrados.

Li agora o segundo dos três romances que Pedro Vieira já publicou. O primeiro não li. A ânsia de ler este romance surgiu na sequência de uma entrevista ao autor numa livraria bem conhecida. O avô materno de quem nem o nome sabe foi o mote para um romance que me fisgou logo nas primeiras páginas, pela linguagem brejeira, pejada de expressões populares que, uso e abuso e pelas personagens de ficção que me provocaram comoção e apreço.  E foi uma leitura compulsiva, em suspense, por aquelas vidas difíceis e árduas que povoaram um passado recente. Vidas incompreendidas. Vidas comuns. 

Retrato de um homem, de um família, de um povo.  Portugal do sec. XX. Um romance bestial de homens e mulheres valentes. Bem pensado e bem concebido. Uma epopeia que marca. Não vou perder nenhum outro romance do Pedro.

Autor: Pedro Vieira
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 472
ISBN: 9789896657314
Editora: Companhia das Letras

Sinopse:
Cabe quase tudo num século de vida de um povo. Naufrágios e glórias, luz e trevas, gente levantada e de joelhos. E, durante todos esses anos, a maré sobe e desce. Há um país que se vai transformando, mesmo visto de longe. Há homens em fuga para a frente, que trocam de nome e de moral. Há mulheres de dentes cerrados. Há filhos deixados para trás. Meadas de histórias e de sangues às quais se perdeu o fio.

Num romance sem heróis, onde todos lutam, sobrevivem e morrem a tentar ser livres, é possível, embora vão, tentar destrinçar, no meio do medo e da culpa, onde acaba a ficção e começa a realidade. E se, por vezes, a intimidade da escrita nos aproxima de acontecimentos distantes, noutros, é a frieza da narrativa que resguarda momentos de grande profundidade. Cortesia de um dos romancistas mais promissores da literatura portuguesa contemporânea, Maré alta é um retrato cru e épico do Portugal do século XX e de quem o viveu, no limiar onde a esperança, o sonho e a memória se confundem e perdem na sucessão de marés.

Um século é muito tempo. Um século não é nada, quando aprendemos a nadar.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Um Ano em Veneza

A minha opinião:
Nicky Pellegrino. Um gosto perdido, agora recuperado. Um romance que apela aos sentidos. Páginas de cor e aventura. Exactamente o que me apetecia ler.

O problema é que seja qual for o livro de Nicky, a comida é a espinha dorsal da história e fico a salivar ansiosa por viajar.

A Kat está numa das cidades mais românticas do mundo, tem cinquenta anos e precisa desesperadamente de uma paixão. Duas mulheres mais velhas e um homen mais novo vão ajudá-la nesse propósito. 

A empatia pela personagem e a admiração por Coco, uma idosa cheia de genica, facilitou a leitura que se fez breve. O destaque vai para Veneza e não posso deixar de comparar com Lisboa devido ao mau estar que certos turistas geram. De resto, é um romance tranquilo e prevísivel que me dispôs bem e se não superou as minhas expectativas, também não as defraudou. Uma espécie de limpa palato, como é referido, para leituras mais exigentes ou pesadas. 

Autor: Nicky Pellegrino
Edição: 2019/ abril
Páginas: 336
ISBN: 9789892344751
Editora: ASA

Sinopse:
Kat é uma aventureira de alma e coração. De tal modo que ganha a vida a viajar para os lugares mais recônditos, a experimentar as iguarias mais exóticas e a escrever sobre as suas experiências. E agora está prestes a embarcar na aventura mais louca de sempre: um relacionamento amoroso.

Perdidamente apaixonada, ela está disposta a ultrapassar todas as barreiras. Massimo é italiano e Kat não tem meias medidas: vai viver com ele para Veneza, ajudá-lo a gerir a sua guesthouse, o Hotel Gondola, explorar a cidade e documentar as suas vivências. Tudo é uma novidade repleta de encanto… os aromas, os sabores, as cores vibrantes dos canais, as pessoas com quem se cruza, e até o homem que a fez querer assentar.

Mas Kat já devia saber que o grande problema das aventuras é que nunca correm da forma que esperamos…

Romântico e delicioso, o novo livro de Nicky Pellegrino transporta-nos para as ruas e os canais de La Serenissima, onde não faltarão - é claro! - os mais ricos e saborosos petiscos venezianos.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

As Regras da Cortesia

A minha opinião:
Não podia ter começado o mês de modo mais auspicioso do que ao ler este livro.
Muitos são os que me recomendaram o livro "Um Gentleman em Moscovo", pousado há algum tempo na minha mesa de cabeceira, mas apesar disso comecei com "As Regras da Cortesia", o livro antecessor do autor. A sinopse deste belo livro de capa grossa agradou-me com a promessa de um romance no feminino. 

A escrita elegante e fluída cativou-me de imediato, enquanto a narrativa sem excessos descritivos sagaz no relato da conduta humana apresenta desde o princípio um soberbo retrato de época, que me prendeu a atenção como poucos romances o conseguem.

Katey Kontent é pragmática e deliciosamente irónica. Gosta de ler e faz algumas referências a livros e aos seus autores.

Em 1966 numa exposição de retratos dos anos 30, Katey reconhece um dos rostos e história recua no tempo até ao início de 1938 quando ela e Eve disputam Tinker. Banal, não fosse a linguagem, as reviravoltas e as personagens invulgares que  percebem a rapidez com que Nova Iorque muda de direção: como um catavento ... ou a cabeça de uma cobra. O tempo encarrega-se de mostrar qual dos dois. 

As Regras da Cortesia é um manual de conduta de George Washington que se pode ler na integra no fim do livro. Imperdível!


Autor: Amor Towles
Tradução: Tânia Ganho
Edição: 2019/ março
Páginas: 408
ISBN: 9789722066693
Editora: Dom Quixote

Sinopse;
A última noite de 1937, Katey desliza deslumbrante por entre nuvens de fumo num clube de jazz em Greenwich Village. Tem três dólares na carteira e está empenhada em fazê-los render até ao amanhecer. Não será preciso. Porque na mesa ao lado senta-se Tinker, um jovem banqueiro, aconchegado num extraordinário sobretudo de caxemira. E aquele encontro, naquela noite, define a vida de Katey. A remediada filha de emigrantes russos, que sobrevive a custo em Brooklyn, dirá ali adeus ao passado; e dará início a uma imparável escalada social.

As Regras da Cortesia é uma nostálgica revisitação da eufórica Nova Iorque dos anos 30 - uma cidade a recuperar da grande depressão com banhos de champanhe, festas e cocktails. Narrada em flashback por uma protagonista que recorda, décadas mais tarde, aquele amor da juventude.

Primeira obra de Amor Towles (escreveria a seguir Um Gentleman em Moscovo), revela um autor nascido já em plena maturidade estilística. Encontramos aqui a mesma escrita rendilhada e elegante - e a mesma ternura na evocação de uma época de ouro, e de uma cidade e de uma mulher que se reinventam num tempo de promessas.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

O Fim da Solidão

A minha opinião:
Não é segredo. Este romance que Benedict Wells teve que escrever em sete anos tem muito de autobiográfico. 

Extraordinário romance em que uma infância difícil  é como um inimigo invisível que nunca se sabe quando os pode atingir.

Jules é o narrador e o mais novo de três irmãos, órfãos, quando os pais morreram num acidente de viação. O amor que os unia prevaleceu, apesar do distanciamento em que cada um reagiu à sua maneira enquanto estiveram num internato. Solitário e taciturno Jules tinha uma amiga especial, também ela despedaçada - Alva. Juntos e também separados vão construir um futuro.

Um romance terno que me tocou do princípio ao fim e foi impossível parar de ler. Vários fragmentos desta história não devo conseguir esquecer. E não são muitos os que isso acontece. 

Benedict Well limitou-se a escrever sobre a vida como ela é, sem exageros ou lamentos e  apenas delineou personagens com profundidade, que me deixaram a suspirar por mais. Alva e Jules são inesquecíveis. 

Seguramente um dos melhores romances que já li. Este livro é bonito por fora e por dentro.


Autor: Benedict Wells
Edição: 2019/ março
Páginas: 312
ISBN: 9789892344393
Editora: Edições Asa

Sinopse:
Jules Moreau tem onze anos quando os pais morrem num acidente de carro. Nessa noite, a sua infância termina. Segue-se a ida para um colégio interno, juntamente com os dois irmãos mais velhos. Pouco a pouco, os laços que os unem quebram-se. Jules isola-se, alimentando-se das suas memórias; Marty refugia-se ferozmente nos estudos; e Liz procura todas as formas de evasão possíveis para preencher o vazio.

O único consolo do protagonista advém dos momentos que passa na companhia de uma menina ruiva chamada Alva. As duas crianças lêem, ouvem música, partilham o silêncio das tardes no colégio. E nunca falam sobre si mesmas.

Quinze anos mais tarde, os irmãos afastaram-se irremediavelmente uns dos outros. Jules, que continua a reviver o passado interrompido, apenas encontra alento no sonho de se tornar escritor e na ânsia de reencontrar Alva. E quando, por uma vez, tudo parece subitamente possível, uma força invisível - talvez o destino - volta a intervir.

O fim da história de Jules está ainda por acontecer..

quarta-feira, 24 de abril de 2019

O mundo à beira de um ataque de nervos




A minha opinião:
Li o "Razóes para Viver" e fui agradávelmente surpreendida pela franqueza e honestidade do autor e quis repetir. 

No dia a dia não paramos para pensar. Matt Haig pensa e pensa muito. Tem tudo a ver com a sua saúde mental e consequentemente com a saúde física perceber o que lhe faz mal e superar ou evitar. Este livro é sobre a luta dele que é também a luta de todos nós. A nossa vida tornou-se dependente da tecnologia que evolui a grande velocidade e temos que rever e temos que rever a forma como a usamos. E com esta sociedade de consumo funciona. Não é ficção. O alarme já soou e sabemos disso pela ansiedade e solidão que grassa por aí.

Leitor convicto regista muitas notas pertinentes de outros pensadores num pequeno livro concebido para formar e consultar.

Uma leitura poderosa e realista que, nos faz dar mais valor à vida, sem medos e um outro conceito de tempo. Logo, uma leitura compulsiva. 
A linguagem acessível e a escrita organizada levou-me na corrente de ideias assertivas de Matt Haig, baseada na sua experiência pessoal. Exactamente como eu esperava. Muito bom.

Autor: Matt Haig
Edição: 2019/ abril
Páginas: 376
ISBN: 978-972-0-03174-7
Editora: Porto Editora

Sinopse:
E se o modo como vivemos estivesse programado para nos deixar infelizes? Toda a sociedade de consumo assenta na ideia de nos criar o desejo de ter o último modelo, em vez de nos contentarmos com o que temos; somos encorajados a sairmos de nós e a querermos outras vidas: uma receita quase infalível para a infelicidade.

Os índices de stresse e ansiedade estão a subir. Estamos cada vez mais ligados uns aos outros e, no entanto, cada vez mais isolados.

•Como manter o equilíbrio num planeta que nos enlouquece?
•Como preservar a humanidade numa era tão obsessivamente tecnológica?
•Como ser feliz quando somos incentivados a cultivar a ansiedade?

O mundo à beira de um ataque de nervos oferece uma visão pessoal e importante que procura compreender de que forma nos podemos sentir felizes, humanos e íntegros em pleno século XXI.

sábado, 20 de abril de 2019

A Outra Mulher



A minha opinião:
Gabriel Allon. O meu espião favorito. Um artista. Atualmente chefe dos serviços secretos israelitas.

Uma deserção em Viena de um importante agente russo acaba na morte deste. Aos olhos do mundo foi uma execução feita por Gabriel Allon. Na perspectiva dele houve uma fuga.

E foi o início de uma complexa trama, com alguma crítica social e política bem dissimulada, para travarem o Sasha e as "suas medidas ativas" de enfraquecimento do Ocidente. Mais um empolgante e vertiginoso romance de espionagem, de curtos diálogos e muita acção. Entretenimento inteligente.

A Outra Mulher era a filha da traição. 
Vale a pena descobrir e não se esqueçam de ler as notas do autor.



Autor: Daniel Silva
Edição: 2019/ março
Páginas: 464
ISBN: 9788491392903
Editora: HARPER COLLINS
Sinopse:
Num lugarejo isolado da Andaluzia vive uma misteriosa mulher de nacionalidade francesa que começou a escrever umas memórias mais do que perigosas.

É a história de um homem que em tempos amou em Beirute, e de um filho que lhe foi arrebatado em nome da traição. A mulher é a guardiã do segredo mais bem guardado pelo Kremlin: há décadas o KGB infiltrou um agente duplo em pleno coração do ocidente, um traidor que hoje se encontra à beira do poder absoluto. Só uma pessoa é capaz de pôr esta conspiração a nu: Gabriel Allon, o já lendário restaurador de arte e assassino que na atualidade exerce o cargo de diretor dos eficacíssimos serviços secretos israelitas.

Já anteriormente Gabriel se vira obrigado a combater as sombrias forças da nova Rússia, com repercussões pessoais custosas. Desta feita, ele e os russos travarão um confronto final épico em que o destino do mundo que conhecemos está em causa. Gabriel vê-se empurrado para o meio da conspiração quando o seu ativo mais importante no seio dos serviços secretos russos é assassinado enquanto tentava desertar em Viena.

A procura da verdade levá-lo-á a recuar no tempo, até à maior traição do século xx para terminar nas margens do Potomac em Washington. A mil por hora, estranhamente belo e cheio de sentidos duplos e reviravoltas na ação, este livro é um verdadeiro golpe de mestre que demonstra mais uma vez que Daniel Silva é pura e simplesmente o melhor escritor de romances de espionagem dos nossos tempos.

domingo, 14 de abril de 2019

História de uma Família Decente

A minha opinião:
- Mas porque é que vocês me obrigam a fazer destas coisas?

A habitual pergunta que o pai de Maria "Malacarne" repetia à família antes de perder a paciência ou imediatamente a seguir a ter desatado à pancada à direita e à esquerda. Cliché, em situações de violência doméstica. Terrivelmente banal e intemporal. Uma família imperfeita e genuína.

A história de vida de uma mulher italiana. Começa nos anos 80. Maria tinha nove anos e observava a dureza e fealdade do bairro em que vivia. A amizade em segredo entre ela e outra criança, Michele, invisíveis aos olhos dos outros, preservava-os da sordidez do meio. 
Maria era inteligente e pode continuar a estudar. Sagaz, cedo desenvolveu um sexto sentido na compreensão das pessoas.

Narradora inata. Rosa Ventrella é brilhante. Nada entediante. Descrições que ganham vida aos olhos do leitor, mas em que não encontro paralelo especial com os livros de Elena Ferrante. O título e a capa explicam o cerne desta história. Malacarne e a sua família decente. Um romance cinematográfico, de que fiquei completamente viciada e li sofregamente.
Muito bom. Para quem gosta de avaliações, a nota máxima. 

Autor: Rosa Ventrella
Tradução: J. Teixeira de Aguilar
Edição: 2019/ março
Páginas: 320
ISBN: 9789722066716
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Sul de Itália, anos 80. Os verões em Bari velha são passados entre os becos de lajes brancas, onde as crianças se perseguem pelas curvas de um labirinto de ruelas, no meio dos aromas dos lençóis estendidos em arames e dos molhos saborosos.

Maria, de doze anos, cresce aqui com os dois irmãos mais velhos. É uma menina pequena e morena, com feições selvagens que a tornam diferente das outras crianças - uma boca grande e dois olhos quase orientais que brilham como pequenos buracos - e uma certa maneira de ser hostil e insolente que lhe valeu a alcunha Malacarne.

Vive numa terra sem tempo, num bairro onde os abusos são sofridos e infligidos, e de onde é muito difícil escapar. No entanto, Marì não está disposta a submeter-se a normas que não respeita. O seu único apoio é Michele, o filho mais novo do clã Senzasagne, a gente mais decadente de Bari velha.

Apesar da hostilidade entre as suas famílias, entre ambos surge uma amizade delicada, quase fraternal, que o tempo converte em amor.
Um amor que, embora impossível, os preserva do rancor do resto do mundo.