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terça-feira, 31 de março de 2020

A Luz sobre as Trevas


A minha opinião:
Comprei este livro num impulso. A capa é linda mas romances históricos que muito ensinam não é o meu género de leitura habitual. Vi um único post, muito elogioso. 
 
As primeiras cem páginas são enquadramento histórico daquele período tenebroso em que a guilhotina era a voz dos revoltosos e a batalha de Valmy o início da ação e da intriga em torno da defesa dos valores, liberdade, igualdade e fraternidade. A narrativa desenrola-se durante a Revolução Francesa.

Os justos protagonistas são quatro e o romance acontece entre André e Sophie, numa trama baseada em factos reais em que os vilões têm nome e os bons arriscam mesmo a cabeça num empolgante suspense.

Os ideais mais elevados sucedem em França numa espiral de caos, medo e flagrante carnificina. A luz e as trevas. A esperança e o desespero. A História numa narrativa cativante onde entra  a conquista de Malta e do Egipto com Napoleão Bonaparte. Personagens fascinantes para uma história arrebatadora.  Um dos melhores romances históricos que li.

Autor: Owen Pataki e Allison Pataki
Páginas: 384
Editora: TopSeller
ISBN: 9789898869593
Edição: 2017/ novembro

Sinopse:
Um romance sobre amor, coragem e sacrifício na Revolução Francesa.

Três anos após a tomada da Bastilha, as ruas de Paris fervilham com os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Para assegurar os direitos recém-conquistados, o governo revolucionário empreende uma perseguição a todos os inimigos da Revolução, entre os quais se incluem os membros da aristocracia. Estes são acusados de traição e condenados à guilhotina. Vive-se, assim, o Período do Terror da Revolução Francesa.

Movido por um sentido de dever para com a República, Jean-Luc St. Clair, um jovem advogado idealista, muda-se para Paris com a família. Aí, o seu caminho cruza-se com o de André Valière, um nobre que abdicou do seu título e se alistou no exército para evitar a execução, e o de Sophie de Vincennes, uma bela e jovem viúva aristocrática que embarca numa luta pela sua independência.

À medida que a busca incessante por justiça alimenta a sede de sangue nas ruas, Jean-Luc, André e Sophie são forçados a questionar as decisões de quem detém o poder. Conseguirão eles fazer vingar os ideais da Revolução em que tanto acreditam?

segunda-feira, 23 de março de 2020

Este Foi Um Homem

A minha opinião:
Supunha,  erradamente, que o último seria apenas um Happy End, sem o nível de intriga a que já me tinha habituado (se não tivesse interrompido a leitura mais tempo do que planeara). O volume Sete de As Crónicas de Clifton mantêm a mesma intensidade e vertigem que todos os outros e o suspense obriga a fazer pausas na leitura para recuperar a confiança na vitória dos bons.  A argúcia e a malícia de uma mulher, Lady Virginia Fenwick, consegue prevalecer, enquanto todos os outros vão sendo sucessivamente derrotados. A grande vilã. Jeffrey Archer deve ter uma grande admiração e temor pelas capacidades femininas. 

Algumas pistas são deixadas sobre como escrever um grande romance com o último de Harry Clifton, ao cumprir um desejo materno.

Este foi um homem notável que nasceu pobre nas vielas de Bristol, filha de um estivador e se apaixonou pela filha do proprietário das docas. Harry provou que a caneta é mais poderosa que a espada quando venceu como escritor de bestsellers mas principalmente como defensor dos direitos humanos. Os valores desta de outras personagens fazem desta saga uma apetecível leitura, que me arrebatou em todos os volumes. 
Muito bom.

Autor: Jeffrey Archer
Páginas: 448
Editora: Bertrand Editora
ISBN: 9789722534932
Edição: 2018/ abril


Sinopse:
Em Whitehall, o secretário do Gabinete dá a conhecer a Giles Barrington a verdade sobre a sua esposa Karin. Será uma espia ou um peão de um jogo maior? Entretanto, Harry Clifton propõe-se escrever o seu magnum opus, enquanto Emma, que completa dez anos como presidente do Royal Infirmary de Bristol, recebe uma chamada inesperada de Margaret Thatcher a convidá-la para um cargo ministerial.

Sebastian Clifton torna-se presidente do banco Farthings Kaufman, mas apenas depois de Hakim Bishara se demitir por motivos pessoais. Jessica, a talentosa filha de Sebastian e Samantha, é expulsa da Escola de Belas Artes, mas a tia Grace vem em seu auxílio. Lady Virginia está prestes a fugir do país para evitar os credores quando a duquesa de Hertford morre e surge uma nova oportunidade para ultrapassar os seus problemas.

domingo, 22 de março de 2020

Laranja de Sangue

A minha opinião:
Surpreendentemente bom!
Um primeiro thriller muito competente, com uma protagonista que não conquista pela vida dupla e pelo frequente abandono à bebida. A comparação com o thriller "A rapariga no comboio" de Paula Hawkins é por isso inevitável.

Os antagonistas, o marido e o amante de Alison apresentam  ambíguos comportamentos para uma Alison insegura, apesar da bem sucedida carreira profissional, quando por fim vai defender um primeiro caso de homicídio. 

Em resumo, é isto que se passa na trama.   Pouco a  pouco, e com muito envolvimento, desvendei o que realmente se ocultava no seio da família de Alison, bem como o móbil do crime que ia defender. Como leitora compulsiva, a fachada de famílias perfeitas nem sempre me convence.

Gostei muito deste thriller mas não é o mais chocante. Nem Alison a protagonista mais tola. O desfecho foi empolgante. Laranja de Sangue, a acidez que vinga.

Autor: Harriet Tyce
Páginas: 320
Editora: TopSeller
ISBN: 9789896687595
Edição: 2020/ fevereiro
 
Sinopse:
«Só mais uma noite. Depois acabo com isto.»

A vida de Alison parece perfeita. Tem um marido dedicado, uma filha adorável, uma carreira em ascensão como advogada e acaba de lhe ser atribuído o primeiro caso de homicídio. Só que Alison bebe. Demasiado. E tem vindo a negligenciar a família. Além de que esconde um caso amoroso quase obsessivo com um colega que gosta de ultrapassar os limites.

«Eu fi-lo. Matei-o. Devia estar presa.»
A cliente de Alison não nega ter esfaqueado o marido e quer declarar-se culpada. No entanto, há algo na sua história que não parece fazer sentido. Salvar esta mulher pode ser o primeiro passo para Alison se salvar a si própria.

«Estou de olho em ti. Sei o que andas a fazer.»
Mas alguém conhece os segredos de Alison. Alguém quer fazê-la pagar pelo que fez. E não irá parar até ela perder tudo o que tem.

Um thriller envolvente, com um final absolutamente inesperado e chocante, protagonizado por uma personagem muito empática.

quarta-feira, 18 de março de 2020

O Pintor de Batalhas

A minha opinião:
Faltava-me ler este livro de Arturo Pérez-Reverte (saiu uma nova edição que incluo abaixo). Segundo consta é o melhor dos melhores deste autor que muito gosto.

Andrés Faulques procura a imagem definitiva, fugaz e eterna que tudo explique. A imagem que não conseguiu captar através da câmara fotográfica em trinta anos e espera na ressaca da memória que talvez a consiga reproduzir com a ajuda de pinceis. 

"De tanto abusar dela, de tanto a manipular, há muito tempo que uma imagem deixou de valer mais do que mil palavras."  (pag. 66)

Um tratado sobre a natureza humana no encontro entre o Ivo Markovic, o croata resiliente que procura o fotógrafo para o matar.  Uma mulher Olvido mudara Faulques, e nele deixara impresso o seu olhar. Um amor em cenários de guerra.

Profundo, dramático e muito intenso mas também inteligente. Realmente bom. Intemporal. Exigente, denso. Não é um romance fácil de ler. Exige concentração para não se perder o fito do que se pretende apreender através das brumas da memória do pintor de batalhas. Curiosamente, lembrou-me um outro grande romance deveras conhecido,  "As velas ardem até ao Fim" de Sàndor Márai, pela interação sombria com o passado e a presença quase fantasmagórica do croata.

Autor: Arturo Pérez-Reverte
Páginas: 224
Editora: Edições Asa
ISBN: 9789724150000
Edição: 2007/ março
 
Sinopse:
A história mais intensa e perturbadora da já longa carreira de Arturo Pérez-Reverte.

Do Vietname ao Líbano, do Cambodja à Eritreia, de El Salvador à Nicarágua, de Angola e Moçambique aos Balcãs e ao Iraque… Depois de trinta anos a tirar fotografias em busca da imagem definitiva, do momento a um só tempo fugaz e eterno que explica tudo, o fotógrafo de guerra André Faulques substituiu a câmara pelos pincéis. Não conseguindo tirar a foto capaz de transmitir o caos do Universo, agora, enquanto tenta compreendê-lo, começa a pintar um grande fresco circular no muro de uma torre de vigia no Mediterrâneo, onde vive sozinho, perturbado pela memória de uma mulher que nunca conseguiu esquecer e pela visita inesperada de um homem que o quer matar. O homem é uma sombra do seu passado, uma das inúmeras faces da guerra com que ele ganhou a vida. Mas o poder da imagem vai muito além da sua existência física e, à medida que o romance avança, a história do artista e do soldado emerge, entrelaçada com uma história de amor condenada e o progresso de uma pintura impregnada de História.

Deslumbrante do início ao fim, O Pintor de Batalhas arrasta o leitor e subjuga-o, através da complexa geometria do caos do século XX: a arte, a ciência, a guerra, o amor, a lucidez e a solidariedade combinam-se no vasto mural de um mundo que agoniza.

quinta-feira, 12 de março de 2020

Os Três Casamentos de Camilla S.

A minha opinião:
Rosa Lobato Faria. Recordo-me vagamente dela como atriz mas nunca li nada dela. Pelo menos, que me lembre. Uma boa amiga insistiu e gentilmente emprestou-me este livro para cumprir este livro para cumprir um desafio. Outros se seguirão. 

Um romance que não é uma biografia mas um exame de consciência de Camila Seabra aos 92 anos. O seu objetivo é contar sobre os seus três casamentos porque eles marcaram a vivência de três mulheres diferentes numa só. A história que atravessa quase um século é contada com delicadeza e simplicidade. 

Paca é coprotagonista. A mãe de criação que nunca lhe faltou. Duas mulheres exemplares, profundamente ligadas neste romance tão viciante para uma mulher adulta como é um conto de fadas para uma criança. 
Lindo.

Autor: Rosa Lobato de Faria
Páginas: 208
Editora: BIS
ISBN: 9789896602314
Edição: 2017/ abril



Sinopse:
Aos noventa anos de vida, Camilla decide percorrer os seus diários e contar as suas memórias. A sua história é a de uma mulher que, ainda que às vezes de longe, viu o tempo e os actos mudarem o mundo.

É também a história dos seus três casamentos e do seu único amor. A vida de Camilla é feita de iguais medidas de alegria e desespero.

A sua memória é a de uma jornada de crescimento, desde a inocente casada demasiado cedo à mulher que amou e sofreu e viveu uma vida completa. E a voz de Camilla é fascinante, tal como o é o percurso da sua vida.

É a autobiografia de uma velha senhora que aos noventa anos decide contar a sua vida, incluindo o que ela possa ter de inconfessável. Desde os ambientes à narrativa (que atravessa quase um século de história ) estamos perante um livro adequadamente romântico.

Bowie Uma Biografia

A minha opinião:
Uma bem ilustrada biografia por Fran Ruiz de David Bowie, um ídolo do meu tempo, de que eu pouco sabia, com exceção da maioria das suas musicas. Excêntrico, muito criativo, tinha uma imagem forte, e um passado ligado a drogas duras. Bowie foi um mestre do artíficio e do disfarce. Desconhecia que a sua faceta pública e privada se misturavam e que as sombras e os demonios sempre o rodearam, mesmo sem as drogas de que se livrou no final dos anos setenta, bem como de muitos dos seus amigos, cada vez mais agarrados. 

Não sabia da importância de John Lennon na vida de David Bowie. Ou da ligação com os Queen. Sequer, que era um excelente pai e um bom irmão.

Um camaleão. Uma carreira plena para um homem completo com o amor de Iman e dois filhos. Uma boa vida. Não se esquece.

Autor: María Hesse
Páginas: 176
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9789896658786
Edição: 2019/novembro

Sinopse:
Com o seu alter ego perturbador, Ziggy Stardust, e músicas como "Starman" ou "Space Oddity", Bowie desafiou as regras da música e tornou-se um ícone de sua geração e uma referência para as gerações presentes e futuras. A sua longa carreira artística está intimamente ligada à sua biografia pessoal. Este livro aborda todos os aspectos da sua vida, os seus enigmas e anedotas.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Aprender a Falar com as Plantas

A minha opinião:
Um bom livro é certeiro, como uma seta apontada ao coração. Mexe com as nossas emoções. Abala-nos. Frequenemente, nas primeiras páginas. São esses os meus livros cinco estrelas. Os que não se esquecem.

Paula! Acabou de perder o homem que a abandonou. Como se sente e reage quando se é cornuda, solitária e com tarefas domésticas. Complexo e nada lamechas. Credível, numa muler inteligente, que para mais é uma mulher de ciências. Uma neonatologista. Esta parte da trama é extraordinária. 

Assim que o comecei a ler, encantei-me com a Paula que, fica como uma das minhas protagonistas favoritas. Uma mulher real. Completa.

Romance magistral de rara sensibilidade e inteligência sobre a frugalidade da vida, acomodando a perda e o amor com novas vitórias e outros desejos.
Amei este livro.


Autor: Marta Orriols
Páginas: 240
Editora: Dom Quixote
ISBN: 9789722069304
Edição: 2020/ fevereiro

Sinopse:
Paula Cid é uma neonatologista de 42 anos. Apaixonada pelo seu trabalho e mergulhada na rotina de um relacionamento que dura há quinze anos, perde o companheiro num acidente poucas horas depois de ele a ter convidado para um almoço em que lhe disse que havia outra mulher na sua vida e ia sair de casa.

Juntamente com o choque de uma morte estúpida e prematura, Paula terá, pois, de enfrentar o desgosto de ter sido abandonada e de lidar não apenas com o luto, mas sobretudo com o ressentimento e o rancor.

Aprender a Falar com as Plantas confirmou Marta Orriols, que já tinha publicado contos, como uma das autoras espanholas mais interessantes da atualidade.

Vencedor dos prémios Òmnium e L’Illa dels Llibres, o romance revela os pormenores da alma feminina, levando-nos em segundos da dor à ternura, do sorriso à emoção mais dramática.

quarta-feira, 4 de março de 2020

A Última Carta

A minha opinião:
Revi recentemente, pela enésima vez, o filme "P.S. Eu amo-te". Um sinal para ler "A última carta", uma sequela do livro que não li. A história é tão boa que tenho curiosidade em saber mais sobre este romance emotivo.

"Pede a Lua. Se falhares, permanecerás sempre entre as estrelas".

A prosa desta jovem escritora é maravilhosa. Não é à toa que ficámos rendidos ao seu romance de estreia quando ela tinha vinte e um anos. Contudo, as diferenças entre o filme e o livro são assinaláveis, o que não é surpreendente. 

Holly procura a magia que as cartas de Gerry criaram após a sua morte como forma de mitigar a dor da separação. Seis anos depois fala no assunto para um podcast e... toca algumas pessoas. 

Um romance leve sobre uma tema díficil como é a morte. Não a podemos controlar mas podemos controlar a maneira como a deixamos. Uma nova perspectiva. Continua a ser um romance emotivo e simultaneamente divertido, proeza que muito admiro. Ela conseguiu de novo, desta vez com uma Holly diferente e o Clube P.S. Eu amo-te. Muito bom. 

Autor: Cecelia Ahern
Páginas: 320
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9789896659608
Edição: 2020/ fevereiro

Sinopse:
Faz sete anos que o marido de Holly Kennedy morreu — seis, desde que ela leu a sua última carta, na qual ele lhe pedia que encontrasse coragem para forjar uma nova vida. Holly orgulha-se da forma como tem evoluído e crescido. Até que recebe a mensagem: «Precisamos desesperadamente da sua ajuda, Holly. Estamos a ficar sem ideias e...» — ela respira fundo, em busca de energia — «… todos nós estamos a ficar sem tempo.» Os membros do Clube P. S. Eu amo-te, inspirados nas últimas cartas do seu marido, Gerry, querem que Holly os ajude a escrever as suas próprias mensagens de despedida para os que lhes são queridos. Holly vê-se atraída, de novo, para um mundo que se esforçou tanto por deixar para trás. Relutante, começa a relacionar-se com o clube, mesmo quando a amizade deles ameaça destruir a paz que ela acredita ter alcançado. Porque cada uma dessas pessoas espera de Holly a ajuda para deixar algo significativo àqueles que mais ama, ela embarcará numa jornada notável que a desafiará a questionar se abraçar o futuro implica trair o passado e o que significa amar alguém para sempre…

segunda-feira, 2 de março de 2020

Os Tempos do Ódio

A minha opinião:
Rosa Montero é uma das autoras cujos romances gosto de ler. Até então, nunca lera nenhum dos seus romances de fantasia. Não é o meu género. Contudo, tenho a aguardar para ser lido "O Peso do Coração".

O que pensei primeiro foi que lia um romance para jovens leitores, dada a simplicidade da trama com um cenário extravagante e personagens de fácil acesso e projeção. Bruna Husky é uma protagonista androide (rep) com característidas muito particulares que se admira e se teme. Com pupilas verticais como as dos répteis ou dos felinos, tem os dias contados: três anos, três meses e dezasseis dias, e menos tempo ainda para salvar o seu amado. 

E... como acontece com a boa literatura fiquei enredada naquela luta corrida contra o tempo, numa Madrid futurista fervilhando de ódio. Muitos dos problemas atuais que ignoramos ou evitamos, assim como a inteligência do homem mudaram o mundo, tal como o conhecemos, mas os sentimentos continuam a ser uma força imutável.
Uma aventura vertiginosa numa escrita ágil que inesperadamente me arrebatou. Corrupção e um final bestial, ao qual não faltou Rosa Montero.


Autor: Rosa Montero
Páginas: 312
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03274-4
Edição: 2020/ fevereiro

Sinopse:
Independente, pouco sociável, intuitiva e poderosa, a detetive replicante Bruna Husky tem apenas um ponto vulnerável: o seu enorme coração. Dilacerada pelo súbito e inexplicável desaparecimento do homem que ama, o inspetor Paul Lizard, a replicante enceta uma investigação desesperada e em contrarrelógio que a conduz até uma colónia remota dos Novos Antigos, uma seita que nega a tecnologia, e às origens de uma trama sombria de luta pelo poder, que remonta ao século XVI. Enquanto isso, a situação no mundo é cada vez mais tumultuosa, a tensão popular aumenta e a guerra civil parece inevitável. Numa história que é, no essencial, um retrato preciso e deslumbrante dos tempos em que vivemos, Bruna terá de enfrentar o seu maior medo: a morte.

Os Tempos do Ódio é um romance intenso e emocionante, no qual estão presentes os grandes temas da escrita de Rosa Montero: a passagem do tempo, a paixão como forma de vencer a morte, o amor ao próximo como fator indispensável para uma vida plena, a luta contra os excessos do poder e o horror aos dogmas.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Submissão

A minha opinião:
"... só a literatura nos pode dar aquela sensação de contacto com outro espírito humano, com a totalidade desse espírito, com as suas fraquezas e grandezas, as suas limitações, mediocridades, ideias fixas, as suas crenças; com tudo aquilo que o emociona, lhe interessa, o excita ou lhe repugna.
... gostar de um livro é antes de mais gostar do seu autor, desejar estar com ele, ter vontade de passar os dias na sua companhia." (pag. 13) 

Este livro já me passou pelas mãos algumas vezes e nunca o quis ler, mas bastou abrir nas primeiras páginas para ficar logo agarrada. Incrível!

François é um bem humorado cínico que analisa a sua vida e a sociedade  como o professor universitário que é, apesar do desapego com que parece lidar com todos os factos, mesmo os mais significativos nesta era futurista de 2022. Este romance é de 2017 e o que me surpreendeu deveras foi usar as mesmas figuras políticas neste novo enquadramento onde há uma ameaça de guerra civil depois de umas eleições presidenciais em que a Fraternidade Muçulmana se afirma no poder e um novo paradigma politico-social sucede à alternância democrática. Enfim... a submissão da França a um regime islâmico. 

O papel da mulher com o regresso ao lar sem uma carreira viável em que a poligamia era comum não é algo que veja com bons olhos e as restantes alterações no ensino, na segurança social, na economia, como uma oligarquia em que o dinheiro do petróleo apagava qualquer veleidade para que o poder apenas mudasse de mãos. A submissão da mulher aparece descrita em vários episódios, inclusive de cariz sexual.  

Gostei muito de ler este bem escrito romance que apesar de me inquietar me leva a algumas reflexões. Normalmente são que esses que não se esquecem.


Autor: Michel Houellebecq
Páginas: 310
Editora: Alfaguara
ISBN: 9789898775276
Edição: 2018/ novembro

Sinopse:
Paris, 2022: François, investigador universitário, cumpre desapaixonadamente o ofício do ensino enquanto leva uma vida calma e impermeável a grandes dramas, uma rotina de quarentão apenas ocasionalmente inflamada pelos relacionamentos passageiros com mulheres cada vez mais jovens. É também com indiferença que vai acompanhando os acontecimentos políticos do seu país.
Às portas das eleições presidenciais, a França está dividida. O recém-criado partido da Fraternidade Muçulmana conquista cada vez mais simpatizantes, graças ao seu carismático líder, numa disputa directa com a Frente Nacional. O país obcecado por reality shows e celebridades acorda por fim e toma de assalto as ruas de Paris: somam-se os tumultos, os carros incendiados, as mesas de voto destruídas. Afastado da universidade pela nova direcção, deprimido, François retira-se no campo, onde espera deixar de sentir as ondas de choque da capital. Regressa a Paris poucos dias depois do desfecho eleitoral e encontra um país que já não reconhece. É tempo de questionar-se sobre se deve e pode submeter-se à nova ordem.
Submissão convida a uma reflexão sobre o convívio e conflito entre culturas e religiões, sobre a relação entre Ocidente e Oriente, sobre a relação entre cidadãos e instituições. Um romance que, como é habitual na obra do autor, adianta-se ao seu tempo e coloca questões prementes, hoje mais relevantes do que nunca. Michel Houellebecq confirma-se nestas páginas como um pensador temerário, capaz de detectar as grandes tensões do nosso tempo, interpretando-as com lúcida ironia.
Uma fábula política e moral surpreendente, Submissão é o romance mais visionário e simultaneamente mais realista de Michel Houellebecq.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Chuva miúda

A minha opinião:
Um romance do caraças (desculpem a linguagem) mas esta família é demais. Mas não é única. 

As palavras expõem um conflito familiar em que a raiva e as memórias deixam Aurora como testemunha benévola. O octogenário aniversário da mãe (sogra) leva ao contacto dos irmãos (marido e cunhadas) e é o descalabro. Os telefonemas em que cada uma das mulheres conta versões contraditórias com tortuosos comentários para se chegar ao argumento das suas vidas. O espanto não se faz esperar, o que torna esta leitura imparável e viciante. O final é brutal.


"Considerado unanimente pela crítica o melhor livro do ano em Espanha". Sinto-me tentada a concordar porque é um romance forte, pertinente e provocador. Um dos melhores que li... este ano?!

Um romance difícil de esquecer. 

Autor: Luis Landero
Páginas: 240
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03275-1
Edição: 2020/ fevereiro

Sinopse:
Gabriel decide celebrar o octogésimo aniversário da mãe e, para isso, terá de contactar as irmãs a fim de reunir a família para a feliz ocasião. Todavia, estes telefonemas entre irmãos despertam rancores antigos, relembram erros do passado e põem em confronto diferentes visões do mesmo episódio. Aurora, a discreta mulher de Gabriel, é a confidente pela qual passam todas as histórias que durante anos estiveram guardadas no mais fundo de cada uma das personagens.
Chuva Miúda é um romance poderoso sobre a família - com os seus segredos e rancores -, mas também sobre a memória e a forma como o mesmo momento é lido e lembrado por todos aqueles que o viveram.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

O Retorno

A minha opinião:
Muita gente já leu este livro e eu há muito que o tinha por ler. Sabia que era sobre os Retornados, um termo que definiu os portugueses que tiveram que regressar das ex-colónias, muitos deles em fuga, sem nada ou quase nada trazer. Histórias que ouvi, de boca em boca. 

Rui é o adolescente que conta a história da sua família. Brilhante. A mente jovem é observadora, analítica e critíca. Nada fica por dizer numa escrita irreprensível e extraordinária. Uma espécie de ladaínha. Afinal, Rui pensa e sente muitas coisas ao mesmo tempo. 

A vida de antes quando o retorno era já uma certeza que adiaram concretizar. As ilusões, a cabeça fraca da mãe, a prisão do pai, a fuga, as condições em que foram instalados à espera, a hipocrisia dos parentes, o preconceito e o receio que o retorno deles tirasse mais do pouco que tinham da metrópole. Rui era um jovem que num ano de espera se tornou um homem. 

Todos os que já leram sabem, este é um romance cinco estrelas. 

Autor: Dulce Maria Cardoso
Páginas: 276
Editora: Edições Asa
ISBN: 9789896711160
Edição: 2012/ março

Sinopse:
Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para alunos do Ensino Secundário, como sugestão de leitura. Também recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

1975, Luanda. A descolonização instiga ódios e guerras. Os brancos debandam e em poucos meses chegam a Portugal mais de meio milhão de pessoas. O processo revolucionário está no seu auge e os retornados são recebidos com desconfiança e hostilidade. Muitos nao têm para onde ir nem do que viver. Rui tem quinze anos e é um deles. 1975. Lisboa. Durante mais de um ano, Rui e a família vivem num quarto de um hotel de 5 estrelas a abarrotar de retornados — um improvável purgatório sem salvação garantida que se degrada de dia para dia. A adolescência torna-se uma espera assustada pela idade adulta: aprender o desespero e a raiva, reaprender o amor, inventar a esperança. África sempre presente mas cada vez mais longe.

Os Otimistas

A minha opinião:
Otimistas e livres. Uma geração que saía do armário e não desperdiçava a vida. Boystown em Chicago foi a primeira "aldeia" gay oficialmente reconhecida nos EUA. Em 1985, quando a história começa a SIDA alastra entre um grupo de amigos. Yale é o narrador. 
Fiona, a irmã da primeira vitima deste grupo é protagonista em 2015 numa demanda angustiada pela filha e pela neta, e confronta-se com as sequelas que ainda se faziam sentir. 

Mais interessante do que apaixonante pela narrativa lenta e pelo teor das relações marcadas pelo cíume e inconstância. A doença altera o modo de vida desta comunidade. A morte em massa por negligência e antipatia tornaram a SIDA em homicídio. Ou uma guerra em que se perdia a vida no auge e tudo mudava para os que ficavam. Um romance sobre a juventude perdida, que não correspondeu às minhas expectativas. 

Autor: Rebecca Makkai
Páginas: 576
Editora: Edições Asa
ISBN: 9789892346076
Edição: 2019/ setembro

Sinopse:
Numa tarde de novembro de 1985, um grupo de amigos reúne-se em Chicago. Bebem cubas-libres ao som de Fly Me to the Moon num ambiente de celebração forçada. Pois Nico morreu. Nico era brilhante e belo. Flores e lágrimas não lhe farão justiça.

A missa fúnebre decorre numa igreja a trinta quilómetros de distância. Apenas a família - que o abandonara anos antes - está presente. É uma cerimónia breve marcada pelo constrangimento.

Jovem e gay, Nico é uma das primeiras vítimas que o vírus da SIDA faz no seu círculo de amigos. Um dos mais próximos, Yale Tishman, acompanhou-o até ao fim e vive agora entre o medo da doença e a urgência de construir um futuro. Mas enquanto a sua carreira floresce, a sua vida pessoal vai ficando cada vez mais limitada. Um a um, Tishman vê os amigos perderem a vida. Até restar apenas Fiona, irmã mais nova de Nico.

Trinta anos mais tarde, reencontramos Fiona, agora em Paris.
Alojada em casa de um velho amigo, Richard Campo, um fotógrafo que documentou de perto a epidemia de Chicago, Fiona relembra a sua juventude. A sua capacidade de amar - a filha que entretanto teve, o marido que abandonou, os amigos que sobreviveram - foi modelada por esses anos.
Todos se afastaram, deixando-a só para enfrentar as consequências de três décadas ensombradas pela perda.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

A Última Vez que te Vi

A minha opinião:
Depois de ler A Cosnpiração da Sra. Parrish não resisti ao novo thriller desta dupla de irmãs que assinam sob o pseudónimo de Liv Constantine. O começo não desmereceu a minha expectativa. 

Kate e Blaire, duas grandes amigas que se tinham afastado durante quinze anos, para se reencontrarem aquando do homicídio da admirável e invejada mãe de Kate.
Blaire que sempre gostou de estudar as pessoas e por isso, se tornou escritora, observou o panorama e começou a juntar as peças. E mais, não conto... porque seria revelar demais deste thriller muito ao jeito de Liane Moriarty.

O que posso acrescentar é que a ação se passa num ambiente de glamour e sofisticação que só é possível a uma minoria de priveligiados. Um mundo de milionários. O que de tão distanciado, tem o seu fascínio.  Ainda assim, somos transportados para o convívio desta família e acompanhamos a sua interação e o aumento da tensão, bem como as suspeitas das protagonistas, com os diálogos e fáceis e a narrativa corrida.

O volte-face que tanto ansiava demorou e não foi tão intenso ou surpreendente quanto desejava. Acho que reconheci o estilo de Liv Constantine. Apesar disso, li compulsivamente este thriller. 

Autor: Liv Constantine
Páginas: 336
Editora: HARPER COLLINS
ISBN: 9788491394532
Edição: 2020/ fevereiro

Sinopse:
Segredos, mentiras, traição… e homicídio.

A doutora Kate Englishtem tudo. Não só é herdeira de uma enorme fortuna como ainda tem um marido bonito e uma filha lindíssima, uma carreira de sucesso e uma belíssima mansão de fazer inveja a qualquer um.
Mas tudo isso está prestes a mudar. Numa noite, a mãe de Kate é encontrada morta, assassinada na sua própria casa. A seguir, Kate recebe uma mensagem: se achas que agora estás triste, espera e vais ver…
Evidentemente, nem tudo o que parece é na alta sociedade de Baltimore e à medida que os escândalos, infidelidades e traições são expostos, a tensão aumenta sem precedentes. O assassino pode ser qualquer um: um amigo, um vizinho, a pessoa amada, um familiar. E a Kate é a próxima na lista.

Anne das Empenas Verdes

A minha opinião:
Uma criança solitária, sem amigos e de coração esfomeado, assim é a orfã Anne das Empenas Verdes na bela ilha do Princípe Eduardo.

Um romance cândido e enternecedor que remonta aos grandes clássicos, ou não tivesse sido o original publicado em 1908. Anne é uma personagem do seu tempo e ainda assim intemporal porque é inesquecível.

Inteligente, tagarela, de imaginação delirante, é uma excelente companhia. Um bálsamo para as amarguras da vida porque os prazeres e os sofrimentos tocam-na com intensidade tripla enquanto o leitor rejubila com este romance precioso.

Autor: L. M. Montgomery
Páginas: 368
Editora: Relógio D'Água
ISBN: 9789896417161
Edição: 2017/ abril

Sinopse:
Lucy Maud Montgomery nasceu no Canada, na Ilha Prince Edward, em 1874. Depois da morte da mãe, ocorrida quando tinha apenas dois anos, foi criada pelos avós maternos. Registos biográficos sugerem que era uma criança solitária e que teve uma educação rigorosa.
Mais tarde trabalhou vários anos como professora antes de se aventurar no jornalismo e, finalmente, na escrita de ficção.
Quando em 1905 terminou Anne das Empenas Verdes, Lucy Montgomery teve bastante dificuldade em encontrar uma editora interessada no livro. Só em 1908 a autora conseguiu finalmente ver publicado na Company of Boston o primeiro e aquele que viria a ser o seu mais famoso livro.
Ao criar a personagem de Anne, Lucy Montgomery deu ao mundo da ficção clássica uma das suas mais importantes heroínas.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

As aves não têm céu



A minha opinião:
Estava empolgadíssima por ler este romance. A sinopse prometia... mexer com as emoções. O tipo de romance que nem sempre consigo ler. A morte de uma filha é avassalador. E a culpa associada, devastador. 

Neste romance lidamos com esta tragédia de Leto. Mas não apenas. Outras personagens entram e surpreendem numa história que não é corrida, nem simples, escrita de forma a que as palavras marquem em capítulos curtos, preenchido com figuras de estilo. 
Profundamente diferente. A dor como nunca a tinha lido. 

Autor: Ricardo Fonseca Mota
Páginas: 184
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03192-1
Edição: 2020/ janeiro

Sinopse:
Um homem vagueia pelas noites insones, revisitando o passado e a culpa que lhe vai consumindo os dias. A mulher trocou-o por outro e levou consigo a sua única filha, ainda pequena. Na semana de férias em que finalmente pode estar com ela, sofrem um acidente de viação que resulta na morte da filha.
A culpa e o passado cruzam-se neste romance feito de gente que vive no escuro, como o taxista que várias vezes apanha este pai e o transporta pela cidade silenciosa, e os dois companheiros com quem desde a morte da filha partilha o espaço.

Vencedor do Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís 2015, Ricardo Fonseca Mota regressa à ficção com As aves não têm céu, um romance lírico que vem dar voz às sombras que se escondem nos recantos mais obscuros da alma humana.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Uma Educação

A minha opinião:
Não imaginei que esta biografia de Tara Westover fosse tão dura. Incomodou-me muito. Difícil ler quando a brutalidade e a humilhação são recorrentes perante o temor e a passividade impotente, vindo de quem devia proteger. O fundamentalismo e a loucura. Sete filhos numa família Mórmon em Idaho. Tara é uma das mais novas a lutar, sem acompanhamento médico ou uma educação formal para sair daquele ambiente e sobreviver. Quando pensava que já conhecia o pior surge uma nova ameaça. Manipuladora e controladora.
Em suma, uma família em que havia Amor, temor e perda. E culpa... com personalidades fragmentadas. 

O comportamento ambíguo de Tara na segunda e terceira parte deste livro, quando já sabia a verdade, levou-me a questionar também a sua sanidade mental. E se a realidade não se confundia com a ficção. Mas não. Este é um bem escrito testemunho, poderoso e corajoso, sobre uma família que queria anular uma verdade incómoda. 

Autor: Tara Westover
Páginas: 376
Editora: Bertrand Editora
ISBN: 9789722533799
Edição: 2019/ setembro


Sinopse:
Tara Westover cresceu a preparar-se para o Fim dos Tempos, para ver o Sol escurecer e a Lua pingar, como que de sangue. Passava o verão a conservar pêssegos e o inverno a cuidar da rotatividade das provisões de emergência da família, na esperança de que, quando o mundo dos homens falhasse, a sua família continuasse a viver.
Não tinha certidão de nascimento e nunca pusera um pé na escola. Não tinha boletim médico, porque o pai não acreditava em médicos nem em hospitais. Não havia quaisquer registos da sua existência.
O pai foi ficando cada vez mais radical com o passar do tempo, e o seu irmão, mais violento. Aos dezasseis anos, Tara decidiu educar-se a si própria. A sua sede de conhecimento haveria de a levar das montanhas do Idaho até outros continentes, a cruzar os mares e os céus, acabando em Cambridge e Harvard. Só então se perguntou se tinha ido demasiado longe. Se ainda podia voltar a casa.

Uma Educação é a história apaixonante de uma mulher que se reinventa. Mas é também uma história pungente de laços de família e de dor quando esses laços são cortados. Com o engenho dos grandes escritores, Tara Westover dá forma, a partir da sua experiência singular, a uma narrativa que vai ao cerne do que é a educação e do que ela nos pode oferecer: a perspetiva de ver a vida com outros olhos e a vontade de mudarmos.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos

A minha opinião:
Brilhante. Nenhum outro adjetivo me ocorre para descrever numa palavra este romance. 

A imagem de capa e o título incomoda. Certamente era esse o propósito da autora quando o escolheu dum excerto de um poema de Blake. E faz todo o sentido. Os que ousam ler este romance vão descobrir uma personagem que me encantou e me deu imenso gozo desde o início.  Uma revelação. A riquissima vida interior e inteligência desta mulher que tem teorias diversas e bem humoradas mas que oculta uma grande mágoa. E um grande coração. Poucos eram os que a conheciam, apesar de ela cuidar do bem comum, mas esses amavam-na profundamente.

Poderia ser um romance tétrico, macabro ou negro mas com uma personagem luminosa como a Janina D... (o apelido é impronunciável como o da autora) seria difícil. Há mortes. Há um assassino que a velha senhora pretende desvendar e para isso usa a Astrologia. 

Um livro perturbador e subtil que marca. Um livro com mensagem que se deseja que faça eco em muitas consciências. Um livro especial. Justo prémio Nobel. Quem escreve assim, merece. 

Autor: Olga Tokarczuk
Páginas: 288
Editora: Cavalo de Ferro
ISBN: 9789896686673
Edição: 2019/ novembro


Sinopse:
Numa remota aldeia polaca, a excêntrica Janina Duszejko, professora reformada, divide os seus dias a traduzir a poesia de William Blake e a observar os sinais da astrologia, fazendo por manter-se afastada das pessoas e próxima dos animais, cuja companhia prefere; mas a pacatez dos seus dias vê-se interrompida quando começam a aparecer mortos vários membros do clube de caça local. Certa de encontrar respostas, Janina decide lançar-se na investigação do caso, chegando a uma estranha teoria que espalhará o terror pela comunidade.

Sob a máscara de policial noir ou fábula macabra, Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos é um romance mordaz e desconcertante que questiona a nossa posição acerca dos direitos dos animais e responsabilidade sobre a natureza, bem como todas as ideias preconcebidas sobre a loucura, a justiça e a tradição.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Chegada a Hora

A minha opinião:
Depois de ler cinco das Crónicas de Clifton, não fico surpreendida com a narrativa em que alternadamente cada uma das personagens revela de si num enredo que evolui ao longo do Sec. XX. Ainda assim, sou surpreendida pelas reviravoltas da trama na vida das personagens, principalmente daquelas que gosto neste sexto volume. Os vilões, também não param de surpreender, com o nível de avidez  e os requintes de malvadez que conseguem atingir. Quando pensamos que foram derrubados, eles reagrupam e voltam a investir. Não tendo uma escrita brilhante, é acessível, e a história está tão engendrada, na dose certa de drama, intriga e estratégia, que é uma leitura entusiasmanate e viciante. Muitos devem ser os leitores que os lêem todos de seguida.

"Um livro que traga felicidade às gerações vindouras, cuja reputação sobreviva a qualquer lista de best-sellers e te possibilite fazer parte do punhado de autores cujos nomes nunca morrerão." (pag. 225)

Autor: Jeffrey Archer
Páginas: 448
Editora: Bertrand Editora
ISBN: 9789722534499
ReEdição: 2017/ outubro

Sinopse:
Chegada a Hora é o penúltimo livro das Crónicas dos Clifton e, à semelhança dos anteriores, todos eles nº 1 do top britânico, mostra o extraordinário talento de Jeffrey Archer como contador de histórias. O bilhete de suicídio com que abre este livro tem consequências arrasadoras para Harry e Emma Clifton, assim como para Giles Barrington e Lady Virginia. Giles tem de decidir se vai desistir da política para tentar salvar Karin, a mulher que ama, do outro lado da Cortina de Ferro. Mas será que Karin o ama de facto ou será uma espia? Lady Virginia está arruinada e só encontra uma solução para os seus problemas financeiros quando conhece Cyrus T. Grant III, um americano que está em Inglaterra para ver o seu cavalo correr no Royal Ascot. Sebastian Clifton é agora CEO do Farthings Bank, uma posição que absorve todo o seu tempo e energia. Até conhecer Priya, uma bela jovem Indiana que já tem noivo escolhido pelos pais. Harry Clifton continua decidido a tirar Anatoly Babakov de um gulag na Sibéria, mas eis que acontece algo inesperado, que nenhum dos dois poderia ter previsto.