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domingo, 23 de agosto de 2020

A Filha do Comunista

A minha opinião:
Katia Ziegler é a protagonista desta história em família na Alemanha de Leste, antes mesmo de ter sido construído o muro. A família emigrou de Espanha para fugir à guerra.
 
Frases breves em capítulos curtos, assinalados com o local e o ano, num crescendo para contar episódios que refletem as circunstâncias duras, sem comiseração ou juízos de valor. A política está subjacente, no modo desapaixonado como se comportavam e aceitavam. E no temor. Ao longo da narrativa as interjeições vão aumentando e a política ganha espaço, visibilidade e peso. Assim como Katia se torna mais intensa.
 
Escrita irrepreensível. Nada fora do tom ou excessivo nesta narrativa precisa e cuidada. Sem apelo nem agravo é um romance belo e de rara sensibilidade. As divisões ideológicas para existências fragmentadas. Inesquecível Katia.

Autor: Aroa Moreno Durán
Páginas: 132
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03362-8
Edição: 2020/ Agosto

Sinopse: 
Um romance íntimo e político que narra a vida de uma família de emigrantes espanhóis na Alemanha de Leste, traçando em simultâneo um retrato da Berlim Oriental, uma cidade constantemente alerta, através do olhar de uma rapariga que vai crescendo sob a égide da República Democrática Alemã.
A vida de Katia, as suas opções e a irreversibilidades dos seus atos poderiam ter sido contados de inúmeras maneiras, mas a prosa de Aroa Moreno Durán, brilhante e incisiva, devolve beleza ao peso da História e valeu-lhe o Prémio Ojo Critico de Narrativa 2017.
 

Epítome de pecados e tentações





A minha opinião:
A curiosidade levou a melhor quando apostei em ler este livro de contos. O tema interessa-me. E se, até então nada tinha lido, porque não começar justamente com este pequeno livro?! 

Contos de altissímo nível. Um gozo. Vozes masculinas e femininas em maturada reflexão debitam vivências de boa ou má memória, sem pudor e até humor. Breves tentações. Pecados isolados. Um interegno no quotidiano. 

Galhardia numa prosa requintada e desabrida que agrada. Mas… gostei mais da forma do que do conteúdo. Sem eco em mim. Só por isso não tem a nota máxima mas não resisto ao próximo livro do autor para validar esta sentença.
Autor: Mário de Carvalho
Páginas: 136
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03291-1
Edição: 2020/ Agosto

Sinopse: 
Fascínios, inquietações e sobressaltos nas relações entre homens e mulheres. Como elas os vêem. Como eles tantas vezes, as mais das vezes, se enganam. Os amores juvenis e os amores tardios. As tentações a pedirem transgressão e os pecados, veniais, sempre à espreita, entre olhares que se advinham e jogos que se desvendam.
Numa prosa depurada, Mário de Carvalho, uma das vozes mais importantes da nossa literatura contemporânea, regressa à novela e ao conto, num livro que pede total absolvição.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

O Anjo de Munique

A minha opinião:
Um thriller histórico que se devora, com uma sinopse que indicia isso mesmo é irresistível. Não foi preciso mais para me apressar a comprar mas não contei com uma letra miudinha que me aborrece porque já estou pitosga.

A trama que se desenrola a bom ritmo e com reviravoltas inesperadas prende mas os comissários que investigam a morte da sobrinha de Hitler tornam a leitura viciante e imparável. A dinâmica dos dois é credível e o carisma e presença de espírito em oposição a personagens de má memória torna-os dignos de registo. A descrição breve e visual dos vários locais onde a ação se dá embeleza a narrativa nesta trama bem pensada e melhor contada que, pasme-se no essencial é uma história verdadeira. O anjo de Munique tem por base o desaparecimento de Geli que não foi uma personagem de romance, bem como muitos dos dados rebuscados que parecem ficção mas para o qual existem provas documentais.

É uma pena que no contexto atual não se leia mais. Alguns factos são relevantes à luz dos dias de hoje. E é uma extraordinária maneira de nos preencher e ocupar o tempo. 
Um dos melhores thrillers policiais e históricos que li nos ultimos tempos. 

Autor: Fabiano Massimi
Páginas: 432
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9789897840500
Edição: 2020/ Julho

Sinopse: 
Munique, Setembro de 1931. Faltam poucas semanas para que umas eleições históricas outorguem o poder aos nazis. O comissário Sigfried Saue é chamado com urgência a um elegante apartamento, onde Angela Raubal, 22 anos, conhecida como Geli, é encontrada no seu quarto sem vida. Ao lado do corpo um revólver, tudo sugere que se trata de um suicídio. Geli, no entanto, não é uma mulher comum e o apartamento onde vivia e morreu, bem como o revólver que disparou o tiro fatal, não pertencem a um homem qualquer, são do seu «tio Alf», que o resto da Alemanha como Adolf Hitler, o político mais notório do momento. Em parte também por causa dessa estranha relação com a sua sobrinha, fonte de indignação e escândalo entre as fileiras dos seus inimigos e entre os seus colaboradores mais próximos. Sempre juntos, sempre felizes e sorridentes numa intimidade adolescente. O inspector Sauer se encontra dividido na sua investigação entre aqueles que o mandam encerrar a investigação passadas escassas horas e aqueles que o instruíram a ir ao fundo do caso e descobrir a verdade, qualquer que seja.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Recordações do Futuro

A minha opinião:
Peculiar. Introspectivo. Em suma, Siri Hustvedt. Exigente também. Neste romance saltita e muda de discurso quando narra acontecimentos, reflete ou retira excertos do projeto de escrita falhado mas continua a ser uma brilhante análise de vida. 

A não ficção confunde-se com a ficção. Noção que passa em que algo se passa de autobiográfico, o que acontece com tantos e bons romances. Um tanto da autora prevalece na narrativa ficcionada. 

Uma jovem que procura ser escritora regista num diário o ano que viveu em NY. Este registo serve para recuperar a pessoa que era, que convive amíude em interjeições consigo própria, mais velha e com uma diferente perspectiva. Uma vizinha perturbada é uma obcessão para a jovem até ser salva. Um mistério que desvenda. 

A memória, a passagem do tempo, o paternalismo, a violência e a discriminação sobre as mulheres, o presidente Trump, etc... são muitos os temas que aborda. Infelizmente achei denso e não me agarrou como gostaria. 

Autor: Siri Hustvedt
Páginas: 400
Editora: Dom Quixote
ISBN: 9789722069663
Edição: 2020/ Junho

Sinopse: 
Com 23 anos e o objectivo de escrever um livro, S. H. troca o interior rural dos Estados Unidos por um esquálido apartamento na exuberante Nova Iorque do final dos anos 70. Todos os dias, para combater a solidão e a fome, a rapariga parte à descoberta da cidade, que na época é suja e perigosa e repleta de aventuras. Tem como única companhia os heróis literários da sua adolescência - Dom Quixote e Tristram Shandy - e a voz de uma vizinha, Lucy Brite, que todas as noites lhe chega através da parede da sala, entoando um triste cântico e longos monólogos bizarros, que S. H. aponta num diário. A misteriosa Lucy rapidamente se torna uma obsessão.

Quarenta anos depois, a reputada escritora S. H. encontra o seu velho diário e o rascunho de um romance inacabado. Justapondo os diversos textos, ela cria um diálogo entre os seus diferentes eus ao longo das décadas, num jogo que transforma a narradora - e o leitor - numa espécie de Sherlock Holmes (S.H.) em busca da verdade possível entre a memória e a imaginação.

Neste retrato da artista enquanto jovem, misto de thriller psicológico e bildungsroman, Siri Hustvedt questiona a nossa relação com a realidade, a capacidade da arte de mudar a nossa percepção do mundo, os limites da ficção e os mistérios da personalidade e da memória. Um romance profundamente feminista, que analisa o papel da mulher na sociedade patriarcal e as diferentes formas de violência a que está sujeita, e recupera uma figura fascinante da História, a excêntrica baronesa Elsa von Freytag-Loringhoven, a artista dadaísta de cuja obra Marcel Duchamp se apropriou. 

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

A Vila Esquecida

A minha opinião:
Para contrabalançar um romance mais maçudo peguei neste livro e não mais o larguei.

Dorset. Deve ser uma região maravilhosa para se conhecer e explorar. Um pequeno passeio em torno de uma atração turistica transformou-se numa demanda para Melissa. Por causa de Veronica. A situação dela levara-a a fazer comparações desconfortáveis com a sua mãe mas também consigo. Veronica era casada com um individuo muito mau. Violento e maquiavélico. E Melissa percebeu isso ao olhar para uma fotografia na casa grande da Vila Esquecida. 

Esta história é contada a dois tempos e não sei qual achei mais fascinante, se 2018 ou 1943. As ações destas duas protagonistas interessam nesta trama empolgante e emocionante. O final é o que esperava mas não diminuiu em nada a expectativa de o confirmar. A escrita é ótima e a narrativa escorreita e clara. Baseado em factos reais é um roamnce histórico que adorei ler. 

Autor: Lorna Cook
Páginas: 352
Editora: TopSeller
ISBN: 9789896689674
Edição: 2020/ Junho

Sinopse: 
Duas mulheres. Uma fotografia misteriosa.
Um segredo guardado durante décadas.

1943: O mundo está em guerra e os habitantes de Tyneham vão ter de fazer mais um sacrifício: abandonar as suas casas quando a vila é requisitada pelo Exército Britânico. Veronica e Albert Standish preparam-se para a mudança, mas, na véspera da partida, um acontecimento terrível mudará para sempre as suas vidas.

2018: Melissa tinha a esperança de que uns dias de descanso com Liam na costa de Dorset pudessem reacender a chama da sua paixão. Contudo, apesar do cenário idílico, as férias levam ao limite a sua relação já estagnada.

Ao encontrar a enigmática fotografia de uma mulher que em tempos viveu na esquecida vila de Tyneham, Melissa sente-se impelida a descobrir mais sobre a sua história. Porém, Tyneham esconde um segredo inesperado, e a demanda de Melissa pela verdade acabará por mudar a sua vida de um modo que ela nunca imaginou possível.

domingo, 9 de agosto de 2020

A Educação dos Gafanhotos

A minha opinião:
Dado que começa com uma viagem dos gafanhotos na costa leste dos EUA fiquei fisgada. Reminiscências do passado. Importa explicar quem são os gafanhotos. Não é literal e chama a atenção.
 
Os gafanhotos são dois jovens que podiam viajar livres de constrangimentos, à deriva, numa liberdade absoluta, num salto imprevisível. As peripécias que os educam são muito credíveis. Confiantes e descarados mudam com a aprendizagem e espalham a sua filosofia vã. As narrativas literárias que inventam divertem e incomodam e nem sempre convencem nesta livro de viagem. A ficção não se confunde com a realidade quando esta se impõe como aconteceu no dia 11 de setembro. O mundo mudou e estes dois também.

Não foi um romance apaixonante como esperava mas foi uma lição sobre a arrogância da juventude e o efeito do medo, bem como um relembrar como à data Portugal e Lisboa não eram do domínio dos Americanos.
 
Autor: David Machado
Páginas: 216
Editora: Dom Quixote
ISBN: 9789722069328
Edição: 2020/ Fevereiro

Sinopse: 
No Verão de 2001, David e Marco celebram o fim do curso com uma viagem pelos Estados Unidos, para fugirem das rotinas, das convenções, das famílias e para, à sua maneira, gozarem a independência.

A Educação dos Gafanhotos é a história dessa marcante aventura: das dificuldades que os dois jovens amigos têm de ultrapassar, das conversas insólitas que travam com quem vão conhecendo, das longas noites passadas em bares da América profunda, das personagens que, a todo o instante, encarnam. É também o relato do abalo provocado neles pelo ataque terrorista do 11 de Setembro.

Na senda da viagem fascinante de Índice Médio de Felicidade, com a maturidade de Debaixo da Pele, o presente romance é um retrato de uma juventude em plena efervescência, para quem a literatura é um passaporte para a liberdade e a quem a realidade por vezes troca as voltas.
 

Nunca é Tarde para Começar a Viver

A minha opinião:
A capa e o título sugerem um romance de fácil leitura, de entretenimento, o que é um tanto enganador porque apesar do sarcasmo inteligente do olhar de Andrew, o protagonista anti social que inventou uma história familiar tem uma vida difícil.
 
A solidão em que muitos morrem é um tema amargo e cruel. Partir deste tema e criar um bom romance com personagens empáticas que não é pesado mas lúcido e até diverte é bestial. Para mais, num primeiro romance.
 
Andrew é um sujeito simpático e bondoso por quem o leitor sente compreensão e compaixão. A estória é surpreendentemente empolgante e a expectativa domina para um final feliz que não se prevê mas se deseja. Apesar disso é tão ridiculamente possível que o leitor é enredado no quotidiano no escritório com um sorriso ou uma gargalhada à toa. 
A vida pode ser maravilhosamente simples se seguirmos em frente.
 
 
Autor: Richard Roper
Páginas: 320
Editora: TopSeller
ISBN: 9789896689384
Edição: 2020/ Junho

Sinopse:
Por vezes, é preciso arriscar tudo para encontrar uma razão de viver.

Andrew tem um trabalho pouco comum: encontrar os familiares das pessoas que morrem sozinhas. Os seus dias são passados a vasculhar casas vazias, a contactar parentes distantes e maldispostos e a assistir a funerais onde não aparece ninguém. A sua sorte é que tem uma família feliz à espera quando regressa a casa. Ou assim pensam os seus colegas de trabalho.

Tudo começou com um mal-entendido durante a entrevista de emprego, mas acabou por tornar-se uma teia de enganos tão complexa que Andrew se vê agora obrigado a manter um registo de todos os pormenores sobre a sua família imaginária.

Inesperadamente, é na mulher e nos dois filhos que nunca teve que Andrew encontra conforto, refugiando-se nessa fantasia. Até que conhece Peggy, uma nova colega que traz uma lufada de ar fresco à sua vida e que rapidamente se transforma numa amiga, fazendo com que Andrew queira deixar de viver uma mentira. Pela primeira vez em muitos anos, sente vontade de começar a viver.

Mas a escolha que tem pela frente é muito difícil.
Será capaz de contar a verdade e arriscar-se a perder a amizade de Peggy?
Ou preferirá manter a mentira com que já se sente confortável?
  

33 Cartas de Montmartre


A minha opinião:
Uma comédia romântica. Exatamente o que me apetecia ler. Para mais, deste autor que sabe escrever com coração e engenho.
 
O que me fascina é que apela aos sentidos e visualizo o que descreve enquanto evoco os cheiros e os sabores. Um romance que começa num cemitério antigo e onde tem início, não uma mas duas histórias de amor. Um romance que nos faz desejar visitar Paris e calcorrear todas aquelas pequenas ruelas e praças. Um romance do qual intuímos e torcemos por aquele final e lemos sofregamente para o confirmar, arrebatados pelas personagens. Um romance tocante e mágico porque nos comove e diverte. Um romance que toca o coração.
 
Há muito tempo que não me lembro de ler um romance assim. Lindo.

Autor: Nicolas Barreau
Páginas: 244
Editora: Minotauro
ISBN: 9789898866998
Edição: 2020/ julho

Sinopse:
Ao perder a mulher, prematuramente, Julien Azoulay, escritor aclamado, deixa de acreditar no amor, perde a fé no lado mais feliz da vida - e com ela sua capacidade de escrever. Antes de morrer, Hélène faz o marido prometer-lhe que lhe escreverá 33 cartas, uma por cada ano da sua curta vida. Para seu espanto, Julien dá-se conta de que esta «correspondência», que deixa numa gaveta secreta na campa da mulher, no cemitério de Montmartre, acaba por ser o seu único conforto na perda.

Até que um dia descobre que as cartas desapareceram e, no lugar destas, encontra alguma pistas... O que Julien não sabe é que alguém o observa. Alguém que lê as cartas e que o quer ajudar. Alguém que se apaixonou por ele.
 

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Caminhos de Paixão - A história de La Diana - Vol. I

A minha opinião:
Florencia Bonelli é uma das minhas autoras de culto. Leio tudo o que é publicado em português. E tal como li noutros pareceres, não aprecio particularmente esta capa. Não é bem um romance leve ou doce, como logo no início se revela. Há um bom trabalho de pesquisa e uma boa capacidade de transmitir sucintamente o que não deveria ser ignorado. A guerra dos Balcãs ou o genocídio e toda a podridão que se desenvolveu por trás que La Diana se treinou para combater. Adrenalina, aventura, suspense e algum romance. Garantia de um bom livro de ficção que se lê sem parar.
 
Um romance com personagens carismáticas e envolventes em ambientes requintados e exóticos. Personagens marcadas pelo passado. Personagens fortes que lutam por superar e vencer os traumas e os inimigos. E por fim… o amor. Exatamente o que se espera de um livro que dá gosto ler, para mais nesta época do ano.
 
Aqui há dragões. Eles também existem e surgem entre os ricos e poderosos numa luta entre o bem e o mal. Que venha o(s) próximo(s) livro(s), para encerrar com sucesso a história de La Diana.
 
Autor: Florencia Bonelli
Páginas: 424
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03269-0
Edição: 2020/ Julho

Sinopse:
Mariyana Huseinovic adotou o nome de guerra «La Diana» e foi treinada para ser o que mais desejava: uma máquina de matar. Soldado de elite numa agência secreta, é exímia no uso de diferentes armas e na prática de artes marciais. Mas nem sempre foi assim: feliz e amada durante a infância e a adolescência, aos vinte anos Mariyana tornou-se uma das muitas vítimas da Guerra dos Balcãs, vivendo acontecimentos terríveis que a marcaram profundamente e lhe fecharam o coração por muito tempo.
Anos depois do fim da guerra, La Diana tem uma missão secreta que a obriga a voltar à Bósnia, a sua pátria, para investigar e ajustar contas com o passado. Mas o destino é traiçoeiro e coloca-lhe na frente alguém que, através do amor, pode reduzir a cinzas a personagem invulnerável que tanto lutou para criar e atrás da qual se protege. Ao mesmo tempo, sabe que o homem que a aterrorizou a procura incessantemente...
Conseguirá La Diana superar as dores do passado e seguir em frente? Será capaz de enfrentar quem a maltratou? Poderá ela amar e deixar-se amar novamente?
Caminhos de Paixão é o esperado romance de Florencia Bonelli que conta a história de uma das personagens mais admiráveis da trilogia Cavalo de Fogo: La Diana. Uma leitura imperdível e viciante da primeira à última página.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Olive Kitteridge

A minha opinião:
Muito elogiado por quem já o leu em uma outra edição, foi com alguma expectativa que me agarrei a este livro.
Este é um romance sério, sem humor óbvio ou lamechices. Um romance sobre as pessoas que se limitavam a viver numa pequena povoação costeira do Maine. Pessoas simples e maduras que seguiam rotinas, criaram os filhos e interagiam superficialmente com os outros que conheciam há anos. Não houve um acontecimento extraordinário para que isso tivesse mudado. Apenas a vida.
 
OK são as iniciais do nome da protagonista que não era uma pessoa educada ou afável, ao contrário do seu marido que era caloroso e simpático. A meio do livro começamos a captar o papel que vai desempenhar na trama, enquanto até aí se manteve quase despercebida. E o jeito abrupto de OK esconde profundos sentimentos que se valoriza e admira como a escrita límpida e objetiva de Elizabeth Strout. Pessoas quebradas mas resilientes que carregam fardos como o arrependimento e a solidão num livro poderoso sobre a humanidade que se esconde debaixo da pele.
 

Autor: Elizabeth Strout
Páginas: 352
Editora: Alfaguara
ISBN: 9789896657369
Edição: 2020/ Julho

Sinopse:
Em Crosby, uma pacata povoação costeira no Maine, todos conhecem Olive Kitteridge, a temível professora de Matemática do liceu, agora reformada, e Henry, o seu marido, farmacêutico gentil.

E talvez não haja ninguém que conheça tão bem quanto Olive os segredos e os dramas dos habitantes da vila: o desespero de um exaluno que perdeu a vontade de viver; uma pianista alcoólica vítima de uma mãe castradora; uma mãe destroçada pelo crime hediondo do filho; um homem que descobre a ferocidade e as consequências do amor; e a solidão da própria família de Olive, à mercê dos seus caprichos.
Lamentando os ventos de mudança que varrem a sua vila e o mundo, sempre pronta a apontar um dedo crítico, Olive nem sempre dedica aos que a rodeiam a sensibilidade ou tolerância que mereceriam. Mas à medida que todas estas vidas se vão entrelaçando, Olive começa a conhecer-se melhor e a compaixão - pelos outros e por si própria - ganha terreno ao preconceito.

Nas mãos de Elizabeth Strout - autora elogiada pelo olhar clínico sobre a condição humana - a sonolenta vila esquecida na margem do Atlântico torna-se o mundo inteiro, e os seus habitantes somos todos nós, enredados no drama e no milagre diários da vida, com os seus conflitos, tragédias, alegrias - e a coragem que viver sempre exige.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

As Sete Mortes de Evelyn Hardcastle

A minha opinião:
De início, não me conquistou como eu supunha. O enredo é demasiado estrambólico para o meu gosto. uma mansão fantástica, decadente, junto a uma floresta onde se repete uma festa com os mesmos convidados dezanove anos depois de um crime hediondo ter acontecido. Um convidado é o narrador mas está traumatizado e desmemoriado. Um mistério para resolver. 

O desconcertante desta trama e simultâneamente o que mais atrai é que o narrador sendo o mesmo vai mudando de corpo e de perspectiva porque o vê através dos olhos de outra pessoa. Oito vidas para revelar um assassino. Ou mais. Uma espécie de maldição ou um jogo cruel de que não se pode escapar sem a resposta. De Blackheath. E não é o único a sofrer deste mal... E antes da pag. 100 já estava enredada e viciada neste enigma. Uma história peculiar em que não notei erros de principiante. Parece uma peça de teatro. Ou um puzzle onde as peças tem de encaixar. Não sou boa nisto e não descobri quase nada. Perdi-me na cadeia dos acontecimentos que inteligentemente formavam um padrão. Acabei por o ler sem parar. 


Autor: Stuart Turton
Páginas: 528
Editora: Minotauro
ISBN: 9789898866943
Edição: 2020/ Junho

Sinopse:
O que começa como uma celebração termina em tragédia. Os Hardcastle organizaram uma festa em Blackheath, a sua casa de campo, para anunciar o noivado da filha Evelyn. no final da noite, quando fogos de artifício explodem no céu, a jovem é morta.

Mas Evelyn não vai morrer uma vez. Até que Aiden Bishop, um dos convidados, não resolva o seu assassinato, o dia vai repetir-se constantemente, sempre com o mesmo final triste.

A única maneira de quebrar este ciclo é identificar o assassino. Sempre que o dia fatídico recomeça, Aiden acorda no corpo de um convidado diferente. E alguém está determinado a impedir Aiden de escapar de Blackheath.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Onde Cantam os Grilos

A minha opinião:
Imaginei que este romance tão admirado era uma fábula moderna com animais e qual não é o meu espanto ao constatar que a história é narrada como a criança de dez anos que foi numa abastada e tradicional herdade do norte e versa a família Vaz. Formiga era a sua alcunha. Esperto e ladino era feliz e acarinhado. Mais… a amargura de adulto levou-o a rebuscar na memória o motivo do seu arrependimento para contar esta história.
 
Simples e natural como a vida na terra. Bela, como uma história de amor. Inesquecível, como os grandes romances trágicos. Assim é este romance.
 
Os últimos romances que li foram de autores portugueses. Não foi planeado. Aliás, fui ao engano em todos eles. Contudo, a minha intuição ou perceção não falhou. Admiro sempre quem consegue escrever com tal mestria e sensibilidade. Até parece fácil. Espero que seja o primeiro de muitos que conto ler.
 
 
 Autor: Maria Isaac
Páginas: 296
Editora: Cultura Editora
ISBN:  9789898886026
Edição: 2017/ Outubro

Sinopse:
Ainda bebé, Formiga foi deixado num cesto nos degraus da casa da Herdade do Lago.
O mistério da sua chegada é apenas mais um na longa história da herdade e das várias gerações dos Vaz, que a assombra de lendas e maldições: uma fonte inesgotável de mistérios fascinantes para a imaginação do rapazinho cabeça de vento.

Deslumbrado pela vida da família que venera de forma atrapalhada, Formiga corre e trepa a árvores, encolhe-se, faz-se invisível, inventa um pouco de tudo para conseguir acompanhar conversas, descobrir mais um segredo.
Mas o último segredo que ele descobre revela-se demasiado grande para a curiosidade bem-intencionada de uma criança, e um erro seu acaba por destruir o único mundo que conhece e pôr fim à sua infância.

Mais de vinte anos depois, Formiga regressa à Herdade do Lago e escreve para um leitor invisível, relembrando tudo o que foi e que não deveria ter sido.
Uma história doce contada pela voz de um adulto que fala pela criança que foi um dia."

Uma Mulher de Cinquenta Anos

A minha opinião:
Não é novidade que gosto de ler um romance no feminino. Um romance de género. As mulheres podem ser complexas, contraditórias e rebuscadas e da fama disso não se livram.
 
Tal como o título indica trata-se do retrato de uma mulher numa idade fronteira que decide pedir a um jornalista com base num diário que escreva as suas memórias sem se revelar.
Não é apenas disso que se trata mas os anseios e esperanças de mulheres nesta condição numa época de transição. E isto, interessa.
 
O subtítulo pode ser dissuasor (ou não) mas não é um livro erótico. E ler esta história conforta porque nos sentimos acompanhadas nos problemas, dúvidas, angústias e medos com que nos identificamos. A intimidade feminina a nu numa narrativa confessional bem escrita que adorei.
 
As imagens de Lisboa surgem nítidas e o povo vívido, enquanto a imaginação da leitora voa solta questionando-se quem se esconde com tanto talento sob pseudónimo porque ler este livro é uma vertigem surpreendente.
 

Autor: Maria Monforte
Páginas: 332
Editora: Gradiva
ISBN:  9789896168032
Edição: 2018/ Abril

Sinopse:
Em cinco dias, com recurso ao diário íntimo, Cármen desnuda a sua vida a um interlocutor que não a conhece nem a pode ver. Entre a consciência e a perdição, entre o que se lhe afigura correcto e a violação das fronteiras, entre o controlo e o irreparável, emergem as fragilidades e desejos, esperanças e desilusões, sensações de companhia e solidão, medos e impulsos irreprimíveis de fruição carnal de uma mulher de 50 anos, viúva há sete.

Mas a autora - Maria Monforte (pseudónimo) - vai mais longe. Explorando a profundidade da dimensão humana; desenvolvendo uma visão feminina transposta para os sentimentos e materializada nas relações que brotam nas esquinas da vida de Cármen; metamorfoseando os tons cinza em cores rubras, no cenário do final dos anos sessenta do Século XX. Uma época em que também o mundo fervilha com novas experiências, e a sociedade portuguesa assiste à queda de Salazar, vivendo a expectativa do fim da ditadura.

Um grande fresco de uma mulher à beira da perdição, num tempo de mudanças estonteantes.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Uma Herança de Amor

A minha opinião:
Li ao engano este romance. Julgava a autora portuguesa e o ideal para um desafio, quando ao fim de algumas quantas páginas percebi o engano já estava irremediávelmente enredada na trama e acarinhava as personagens. 

Marina é nobre e a irmã Anna, a submissa e dondoca. Marina não tinha uma casa onde era esperada mas tinha Mathias, e juntos tinham uma missão nos médicos sem fronteiras. Renúnciaram às comodidades para salvar vidas nos lugares mais reônditos e inóspitos do planeta. Naomi partiu-me o coração.

Marina regressa a Maiorca onde viveu a infãncia para reencontrar a sua irmã, mais velha, casada com um enurgemero e vender a sua parte de uma herança que uma desconhecida lhes deixou. E a história acontece. Como a vida... desde o início sabiamos o que tinha acontecido a Anna. A trama recua e salta para nos dar a conhecer o amor que as ligava.

Um romance simples e terno sobre personagens que se perderam. A rocha e o pão de limão com sementes de papoila. E o amor por uma criança só na Etiópia. Despretensioso e comovente. Marcante. Um prazer de ler!


Autor: Cristina Campos
Páginas: 336
Editora: Marcador
ISBN: 9789897543173
Edição: 2018/ Maio

Sinopse:
Anna e Marina não se veem há muitos, muitos anos. Inseparáveis durante a infância nas praias ensolaradas de Maiorca, afastaramse cada vez mais. Anna, a irmã mais velha, loira e delicada, permaneceu na ilha, presa num casamento infeliz; Marina, a mariarapaz da família, fez do mundo a sua casa e vive onde a leva o seu trabalho na Médicos sem Fronteiras.

Quando descobrem que herdaram um moinho com uma padaria, as duas irmãs mal podem esperar para se livrar dele e continuar com as suas vidas. Mas, no momento da assinatura do contrato de venda do imóvel, Marina volta atrás. As circunstâncias e motivações por detrás da doação são demasiado misteriosas para serem ignoradas: quem era María Dolores? Que tipo de ligação tinha com elas essa mulher?

Graças à padaria e às antigas receitas familiares, Marina, Anna e a sua filha Anita encontrarão força para perdoar os erros do passado e enfrentar o difícil futuro que as aguarda. 

segunda-feira, 29 de junho de 2020

A Rapariga do Lago

A minha opinião:
A história de Becca. Os seus segredos. O crime de que foi vitima. Uma história bem contada numa narrativa paralela com a jornalista Kelsey Castle, também ela vitima de um crime. 
 
A capa espetacular lembra o crime  de Laura Palmer da série Twin Peaks e certamente não é coincidência. Uma deslumbrante estudante universitária é assassinada numa cidade ficcional muito especial como Summit Lake, nas montanhas Blue Ridge, na Carolina do Norte é difícil de dissociar. A envolvência daquele cenário idílico e o carisma de todas as personagens fazem com que esta narrativa intrigante e inteligente nos leve à deriva até ao final numa leitura compulsiva.
 
Um thriller assombroso pela narrativa cinematográfica naquela paisagem do lago. Faltou apenas uma carga de tensão maior- Poucos são os romances que tiram o sono para seguir a investigação com escassas pistas e sem suspeitos  do assassinato de uma personagem acarinhada. E o final valeu. Não o antecipei. Gostei!
 
Autor: Charlie Donlea
Páginas: 320
Editora: Editorial Presença
ISBN: 9789722365352
Edição: 2020/ junho

Sinopse:
Nenhum suspeito. Nenhum motivo aparente. Apenas uma rapariga que inesperadamente é encontrada morta.

Alguns lugares parecem demasiado belos para serem tocados pelo horror. A pequena cidade de Summit Lake, aninhada nas montanhas de Blue Ridge, na Carolina do Norte, é um desses lugares. Mas, há duas semanas, Becca Eckersley, uma estudante universitária de Direito, filha de um advogado poderoso, foi aí brutalmente assassinada. A cidade está em estado de choque e a polícia não dispõe de qualquer pista relevante.

De início, a repórter de investigação Kelsey Castle pensa que este é um caso simples de resolver. No entanto, a brutalidade do crime e os esforços para o manterem longe do mediatismo prenunciam algo bastante mais sinistro do que um crime aleatório perpetrado por um estranho. À medida que Kelsey investiga, apesar dos avisos e dos perigos que surgem no horizonte, ela começa a sentir uma crescente ligação à rapariga assassinada. E quanto mais descobre sobre as amizades de Becca e a sua vida amorosa - bem como sobre os seus segredos -, mais Kelsey se convence de que reconstituir os passos da vítima poderá ajudá-la a superar o seu próprio passado sombrio… 

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Caronte à Espera

A minha opinião:
Claudia Andrade é uma novidade para mim que desconhecia esta autora ou qualquer uma das suas obras. Curiosa, encarei este pequeno livro como um tesouro a descobrir, em que a sinopse faz jus ao texto elaborado, de linguagem requintada e erudita, mordaz, sobre um idoso, desencantado, que planeia o fim, mas que se vê de volta à cerimónia em que um rosto o intriga e a memória o atraiçoa. A debanda, é perturbadora e suficientemente esclarecedora. E... nem se pense em personagens boazinhas e benevolentes porque este pequeno romance, quase um conto poético e musical é perverso e algo negro. Surpreende. Estamos habituados a personagens diferentes, enquanto as que habitam este romance tem o Caronte à espera. Personagens nodosas.
 
Narrativa forte e ousada, que se estranha até que entranha.

Gostei muito mas impõe reler para bem entender.

 
 
 Autor: Cláudia Andrade
Páginas: 136
Editora: Elsinore
ISBN: 9789896689414
Edição: 2020/ junho

Sinopse:
Reformado, enfastiado e desapaixonado, Artur decide finalmente colocar um ponto final na sua vida. Chegou o momento de deixar para trás o tédio, as dores do corpo e todos os pequenos incómodos que, com o passar dos anos, ganham proporções desmesuradas. Mas eis que um rosto numa fotografia de casamento semeia a dúvida no espírito de Artur, uma sombra que teima em não mais largá-lo: quem é aquele homem, bonito e confiante, que surge entre família e amigos? Perante as respostas vagas da sua mulher, não resta a Artur outra hipótese senão adiar o seu plano e ajustar contas com o passado.

Depois de Quartos de Final e Outras Histórias — considerado um dos melhores livros do ano pela crítica —, Cláudia Andrade reafirma o seu lugar único na Literatura portuguesa com um romance pleno de ironia mordaz e crueza poética sobre a fragilidade do corpo, a memória e a pulsão da vida.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

O comboio das crianças

A minha opinião:
Amerigo é um menino de sete anos em 1946, no pós guerra em Nápoles. Sem pai, vive apenas com a mãe´. Um menino pobre que nunca teve sapatos seus e olha para os sapatos das pessoas. Um menino que tem a esperteza das crianças de rua e que um dia viajou no comboio dos comunistas para o Norte e conheceu outra vida. Outro destino.
 
A capa, expressiva, com o rosto do menino, sugeria-me outro tempo e se não tivesse lido a sinopse não o teria começado a ler e teria perdido o mundo visto pelos olhos desta criança. Um romance espantosamente bem escrito que impressiona porque escrever uma história em que o narrador/ protagonista é tão novo não é fácil. Não é um romance piegas ou fantasioso mas credível e terno. O amor de mãe e o amor divido ao meio de filho. Um amor que não se perde neste romance inesquecível.
 
Se não souber o que ler este verão, lembre-se deste romance. Não o vai pousar mal comece.  
 

Autor: Viola Ardone
Páginas: 296
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03267-6
Edição: 2020/ junho
 
Sinopse: 
Nápoles, 1946 Amerigo, um menino de sete anos, deixa a vida que sempre conheceu em Nápoles e parte num comboio. Não sozinho, mas no meio de milhares de outras crianças do Sul de Itália que atravessam o país para passarem alguns meses com uma família do Norte, enquanto a sua terra natal se reconstrói do caos e da destruição.
Com o espanto típico de uma criança de sete anos e a astúcia de um rapaz de rua, Amerigo mostra-nos uma Itália que renasce da guerra e conta-nos como, mesmo renunciando a tudo - até ao amor da própria mãe -, é nessa viagem que descobre o seu verdadeiro destino.
Um romance apaixonante sobre uma pequena testemunha de uma Grande Guerra e da sua luta pela sobrevivência e pelo amor. O fenómeno italiano vendido para 25 países que irá derreter o seu coração.

sábado, 20 de junho de 2020

E de Repente, a Alegria

A minha opinião:
Não é fácil explicar porque gosto tanto dos romances de Manuel Vilas. Ele é atormentado pela escuridão mas busca a luz. O sofrimento de que tomou consciência quando escreveu um romance. Em E, de repente, a alegria há 107 capítulos de apego aos fantasmas do passado e à vida como ela era para abraçar o presente numa prosa delicada.
 
"Eu andava deprimido sempre com Arnold de roda de mim.
porque na altura vivia só para o Arnold Schönberg: repara que inventei um nome ilustre para as minhas angústias, talvez os livros sirvam para isso, para adornar as nossas dores."

"Uma esperança à qual umas vezes chama beleza, e outras, alegria,  e há que ter fé na alegria, porque sem ela a vida humana não prevalecerá." (pag.239)
 
O que torna este romance arrebatador é a proximidade com o leitor que, acaba por se identificar com um protagonista tão complexo mas verdadeiro, que dá nome a sentimentos e emoções que nem sempre conseguimos definir. A lucidez é inebriante. A busca da verdade e de si mesmo também.  O amor que se perpetua de pais para filhos, testemunho de vida é o tema circular que Manuel Vilas não deixa cair, com rasgos de brilhantismo quando expande a sua análise para os outros. Politica, sociedade, natureza humana são assuntos sobre o qual reflete.

Eventualmente, não agradará a todos mas é um romance muito bom para muitos. A sinopse não deixa margem para dúvidas.

Autor: Manuel Vilas
Páginas: 408
Editora: Alfaguara
ISBN: 9789896659745
Edição: 2020/ maio
 
Sinopse: 
Desde o coração das suas memórias, um homem que arrasta tantos anos de passado como ilusões de futuro, recorre às suas recordações para iluminar a sua história. A história de um filho que tem de aprender a viver sem os pais, e de um pai que precisa de aceitar a viver mais longe dos filhos. Uma história que por vezes dói, mas que sempre acompanha.

Neste romance, a meio caminho entre a ficção e a confissão, o protagonista viaja pelo mundo e pelas suas memórias. É uma viagem com duas faces: a face pública, em que o protagonista-autor encontra os seus leitores; e o lado íntimo, em que aproveita cada momento de solidão para procurar a sua verdade.

Uma verdade que começa a despontar - dolorosa e inesperadamente - depois da morte dos pais, do divórcio, do afastamento do vício. Uma verdade que ganha novos matizes à medida que toma forma uma nova vida ao lado de um novo amor, uma vida em que os filhos se transformam na pedra angular sobre a qual gira a necessidade inadiável de encontrar a felicidade. Ou a alegria.

Se Em tudo havia beleza procurava no passado o caminho para regressar ao presente, aqui Manuel Vilas escreve uma história que vai buscar ímpeto ao passado para se lançar para o futuro e tudo o que ele pode trazer de inesperado. Depois da dor do auto-conhecimento, esta é a história da busca esperançada da alegria, essa reivindicação de fé e coragem em tempos convulsos, essa força maior da vida, que, como a beleza, pode estar em qualquer lugar.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Comida fit

A minha opinião:
Gordon Ramsay é um chef sobejamente conhecido pela sua participação em programas televisivos. Recordo-o pelo seu talento mas também pelo seu temperamento.
 
Gosto de comer. Sou o que chamam "Um bom garfo" e tenho que cozinhar para a família. Familia essa, que hoje em dia tem a preocupação consciente de exigir comida saudável, logo, este livro FABULOSO é absolutamente necessário. 
 
Comida saudável tem que ser equilibrada, saborosa e variada. Adequada à altura do ano e do dia. Este livro tem estes aspetos salvaguardados e deste modo, podemos selecionar os nossos pratos. E come-se com os olhos porque as fotos deixam qualquer leitor a salivar e apto a entrar na cozinha e a testar qualquer uma das receitas que Gordon sugere com arte. Recomendo Tacos de Peixe com Especiarias mas são tantas as receitas que não vou repetir. As saladas são divinais.
 
Muitos são os livros de receitas disponíveis no mercado mas este é especial. Atrevam-se a desfolhá-lo e não vão resistir.
 
Autor: Gordon Ramsay
Páginas: 288
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-06384-7
Edição: 2020/ Junho

Sinopse:
«Estas são as minhas receitas preferidas sempre que quero comer bem em casa. Tudo o que espero é que lhe sirvam de inspiração para começar a cozinhar pratos que lhe deem mais saúde, seja qual for o seu principal objetivo.»
GORDON RAMSAY

Chefe premiado e fanático da boa forma, Gordon Ramsay propõe o guia essencial para uma alimentação saudável. As mais de 100 deliciosas receitas deste livro prometem otimizar a sua saúde, forma e bem-estar geral, deixando-o satisfeito, saciado e cheio de energia