Páginas

domingo, 8 de novembro de 2020

E se o Natal, este ano, for em Novembro?

Participem no IG

Uma Paixão Simples

A minha opinião:
Um pequeno livro. Uma simples paixão. Pessoal. Intemporal porque os sentimentos assim o são. E universais.

Ao contrário do que eu imaginava, a escrita não é maçadora mas fluída e rica. É impossível não perceber o estado de paixão cega desta mulher. Profundamente honesto e solitário também. Desamparo e êxtase.

O tempo de escrita não tem nada que ver com o da paixão. A narrativa é uma partilha intima de um tempo fora do tempo em que não é ele ou ela mas o sentimento. Uma dádiva invertida. Uma dádiva para o leitor que comunga deste sentir.

Autor: Annie Ernaux
Páginas: 72
Editora:Porto Editora
ISBN: 978-989-711-080-1
Edição: 2020/ outubro

Sinopse: 
De um lado, uma mulher culta, independente, divorciada e já com filhos adultos. Do outro, um homem casado, estrangeiro, mais jovem, por quem ela perde completamente a cabeça. E por quem espera, dia após dia. Se o tema parece trivial, não o é, de todo, o modo como os dois anos que dura esta «paixão simples» são contados: no seu estilo frontal, acutilante, despido de vergonhas e julgamentos, Annie Ernaux desfoca a linha ténue entre ficção e autobiografia e põe na voz da narradora as confidências da história de uma relação que toma conta de tudo, que extasia e rebaixa, fonte da maior felicidade e da mais dolorosa solidão. Viver algo assim será, talvez, o maior privilégio da existência. Lançado em 1991, Uma Paixão Simples surpreendeu o panorama literário francês, quebrando os estereótipos do romance sentimental pelo seu erotismo e pela sua honestidade. Em 2020, é adaptado ao cinema por Danielle Arbid. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

O Último Voo

A minha opinião:
Duas mulheres em fuga que se cruzam no aeroporto e trocam de bilhetes e de identidades. Não é algo que tenha sido planeado, pelo menos por uma delas. Os planos de Claire passavam por fugir de um marido poderoso e violento. Clichê. Seria, se fosse restrito à ficção e não existissem gaiolas de ouro que iludidos cobiçam.

Alternadamente, ficamos a conhecer estas duas mulheres e as circunstâncias que as levaram até aquele ponto em que tinham que desaparecer e quando dei conta estava a meio do livro, arrebatada pela sua argúcia e inteligência e em suspense com o muito que tinham que superar.

Bem engendrada e bem contada esta história que li compulsivamente porque adorei estas duas mulheres. A violência doméstica e a falta de amor. O medo que quase as dobrou mas as levou a resistir. E o fim, que não foi o que eu desejava mas foi coerente com uma narrativa em que não antecipei as peripécias.  
Um bom thriller!

Autor: Julie Clark 
Páginas: 304
Editora: Marcador
ISBN: 9789897544576
Edição: 2020/ outubro

Sinopse: 
Claire Cook tem uma vida perfeita. É casada com o herdeiro de uma dinastia política, tem uma casa em Manhattan e dez empregados. O ambiente em que vive é elegante, os seus dias são perfeitamente coreografados e o seu futuro é auspicioso. Mas, à porta fechada, nada é o que parece. Esse marido perfeito tem um temperamento tão fulgurante como a sua promissora carreira política, e usa a sua equipa para seguir todos os passos de Claire, certificando-se de que ela cumpre as suas exigências impossíveis. Mas o que ele não sabe é que Claire preparou durante meses um plano para desaparecer.

Um encontro casual num bar do aeroporto fá-la conhecer uma mulher cujas circunstâncias parecem igualmente terríveis. Juntas, tomam uma decisão de última hora: trocam os bilhetes. Claire apanha o voo de Eva para Oakland e Eva apanha o de Claire para Porto Rico. Acreditam que a troca lhes dará a oportunidade de que precisam para recomeçar a vida num lugar distante. Mas o inesperado acontece…

O Último Voo é a história de duas mulheres - ambas sozinhas, com medo - e de uma decisão angustiante que mudará a trajetória das suas vidas.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Memória de uma cor

A minha opinião:
Começa por ser uma leitura fácil sobre duas pessoas no primeiro ano da faculdade que, inesperadamente ficam amigos, sem muito se exporem. A presença basta-lhes. Simples assim. Ou talvez não?!

O envolvimento de Kate com a família rica e privilegiada de Max vai ter consequências porque o desequilíbrio e a  obsessão ronda um dos membros e a partir desse ponto a trama ganha interesse. O rumo que seguiu não foi o que eu esperava e as psicoses e fragilidades que se revelam não foram inteiramente do meu agrado. Gosto de ler sobre personagens mais fortes e resilientes, apesar do sofrimento. Esta é uma história muito emocional. A depressão, a ansiedade, crises de pânico ou infelicidade que gera sofrimento físico, a violência sexual e a depressão. Temas bem atuais, infelizmente.

Próximo do fim percebi que a autora queria explorar o efeito do trauma, como que para purgar uma ferida, através de Zara e Kate. A mensagem passa mas é um tanto extensa e detalhada. No geral, é um romance marcado por uma cor, e os restantes tons são bastantes sombrios.

Autor: Rosie Price 
Páginas: 304
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03392-5
Edição: 2020/ outubro

Sinopse: 
Primeira semana de universidade. Max Rippon irrompe pelo quarto de Kate Quaile e a vida dela nunca mais será a mesma. Nos quatro anos seguintes, os dois tornam-se amigos inseparáveis. A influência da rapariga é essencial para atenuar os modos estouvados e a atitude demasiado despreocupada dele, e Max ajuda Kate a vencer a sua timidez natural e o isolamento a que ela voluntariamente se submete. Porém, conhecê-lo é também entrar na esfera de influência dos Rippon, uma família onde a generosidade e o elitismo, o à-vontade social e os ressentimentos privados andam de mãos dadas. A existência de Kate ganha um brilho dourado até ao dia em que uma festa de aniversário se transforma num acontecimento chocante, destruindo-a.
Memória de uma cor é um romance perspicaz e fascinante sobre poder, privilégio e consentimento, que explora os efeitos físicos e psicológicos do trauma, os sacrifícios exigidos no silêncio e a coragem necessária para falar abertamente sobre uma violação. No entanto, quando Kate finalmente consegue fazê-lo, há uma pergunta que se impõe: a quem pertence agora a sua história?

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

ENTRE A ESPADA E A PAREDE - DIÁRIO DE UM ASSASSINO

A minha opinião:
De quando em quando sou surpreendida com um autor que desconhecia e um livro que nunca tinha reparado. Um amigo presenteou-me com o que mais prezo. Um mimo! 

Diário de um assassino. Um solitário, que por dinheiro matou mas não sente culpa. Apenas o inquieta a possibilidade de ser preso. E o mais incrível é que o leitor sente empatia por este narrador/ personagem que não manifesta agressividade e gosta de alinhar os pensamentos por escrito quando não consegue dormir. 

E que bem que escreve. Não se trata de uma escrita datada, com uma linguagem arcaica e rebuscada, de difícil compreensão, antes precisa e fluída, contida até, para uma narrativa corrida de um excerto da vida de um homem. Um homem que ao contrário do que imaginei não era um serial-killer ou um mercenário. Um homem simples e bem educado. 

O melhor elogio a este pequeno romance intemporal encontra-se na contracapa:

"Que este livro magistral não tenha tido nenhum êxito em 1933... mais extravagante ainda é."

Autor: Tristan Bernard
Páginas: 160
Editora: Sistema Solar
ISBN: 9789898833501
Edição: 2020/ julho

Sinopse: 

Não sinto remorsos. Se tenho qualquer coisa contra mim, não é ter matado. O que eu sinto é pena por ter envenenado a minha vida com esta ameaça de prisão.

 


Mas este «teatral» Tristan Bernard também escreveu romances, na maior parte defendidos da sua fulgurante veia humorística; inesperadas ficções que saíam de outro tom — por vezes amargo e sem nada que o ligasse ao que pontualmente se lia, caucionado pelo seu nome em páginas de revistas e jornais. Foi a sobrevoar esta segunda onda que Bernard, aos sessenta e sete anos de idade, publicou Aux abois (Entre a Espada e a Parede), o seu mais talentoso romance, como já é reconhecido por essa lucidez que a passagem do tempo — a grande varredora de glórias efémeras momento a momento construídas — concede ao julgamento desembaraçado dos compromissos e amiguismos que condicionam com tanta frequência a decisão crítica.

Tem-se dito que Entre a Espada e a Parede é um inegável devedor do Crime e Castigo de Dostoiévski, o mais célebre exemplo literário do acto assassino desmotivado […]; também se diz que foi inspirador do eixo central de L’Étranger de Albert Camus, embora não se conheça uma palavra deste autor que permita dar como firme uma tal filiação.

No que toca a Dostoiévski, depois de alguma semelhança entre os crimes frios do seu Raskolnikov e o deste Duméry, tudo é diferente porque o assassino russo se prolonga numa implacável peregrinação expiatória, enquanto o assassino de Aux abois vive numa ausência de sensação de culpa, numa entrega passiva e com qualquer coisa de entediada aos prazeres que a sua desenvolta situação financeira lhe proporciona.

Duméry está bastante mais próximo do Mersault de Camus; há nas duas narrativas uma história de tempo interior com sucessivas emoções a determinarem a forma como esse tempo se reflecte no tempo exterior; a personagem de Camus não sente, como a de Bernard, remorsos que lhe alterem a energia dos actos de vida, apenas lamenta as consequências práticas — os incómodos da ocultação, a fuga à Justiça — que lhe perturbam a comodidade do quotidiano. Serei ou não uma criatura abominável?, é aqui a crucial interrogação. Não é a pergunta que devo fazer. Verifico isto: não sinto remorsos. Se tenho qualquer coisa contra mim, não é ter matado. O que eu sinto é pena por ter envenenado a minha vida com esta ameaça de prisão.

Consentimento

A minha opinião:
Estarrecida li este romance autobiográfico de uma franqueza desarmante sobre uma relação ilícita de um homem maduro com uma adolescente carente e solitária. Um relato terrivelmente corajoso e simultaneamente um brilhante acerto de contas com este intelectual predador.

As personagens não tem nome próprio, apenas as iniciais. E nesta narrativa carregada de tensão não há lugar para a vulgaridade ou obscenidades, apenas a lucidez de quem refletiu sobre o assunto anos depois e o deixou como testemunho numa escrita sublime. Um tema que pode dar azo a polémica e sempre atual.

Um romance que é um grito de libertação. Um romance de intervenção. Quisera eu que muitos mais fossem os leitores a quem chegasse. 

Autor: Vanessa Springora
Páginas: 184
Editora: Alfaguara
ISBN: 9789897840494
Edição: 2020/ setembro

Sinopse: 
Paris, meados da década de 80: a jovem V. procura nas páginas dos livros algo que preencha o vazio de afecto deixado pelo divórcio dos pais. Com treze anos, num jantar, conhece G., escritor, figura da elite intelectual parisiense, semblante de monge budista e «olhos de um azul sobrenatural». Desconhece a reputação sulfurosa de que o escritor de cinquenta anos goza e desde o primeiro olhar é conquistada pelo magnetismo daquele homem, pelos olhares que lhe dedica. Depois de um meticuloso cortejo de algumas semanas, V.entrega-se a G. de corpo e alma.

O idílio amoroso chega ao fim quando V. percebe, com uma terrível desilusão, que G. coleciona relações com adolescentes e que faz das sucessivas conquistas a matéria-prima da sua obra literária. Debaixo da aparência melíflua de homem de letras esconde-se um perigoso predador, enfeitiçado pela juventude das suas vítimas, encoberto por uma sociedade complacente.

Mais de trinta anos volvidos sobre os factos, Vanessa Springora narra, de forma lúcida e fulgurante, esta história de amor e perversão. Uma história individual - a sua história com o escritor Gabriel Matzneff - que espelha tantas outras e que expõe as derivas de uma época deslumbrada pelo talento e pela celebridade. Corajoso e comovente, este romance autobiográfico incendiou o meio literário francês e reacendeu o debate sobre o consentimento um pouco por todo o mundo.


terça-feira, 27 de outubro de 2020

Terra Alta

A minha opinião:
Há algum tempo que não lia um romance policial tão fixe.

Terra Alta, fica na Catalunha. Não sabia. Sucintamente, o autor contextualiza onde se passa a ação numa escrita apurada e elegante, enquanto se trata da investigação de um triplo homicídio.

A história pessoal de Melchor prendeu-me obsessivamente até terminar de ler este livro. O romance "Os Miseráveis" mudou-lhe a vida. 

"... metade de um romance o põe quem o escreve e a outra metade, quem o lê."

Melchor é um grande leitor. E uma grande personagem, mas não a única. O Francês é uma personagem secundária que, pouco interveio, mas que me fascinou. O encontro com o romancista é das passagens que mais gozo me deram ler, numa história que não se limita ao crime. A desolação daquela terra, a pobreza do povo e o efeito da guerra não estão dissociados.

O crime é um enigma desafiante que Melchor não deixa encerrar e como tal, o final não podia deixar de ser empolgante e algo surpreendente. As questões que se impõem como a legitimidade da vingança e o valor da lei e da justiça perante duas verdades antagónicas foi bem resolvido. Muito, muito, muito bom.

Gostaria muito de continuar a segui-lo, mas não me parece muito provável. 

Autor: Javier Cercas
Páginas: 296
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03348-2
Edição: 2020/ outubro

Sinopse: 
Um crime terrível abala a pacata comarca da Terra Alta: os donos da sua maior empresa, as Gráficas Adell, aparecem mortos, barbaramente assassinados. Quem toma conta do caso é Melchor Marín, jovem polícia e leitor voraz que chegou de Barcelona quatro anos antes. Sobre os ombros carrega um passado obscuro que o converteu numa lenda junto das forças policiais, mas que ele acredita ter enterrado sob uma vida feliz como marido da bibliotecária da povoação e pai de uma menina chamada Cosette, tal como a filha de Jean Valjean, o protagonista d'Os Miseráveis, o seu livro preferido.

Com uma narrativa intensa e repleta de personagens memoráveis, este romance é uma reflexão lúcida sobre o valor da lei, a possibilidade de se fazer justiça e a legitimidade da vingança. Mas, mais do que tudo, é a epopeia de um homem em busca do seu lugar no mundo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

A Vida Brinca Comigo

A minha opinião:
Vera era pragmática, decidida e impaciente e, como dizia de si própria, "sem a menor paciência para malvados e estúpidos". Vera tinha uma história difícil, antes de entrar na vida de Rafael e Túvia, o que tinha afetado profundamente Nina, a sua bela filha. Guili é a neta, filha de Rafael e Nina, que desde cedo os abandonou. Uma história agridoce, onde há amor e tristeza, que a escrita apurada de David não permite ignorar sem marcar.

"Temos filme?" A convivência de Vera, Nina, Rafi e Guili, com o tanto que têm para resolver de culpa, remorso ou vergonha, num filme dramático em que a protagonista é a nonagenária, mas em que todos têm de desempenhar bem o seu papel intenso. Vidas que viviam no fio da navalha.

"Em geral... a vida prega-me muitas partidas." diz Vera.

Um romance implacável. Quase fisicamente doloroso, dada a tensão que trespassa nas palavras.
E o amor absoluto que os unia. Uma viagem ao princípio, em que as memórias e as escolhas entram na equação. Uma viagem ao passado de má memória com o cruel conflito dos Balcãs.

Autor: David Grossman
Páginas: 328
Editora: Dom Quixote
ISBN: 9789722069854
Edição: 2020/ setembro

Sinopse: 
Por ocasião da festa dos noventa anos de Vera, Nina regressa a Israel: apanhou três aviões, que a trouxeram do Ártico até ao kibutz para se reencontrar com a euforia da mãe, a raiva da filha, Guili, e a veneração intacta de Rafi, o homem que, apesar de tudo, ainda perde todas as suas defesas quando a vê.

Desta vez, Nina não pretende fugir: ela quer que a mãe acabe por contar o que aconteceu na Jugoslávia durante a primeira parte da sua vida, quando, jovem judia croata, se apaixonou por Milosz, filho de camponeses sérvios sem terra. Nina quer saber mais sobre o seu pai, Milosz, preso sob a acusação de ser um espião estalinista. E porque é que Vera foi deportada para o campo de reeducação na ilha de Goli Otok, abandonando-a quando tinha apenas seis anos.

Para desvendar os mistérios do passado, Nina sugere um regresso ao lugar de horror que sugou Vera, marcando o destino de todas elas. A viagem de Vera, Nina, Guili e Rafi a Goli Otok acaba por se transformar num confronto dramático que quebra o silêncio, despertando sentimentos e emoções com a violência da tempestade que atinge as falésias da ilha. Uma viagem catártica, confiada à filmagem de uma câmara de vídeo, onde a memória e o esquecimento se fundem num único testemunho imperfeito.


domingo, 18 de outubro de 2020

Quem é amado nunca morre

A minha opinião:
Victoria Hislop escreve romances como ninguém que eu tenha lido, com base na História recente da Grécia. Marcantes porque reflectem as clivagens sociais e políticas que conduziram a profundos dramas familiares como é o do irmãos Koralis, que se iniciou em 1930. A cisma entre esquerda e direita dividiu o povo e com o termo da guerra perderam a humanidade numa narrativa tocante que trespassa o leitor através do profundo sentir das personagens.

Esta é a história de vida de Themis que a deixa como legado a dois netos. E é uma história impressionante de uma mulher comum com uma vida extraordinária de coragem e resiliência que aprendeu desde cedo o valor do silêncio. E mais tarde, da flexibilidade.

A escrita, as personagens e o enredo são de uma força que não se esquece e que em determinadas passagens até me deixou com falta de ar, mas a ligação com as crianças encheu-me o coração. Afinal, "quem é amado nunca morre" como dizia o poeta.

Autor: Victoria Hislop
Páginas: 432
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03379-6
Edição: 2020/ setembro

Sinopse: 

Atenas, abril de 1941. Tendo resistido a uma primeira tentativa de invasão, a Grécia é ocupada pelas potências do Eixo. Após décadas de incerteza, o país encontra-se dividido entre a direita e a esquerda políticas. Themis, então com quinze anos, vem de uma família separada por essas diferenças ideológicas. A ocupação nazi não só aprofunda a discórdia entre aqueles que a rapariga ama, como reduz a Grécia à miséria. É impossível ficar indiferente: na fome que se seguiu à ocupação, e que lhe levou os amigos, os atos de resistência são quase um imperativo moral para ela.

Porém, o sucesso de um dos movimentos de resistência mais eficazesna europa ocupada volta-secontra o próprio e, com o fim da ocupação, advém a guerra civil. Themis junta-se ao exército comunista, onde experimenta os extremos do amor e do ódio. Quando por fim é presa nas ilhas do exílio, encontra outra mulher cuja vida se entrelaçará com a sua de maneiras que nenhuma delas poderia antecipar, e descobre que deve pesar os seus princípios contra o desejo de viver.

Um romance poderoso, que lança luz sobre a complexidade e o trauma do passado da Grécia, a partir da vida extraordinária de uma mulher comum.

Festa de Família

A minha opinião:
Quatro jovens mulheres, muito diferentes umas das outras, mas entendiam-se muito bem e acabaram por se tornar amigas inseparáveis.

Histórias de vida em que Sveva Casati Modignani é especialista. Os romances são um deleite que não perco. Durante anos li todos os romances desta autora, que conquistou leitores e ganhou nome, mas por fim comecei a cansar (aparte que surgiu em conversa com uma boa amiga livrólica). Este romance reconciliou-me com a autora que conhece bem a natureza feminina e sabe contar histórias que nos aproximam de nós próprias. Romances que confortam. E não menos importante, apelam ao palato com a maravilhosa gastronomia.

A amizade destas quatro mulheres que se reuniam semanalmente para jantar e dar á lingua era um elo forte como o de uma familia. Mulheres batalhadoras e de sucesso. Um romance que reproduz as histórias de princesas que nos continuam a fazer sonhar. Mulheres que se impõem e realizam. 
Mais um romance da Sveva que é um bálsamo para a alma. E que bem que ela o sabe fazer.

Autor: Sveva Casati Modignani
Páginas: 280
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03386-4
Edição: 2020/ outubro

Sinopse: 
É quase Natal. Em Milão, num restaurante da Piazza Novelli já decorado de forma festiva, a proprietária prepara-se para receber as habituais clientes das quintas-feiras. Andreina, Carlotta, Gloria e Maria Sole: quatro jovens amigas que a cada semana se permitem um momento de conversa fiada e confidências. Duas solteiras, duas casadas, todas se debatem com as dúvidas do coração: relacionamentos que as fazem infelizes, homens que após grandes declarações e presentes preciosos desaparecem ou entram no modo chinelo e pensam que o maior desejo de qualquer mulher é um robot de cozinha.
Naquela noite, há um aniversário para comemorar. Mas há também uma confissão inesperada: Andreina está à espera de bebé.
Com um novo ano em perspetiva, e enquanto procura um pouco de paz na bela Villa Sans-souci de Paraggi, que herdou da avó materna, Maria Sole relembra o grande engano que foi o seu casamento e questiona-se sobre como foi possível não notar que o marido não era o que parecia, mesmo conhecendo-o desde a infância.
Refazendo as memórias contidas nos quartos da vila, a jovem percebe que a sua família sempre viveu envolta em secretismos, para não sujar a imagem de respeitabilidade. Felizmente, tem as amigas a seu lado, prontas para se apoiarem nos momentos difíceis.

Cada uma das quatro enfrenta o ano novo com um novo desafio e a sua força será o vínculo que as une como irmãs. Como uma família sincera.
Uma história de recomeços e afetos a manter como tesouros preciosos.