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terça-feira, 30 de novembro de 2021

Ecologia

A minha opinião: 

Perplexa li Ecologia e nem sei o que pensar mas gostei. Estranha-se mas entranha-se. As palavras têm um custo e neste romance não é o custo mas o impacto quando me atingem com a força da realidade de uma distopia. Confuso, é o alternar de personagens, maioritáriamente femininas que partilham o seu sentir. O resto é eco de tudo o que sabemos errado numa escrita exemplar. Muito perturbador e acutilante e neste registo toca a escala próxima do individuo, do casal, da familia.

Mordaz, sarcástico, irónico, amargo e até divertido e sem dúvida muito inteligente. Obriga a algumas paragens para processar se se encaixar noutros contextos e avaliarmos por outros angulos. Nada parecido com algo que tenha lido. E sem dúvida, para reler e será uma outra leitura este inquistionável hino à linguagem humana. Algo que dificilmente refletimos e tanta relevância têm. 

Autor: Joana Bértholo
Páginas: 504
Editora: Editorial Caminho
ISBN: 9789722129374
Edição: 2020/ setembro 

Sinopse:
Numa sociedade que se fundiu com o mercado - tudo se compra, tudo se vende - começamos a pagar pelas palavras.

A estranheza inicial dá lugar ao entusiasmo.
Afinal, como é que falar podia permanecer gratuito? Há seis mil idiomas no mundo.
Seis mil formas diferentes de dizer ecologia, e tão pouca ecologia.
Seis mil formas diferentes de dizer paz, e tão pouca
paz. Seis mil formas diferentes de dizer juntos, e cada um por si.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Marilyn - Uma Biografia

A minha opinião: 

Nesta incursão nada vulgar em mim li mais uma novela gráfica e desta feita uma biografia de uma mulher que transformaram num ícone sexual eterno. O mito Mrilyn Monroe não desaparece ou desvanece e a mulher Norma Jean Baker, uma pobre coitada, também parece ser demasiado conhecida e popular. Será que esta mulher brilhante que poucos conheciam intimamente foi justamente imortalizada?

Não sabia que tinha uma importante e interessante biblioteca pesssoal e que, ler e escrever sempre a ajudou nas alturas mais difíceis da sua vida. Contudo, não a salvou e quando li "Os sete maridos de Evelyn Hugo" achei que havia muitas semelhanças com o que já sabia sobre a sua vida e que tinha servido como uma das fontes de inspiração da autora e continuo convencida disso.

Uma mulher à frente do seu tempo que queria ser livre e vingar na sua arte. Bonita homenagem.

Autor: María Hesse
Páginas: 184
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9789897843457
Edição: 2021/ setembro 

Sinopse:
Quem era a verdadeira Norma Jeane Baker?
A actriz mais conhecida da História do cinema, o símbolo sexual de uma era inteira, o protótipo, por excelência, de loira burra e, sobretudo, alguém que, até hoje, permanece uma grande incógnita.

Depois de fazer os corações de Frida Kahlo e Bowie florescer, descobrindo o seu lado mais humano, María Hesse revela a alma de Marilyn Monroe, uma mulher que, como tantas outras das suas contemporâneas, explodiu todos os cânones e merece ser lembrada, hoje mais do que nunca, pelo seu talento, a sua sensibilidade, a sua inteligência e as barreiras que quebrou.

Verdades Ocultas

A minha opinião: 

Não há como evitar. Os romances policiais desta dupla de escritores nesta saga, são tremendamente viciantes. Pensar no Sebastian Bergman e ver o livro pousado não era viável e bastou ler as primeiras páginas para não parar. 
Vanja é a chefe da equipa e Sebastian é avô. Mas há mais... Billy, Billy... E Júlia!??? E a lista de alvos. E que desfecho foi aquele???

Em cada livro fica alguma sítuação crítica com alguns dos investigadores por resolver desta brilhante equipa que vive no limite. Como os assassinos. 

O enredo não é original. Verdades ocultas que urge vingar e um gatilho numa festa muito típica de reencontro escolar dez anos depois. Verdades ocultas que não se pode negar quando um "esqueleto aparece". O jogo psicológico que leva a equipa de Unidade de Homicídios a decifrar o mote para os crimes e o suspense e a lógica por trás de todas as ações é o factor que a torna tão envolvente e viciante para o leitor. E a psicopatia que um especialista em perfil criminal como Sebastian Bergman reconhece e a narrativa atinge um  novo pico de adrenalina. 

A melhor saga que li nos últimos tempos. Estou fã. Supunha que era o último mas ainda não foi desta. Contudo, acho que está a perder o fulgor. Venha o próxima para ver como ficamos. 

Autor: Hjorth e Rosenfeldt
Páginas: 472
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9789897844591
Edição: 2021/ novembro 

Sinopse:
Três assassinatos em poucos dias. A tranquila cidade sueca de Karlshamn é tomada pelo terror. Vanja e os seus colegas estão sob pressão para parar o atirador antes que ele mate mais pessoas. Mas não há pistas nem testemunhas nem ligações claras entre as vítimas.

Três anos após os acontecimentos que vivenciaram em Mentiras consentidas, Vanja , Torkel , Ursula , Billy e o resto da equipa da Unidade de Homicídios de Estocolmo têm lidar com um assassino em série que deixou um rastro de cadáveres na pequena cidade costeira de Karlshamn . Mas não há pistas, testemunhas ou ligações claras entre as vítimas. Sebastian Bergman escolheu uma vida mais tranquila desde que se tornou avô, regressando ao trabalho de psicólogo e terapeuta.

No entanto, o seu mundo abala quando um australiano lhe pede ajuda para processar a experiência que viveu no tsunami de 2004, durante o qual o próprio Sebastian perdeu a esposa e a filha. Desde o assassinato em Uppsala, três anos atrás, Billy , o ex colega de Sebastian, nunca mais parou de matar, mas, ao tornar se pai, decide parar. Mas as circunstâncias não permitirão que o passado seja esquecido. A questão é: até aonde irá Billy para se certificar de que não será descoberto?

Obscuritas

 

A minha opinião: 

Gosto de policiais mas este estava longe de me agarrar e foram precisas quase cem páginas para começar a sentir empatia pela rapariga dos subúrbios, Micaela Vargas, e pelo Professor Hans Rekke. Eventualmente é propositado porque as personagens centrais são tão retorcidas como a vida. Não porque tenham defeitos óbvios mas é preciso conhecê-los melhor para o desvendar e depois admirar. A mitologia familiar de Rekke com os "black dogs" e os problemáticos irmãos de Vargas não se dão logo a conhecer e quando isso acontece ficamos enredados na trama.

Obscuro, inquietante e engenhoso. Nada é o que parece. Nem a vitima, os investigadores ou as entidades oficiais nesta intriga ao mais alto nível. Obscuritas.

Promissor. Gostei muito. Mais uma saga de uma equipa disfuncional que vamos seguir. Outra dinâmica mas muito viciante.

Autor: David Lagercrantz
Páginas: 400
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03451-9
Edição: 2021/ outubro 

Sinopse:
Estamos no verão de 2003 e os Estados Unidos acabaram de invadir o Iraque. Em Estocolmo, um árbitro de futebol de origem afegã é assassinado. Giuseppe Costa, o pai de um dos jogadores, é preso pelo crime. No entanto, Costa insiste na sua inocência e a Polícia decide consultar o Professor Hans Rekke, um especialista em técnicas de interrogatório reconhecido mundialmente.

Mas nada acontece como era esperado. Com um admirável raciocínio, Rekke descarta por completo a investigação preliminar, fazendo desmoronar todo o caso. Costa é libertado e a Polícia não sabe que caminho seguir. Contudo, Micaela Vargas, uma jovem agente entretanto afastada do processo, não baixa os braços e volta a procurar o Professor, porém ele não atende nem retribui as suas chamadas.

Uma circunstância insólita e dramática, contudo, juntará uma vez mais esta dupla singular, agora decidida a retomar o enigmático caso que acaba por conduzi-los a uma caça ao terrorista levada a cabo pela CIA e à guerra dos talibãs contra a música.

Afinal quem era aquele árbitro? Uma vítima ou um criminoso?

Obscuritas é um livro engenhoso e apaixonante onde nada é o que parece.

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

O Lugar do Morto

 

A minha opinião: 

José Eduardo Agualusa, já o referi, não era para mim. Nada mais errado e mais uma vez confirmado com este pequeno livro que li compulsivamente desde que o abri. Apesar de ter sido publicado há dez anos e de ser sobejamente conhecido continua atual e pertinente, e ainda muito divertido, e eu não o tinjha lido por preconceito. Estúpido, porque julgando sem ler que não tendo que não tendo qualquer ligação a África e à nossa História comum com as ex-colónias não teria empatia suficiente para o entender.

Os portugueses não gostam de asas é uma crónica que com pouco diz muito, aliás, diz tudo, e esta do Eça de Queiroz, que além túmulo o diria e me assombrou a ponto de ler e reler. E depois foi sempre a abrir e reflectir nas palavras sábias de Leopold Sé dar Senghor, Machado de Assis, sir Richard Burton, Vinicius de Moraes e Camilo Castelo Branco (os que mais gostei) dos 24 que testemunham a sua visão póstuma. Os livros, os autores, as editoras e a lingua. Amei. Acho que vou reformular o meu pensar para mudar o meu sentir sobre alguns autores de raízes africanas.

Autor: José Eduardo Agualusa
Páginas: 160
Editora: Tinta da China
ISBN: 9789896710729
Edição: 2011/ fevereiro 

Sinopse: 
Num exercício de simbiose literária absolutamente original, Agualusa dá voz a grandes escritores, levando-os a comentar o mundo e a actualidade:
Jorge Luis Borges comenta a concentração dos grandes grupos editoriais.
Fernando Pessoa conversa com a fadista Ana Moura.
Machado de Assis discursa sobre o novo Acordo Ortográfico, Portugal e o Brasil.
Sir Richard Burton, escritor poliglota, indigna-se contra fronteiras e perseguições de imigrantes.
Jorge Amado rasteira os patrulheiros do politicamente correcto.
Vinicius de Moraes louva o músico e escritor Chico Buarque.
Sophia de Mello Breyner aprecia Mia Couto e fala do amor.
Saint-Exupéry está convicto da superior taxa de sucesso dos escritores-aviadores.
Padre António Vieira defende o futuro do português e a criação de uma Academia da Língua Portuguesa.
Camilo Castelo Branco delicia-se com as leituras públicas e abomina os e-books...

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Teoria Geral do Esquecimento

A minha opinião: 

Não esperava e não foi por falta de ouvir falar bem mas resisti. Agualusa não era para mim. A Teoria Geral do Esquecimento, apesar de ser um pequeno livro também não me parecia ter grande história, e girava em torno de uma mulher que se isola no seu apartamento durante anos quando se deu a Revolução em Angola.

Uma visão simplicista para uma narrativa vibrante e cheia de peripécias, com algumas poucas personagens extraordinárias em torno desta personagem central, que ao contrário, do que eu esperava, não é nada passiva. Cativante. Pequenos capítulos de frases curtas impulsionam para uma leitura voraz. E no fim, a teoria geral do esquecimento fica completa, como a humanidade precisa que o seja com todas as suas perdas. Afinal, a maldade também precisa de descansar. E como leitora precisava de um livro assim.

Autor: José Eduardo Agualusa
Páginas: 248
Editora: Quetzal Editores
ISBN: 9789897224416
Edição: 2018/ novembro 

Sinopse: 

Durante os tumultos da véspera da indepencência de Angola, Ludovica Fernandes Mano - aterrorizada com os acontecimentos - decide proteger-se e isolar-se no seu apartamento. Ergue uma parede separando o seu apartamento do resto do edifício - do resto do mundo. Durante quase trinta anos sobrevive a custo, como uma náufraga numa ilha deserta, vendo, em redor, Luanda crescer, exultar, sofrer. Morre em Luanda na Clinica Sagrada Esperança (curiosamente, o título de um livro de poemas de Agostinho Neto), na madrugada de 5 de outubro de 2010, contando oitenta e cinco dias. Durante esses trinta anos, Ludovica ("Ludo") escreve um diário, vários poemas e um vasto conjunto de reflexões sobre esse período - além de desenhos a carvão nas paredes do apartamento.
Tudo registado em cadernos e papeis que Sabalu Estevão Capitango ofereceu ao narrador deste livro...

terça-feira, 9 de novembro de 2021

A Bastarda de Istambul

A minha opinião: 

Elif Shafak já entrou na órbita de escritores que não dispenso, com histórias coloridas e magnéticas que se passam em Istambul. E personagens femininas incriveis. A bastarda não é exceção. Uma personagem assim não poderia nascer numa familia normal mas numa em que havia demasiadas mulheres e demasiados segredos acerca de homens que tinham desaparecido demasiado cedo e de um modo demasiado peculiar; e que por mais que se esforçasse nunca iria ser bela. 

E depois, temos Armanoush, filha única de pais ressentidamente divorciados, provenientes de contextos culturais diferentes. Arménio-americana. E quando estas duas personagens se cruzam inalamos caos e vida nas páginas deste romance e que numa palavra se pode caracterizar como burlesco. Apesar de o que está em causa é a continuidade da memória humana com o que se passou entre duas etnias em Istambul. 

De realçar, os muitos escritores que este romance serve de ponte, como Milan Kundera, entre outros. 

Ma-ra-vi-lho-so. Revigorante, o que li de sorriso arregalado até meio mas depois assume um tom mais dramático com a saga familiar.

Autor: Elif Shafak
Páginas: 372
Editora: Jacarandá
ISBN: 9789898752376
Edição: 2015/ janeiro 

Sinopse: 
Numa tarde de chuva em Istambul, uma mulher entra num consultório médico. «Preciso de fazer um aborto», declara. Tem dezanove anos de idade e é solteira. O que acontece naquela tarde mudará para sempre a sua vida.
Vinte anos mais tarde, Asya Kazanci vive com sua família alargada em Istambul. Devido a uma misteriosa maldição que caiu sobre a família, todos os homens Kazanci morrem aos quarenta e poucos anos, e por isso é apenas uma casa de mulheres. Entre estas destaca-se a bela e rebelde mãe de Asya, Zeliha, que dirige um estúdio de tatuagens; Banu, que recentemente descobriu que é vidente; Feride, uma hipocondríaca obcecada com a iminência da tragédia.
Quando a prima de Asya, Armanoush, uma arménio-americana, vem para ficar, segredos de família há muito tempo escondidos, relacionados com o passado tumultuoso da Turquia, começam a ser revelados.

Quarteto de Havana II

A minha opinião: 

Não é um romance de leitura compulsiva. É um romance, policial. Ou seja, começa com um crime que o tenente Mário Conde e o sargento Manuel Palácios são chamados a investigar pelo Velho, o major Rangel, num abrasador dia verão de 1989 mas a trama envolve toda a vida na ilha em que a beleza e profundidade das palavras impõe uma leitura pausada e analítica que, apenas um romance de rara qualidade exige. E quem já leu Leonardo Padura saberá mas eu fui apanhada de surpresa. O ambiente e as personagens são de grande realismo quando expõe a natureza humana a nú e sem muito esforço através do viril e sedutor mas algo abatido Mario Conde. 

Conde que se desdobrou em quatro romances para a tetratologia de "As quatro estações". Neste segundo volume, o verão e o outono. No verão, a vitima é um gay e no outono, um desertor. E muitas dissertações tece este investigador até achar o criminoso e o móbil para os crimes e sem descurar os amigos. Despojado e comovedor. Um protagonista inesquecível.

Autor: Leonardo Padura
Páginas: 436
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03399-4
Edição: 2021/ agosto 

Sinopse: 
Em "Morte em Havana", encontra-se o corpo de um homem: trata-se do filho de um respeitado diplomata cubano, estrangulado com a faixa de seda vermelha que devia cingir a cintura do imponente vestido que usava quando foi assassinado. Para resolver este estranho caso, o tenente Mario Conde começa por falar com Marqués, um homossexual excêntrico, desterrado num casarão decrépito, que lhe apresentará o mundo labiríntico do travestismo, onde nada é o que parece.
Em "Paisagem de Outono", Miguel Forcade Mier é brutalmente assassinado e cabe a Mario Conde descobrir por quem e porquê. Depois da Revolução, a vítima havia sido responsável pela expropriação de bens artísticos à burguesia, o que lhe permitiu conquistar poder, influência e muitos ressentimentos. Porém, acaba por decidir mudar-se para Miami, ficando lá até pouco antes da sua morte. Mas que veio Mier fazer a Cuba? Que queria ele recuperar? Conde, perito nas teias da corrupção cubana, tudo fará para deslindar o mistério.
"Morte em Havana" e "Paisagem de Outono", protagonizados pelo já conhecido tenente Mario Conde, compõem o segundo volume do Quarteto de Havana, no qual Leonardo Padura representa magistralmente o ambiente cubano, sem deixar de lado o refinado humor que o leitor tão bem lhe conhece.

domingo, 31 de outubro de 2021

O Livro do Conforto

 

A minha opinião: 

O livro do conforto é isso mesmo. Não poderia ser mais adequado. Como a nossa perspectiva pode mudar o nosso mundo. E esta perspectiva não depende apenas de condições externas, mas do prórprio leitor. O leitor que precisa de esperança e animo para ultrapassar as falácias que a depressão alimenta. Dicas e reflexões muito úteis de quem sabe. Um livro para ter à mão.

Matt Haig entrou no meu rol de leituras quando tive noção de que tinha um familiar próximo que sofria de depressão. E precisava de entender este flagelo e como ajudar. E o tempo e o bom senso, com o tanto que li, vão fazendo a diferença. Eventualmente, o livro do conforto pode ser o que alguém precisa e não é demais recomendar.

Autor: Matt Haig
Páginas: 272
Editora: Albatroz
ISBN: 978-989-739-137-8
Edição: 2021/ setembro 

Sinopse: 
O Livro do Conforto é uma coleção de singelas lições aprendidas em tempos difíceis e sugestões para melhorar os dias menos bons. Baseando-se em máximas, memórias e em vidas inspiradoras, estes pequenos textos celebram a maravilha da vida em constante mudança e são uma nova perspetiva sobre todos os seus altos e baixos. Porque a felicidade acontece quando nos esquecemos de quem devemos ser, Matt Haig lembra-nos de desacelerar e apreciar a beleza e imprevisibilidade da vida. Este é o livro que deve ter à mão quando precisar da sabedoria de um amigo, do conforto de um abraço ou de um lembrete para manter a esperança nos momentos mais difíceis.

O Segredo da Boticária

A minha opinião: 

Gostos não se discutem mas o meu adora esta capa. E quando li a sinopse soube que provavelmente seria umn daqueles romances que muito gosto me daria ler. E não errei. Uma narrativa estupenda de suspense e intriga a dois tempos com grandes protagonistas femininas. Daquelas que não se esquecem e não contamos encontrar. 

As minúcias da vida nos segredos não contados exerce uma grande atração numa curiosa como eu. Ahhhh, e adoro mulheres que vingam. A morte por envenenamento, é, pela sua natureza, um assunto muito intimo e entre a vitima e o vilão costuma existir um elemento de confiança. É impossível determinar a quantidade de individuos que faleceram na cidade de Londres georgiana quando a toxicologia forense ainda não existia.

Um romance que esperava leve e entretenimento e se revelou intrigante, bem estruturado e de leitura compulsiva. Uma boa trama que corre a bom ritmo. Um mistério com duzentos anos que adorei desvendar e um pouco de magia para um final aprazível.

Autor: Sarah Penner
Páginas: 448
Editora: HARPER COLLINS
ISBN: 9788491396734
Edição: 2021/ novembro 

Sinopse: 
Escondida nas entranhas de Londres do século XVIII, uma botica secreta serve uma clientela pouco usual. Entre as mulheres londrinas, fala-se sobre uma mulher misteriosa chamada Nella que vende venenos bem disfarçados de remédios àquelas que precisem deles para os usar contra os homens que as maltratam. Contudo, o destino desta boticária fica comprometido quando a sua nova protegida, uma rapariga precoce de 12 anos, comete um erro fatal que terá consequências cujo eco se manterá durante séculos.

Na atualidade, uma aspirante a historiadora chamada Caroline Parcewell passa o seu décimo aniversário de casamento sozinha, enfrentando os seus próprios demónios. Então, encontrará uma pista para resolver os assassinatos misteriosos que fizeram Londres tremer há mais de duzentos anos. A sua vida misturar-se-á com a da boticária numa reviravolta surpreendente do destino. E nem todos sobreviverão.

O Segredo da Boticária é uma estreia subversiva e viciante, cheia de suspense, com personagens inesquecíveis e uma profundidade aguda. Cheia de segredos, vingança e de formas singulares como as duas mulheres podem salvar-se uma à outra, apesar da barreira do tempo.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Balada para Sophie

 

A minha opinião: 

Há muito que perdi o interesse por BD. Deixei-me disso. Muito do que li é do amplo conhecimento geral e acho que foi das melhores leituras da minha juventude. Contudo, este livro, apesar do quanto ouvi falar dele não me tinha prendido a atenção até que uma amiga mo emprestou. Generosa amiga porque este livro é uma beleza do qual deve ser difícíl se separar. E depois de o abrir, a magia voltou a acontecer. É realmente isso. Um encantamento. E uma redenção como a que procurava este velho pianista que lutava contra o seu fantasma passado.

A escala de cores em consonância com os estados de alma é um dos muitos detalhes que não nos escapa nesta preciosidade. Extrordinária novela gráfica. Uma enriquecedora prenda de natal.

Autor: Filipe Melo e Juan Cavia
Páginas: 320
Editora: Tinta da China
ISBN: 9789896715588
Edição: 2020/ novembro 

Sinopse: 
Cressy-la-Valoise, 1933

Dois jovens pianistas, nascidos numa pequena vila francesa, cruzam-se num concurso local. Julien Dubois, o herdeiro privilegiado de uma família rica, e François Samson, o invisível filho do responsável pela limpeza do teatro. Nessa noite, um deles venceu.
Cressy-la-Valoise, 1997

Uma enorme mansão é abalada pela inesperada visita de uma jornalista. Numa nuvem de cigarros e memórias, algures entre a realidade e a fantasia, Julien vai compondo, como numa partitura, uma história sobre o preço do sucesso, rivalidade, redenção e pianos voadores. Afinal, algum deles alguma vez terá vencido? E haverá ainda alguma música por tocar?

Sira

 

A minha opinião: 

Assim que o recebi, não mais o larguei.

A continuação de O tempo entre costuras (que li recentemente) com uma protagonista inesquecível, cujo nome merece todo o destaque como título deste vertiginoso romance sobre a sua vida. Sira começou por ser uma menina humilde na castiça Madrid , jovem costureira em África e fraudulenta modista de um bairro distinto e recomeça casada com Marcus, quando acabam por ir parar á Palestina, um emaranhado de complexidades e conflitos, sem esperança de resolução.

Os laivos do que se segue, como que em jeito de desabafo, são bem vindo e motivadores. A estadia foi breve e novamente Sira foi arrastada para uma sigilosa intriga política e de espionagem. E não viajou só quando partiu para Londres ou regressou a Espanha.

Indubitávelmente, a descrição sumária de ambientes e locais que nos fazem sonhar num tempo de glamour, fascínio e risco são um bom complemento numa narrativa bem escrita que vicia. Não é coisa pouca porque são 600 páginas de um romance leve, bem enquadrado históricamente, envolvente e de muita ação. Dueñas escreve volumosos livros mas tão fáceis de ler e apaixonantes que se fica fã. Doze anos depois voltei a ficar rendida. Ainda bem que nos reencontrámos.

Autor: María Dueñas
Páginas: 608
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03485-4
Edição: 2021/ outubro 

Sinopse: 
A Segunda Grande Guerra está a chegar ao fim, e o mundo avança para uma reconstrução tortuosa. Depois de cumprir as suas obrigações como colaboradora dos serviços secretos britânicos, Sira encara o futuro ambicionando alguma serenidade. Mas essa paz tarda em chegar. O destino reserva-lhe um infortúnio trágico que a obrigará a reinventar-se e a, mais uma vez, tomar as rédeas da sua vida sozinha e lutar com todas as forças para se adaptar ao futuro.
Entre factos históricos que marcarão uma época, Jerusalém, Londres, Madrid e Tânger serão os cenários para as novas aventuras de Sira, onde enfrentará desgostos e novos riscos, reencontros inesperados e a experiência da maternidade.
Sira Bonnard – antes de Arish Agoriuq, antes de Sira Quiroga – não é a inocente costureira que nos deslumbrou com figurinos e mensagens clandestinas, mas o seu encanto permanece intacto.
Sira está de volta, carismática e inesquecível.
O regresso da protagonista de O tempo entre costuras.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Deus Pátria Família

 

A minha opinião: 

Uau! Que romance tão bom. Superou em muito as minhas expectativas. Adoro quando sou surpreendida e um autor que mal conheço me impressiona desta maneira (li apenas um dos seus primeiros romances). A distopia começou por me atrofiar mas depois tornou-se parte do gozo de acompanhar os Paixões Leal num Portugal cinzento e conspiratório de 1940.

Intriga e mistério quando surgem os crimes de mulheres jovens em que os corpos ficam próximos de lugares de culto e as vitimas ficam com a iconografia das santas católicas, ou seja, preparadas ritualmente com manto branco, terço, hóstias e de mãos entrelaçadas. E que correlação existe com um atentado político em que antisemitismo toma dimensões assustadoras num país neutral?

Poderia ser complicado mas até é simples na escrita exemplar de Hugo Gonçalves.
Autor: Hugo Gonçalves
Páginas: 456
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9789897842832
Edição: 2021/ maio 

Sinopse: 
Lisboa, 1940
Uma mulher é encontrada morta no santuário do Cabo Espichel, envolta num manto branco, com um rosário entre os dedos. Os peregrinos confundem-na com uma aparição de Nossa Senhora. Os detetives encarregados do caso não vão em delírios, mas também não imaginam que aquele é apenas o primeiro homicídio.

Vivem-se tempos estranhos: os tanques alemães avançam Europa fora e a bandeira nazi é içada na torre Eiffel. A Lisboa chegam milhares de estrangeiros e refugiados judeus, que escolhem a capital portuguesa como abrigo temporário ou porta de saída para uma vida sem medo.

As vítimas vão-se sucedendo: todos os meses, aparece mais uma mulher morta, numa sucessão de crimes de matizes religiosos. A Polícia de Investigação Criminal entrega o caso a Luís Paixão Leal, ex-pugilista de memória prodigiosa, com um olho de vidro e um passado misterioso em Nova Iorque. O detetive, que vê na justiça uma missão de vida, empenha-se em descobrir o culpado.

Até que, numa manhã de domingo, tudo muda: um golpe violento afasta Salazar do poder e sacode o xadrez político do país. Portugal abandona a neutralidade na guerra e alinha-se com as forças do Eixo. Nas ruas da capital, começa o cerco aos refugiados judeus e ecoam as tenebrosas memórias das perseguições da Inquisição.

Com a reviravolta política, Paixão Leal vê-se no centro de uma conspiração ao mais alto nível. O detetive, que vive com uma judia alemã e os seus dois filhos, sente a ameaça a bater-lhe à porta. Num mundo à beira do colapso, pagará um preço caso insista em desvendar a verdade.

Dos loucos anos 1920 nos Estados Unidos à convulsa década de 1940 em Portugal, chega-nos uma versão alternativa do nosso passado, com ecos no presente, porque basta uma única reviravolta para mudar o rumo de um país e assombrar milhares de vidas. Entrelaçando um mistério policial com uma saga familiar, Deus Pátria Família é um romance magnético do autor finalista dos Prémios PEN Clube e Fernando Namora.

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

As Maravilhas

A minha opinião: 

Meio livro lido e não sabia o que pensar. Entretanto, percebi. A amargura resignada, a desesperança, incomodavam-me, nesta narrativa de duas mulheres. Pobres.
Conscientes de que até para protestar há que ter dinheiro. A alternância narrativa também não ajudava. Bem escrito e muito bem estruturado não conseguia agarrar-me como eu esperava. Sequer sentia empatia por estas protagonistas que ainda que inteligentes pareciam conformadas. Desapegadas. Maria da filha e Alícia da mãe. 

Uma história de mulheres como tantas outras, invisiveis, trabalhadoras e sós. Não me cativou.

Autor: Elena Medel
Páginas: 208
Editora: Dom Quixote
ISBN: 9789722072779
Edição: 2021/ setembro 

Sinopse: 
Qual o peso da família nas nossas vidas, e qual o peso do dinheiro?
Que acontece quando uma mãe decide não cuidar da sua filha, e quando uma filha decide não cuidar da sua mãe?
Seríamos diferentes se tivéssemos nascido noutro sítio, noutro tempo, noutro corpo?

Neste romance há duas mulheres: María, a que em finais dos anos sessenta deixa a sua vida numa cidade de província para trabalhar em Madrid; e Alicia, que faz o mesmo caminho trinta anos mais tarde, por razões distintas. E há, claro, a mulher que as une e de quem praticamente não se fala: filha de uma e mãe da outra.

As Maravilhas é um romance sobre o dinheiro, ou melhor, sobre como a falta de dinheiro pode determinar uma vida inteira de precariedade e matar todos os sonhos. Mas é também uma história sobre cuidados, responsabilidades e expetativas e sobre o passado recente desta nossa Península Ibérica, desde finais da ditadura até à explosão do feminismo, contada por duas mulheres que tão-pouco podem ir às manifestações lutar pelos seus direitos porque têm, claro, de trabalhar.

Herança

 

A minha opinião: 

Um bom palpite sobre este romance que se revelou certeiro. Autoficção. Uau!

Herança é a ponta do iceberg numa relação familiar conturbada que oculta mágoas e receios, principalmente da narradora/ protagonista, como segunda mais velha de quatro irmãos. E se inicialmente se divaga como justa ou não a partilha de duas casas de férias com as duas filhas mais novas e a apropriação das mesmas, também se percepciona uma enorme tensão e um grande suspense que prende a uma narrativa realista, E o pior, é que o leitor não se consegue alhear do drama com a sua natureza e história pessoal. Um romance que provoca emoções intensas, violentas e invasivas.

A revelação, que o leitor antecipa, mas não quer crer, é devastadora. O que se passa no seio daquela familia, dita normal, que quer persevar a honra e o legado reflecte-se na Herança, que não é apenas de ordem financeira.

Extraordinário romance que explora emoções e sentimentos perante um trauma. Não será certamente para todos os leitores mas eu não o esquecerei. 

Autor: Vigdis Hjorth
Páginas: 344
Editora: Livros do Brasil
ISBN: 978-989-711-141-9
Edição: 2021/ setembro 

Sinopse: 
Quatro irmãos. Duas casas de férias. Um segredo. Há vinte anos que Bergljot se mantém fora da órbita da família, mas, quando uma disputa em torno do testamento dos pais sobe de tom, ela não poderá ficar calada. Ambos vivos, os pais decidem deixar duas casas de veraneio às suas irmãs, deserdando de uma parte importante do património da família os dois filhos mais velhos. Visto de fora, este é um simples caso de favoritismo. Bergljot, que vive desde a infância com um segredo terrível, faz contudo uma leitura diferente: para ela, esta é a derradeira estocada para acabar com a verdade, o último insulto às vítimas. Herança é um romance lírico sobre trauma e memória, sobre sobrevivência e força. Controverso, caminhando entre realidade e ficção, este foi um dos maiores êxitos da literatura norueguesa dos últimos anos, granjeando a Vigdis Hjorth múltiplos prémios e traduções da sua obra para mais de vinte línguas.