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quarta-feira, 27 de abril de 2022

Seda

 

A minha opinião:

De quando em quando fico "baratinada" com um livro. Lacónico, delicado e subtil, é a demanda para adquirir bichos da seda no Japão e produzir sede em França numa pequena localidade e nessa empreitada enviavam um emissário. Um homem reservado que se deixa prender a tão misteriosa terra e uma mulher em particular, sem perder os laços com as suas raízes. 

Uma narrativa que lembra uma fábula de encantar, tal o fascínio que exerce sobre o leitor.


Autor: Alessandro Baricco
Páginas: 120
Editora: Quetzal Editores
ISBN: 9789897223372
Edição: 201/ j

Sinopse: 


Hervé Joucour, um comerciante de seda, vê-se obrigado a fazer uma viagem ao Japão depois de uma epidemia ter dizimado todos os bichos-da-seda provenientes de África. Chegado a esse país distante e desconhecido, muito fechado a viajantes ou qualquer influência ocidental, Joncour é acolhido no palácio do nobre Hara Kei, que se faz sempre acompanhar por uma rapariga. Entre Joucour e a jovem concubina vai surgir um amor. E é este envolvimento secreto, que se desenrola - quase sem palavras - ao longo de subsequentes viagens ao Japão, que é relatado neste livro: uma pequena narrativa, essencial e delicada como a mais fina seda.

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Um Casamento Americano

 

A minha opinião:

Sem expectativas comecei a ler este romance, que foi traduzido pela Tânia Ganho. Mais um. Normalmente indica que tem qualidade e eu costumo gostar muito mas este tacteava no escuro. Começou com garra e as primeiras palavras são de Roy. E o casamento com Celestial. "A nossa terra não é o sítio onde aterramos; é o sítio de onde deslocamos." E rápidamente passou ao cerne da questão (e são muitas as que se colocam) com uma acusação de vioação. Nenhum homem negro está verdadeiramente seguro na América. Um romance atual sobre a segregação racial.

O mais importante, contudo, é o casamento ou a relação destas duas extraordinárias personagens, que têm tanto de comum como de singular num registo epistolar. Impossível não ficarmos apaixonados pelo Roy e Celestial.

Magistral. Pungente. Vibrante porque é pleno de sentimentos numa narrativa vertiginosa. Um  romance inesquecível e surpreendente porque poderia ser mais um que aborda a profundidade e durabilidade de ligações, se não se superasse com acontecimentos tão previsíveis como inauditos que são esmagadores.

Autor: Tayari Jones
Páginas: 344
Editora: Quetzal Editores
ISBN: 9789897226434
Edição: 2022/ março

Sinopse: 
Roy Othaniel Hamilton e Celestial Gloriana Davenport conheceram-se durante o tempo da faculdade e estão casados há pouco mais de um ano. Vivem em Atlanta. Roy é um homem afável, que aprecia regras e tem um bom emprego. Celestial, é bonita, cheia de carácter e uma artista promissora. Um dia, durante uma visita aos pais de Roy, na Luisiana, a porta do quarto de motel em que se tinham hospedado é arrombada e Roy é preso, acusado de violação. Mas está inocente. Celestial sabe-o e nós, os leitores, também. Roy é condenado a 12 anos de prisão.

A segunda parte do livro é epistolar e como que um diálogo entre os dois, ele preso, ela em liberdade. À medida que os anos passam, os ressentimentos aumentam, assim como os silêncios e os intervalos das cartas. Cinco anos volvidos, Roy ganha um recurso e é libertado. Na terceira parte do livro (cheia de acontecimentos) veremos como tudo mudou e como o passado não pode ser desfeito.

Uma narrativa fortíssima, com um extraordinário trabalho no delinear das três personagens principais (e narradores: Roy, Celestial e Andre, o grande amigo comum), face a questões morais, raciais e legais.

Procura-me Quando a Guerra Acabar

 

A minha opinião:

Quem me conhece bem sabe que não gosto muito de ler romances sobre a Segunda Guerra Mundial, ademais quando a Europa tem novamente uma atroz a decorrer. Não porque desvalorize ou negue mas porque sei o suficiente para ser penoso ler. O presente romance resulta de um desafio para uma leitura conjunta e como gostei muito do anterior da autora "O que sabe o vento" dei-lhe uma oportunidade. Precisava de um romance leve e fluído que me curasse a ressaca de leitor. As carismáticas personagens como Ângelo e Eva fizeram a sua magia enquanto renegavam o amor que sentiam desde a adolescência. Afinal, ele era padre e ela judia. Um tanto clichê mas eu avisei que era um romance sem grandes pretensões. Mas ainda se revelou uma surpresa quando contrariou uma ideia que tinha. A igreja Católica, ou alguns dos seus elementos auxiliaram a fugir e a esconder judeus italianos. 
E no final, oitenta por cento dos judeus italianos sobreviveram à guerra, um contraste marcante com os oitenta por cento dos judeus europeus que não o conseguiram. Poderoso testemunho com base em pessoas e factos reais que nos dá um milagre de natal.

Autor: Amy Harmon
Páginas: 368
Editora: TopSeller
ISBN: 9789898917195
Edição: 2018/ julho

Sinopse: 
Em cada vida salva, um pequeno ato de rebelião…

1933. Angelo Bianco chega a Florença e é recebido pela família de Eva Rosselli. Os dois crescem juntos, ele católico, ela judia. Com o passar dos anos, a amizade que os une torna-se num amor impossível que desafia as crenças de ambos. Mas Angelo sabe que tem de seguir a sua vocação.

Agora, dez anos depois, Angelo é um padre católico e Eva está em risco de ser deportada, e precisa da sua ajuda. Após a chegada da Gestapo, Angelo esconde Eva num convento, onde muitos judeus estão a ser protegidos pela Igreja. Até que chega o dia em que nem o Vaticano consegue enfrentar os nazis.

Com a guerra e a morte iminentes, Angelo e Eva ajudam aqueles que foram despojados de tudo, colocando as suas vidas em risco todos os dias. E é ao tentar o destino e a sorte, que Angelo enfrenta a decisão mais difícil de todas para proteger a mulher que sempre amou.

… em cada luta, um ato de humanidade.

O Colibri

A minha opinião:

Não sei por onde começar ou o que dizer sobre este livro. É simplesmente fabuloso. Um daqueles raros romances que marcam, com um protagonista que não se esquece. Marco Carrera leva uma existência sóbria numa vida aparentemente banal mas que numa narrativa com uma estrutura peculiar encaixa um registo epistolar para contar as agressões e as injúrias de uma sorte ultrajante numa combinação de candura e desespero que torna este romance único. 

Sandro Veronesi é mais um autor que vou procurar ler sempre que possível. Extraordinário. Um homem do futuro.

Autor: Sandro Veronesi
Páginas: 328
Editora: Quetzal Editores
ISBN: 9789897227875
Edição: 2022/ março

Sinopse: 
«Quando as paixões humanas colidem com as forças para além do controlo humano.»

Marco Carrera é um oftalmologista com uma vida boa e organizada - até que lhe entra pelo consultório um desconhecido, que sabe tudo sobre o seu passado e o avisa de que corre perigo. Além disso, diz-lhe que a sua mulher está a ter um caso extraconjugal e vai ter um filho que não é dele.

Estas revelações desencadeiam um longo fluxo de recordações: da infância e juventude, da família, da primeira mulher na vida dele, de um certo amigo, da irmã mais velha que morreu afogada. A narrativa constrói-se de forma empolgante e original, avançando e retrocedendo entre várias décadas dos séculos XX e XXI. E, em lugar da sequência habitual nas sagas familiares - «trauma, dor, recuperação» - tudo aqui parece acontecer ao mesmo tempo. E está sempre a acontecer.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Os da Minha Rua

 

A minha opinião:

Uma pessoa quando é criança... E algumas estórias " rezam" assim porque é uma criança que relata episódios do quotidiano. Uma alegria que a ingenuidade e candura desta criança travessa nos transmite. Os camaradas adultos faziam parte das brincadeiras já que tudo e todos serviam, ainda que o medo estivesse por vezes com eles. 

Afetos e inquietações revisitadas com Ndalu em "Os da minha rua". Numa palavra: infância.

"... a ternura toca a alegria, a alegria traz uma saudade quase triste, a saudade semeia lágrimas, e nós, as crianças não sabemos arrumar essas coisas dentro do nosso coração."

"- Uma casa está em muitos lugares... É uma coisa que se encontra."

Autor: Ondjaki
Páginas: 128
Editora: Caminho
ISBN: 9789722118637
Edição: 20

Sinopse: 
Há espaços que são sempre nossos. E quem os habita, habita também em nós. Falamos da nossa rua, desse lugar que nos acompanha pela vida. A rua como espaço de descoberta, alegria, tristeza e amizade. Os da Minha Rua tem nas suas páginas tudo isso.

Como num filme, sempre me acontecia isso: eu olhava as coisas e imaginava uma música triste; depois quase conseguia ver os espaços vazios encherem-se de pessoas que fizeram parte da minha infância. De repente um jogo de futebol podia iniciar ali, a bola e tudo em câmara lenta, um dia eu vou a um médico porque eu devo ter esse problema de sempre imaginar as coisas em câmara lenta e ter vergonha de me dar uma vontade de lágrimas ali ao pé dos meus amigos.
A escola enchia-se de crianças e até de professores, pessoas que tinham sido da minha segunda classe, da terceira...
Quando alguém me tocava no ombro, as imagens todas desapareciam, o mundo ganhava cores reais, sons fortes e a poeira também.
ondjaki

O teu livro dá conta de como crescem em segredo as crianças. É o milagre das flores do embondeiro: habitam o mundo em concha por breves momentos e vêem através da luz o milagre das pequenas coisas.
Ana Paula Tavares

terça-feira, 5 de abril de 2022

Depois da Queda

A minha opinião:

Três narrativas pessoais que se cruzam. Três histórias de vida de mulheres muito distintas. Três gerações. Sogra/ avó, mãe/nora e neta/ filha e um Stephen que as liga. E todas elas guardam segredos profundos que influenciam o seu estado de espírito e modo de vida. Abril é o mês em que estas três mulheres coabitam sobre o mesmo tecto. E criam empatia com o leitor que se deixa enlevar por cada uma delas.

No fim, é um livro maravilhoso. Comovente. Terno. Reconfortante. Um livro sobre relacionamentos intergeracionais e segundas oportunidades que nos dá tanto que pensar. 

Obrigada Porto Editora. Gostei muito.

Autor: Julie Cohen
Páginas: 352
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03532-5
Edição: 2022/ março 

Sinopse: 
Quando um infeliz acidente força Honor a ficar com a sua nora viúva, Jo, e com a sua única neta, Lydia, ela mal pode esperar para recuperar o suficiente e voltar para a sua própria casa. No entanto, quanto mais tempo ela passa com Jo e Lydia, mais se sentem como uma família a sério. Mas cada uma das três mulheres guarda segredos que ameaçam destruir as suas vidas, tais como elas as conhecem.
Num dia de verão, os segredos da avó, mãe e filha serão revelados num único momento dramático que nos deixará a todos com a eterna questão: será que existem segundas oportunidades?

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Encontro

 

A minha opinião:

Brilhante. Livros do Brasil Contemporânea tem surpreendido e bem.

Contido, acutilante e... parafraseando Natasha Brown, esta usa as palavras com hábil precisão, como um instrumento físico. Um bisturi, por exemplo, ou uma pluma, neste retrato de privilegiados de um restrito círculo social, político e financeiro. Os que nos rodeiam. Que a cercam e esperam que assimile. Esmagador. De pequenas dimensões e gigantesco alcance.

Diversidade é a palavra que mais se lê. E quão pouco sabemos nós sobre esta palavra tão atual perante uma observadora de olhar aguçado como esta britânica negra que faz uma escolha.

Autor: Natasha Brown
Páginas: 120
Editora: Livros do Brasil
ISBN: 978-989-711-165-5
Edição: 2022/ março 

Sinopse: 
A narradora deste romance é uma mulher negra britânica, com uma posição de destaque no mercado financeiro e um namorado oriundo de uma família conservadora. Seguiu todas as boas regras: ser cortês num ambiente hostil, conseguir a melhor formação superior, lançar-se numa carreira rentável, comprar um bom apartamento, comprar arte, comprar uma espécie de felicidade – e principalmente, manter-se calada, discreta e prosseguir. Agora, enquanto se prepara para participar na festa de aniversário de casamento dos pais do namorado, debate-se com algo que poderá mudar a sua vida, definitivamente. É preciso tomar uma decisão. Esta é uma história sobre as histórias de que somos feitos: de raça e classe social, de segurança e liberdade, de vencedores e vencidos. E do que significa assumirmos o controlo do nosso destino.

Doce Introdução ao Caos

A minha opinião:

Não creio que Marta Orriols seja do agrado de alguns leitores... e para minha grande surpresa descobri que trabalha esporádicamente como leitora editorial (ora aí está algo que não me desagradava fazer). Retomando, o motivo pode ser a sua prosa apressada, abrupta e simultâneamente sensível, que se foca no quotidiano para dar relevância aos conflitos intímos e à complexidade das relações afetivas. Um tema tão banal na ficção mas que ela transfigura e faz sobressair nos seus romances, como no anterior "Como falar com as plantas" em que abordou o luto. No atual romance é uma gravidez não planeada. Viver a dois é mergulhar no caos existencial. Uma semana de doce introdução.

Autor: Marta Orriols
Páginas: 240
Editora: Dom Quixote
ISBN: 9789722074360
Edição: 2022/ março 

Sinopse: 
Dani - guionista - e Marta - fotógrafa com ambições artísticas - vivem juntos há cerca de dois anos quando descobrem que Marta está grávida. A notícia mergulha-os num pântano de dúvidas que os afeta quer como indivíduos, quer como casal.

Dani, órfão de pai, terá de enfrentar a promessa que fez a si mesmo há muitos anos de nunca abandonar um filho. Marta, que nasceu no seio de uma família liberal, não sente qualquer vontade de ser mãe e tem planos de ir viver para Berlim e realizar os seus sonhos. Que fazer então com a dor que nasce de um sentimento que não se sabia que existia? Como dar voz a um desejo reprimido? Serão os projetos profissionais tão válidos como o desejo de constituir família?

Explorando as emoções mais íntimas, Marta Orriols - autora do celebrado Aprender a Falar com as Plantas - convida-nos a analisar as contradições que se colocam diante da hipótese de ter um filho, propondo-nos que fujamos do pensamento simplista para observarmos os limites da vontade, do instinto e da liberdade. Esta é uma história com muitos matizes que confirma o grande talento narrativo da autora.

O Perfume das Flores à Noite

A minha opinião:

Este livro é uma extraordinária viagem que nos dá mundo. Confessional, intímo e tão bom, na simplicidade da escrita  de Leïla (que em árabe significa noite) de que já sou incondicional fã. A escrita e a literatura é o mote para um primeiro ensaio publicado. Sozinha e descalça, uma noite num museu de arte contemporânea em Veneza e é transportada para os recantos que a memória perservou. Identidade também foi assunto. E consequentemente, liberdade. E não faltaram interjeições de grandes autores para aconchegar uma ideia, um pensamento. E a leitura faz-se de avanços e recuos para guardar e apreciar palavras sábias e sensatas de quem contempla os outros.

"A literatura, como a arte, não conhece o tempo da vida quotidiana. Não quer saber das fronteiras entre o passado e o presente. A literatura faz acontecer o futuro, devolve-nos às florestas claras da infância. O passado, quando escrevemos, não está morto" (pag.134)

Autor: Leïla Slimani
Páginas: 144
Editora: Alfaguara
ISBN: 9789897845376
Edição: 2022/ março 

Sinopse: 
De uma das vozes mais estimulantes da literatura europeia, um texto magnífico, que combina uma viagem pela memória com uma reflexão instigante.

Como escritora que acredita que a verdadeira audácia vem do interior, Leïla Slimani não gosta de sair e prefere a solidão à distração. No entanto, aceita um inusitado convite para passar uma noite num museu em Veneza - um edifício mítico na Punta della Dogana. A noite insone acaba por ser o pretexto para a escritora deambular por outras paragens e outros tempos.

Percorrendo, de pés descalços, as salas e os corredores do museu, estimulada pelo perfume das damas-da-noite que a transportam para a infância em Rabat, Leïla Slimani fala-nos do belo e do efémero, da virtude do silêncio, da magia da criação artística, da solidão e do sacrifício da escrita. Acompanhada pelas palavras e histórias de outros criadores, como Virginia Woolf, Rilke, Montaigne, Murakami e Emily Dickinson, Leïla conduz o leitor por uma viagem intensa, uma reflexão iluminada e um desfile de memórias comoventes.

quarta-feira, 30 de março de 2022

O Verão do Lobo

A minha opinião:

A questão dos lobos na Suécia é fraturante. Predadores. Uns querem proteger e outros dizimar. E quando dois deles tiveram como última refeição um ser humano que, foi vitima de um crime, a policia entra em ação.

Hans Rosenfeldt foi um dos autores da série Sebastian Bergman e como tal, não podia protelar ler este thriller policíal. E não defraudou as expectativas. 

De início muitas personagens que guardam segredos de uma vida dupla e que naõ sabemos a ligação que têm baixou um pouco o meu entusiasmo. Kadja e Hannah são obviamente as duas personagens centrais desta série e enquanto Hannah demora a revelar-se, Kadja não perde tempo e a meio do livro já estamos arrebatados com as aptidões e inteligência desta personagem e nesta fase o suspense e a adrenalina aumentam. Os assassinatos em massa também ajudam. Um thriller nórdico ao melhor nível. 

Imparável até ao empolgante desfecho e como não podia deixar de ser um que nos deixa ansisos por pegar no próximo livro.

Autor: Hans Rosenfeldt
Páginas: 432
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9789897845161
Edição: 2022/ março 

Sinopse: 
Quando restos humanos são encontrados no estômago de um lobo morto, Hannah Wester, polícia na remota cidade fronteiriça de Haparanda, no Norte da Suécia, sabe que não haverá outro verão como aquele. Os restos mortais estão relacionados com um confronto sangrento entre traficantes de droga na fronteira com a Finlândia. Mas como é que o homem chegou à floresta de Haparanda?

Hannah e os colegas não deixam pedra sobre pedra. Mas o tempo escasseia e eles não são os únicos a procurar. Quando a brilhante e mortal Katja chega, acontecimentos inesperados e brutais sucedem se. em poucos dias, a vida em Haparanda complica-se, também para -Hannah, que se verá forçada a confrontar o próprio passado.

Bem-vindo a Haparanda, uma aldeia fronteiriça onde todos são suspeitos.

quinta-feira, 24 de março de 2022

À Espera no Centeio

 

A minha opinião:

Não sei o que esperava mas não era certamente este tipo de narrativa, apesar de ser um rebelde que conta a sua versão na primeira pessoa. Desajustado e inteligente sente-se muito só e deprimido desde que foi expulso do Colégio de renome para jovens de famílias abastadas. A ternura pela irmã mais nova é o elo que o liga à família que não o parece compreender ou se interessar. Como a sociedade. Bom ritmo, sem pejo e alguma crítica social. O que eu não contava é com a intemporalidade desta personagem que se expressa com tanta clareza mas que me suscita compaixão e algum desconforto porque Holden Caulfield é um inadaptado que não cessa de desabar.

"O romance Á Espera no Centeio (o livro que o assassino de Jonh Lennon lia enquanto aguardava à porta do artista para executar o crime) tornou-se uma das suas obras mais célebres."

Autor: J.D. Salinger
Páginas: 240
Editora: Quetzal Editores
ISBN: 9789725649749
Edição: 

Sinopse: 
A voz do seu protagonista, o anti-herói Holden Caulfield, encontrou eco nos anseios e angústias das camadas mais jovens, tornando-o numa figura icónica do inconformismo. Da mesma forma, os temas da identidade, da sexualidade, da alienação, e do medo de existir, tratados numa linguagem desassombrada e profundamente original, fizeram de The Catcher in the Rye um símbolo da contracultura dos anos 50 e 60. Mas, passados sessenta anos sobre a sua primeira publicação, vendidos mais de 65 milhões de exemplares em quase todas as línguas, e instituído marco incontornável da literatura mundial, À Espera no Centeio mantém toda a actualidade e a frescura da rebelião.

segunda-feira, 21 de março de 2022

Doce Tóquio

A minha opinião:

Doce é como este enredo nos conforta assim que o iniciamos. Quase que o sentimos no palato. Tem intensidade. Tem vida. Um sabor doce, rico e aveludado, é o que imaginamos. Doce é a pasta de feijão artesanal usada para os dorayaki que Sentarô aprende a fazer com Tokue.  E a mudança surge com a passagem das estações, em que as cerejeiras são o marco. Suave e terno, apesar do amargo de boca de Tenshoen ou Doraharu.

As vidas das pessoas não são sempre iguais. Há momentos em que a sua cor muda completamente. Numa narrativa muito simples e linear é contada uma história com uma lição.

Autor: Durian Sukegawa
Páginas: 192
Editora: Edições Asa
ISBN: 9789892353562
Edição: 2022/ março 

Sinopse: 
Apenas as cerejeiras denunciam a passagem do tempo. Primeiro com os seus pequenos botões, depois com as delicadas pétalas que voam ao vento… Numa pequena pastelaria perdida nas ruas de Tóquio, os dias sucedem-se sempre iguais. É aí que Sentarô confeciona dorayaki, um doce tradicional japonês ao qual não dedica grande atenção. Sentarô parece, aliás, ter desistido da vida. Abandonou o sonho de ser escritor, bebe demasiado e não tem amigos.

Mas tudo está prestes a mudar.

No seu caminho surgem Tokue, uma senhora idosa que se entrega à preparação de dorayaki de alma e coração; e Wakana, uma menina solitária que se debate com os seus próprios fantasmas. Aos poucos, os improváveis companheiros descobrem que têm muito a oferecer uns aos outros. Mas Tokue esconde um passado turbulento que, inevitavelmente, vem ao de cima… com consequências devastadoras.

Doce Tóquio é uma história comovente sobre a fragilidade humana, o poder redentor da amizade e a beleza das coisas simples. Numa prosa límpida e bela, Durian Sukegawa fala sobre o nosso propósito na vida, exortando-nos a parar, a escutar e a observar, sempre. Um livro que encanta leitores de todas as idades, intemporal e pleno de sabedoria

A Minha Irmã é uma Serial Killer

 

A minha opinião:

A minha irmã é... linda e... uma serial killer.

Duas irmãs numa relação ambígua. Suspeita-se que o vilão era... ou não? Ayoola é... tanta coisa. A beleza e vulnerabilidade que cega. A Korede é a irmã mais velha. E as irmãs mais velhas tomam conta das irmãs mais novas. E quando um homem se atravessa no meio de ambas ou quando o ausente desperta, tudo pode acontecer.

Não tinha grandes expectativas sobre este thriller e as opiniões não me deixavam muito ansiosa por o ler mas quando descobri que tinha sido traduzido pela Tânia Ganho pensei que não poderia ser uma perda de tempo como não foi.
Gostei da escrita concisa, de capítulos e frases curtas que avança e mais... gostei do lado negro destas personagens cúmplices e antagónicas. De leitura compulsiva.

O final não me agradou. Gostei que ficasse em aberto. Achei perfeitamente lógico nesta trama.

Autor: Oyinkan Braithwaite
Páginas: 240
Editora: Quetzal Editores
ISBN: 9789897226366
Edição: 2021/ junho 

Sinopse: 
Neste breve, sinistro e cómico thriller, Korede — a irmã mais velha —, conta a história da sua irmã mais nova, Ayoola. Ou seja, a belíssima, super insinuante, super amada e desejada Ayoola. Ayoola é completamente fútil. Vive para dormir até tarde, para se vestir (e despir) e se maquilhar, para saltitar de festa em festa, arranjar namorados bonitos e ricos, traí-los — e matá-los. Nada que mereça, portanto, o amor e a devoção que todos lhe dedicam, em especial a irmã, que a ajuda sempre no encobrimento dos crimes. Embora assustada e contrariada, Korede acaba por apoiar e consolar Ayoola — e por limpar os locais do crime. Mas o seu horror aumenta quando Ayoola visita o hospital em que ela trabalha como enfermeira e conhece o simpático médico por quem Korede está apaixonada. O leitor está a ver o que pode acontecer, não está?

Canción

A minha opinião:

Uma cadência, um feitiço, um ponto final para coisas doces e amargas. Eduardo Halfon é um autor guatermalteco imperdível.

A brutal e recente história do seu país deve ser conhecida. "Estima-se que na altura em que o meu avô foi sequestrado, em janeiro de 1967, houvesse já à volta de trezentos guerrilheiros no país. Idade média: 22 anos. Tempo médio na guerrilha antes de morrerem; três anos." (pag. 40)

Canción é a personagem central que dá título ao livro. E o sequestrador do avô do narrador. A pecularidade deste era a sua cara de criança e a sua forma de falar, a sua maneira de se expressar em frases curtas, crípticas, quase poéticas. Tal e qual a escrita deste autor nos seus romances. 

Autor: Eduardo Halfon
Páginas: 120
Editora: Dom Quixote
ISBN: 9789722074018
Edição: 2022/ fevereiro 

Sinopse: 
Numa fria manhã de janeiro de 1967, em plena guerra civil da Guatemala, um comerciante judeu libanês é sequestrado num beco sem saída da capital.

Ninguém ignora que a Guatemala é um país surrealista, tinha ele afirmado anos antes. Um narrador chamado Eduardo Halfon terá de se deslocar ao Japão e revisitar a sua infância na Guatemala dos bélicos anos setenta, e comparecer a um misterioso encontro num bar escuro e lúmpen, para finalmente esclarecer os pormenores da vida e o sequestro daquele homem que também se chamava Eduardo Halfon, e que era seu avô.

Neste novo elo do seu fascinante projeto literário, o autor guatemalteco embrenha-se na brutal e complexa história recente do seu país, na qual se torna cada vez mais difícil distinguir vítimas de verdugos. Acrescenta-se assim uma importante peça à sua subtil exploração das origens e mecanismos da identidade com que conseguiu construir um inconfundível universo literário.

A Violoncelista

 

A minha opinião:

Gabriel Allon. De volta. O agente secreto e restaurador de arte que se admira e não se esquece.

O assassinato de um dissidente russo em Londres na era Covid numa fase de grande proximidade entre o M16 e o Departamento, com o consequente afastamento dos americanos dilacerados por divisões políticas, e é claro que o Gabriel voltaria à ação. Contra os ex-agentes do KGB que se apoderaram do poder na Rússia quando em 2005 o Presidente declarou que o colapso da União Soviética era a maior catástrofe geopolítica do século XX, dando início a uma nova guerra fria e ao fim da democracia russa. Uma guerra contra a democracia ocidental. Qualquer semelhança com a realidade...

Como é habitual, Gabriel deambula pelo mundo e desta vez procura uma suspeita do crime do oligarca russo em Amesterdão. E depois em Zurique, Fuga de informação, levantamento, planemamento e ação. O modus habitual que se desenrolou desta vez em Genebra. Ahhh... e em França. Nem faltou um bom interegno nos EUA a contar com o Presidente e as suas idiossincrasias e tudo muito engendrado. E os  amigos, de outros tempos e operações. Bem contado. De leitura compulsiva e apenas peca por ser demasiado bom mas adoro. A justiça verdadeira que desejava.

Autor: Daniel Silva
Páginas: 448
Editora: HARPER COLLINS
ISBN: 9788491396789
Edição: 2022/ março 

Sinopse: 

A violoncelista é um novo título impressionante da excecional série de Daniel Silva (revista People) e afiança mais uma vez as suas grandiosas perícia e genialidade para a invenção, demonstrando porque é considerado «a par com Le Carré e Forsyth um dos melhores romancistas de espionagem de todos os tempos (The Real Book Spy)».

O mestre da intriga internacional, Daniel Silva, traz-nos um novo best seller para acrescentar aos seus enormes êxitos anteriores, nomeadamente A Ordem, A Rapariga Nova e A Outra Mulher, com esta fascinante história de espionagem e suspense repleta de ação protagonizada pelo restaurador de arte e espião, Gabriel Allon.

O fatal envenenamento de um multimilionário russo envia Gabriel Allon numa perigosa viagem pela Europa na órbita de uma virtuosa música que pode ter a chave da verdade sobre a morte do seu amigo.

A trama descoberta por Allon conduz a canais secretos de dinheiro e influência que atingem o próprio coração da democracia ocidental e ameaçam a estabilidade da ordem internacional.