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sábado, 20 de agosto de 2022

Lincoln Highway

 

A minha opinião: 

Emmett e Billy vão viver uma aventura. E vão escrevê-la a partir do meio porque vão começar de novo. Viajam para Oeste através de Lincoln Highway. Duchess que se fazia acompanhar de Woolly é que não estava nos planos. Quatro prtotagonistas incríveis ou não fosse Amor Towles a contar esta história. A mesma mestria narrativa de Um gentleman em Moscovo que nos deixa em suspense, na expectativa de que novas peripécias ou que personagens admiráveis vamos conhecer, como o Ulysses ou Townhouse. E o incrível nestes protagonistas é que apesar das vicissitudes das suas ainda curtas vidas, eles são integros. E têm tanto para nos dar. Como o Conde Aleksandr Rostov nos deu. Valores. E tudo isso com o requinte de um sorriso com a ironia do narrador. O desfecho não poderia ser mais perfeito e imprevisível.

 Autor: Amor Towles
Páginas: 608
Editora: Dom Quixote
ISBN: 9789722075060
Edição: 2022/  julho

Sinopse: 
Emmett Watson cometeu um crime e pagou o preço. Tem 18 anos e acaba de ser libertado de um campo de trabalhos. Está a regressar à quinta onde cresceu, no Nebraska, onde vai buscar o irmão mais novo. Juntos vão fazer-se à estrada rumo à Califórnia, para fugir do passado e encontrar a mãe que os abandonou.

O pai, que morreu entretanto, desgostoso e endividado, deixou-lhes apenas um magnífico carro. Mas o destino intervém. E no dia aprazado para a partida o carro desaparece, levado por dois rapazes que tinham fugido do reformatório. Agora, Emmett e Billy têm de caminhar no sentido inverso, rumo a Nova Iorque. Aquilo que prometia ser um romance on the road torna-se outra coisa e essa é apenas a primeira surpresa que nos reserva Amor Towles.

O autor transporta-nos agora para a América dos anos 50, onde acompanharemos os quatro rapazes durante dez dias. Com uma arquitetura narrativa de enganadora simplicidade, Lincoln Highway remete para a matriz clássica do grande romance americano, herdeiro de Mark Twain e John Steinbeck, mas também para a Odisseia de Homero, a quem presta uma tocante homenagem.

sábado, 31 de agosto de 2019

Um Gentleman em Moscovo

A minha opinião:
Insidioso. É o que me apraz dizer sobre este romance. 
Subtilmente, ficamos viciados na inteligente languidez e no charme do Conde Rostov. Em prisão domiciliária, num grande hotel que tinha tomado como lar quatro anos antes, decide aceitar como se nada fosse e envolver-se no ambiente de uma forma única ou não fosse ele um arguto observador e um cavalheiro. 

Escrita elegante, personagens encantadoras e um enredo simples e genial. Poderia se pensar que é uma "seca" mas é o inverso. Uma discreta incursão pela História do Se. XX com um excelente analista do comportamento humano de refinado humor.

Não é preciso esperar pelo frio para nos deliciarmos a lê-lo. A densidade de um dicionário ou de uma Biblia que não se espera ter que deambular com ele. Faz jus à fama que tem. Estou extasiada com este grande romance. Não tenho mais palavras. Simplesmente FAN-TÁS-TI-CO.  

Autor: Amor Towles
Páginas: 544
Editora: Dom Quixote
ISBN: 9789722063869
Edição: 2018/ Fevereiro

Sinopse:
Por causa de um poema, um tribunal bolchevique condena o conde Aleksandr Rostov a prisão domiciliária. Ficará retido, por tempo indeterminado, no sumptuoso Hotel Metropol. A prisão pode ser dourada. Mas é uma prisão.

Estamos em Junho de 1922. Despejado da sua luxuosa suíte, o conde é confinado a um quarto no sótão, iluminado por uma janela do tamanho de um tabuleiro de xadrez. É a partir dali que observa a dramática transformação da Rússia. Vê com tristeza os magníficos salões do hotel, antes animados por bailes de gala, serem agora esmagados pelas pesadas botas dos camaradas proletários. E vê-se obrigado a negociar a sua sobrevivência, num ambiente subitamente hostil.

Aos poucos, porém, o aristocrata descobre aliados no hotel, com quem partilha o seu amor pelo belo - e a defesa de valores morais que nenhuma ideologia poderá vergar. Faz-se amigo do chef, dos porteiros, do barbeiro, do encarregado da garrafeira, e com eles conspira para devolver ao Metropol a sua antiga e majestosa glória. Ao mesmo tempo, toma sob a sua proteção uma menina desamparada, a quem provará que a vida não se resume à luta de classes.

Amor Towles oferece-nos um dos mais requintados (e melancólicos) romances dos últimos anos.
Uma obra épica, habitada por uma galeria de personagens inesquecíveis e servida por uma escrita de uma elegância cada vez mais rara nas letras contemporâneas. 

quarta-feira, 1 de maio de 2019

As Regras da Cortesia

A minha opinião:
Não podia ter começado o mês de modo mais auspicioso do que ao ler este livro.
Muitos são os que me recomendaram o livro "Um Gentleman em Moscovo", pousado há algum tempo na minha mesa de cabeceira, mas apesar disso comecei com "As Regras da Cortesia", o livro antecessor do autor. A sinopse deste belo livro de capa grossa agradou-me com a promessa de um romance no feminino. 

A escrita elegante e fluída cativou-me de imediato, enquanto a narrativa sem excessos descritivos sagaz no relato da conduta humana apresenta desde o princípio um soberbo retrato de época, que me prendeu a atenção como poucos romances o conseguem.

Katey Kontent é pragmática e deliciosamente irónica. Gosta de ler e faz algumas referências a livros e aos seus autores.

Em 1966 numa exposição de retratos dos anos 30, Katey reconhece um dos rostos e história recua no tempo até ao início de 1938 quando ela e Eve disputam Tinker. Banal, não fosse a linguagem, as reviravoltas e as personagens invulgares que  percebem a rapidez com que Nova Iorque muda de direção: como um catavento ... ou a cabeça de uma cobra. O tempo encarrega-se de mostrar qual dos dois. 

As Regras da Cortesia é um manual de conduta de George Washington que se pode ler na integra no fim do livro. Imperdível!


Autor: Amor Towles
Tradução: Tânia Ganho
Edição: 2019/ março
Páginas: 408
ISBN: 9789722066693
Editora: Dom Quixote

Sinopse;
A última noite de 1937, Katey desliza deslumbrante por entre nuvens de fumo num clube de jazz em Greenwich Village. Tem três dólares na carteira e está empenhada em fazê-los render até ao amanhecer. Não será preciso. Porque na mesa ao lado senta-se Tinker, um jovem banqueiro, aconchegado num extraordinário sobretudo de caxemira. E aquele encontro, naquela noite, define a vida de Katey. A remediada filha de emigrantes russos, que sobrevive a custo em Brooklyn, dirá ali adeus ao passado; e dará início a uma imparável escalada social.

As Regras da Cortesia é uma nostálgica revisitação da eufórica Nova Iorque dos anos 30 - uma cidade a recuperar da grande depressão com banhos de champanhe, festas e cocktails. Narrada em flashback por uma protagonista que recorda, décadas mais tarde, aquele amor da juventude.

Primeira obra de Amor Towles (escreveria a seguir Um Gentleman em Moscovo), revela um autor nascido já em plena maturidade estilística. Encontramos aqui a mesma escrita rendilhada e elegante - e a mesma ternura na evocação de uma época de ouro, e de uma cidade e de uma mulher que se reinventam num tempo de promessas.