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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

A Menina que Roubava Morangos

A minha opinião:
Da Série Chocolate, li un ou outro livro mas é fácil recordar as histórias de Vianne Rocher (que associo a Juliette Binoche do filme Chocolate) e da sua filha de verão - Anouk, bem como interessar-me e muito pela sua filha de inverno - Rosette. A menina que roubava morangos. A menina que herdou o bosque onde os colhia. A menina que não gostava de falar e se manifestava por gestos ou sons de animais. 

Três narradores e uma missiva epistolar como quarto narrador. A magia na arte de preparar o chocolate, o que me deixa as papilas gustativas aos saltos, num romance místico, com muitas metáforas, analogias e hipérboles. 
Maravilhoso até... meio. Depois, cansou-me. A rivalidade com Morgana não tornou a trama mais empolgante e a intriga na pequena vila entrou num impassse até próximo do fim quando fechou com chave de ouro. 

O amor e o temor de perder. A liberdade no apelo do vento.

Autor: Joanne Harris
Páginas: 376
Editora: Edições Asa
ISBN: 9789892345727
Edição: 2009/ Julho

Sinopse:
O coração de Vianne Rocher, a encantadora e inquieta maga do chocolate, parece ter finalmente serenado. A vila de Lansquenet-sous-Tannes, que em tempos a rejeitou, é agora o seu lar. Com a filha mais velha, Anouk, a viver em Paris, Vianne dedica-se por inteiro à chocolaterie e a Rosette, a filha mais nova, a sua menina "especial". A acompanhá-las estão os seus amigos do rio, os extravagantes vizinhos, e o circunspecto padre Reynaud. Mas o vento, quando sopra, traz sempre mudanças… E estas começam com a morte de Narcisse, o temperamental florista. A vila fica em alvoroço pois Narcisse deixa não só uma surpreendente herança a Rosette, mas também uma inesperada confissão.

Nada voltará a ser como dantes. E quando uma loja nova abre onde antes se dispunham as magníficas flores de Narcisse, tudo parece um prenúncio de algo: um confronto, alguma turbulência, ou talvez até… um crime? Conseguirá Vianne impedir que o vento leve tudo o que lhe é mais querido?

Há magia no ar. Há luz e sombra. Vingança e amor. Vinte anos depois da publicação de Chocolate, Joanne Harris regressa à pitoresca vila francesa num romance sobre a força do passado, o poder da memória e a aceitação das marcas que a vida deixa em nós.

domingo, 25 de novembro de 2012

O Aroma das Especiarias

Autor:  Joanne Harris
Edição: 2012, Setembro
Páginas: 496
ISBN: 9789892320106
Editora: ASA

Sinopse:
Quando Vianne Rocher recebe uma dessas cartas, ela sente que a mão do destino está a empurrá-la de volta a Lansquenet-sur-Tannes, a aldeia de Chocolate, onde decidira nunca mais voltar. Passaram já oito anos, mas as memórias da sua mágica chocolataria La Céleste Praline são ainda intensas. A viver tranquilamente em Paris com o seu grande amor, Roux, e as duas filhas, Vianne quebra a promessa que fizera a si própria e decide visitar a aldeia no Sul de França.
À primeira vista, tudo parece igual. As ruas de calçada, as pequenas lojas e casinhas pitorescas… Mas Vianne pressente que algo se agita por detrás daquela aparente serenidade. O ar está impregnado dos aromas exóticos das especiarias e do chá de menta. Mulheres vestidas de negro passam fugazes nas vielas. Os ventos do Ramadão trouxeram consigo uma comunidade muçulmana e, com ela, a tão temida mudança. Mas é com a chegada de uma misteriosa mulher, velada e acompanhada pela filha, que as tensões no seio da pequena comunidade aumentam. E Vianne percebe que a sua estadia não vai ser tão curta quanto pensava. A sua magia é mais necessária do que nunca!

A minha opinião:
O último romance e o terceiro da série "Chocolate", que para mim, é o primeiro em tudo, porque esta autora é uma estreia absoluta. Vi o filme baseado no primeiro livro desta série, com  Juliette Binoche e Johnny Depp e recordo vagamente o ambiente bucólico daquela aldeia e a presença subtilmente distinta de Vianne. Uma mulher livre, que se deslocava com o vento, com capacidades extrassensoriais. A mãe considerava-se bruxa.
"Essa palavra está sobrecarregada agora com história e preconceitos. As pessoas que dizem que as palavras não têm poder não sabem nada sobre a natureza delas. Bem colocadas, podem pôr fim a um regime; podem transformar o afeto em ódio: podem começar uma religião ou mesmo uma guerra. As palavras são as pastoras das mentiras; conduzem os melhores de nós ao matadouro."
(pag.258)

Esta estória é contada a duas "vozes"; Padre Francis Reynaud e Vianne em capítulos alternados durante aproximadamente um período de tempo correspondente a um mês - enquanto decorria o Ramadão, sobre uma guerra ... "(...) entre homens e mulheres; velhos e novos; amor e ódio; Oriente e Ocidente; tolerância e tradição." (pag. 377)

Como o vento, ora suave e agradável, ora violento e tumultuoso, também assim se pode descrever esta narrativa. Enfeitiçou-me e levou-me perplexa ao longo das suas quase 500 páginas "aconchegando-me num casulo de doçura".

Pessoas e a sua interação que pode ser inquinada com um elemento numa pequena comunidade marcada pela diferença e pela mudança. As crianças tem a estranha faculdade de as aceitar. Mas, nós os adultos julgamo-nos tão espertos que não sabemos do que precisamos e deixamo-nos enganar ou manipular. É fantástico quando um livro nos conduz a uma reflexão e nos dá muito mais do que aquilo que esperávamos.
"Se o mundo fosse assim tão simples para nós... Mas nós temos a estranha faculdade de nos concentrarmos na diferença; como se excluir os outros pudesse tornar mais forte o nosso sentido de identidade. No entanto, em todas as minhas viagens descobri que as pessoas são geralmente iguais em todo o lado. Sob o véu, a barba, a sotaina, é sempre o mesmo mecanismo. Apesar daquilo em que a minha mãe acreditava, não há magia no que fazemos. Vemos porque olhamos para além de toda a confusão do que os outros veem. As cores do coração humano. As cores da alma."
(pag. 235)