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quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Os Esquecidos de Domingo

A minha opinião:

Muito bom. Não desilude e mais uma vez surpreende.

Duas histórias decorrem em paralelo. A de Justine e a de Helène e ainda que distanciadas no tempo, estas duas mulheres são muito especiais e muito próximas. Mulheres solitárias, com um imenso sentimento de perda e uma rara sensibilidade. E também estas mulheres se confundem com a Violette, de A breve vida das flores (um romance posterior de Valérie Perrin mas que foi o primeiro em português).

Um daqueles livros que dão um bom filme com algumas reviravoltas em que nada fica por explicar.

Os esquecidos de domingo num lar de idosos são quem imaginamos e é um título maravilhoso.

Autor: Valérie Perrin
Páginas: 312
Editora: Editorial Presença
ISBN: 9789722372503
Edição: novembro/2023

Sinopse:
Aos 22 anos, Justine vive com os avós e o primo, Jules, desde que os pais de ambos morreram num acidente. Os dias de Justine parecem suceder-se sem que nada se altere: trabalha nas Hortênsias, um lar de idosos na pequena aldeia onde habita, e adora conversar com os residentes. Entre eles, está Hélène, uma centenária cujo sonho sempre foi aprender a ler.

Justine e Hélène criam um profundo laço de amizade, alimentado pelas horas que passam a escutar-se e a partilhar memórias e sentimentos. E eis que, enquanto as conversas se multiplicam, três coisas acontecem: Justine começa a interrogar-se sobre a morte dos pais, compra um caderno no qual começa a escrever regularmente, e, no lar, surgem estranhos telefonemas que vão provocar uma pequena revolução nas Hortênsias… De que forma se entrelaçam as histórias? Como podem as antigas e novas memórias fazer Justine mudar o rumo da sua vida?

Como já nos habituou, Valérie Perrin deslumbra-nos com a sua enorme sensibilidade ao tratar os temas mais delicados das nossas vidas num romance em que a melancolia e a graça andam de mãos dadas e nada é deixado ao acaso do destino.

domingo, 20 de março de 2022

A Breve Vida das Flores

 

A minha opinião:

Alguns, raros livros, de beleza ímpar, agarram-nos na primeira página. Violette é uma personagem que nos conquista logo que se apresenta (e não é na primeira página que surge) e o mais incrível é que seja num cemitério que esta mulher luminosa vivia há vinte anos. Desilude-se quem espera algo de mórbido ou dramático porque esta é uma estória muito equilibrada, mesmo quando o que conta é amargo como um xarope que cura. 

E há os "lacrimorsos". Uma palavra inventada para reunir  a tristeza, a culpabilidade, os avanços e os recuos. Enfim, tudo o que nos dá cabo da vida. O que nos impede de seguir em frente. Nada disso impede Violette ou Julien, que se lhe juntou graças a Irène Fayolle e Gabriel Prdent, num misto de humor, ternura e afeto, com dor e alento. Um tom mágico para este romance. Nada é superfícial ou óbvio e tudo encaixa, ajusta, como um magnífico puzzle. Até Phillipe Toussaint e principlamente Sasha. A simplicidade universal e complexa dos sentimentos. Um romance que me apaixonou.

Autor: Valérie Perrin
Páginas: 448
Editora: Editorial Presença
ISBN: 9789722368438
Edição: 2022/ fevereiro 

Sinopse: 
Íntimo, poético e luminoso.
O romance protagonizado por uma mulher que, contra tudo e contra todos, nunca deixa de acreditar na felicidade.

Violette Toussaint é guarda de cemitério numa pequena vila da Borgonha. A sua vida é preenchida pelas confidências - comoventes, trágicas, cómicas - dos visitantes do cemitério e pelos seus colegas: três coveiros, três agentes funerários e um padre. E os seus dias pareciam ser assim para sempre. Até à chegada do chefe de polícia Julien Seul, que quer deixar as cinzas da mãe na campa de um desconhecido.

A história de amor clandestino da mãe daquele homem afeta de tal forma Violette, que toda a dor que tentou calar, toda a tristeza pela morte da sua filha vêm ao de cima. É tempo de descobrir o responsável por aquela tragédia.

Atmosférico, tocante e - tantas vezes - hilariante, este é um romance de vida: dos que partiram e vivem em nós, da luz que se pode revelar mesmo na mais plena escuridão. Porque às vezes basta a simplicidade de um gesto, basta a frescura da água viva para nos devolver ao mundo, a nós mesmos e aos outros.