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sexta-feira, 12 de maio de 2023

A neta

 

A minha opinião:

Um bom começo que agarre o leitor é sempre o objetivo de um escritor. Bernhard Schlink não o desmereceu neste romance. Austero e lírico, não se detêm em contemplações. 

"Mergulhado no luto, que o fazia sentir falta de Birgit sempre e em todo o lado, como se sempre e em todo o lado ela tivesse estado à sua volta, ao seu lado, esquecera-se do quanto ela, no fundo, tinha estado ausente."

Birgit não sabia o que a ocultação podia fazer a longo prazo e o seu texto revela o que Kaspar nunca soube. E nesta viagem ao passado o leitor percebe o quão pouco sabia sobre a História da Alemanha. O modo de vida no Leste e a repercursão com a queda do muro. A adaptação e a integração em duas perspectivas. Um romance que se lê devagar, não porque não seja compulsivo mas porque se adia o fim.

Como a musica de Bach (referida) contêm tudo, o leve e o pesado, o belo e o triste e os consegue reconciliar. Posições politicas divergentes entre o Kaspar de 71 anos e Sigrun de 14. Cada um ouve de acordo com a sua sensibilidade e é bom perceber o que faz. Como a literatura. Extraordinária relação entre estas duas personagens. Não apenas aprendem um com o outro como muda o leitor.

Autor: Bernhard Schlink
Páginas: 320
Editora: Edições Asa
ISBN: 9789892357515
Edição: abril/2023

Sinopse:
Maio de 1964. Num encontro de jovens das duas Alemanhas, Kaspar e Birgit apaixonam-se. Vivem-se dias radiosos de primavera e naquele momento tudo parece possível. As barreiras que dividem Berlim, porém, são inultrapassáveis e Birgit tem de abandonar tudo e fugir para o Ocidente para viver a sua história de amor. O preço que paga pela fuga só será conhecido décadas depois, após a sua morte, quando Kaspar encontra os seus escritos autobiográficos.

Kaspar decide então procurar respostas para o enigma em que se transformou a mulher que pensava conhecer melhor do que ninguém. Essa busca vai levá-lo a uma comunidade rural de neonazis. Numa casa que ostenta o retrato de Rudolf Hess na parede, Kaspar depara-se com Svenja, a filha que Birgit deixou para trás. Ao lado dela está uma rapariga ruiva com cerca de quinze anos. A neta?

Neste seu novo romance, Bernhard Schlink, escritor-filósofo e nome maior da literatura alemã contemporânea, regressa aos temas fundamentais da sua obra: amor, obsessão, traição, ética e dilemas morais. A Neta explora os paradoxos do amor e o enigma do tempo, e oferece-nos mais um grande romance sobre a Alemanha.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Olga

A minha opinião:
Olga. A sua história e a História da Alemanha de boa parte do Sec. XX. A escrita simples, extraordináriamente eficaz define esta mulher forte, arguta, de pensamento livre, tornando-a inesquecível, sem ser nada de especial aos olhos do mundo de hoje. Os homens que amou buscavam a vastidão sem fim.

Contemplativa e muito pobre, cedo ficou orfã. A amizade com Herbert transformou-se num amor profundo e duradouro, com frequentes e longas ausências dele, perseguidos por preconceitos. 

Olga é o retrato de uma geração. Uma vida comum com o fascinio do passado recente. Esperava drama e encontrei amor. Esperava vertigem e encontrei intensidade. Esperava feitos heróicos e econtrei bom senso. Esperava que fosse pouco e é muito. Impactante.

Autor: Bernhard Schlink
Páginas: 272
Editora: Edições Asa
ISBN: 9789892345529
Edição: 2019/ Junho

Sinopse:
Na viragem do século XIX, Olga vive com a avó numa aldeia a leste do império alemão. Órfã e habituada a uma vida dura, tem no inquieto Herbert o seu único companheiro de brincadeiras. Herbert é oriundo de uma família abastada e tem o seu futuro planeado há muito; nele não se inclui uma mulher sem berço e sem meios. No entanto, os dois apaixonam-se e resistem, alimentando a ligação em encontros secretos e desesperados. Até que Herbert decide tomar as rédeas do seu destino num ato de insubordinação que, mais uma vez, não inclui Olga. Vítima da febre expansionista alemã, o jovem decide partir à aventura - primeiro em África e depois numa expedição ao Pólo Norte, da qual não regressará. O tempo passa, mas Olga nunca para de escrever a Herbert, no Ártico, vertendo sobre o papel o seu amor e a sua fúria pelo sacrifício feito em nome da pátria.
Anos mais tarde, Olga conta a sua história. É a história de uma mulher forte, apaixonada e em colisão com os preconceitos do seu tempo.

Com a nostalgia e a mestria que lhe são características, Bernhard Schlink fala-nos da alma alemã e das vicissitudes de um amor interrompido pela ambição de uma nação. E apresenta-nos a Olga, uma figura literária inesquecível.