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terça-feira, 23 de outubro de 2018

A Persuasão Feminina

Autor: Meg Wolitzer
Edição: 2018/ setembro
Páginas: 480
ISBN: 9789896605186
Tradutor: Raquel Dutra Lopes
Editora: Teorema

Sinopse: 
Jovem, brilhante e ambiciosa, Greer Kadetsky acaba de ser aceite na prestigiada universidade de Yale com uma bolsa de estudo. Para entrar, basta preencher um formulário. Algo que os pais, na sua descontracção de hippies da velha guarda, não fazem.

É assim que ela se vê relegada para uma universidade de segunda linha enquanto o namorado, Cory, filho de imigrantes portugueses, concretiza o sonho de ambos e segue para Yale.

Enquanto se debate com a inesperada falta de rumo, Greer conhece a carismática Faith Frank, figura icónica do feminismo americano. Ao assistir a uma palestra de Faith, a chama que Greer temia extinta ilumina-se.

Anos depois, já terminada a faculdade, Cory dedica-se à alta finança enquanto Greer luta pelos seus ideais com fervor. São percursos distintos que os obrigam a confrontarem-se com a complexidade da vida adulta.

Aos poucos, ambos se afastam do futuro que sempre imaginaram para si próprios. E um dia, vão perceber como estão longe daquilo que sonharam ser.

A minha opinião: 
Não li o "Os Interessantes", que aguarda vez na minha estante em muito boa companhia, mas adorei o romance "A mulher".

"A Persuasão Feminina" começa com a protagonista Greer jovem, zangada com os pais por não estar na faculdade que merecia quando conhece Faith Frank, uma acérrima defensora dos direitos das mulheres. Mais tarde, vão trabalhar juntas e criam um laço quase maternal, dada a diferença geracional. A mudança das personagens, inclusive das personagens secundárias relevantes no enredo, bem como as mudanças na sociedade, com os anseios e conquistas das mulheres antes e depois, ou as cedências que se fazem em prol de um bem que se julga maior. Um romance com um cunho marcadamente feminista, pertinente e atual. O poder e ambição a par do desenvolvimento e humanidade, tantas vezes longe do que idealizamos.

Naturalmente bem escrito. Um romance para se ler devagar.

sábado, 26 de março de 2016

A Mulher

Autor: Meg Wolitzer
Edição: 2016/ março
Páginas: 288
ISBN: 9789724750743
Editora: Teorema

Sinopse:
A trinta e cinco mil pés de altitude, no conforto da cabina de 1ª classe do avião, Joan Castleman decide deixar o marido. Estão lado a lado, rumam a Helsínquia, onde ele, escritor de renome, irá receber o prémio literário de uma vida.
Na semiobscuridade, Joan mergulha numa intensa reflexão sobre a sua relação com Joe. O início tempestuoso, na universidade, onde ela era a aluna promissora e deslumbrada e ele o professor carismático e casado. E depois, o resto, a vida boémia em Greenwich Village, o nascimento dos filhos, e a decisão de subjugar o seu talento em prol da vida que acreditava querer.

Mas Joe revelou-se medíocre enquanto pai e marido, concentrando-se unicamente no seu dom. E Joan, entretanto, perdeu qualquer sentido de identidade, vivendo apenas como "a mulher do génio".
Agora, perante o apogeu da carreira literária do marido, é-lhe impossível refrear a memória do momento em que, ainda estudante, leu o primeiro conto dele. Chegou o momento de se confrontar com as consequências das opções que tomou tão cedo na vida - e do segredo que ambos sempre guardaram tão bem.

A minha opinião:
Joan Castleman, narradora e personagem principal conta a sua historia com Joe. Tal e qual como a sinopse revela, e o motivo porque quis ler este livro, que considerei a prenda perfeita para uma leitora convicta como eu. Por acaso, a leitura foi antecipada porque a minha generosa amiga deixou-mo ler primeiro. 

Não é uma leitura fácil ou óbvia como pode parecer, mas profunda e poderosa como apenas uma grande romancista consegue. O impacto da escrita de Meg Wolitzer é justamente porque funciona e ganha vida. O leitor mergulha  nas palavras e realiza o filme na sua cabeça. São palavras desencantadas, viscerais e irónicas, que tem o peso das decisões irreversíveis sobre o papel de mulheres brilhantes na vida de homens de sucesso que são os donos do mundo. O preço a pagar na década de 1950 em que as mulheres não conseguiam singrar e vingar simultaneamente no amor e na fama. Muitas ainda hoje não conseguem.
"(...) acho que se pode dizer que é uma conspiração para manter as vozes das mulheres abafadas e mínimas e as dos homens altas."    (pag. 67)

Sorumbático talvez. Em muitas passagens não parecia uma escrita feminina, noutras era intensamente feminina. Talento, casamento e filhos, realização pessoal e identidade, infidelidade, são muitos os temas abordados numa perspectiva muito pessoal e realista, mas principalmente o preço da fama.

Não li os "Interessantes" porque o que sei sobre esse romance ainda não me atraiu, mas depois de "A Mulher", vou considerar essa opção. 

Uma escolha adequada nestes dias longos de lazer e reflexão.