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sábado, 5 de maio de 2018

Um Amante no Porto

Autor: Rita Ferro
Edição: 2018/ abril 
Páginas: 224
ISBN: 9789722064811
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Uma história vibrante, escrita à desfilada, que segue a vida de Álvaro, um rapazinho do Porto, nascido de uma família burguesa da classe média, desde a escola primária até ao ensino universitário, passando pelas festas, o encontro com os meninos da Foz, o hóquei em patins e as bandas musicais do seu tempo, a paixão pelos cavalos e pelas mulheres, os grupos de estudantes e a Mocidade Portuguesa, até ao dia em que, já divorciado, encontra Zara, uma lisboeta livre, impetuosa e indiscreta, vinte anos mais nova, que pressente nele, por trás da aparente candura da sua história, uma verdade obscura que dificilmente aceitará.

Uma relação dura, sobressaltada e passional, feita de incerteza, de traição e de devassa, em que o amor se degrada com a desconfiança e onde quem esconde pode não encobrir tanto como quem indaga.

Um Amante no Porto é mais um surpreendente romance de Rita Ferro, que é também o retrato de uma época e uma profunda reflexão sobre o amor, no estilo directo e desafectado que é seu timbre inconfundível, com a competência narrativa a que já nos habituou.

A minha opinião:
Nas minha opiniões restrinjo ao que considero de interesse e acabam por ser restritas. Nesta senda começo por afirmar que gosto dos romances que Rita Ferro tem publicado recentemente. Escreve bem, brinca com as palavras e expõe estados de alma com sentido crítico. Franca, sem ser consensual ou humilde. Destemida e direta no discurso. 

Gostei de Zara. Posso estar equivocada mas tem muito da Rita que imagino. Lúcida e objetiva, para o bom e para o mal. Uma mulher que vê o "quadro" todo e não apenas parte. Nesta narrativa, na primeira pessoa, temos um retrato de epoca que reconheço (apesar de eu não ser natural do Porto) e o Amor;

"É extraordinário que nenhuma teoria o esgote e que ninguém se canse de o interpretar" (pag. 107)

que me arrebatou a partir do III capítulo. Muitos são os excertos que leio e releio antes de prosseguir a leitura. E gosto disso. Compreendo ou identifico-me com o que está escrito e dificilmente o conseguiria exprimir melhor. A complexidade da natureza humana e os equivocos nos relacionamentos tomando como exemplo Zara e  Álvaro.O fim do romance foi devastador. Sabia que não ficariam juntos mas não previ aquele desfecho que me pareceu genial e verossímel. 

Gostei muito. Enriquecedor e divertido, ainda que não fosse essa a intenção. Li arrebatada pelas personagens e pelas circunstâncias. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Só Se Morre Uma Vez

Autor: Rita Ferro
Edição: 2015/ julho
Páginas: 312
ISBN: 9789722057677
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Que pensa uma mulher de 60 anos enquanto os homens se matam uns aos outros? Que a preocupa para além da crise e das guerras? Que utilidade lhe encontram, quanto vale para certas pessoas? Que amores ainda a podem surpreender? Que esperanças, que forças lhe restarão antes de se render à idade?
Numa época em que a beleza e a juventude se apresentam como divindades e o dinheiro se revela - dir-se-ia - como a única religião verdadeiramente ecuménica do Mundo, é com a singularidade do indivíduo à margem destes padrões que a grande humanidade se identifica.
Talvez por isso, Rita Ferro teime em deixar o testemunho do seu tempo, lugar e circunstância, partilhando com os leitores o seu Diário 2, interlocutor das suas memórias, perplexidades e reflexões na passagem para os sessenta.

A minha opinião:
Li o primeiro volume do Diário Intimo de Rita Ferro e gostei de conhecer esta mulher que se expõe nas paginas do livro e partilha tantas opiniões e juízos de valor sem grande critério. Tanto de si, para o mundo, que julga conhecê-la  sem saber o mundo que traz dentro de si. 

Neste segundo volume, o tom agridoce mantêm-se. Leio com um sorriso nos lábios, uma gargalhada, lamento ou critica, uma escrita inteligente e reveladora, livre e despretensiosa. Uma mulher de altos e baixos. Uma mulher esclarecida e decidida. Uma mulher aguerrida, mesmo nas horas amargas. Um testemunho muito pessoal destes tempos conturbados que vivemos.

Goste-se ou discorde-se, são muitas as passagens por ordem cronológica e espacial que, nos dão que pensar ou recordar.

Gosto da escrita clara e acessível, numa letra bem visível, num livro de razoáveis dimensões, que me acompanhou durante um curto período nas minhas deambulações por aqui e ali. Quem sabe ainda me cruzo com a escritora Rita Ferro?
Por ora, aguardo o ultimo Diário que me falta ler. 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Veneza Pode Esperar

Autor: Rita Ferro
Edição: 2014/ janeiro
Páginas: 240
ISBN: 9789722054065
Editora: Dom Quixote

Sinopse: 
São raríssimas as autoras portuguesas que abrem a porta da sua intimidade aos leitores. Ao fim de duas dezenas de títulos, Rita Ferro corre esse risco oferecendo-nos a narrativa diária de alguns meses da sua vida, sem artifícios literários, num dos períodos mais sombrios e no rescaldo de perdas nucleares: o maior amigo, a casa onde investiu todas as economias, a mãe, o afastamento daquele que pode ter sido o seu grande amor.

Veneza Pode Esperar é o balanço autobiográfico de uma pósfeminista pragmática, mas aberta ao mistério, às voltas com o malestar contemporâneo, ao longo de 240 páginas tonalizadas pelo humor, a auto-ironia e a amarga lucidez de quem sabe perder, onde o presente se confunde com a memória e a escritora com uma das suas personagens.

Trata-se do primeiro volume de um diário íntimo, coleccionável como um folhetim, sem happy end nem beijos ao pôr do Sol.

A minha opinião: 
Pensamentos e memórias num tom agridoce. Um desnudar de alma que me surpreendeu e me prendeu a uma leitura que tanto me deu.  

Tal como a Rita só tenho um critério. Leio o que me apetece quando me apetece. E sofro de breves falhas de memória quando tenho que referir um título ou um autor. Sei o que li e o que extraí, mas raramente consigo acrescentar o suficiente ou enaltecer uma obra como merece. Não me tenho em tão grande conta que receie fazer figura de idiota. Este é um pequeno fragmento que retive, mas muitos serão os laços que senti com uma Rita que não conheço. 

Um livro de sentimentos. Solidão, desfasamento, tédio, dificuldades e muitas pequenas e grandes alegrias que me fizeram soltar estridentes gargalhadas. Sentido critico acutilante para um humor refinado, ou nem tanto.     

Tudo isto para exprimir numa só palavra - ADOREI!!