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quarta-feira, 21 de julho de 2021

Um ponto de interrogação é um coração partido

A minha opinião:

Muito bom desde as primeiras páginas. Alguns autores não desiludem. Depois de ler A Agenda Vermelha não podia perder este novo romance. E Elin já me conquistou. Fredrik promete.

A vida profissional de Elin está ao rubro mas o casamento com Sam está a descambar, depois de Alice atingir a maioridade e sair de casa, quando recebe um mapa das estrelas e uma breve mensagem de Fredrik e o passado irrompe pela porta azul e Elin é assolada pelas memórias. Tocante e envolvente numa escrita clara que torna muito presente o que é narrado. 

Seguramente o melhor romance que li este ano. Um romance que marca porque emociona e através da protagonista sentimos emoções fortes enquanto testemunhas priveligiadas do tanto que foram afetados. Será que nos lembramos através das memórias que ficam gravadas das coisas tal qual nos aconteceram?

Autor: Sofia Lundberg
Páginas: 312
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03450-2
Edição: 2021/ junho 

Sinopse:  
Elin Boals parece ter a vida ideal: é uma bem-sucedida fotógrafa de moda em Nova Iorque e tem a família perfeita, composta por um marido maravilhoso, Sam, e a filha de dezasseis anos, Alice. Porém, quando Elin recebe um mapa celeste enviado por Fredrik, o seu único amigo de infância, esse simples gesto impede-a de se concentrar na resolução de problemas mais prementes: o seu casamento está à beira do fim e ela não consegue sequer arranjar disponibilidade para a terapia de casal.
Neste difícil contexto, Fredrik é a lembrança viva de um passado que Elin fez tudo para esquecer e ocultar, principalmente dos que lhe são mais próximos. As memórias da vida difícil em Gotland, na Suécia, e de todos quantos ela deixou para trás voltam à tona, juntamente com a revelação do terrível segredo que determinou a sua fuga, aprofundando ainda mais o fosso entre ela e a família. Todavia, ao fim de décadas mergulhada na mentira, Elin acaba por compreender que a única maneira de salvar a existência que construiu é reconciliando-se com o passado.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

A Agenda Vermelha



A minha opinião:
Simples. A agenda vermelha. Passa despercebido. O que é uma pena porque é um livro encantador. Doris escreveu para reunir as suas memórias, criar uma panorâmica geral da sua vida, o que faz deste romance uma espécie de diário. E é bom viajar  no tempo à boleia de uma grande senhora e conhecer a sua vida e o mundo pelos seus olhos. Doris fez o suficiente. 

A velhice e a solidão. Acho que nos esquecemos de reflectir sobre isso até nos tocar próximo e na relação de Doris com a sobrinha-neta, bem como com as cuidadoras e enfermeiras temos noção da importância do carinho e do respeito. Um romance que nos liga à vida. Um romance que nos faz reavaliar o que e quem nos rodeia. 

Continuo a ler romances nórdicos mas de géneros e estilos muito diferentes. Escrevem bem e conseguem ser arrojados e criativos. Este romance de estreia não é um romance cor-de-rosa. Não há finais felizes, ainda assim tem um final surpreendente e apaziguador. Gostei muito. 

Autor: Sofia Lundberg
Páginas: 320
Editora: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-03228-7
Edição: 2019/ Setembro

Sinopse:
Doris pode ter noventa e seis anos e morar sozinha em Estocolmo, mas tal não significa que não continue ligada ao mundo. Todas as semanas, aguarda ansiosamente o telefonema por Skype com Jenny, a sobrinha-neta americana que é, simultaneamente, a sua única parente. As conversas com a jovem mãe levam-na de volta à sua própria juventude e tornam mais suportável a iminência da morte, que Doris sente a rondá-la. De uma forma muitíssimo lúcida, escolhe, de entre as inúmeras memórias que uma vida longa carrega, as que estão relacionadas com aqueles que conheceu e amou e cujo nome inscreveu numa pequena agenda vermelha.

As histórias desse passado colorido – o amor platónico pelo pintor modernista Gösta Adrian-Nilsson; o trabalho como manequim de alta-costura em Paris, na década de 1930; a fuga clandestina num barco que é bombardeado pelos soldados alemães do III Reich, no auge da Segunda Guerra Mundial – recriam uma existência plena que, embora se aproxime do derradeiro final, não está isenta de surpresas: um lembrete agridoce de que, na vida, os finais felizes não são apenas ficção.