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quinta-feira, 25 de novembro de 2021

O Lugar do Morto

 

A minha opinião: 

José Eduardo Agualusa, já o referi, não era para mim. Nada mais errado e mais uma vez confirmado com este pequeno livro que li compulsivamente desde que o abri. Apesar de ter sido publicado há dez anos e de ser sobejamente conhecido continua atual e pertinente, e ainda muito divertido, e eu não o tinjha lido por preconceito. Estúpido, porque julgando sem ler que não tendo que não tendo qualquer ligação a África e à nossa História comum com as ex-colónias não teria empatia suficiente para o entender.

Os portugueses não gostam de asas é uma crónica que com pouco diz muito, aliás, diz tudo, e esta do Eça de Queiroz, que além túmulo o diria e me assombrou a ponto de ler e reler. E depois foi sempre a abrir e reflectir nas palavras sábias de Leopold Sé dar Senghor, Machado de Assis, sir Richard Burton, Vinicius de Moraes e Camilo Castelo Branco (os que mais gostei) dos 24 que testemunham a sua visão póstuma. Os livros, os autores, as editoras e a lingua. Amei. Acho que vou reformular o meu pensar para mudar o meu sentir sobre alguns autores de raízes africanas.

Autor: José Eduardo Agualusa
Páginas: 160
Editora: Tinta da China
ISBN: 9789896710729
Edição: 2011/ fevereiro 

Sinopse: 
Num exercício de simbiose literária absolutamente original, Agualusa dá voz a grandes escritores, levando-os a comentar o mundo e a actualidade:
Jorge Luis Borges comenta a concentração dos grandes grupos editoriais.
Fernando Pessoa conversa com a fadista Ana Moura.
Machado de Assis discursa sobre o novo Acordo Ortográfico, Portugal e o Brasil.
Sir Richard Burton, escritor poliglota, indigna-se contra fronteiras e perseguições de imigrantes.
Jorge Amado rasteira os patrulheiros do politicamente correcto.
Vinicius de Moraes louva o músico e escritor Chico Buarque.
Sophia de Mello Breyner aprecia Mia Couto e fala do amor.
Saint-Exupéry está convicto da superior taxa de sucesso dos escritores-aviadores.
Padre António Vieira defende o futuro do português e a criação de uma Academia da Língua Portuguesa.
Camilo Castelo Branco delicia-se com as leituras públicas e abomina os e-books...

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Teoria Geral do Esquecimento

A minha opinião: 

Não esperava e não foi por falta de ouvir falar bem mas resisti. Agualusa não era para mim. A Teoria Geral do Esquecimento, apesar de ser um pequeno livro também não me parecia ter grande história, e girava em torno de uma mulher que se isola no seu apartamento durante anos quando se deu a Revolução em Angola.

Uma visão simplicista para uma narrativa vibrante e cheia de peripécias, com algumas poucas personagens extraordinárias em torno desta personagem central, que ao contrário, do que eu esperava, não é nada passiva. Cativante. Pequenos capítulos de frases curtas impulsionam para uma leitura voraz. E no fim, a teoria geral do esquecimento fica completa, como a humanidade precisa que o seja com todas as suas perdas. Afinal, a maldade também precisa de descansar. E como leitora precisava de um livro assim.

Autor: José Eduardo Agualusa
Páginas: 248
Editora: Quetzal Editores
ISBN: 9789897224416
Edição: 2018/ novembro 

Sinopse: 

Durante os tumultos da véspera da indepencência de Angola, Ludovica Fernandes Mano - aterrorizada com os acontecimentos - decide proteger-se e isolar-se no seu apartamento. Ergue uma parede separando o seu apartamento do resto do edifício - do resto do mundo. Durante quase trinta anos sobrevive a custo, como uma náufraga numa ilha deserta, vendo, em redor, Luanda crescer, exultar, sofrer. Morre em Luanda na Clinica Sagrada Esperança (curiosamente, o título de um livro de poemas de Agostinho Neto), na madrugada de 5 de outubro de 2010, contando oitenta e cinco dias. Durante esses trinta anos, Ludovica ("Ludo") escreve um diário, vários poemas e um vasto conjunto de reflexões sobre esse período - além de desenhos a carvão nas paredes do apartamento.
Tudo registado em cadernos e papeis que Sabalu Estevão Capitango ofereceu ao narrador deste livro...